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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Webber, Mestre de Marketing

O assunto pode até já ter sido discutido exaustivamente ao longo da semana passada, afinal, o gatilho que originou esse post foi apertado na quinta-feira, último dia 14. Mas esse blogueiro passou três semanas quase completamente offline, e só agora, está - muito aos poucos - se reinserindo novamente na linha narrativa da temporada.

Ontem a noite, passei o olho pela coluna de Mark Webber no site da BBC (em inglês). Resumo básico: em sua segunda coluna no site da BBC, Webber explica o que o levou a não cumprir a ordem da Red Bull de manter distância de Vettel no fim do GP da Grã-Bretanha. Os trechos a seguir são pequenas partes da coluna do piloto australiano (tradução livre):
“(...) se eu tivesse mantido a diferença em três segundos, como me pediram, teria sido muito mais difícil deitar a cabeça no travesseiro depois da corrida.

(...)

Se o time estava preocupado em perder pontos, uma opção seria a troca de posições, já que eu era mais rápido nessa fase da corrida e estava pressionando Vettel.

Mas eu não sou o maior fã desse método, e sei que a Red Bull também não é. Penso que devemos correr livremente, mas sempre tendo os interesses da equipe como plano de fundo (...)”

Mark Webber


Como se viu, Webber atacou Vettel no fim, indo contra a recomendação da equipe. O caso repercutiu mais pela surpresa em ver a Red Bull - que se recusou a fazer o jogo de equipe em 2010 - tentando controlar com mãos de ferro as posições de seus pilotos do que por qualquer outra coisa, já que Webber não conseguiu concretizar a ultrapassagem sobre Vettel.



Depois de ler a coluna do piloto australiano, confesso, imediatamente me vi irresistivelmente dividido entre o rejúbilo e a desconfiança.

Porque, sejamos honestos, é muito legal ver que dentro do capacete ainda existem cabeças que pensam por conta própria e não apenas se preocupam em mudar o balanço de freios ou em cumprir ordens de parar nos boxes na volta X. Ótimo.

Mas, convenhamos, o discurso de vítima do destino, da equipe, da imprensa e da vida vem sendo adotado ostensivamente por Webber desde a temporada passada. Dentro da história vivida pelo australiano em 2010, quando ele tinha a vantagem na tabela na parte final da temporada e mesmo assim não contou com a preferência escancarada da equipe, a postura de franco-atirador lhe caiu muito bem. Mas agir sempre dessa forma acaba gerando um inevitável desgaste, tanto de imagem, como na relação com a equipe. E é muito conveniente para o australiano, agora, forjar uma imagem de cara “sensato” num cenário em que ele claramente nunca foi o sujeito preferido pela equipe.



É igualmente interessante para Webber encaixar em sua fala algo como “se eu tivesse mantido a diferença em três segundos, como me pediram, teria sido muito mais difícil deitar a cabeça no travesseiro depois da corrida”. É algo que vai contar com a simpatia imediata de qualquer fã do automobilismo, porque contraria a lógica dominante de pilotos que são papagaios dos assessores de imprensa. É um tiro certeiro no ganho de popularidade.

Com sua fala mansa, com sua exposição de argumentos concisa e direta, mas respeitosa para com a equipe e com Vettel, e com frases de efeito como a do parágrafo acima, percebi uma esperteza sutil e uma enorme presença de espírito da parte de Webber. Vettel já tem uma “imagem”, um círculo de subjetividades que o cerca. É jovem e se comunica com esse público, é bom no que faz e promete reescrever os almanaques de recordes da Fórmula-1, transmite o ideal de garoto descolado que tanto se liga com a marca Red Bull e por aí vai. É alguém popular e que goza da preferência da maioria. Webber sempre esteve à sombra, eclipsado pela figura de Vettel. Com o discurso adotado em sua coluna e com as palavras escolhidas para redigi-lo, Webber começou, mesmo que involuntariamente, a criar também uma imagem, e essa, se for alimentada, vai além da de franco-atirador que goza da simpatia de todos: Webber pode começar a ser o contraponto, o ser pensante, o que cara que destoa dos releases previsíveis para a imprensa. A Red Bull é mestre em ações de marketing e pode ser que Webber tenha aprendido na melhor escola.

Ir contra uma ordem de equipe no domingo e expor seus motivos calmamente numa coluna na internet durante a semana com tamanha destreza foi um admirável golpe de marketing.

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Ordens de equipe versão Red Bull

Confesso que esse texto estava programado para sair antes, dias atrás, mas achei melhor esperar um pouco pra ver se aconteceria algum desenrolar mais interessante sobre o assunto. O GP da Inglaterra disputado no último final de semana, retomou um assunto que estava adormecido desde o GP da Alemanha do ano passado quando Felipe Massa permitiu, sob ordem de sua equipe, que Fernando Alonso o ultrapassasse e tomasse a liderança do piloto brasileiro. Em Silverstone, Mark Webber declarou que recebeu ordem para não atacar seu companheiro Sebastian Vettel nas últimas voltas da corrida e assim tentasse ganhar o segundo lugar. O assunto gerou polêmica, claro.

Primeiramente irei me atentar ao efeito que isso pode ou não ter no relacionamento profissional de Webber com a escuderia austríaca e depois a atitude da Red Bull em tomar uma decisão antidesportiva.

[caption id="" align="aligncenter" width="568" caption="Webber terminou em terceiro no GP da Inglaterra em que recebeu ordem para não disputar o segundo posto com Vettel"][/caption]

Webber está em vias de renovar seu contrato por mais um ano com a equipe taurina. Muitos talvez pensem ao contrário, mas a desobediência do piloto australiano certamente coloca em dúvida sua possível renovação na cabeça de alguns dirigentes. Webber já não é lá um piloto tão preterido assim e muitos na Red Bull prefeririam ver outro companheiro ao lado de Sebastian Vettel. Por isso, qualquer problema, mesmo que pequeno, joga contra a renovação do contrato do veterano.

Christian Horner afirmou que o acontecido não influenciará na negociação do contrato. O piloto também declarou a mesma afirmação em tom mais confiante ainda, dizendo que a possibilidade de renovação é muito grande e que o episódio do domingo não ‘vai virar seu mundo de cabeça para baixo’.

De qualquer forma, a renovação do contrato de Webber se dá mais pela falta de pilotos disponíveis no mercado do que qualquer outra coisa.

Quanto a decisão antidesportiva de pedir ao seu piloto resguardar-se de uma disputa leal e justa dentro da pista com o seu próprio companheiro de equipe, a Red Bull prova que não é tão diferente das demais escuderias como muitos pensavam, inclusive eu.

[caption id="" align="aligncenter" width="610" caption="No GP da Alemanha do ano passado, a Ferrari ordenou que Felipe cedesse a sua posição para Alonso"][/caption]

No final do ano passado, Christian Horner e companhia defendiam com convicção que as disputas entre pilotos de uma mesma equipe deveriam acontecer sem interferência de dirigentes. Pegaram o exemplo do GP da Turquia, onde Vettel e Webber se colidiram quando disputavam posição dentro da pista e usaram como principal prova do que estavam afirmando. Utilizaram o GP da Alemanha como ponto alto para demonstrar que a Red Bull era sim uma equipe séria e que valorizava o esporte acima de qualquer interesse.

Mas pelo que se vê mais disfarçadamente é que os taurinos preferem promover seus interesses da mesma maneira que as demais em detrimento do esporte. Protegem seu pupilo mesmo que isso custe atitudes antidesportivas e antiéticas. Claro que como todo o time, eles tem direito de fazerem o que bem quiserem com seus carros e pilotos, ainda mais quando um deles está a cada vez mais perto de se tornar bicampeão antecipadamente. O problema é que ao contrário da Ferrari, por exemplo, eles tentam promover uma imagem diferente, uma ‘personalidade’ de bom moço. Mas como vemos aí, isso não passa de mais uma mentira bem velada e mascarada.

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Webber aparece como principal rival de Vettel na Espanha

Mark Webber resolveu mostrar que é ele quem deverá dar mais trabalho para que Sebastian Vettel não vença mais uma neste ano na Fórmula 1. Se o australiano não corre bem em casa, no GP de Melbourne, em Barcelona é ele quem costuma superar quem é que seja, mesmo que este responda por ser o atual campeão do mundo. No ano passado, Webber foi quem venceu e parece que a vitória não o escapará de novo.

Pode ser tudo um exagero e Vettel mostrar que realmente está impossível, que ninguém do atual grid o segura. Porém, dessa vez acredito que até mesmo a pole position, algo que podemos até dizer que já é posse de Vettel, pode cair no colo de Webber amanhã.

[caption id="attachment_7187" align="aligncenter" width="590" caption="Enfim, Webber aparece como candidato a bater a soberania de Vettel"][/caption]

Os tempos nos dos primeiros treinos livres que aconteceram hoje revelam que pode ser Webber ou alguma das duas McLarens a tirar o poderio do atual campeão do mundo neste início de temporada. No primeiro treino, o veterano piloto australiano se isolou lá na frente da tabela de tempos. Colocou nada menos que 1 segundo de vantagem em cima de seu companheiro de equipe, marcando 1:25.142 contra 1:26.149 de Vettel.

No segundo treino livre, Webber voltou a ser o mais rápido, mas dessa vez teve outro adversário pelo melhor tempo, um mais motivado a mostrar que seu carro pode tanto ou quase tanto, quanto os poderosos RB7. Lewis Hamilton ficou apenas 0.036s atrás da melhor marca do dia. O queixudo da Red Bull marcou 1:22.470, o melhor tempo de todos os treinamentos. Seu companheiro também ficou bem próximo de sua marca; 0.356s separaram o melhor tempo dos dois. Jenson Button completou 32 voltas no segundo treino e foi o primeiro na casa dos 1:23.

Se Red Bull e McLaren duelam pelas melhores posições, com predominância ainda da equipe taurina, Ferrari e Mercedes formam o pelotão logo abaixo dos líderes. Fernando Alonso continua correndo mais que o carro e conseguiu ser o 5º no segundo treino. Felipe Massa tirou do carro nada mais do que ele poderia render. A Mercedes segue naquela balada vendo Nico Rosberg superar Michael Schumacher, mesmo que por pouco. Vale lembrar que a estratégia de Rosberg em poupar os compostos macios para a corrida pode dar certo. O jovem alemão correu de pneus duros.

[caption id="attachment_7188" align="aligncenter" width="590" caption="Fernando Alonso e a sua mania de tirar leite de pedra"][/caption]

Ali mais para o meio da tabela aparecem os de sempre. Renault vs Sauber, Williams vs Toro Rosso e Force India vs Lotus formaram como que um duelo devido a proximidade dos tempos de seus pilotos. A surpresa foi ver a Force India rendendo pouco com Paul di Resta conquistando apenas o 17º melhor tempo. Seu companheiro Adrian Sutil parece estar com a cabeça no caso Eric Lux, como não podia ser diferente.

A regra do 107% deve voltar a atormentar as equipes pequenas em Barcelona. A Hispania não conseguiu em nenhum dos dois treinos livres deixar de ser alvo da nova regra, que não é lá tão nova diga-se. A Virgin foi engolida no primeiro treino visto que Glock havia conseguido um tempo 6 segundos mais lento que o do líder Webber. A Lotus também sobrou no primeiro tempo e viu Jarno Trulli ter um desempenho nada animador para a equipe que espera alcançar as intermediárias já nessa etapa.

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Já começaram as especulações para 2012

A temporada 2011 mal começou e as especulações para a temporada seguinte ganham força e notoriedade um tanto exagerada. Muito exagerada, aliás. Foram apenas três corridas e muita gente anda discutindo o próximo companheiro de Sebastian Vettel na Red Bull, que herdaria a vaga de Mark Webber, qual será o piloto que estará no lugar de Felipe Massa no ano que vem e se Paul Di Resta estaria mesmo com um pé na Mercedes de Ross Brawn.

[caption id="" align="aligncenter" width="540" caption="Nico Rosberg vem sendo um dos nomes mais cotados nas especulações para 2012"]Nico Rosberg Mercedes[/caption]

Antes de comentar sobre tais especulações é válido lembrar que será apenas um exercício de opinião e não de alguém que está lá dentro dos paddocks e que possui todos os conhecimentos sobre a vida profissional de cada piloto da Fórmula 1. Tudo só passa de especulação e nada mais.

Bem, começaremos pela saída de Mark Webber da Red Bull e a possível ida de Felipe Massa para lá. Parece que a cada dia que passa, as chances do piloto australiano continuar como companheiro de Sebastian Vettel na próxima temporada diminuem, por isso, não acredito que uma renovação de contrato entre ambas as partes irá acontecer. Do mesmo modo, desacredito na possibilidade de Massa chegar à melhor equipe da Fórmula 1 e por vários motivos. Primeiro, Massa não é mais aquele piloto bom, um tanto ousado e rápido como há tempos atrás. Hoje ele não passa de um companheiro de Fernando Alonso, que atrai toda a atenção necessária dentro da Ferrari para ele. Segundo, Helmut Marko, que tem bastante influência nas decisões da Red Bull dentro da principal categoria de automobilismo do mundo, não gosta muito de pilotos brasileiros como pude ler em algum blog nesta vasta internet.

Parece que um nome mais jovem e de potencial maior a ser explorado seja o piloto certo para assumir o lugar de Webber no ano que vem. Nico Rosberg é o meu preferido, mas não descartaria algum piloto da Toro Rosso, incluindo Daniel Ricciardo, como possível substituto do veterano australiano.

Na vaga que se abrirá na Ferrari caso Massa não termine bem o campeonato e assim tenha seu contrato rasgado pela diretoria da escuderia italiana, há grandes chances de Nico Rosberg subir na carreira e conquistar uma vaga tão cobiçada no automobilismo mundial. Talvez só ali mesmo para o jovem alemão desencantar e conquistar sua primeira vitória na categoria e deixar enfim de ser somente uma promessa de grande piloto.

[caption id="" align="aligncenter" width="540" caption="Já Mark Webber é o principal nome a perder o emprego em 2012"]Mark Webber Sebastian Vettel[/caption]

Pelo que vimos até então, as especulações apontam que a Mercedes deverá ficar com poucas opções de pilotos para correr em 2012. Nico Rosberg é cotado para cada vaga aberta em alguma equipe de ponta e Michael Schumacher dificilmente não pendurará de vez as luvas no término deste ano. Assim, Paul Di Resta, a grande promessa da Mercedes que hoje atua pela Force India e tem demonstrado um ótimo trabalho nas corridas de estreia na F-1, deverá fazer parte da equipe de Ross Brawn.

Seria muito bom ver o escocês em uma equipe de melhor calibre que se evoluir como se espera pode até fazer um carro que brigue por vitórias no ano que vem. Di Resta não é apenas um piloto novato, visto que já possui alguma experiência em guiar monopostos, mesmo que tenha se dado bem mesmo em uma categoria de turismo. Se não fosse a super proteção da Mercedes sobre o escocês eu apostaria que a Red Bull não mediria esforços para traze-lo ao seu lado, ou mesmo a Ferrari.

Especulações a parte, a verdade é que ainda há um longo caminho até a dança das cadeiras em 2012. Pilotos ainda podem decepcionar muito e também podem demonstram algum valor que ainda não vimos até aqui. Ainda está muito cedo para fazer prognósticos, mas não há dúvidas de que essa tarefa de colocar pilotos dentro de cockpits é bem divertida.

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Enfim, um GP da China empolgante



ANDERSON NASCIMENTO


O GP da China reservou emoções que não esperávamos. Foi sim a melhor etapa da Fórmula 1 até aqui em 2011, onde vimos muitas ultrapassagens e muita estratégia. Aliás, esses dois foram os principais fatores que decidiram a corrida. Era como se a estratégia fosse utilizada para alcançar o carro a frente e a ultrapassagem, obviamente, para ganhar a posição.

Mark Webber foi o grande piloto da corrida, não que Lewis Hamilton também não tenha sido, mas é que se talvez o australiano tivesse avançado para o Q2 no treino classificatório de sábado, seria ele e não o inglês que acabaria com a hegemonia de Sebastian Vettel. Sair de 18º e terminar em 3º foi muito mais do que acertar na estratégia e triunfar nas brigas por posições. Houve muita motivação ali, e acredito que ela cresceu demais por conta da Red Bull tê-lo usado como cobaia nos treinos livres. Só ele e não Vettel.

Hamilton, depois de tanto criticar sua equipe, pode colher os frutos do trabalho competente e eficiente de seus mecânicos para consertar um carro que apresentou problema instantes antes de alinhar no grid. Um bom desempenho do piloto inglês, mas melhor ainda da equipe prateada, sempre profissional e sempre eficiente o bastante.

[caption id="" align="aligncenter" width="570" caption="Uma corrida animada e cheia de ultrapassagens"][/caption]

Foi bacana também notar que a Mercedes não está tão ruim como no ano passado e ver Nico Rosberg liderando várias voltas durante a corrida e duelando de igual para igual com Red Bull e McLaren me fez acreditar ainda mais na hipótese de que só falta um carro em melhores condições para que Rosberg seja um grande piloto. Michael Schumacher também começa a mostrar que está melhor do que antes, mas é inevitável não compara-lo com a sua época dourada e não sentir ao menos uma ponta de frustração quando ele termina numa oitava colocação.

Jenson Button apareceu como um forte candidato à vitória depois da largada. Ganhou a posição de Vettel sem muita dificuldade e também sustentou a ponta por um bom tempo. No entanto, seu favoritismo começou a se desfazer da mesma maneira como os pneus. Errou nos boxes e perdeu a posição para Vettel. Não foi rápido e nem poupou os compostos suficiente o bastante para conseguir arrancar alguma vantagem. Button esteve diferente ontem, em algumas situações irreconhecível.

Ali entre os brasileiros não há muito o que dizer. Felipe Massa fez uma boa corrida e terminou à frente de Fernando Alonso é verdade. Aliás, essa comparação é uma daquelas insistências em querer colocar Massa em um lugar onde ele não está: acima de Alonso. Sem parcialidade, mas é fato que em nenhum fator importante o brasileiro bate o bicampeão espanhol. Duas corridas significam pouco para começar a dizer que Massa está melhor do que seu companheiro, ou pior, de achar que ele é melhor que o asturiano.

[caption id="" align="aligncenter" width="570" caption="A Red Bull errou na estratégia e Vettel perdeu a chance de vencer novamente"][/caption]

Já Rubens Barrichello conseguiu terminar sua primeira corrida na temporada e enfim poder analisar qual é o real potencial do FW33 e onde é que ele se posiciona em relação aos demais modelos. Terminar em 13º não foi um resultado ruim, mas está muito aquém do que era esperado da Williams neste início de temporada. Muito trabalho precisará ser feito e muitas mudanças deverão acontecer nos carros de Frank Williams.

Para fechar, vale ressaltar o desempenho da Lotus. Não foi nada surpreendente, mas a equipe malaia continua evoluindo e conseguiu neste fim de semana colocar Heikki Kovalainen na 16ª colocação, a frente de Pastor Maldonado e Sergio Perez, por exemplo.

Agora é aguardar longos dias até o GP da Turquia, onde é esperado uma Ferrari mais forte por conta das mudanças que deverão ser implementadas no bólido e uma Red Bull que tenha enfim um KERS sem problemas para colocar a serviço de seus pilotos.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ninguém mais confia no canguru?



ANDERSON NASCIMENTO


Realmente, pelo que vimos nos dois primeiros GPs do ano, Mark Webber está devendo. Devendo em desempenho e talvez devendo também em motivação, visto que era esperado muito mais gana do piloto australiano devido este ser seu último ano de contrato com a Red Bull e, como já dito pelos dirigentes da equipe dos energéticos, só depende dele uma renovação ou uma dispensa e, assim quem sabe, uma aposentadoria.

Recentemente, o cockpit de Webber foi associado ao nome de Lewis Hamilton para a temporada 2012. Tudo não passou de especulação, mas deu para perceber através dela e dos comentários e análises que foram feitas após a notícia de que o “piloto canguru” não é mais tão confiável como aquele das vitórias e da candidatura ao título do ano passado. O rendimento caiu e mesmo que pareça que ele esteja forte, como eu mesmo disse aqui no blog semana passada, o australiano encontra dificuldades em chegar ao menos próximo ao ritmo de Sebastian Vettel, o homem que é usado imediatamente como parâmetro em relação a sua performance.

[caption id="" align="aligncenter" width="565" caption="2011 é o ano decisivo para Webber na Red Bull"][/caption]

Li ontem que aquele mesmo jornal que adora soltar “notícias” especulativas afirmou que a Red Bull estaria interessada em trazer Nico Rosberg para a próxima temporada, afim de substituir Mark Webber. Não sei se realmente vale a pena debater sobre o assunto, pois talvez não se trate de algo sério, mas o que vale a pena ser debatido é a baixa confiança e a insatisfação que os dirigentes da Red Bull podem estar tendo com seu piloto número 2, assim como no caso da especulação envolvendo Hamilton.

Christian Horner, chefe da Red Bull, declarou que apesar de Vettel ter vencido as duas primeiras corridas do ano e despontado como principal concorrente ao título, descartar Mark Webber da disputa não é algo correto a fazer. Mas sabemos que talvez isso signifique muito mais um apoio moral do que realmente confiança de que o australiano possa repetir o feito de 2010.

Ainda é cedo para falar e não quero aqui dar “bola fora” e errar em algum prognóstico, mas que Webber precisará correr de maneira incrível durante o restante da temporada para assegurar sua vaga na equipe das latinhas no próximo ano, isso ele irá ter que fazer mesmo.

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Webber ganha força antes da corrida na Malásia



ANDERSON NASCIMENTO


Pelo que deu pra perceber já nas duas primeiras sessões de treinos livres para o GP da Malásia é que Mark Webber não está tão mal assim. Por isso, é sempre válido aquele lembrete de que ainda é muito cedo para se constatar definitivamente o rumo das equipes e pilotos para durante o ano. O que deu a entender no seu fraco desempenho na Austrália é que Webber não corre e nunca correu bem em casa.

É difícil afirmar que ele poderá bater Sebastian Vettel neste fim de semana, mas o que o australiano demonstrou nesta madrugada passada aqui no Brasil levantou um tom bem otimista para ele. Era visível que sua frustração por ter ido tão mal comparado ao seu companheiro no GP realizado em sua terra natal. Assim que Webber saiu do carro sua insatisfação ficou evidente.

[caption id="" align="aligncenter" width="700" caption="Mark Webber foi o melhor nas duas primeiras sessões de treino"]Red Bull, Mark Webber[/caption]

No entanto, o piloto do carro número 2 não é muito de ficar se queixando sem motivos e também não costuma aparecer à público para dar sua cara a tapa. Foi apenas a primeira corrida e Webber sabe mais do que ninguém as condições que o RB7 lhe dá para poder brigar por vitórias. Comparando com Vettel, pode ser que o veterano não esteja psicologicamente tão bem. O atual campeão vem de um momento de consagração e de tomar um novo fôlego depois de conquistar seu primeiro título mundial; o garoto está se divertindo. Já Webber, pode-se dizer que está com a corda no pescoço na Red Bull. Se não fizer um bom campeonato pode dar adeus ao time taurino no final da temporada e talvez perder sua maior chance de realizar o sonho do título.

Treinos Livres

Com respeito aos treinos livres, não teve como não notar o tamanho da superioridade da Red Bull, ou melhor de Webber, especialmente na primeira sessão. O australiano colocou mais de 1s6 em cima do segundo colocado Lewis Hamilton. Algo assustador, de fato. Porém, a tabela de tempo nos treinos livres pode não significar tanta coisa. A diferença muito provavelmente não está girando neste tamanho todo e para salientar ainda mais a dúvida de desempenho dos carros no primeiro treino, o vencedor do GP da Austrália foi apenas o 17º.

Na segunda sessão, Webber impôs novo domínio e fechou novamente na frente. A diferença foi praticamente nula, mas o piloto da escuderia austríaca bateu o tempo de Jenson Button por apenas 0,005s. Hamilton e Vettel também apareceram bem próximos, dando a forte impressão de que as duas equipes, McLaren e Red Bull deverão duelar pela vitória caso a corrida aconteça em circunstâncias normais (sem chuva).

Confira os tempos do Treino Livre 2:
1°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min36s876 (24 voltas)
2°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 0s005 (30)
3°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 0s134 (23)
4°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 0s214 (30)
5°. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 1s212 (26)
6°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1s213 (31)
7°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 1s689 (25)
8°. Nick Heidfeld (ALE/Renault), a 1s694 (16)
9°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 1s707 (27)
10°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1s970 (31)
11°. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), a 2s092 (25)
12°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 2s311 (30)
13°. Vitaly Petrov (RUS/Renault), a 2s391 (17)
14°. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 2s522 (29)
15°. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 2s727 (34)
16°. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 2s749 (31)
17°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 2s933 (28)
18°. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 3s239 (31)
19°. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), a 3s990 (24)
20°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Renault), a 5s014 (19)
21°. Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth) a 6s321 (15)
22°. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), a 7s115 (14)
23°. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Renault), a 8s010 (4)
24°. Jérome D'Ambrosio (BEL/Virgin-Cosworth), Sem tempo

segunda-feira, 28 de março de 2011

Os lados bons e os lados ruins



ANDERSON NASCIMENTO


O GP da Austrália de Fórmula 1 marcou a estreia do campeonato de 2011 e deixou várias impressões sobre como será o restante da temporada. Impressões ruins e impressões boas, essas não foram muitas, infelizmente.

Para começar, vimos um Sebastian Vettel dominante no sábado e no domingo. Sem cometer erros e com um carro fenomenal nas mãos não poderia ter saído da Austrália com a sua terceira vitória consecutiva na categoria. Saber que Vettel pode ser um dos melhores pilotos da história da F-1 é uma ótima notícia, porém, não é nada animador ver que seu talento pode tirar a competitividade pelo título neste ano. Se a Webber não acordar, a Ferrari não arrumar seu carro e a McLaren não crescer ainda mais, Vettel levará o bi com uma mão nas costas e plantando bananeira.

A Ferrari foi uma das impressões ruins deste fim de semana. O carro é mediano, no mínimo. Fernando Alonso só conseguiu chegar em 4º lugar porque é Fernando Alonso. Ele não poderia ter feito melhor do que fez e mesmo que estivesse se aproximando de Vitaly Petrov nas voltas finais dificilmente ganharia a posição do piloto russo. O carro vermelho foi uma tremenda decepção.

[caption id="" align="aligncenter" width="530" caption="Vettel venceu com facilidade em Melbourne"]Sebastian Vettel vitória pódio[/caption]

E se o carro batizado em homenagem ao seu país teve desempenho deprimente, imagine tendo a bordo um piloto em fase ruim e de performance apagada. Foi assim no caso de Felipe Massa. Já adiantei, por opinião própria, que Massa não tem o talento nem a capacidade para bater o seu companheiro asturiano, ainda mais com Alonso tendo a equipe toda trabalhando a seu favor. Dizer que o brasileiro pode superar o espanhol é algo de quem é patriota demais. Ontem seu talento só apareceu quando lutou pela posição com Jenson Button, que tinha um carro visivelmente melhor que o seu. Do resto, lembrou muito o piloto que andou em 2010.

Mark Webber foi outra decepção. Terminou a prova, desceu do carro com a cabeça baixa e aparentemente carrancudo. Com o carro que tem nas mãos e pela motivação de correr em casa podia ter chegado no pódio com facilidade. Mas Webber é experiente e a etapa australiana pode ter sido apenas m deslize para alguém que promete brigar pelo título.

Pelo lado ruim ainda temos a asa traseira móvel. Ainda está cedo para dizer se realmente este aparato irá trazer os resultados esperados, mas a etapa australiana mostrou que ele serviu muito mais para deixar a corrida artificial do que mais emocionante. Ela não facilitou tanto as ultrapassagens e seria dispensável na corrida de ontem. Vamos ver se na Malásia, onde a reta em que ela poderá ser usada é mais longa.

Mas, o GP da Austrália reservou quatro boas surpresas. A maior dela, na minha opinião, foi o desempenho maravilhoso de Vitaly Petrov. Para quem acompanhou o primeiro ano dele na Fórmula 1 se espantou com o que o russo conseguiu fazer ontem. Conduziu sua Renault como se fosse um piloto veterano na categoria sem cometer erros que influenciassem seu desempenho e por diversas vezes correndo na mesma batida do campeão Lewis Hamilton. Um terceiro lugar muito especial para Petrov e seu país.

[caption id="" align="aligncenter" width="535" caption="Petrov conseguiu o primeiro pódio seu e da Rússia na F-1"]Vitaly Petrov[/caption]

Uma boa outra surpresa foi a Williams. “Mas, perai?!”, talvez você se espante. “A Williams nem terminou a prova!”. Bem, é verdade. Mas o tempo que Rubens Barrichello permaneceu na pista sem errar nos deu uma bela perspectiva da Williams para o restante do ano. Depois que o piloto brasileiro se recuperou do incidente na primeira curva que o colocou na brita, o FW33 lhe deu a possibilidade de andar mais rápido do que todos os que estavam na sua frente. Ele poderia, quem sabe, com uma boa estratégia ter chegado na 5ª ou 6ª posição. Pastor Maldonado também estava indo bem até ser traído pelo carro. Se os ingleses conseguirem resolver o problema de confiabilidade do bólido, não tenho dúvida de que esse poderá ser a melhor temporada dos últimos anos da Williams.

As duas boas surpresas restantes foram a McLaren e a Sauber. A primeira conseguiu se recuperar de uma pré-temporada muito ruim, ainda que acredite que muitas críticas foram exageradas neste período. Lewis Hamilton terminou em segundo em uma corrida consistente. