FELIPE MACIEL
Depois da derrota ferrarista no Mundial de 2010, onde o jogo de equipe aplicado por Stefano Domenicali fez uma diferença tão nula quanto aquele ordenado por Jean Todt em 2002 - apesar de resultados opostos no campeonato -, o atual presidente da FIA resolveu lamentar sua atitude no memorável domingo em A1-Ring.
Arrependo-me porque, olhando para trás, vejo que poderia ter sido evitado, pois Schumacher acabou ganhando o campeonato. Mas me arrependeria ainda mais se tivesse perdido o título por dois pontos.
Jean Todt
Ora, isso pode ter qualquer nome, menos arrependimento. Trata-se de uma mera constatação de que a Ferrari arrumou uma confusão desnecessária a troco de nada. Mas se fosse a troco do título, ele faria. Portanto ele não se arrependeu de marmelada alguma. Se para Todt os fins continuam justificando os meios, este foi o arrependimento mais mal arrependido que eu já vi.

Com relação às conversas de rádio com Barrichello, Todt não fez cerimônia para inserir sua versão. Enquanto Rubens já insinuou uma fábula surpreendente que seria contada num livro que jamais será escrito, o antigo chefão da Ferrari revelou que o piloto brasileiro tinha consciência de todo o plano antes mesmo da largada, mas esperou até a última curva para executar a inversão:
Não precisei dizer nada para convencê-lo. Já tínhamos combinado antes: "Se você estiver na frente após o pit stop, tem que deixar Schumacher passar sem criar confusão". Esse era o acordo. Na verdade, um piloto é pago para aceitar certas decisões. Chamei-o umas 50 vezes, bem claro. Ele abriu na última curva, o público vaiou, Schumacher ficou com o primeiro lugar e a Ferrari foi multada em US$ 500 mil por violar o protocolo
Jean Todt








