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domingo, 16 de outubro de 2011

Vettel, pelo prazer de vencer

Lewis Hamilton não lê este blog, mas respondeu às perguntas feitas ontem por essas bandas. Se a cabeça do piloto do carro de número 3 voltou ao lugar ou não, é cedo para dizer, mas foi um alívio vê-lo na dura, linda e marcante disputa de posição com Mark Webber pelo segundo lugar depois da segunda rodada de pit stops. Quase uma volta inteira dividindo curvas lado a lado com o australiano, sem toques, no grande momento de um GP da Coreia morno e sem muita história.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Vettel correu sozinho e Hamilton venceu a corrida disputada pelos outros 23 carros (Foto: Reuters)"][/caption]

Depois da largada e das primeiras voltas, foi difícil ver os líderes trocarem de posição na pista. As ultrapassagens se consumaram mais nos boxes do que nos 5615 sinuosos metros de Yeongam. Sebastian Vettel foi quem deu o bote ainda na primeira volta, deixou Hamilton para trás e não foi mais incomodado durante os outros 54 giros.

As histórias paralelas, quando existiram, não ascenderam do papel de coadjuvantes para o cartaz principal. Ainda assim, graças ao impressionante desempenho de Vettel, os holofotes estiveram voltados para os outros pilotos das três equipes grandes, talvez com exceção de Jenson Button, que sofreu com o desempenho do carro durante toda a corrida. Além de Webber e Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa passaram a ser o foco da prova.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="A ordem de posições entre as Ferraris foi essa até o terço final da corrida (Foto: Getty Images)"][/caption]

A disputa entre os vermelhos mostrou Massa num lampejo, a frente de Alonso durante boa parte da corrida e defendendo-se do espanhol enquanto pôde. Foi uma rara prova em que o brasileiro não se envolveu em nenhum contratempo grave, a não ser os enrolos da própria Ferrari nos pit stops. Deixado para trás depois de voltar dos boxes no meio do tráfego, ficou distante de Alonso no terço final da corrida, quando o espanhol era o piloto mais rápido da pista.

Alonso remou e levou quase 20 voltas para se aproximar de Button. Quando finalmente estava a cerca de dois segundos do quarto colocado, o espanhol deu pinta de ter ficado sem pneu e avisou pelo rádio que desistia da briga. E Dom Alonso, que conquistou um segundo lugar na raça em Suzuka, capitulou em Yeongam, mostrando o quanto é duro ver um piloto querendo andar mais que o carro sem conseguir.

Vettel só voltou à ordem do dia na bandeirada. “Yes, Yes, Yes”, repetidas vezes, ao comemorar a vitória e o bicampeonato da Red Bull no mundial de equipes. Já campeão, Vettel teria todos os motivos para encarar as corridas restantes como um cumprimento formal de tabela. Mas Vettel aparenta ser um piloto de verdade, e pilotos desse gênero tentam a vitória de qualquer forma, para o bem do time ou pelo simples gozo pessoal de vencer.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Vettel e o alto clero da Red Bull comemoram o bicampeonato de construtores (Foto: AP)"][/caption]

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Memória Blog F-1: Alonso na Hungria

O campeonato de 2003 foi, certamente, o menos tranquilo dos anos dourados de Michael Schumacher na Ferrari. No GP da Hungria daquele ano, o time italiano foi batido facilmente pela concorrência. Rubens Barrichello não passou do quinto lugar na classificação, enquanto Schumacher ficou apenas com o oitavo posto no grid de largada. Na corrida, o brasileiro abandonou na 19ª volta com a quebra da suspensão traseira de sua F-2003GA e o alemão chegou na mesma oitava posição em que largou, a uma volta do vencedor da corrida.

O vencedor do GP da Hungria de 2003 experimentava pela primeira vez a sensação de estar no alto do pódio. Fernando Alonso, protegido do chefão Flávio Briatore, vencia sua primeira corrida e se tornava o mais jovem piloto a atingir a vitória numa corrida de Fórmula-1, aos 22 anos e 26 dias (marca derrubada por Sebastian Vettel no GP da Itália de 2008, conquistado pelo alemão aos 21 anos, 3 meses e 8 dias).

Mas no sábado, Alonso já havia impressionado pela facilidade com que conquistou a posição de honra no grid, sendo muito veloz no trecho mais sinuoso da pista húngara. O espanhol cravou a segunda pole de sua carreira (a primeira foi conquistada na Malásia, no mesmo ano, também batendo o recorde de precocidade para pole positions) com 256 milésimos de vantagem sobre o segundo colocado, o alemão Ralf Schumacher, então na Williams:



O curioso é que depois disso, mesmo nas temporadas em que foi campeão, Alonso jamais voltou a vencer em Hungaroring. Sua passagem mais conhecida no autódromo magiar depois de sua vitória data de 2007, também no treino classificatório para o GP da Hungria:



Foi o racha definitivo entre a dupla da McLaren. E a assinatura simbólica da carta de demissão de Alonso do time de Woking.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Fernando Alonso de volta às vitórias

A Ferrari não anda lá aquela coisa toda. Mas, em Silverstone fez o suficiente para dar um carro nas mãos de um gênio capaz de correr e andar além do limite de sua equipe. Quatro, cinco corridas atrás, lá estavam os ferraristas, chorando por estarem tão longes e tão fora da briga pela vitória. A Red Bull dominava e quem mais se aproximava de desbanca-los era a McLaren.

No entanto, a Ferrari soube fazer um trabalho no mínimo competente neste domingo. Foi precisa nos boxes, deu um carro que não seria capaz de vencer sozinho é verdade, mas que fez um casamento perfeito com o bicampeão espanhol. Alonso é daqueles que jamais jogam a toalha, por mais difícil que as condições estejam.

Se Lewis Hamilton demonstra toda a ousadia e confiança que possui dentro das pistas, Alonso costuma pratica-las de uma outra maneira, acreditando que uma hora ou outra trabalhando perfeitamente e no limite as coisas ocorrerão da melhor maneira possível.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="A vitória da Ferrari em Silverstone revela o quanto a equipe evoluiu e o ótimo trabalho de Fernando Alonso"][/caption]

Claro que compara-lo com Felipe Massa talvez seja até covardia, já que o brasileiro não vem demonstrando nem de longe o mesmo desempenho que o de seu companheiro. Massa fecha o fim de semana sempre com uma desculpa ou senão com uma falta de sorte que não cabe dentro de si. Foi assim em Mônaco, por exemplo. Felipe não anda ganhando uma e podem acreditar, esse fato influência muito a performance empolgante e competente de Alonso e digo o porquê.

O espanhol realmente só se destacou pelo talento que possui quando era tratado como a estrela dentro da equipe. Prova disso foi que em 2007, quando dividiu as atenções da McLaren com Lewis Hamilton, ele, assim como seu companheiro, se perdeu e deixou um possível título escapar com tamanha facilidade. Hoje na Ferrari com as atenções voltadas para si, Alonso trabalha com motivação extra de estar a frente de sua equipe. Mas não se engane em pensar que essa preferência não tenha sido conquistada por méritos do espanhol. Os números estão aí para provar o que falo.

Seria até mesmo difícil de imaginar alguma chance de alguém, incluindo Fernando Alonso, de bater a superioridade de Sebastian Vettel nessa temporada. Mas, o que anima nisso tudo, com a evolução da Ferrari e o bom trabalho que a McLaren tem demonstrado também, é que podemos ter uma segunda parte do campeonato bem mais disputada e acirrada do que foi até aqui.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Poucas surpresas marcam a quinta-feira em Mônaco

Os trabalhos de hoje em Mônaco reservaram poucas surpresas, mas serviu para uma equipe em especial levantar um pouco a moral e esperar por um bom fim de semana no circuito de rua. Fernando Alonso andou bem nos dois treinos livres ficando na segunda posição na primeira sessão e liderando a sessão número dois, algo que pode significar a disposição incansável do piloto espanhol em buscar a melhora do carro o mais breve possível.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="De capacete dourado, Alonso foi o melhor piloto dos treinos de hoje em Mônaco"][/caption]

Novamente, Felipe Massa não fez muito diferente do que se esperava dele. No treino 1, terminou na quarta colocação a 0s697 do líder Sebastian Vettel. Aliás, falando na Red Bull, essa quinta-feira foi um pouco peculiar nos trabalhos da equipe. Vettel aproveitou para fazer uma breve simulação de corria no segundo treino livre afim de testar os pneus macios que se mostraram duráveis no clima mediterrâneo de Mônaco. Mark Webber sofreu com problemas de câmbio na primeira sessão e nem sequer marcou tempo. Mas tudo isso não significam problemas que ameacem a superioridade taurina até aqui na temporada.

Na Mercedes, Michael Schumacher segue levando surra de Nico Rosberg. No primeiro treino melhor para o jovem alemão; no segundo, também. Mas além de não superar o tempo de seu companheiro de equipe, Schumacher perdeu o carro e bateu na Saint Devote quando tinha a nona posição no primeiro treino, faltando sete minutos para o final da sessão. Parece que os reflexos do alemão voltaram a fazer falta de novo.

E como muitas surpresas não aconteceram vale começar a apostar em quem fará a pole position. Que ninguém se engane pelo fato da Red Bull não ter demonstrado um desempenho tão alucinante como nas outras corridas no dia de hoje. Simplesmente tratou-se de treinos livres e por mais peculiar que alguém acredite que foi os treinamentos para os taurinos, Vettel e Webber virão fortes no sábado e no domingo.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Os chefes das duas mais fortes equipes da temporada conversam"][/caption]

Fernando Alonso também já é um nome que podemos cogitar ao apostar em quem leva a pole. Difícil imaginar uma Ferrari superando a Red Bull ou a McLaren depois do GP da Espanha, mas a verdade é que o braço do espanhol pode fazer muita diferença.

A McLaren é a principal rival da equipe energética até aqui, mas mesmo torcendo para que Button faça alguma coisa a mais do que ficar atrás de Hamilton onde quer que ele ande, acredito que só o campeão de 2008 e que chegou bem próximo da vitória no último fim de semana poderá dar alguma canseira ao domínio da Red Bull nos sábados por parte da equipe inglesa. Tomara que esteja enganado.

Já no domingo é aquilo que tomo mundo costuma dizer. Não há como prever quem vencerá porque Mônaco é Mônaco.

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segunda-feira, 23 de maio de 2011

A frustração na Ferrari continua

Mais uma etapa do campeonato de Fórmula 1 já se foi e a Ferrari segue perdida e tentando encontrar explicações para seu fraco desempenho na temporada até aqui, ou melhor, mais do que procurar os problemas, a equipe italiana vem tendo mais dificuldade em arranjar soluções para um carro tão lento em relação aos seus principais adversários.

Muitos podem pensar que a boa largada de Fernando Alonso e a sua permanência por várias voltas na liderança andando na mesma balada de Sebastian Vettel no GP da Espanha deste último domingo mostra que a situação ferrarista não está tão ruim assim. Mas como o próprio piloto espanhol declarou, aquilo foi irreal e não reflete o atual momento da equipe, o verdadeiro potencial dos carros vermelhos.

[caption id="attachment_7230" align="aligncenter" width="600" caption="Tanto Alonso como Massa seguem decepcionados com o carro que possuem, mas o espanhol é o único que parece não ter jogado a toalha"][/caption]

Por falar em Alonso, uma coisa vem me chamando a atenção e isso com certeza é um dos graves problemas que a escuderia de Maranello precisa resolver caso queira se aproximar de McLaren e principalmente da Red Bull: Alonso parece ser o único a trabalhar com competência no time italiano. O espanhol consegue encobrir ainda mais defeitos que a Ferrari apresenta com sua performance além do que o carro pode render. Engenheiros e mecânicos fazem um trabalho que se reflete negativamente durante as corridas. Os primeiros não conseguiram criar um carro vencedor e ainda não conseguem fazê-lo evoluir pelo menos a ponto de assegurar a equipe de vez como a terceira força do grid. Já os mecânicos desperdiçam segundos precisos em cada pit stop realizado nas etapas desde o GP da Austrália. E olha que não foram poucas as paradas frustradas do time vermelho.

Felipe Massa continua sem demonstrar algo a mais que alguns ainda teimam em acreditar que ele tem. Está mais do que nunca provado nesse início de temporada somado ao péssimo ano de 2010 que Massa é um piloto mediano e compará-lo a Alonso é somente um exercício de patriotismo exacerbado. E as desculpas pelo mau desempenho são diversas. Talvez uma mudança de equipe fosse a melhor saída para a carreira do piloto brasileiro.

Voltando a falar de Alonso, vale lembrar que o único que demonstra grande motivação em continuar a trabalhar em busca de uma melhoria significativa no carro é o espanhol. As declarações de confiança, apesar das várias frustrantes apresentações até aqui, seguem a mesma linha do início do campeonato de 2010, quando Alonso afirmou ter 50% de chances de título quando todos acreditavam que a Ferrari era carta fora do baralho. Acho muito difícil que isso se repita, mas tratando-se de um bicampeão mundial é bom ficar com um pé atrás.

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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Alonso Renovado

A divulgação foi feita ao modo Ferrari: sempre próxima de alguma corrida ou data importante para um dos lados envolvidos. No caso do anúncio da extensão do contrato de Fernando Alonso por mais cinco anos, faz todo o sentido que a divulgação ocorra as vésperas do GP da Espanha, na casa do asturiano. O bicampeão fica na Ferrari até 2016.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Alonso vestirá vermelho por pelo menos mais cinco anos"][/caption]

Depois do anúncio veio a rasgação de seda pública entre a cúpula da equipe italiana e o piloto. Alonso voltou a falar que pretende encerrar a carreira na equipe italiana e sobrou espaço até para Felipe Massa ser lembrado pelo bicampeão. Aparentemente todo mundo está muito feliz, mas até que ponto os sorrisos e as palavras doces nas entrevistas e nos releases fazem sentido?


