sexta-feira, 30 de abril de 2010

Memória Blog F-1: Sorte de campeão



FELIPE MACIEL


Murray Walker narra a última volta do GP da Espanha, que não seria liderada por Mika Hakkinen, ao contrário da penúltima.



Essa era da época em que Schumacher ganhava de um jeito ou de outro. Neste dia ele ganhou de outro.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Lá vem a fase européia...



FELIPE MACIEL



Pensamento do dia: É duro esperar 3 semanas para assistir a uma corrida desanimadora.

O público da Fórmula 1 começou o ano encarando a nova temporada com um nível de stresse sem igual. O GP do Bahrein frustrou a todos que esperavam um bom reforço na qualidade das competições em pista, mas à medida em que o circo foi se afastando da Europa as boas corridas trataram de apaziguar os ânimos.

Agora é hora de pousar no velho continente e encarar a realidade. Porque na Austrália teve chuva na corrida, na Malásia desceu água no treino e na China choveu durante o GP. Mas a próxima parada é em Barcelona, onde as ultrapassagens só não conseguem ser mais raras que a chuva.

Há poucos anos os organizadores modificaram o trecho final do circuito removendo uma interessante curva de alta para evitar a perda de pressão aerodinâmica e remodelaram o traçado com uma chicane que não ajudou em nada os duelos do final da reta principal.



Eu sou da opinião de que não se deve repulsar curvas rápidas para implementar um contorno de baixa velocidade se não houver garantia de eficácia nas ultrapassagens. Porque é muito mais interessante tanto para o público quanto para o piloto se deparar com o desafio de uma curva que imponha dificuldades do que obrigar todos a estacionarem seus veículos para passarem por lá. Não que a antiga curva da vitória fosse tão rigorosa, mas com relativa frequência alguém sambava na grama da entrada da reta. Hoje, ninguém erra naquele trecho.

O problema, porém, não é o GP da Espanha, afinal o histórico nos leva a baixar as expectativas para a prova. Aliás, o país do Alonso tem duas representantes no calendário, mas nenhuma que preste para empolgar os torcedores.

O problema é que a fase européia pode ratificar a desconfiança vista logo na primeira corrida do campeonato: mais uma vez, a F-1 mudou para não mudar.



Está chegando a hora de começarmos a medir pra valer a eficácia do fim do reabastecimento. Na abertura do calendário europeu, as equipes atualizam a munição e partem para o que Alonso chamou de "hora da verdade". Não só em relação ao grau evolução da categoria em termos de possibilidades de ultrapassagem, mas também em relação ao nivelamento das equipes para descobrirmos quem de fato brigará pelo título e que não poderá sonhar tanto com ele.

E... sinceramente? Button e Rosberg na ponta da tabela não me inspiram confiança...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Stirling Moss x Michael Schumacher



FELIPE MACIEL



Sir Stirling Moss, o homem que duelou com Fangio e acompanhou todos os anos de existência da Fórmula 1 até aqui, deu seu parecer a respeito do regresso de Michael Schumacher.

Ok, você provavelmente já viu incontáveis especialistas avisando que o alemão precisa de mais tempo para se readaptar. E é exatamente por isso que a visão de Moss se destaca no meio de tantas opiniões parecidas: para o inglês, Michael não deveria ter voltado.



Em uma palavra: não. Não entendo. Schumacher é um sujeito muito inteligente, e tudo o que ele vai fazer é manchar suas conquistas. As pessoas dirão que ele passado é agora, o que provavelmente é verdade. Nunca vimos Michael com um 'número 2' que fosse comparável a ele. Ele teve Rubens Barrichello, que sem dúvidas é um ótimo piloto, mas não necessariamente um vencedor.

As pessoas dizem que ele é o melhor por conta de seus sete títulos mundiais, mas na verdade isso não significa nada. Na verdade, significa - é uma grande conquista - mas não significa que ele seja o melhor de todos os tempos.

Stirling Moss



Acabo concordando pelo menos em parte com o Moss: Schumacher não tinha nada que voltar. Mas já que voltou, agora se vira... Dê seu jeito de (re)aposentar num nível tão aceitável quanto da outra vez.

É bom que se diga, porém, que aos 41 anos, sendo os 3 últimos marcados pela aposentadoria da F-1, não é nada justo comparar seu desempenho com o de Rosberg e dizer que este é o primeiro companheiro competitivo que enfrentou na categoria. Se me concederem a permissão de usar o "se": Se o Barrichello tivesse sido contratado pela Mercedes, estaria andando nitidamente à frente de Michael do mesmo jeito que o Nico.

Não devemos tirar conclusões sobre este Schumacher, e sim aquele, cuja trajetória se iniciou em 1991, aos 22 anos, e se encerrou em 2006 com 7 títulos no bolso. O Michael de agora é só um tiozão querendo provar para os garotões que ainda pode ser competitivo como eles.

A diferença é que não estamos tratando daquele seu velho amigo bom de bola que não abria mão de uma boa pelada nos fins de semana, mas sim de um dos maiores pilotos de todos os tempos que resolveu voltar às pistas da categoria automobilística mais assistida do mundo. Em todo caso, julgue o talento do tiozão pelo que ele fez no tempo normal de carreira, não nos dispensáveis acréscimos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Memória Blog F-1: que polêmica?



FÁBIO ANDRADE





Massa? Alonso? Polêmica? Espanha? Não, não conheço. Na verdade, nunca nem ouvi falar...

*Largada do GP da Espanha de 2007.

Ferrari se prepara para correr no quintal de Alonso



FELIPE MACIEL


A Ferrari é a única equipe do grid onde se cria uma tempestade quando um dos pilotos ultrapassa seu companheiro de equipe.

As italianos também têm sua parcela de culpa nesse comportamento do público e da imprensa, afinal é o próprio time que implementou psicologicamente o "Alonso não passa Massa, Massa não passa Alonso".

O procedimento engessado de seus pilotos ficou nítido na Austrália, etapa em que o espanhol colocava 7 décimos por volta sobre Felipe, porém teve a infelicidade de rodar na largada. Durante a performance de recuperação, Fernando ultrapassava meio mundo, até o momento em que encontrou o brasileiro na pista e resolveu sossegar por ali.

Na Malásia, de novo ninguém passou ninguém, sendo que desta vez o agravante do câmbio de fato reduziu a capacidade de Alonso buscar qualquer posição no braço.

Na China, acabou a paciência, como bem disse o Daniel Gomes. O bicampeão tinha muito mais ritmo que Felipe e não perdoou quando Massa abriu uma brecha no vacilo da curva 14. Não fosse essa ultrapassagem na hora H, a Ferrari amargaria um resultado pífio em Xangai.



A dúvida agora é quanto ao comportamento dos pilotos na terra do Alonso. Vai que Massa surja de novo na frente de Fernando apresentando desempenho inferior ao anfitrião durante a corrida...

Ok, o GP da Espanha não deve ser disputado sob baixa temperatura, mas não há garantia de que este seja o problema enfrentado pelo Felipe a bordo do F10.

A questão é se a equipe perderá a impassibilidade diante da pressão local e usará o jogo de equipe para Fernando abrir caminho, ou se irá liberar o confronto normal entre os dois, correndo todos os riscos associados à competitividade de dois pilotos experientes e agressivos na mesma proporção, bem diante da Alonsomania. Ou então a equipe continua travando o duelo natural, esperando que nada aconteça se ninguém errar.

Não se trata de criar um clima incontrolável na equipe, nos moldes Woking-2007. Mas sim de até quando a Ferrari sustentará o controle ou a partir de que momento sairá de cima do muro. A cada GP, o cerco se fecha um pouco mais. Se a briga fosse mais aberta, como no caso atual da McLaren, não haveria tanta apreensão sobre o pit wall vermelho.

Que venha a Espanha! Um palco potencial para polêmicas...

domingo, 25 de abril de 2010

Atualizando lista de dobradinhas na F-1



FELIPE MACIEL



A temporada 2010 não está deixando a desejar quando o assunto é 1-2. Em 4 corridas, tivemos 3 dobradinhas de equipes diferentes!

No Bahrein, Alonso e Massa deram à Ferrari a 80ª dobradinha da história da equipe. No GP da Malásia, foi a vez da Red Bull fechar o fim de semana com 100% dos pontos disponíveis pela 5ª vez na F-1. Já no GP da China, a McLaren de Jenson Button e Lewis Hamilton ocupou os melhores lugares do pódio pela 45ª vez em sua trajetória.

Das que ainda moram no grid (o que não é o caso da Lotus, em minha modesta opinião), menciona-se a Williams que não crava 1-2 desde a França-2003, na vitória de Ralf Schumacher com Montoya em 2°, além da equipe Renault, cuja lacuna dura desde 2006, quando Fisichella cruzou a linha à frente de Fernando Alonso no GP da Malásia. A Sauber vai deixar de ser BMW antes que possa sonhar com sua segunda dobradinha. Já a Mercedes está ensaiando acabar com o tabu que dura desde 1955, no triunfo de Fangio e Taruffi no GP da Itália.



Seguem as estatísticas:

1. Ferrari - 80
2. McLaren - 45
3. Williams - 33
4. Lotus - 8
5. Brabham - 8
6. Tyrrell - 8
7. Cooper - 6
8. Mercedes - 5
9. BRM - 5
10. Red Bull - 5
11. Alfa Romeo - 4
12. Brawn GP - 4
13. Kurtis Kraft - 2
14. Epperly - 2
15. Watson - 2
16. Matra - 2
17. Renault - 2
18. Benetton - 2
19. Maserati - 1
20. Ligier - 1
21. Jordan - 1
22. BMW Sauber - 1

sábado, 24 de abril de 2010

Stefan ataca novamente



FELIPE MACIEL



Essa pista com cara de Barcelona é onde o incansável Stefanovic pretende ver seu país recebendo o GP da Sérvia. O traçado possui 3,5 km - alguém esqueceu de dizer a ele que o mínimo permitido na F-1 é de 4km.

O circuito ficará localizado no Stefan Technology Park, que incluirá, quando pronto daqui a 2 anos, o QG da equipe que busca novamente uma vaga no grid para o ano que vem.



A Stefan também fez uma lista de pilotos candidatos em seu site. Mas só de olhar aquele carro vermelho já cresce minha confiança de que a equipe vai ser rejeitada. Ainda não estou convencido de que seja um empreendimento confiável.

No momento, estou pendendo minha torcida para o lado da Epsilon Euskadi. Mas como a FIA só sabe escolher um time de cada país, toda a sua estrutura técnica e capacidade de tocar uma escuderia na F-1 pode ser preterida por qualquer outra postulante, desde que venha de uma nação, digamos, diferente.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Memória Blog F-1: O Irreconhecível



FÁBIO ANDRADE



23 de abril de 2006, Autódromo Enzo & Dino Ferrari, Ímola, Itália. Palco do último Grande Prêmio de San Marino da história da Fórmula-1, realizado há exatos 4 anos.

As 15 voltas finais de uma corrida que é um belo contraponto ao desempenho de Michael Schumacher no GP da China:

 

Foi incansável o combate que Schumacher ofereceu a Alonso. O final do GP de San Marino de 2006 teve uma briga precisa, nervosa, de titãs, mas em que Fernando Alonso não conseguiu a ultrapassagem. É claro que o desenho da pista de Ímola, lotada de chicanes e variantes de baixa velocidade, dificultou ainda mais a vida de Fernando. Mas Schumacher não deu espaço ao espanhol.

Foi pela frieza demonstrada em situações de grande pressão como essa, em que suportou as ferozes investidas de um piloto de alto nível, que Schumacher ficou conhecido. Talvez por isso foi tão comum ver a palavra “irreconhecível” ao lado do nome do alemão depois do GP da China.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quem será a nova fornecedora de pneus?



FELIPE MACIEL


Está chegando a hora da FIA definir quem vai suceder a Bridgestone no fornecimento de pneus da F-1.


Para quem vê de fora, a Michelin é franca favorita por sua vasta na experiência na categoria e o curto intervalo de tempo desde o ano em que se retirou.



A marca francesa praticamente expulsa da Fórmula 1 pela FIA só voltará se a entidade atender suas notáveis exigências. Ela deseja concorrência e também busca ampliar o diâmetro das rodas de 13 para 18 polegadas, o que provocará certos custos de adaptação por parte das equipes na manufatura do carro, seja em elementos mecânicos, seja em aerodinâmicos.


Esta candidata registrou nada menos que 102 vitórias, 111 poles, fez 108 voltas mais rápidas e somou 3308,5 pontos nos seus 215 GPs, que ocorreram entre os anos de 77 a 84, e mais recentemente entre 2001 e 2006.



Aparentemente, as sugestões da Michelin abriram os olhos de outras marcas, como por exemplo a Pirelli, que apoia a proposta de aumentar o diâmetro do aro e também pretende contar com a ajuda da Fota nos custos do fornecimento da borracha.


A fabricante italiana ostenta 43 vitórias, 46 poles, 50 voltas mais rápidas e um total de 238,5 pontos nos 200 GPs, conquistados entre 81 a 91 com exceção das temporadas de 87 e 88.



Já a americana Cooper Avon é a queridinha do tio Bernie, que não parece nem um pouco empolgado com possibilidade de uma nova guerra de pneus.


Ela está um tempinho longe da F-1: Participou nos anos 54, 56, 57, 59, 81 e 82, totalizando 8 pontos em 29 GPs.


Caso não pinte uma surpresa, ao menos um desses 3 nomes fechará o negócio. Seja lá qual for a decisão, espera-se que seja tomada e divulgada em menos de um mês. Mais precisamente no fim de semana do GP da Espanha. De 9 de maio não passa. É o que prometem...

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Xangai



FELIPE MACIEL


No ar, a edição número 76 da Rádio OnBoard!

Ron Groo e eu recebemos a companhia da amiga Ingryd Lamas para falarmos sobre esta bela corrida na China, dominada pela dupla da McLaren.



Clique para ouvirClique para baixar

Como dizem os jornalistas da F-1, tiraremos uma semana sabática, já que a categoria fará uma pausa de 21 dias. Dentro de 15, portanto, retornaremos com a edição Pré-Espanha. Até lá!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Fórmula 1 rumo a 25 GPs por ano



FELIPE MACIEL



A Fórmula 1 igualará em 2010 o recorde de GPs por ano ocorrido em 2005. Caso nenhuma corrida seja cancelada, claro. Destacam-se as informações do atraso nas obras na Coreia e a suposta ameça do Eyjafjallajokull ao GP da Espanha, mas com um pouco de sorte teremos as digníssimas 19 corridas agendadas para esta temporada, preparando-nos para bater recorde atrás de recorde nos anos seguintes.

Em 2011 serão 20 etapas, e em breve chegaremos a 25. Palavra de Bernie Ecclestone.



O próximo Mundial incluirá uma etapa na Índia. Depois disso, ainda há muito a se decidir... Tudo leva a crer que o poderoso chefão trará o circo à bela paisagem de Manhattan, consolidando o tão desejado retorno da F-1 aos Estados Unidos. A Rússia também está na alça de mira do Bernie, que possivelmente tornará Sochi a sede do Grande Prêmio da terra do Petrov.

Roma ganharia sua corrida em 2013, para o entusiasmo dos tifosi. Ainda há a esperança de o tradicional GP da França retomar seu espaço, resta saber qual circuito faria as honras - provavelmente um rabisco do Tilke resolveria o assunto.

Mesmo somando todas as conjecturas, ainda faltaria GP para completar os 25 mencionados por Sir Ecclestone. Mas se as previsões se confirmarem, a F-1 estará trilhando um sonolento caminho de aumento do número de provas de rua, que servem sobretudo ao interesses de marketing, mas não aos anseios por boas corridas.

Para quem realmente gosta da coisa, a volta do reformado circuito de Ímola seria muito mais interessante do que a criação de um traçado urbano na capital italiana. Particularmente, porém, considero mais atraente uma devolução de espaço a Portugal no calendário, com o belo e sinuoso autódromo de Algarve e seu distinto potencial para promover boas exibições de quaisquer categorias que tiverem o privilégio de correr por lá.



Saindo do campo ideal e recolocando os pés na realidade, o fato é que Bernie terá de usar suas habilidades apelativas para convencer as equipes a lidarem com a intensidade de trabalho e o disparo dos gastos consequentes de um calendário tão obeso. E não será surpresa alguma caso a parte principal de sua performance eloquente derivar dos estonteantes lucros esperados com os novos GPs estrategicamente selecionados.

Se a expectativa de temporadas cada vez mais longas se confirmarem, os fãs em geral não terão do que reclamar. Afinal, ninguém precisa de 4 meses de pré-temporada. Provavelmente, um tempo em torno de 70 dias se tornaria o intervalo disponível para as equipes programarem as transições de um campeonato para outro, o que ganha sentido numa fase de crescentes restrições nos testes da F-1.

No que depender do presidente da FOM, podemos ir nos preparando para as megatemporadas. Não é algo simples de se fazer, mas impossível não é.

Para trás, Schumacher



FÁBIO ANDRADE



Se minha memória está boa, aí estão quase todas as ultrapassagens sofridas por Schumacher no GP da China:

 

Na ordem: Hamilton, Vettel, Hamilton de novo, Alonso (por fora), Petrov e Felipe Massa.

Créditos para o canal F1 Vídeos.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O necessário Hamilton, parte 2



FÁBIO ANDRADE



Pouco se falou de Lewis Hamilton ontem. Não que a corrida do inglês tenha passado batida, mas é que Lewis, o maior homem-show do atual grid, merecia o palco só pra ele.

Depois do Grande Prêmio da Malásia esse editor escreveu, com o subtítulo “O necessário Hamilton":
“Lewis Hamilton é um dos mais notáveis pilotos do atual grid quando o assunto é ultrapassagem. [...] O destemor, como bem foi observado no GP da Austrália, é, certamente, a maior qualidade e o pior defeito de Hamilton, e é também aquilo que faz o campeão de 2008 ser amado por uns e odiado por outros tantos. Hamilton é, portanto, um piloto mais do que desejável nessa F-1 sem reabastecimento, ele é necessário, porque com pneus frios e tanque cheio, no início da corrida, não mediu esforços para ganhar quantas posições pudesse. Ainda falta um grande resultado ao britânico em 2010, é verdade, mas tal como o tempo fez justiça a Vettel, certamente a hora de Hamilton vai chegar."

E o GP da China reforçou essas convicções.
O Homem-Show

Hamilton foi o grande “passador” de Xangai, assim como foi na Austrália e na Malásia. O arrojo é parte de seu estilo desde o início de sua carreira na F-1, mas nem sempre isso foi visto com admiração por parte dos espectadores e da imprensa especializada.

Durante seus dois primeiros anos na F-1, Hamilton teve de conviver com a pecha de “homem-show”. O termo, apesar de remeter a um espetáculo glamuroso, não era nada positivo. A expressão foi, por muitos anos, a pecha com a qual a F-1 se referia ao piloto que dava show, fazia ultrapassagens e manobras quase acrobáticas, mas não ganhava a corrida. E Hamilton, depois de perder bobamente o título de 2007, deixou de ser tratado como “o melhor calouro de todos os tempos” para ser somente o “homem-show”.



É verdade que alguns traços da personalidade de Hamilton favoreceram a antipatia de parte do público. O inglês é um sujeito convencido, talvez até presunçoso, e também é um dos maiores super-stars da área comercial-midiática da F-1, e tudo isso, as vezes, faz certas palavras de Hamilton soarem pedantes e arrogantes. Além disso, o piloto já se envolveu em situações evitáveis, como o escândalo da mentira na Austrália em 2009. Mas eu prefiro ignorar os acontecimentos extra-pista nesse momento.

Nas pistas, o inglês dá seu show (entenda-se “show” sem a carga pejorativa de antes). E acerta, e erra e tenta de novo. Ele não possui a frieza cirúrgica que Michael Schumacher apresentava no auge de sua primeira vida esportiva, por exemplo, porque ele não pertence a essa escola de pilotos. Hamilton é de outra turma, de outra formação, e o momento em que ele surge para a F-1 exige um combate piloto-a-piloto mais firme e é claro que uma disputa direta envolve mais riscos de erro. Nós, fãs da F-1, nos acostumamos com o padrão Schumacher de qualidade para classificar os pilotos, mas a época de Schumacher não deve se repetir tão cedo. Apesar de as conquistas do alemão estarem ali, há menos de 10 anos de distância, Hamilton já pertence a uma outra época.

Não parece justo, portanto, exigir de Hamilton um comportamento de Schumacher. Hamilton é um piloto de reações mais quentes, se é que se pode usar o termo, e isso é adorável para o momento da categoria. E, além disso, a F-1 tem provado que não precisa de um Schumacher na pista para ser fenomenal.

domingo, 18 de abril de 2010

Dupla de equipe: GP da China



McLaren


É gozado porque depois de classificação considerei que a McLaren estava definitivamente fora da briga e que os tais dutos estavam sendo superestimados. Na verdade ainda acho que os dutos estão recebendo um tratamento um pouco exagerado pela imprensa e pelos próprios personagens do circo, afinal, velocidade máxima final não é o único fator determinante para fazer um carro competitivo.

Mas fora da briga a McLaren não esteve e a equipe é a única que venceu duas até aqui em 2010. Foram vitórias circunstanciais? Prefiro não entrar nesse mérito. O que acontece é que a McLaren (Button, sobretudo) soube aproveitar melhor as chances que apareceram.

Fábio Andrade



Desde a sexta-feira até o Q2 no sábado, a ameaça da McLaren era perceptível. Mas o fracasso na super pole foi inacreditável. Enquanto a Red Bull respirava aliviada com a pole, soltou uma ironia para cima dos ingleses. Acabaríamos descobrindo que era cedo para isso...

Mais uma vez, sob chuva, Hamilton e Button partiram para estratégias diferentes. E Button de novo levou a melhor. Mas o show do Lewis não pode ser menosprezado, pena que seu estilo empolgante de guiar esteja sendo prejudicado pelo reabastecimento proibido. Se vencesse, seria merecido. Assim como a vitória do Button também foi. Dobradinha merecida, pois.

Felipe Maciel



Vitaly Petrov


A F-1 não parece muito carente de homens-show, mas o Petrov veio pra engordar as fileiras desse tipo de piloto. Ultrapassou, rodou, ultrapassou de novo. Eu ainda vou esperar um pouco mais pra dizer se gosto ou não dele, do estilo dele, mas por ora não tá fazendo feio.

Tô gostando mesmo é da Renault. As corridas têm sido um pouco estranhas, talvez por isso o desempenho do carro esteja sendo avaliado precipitadamente, mas parece que a equipe foi muito subestimada durante a pré-temporada.

Fábio Andrade



O russo está evoluindo bem... Com um final de corrida em grande estilo, marcou os primeiros pontos na Fórmula 1. Foi um dos bons destaque da China, sem dúvida. O presidente da Rússia já pode comunicar ao seu povo: "Nunca na história desse país um russo ultrapassou o Schumacher!".

Felipe Maciel



Massa x Alonso


Na China o Alonso engoliu o Felipe. Ponto.

Felipe vai ser segundão na Ferrari? Vai ser substituído no fim do ano? Vai passar o ano sem ganhar uma? Bem, não sou nem quero ser profeta de nada, e acho que ainda é muito cedo para responder a todas essas perguntas.

O incidente na entrada dos boxes: não é usual ver na Ferrari, mas também não vejo o drama que tentaram construir. Se o piloto da frente está mais lento o normal é ultrapassá-lo, certo?

Fábio Andrade



Antes de mais nada, o Massa errou. Não se conserta o erro batendo no companheiro, sobrou-lhe portanto aceitar a perda de posição. Mas será que não tinha um momento pior para ele dar uma balançada do que na exata hora de entrar nos boxes?!

Bem, lucro para a Ferrari que o Alonso tenha passado o Massa. Porque o espanhol tinha muito mais ritmo para galgar posições e o fez. Quanto ao incidente, não vejo por que discutir: O Fernando já tinha passado! Se não fossem para os boxes, ele superava o Felipe na curva da vitória. Parceiro de equipe é antes de mais nada piloto, isto é, ele não está lá para tirar o pé e dar apoio moral quando o outro erra, e sim para ultrapassar e ir embora.

Felipe Maciel



Michael Schumacher


Está enfrentando grandes apuros. É complicado falar porque o Schumi desperta muitas paixões. O que é seguro dizer é que ele concordou em se expor dessa forma. Depois de 4 corridas os fatos são: Schumacher foi sistematicamente mais lento do que o companheiro e ainda não se adaptou a essa F-1 tão diferente de quando ele parou há 3 anos. Idade influencia? Pode ser. Mas é óbvio que todos vamos avaliá-lo não só pelo que ele fez até 2006, mas também por agora em 2010, e com uma cobrança até maior, já que se trata do maior recordista da história. E o que Schumacher conta até aqui em 2010 não faz justiça a um homem com o currículo dele.

Se Schumi não se adaptou ao carro, aos pneus ou ao novo estilo que a F-1 adquiriu é um problema que ele terá de resolver. Estava tudo no pacote.

Fábio Andrade



Já não entendi o que o Schumacher pretendia quando anunciou que retornaria, e a cada dia entendo menos. Voltou para quê? Para ser octa? Ser octa pra quê? Ninguém até hoje foi nem hexa. Ah, sim, ele voltou para se divertir. Sei, mas vale a pena o risco?

O retorno do alemão pode se transformar na pior decisão já tomada em sua carreira. Justo ele, que nunca enfrentou um período de decadência, já que se afastou em grande forma... É triste ver cenas como essas exibidas durante o GP da China.

A diferença em relação ao Rosberg, ao invés de diminuir, parece que está crescendo. A única coisa que deve está se reduzindo é sua motivação. Possui um dos 4 melhores carros do grid mas é apenas o 10° da tabela. Já duvido que volte a ser reconhecível, pelo menos nesta temporada.

Felipe Maciel



Tabela classificatória


Cabem poucas observações, a meu ver. A tabela reflete com boa margem de acerto, se é que o termo existe e é justo usá-lo, o que a temporada está apresentando até aqui.

Fábio Andrade



É estranho dizer isso, mas poucos acreditavam que o atual campeão fosse liderar a tabela do campeonato com relativo conforto. O Nico Rosberg em segundo nem se fala!

Ferrari e Red Bull, supostamente os melhores carros do princípio da temporada, estão fora da ponta. A Ferrari já foi alcançada por McLaren e Mercedes. A RBR ainda tem uma pequena folga e apresenta maior potencial de recuperação. De qualquer forma, as quebras nas 2 primeiras corridas, e este GP da China - uma das piores exibições sob chuva da equipe - lhe privaram de conquistar os pontos correspondentes ao que o carro tem para dar.

Felipe Maciel



Troféu Santander


Huuuummm. Pra mim ficou bonito. Eu sempre acho troféus bonitos. Sei lá, entendo pouco sobre desenhos, tradição, e essas coisas. Se é ou não o logo de uma marca acho que pouco importa.

Fábio Andrade



Deram uma bela melhorada no desenho, não? O chamado cocozinho do Santander evoluiu para um troféu de verdade. Se divulgam a marca sem estragar o símbolo de um trabalho bem feito, está ótimo.

Felipe Maciel

Button arrisca, vence na China e lidera o campeonato



FÁBIO ANDRADE



Quando a chuva começou a cair na tarde do dia 28 de março em Melbourne faltavam alguns minutos para o início do GP da Austrália. A direção de prova então teve tempo hábil de considerar a pista do Albert Park como oficialmente molhada, e as equipes calçaram os pneus intermediários nos carros. Eis a diferença de qualidade entre aquela corrida e o GP da China.

Não que a prova disputada em Xangai tenha sido exatamente ruim, mas o chove-não-molha das 20 voltas iniciais deu um caráter de gincana televisiva ao grande prêmio chinês e culminou numa entrada de Safety Car que se não pode ser taxada de artificial foi, no mínimo, intencional.
Chove-não-molha

Jenson Button, evidentemente, foi o nome da corrida, mais dele falamos depois. O britânico não foi o grande destaque da largada. Foi Fernando Alonso o grande nome, para o bem e para o mal. Pulou na frente depois de largar muito melhor do que todo mundo, mas queimou a largada, sob o olhar atento do diretor de prova Charlie Whiting. Inevitável punição ao espanhol, que acabou lucrando ao final da corrida com o 4º lugar.



Seguiu-se então a sequência maluca do chove-seca-volta-a-chover. A princípio vários pilotos correram para os boxes, aproveitando o safety car acionado pela rodada de Vitantônio Liuzzi ainda na 1ª volta, e calçaram os pneus intermediários. Minutos depois, porém, percebeu-se que a pista não estava molhada o suficiente e os que haviam trocado os pneus retornaram aos boxes para nova troca, agora pelos slick. Poucos se arriscaram a permanecer na pista com pneu para asfalto seco quando esse primeiro chuvisco caiu. Não é coincidência que um dos que correram esse risco tenha vencido.
Button, esse injustiçado

É consenso: um campeão precisa de estrela. É aquele diferencial, também chamado de sorte, que costuma ajudar muito em momentos de necessidade. Michael Schumacher, aquele campeão que se aposentou em 2006, tinha (tinha!) a tal estrela. Lewis Hamilton teve estrela para ser campeão no último minuto do mundial de 2008. E, quem diria, Jenson Button tem também a sua.



Mas o caso de Button em 2010 é muito particular. O atual campeão tem sido agraciado com a sorte, mas falar apenas de sorte costuma dar um ar de acaso às vitórias. E as duas de Button até aqui não são fruto do mero acaso. O piloto da McLaren venceu na Austrália e agora na China porque arriscou pesado nas duas ocasiões. Voltasse a chover em Melbourne ou em Xangai, justamente na hora errada, e Button certamente estaria em situação complicada. Mas deu tudo certo e é só agora que entra a tal história de “ter estrela”: quem disse que sorte não faz parte do jogo?

Mas certamente não era essa a impressão que se tinha do atual campeão há 7 ou 8 anos. Depois de aparecer como grande revelação do automobilismo britânico, Jenson foi caindo de produção, a ponto de sua carreira ser dada como acabada poucos anos depois. Depois do surgimento do fenômeno Lewis Hamilton, a Inglaterra simplesmente se esqueceu de Button. Foi irônica a retomada da imagem de grande piloto que aconteceu com Jenson em sua terra natal no ano passado. Ficou no ar uma certa noção de que era preciso corrigir uma injustiça na comparação Hamilton X Button.

Essa impressão foi tão forte que se irradiou e hoje é comum escutarmos a transmissão de tv ressaltar o talento, a suavidade na pilotagem e a “precisão cirúrgica” de Button. Nada como um título mundial para mudar os conceitos.
O Safety Car como apito



Voltando ao GP da China, o risco assumido não só por Button mas também por Rosberg e Kubica, entre outros, teve um efeito colateral: existiam duas corridas sendo disputadas, já que os pilotos que haviam parado duas vezes para trocar e re-trocar os pneus encontravam-se quase uma voltas atrás. E aí a chuva resolveu cair em definitivo.

Foi quando Nico Rosberg, então líder da corrida, escapou próximo à curva inclinada de Xangai. Button não perdoou e assumiu definitivamente a ponta.

Simultaneamente, Jaime Alguersuari teve o bico de seu carro avariado e espalhou pequenos detritos na pista. Foi a deixa para a direção de prova intervir grosseiramente na história da corrida acionando o Safety Car de forma questionável.

A ampla vantagem de Button, Rosberg e da turma da frente foi, logicamente, desfeita pelo carro-madrinha. A bandeira amarela possibilitou a aproximação de todos num único bloco, e aí Hamilton pôde dar seu show e Alonso recuperar-se do drive-through imposto no início da corrida.
Os desempenhos paralelos

Além da chuva, compuseram o pano de fundo do GP da China o rendimento abaixo da crítica da Red Bull, de Felipe Massa e de Michael Schumacher.

Sebastian Vettel e Mark Webber se perderam na tática errada adotada pela equipe enquanto a chuva não decidia com que intensidade cairia. Esses pequenos desencontros podem pesar na hora da contagem final de pontos.

Felipe Massa esteve apático na pista. Não lembrou em nada as boas performances de Melbourne e Sepang, quando foi destaque. Chegou a ser ultrapassado por Alonso na entrada dos boxes, de forma pouco convencional. Mas esse é o primeiro resultado realmente ruim do brasileiro até aqui.

Michael Schumacher se implodiu na pista. Vettel, Hamilton, Sutil, Alonso, e Massa o ultrapassaram, alguns mais de uma vez, enquanto o alemão tentava se entender consigo mesmo. O heptacampeão está irreconhecível, e deve lidar novamente com críticas da imprensa do mundo.


Grande Prêmio da China, resultado após 56 voltas:

sábado, 17 de abril de 2010

Red Bull continua 100% em classificações



FÁBIO ANDRADE



O frio que assustou as equipes na sexta-feira não apareceu como o prometido no sábado e a sessão classificatória para o GP da China aconteceu sem grandes surpresas. Ou quase sem grandes surpresas, porque a aposta geral para a pole position, Lewis Hamilton e sua McLaren com os polêmicos dutos de ar, ficou numa distante 3ª fila.

Sebastian Vettel, novamente, comprovou a saúde do equipamento mais forte da temporada até aqui. O piloto alemão cravou a melhor volta do fim de semana na classificação em Xangai, seguido pelo companheiro de equipe Mark Webber, o 2º mais rápido. A equipe de ambos, a Red Bull, tem rendimento de 100% em classificações em 2010. Vettel foi o pole no Bahrein, na Austrália e agora na China. Webber foi o mais rápido na classificação do GP da Malásia.
#HamiltonFail

O Q1 e o Q2 transcorreram com o script comum ao das outras etapas do mundial 2010. Algumas poucos acontecimentos surpreenderam, como a saída precoce de Vitantônio Liuzzi logo no Q1 com a Force India e de Rubens Barrichello com a Williams no Q2.

Para a fase final do treino classificatório, o Q3, restaram os 8 carros da quatro equipes mais fortes (Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull) e os habitués Robert Kubica com a Renault e Adrian Sutil com a Force India.

No Q2, Lewis Hamilton causou forte impacto ao fechar uma volta em 1min34s928 e precipitou o favoritismo que rondou a McLaren durante toda a semana, favoritismo em muito influenciado pelo sistema de dutos de ar da equipe inglesa, que retira pressão aerodinâmica da asa traseira a aumenta a velocidade de reta do bólido. Seria, teoricamente, uma vantagem decisiva a favor de Lewis Hamilton e Jenson Button na imensa reta de mais de 1km do autódromo de Xangai, mas não foi o suficiente sequer para flertar com as primeiras posições. A não-pole do campeão de 2008 quebrou a maioria das apostas. Na moda do Twitter seria denominada como um #HamiltonFail.

A Red Bull, que passara discretamente pelo treino até então, usou força máxima para ocupar inteiramente a 1ª fila do grid de largada chinês, com Vettel e Webber. Fernando Alonso não deixou de ser uma novidade na 3ª posição, já que a Ferrari não figurava entre as favoritas para o GP da China.



E o espanhol ficou 4 posições a frente do companheiro de equipe Felipe Massa, que se referiu a um erro na última curva do circuito de Xangai para justificar a 7ª posição. Entre outros companheiros de equipe, Button ficou uma posição a frente de Hamilton e Rosberg repetiu o habitual bom desempenho, sendo 0,7s mais rápido do que Michael Schumacher no duelo interno da Mercedes.

O GP da China, segundo a previsão do tempo, deve ser disputado sem chuva e com temperaturas similares as de hoje. A mínima prevista para domingo em Xangai é de 13ºC e a máxima é de 19ºC.
Grid de largada para o Grande Prêmio da China:

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Surpreendente acidente de Buemi marca sexta-feira



FELIPE MACIEL


Quem assistiu ao 1° treino livre do GP da China deu um pulo da poltrona quando as duas rodas dianteiras de Sebastien Buemi simplesmente sumiram justo no final de uma das maiores retas da Fórmula 1.

A equipe explicou o inédito acidente alegando que testava uma atualização na suspensão mas uma falha na fabricação provocou a quebra deste suporte vertical do lado direito, que imediatamente transferiu toda a carga para o componente do lado esquerdo, causando também seu rompimento quase que simultaneamente.



O dispositivo responsável por evitar a soltura das rodas não funcionou por estar preso exatamente à tal peça que se desintegrou. Um dos pneus, inclusive, atravessou a cerca e parou num ponto de acesso aos espectadores.

Evidentemente, o time optou por manter o design antigo da suspensão para o GP. Devido aos reparos necessários, Buemi não pôde treinar na sessão 2 de Xangai.



A sexta-feira começou de maneira parecida com o fechamento do domingo em Sepang para Fernando Alonso. O espanhol sequer conseguiu cravar volta rápida no treino da manhã porque mais uma vez o motor Ferrari abriu o bico.

Jenson Button liderou pela manhã enquanto Lewis Hamilton fez o melhor tempo do dia à tarde. McLaren e Red Bull são as favoritas do fim de semana, mas a possibilidade de chuva no domingo pode tornar a disputa pelo primeiro lugar mais interessante.

A Ferrari, como de costume, não mostrou tudo o que tem (de bom, é necessário dizer) nas primeiras sessões. Já a Mercedes, cada vez mais assanhada, figurou sempre em 2° e em 4° com Rosberg e Schumacher, respectivamente.

O horário da 3° treino não é dos piores: entre meia-noite e 1h da manhã. Às 3h da madrugada, a classificação. Pois é, parece que de sexta pra sábado dá pra levar. Já a virada de sábado para domingo deve exigir algum descanso...



Treino livre 1

1. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min36s677 ( 15 voltas )
2. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 0s071 ( 17 )
3. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 0s098 ( 19 )
4. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 0s832 ( 14 )
5. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 0s924 ( 20 )
6. Robert Kubica (POL/Renault), a 1s039 ( 17 )
7. Vitaly Petrov (RUS/Renault), a 1s068 ( 25 )
8. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 1s303 ( 17 )
9. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 1s331 ( 13 )
10. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1s421 ( 19 )
11. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1s484 ( 19 )
12. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 1s698 ( 21 )
13. Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari), a 1s744 ( 19 )
14. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), a 1s892 ( 20 )
15. Paul di Resta (ING/Force India-Mercedes), a 1s941 ( 26 )
16. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 2s001 ( 17 )
17. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 3s262 ( 5 )
18. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), a 4s854 ( 22 )
19. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth), a 5s102 ( 23 )
20. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), a 5s153 ( 20 )
21. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), a 5s504 ( 27 )
22. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), a 7s189 ( 23 )
23. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), a 7s272 ( 20 )
24. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), sem tempo ( 6 )

Treino livre 2

1. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min35s217 ( 26 voltas )
2. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 0s248 ( 22 )
3. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 0s376 ( 26 )
4. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 0s385 ( 28 )
5. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 0s574 ( 30 )
6. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 0s778 ( 29 )
7. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 1s203 ( 31 )
8. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1s160 ( 43 )
9. Robert Kubica (POL/Renault), a 1s172 ( 29 )
10. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 1s387 ( 33 )
11. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1s727 ( 36 )
12. Vitaly Petrov (RUS/Renault), a 1s769 ( 27 )
13. Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari), a 2s204 ( 32 )
14. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 2s214 ( 33 )
15. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 2s440 ( 30 )
16. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes), a 2s587 ( 31 )
17. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), a 2s650 ( 29 )
18. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), a 4s407 ( 35 )
19. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth), a 4s730 ( 30 )
20. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), a 5s016 ( 27 )
21. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), a 5s791 ( 32 )
22. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Coswortg), a 5s890 ( 28 )
23. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), a 6s128 ( 32 )

O novíssimo McLaren MP4-12C e a polêmica com o Veyron



FELIPE MACIEL


O seção de carros de rua da McLaren foi um dos fatores que provocou o fim do casamento com a Mercedes.

A belezinha aí do vídeo é o recém lançado McLaren MP4-12C. Lewis Hamilton e Jenson Button participaram da gravação promocional ressaltando pontos positivos do modelo, como a pronta resposta aos comandos do motorista e belo som do motor.



O patrão Ron Dennis deu uma de Barrichello e usou o termo "porcaria", que aparentemente se tornou a palavra da moda. A diferença é que o britânico se referiu à concorrência...

Dennis desceu o sarrafo no Bugatti Veyron, o qual chamou de 'porco feio', de péssima dirigibilidade, e que para retirar seu motor deve ser necessário partir o carro ao meio, já que com todo aquele peso mal se consegue contornar uma curva.

Ron ainda denunciou a montagem do famoso programa Top Gear no episódio do pega entre o Veyron e o McLaren F1, superesportivo predecessor do MP4-12C. Segundo ele, foi necessário repetir a corrida mais de dez vezes porque o que se espera é a vitória daquele conhecido como "o mais rápido do mundo", no entanto o Bugatti fracassava logo na arrancada, quando a embreagem deixava o piloto na mão, e o McLaren já sumia lá na frente.

O MP4-12C, por sua vez, não pode sonhar com o top speed apresentado por nenhum daqueles dois. Consta que este McLaren alcance os 320km/h, sendo avaliado em $ 250,000. De certo a McLaren visa projetar carros ainda mais potentes no futuro.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Frio inesperado em Xangai



FÁBIO ANDRADE



O inesperado frio que recebeu pilotos e equipes em Xangai fez com que o sinal de alerta se acendesse. Correr no frio não é propriamente uma novidade para os pilotos, já que os testes de inverno na Europa são realizados sob temperaturas baixíssimas. Mas disputar uma corrida em temperaturas muito baixas é a novidade inesperada que o GP da China traz para a F-1.

Em 2009, por exemplo, a prova chinesa aconteceu sob forte chuva e já foi considerada atípica, mas a temperatura esteve entre 18ºC e 19ºC. Ontem em Xangai a temperatura ficou na casa dos 4ºC e para a corrida a previsão é da que esteja em 6ºC. É muito mais frio do que se esperava.

Temperaturas tão baixas, obviamente, dificultam o aquecimento dos pneus. E é exatamente por isso que o GP da China tende a seguir o padrão de ser uma corrida com grid remexido, como aconteceu nas últimas duas etapas do campeonato, na Austrália e na Malásia. Situações que fogem ao padrão abrem espaço para desempenhos surpreendentes, portanto, provavelmente não será dessa vez que a força das equipes seguirá a ordem de forças exata. Essa situação só ocorreu nesse ano na abertura do mundial, no Bahrein, corrida sempre livre de intempéries extremas.

As baixas temperaturas que estão sendo registradas em Xangai vão atuar ainda como anticlímax para uma questão muito aguardada: a da durabilidade dos pneus. Segundo dados de 2008, o autódromo onde se disputa o GP da China foi o que mais consumiu borracha entre as 18 pistas daquela temporada. Numa pista com tamanho desgaste havia maior possibilidade de problemas com os calçados dos carros, mas o frio deve diminuir em grande escala o consumo de borracha.



Mas, segundo Rubens Barrichello, a Red Bull deve ser a equipe menos afetada pelo frio: "a Red Bull é quem melhor aquece os pneus. Devem ter uma vantagem ainda maior aqui". Felipe Massa, por outro lado, terá de arcar com a desconfiança a respeito de suas habilidades para lidar com a pouca aderência, desencadeadas depois que brasileiro alegou problemas com a falta de temperatura em Melbourne.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Rádio OnBoard - Edição Pré-China



FELIPE MACIEL



No ar, a edição número 75 da Rádio OnBoard!

Juntamente com os amigos Fábio Campos e Ron Groo, comentamos as últimas notícias e os debatas delas decorrentes, além das expectativas do GP chinês marcado para o próximo fim de semana.


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Para quem ainda não tem, corra lá e assine nosso feed!

Na véspera da corrida da China, mais especificamente a partir das 20h do sábado, entraremos ao vivo em mais um programa Pre Race, no link de sempre. Até lá...

Robert Kubica feliz da vida na Renault



FELIPE MACIEL


Ao encerrar sua passagem na BMW após os quatro primeiros anos na F-1, Robert Kubica restabeleceu a motivação e retomou a boa fase assim que migrou para a Renault e encontrou um carro mais bem nascido e uma equipe mais acolhedora.

Na temporada passada, o polonês só abriria sua pontuação no campeonato na Turquia, a 7ª etapa do calendário. Já agora posiciona-se em 7° na tabela, mesmo sabendo que há pelo menos 8 carros mais rápidos que o seu no grid.
Não é segredo que, por vezes nos últimos anos, eu não me senti tratado como gostaria [na BMW]. Acho que o sentimento ao seu redor e a convicção das pessoas com quem você trabalha é importante em qualquer atividade. Hoje sinto que a equipe tem confiança em mim. Eles me deixaram confortável, e isso me permite não sentir o cansaço de uma carga de trabalho que é ainda maior do que em temporadas anteriores

Robert Kubica



Essa boa recepção demonstrada pela Renault nos leva a crer, ou que a equipe passou por uma súbita mudança de filosofia com a saída de Flavio Briatore, ou então que o time não mudou absolutamente nada [olha o Cléber Machado fazendo escola...].

Uma nova filosofia seria acabar com a pressão excessiva sobre o piloto e contribuir ao máximo com seu desempenho em vez de apenas cobrar. Mas para isso deveríamos nos certificar de que o Petrov também se sente ok naquele ambiente, eliminando a hipótese de o Kubica ter se tornado a versão 2010 de Fernando Alonso dentro da Renault, um piloto paparicado com todos os privilégios. Particularmente e felizmente, entendo que a primeira opção ganhe força.



A julgar pelo depoimento do novo chefe Eric Boullier - que pelo currículo e pela personalidade já sinaliza ser um profissional antônimo do Briatore - a união de Kubica com a Renault resultou, de maneira natural, num bom progresso de trabalho e na vinda de bons resultados logo de cara.
Robert Kubica é muito ansioso por trabalhar direito e muito comprometido com a equipe, e isso é um grande trunfo que é difícil de avaliar. O que eu tenho visto desde o início dos testes e antes mesmo é que Robert sempre fica com os engenheiros. Ele é muito exigente, e o bom é que quando um piloto é muito exigente e, em seguida, faz boas corridas, como as que ele fez nos três primeiros GPs, sem erros e com ritmo muito bom, a equipe respeita o que ele faz e oferece mais.

Com a equipe adaptada a Robert e vice-versa nós apenas construímos algo bem-sucedido. A equipe está pressionando, o piloto é exigente e obtém resultados. Um alimenta o outro, e eu espero que o time esteja muito mais forte.

Eric Boullier, diretor da Renault



Por tudo que a equipe apresentou (ou deixou de apresentar) nos anos anteriores, havia certa desconfiança sobre a ida de Kubica para a Renault. Mas as baixas expectativas foram superadas pela realidade. Resta saber se daqui pra frente o polonês seguirá como instrumento certo no time para emplacar a retomada do nível vencedor nas temporadas subsequentes, ou se a equipe não conseguirá manter o piloto em seu quadro de funcionários, uma vez que o polonês pode ser cobiçado por qualquer escuderia em melhor situação que o time francês.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Briatore vem aí, olê olê olá...



FELIPE MACIEL



Finalmente acabou o arranca-rabo entre a FIA e Flavio Briatore. Depois de 'julga pra lá', 'julga pra cá'; julgamento que anula julgamento, o ex-chefão e a federação decidiram em conjunto a pena a ser paga pelo carcamano sem que precisassem voltar a se desgastar nos tribunais.

Tanto Flavio quanto Symonds seguirão suspensos de qualquer competição da FIA até 2011. No caso específico da Fórmula 1, só estarão liberados para retornar a partir de 2013. Esse é o momento em que os brasileiros costumam gritar: Pizza!

Briatore no pódio em Cingapura

Calma lá. Pizza completa propriamente dita seria se a dupla de dirigentes estivesse livre para competir novamente desde já, como se o veredito da FIA fosse completamente anulado, ignorando a participação de ambos na manipulação do resultado do GP de Cingapura. O que ocorre, na verdade, é que a punição a Briatore e a Symonds não será vitalícia. Apenas isso.

Somente para efeito de comparação com o desejo da FIA de Max Mosley, a determinação inicial era de que Pat Symonds pegaria 5 anos, enquanto o italiano seria suspenso por tempo indeterminado. A sanção dos dois foi reduzida para 3 anos. Ao menos me alivia saber que os conflitos se encerraram e o Cingapuragate chegou ao fim. Com um desfecho que pouco me surpreende, diga-se.

Quanto ao Pat, não sei se alguém se interessará por ele em 2013 nem estou preocupado em descobrir. Quanto ao Flavio, seu velho amigo de negócios Bernie Ecclestone deve abrir as portas da FOM para que o talentoso carcamano comece a despejar seu tino comercial sobre os interesses comerciais da Fórmula 1 nos próximos anos.



Caso alguma equipe lance uma oferta de trabalho ao Briatore, ele estará decidido a recusar. Porque mesmo antes de todo esse rebuliço ele já sinalizava interesse em abandonar o pit wall e seguir um caminho de gerenciamento mais amplo na categoria. E não foram poucas as vezes que Ecclestone contou com os pitacos de Flavio sobre suas decisões.

Creio que as relações Bernie-Briatore serão retomadas de forma mais estreita do que nunca dentro de poucos anos. Tio Bernie fará 80 anos em 2010. Tio Bria comemorou 60 ontem e talvez já tenha sido notificado de que o presidente da FOM deseje tê-lo como braço direito.

Goste ou não, basta Flavio Briatore dizer 'sim' que poderá assumir um dos cargos mais rentáveis da F-1 daqui a 3 anos. Observando pelo lado positivo, se este cenário se confirmar não precisaremos nos preocupar com uma infinitésima reincidência de tática suja aplicada por este sujeito no esporte. Mas se a Fórmula 1 de hoje já age por impulsos meramente monetários, o que dizer desta provável união entre Milionário e José Rico? Prefiro nem imaginar...

segunda-feira, 12 de abril de 2010

GP da China nunca repetiu vencedor



FÁBIO ANDRADE



Apesar do traço de Hermann Tilke, o GP da China, que será disputado no próximo domingo no autódromo de Xangai, já foi responsável por bons grandes prêmios, alguns deles decisivos para a história de alguns mundiais. Memórias da China em cena:

- A primeira corrida na pista chinesa foi vencida por Rubens Barrichello, de Ferrari, em 2004. De lá pra cá, o GP da China nunca repetiu um vencedor;

- Em 2005, o GP da China fechou a temporada. O título já chegou a Xangai decidido a favor de Fernando Alonso, que conquistara o mundo 15 dias antes, em São Paulo, no GP do Brasil. E para fechar com chave de ouro, o espanhol venceu também a corrida chinesa;

- Em 2006, a corrida teve doses de emoção que fizeram valer a pena acordar de madrugada. A épica disputa entre Fernando Alonso - um jovem que já demonstrava competência de gente grande - e Michael Schumacher - o gênio que já estava com aposentadoria anunciada – teve em Xangai um de seus capítulos mais nervosos. Sobre piso úmido, Schumacher aproveitou a superioridade dos pneus Bridgestone naquela condição de pista e venceu, largando da 6ª posição. Foi a última vitória do alemão;

- No ano seguinte, 2007, Xangai foi o palco do começo do adeus de Lewis Hamilton a um título que estava absolutamente ao seu alcance. Kimi Raikkonen venceu, numa corrida para Hamilton esquecer. Vítima do alto desgaste de seus pneus e da tardia decisão da McLaren em chamá-lo aos boxes para fazer a troca, o inglês entrou forte demais nos pits: encalhado no único ponto da pista que era coberto por brita, Hamilton adiou a festa para o Brasil. Mal sabia que a festa não seria adiada por 15 dias, mas por um ano, para regozijo dos narradores da rede de tv espanhola Telecinco:



- Corrida modorrenta em 2008. Hamilton largou na pole para não mais largar a primeira posição. Domínio acachapante, numa pista que era considerada um feudo da Ferrari;

- No ano passado o GP da China mudou de data. Foi trazido para o primeiro semestre, mas a chuva continuou a aparecer, só que desta vez com uma fúria até então inédita. E debaixo do temporal, Sebastian Vettel quebrou a hegemonia de Jenson Button e da Brawn e venceu no oriente, num desfile de talento sobre o asfalto encharcado. Foi a primeira vitória da Red Bull na F-1, uma dobradinha, com Mark Webber na segunda colocação.

sábado, 10 de abril de 2010

Nelsinho Piquet pretende retornar à F-1?



FELIPE MACIEL



De início, eu defendi que o Nelsinho deveria permanecer na Fórmula 1 e tentar provar seu real valor para que a imagem negativa de Cingapura fosse relevada. Deixar a categoria após o escândalo seria abrir mão de um direito de resposta e consolidar a triste a visão dos inúmeros espectadores da F-1 sobre ele.

Desde então, Ângelo bate na tecla de que ainda estaria lá se quisesse, argumentando que comprar uma vaga não era uma opção a considerar. O que parece ser uma demonstração de soberba pode na verdade consistir numa manobra inteligente.

Caso Piquet persistisse na F-1, teria de se submeter a guiar um carro ainda pior que aqueles Renault's. Nesse contexto, não seria capaz de escrever algo bom em sua trajetória para ajudar a amenizar aos poucos os efeitos da infeliz noite de 28 de setembro de 2008. Apenas seguiria vivendo frustrações que, para seu equilíbrio mental pouco robusto, causaria um tremendo incômodo.



A decisão acertada foi partir para outro mundo. Ou outros mundos. É incrível o número de modalidades de turismo pelo qual o piloto está passando, o que faz dele provavelmente o maior aventureiro do automobilismo neste momento, se dirigindo para onde o vento bater. Logo perderemos a conta das categorias... Truck Series, Open GT, Stock Car, ARCA, Montana, e o que mais vier.

Em cada uma delas, Nelsinho é bem recebido e adquire novas experiências, sendo obrigado a adaptar-se rapidamente às novidades, aprendendo a gostar cada vez mais do que faz. Piquet Jr. se tornou um piloto freelancer!

Mas... e a Fórmula 1? Será que existe a chance de retorno? Sempre quando perguntado, ele reflete a cautela do "nunca diga nunca". É preciso que se diga: o garoto é mais novo que Lucas di Grassi e Bruno Senna, que ainda iniciam seus primeiros passos por lá. Particularmente, não duvido que volte, por mais improvável que nos pareça. E, sinceramente, gostaria de vê-lo dar essa volta por cima, quem sabe daqui a 3 ou 4 anos. Digo por quê.

Quando o carcamano do Briatore apontou para o muro de Cingapura usando seu jogo psicológico contra o confuso Piquet, era como se um cachorro grande de uma grande empresa empurrasse seu estagiário inexperiente e bobo para uma decisão que pudesse condenar toda sua carreira profissional.



Daqui a algum tempo, porém, Nelsinho terá passado por tantas situações diferentes e aprendido a desenvoltura de trabalhar nos mais variados níveis de pilotagem, que me faria me interessar por sua reestreia na Fórmula 1, desta vez com a bagagem de um trabalhador rodado e de currículo extenso, ao contrário do ocorrido em 2008, quando um mero principiante acabava de deixar as saias do papai, que por sua vez conduziu sua carreira de passos fáceis ao criar uma empresa da família para que o filho pudesse aprender a guiar sua vida profissional como se estivesse destinado a viver a vida de patrão, até descobrir através de seu primeiro chefe que o cargo de piloto lhe colocava na condição de empregado que tinha de cumprir ordens e prestar contas a seus superiores de caráter duvidoso, capazes de manobrar a vitória da organização tomando por base a derrota de um dos seus mais novos funcionários.

Faltou ao Piquetzinho correr com as próprias pernas. A partir de 2010, não faltará mais. E por mais que os fãs impiedosos da F-1 dispensam ver sua imagem banhada a ouro, nada impede que o mundo dê voltas e tragam alguém de volta a um lugar pelo qual já passou. Se um dia acontecer com o Nelsinho, não verei motivos para lamentar. Porque até lá, aquele Nelsinho que conhecemos não existirá mais. Chegou a hora de aprender a ser Nelson. Esse "inho" não servirá mais para quem já deixou de bobinho.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Enquete F-1: Ultrapassagens



FELIPE MACIEL



Após um tempo perguntando "Qual o principal fator que dificulta as ultrapassagens na Fórmula 1?", chegamos a mais um resultado de enquete.

114 cliques computados trouxeram o seguinte julgamento dos leitores:

Fatores técnicos do carro - 37,7%
Traçados dos circuitos - 36,8%
Falta audácia aos pilotos - 16,7%
Valorização da estratégia - 4,4%
Outro - 4,4%
Sistema de pontuação - 0,0%

Um único voto separou os dois itens principais dando a vitória aos "fatores técnicos do carro". Mais uma vez, sou obrigado a concordar com o resultado. Ainda há meios de melhorar tecnicamente os carros, começando com a remoção do difusor duplo. Os freios sagrados da F-1, caso fossem alterados, consistiriam num largo progresso favorável ao espetáculo. Mas isso está fora de questão, não é mesmo, dona FIA?

Em segundo lugar, ficaram os traçados. Algumas pistas realmente não colaboram com as ultrapassagens, mas outras que as permitem muitas vezes sediam corridas meia-boca, o que mostra que os circuitos não são necessariamente os culpados.

Um destaque provavelmente histórico em nossas sondagens merece ser mencionado: a opção "sistema de pontuação" receber zero voto na enquete. Zero. Nada. Nadinha! Não consigo me lembrar se alguma vez isso já ocorreu aqui no blog. Mas o interessante é que este item entrou na pesquisa porque até o ano passado ouvia-se comentários de que a busca pela regularidade provocada pelo sistema de pontos evitava as ultrapassagens. Se em 2010 esse discurso desapareceu, como sugere nossa enquete, eu só espero que tal mudança de mentalidade não tenha sido motivada pela grande enganação lançada pela FIA ao fazer muitos acreditarem que o novo modelo valoriza a vitória, o que não é verdade, como já mostrei aqui, ou aqui se preferir.



Para fechar, vou dar uma apimentada numa poeira que estava baixando. O vai-e-vem entre Hamilton e Petrov na Malásia só não terminou em ultrapassagem porque a McLaren com duto de ar, usina Mercedes e tudo que tem direito, é simplesmente o melhor carro de reta da F-1, enquanto a Renault ainda não parece uma Brastemp. Não fosse essa diferença, bastaria um zigue e um zague para Petrov descolar da traseira de Lewis e realizar a ultrapassagem com relativa facilidade na curva 1.

Eu já comentei mais calmamente meu ponto de vista sobre esta polêmica por lá, mas cito este exemplo aqui apenas para ilustrar como as equipes são capazes de tornar a aerodinâmica tão refinada a ponto de impor um empecilho técnico às tentativas de ultrapassagens dos rivais.

Fim de enquete velha, início de enquete nova. Uma pergunta na lateral da página aguarda a sua resposta...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Força da Índia



FÁBIO ANDRADE



Quando estourou a notícia de que Vijay Mallya  havia comprado uma equipe, no final de 2007, alguns setores da Fórmula-1 franziram a testa. Afinal, o que poderia fazer um empresário indiano num mundo high-tech de uma categoria tão orgulhosa de si mesma? E os resultados iniciais da equipe batizada de Force India confirmaram os prognósticos negativos. A equipe que começou a competir em 2008 era, na verdade, precedida por uma intensa rotatividade de proprietários.

Entre 2005 e 2008, a estrutura que hoje recebe o nome de Force India teve 4 donos. Em 2005 era a pioneira Jordan, em 2006, tornou-se Midland, em 2007, novamente vendida, passou a chamar-se Spyker, até que, finalmente, foi comprada por Mallya e passou a ser a Force India.

Os resultados da equipe em seu ano de estreia realmente foram ruins, até porque a equipe era a continuidade de uma série de projetos interrompidos. A Force India não marcou pontos em 2008 e, no fim do ano, Vijay Mallya promoveu profundas mudanças visando a reestruturação do time: demitiu o alto comando da equipe, formado por Colin Kolles e Mike Gayscone, e trocou os motores Ferrari pela parceria técnica com a McLaren-Mercedes (que ainda era uma equipe só). Essa última mudança é considerada a chave do atual bom momento da equipe.



O acordo firmado entre Mallya e a então equipe inglesa ia além do simples fornecimento de motores. Além de ceder os propulsores Mercedes, o apoio técnico da McLaren deu ao time indiano a possibilidade de contar com informações de um centro técnico top da F-1, o que seguramente influenciou os resultados promissores da Force India em 2009, com direito a pole position no GP da Bélgica, na veloz pista de Spa-Francorchamps e o 4º lugar de Sutil no também rápido circuito de Monza, na Itália.

A Force India hoje briga com Williams e Renault pelo posto de 5ª força do grid, atrás apenas das gigantes Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull. O salto de qualidade é impressionante, já que há dois anos a equipe era uma das que fechavam o grid. Os resultados animadores conquistados pelo time de Vijay Mallya são uma espécie de recompensa ao indiano pelo trabalho sério e comprometido feito até aqui. No primeiro ano como comandante da Force India, o indiano enfrentou pesado descrédito em relação a seu desempenho como dono de equipe. Vijay hoje pode considerar-se um empreendedor de sucesso na F-1.



Mesmo que nunca tenha vencido uma corrida, apesar de o 2º lugar de Giancarlo Fisichella na Bélgica ano passado ser considerado uma vitória, a Force India chegou a um ponto que é difícil até mesmo para equipes mais estruturadas financeira ou tecnicamente. Exemplos como a Toyota (com forte apoio financeiro da montadora) e Williams (com um know-how que ainda pode ser considerado de primeira), que passaram anos sem resultados expressivos, valorizam o atual momento da Force India, que deve brigar pelos pontos com frequencia em 2010. Passar de equipe figurante a destaque do meio do grid numa categoria dispendiosa como a F-1 é um triunfo para poucos e do qual Vijay Mallya pode se orgulhar.

Três vezes Alonso



FELIPE MACIEL



GP do Bahrein: Vroooooommm!


GP da Austrália: Não quero saber!


GP da Malásia: Embreagem pra quê?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Rádio OnBoard- Edição de Sepang



FELIPE MACIEL


Ao lado dos amigos Ron Groo e Fábio Campos, fizemos um bom levantamento dos principais acontecimentos do GP da Malásia, incluindo as pequenas polêmicas do fim de semana, e minha difícil missão de explicar aos críticos do Hamilton que a manobra do inglês não é passível de punição.

Desconsidere minha voz ligeiramente fragilizada pela gripe e dê o play em os nossos comentários sobre esta bela corrida!



Clique para ouvirClique para baixar



A Rádio OnBoard apóia a competição online F1 Champion que acompanha a temporada 2010 da F-1 e reserva vários prêmios aos melhores jogadores, sendo o maior deles nada menos que o super netbook da Acer! Os participantes já receberam o resultado do GP da Malásia e a disputa fica melhor a cada etapa. Ainda há tempo para se inscrever...

Retornaremos na semana que antecede o GP da China com mais uma edição. Até lá!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Regularidade ainda pesa mais que vitória



FELIPE MACIEL



Seria até mais fácil provar o que está demonstrado neste post usando apenas as proporções matemáticas de cada sistema de pontuação. Mas como a análise feita com dados concretos são mais inteligíveis e aceitáveis, façamos a comparação da classificação da F-1 após os 3 primeiros GPs de 2010 com os modelos de pontuação anteriores. Logo chegaremos à conclusão de que o formato que confere 25 pontos ao vencedor apresenta muito mais semelhanças com seu predecessor que supervalorizava a regularidade.

À esquerda está representado o revolucionário 25-18-12-10-8-6-4-2-1. No canto superior direito, seu antecessor 10-8-6-5-4-3-2-1. Já na parte inferior direita, surge o distinto 10-6-4-3-2-1, que deixou de existir ao fim de 2002, quando a FIA desandou a fazer regras infelizes.



Atualmente, Felipe Massa lidera o campeonato sem ter vencido nenhuma corrida. Vettel, Alonso e Button subiram ao topo do pódio uma vez cada um, mas na tabela são superados pela regularidade do brasileiro, que soma 2 pódios contra 1 de cada vencedor de GP.

Caso vigorasse o sistema vigente até o ano passado, nada mudaria entre eles. Na verdade, a única alteração seria a perda de posição de Button para Rosberg, que no momento se encontram empatados.

Já em comparação com o bom e velho 10-6-4, tudo se inverte. Vettel e Alonso sobem para a ponta, deixando Massa em 3°. Button, mesmo terminando uma corrida em 7° e outra em 8° (ou seja, não pontuaria em duas provas), estaria empatado com o Felipe, que por sua vez ostenta abandono zero, 100% dos GPs na zona de pontuação e dois pódios.

A conclusão é óbvia: a ampla diferença de pontos no novo modelo de pontuação induz os espectadores a acreditar que a vitória está mais valorizada do que nos últimos anos. Ledo engano.



Quando a FIA desistiu de lançar o sistema 25-20-15 para implementar o 25-18-15, ela não potencializou vantagem alguma ao vencedor. Ela apenas criou uma desvantagem para o 2° colocado. Mas para o 3° lugar, o 4°, o 5° ou o 6° é como se o sistema de pontuação não tivesse sido alterado, uma vez que a mudança de proporção de pontos para essas posições é desprezível.

Finalmente, esqueça esse papo de que o formato de pontos inaugurado em 2010 privilegia a vitória. Ele está aí para disparar o número de pontos na temporada agradando a espectadores médios e a patrocinadores, além de ampliar a chance de equipes inferiores pontuarem. Essa Fórmula 1 "democrática" foi uma mera invenção da FIA após a debandada das montadoras e a entrada de equipes que não possuíam orçamento à altura.

Pena que questões de momento provocam mudanças que desfiguram toda a história da categoria. Agora qualquer moleque com 4 ou 5 anos de F-1 pode se gabar por ter mais pontos que o Ayrton Senna.

Jaime, sem evitar a fadiga



FÁBIO ANDRADE



Ao estrear no GP da Hungria de 2009, pela Toro Rosso, Jaime Alguersuari não conquistou muita simpatia. O espanhol, no auge de seus 19 anos, tornava-se o mais jovem piloto oficial de Fórmula-1 de todos os tempos, mas com um detalhe que causou certo mal-estar: recém saído da adolescência, o piloto nunca havia testado num carro da categoria.



Seu nome de pronúncia complicada também não ajudou, e enquanto o debate sobre a licitude do acesso de tão novo piloto a uma categoria top acontecia, a estreia de Alguersuari foi eclipsada pelo acidente de Felipe Massa na classificação húngara. Nas corridas seguintes pouco se falou do espanhol, e, como quem não quer nada, o estreante mais jovem da história resistiu até o final da temporada e garantiu seu lugar na Toro Rosso em 2010.

Até que no último GP da Austrália, Jaime saiu das notinhas de canto de página dos jornais para ganhar visibilidade após duelar com ninguém menos do Michael Schumacher durante dezenas de voltas no circuito de Albert Park.

“Aprendi um pouco sobre a arte da luta com Michael [Schumacher] em Melbourne” – disse Alguersuari.

No GP da Malásia do último domingo, Jaime marcou seus primeiros pontos na carreira ao chegar em 9º lugar. Em Sepang, o piloto espanhol resistiu impavidamente às investidas de outro piloto consagrado, o brasileiro Felipe Massa. Dando trabalho a pilotos de equipes grandes, o Jaime da F-1 em nada faz lembrar seu xará televisivo, o personagem Jaiminho do programa Chaves, aquele que vivia repetindo o mantra “eu quero evitar a fadiga”.

Ao contrário, as duas últimas exibições do espanhol da Toro Rosso fadigaram os adversários. E de forma repentina, Alguersuari ganhou atenção. Com os 2 pontos conquistados na Malásia, o piloto se tornou o 2º mais jovem a pontuar na F-1, com 20 anos e 12 dias, perdendo apenas para Sebastian Vettel, o recordista de precocidade, que pontuou pela 1ª vez aos 19 anos, 11 meses e 14 dias.

Antes criticado pela juventude e falta de experiência, Jaime Alguersuari já começa a atrair certa atenção pelos seus predicados como piloto. Para quem chegou em 2009 e sofreu com previsões pessimistas, de gente que apostava que ele não duraria o resto da temporada, o espanhol já deu uma grande virada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Carro da Williams é uma porcaria, diz Rubinho



FELIPE MACIEL



A porcaria do nosso carro ainda não está legal. Vamos sorrir senão vamos chorar. Eu vou chorar ali no canto.

Eu não sei o que aconteceu na largada, vou falar sobre isso com a equipe. A partir desse problema eu caí para o fim do grid. Nós tentamos uma estratégia diferente para ir de volta ao pelotão da frente, mas nosso carro definitivamente não estava competitivo. Nós perdemos uma boa oportunidade hoje

Rubens Barrichello após o GP da Malásia



Eu fico imaginando o Frank Williams numa entrevista qualquer, quando perguntado sobre algo relativo ao Barrichello, responder aos risos: "Ah, é um piloto porcaria...".

Quase caí pra trás quando Rubens soltou a piada. Impressionante como todos esses anos vivenciando o mundo da F-1 não bastaram para desenvolver o mínimo de bom senso sobre que diz, ainda que em tom de brincadeira.

Você nunca viu Willi Weber chamar o Schumacher de "Dick Vigarista" ao risos. Nem vê a Ferrari alegar que o estouro do motor do Alonso era propaganda subliminar da Marlboro. As bobagens extremas sequer passam perto da cabeça da maioria dos integrantes da F-1.

Desde que Barrichello deixou a Ferrari e se mudou para a Honda, sinto que ele busca fazer piada com tudo. Porém certas gracinhas merecem ficar na rodinha de amigos, mas em vez disso ele prefere jogar para a torcida. E muitas vezes transforma o humor em tragédia verbal.
O contexto era uma brincadeira com o Di Grassi. O carro não é tão bom quanto a Ferrari, mas, quando passava ele durante a prova, brinquei que ele é muito bom piloto para o carro. Foi uma brincadeira. Se eu não tenho um bom carro, imagina ele. Meu carro tem atitudes boas e coisas que precisam ser melhoradas, mas pra lá de ser uma porcaria.

Rubens Barrichello explicando-se



Se aqui esse tipo de declaração pega mal, não descartaria que dentro da equipe a sensação seria a mesma. A visão clássica de Frank Williams sobre sua equipe sempre foi clara: piloto não precisa ser estrela; a verdadeira estrela é o carro construído pela Williams. Um piloto usando termos pejorativos contra o próprio FW logo parece uma heresia. E foi esse o recado passado pelo próprio Sir Frank quando Rubens detonou a Brawn GP na corrida de Nurburgring em 2009, quando tomou uma dura daquele que ainda se tornaria seu patrão.

Para alguns, a declaração não tem a menor importância. Para outros, uma blasfêmia. Só sei que Rubens poderia trocar gentilezas mais justas com sua equipe, que na voz de Sam Michael comentara que o brasileiro é digno de título mundial.

Brincadeira ou não, o termo usado foi um das críticas relâmpago mais chocantes que já vi um piloto escolher para se referir ao carro oferecido pela equipe.

Dupla de equipe: GP da Malásia

Sebastian Vettel


Tava na hora, né? Acho justo, porque o moleque seguia pra vitória nas outras duas corridas e ficou no meio do caminho por problemas fora do seu controle. Talvez o dia hoje fosse do Webber, mas o australiano perdeu a corrida nos primeiros 300 metros ao perder a posição pro alemãozinho. Inclusive, já tá começando a pegar mal chamar o Vettel de alemãozinho, porque suas vitórias sempre são com desempenho de gente grande.

Fábio Andrade



Vettel fez tudo certinho, largou muito bem, aplicou o ritmo certo para andar na frente sem ser ameaçado, liderou as voltas que tinha que liderar... Enfim, foi impecável como sempre. A única diferença em relação aos outros GPs é que dessa vez a Liz Voluptuosa não lhe deu um bolo. Vitória incontestavelmente merecida.

Felipe Maciel



Motor Ferrari


É o grande "#fail" da equipe de Maranello. E é curioso porque em 2010 a Ferrari pode sofrer com a fragilidade dos propulsores, sobretudo no fim da temporada. Não sei os números exatos, mas parece que os rossos já usaram mais motores do que o máximo desejável pra essa altura do campeonato.

Fábio Andrade



Se continuar nesse ritmo, cada piloto usará 19 motores ao longo da temporada. Sem mais.

Felipe Maciel



Chandhok vs Senna


Bem, o indiano terminou uma volta a frente do brasileiro hoje, mas confesso que ainda não sei o motivo e nem se isso faz mesmo grande diferença. Mas a Hispania cumpriu bem o seu script, que é tentar terminar as corridas e ponto.

Fábio Andrade



Desde a pré-temporada, quando a Campos escancarou a vergonha que o time seria, eu passei a julgar que o melhor que o Bruno tinha a fazer era pular desse barco. Arrumasse uma vaga de test driver preferencialmente num time grande, se mantivesse numa ambiente mais alto nível, fizesse qualquer coisa, mas que não entrasse na pista para disputar com seu companheiro de equipe quem seria o último no GP nem com quantas voltas de desvantagem eles terminariam.

A cada corrida eu tenho ainda mais convicção do que pensava. Na Malásia, Bruno foi superado pelo Chandhok durante todo o final de semana. Não vejo o que ele tem a ganhar na Hispania, mas sei o que tem a perder. Pilotos de altíssimo potencial foram queimados recentemente na F-1 por terem se equivocado logo na porta de entrada. Espero que não se torne mais um.

Felipe Maciel



Hamilton vs Petrov


A dona Petrova, a mãe do Vitaly, deve ter exultado quando viu o filho dar aquele passão no Lewis. Um dos pontos altos da corrida, e chama a atenção para o fato de a Renault ter sido subestimada durante a pré-temporada porque o carro não parece tão ruim como parecera antes. Petrov vai sofrer muito tendo um companheiro como Kubica.

Ok, sobre o zigue-zague do Hamilton: eu condenaria em outras ocasiões, mas achei gozado ver o inglês quebrar uma dessas convenções não-escritas acordadas nos briefing dos pilotos. Prontofalei.

Fábio Andrade



Assim o Lewis vai se tornar o rei das polêmicas das regras não redigidas! A F-1 tem regras extra-oficiais, geradas pelo bom senso. Como aquela que diz que se alguém cortar caminho e devolver posição está tudo ok. O episódio de Spa-08 é só mais um exemplo de confusão que ele se meteu graças a seu espírito explosivo focado na vitória de qualquer duelo.

Sobre o rebolation com o Petrov, eu não puniria. Não tem regra definitiva, nesse caso não existe o preto no branco, cada um enxerga de um jeito. Se Lewis mudasse várias vezes a trajetória para fechar o Petrov na trajetória do russo, eu exigiria algo além da advertência. Mas o que ocorreu foi que Vitaly imitou a trajetória de Hamilton em busca do vácuo. Ora, se a trajetória é uma só para ambos, ninguém tem que ser punido. A punição só deve existir quando duas trajetórias distintas se "cruzam" várias vezes. Conclusão: não gostei nem da advertência.

Felipe Maciel



Meteorologia


Aqui em Vitória os antigos dizem que a chuva é certeira se encobrir o Monte Mestre Álvaro. Acredito mais na sabedoria popular do que na do Climatempo, apesar de admitir que eu também me equivoquei hoje. Quase todos nós acreditávamos na chuva como minha prima de 2 anos acredita em coelho da páscoa. Foi um engano coletivo.

Fábio Andrade



Disseram que não choveria no treino mas cairia uma tempestade na corrida. O treino foi disputado completamente no molhado, com direito a bandeira vermelha. Já na corrida nem uma gota.

Independente da graça meteorológica, ficou provado que chuva no treino basta para termos um bom GP. A classe A largando do fundão já é garantia de ultrapassagens até o fim.

Felipe Maciel



Tabela classificatória


Desde o começo eu era simpático ao movimento que queria valorizar a vitória, mas nunca gostei muito dessa quantidade de pontos tão grande e de tantos lugares pontuáveis. Mas, dos males o menor. Ver o Vettel saltar do 7º para o 3º lugar foi bacana na classificação, deu pra ter ideia de como a vitória voltou a dar ao piloto vencedor o poder de reação, algo que se perdeu com a pontuação que vigorou de 2003 e 2009.

Fábio Andrade



O sistema de classificação atual não valoriza a vitória, tanto é que o líder ainda não venceu. Mas pela primeira vez Massa ocupa o topo da tabela classificatória na F-1, mais do que justo a quem já fez por merecer esse gostinho.

Também é interessante ver 7 pilotos separados por menos de 10 pontos: 39-37-37-35-35-31-30. Só não se esqueçam que o homem a ser batido deveria possuir neste momento 75 pontos, não fosse um par de infortúnios. Se a confiabilidade do RB6 na Malásia começar a se repetir, a dissociação de certos números vai ser violenta.

Felipe Maciel

domingo, 4 de abril de 2010

No seco, Vettel lidera dobradinha da Red Bull na Malásia



FÁBIO ANDRADE



Era chegada, finalmente, a hora de vencer. E depois de tantas vezes bater na trave, não se pode negar a justiça da vitória de Sebastian Vettel hoje no GP da Malásia. O alemão da Red Bull fez uma corrida tão irretocável que só apareceu na transmisão televisiva na largada e na chegada. Superou seu companheiro de equipe na partida e daí em diante desapareceu, tanto porque imprimiu um forte ritmo de corrida, como porque sumiu das telas da tv durante o restante das 56 voltas da corrida.



Vettel ficou na penumbra porque a tv tinha com o que se ocupar. Largando do fundo do grid, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa movimentaram a corrida. A chuva, tão aguardada, parece ter sofrido um ataque de estrelismo, e não apareceu no dia de gala. Restou então a essas estrelas que vivem abaixo do firmamento chamadas pilotos garantirem o ingresso do público malaio e a manhã de vigília dos brasileiros.
O necessário Hamilton

O fim do reabastecimento ainda é assunto porque ainda se observam todas as mudanças no comportamento dos pilotos. Não há mais a expectativa de ultrapassagens nos boxes (se há ela foi em muito reduzida) e os pilotos precisam se resolver por seus próprios meios. E aí acabam problemas de arrasto, turbulência, super freios e carros desequilibrados. Quando se precisa ganhar uma posição, até mesmo um tilkódromo pode se converter numa pista de verdade.

Lewis Hamilton é um dos mais notáveis pilotos do atual grid quando o assunto é ultrapassagem. Vão falar, e muito, da manobra do britânico pra defender-se do russo Vitaly Petrov, afinal, uma defesa de posição tão "malandra" era algo que não se via há muito tempo. Mas, afinal, por que aquelas pessoas se sentam num carro de corrida a cada 15 dias, a não ser com o objetivo de ir ao limite a cada segundo? O destemor, como bem foi observado no GP da Austrália, é, certamente, a maior qualidade e o pior defeito de Hamilton, e é também aquilo que faz o campeão de 2008 ser amado por uns e odiado por outros tantos. Hamilton é, portanto, um piloto mais do que desejável nessa F-1 sem reabastecimento, ele é necessário, porque com pneus frios e tanque cheio, no início da corrida, não mediu esforços para ganhar quantas posições pudesse. Ainda falta um grande resultado ao britânico em 2010, é verdade, mas tal como o tempo fez justiça a Vettel, certamente a hora de Hamilton vai chegar.



Enquanto Hamilton era o grande personagem das primeiras voltas, Massa, Alonso e Button ficaram para trás. Não chegaram a ser geniais na largada porque estavam em entre carros 2 segundos mais lentos. Ganhar 7 posições de rivais tão modestos não é algo digno de ser chamado de desafio. Mas no passar das voltas todos demonstraram grande competência ao extrair o máximo de seus equipamentos, sobretudo Alonso, com problemas de câmbio que eram audíveis perante as câmeras onboard. É questionável a tática de Button de trocar os pneus duros por macios logo na 6ª volta e talvez o atual campeão tenha sido o mais fraco do quarteto Ferrari-McLaren, mas, se serve de consolo, houve gente com menos sorte.

Antes confiabilíssimos, o equipamento com a grife Ferrari já não exibe a mesma durabilidade há tempo. E se Schumacher era o rei da sorte no time de Maranello, como se fosse imune a quebras, o começo de carreira de Fernando Alonso na equipe italiana encontrou em Sepang seu ponto baixo. A quebra foi particularmente cruel para o asturiano como só as quebras no finzinho de corridas podem ser, e porque entregou a Felipe Massa a liderança do campeonato.



Massa teve seu grande momento ao ultrapassar Button, apesar de continuar reclamando de falta de aderência na F10. Lá na frente, apesar de apagados na transmissão da tv, Nico Rosberg, Robert Kubica a Adrian Sutil tiveram conduções competentes, demonstrando, mais uma vez, que a geração que chega tem qualidade de sobra.

E qualidade é artigo do qual a Red Bull está bem servida. Dominante na corrida, a equipe finalmente enfrentou um fim de semana sem quebras. Era o que bastava para pintar a vitória, tão apoteótica como só as dobradinhas podem ser. E se o objetivo da nova distribuição de pontos era privilegiar a vitória, Vettel mostra que a mudança cumpriu o prometido. O alemão pulou da 7ª para a 3ª posição do campeonato mundial. A volta do poder de reação, castrada pela pontuação vigente entre 2003 e 2009, é a melhor novidade do GP da Malásia.
Grande Prêmio da Malásia, após 56 voltas:

1°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1h33min48s412
2°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s8
3°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s5
4°. Robert Kubica (POL/Renault), a 18s5
5°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 21s0
6°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 23s4
7°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 27s0
8°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 37s9
9°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1min10s6
10°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), a 1min13s3
11°. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1min18s9
12°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 1 volta
13°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 2 voltas
14°. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), a 3 voltas
15°. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), a 3 voltas
16°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), a 4 voltas
17°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), a 5 voltas