Há algo que jamais foi dito - eu pelo menos não me lembro de ter lido - mas, desde Schumacher, a Ferrari deseja a “segurança” de ter em seus quadros o melhor piloto do grid. É compreensível, porque o histórico jejum de 20 anos sem títulos (de 1979 a 1999)  maculou a equipe de uma forma profunda. O grande campeão dá uma certa segurança, soma à Maranello uma grife, representa algo de notável mesmo quando a equipe não tem um carro de ponta. Como já ficou claro em Zeltweg-2002 e Hockenheim-2010, a Ferrari trabalha para otimizar resultados até o limite e ter o grande piloto no elenco já é uma preocupação a menos em períodos de crise. É uma forma indireta de otimizar talento, dinheiro e esforço.


Outra característica que já se tornou marca do time vermelho nos últimos dez anos é a existência de um elo forte e um elo fraco entre seus volantes. Na última década cinco pilotos passaram pela Ferrari (Badoer e Fisichella não estão contabilizados): Schumacher, Barrichello, Massa, Raikkonen e Alonso. Em todos os anos, cada dupla sempre foi caracterizada pela preponderância de um sobre o outro: Schumacher, além de ter a equipe nas mãos politicamente, frequentemente superava Barrichello, como também fez com um verde Felipe Massa em 2006; o brasileiro fez um campeonato irregular em 2007 e deu a Raikkonen a condição para, no fim do ano, se destacar e ser campeão; a situação se inverteu em 2008, mas Massa não faturou o título; em 2009 os dois faziam milagres com a F60, com ligeira vantagem para Massa até o acidente que o tirou de combate em Hungaroring; no ano passado aconteceu aquela que talvez seja a maior diferença de rendimento entre os dois pilotos rubros e  Alonso aplicou uma lavada no brasileiro.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Segura Massa! O contrato extenso de Alonso pode ser um indicativo do futuro do brasileiro"][/caption]

Com o histórico acima, quem deve ficar preocupado com a renovação de Alonso é Felipe Massa. O vice-campeão de 2008 é piloto da escuderia desde 2006, ou seja, está em sua sexta temporada no time. É nítido que a partir de determinado ponto há um desgaste natural na relação entre piloto e equipe e esse parece ser o momento que vivem Massa e Ferrari, sobretudo depois do GP da Alemanha do ano passado. A Ferrari espera lealdade máxima de seus comandados, como Massa fez, muito especialmente, no GP do Brasil de 2007, quando abriu mão da vitória em casa para permitir o título de Raikkonen. Esse e outros gestos certamente contaram muito a favor de Massa e devem ter sido lembrados nas renovações de contrato que trouxeram o brasileiro até aqui. Mas na última corrida em Hockenheim, grande parte do constrangimento vivido pela Ferrari teve origem na manobra de troca de posição em que o brasileiro não fez a menor questão de esconder que estava sendo obrigado a ceder lugar para Alonso. Não é para justificar esse tipo de pensamento, mas foi como se, no raciocínio da “família” Ferrari, Massa tivesse faltado com sua obrigação de obedecer sem contestar e não arranhar a imagem do time.


Para Alonso a renovação de contrato é um sucesso. Pelo menos é isso que a Ferrari quer transmitir. Mas a verdade é que a escuderia e a própria Fórmula-1 de hoje não são as mesmas de 10 anos atrás. O domínio do time de 2000 a 2004 tornou-se quase um ideal na equipe, mas é algo que muito dificilmente vai se repetir. Há algumas temporadas a Ferrari não aparece com um carro destacadamente melhor do que o da concorrência, no máximo consegue competir de igual para igual com as rivais. O corpo técnico da equipe não parece mais ser um ninho de excelência e inovação, tal como o comando no pit wall. Por mais que Alonso fale em paixão, a Ferrari de hoje não é a equipe perfeita que ele esperava encontrar para ganhar títulos e tornar-se definitivamente um dos nomes canônicos da F-1. Mas conhecendo o bicampeão, seu talento e sua autoconfiança, é possível que ele imagine ser o piloto certo para reconduzir a Ferrari ao posto de força máxima da categoria nos próximos cinco anos.


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Revelada mais uma falcatrua de Alonso



ANDERSON NASCIMENTO


A biografia de Bernie Ecclestone escrita por Tom Bowers trouxe mais uma polêmica não conhecida envolvendo o piloto espanhol Fernando Alonso. Segundo o livro, o piloto da Ferrari que em 2007 era companheiro de Lewis Hamilton na McLaren pediu para que o carro do inglês fosse sabotado no GP da Hungria daquele ano.

Ron Dennis havia recebido o pedido de Alonso pessoalmente e creio que não deve ter se assustado, mas jamais faria isso com a equipe que defende tão bem. A ideia do bicampeão era que a equipe colocasse menos combustível no carro de Hamilton para que ele não conseguisse completar a corrida.

No mesmo fim de semana, Alonso já havia prejudicado seu companheiro, demorando nos boxes e impossibilitando que Hamilton fizesse mais uma volta rápida no treino classificatório e assim ficasse com a pole-position. O espanhol conseguiu o que queria, mas a FIA, atenta ao que acontecia, o puniu e Alonso foi obrigado a ceder o lugar de honra ao seu companheiro inglês. O vídeo abaixo mostra bem como aconteceu este ato desonesto do asturiano.



A crise na escuderia inglesa havia se instalado. Fernando Alonso e Lewis Hamilton brigavam pela preferência da equipe e também por quem levaria o campeonato. Acabou que Alonso perdeu a vaga no time e o seu tricampeonato. Kimi Raikkonen levou o título da temporada 2007.

Para mim, não me espanta ver mais uma atitude desse tipo vinda de Fernando Alonso. É inegável que ele possui pouco caráter esportivo, e há quem discorde disso, mesmo sabendo de todo seu histórico. Não é a toa, afinal, que ele possui uma grande quantidade de fãs pelo mundo todo, especialmente na Espanha, que não quer saber o que ele faz desde que ganhe títulos e continue levando a bandeira vermelha e amarela ao topo da Fórmula 1.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ferrari F150 lançada



FELIPE MACIEL


Chegou o dia da primeira apresentação de carros de 2011. A Ferrari fez as honras, pena que não mostrou nada de muito novo em relação ao desenho do modelo.

Mas faz parte do jogo do esconde-esconde deixar para os testes coletivos a colocação do verdadeiro carro na pista, por isso até lá o F150 pode passar por alguma reformulação para incorporar mais novidades.

O que se viu hoje foi basicamente a amostragem da pintura, que carrega o bandeira italiana no aerofólio traseiro, que juntamente ao nome do bólido remete aos 150 anos da unificação do país.

Não passa despercebido o novo logotipo da escuderia, impregnado na tampa do motor fazendo uma alusão ainda mais óbvia à Marlboro do que o antigo código de barras.





A equipe revelou que usou o Acordo de Restrição de Recursos da Fota para "terceirizar" parte do desenvolvimento do carro, pagando pelo uso do túnel de vento da Toyota, e assim disponibilizando mais tempo de preparação e trabalho do que o permitido por padrão. Parece que na Fórmula 1 atual os times não precisam respeitar o regulamento da FIA se estiverem seguindo o da Fota...

Fernando Alonso cuidou da estreia do F150 conduzindo a nova Ferrari no shakedown em Fiorano.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ferrari quer Vettel, Vettel quer Ferrari



FELIPE MACIEL


O xará vai ter que dormir com um barulho desses. Luca di Montezemolo falou para quem quiser ouvir que uma das metas da equipe nos próximos anos é trazer Sebastian Vettel para Maranello: "Sebastian é rápido, inteligente e jovem. Ele irá pilotar um carro vermelho cedo ou tarde".

Alie isso ao fato de Dietrich Mateschitz já ter reconhecido anteriormente que seu pupilo tem o mesmo interesse em passar pela escuderia italiana, e teremos um quadro onde tanto Red Bull quanto Ferrari estão cientes do que vem por aí; a pergunta é: quando?



Não tem como negar o quão especial é para um piloto guiar uma Ferrari. Quase todo piloto deve sonhar com este dia. Sebastian dispõe do melhor carro do grid, e talvez não pense em se mudar para nenhum outro time, exceto uma única equipe.

Quando a Ferrari diz que quer um piloto, ela o tem. Quiseram o Massa, o Raikkonen, o Alonso. Agora querem o Vettel. A recíproca também é verdadeira, todos eles queriam a Ferrari. Resta saber quem irá sair para Vettel entrar.

Enquanto o mundo não dá voltas, o contexto atual sugere que Massa é o desfavorecido. O ano de 2011 pode ser determinante na carreira do brasileiro, como sabemos. Já o controverso Alonso, por sua vez, tem que continuar vestindo a camisa. Afinal, vai que a Ferrari cisme em trazer o Kubica junto...

Nunca se sabe. Jamais sabemos... mas depois dessa, não é exagero dizer que as chances de Sebastian domar o cavalinho rampante um dia é da ordem de 95%.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O pós-lamento



ANDERSON NASCIMENTO



E sobrou. Estava muito estranho a Ferrari não tomar providência alguma contra o erro que foi cometido no GP de Abu Dhabi que tirou o título das mãos de Fernando Alonso. Erro de estratégia, para lembrar.



O asturiano era o quarto colocado na corrida que decidia o título da temporada na Fórmula 1. Porém, a estratégia traçada pelo australiano Chris Dyer, engenheiro-chefe da equipe e responsável pela maquinação estratégica do time para as corridas, foi consideravelmente precipitada. Fernando voltou lá trás e ficou 'preso' atrás do competente e jovem Vitaly Petrov.

Assim, Dyer deve perder seu emprego, mesmo que Luca di Montezemolo afirme que só o que mudará para a próxima temporada seja o carro. "O que muda na Ferrari para 2011? O carro", declarou mostrando seu dom para despistar assuntos polêmicos.

Agora, diante de tudo que vimos na corrida de duas semanas atrás que decidiu o campeonato a favor do alemão Sebastian Vettel, será que é correto culpar somente um empregado da equipe pelo erro que custou o tri do espanhol? Alonso também não teve culpa? Mas haverá quem diga que ele tem créditos para errar com o time, já que foi avassalador em vitórias ou bons desempenhos do GP da Alemanha em diante. E o engenheiro-chefe não foi? Ou Fernandinho venceu tudo sozinho? Se venceu, porque não ultrapassou Petrov e foi em busca da taça que o esperava?

Resposta a esse mundaréo de perguntas eu tenho: Ferrari e sua maldita politicagem.

sábado, 20 de novembro de 2010

Massa e Alonso são líderes com os novos pneus



ANDERSON NASCIMENTO



Terminaram os dois dias de testes com os novos compostos que serão utilizados a partir da próxima temporada da Fórmula 1. A troca de Bridgestone para Pirelli agradou a maioria, mas caiu no desgosto de alguns, mas nada que o tempo não resolva.



No primeiro dia, Felipe Massa foi quem fez a volta mais rápida com os novos calçados, melhorando até mesmo o tempo que conseguira no treino classificatório na semana passada. Somados os dois dias, o brasileiro também foi o líder com a marca de 1min40s170. Sinal de ótima adaptação? Talvez sim, talvez não.

A verdade é que estes testes são importantes muito mais para coletar dados para basear algumas das adaptações para o projeto do carro das equipes em 2011. Esses dois dias são muito mais visando este aspecto do que realmente a adaptação dos pilotos aos novos pneus.

Hoje, quem ficou com a melhor marca foi o vice-campeão de 2010, Fernando Alonso. 1:40.529 foi o seu tempo, conseguindo bater a performance do alemão Michael Schumacher, que no fundo, no fundo foi o que ficou mais otimista para 2011. Talvez essa seja a 'ajudinha' que Schumacher tanto precisa para voltar aos tempos de glória. Mas, como já dito, é muito cedo para avaliar alguma evolução em caráter concreto.

É necessário aguardar a pré-temporada de 2011 para saber enfim como os pilotos, os carros e as equipes se ajustarão a nova e importante mudança da categoria.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A matemática do título a 3 provas do fim



FELIPE MACIEL


Restando apenas Coreia, Brasil e Abu Dhabi para finalizar o Mundial 2010, já está na hora de fazer um balanço dos cenários que dariam título a cada um dos postulantes vivos na disputa. Assim diz a tabela:

Mark Webber - 220 pontos
Fernando Alonso - 206
Sebastian Vettel - 206
Lewis Hamilton - 192
Jenson Button - 189



Líder isolado, Mark Webber pode se dar ao luxo de abandonar uma corrida, sendo que se vencer as outras duas o campeonato será seu.

O caso de Alonso e Vettel é o mesmo: ambos sonham em vencer pelo menos duas corridas das três que ainda faltam. Na terceira, bastará chegar à frente do Webber para ficar com o caneco.

A partir daí vem as McLarens, que não poderão economizar santo se pretendem dar a volta por cima na temporada praticamente perdida. A Lewis Hamilton, basta vencer todas as 3 etapas, desde que o australiano nunca consiga um resultado melhor que a terceira colocação.

A matemática do Button é ligeiramente mais desafiadora. O atual campeão tem de ganhar todas, torcer para que Webber não faça nada melhor que 2 terceiros e 1 quarto lugar, independente do resultado dos demais.

E aí? Em quem você mais acredita nessa reta final? Quanto pilotos chegarão com chances ao último GP do ano? São os momentos finais para se fazer qualquer aposta em 2010 (que, diga-se, passou rápido como de costume).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Conhecendo o motorhome da Ferrari com Alonso



FELIPE MACIEL



Muito boa a espontânea matéria do canal La Sexta, com Fernando Alonso conduzindo os espectadores em um tour dentro do motorhome da Ferrari. As emissoras inglesas e espanholas sempre tem algo a mais para apresentar na F-1; pena que aqui no Brasil nunca se sai da mesmice, o que nos obriga a ficar de olho no que tem de diferente sendo feito lá fora.

Com vocês, o repórter Fernando Alonso e o cozinheiro Felipe Massa.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Chances matemáticas definem direito a jogo de equipe?



FELIPE MACIEL



Está longe de haver consenso quando o tema é o jogo de equipe. Mas ao que tudo leva a crer, a maioria demonstra clara predisposição a aceitar a interferência do chefão na conduta de seus pilotos apenas quando o chamado segundo piloto não possir chances matemáticas de brigar pelo título.

Sejamos francos quanto a seu real significado... Chance matemática é uma avaliação estupidamente simples, que qualquer criança poderia fazer, consistindo num cálculo de cenário futuro que faz de todo o possível para provar que um dado piloto pode conquistar o título mundial, nem que para isso seja necessário ignorar todo o senso lógico do mundo real e provocar verdadeiras catástrofes com os adversários do piloto em questão.

Exemplo. Neste momento, Mark Webber lidera a tabela com 161 pontos, tendo quatro respeitáveis rivais ameaçando sua façanha de levar o caneco ao fim do ano. As chances matemáticas entram indicando que ainda restam 175 pontos em jogo. Portanto, se o Webber sofrer um grave acidente na Tasmânia durante as férias, o carro do Vettel quebrar em todas as corridas, Jenson Button cair em profunda depressão por ter perdido a Michibata, o Alonso operar a sobrancelha e tirar 5 meses para recuperação, Hamilton resolver voltar para a GP2, e mais uma série de fenômenos inexplicáveis que incluem o Sakon Yamamoto vencer todos os GPs... Pronto, Yamamoto campeão do mundo!

Conclusão: sim, existe chance matemática de Yamamoto conquistar o título em 2010. E daí?



Com a mega polêmica do GP da Alemanha, é possível que a FIA cogite transpor sobre o regulamento o conceito das possibilidades matemáticas de um piloto para afirmar se a equipe pode tratá-lo como escudeiro de seu companheiro ou não.

Essa suposta preocupação da FIA com o pensamento dos espectadores tem, naturalmente, seus pontos positivos e negativos. Mas já que o povão se posiciona favorável ao jogo equipe apenas quando as chances matemáticas são nulas, é de se lamentar que não disponham de recursos mais apurados para análise, nem possuam os conhecimentos do matemático Oswald de Souza, ou ainda desconheçam técnicas de previsões econômicas que podem ser perfeitamente aplicadas em campeonatos esportivos para gerar uma noção mais próxima sobre o futuro provável.

Por conta disso, só resta ao público considerar a amadora ferramenta das chances matemáticas como meio de afirmar "booleanamente" se o sujeito pode ou não pode continuar sonhando com o título da temporada.



Na etapa de Hockenheim Felipe cedeu a vitória a Fernando, mas segundo a matemática básica dos torcedores, a ordem de equipe ocorreu cedo demais. Mesmo sem verificar modelos matemáticos mais aprimorados, podemos identificar uma razão lógica que levasse a Ferrari a cumprir sua política de definir o piloto privilegiado após meia temporada de igualdade interna.

Felipe Massa, simplesmente, está sendo massacrado pelo desempenho de Fernando Alonso. A diferença fica variando entre 0,3s e 0,7s (por volta!). Ora, se para um piloto ser campeão faz-se necessário superar absolutamente todos os adversários que disputam o tal esporte naquela temporada, basta ele se provar incapaz de bater um deles que automaticamente temos uma clara evidência de que não há chance alguma de se tornar campeão. Catástrofes mirabolantes à parte.

Quem torce para Massa tem motivos para fica desapontado com o GP da Alemanha. Afinal, numa temporada tão ruim para o Felipe, a conquista de uma vitória seria um raro e merecido momento de satisfação. Mas em termos de campeonato, não é nada difícil compreender o que aconteceu.

Massa perde de lavada para o Alonso em posições de largada, posições de chegada, pontos na classificação, pódios, voltas rápidas, voltas na liderança, salário, altura, peso, torcida e o escambau. Se o Felipe estiver acima do Fernando em alguma estatística, por favor me conte qual é.



Daí as pessoas exigem que Stefano Domenicali espere as chances matemáticas do Felipe terminar antes de pensar em promover Alonso a primeiro piloto. Pois bem, coloque-se na posição de chefe de equipe. Você esperaria o Mundial se aproximar da penúltima corrida do ano para finalmente ter um surto de inteligência e descobrir que o Massa não brigará pelo título de 2010?

Se a Ferrari estivesse bem encaminhada na tabela, talvez pudesse se dar ao luxo de adiar a decisão - seria o caso em 2002, aquela sim uma manipulação absurda. Mas com Fernando em 5°, ou você investe todas as forças nele agora para emplacar uma desafiadora recuperação, ou trate de depositar esforços no carro do ano que vem e desistir de 2010. Maranello escolheu a primeira.



De todo modo, caso a federação insira o mecanismo das chances matemáticas nas regras de 2011 para julgar se a inversão de posições é legal ou ilegal, haverá um benefício interessante para a Fórmula 1, que não é acabar com o jogo de equipe em meio de temporada, mas sim fazer com que equipes como a Ferrari tenham mais respeito pelas considerações do público.

O ajuste de posições poderá seguir ocorrendo, porém de maneira sempre discreta, de preferência nos boxes. A inversão escancarada é o que provoca repulsa dos espectadores, por isso a falha verdadeira do time em Hockenheim foi ter movimentado as peças na pista, ao invés de decidir trocar Massa com Alonso nos pits, manobra que poderia ter sido executada de forma relativamente fácil, dificultando bastante o reconhecimento da manipulação orquestrada, bem como sua comprovação.

No final das contas, a adaptação da regra só serviria para fazê-la ser levada mais a sério do que é, mas não tão a sério quanto sugere o que está escrito. Seria uma mudança de efeito reduzido, com intuito de valorizar um exercício de disfarce. No confronto entre verdade estampada e hipocrisia, está sendo combinado que a última é mais saudável ao esporte.

E de fato só existem essa duas opções. Não se decretará o fim do jogo de equipe até o dia em que cada time possuir somente um piloto guiando por ela. O que inclusive explica parcialmente a ânsia da Ferrari ao pedir três carros para sua equipe. Se tem algo bom que podemos tirar do episódio da Alemanha é a perda de moral da escuderia para propor uma ideia estapafúrdia como essa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Escândalo da Ferrari na Alemanha mudará a F-1?



FELIPE MACIEL


Quando perguntam a um ator qual o personagem mais marcante da carreira ele diz que é sempre o atual. Quando se pergunta a um técnico de futebol qual o time adversário mais perigoso, responde que é sempre o do próximo jogo. A Fórmula 1 está ficando parecida como este tipo de lugar comum. Responda rápido: Qual a pior polêmica da história? Fica a impressão de que é sempre a mais recente.

Mas não, a marmelada ocorrida no GP da Alemanha não é a pior coisa que já se viu. Eu diria se tratar de uma das polêmicas menos assustadoras da década. Áustria-2002 foi muito pior, ocorrendo logo no início de um campeonato onde o carro da Ferrari era disparado o melhor do ano, o que tornava injustificável o sacrifício de Barrichello para Schumacher vencer.

Em 2007 tivemos um escândalo de roubo industrial que gerou discussões durante um ano inteiro, culminando na eliminação da McLaren do Mundial de Construtores. O Nelsinho batendo de propósito em 2008 forma com o caso da espionagem as mais lamentáveis polêmicas extravagantes da categoria. Não só da década; da história.

A crise da mentira em 2009, sim, me parece uma passagem menos feia que a triste colaboração do Massa com Alonso em Hockenheim. Me reservo o direito de manter o sadomasoquismo particular de Max Mosley fora desta lista.



Desculpa se ficou parecendo um ranking de infelicidades, a intenção não é essa. Como pode se ver, a Fórmula 1 encontrou uma fase em que apresenta ao menos uma vergonha por ano, mas ela continua lá, firme e forte, cheia de espectadores e saldos lucrativos para as corporações atuantes. É um esporte que nem precisa se dar ao trabalho de tentar agradar seus stakeholders para fazer sucesso.

Mas será que nada muda? 2011 virá aí e a F-1 estampará uma nova encrenca nas páginas dos jornais de automobilismo? Alguém sabe como fazer isso parar? Aliás, será que Bernie Ecclestone e cia. desejam que isso pare ou eles gostam de ver o circo pegar fogo?

Pronto, fiz uma série de perguntas que não sei responder e você provavelmente também não. É duro explicar inclusive o fato de vivermos num período tão intensamente conturbado, com um show de crises em toda santa temporada. Possivelmente há alguma relação com o crescente nível de exposição, que desmascara as sandices que sempre existiram no meio.

Já temos a informação de que a audiência no Conselho Mundial está marcada para 10 de setembro. Serão 4 semanas de intervalo após a Hungria, no entanto o julgamento acontecerá somente na véspera do segundo GP de retorno das férias - Itália, diga-se. Em outras palavras, daqui a um mês e meio. Haja paciência... Eles terão tempo suficiente para ver o clima esfriar e minimizar a pressão do público que exige a desclassificação da Ferrari na corrida de Hockenheim.

Fecho o post respondendo a pergunta do título: independente da decisão do Conselho, nada muda na F-1. A Ferrari já escolheu seu piloto privilegiado neste ano, logo ela não irá voltar atrás. Se perder os pontos da Alemanha pode ser pior, o desespero para ajudar o Alonso aumenta. E em breve teremos novas polêmicas por razões semelhantes ou não, e mais Conselho, e mais Corte. A Fórmula 1 não aprende fácil. A quem não ameaça assistir campeonato de bocha, melhor se manter preparado para a próxima.

F-1 ainda vale a pena após polêmica de Hockenheim?



FELIPE MACIEL


Não foi a primeira vez que Felipe Massa deu a vitória de bandeja a um companheiro de equipe. Já havia feito algo semelhante aqui, no Brasil, bem diante da sua torcida no final da temporada 2007.

A reação do público não chegou nem perto do que ocorreu hoje em Hockenheim. Ninguém exigiu que Kimi Raikkonen superasse Massa no braço se quisesse conquistar aquele título. Por que será?

Essa coisa de que o espectadores rejeitam ordem de equipe na Fórmula 1 pode ser enganoso. O público aceita sim. Aceitou justo aqui em Interlagos. O que difere aquele episódio deste aqui é o fato de equipe e torcida estarem em consenso no primeiro caso. A inversão de posições só fica injusta quando o público não tem empatia pela postura da escuderia e é surpreendido pela troca. Não se trata de infringir as regras, pois.

Massa e Raikkonen - GP do Brasil de 2007

Ah, sim, é verdade, existe uma outra diferença importante: em São Paulo, a manipulação havia sido feita nos boxes. Clareando a memória: Felipe fez seu pit e reduziu o ritmo propositadamente, enquanto Kimi permanecia na pista acelerando para tomar a liderança.

Considero esta segunda diferença menos relevante que a primeira. Mesmo que a troca fosse descarada, as pessoas entenderiam, afinal a manipulação do resultado implicaria em título mundial. O que nos leva a outra conclusão: uma marmelada é considerada feia quando o grau de certeza de interferência no resultado do campeonato for pequeno.

Mas não vim aqui para citar os tópicos que separam o caso de hoje para o caso de ontem e tomar seu tempo com uma série de conclusões derivadas dessa comparações. Eu pretendo mesmo é analisar criticamente a tal regra que proíbe o jogo de equipe, que por sinal já foi contestada por David Coulthard, afirmando que não faz sentido não haver jogo de equipe se existe equipe e um título em jogo (ele não disse com essas palavras, eu adaptei).

Nelsinho Piquet

A regra da FIA não serve para impedir a manipulação de resultado. Não serve.

O objetivo dela é impedir que algo seja feito descaradamente. O ideal é fazer a troca de posições sem que o público perceba. Pronto, feito isso não há crime algum.

O que foi aquela batida de Nelsinho Piquet em Cingapura? Não foi jogo de equipe também? Por que a FIA não investigou logo após o GP? Não me diga que ela não sabia. Boa parte dos profissionais da Fórmula 1 sabiam ou pelo menos desconfiavam. O Massa sabia, tanto que foi falar com o Briatore. E ninguém fez nada. Por quê? Por quê?

A resposta é simples. Porque o público caiu na pegadinha. O público não se revoltou. O público não percebeu. Parabéns, Briatore, você fez o crime perfeito. Exceto pelo fato de ter demitido o língua-solta um ano depois, claro.

Não existe regra alguma proibindo jogo de equipe. Existe sim regra proibindo o nítido jogo de equipe. O crime, portanto, é deixar o público notar. Se a FIA percebe e o público não nota, a FIA não pune.

Particularmente, me recuso a apoiar uma regra que decide o que é certo e o que é errado baseado na capacidade da equipe em me fazer de trouxa. Uma regra assim não deveria existir. Ponto.



Quanto ao Massa, este cedeu à ordem do pitwall porque sabe por experiência própria que tal postura era a coisa certa a se fazer. Para quem não se lembra, um ano após Felipe abrir para Raikkonen, foi a vez de Kimi ceder preferência ao Massa no GP da China de 2008. A lição é: o 2° piloto de hoje pode ser o 1° piloto de amanhã. Imagina qual seria a lição se Felipe não tivesse permitido ao Raikkonen conquistar o título mundial? Resposta: o vencedor de hoje pode ser o demitido de amanhã.

Sobre as inúmeras histórias envolvendo a Ferrari, gostaria de lembrar que ela não é a única. Um exemplo foi a Renault executando ordem de equipe em Xangai-06, quando Fisichella quase deu marcha ré para Alonso tirar a vantagem entre eles e passar. Ninguém foi punido.

Isso porque o público aprovou. E aprovou porque acha que a equipe tem o direito de aplicar jogadas especiais em final de temporada. Portanto o episódio de Hockenheim poderia ocorrer no Japão ou em Abu Dhabi que ninguém faria alvoroço. Mas não, ocorreu em Hockenheim.

A razão de a Ferrari escolher Alonso como piloto privilegiado desde o meado de 2010 é porque a equipe desesperada fez uma primeira metade de temporada tão fraca, que não há tempo para se recuperar com os dois pilotos. Então vai um só.



Meu objetivo não é dizer que a Ferrari está certa, jamais diria isso. Apenas coloco o outro lado da moeda para que possamos pensar mais profundamente nas minúcias do caso em vez de agir com veemência, como foi a reação generalizada neste domingo. Afinal, jogo de equipe não é novidade alguma - desde Fangio se ganha título mundial assim.

Por isso não inventem que se deixará de assistir à F-1, como alguns sugerem da boca pra fora. Este não é o único esporte sujo do planeta. O futebol é outro repleto de sujeira mas ali ninguém se dá conta. Quanto mais popular ou rentável for o esporte, maior a chance de ser tratado como um grande negócio.

E se você assiste algo com assiduidade tendo total consciência de que lá acontecem coisas que até Deus duvida, é porque você definitivamente é um maldito fã daquele maldito esporte. Não há maracutaia que te convença a abandonar. Não sei como mudar uma categoria que funciona assim desde sempre, só sei que virar as costas para ela não é uma opção. Então deixemos as falsas ameaças à F-1 de lado e esperemos o julgamento do Conselho Mundial. Vamos ver como a Ferrari joga do lado de fora da pista.

domingo, 25 de julho de 2010

Meus amigos me salvaram do GP da Alemanha



FÁBIO ANDRADE



Domingo a essa hora, nesse blog, costuma entrar no ar o Dupla de Equipe. Se você é leitor habitué, já sabe do que se trata. Se não é, explico: trata-se de uma seção com considerações dos dois blogueiros dessa página sobre o que aconteceu na corrida do respectivo dia. E o que aconteceu hoje em Hockenheim torna impossível a existência da coluna, porque o GP da Alemanha foi uma farsa travestida de corrida daquelas que faz o sujeito se sentir um idiota em frente ao televisor. Há apenas um assunto, urgente, grave, que exige uma palavra. Felipe Maciel falou aí embaixo. Peço licença a ele para falar agora, porque me abstive de “falar” sobre Fórmula-1 durante a maior parte do meu domingo.



Desde o meio da semana eu já sabia que não ia blogar hoje. Pela primeira vez em 2010 não seria eu o responsável pelo tradicional post pós-corrida que tanto gosto de fazer. Havia uma pretensa reunião com amigos que me impediria de ficar em casa após as 11 da manhã. Talvez eu nunca tenha sido tão grato aos amigos como fui hoje. Um muito obrigado a eles.

Todos eles sabem do meu gosto pela Fórmula-1. Pelo prazer que tenho em assistir a uma corrida. Paixão não se explica. A maioria deles compreende os telefonemas não atendidos aos domingos de manhã e os pedidos para que os encontros sejam mudados de data quando o dia coincide com o das corridas. Sim, já prescindi de me reunir com eles e com familiares para ver corridas, sou um tanto quanto repetitivo quanto a isso, e o pessoal mais velho de guerra na blogosfera com certeza já sabe. Muitos, tenho certeza, também já fizeram e fazem isso. Não quero parecer um tolo, mas sei que vou fazê-lo: esse esporte que me toma energia, ao qual reservo parte importante dos meus fins de semana, que ponho, muitas vezes, na frente de obrigações que fazem realmente a diferença, merece toda essa solenidade?

Eu repito: talvez nunca tenha sido tão grato aos meus amigos. Reunir-me com eles durante a tarde e o início da noite desse domingo me tirou de um estado de nervos que não se espera de um domingo pela manhã. Confesso que não teria prazer em escrever imediatamente após o GP da Alemanha. Broxei, admito. Desiludi-me, com a equipe pela qual torço, com o piloto que respeitei profundamente pela sua capacidade de evolução, por nunca se dar por vencido. Não me decepcionei com Alonso. Apesar de admirar seu grande talento, seu currículo de Schumacher já me fazia esperar por algo do gênero.

Em 12 de maio de 2002 eu tinha 13 anos. Chorei naquela manhã, no auge da minha pré-adolescência. De raiva. Dois anos antes, no dia 30 de julho de 2000, após uma corrida naquele “mesmo” Hockenheim, chorei também. Mas de alegria. Hoje não chorei, lógico. Mas talvez a lucidez de hoje, do “alto” dos meus 21 anos tenha feito com que o golpe fosse mais duro.



Não esperava que a Ferrari fosse capaz de repetir a maior burrada da história. Pelo menos não tão rapidamente. Áustria-2002 parecia ter sido uma lição suficientemente dura, mas, como descobrimos nesse domingo, não foi. Não serei hipócrita de dizer que reprovo o jogo de equipe. Acho justificável quando acontece na penúltima, última corrida, num campeonato disputado ponto a ponto. Massa já viveu isso, já entregou uma vitória em casa para Raikkonen em 2007 e já recebeu, deliberadamente, a segunda posição do finlandês, em Xangai-2008. Valia um campeonato. E ambos campeonatos decididos por um ponto.

Mas o que temos hoje? A 11ª etapa do mundial, restando oito para o fim. Alonso não é líder, nem segundo, nem terceiro, mas apenas o quinto colocado na classificação. O mundial não será decidido na próxima corrida. O que teria motivado, então, a repetição de uma história como a de oito anos atrás, quando, na sexta etapa de um mundial que contava com 17 corridas, Schumacher, com 44 pontos, um carro invencível e toda uma equipe a seu favor, venceu o GP da Áustria depois de receber a liderança de Rubens Barrichello, seis pontos, a 50 metros da linha de chegada?

Eu não sei. Não há uma resposta plausível. O presidente de uma grande patrocinadora da Ferrari estava nos boxes vermelhos assistindo a corrida. Apertou a mão de alguém do elenco do time italiano ao final da corrida, satisfeito. Eu não estava feliz. Estava decepcionado, e a metáfora do marido que se descobre traído feita pelo Hugo Becker é perfeita. Descobri que minha maior paixão me trai. Mas ao invés de ficar em casa chorando saí para me divertir com meus amigos. Eles me salvaram de passar o domingo mau humorado e decepcionado. Talvez já seja a hora de reservar mais tempo a eles. E menos à Fórmula-1.

Massa entrega vitória a Alonso no GP da Alemanha



FELIPE MACIEL


Falar da corrida em Hockenheim é comentar somente a respeito da troca de posições entre Felipe Massa e Fernando Alonso, o jogo de equipe mais mal disfarçado da história (na Áustria não houve disfarce, certo). Desde que criaram a regra que impede esse tipo de manobra, ninguém jamais foi punido e não foi por falta de oportunidade.

Vamos ao GP alemão, pois. Tudo começou quando as Ferraris pularam para a ponta após a má largada de Sebastian Vettel. Felipe assumiu a ponta seguido por Alonso. A diferença foi mantida estável no primeiro stint, completado com compostos macios. Quando efetuaram a troca para os duros, o circo começou a pegar fogo: Alonso partiu para cima de Massa e quase chegaram a se tocar.

Por alguma razão que "carece de fontes", o piloto espanhol deixou Massa se distanciar em 3s, até que resolveu fazer despencar a vantagem do líder da prova. Quando próximos, Rob Smedley emitiu a ordem de equipe para ceder passagem ao bicampeão e assim foi feito.



O que mais me surpreende não é a determinação do favorecimento ao Alonso após meio campeonato decorrido, onde a tabela classificatória sugere à Maranello a opção de escolher o primeiro piloto para a dura tarefa de disputar o título contra os 4 pilotos mais bem equipados do Mundial.

O que mais me surpreende é seu amadorismo para executar algo que deveria ser sua especialidade, se considerarmos a experiência adquirida no assunto. Será que até hoje não aprenderam a administrar um jogo de equipe diante de nossos olhos?

A tal regra da FIA inventada após os episódios de 2002 não serve para banir a inversão de posições, mas sim para evitar que o público seja enganado com um resultado manipulado. Ou seja, no fundo exige-se competência da escuderia para iludir o público ou ao menos confundi-lo com o mínimo de discrição.

O que vimos hoje, no entanto, foi uma aula de como não proceder numa marmelada. Quando Smedley perguntou ao Massa se tinha entendido a mensagem, o mundo inteiro respondeu por ele: sim, entendemos. E depois do GP, aquela patética postura de negar o jogo de equipe repetidamente, como se fôssemos telespectadores cegos, surdos e bobos. Péssima encenação feita por gente sem qualquer talento artístico.



Jogo de equipe existirá enquanto existir equipe. Não vale crucificar Massa, que fez seu trabalho respeitando a hierarquia, nem vale crucificar Alonso, que realmente quis receber o privilégio e o fez por merecer na visão da equipe. As dificuldades técnicas enfrentadas pelo Felipe são reais, e mostram que ele não está em posição de brigar pelo título este ano. O time então se achou no direito de apostar no Fernando. Se ele conquistar o tri, toda a polêmica vivida agora terá valido a pena.

Essa é a Fórmula 1. Um esporte onde se faz de tudo para ganhar. Inclusive tirar a vitória de quem a merecia. É tudo uma questão de ponto de vista. Do ponto de vista do público, isso é uma atitude anti-ética, anti-esportiva, um completo absurdo, uma vergonha para o esporte. Do ponto de vista da equipe, é uma maneira de ampliar as chances de alcançar o objetivo da temporada, em vez de dissipar os pontos e facilitar a vida dos adversários, o que consistiria numa "economia de inteligência".

Quem pode dizer o que é certo e o que é errado, afinal?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Memória Blog F-1: Alemanha 2007



FÁBIO ANDRADE



Por causa de problemas jurídicos entre os proprietários dos circuitos de Hockenheim e Nurburgring em 2007, a corrida germânica daquele ano não pôde ser realizada sob o nome de Grande Prêmio da Alemanha. Decidiu-se então que a etapa disputada em Nurburgring seria designada de Grande Prêmio da Europa. E a despeito da briga pelo nome da corrida, esse gp foi um dos mais divertidos e confusos da temporada e, por que não, da década na Fórmula-1.

A chuva no início, o vacilo de Raikkonen ao tentar entrar no pit lane, a piscina formada na Curva 1 e as consequentes aquaplanagens, a bandeira vermelha, a liderança breve de Markus Winkelhock, os problemas de Massa no final, tudo contribuiu para que os olhos de qualquer um que gostasse ao menos um pouquinho de velocidade ficassem pregados na tv, sem piscar, pelas longas duas horas da corrida:



E depois da bandeirada, de quebra, ao vivo, a discussão entre Alonso e Massa, hoje companheiros de equipe na Ferrari:

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ferrari foi avisada sobre devolução de posição



FÁBIO ANDRADE



Repercutiu nessa terça a revelação do diretor de prova Charlie Whiting de que a Ferrari foi alertada sobre irregularidades na manobra de Fernando Alonso sobre Robert Kubica por três vezes durante o GP da Grã-Bretanha. Segundo Whiting, a direção de prova comunicou aos boxes italianos que Alonso deveria devolver a posição que, aos olhos dos comissários, foi conquistada de maneira irregular.



Whiting tentou isentar-se de culpa no fracasso da corrida do espanhol, que terminou a prova em 14º. Segundo ele a reclamação de que a punição demorou muito a ser expedida não procede: "avisamos sobre a necessidade de devolução de posição imediatamente após a ultrapassagem".

O problema veio a seguir. A Ferrari não acatou a sugestão dos comissários e Alonso não devolveu a posição ao polonês. Na altura do terceiro aviso feito pela direção de prova o time italiano alegou que o bicampeão já estava muito a frente de Kubica, o que tornaria inviável a devolução da posição. Pouco depois o polaco abandou a corrida por problemas em seu Renault.

A despeito de tudo isso há uma incômoda situação ocorrendo na Fórmula-1. Há pelo menos duas corridas não são os pilotos que decidem em que posição irão terminar a prova, e sim agente externos que apenas deveriam aparecer em casos excepecionais. O posicionamento dos carros anda sendo acaloradamente discutido via diálogos extensos entre equipes e comissários. Esse tipo de interferência não é recente, se intensificou há alguns anos, mas no início da atual temporada dava sinais de ter sido abrandado. Os recentes acontecimentos de Valência e Silverstone mostram que ainda cabem argumentos na discussão sobre como a FIA se enxerga enquanto entidade reguladora da Fórmula-1 e sobre como ela de fato atua por meio de seu braço mais ativo, a direção de prova.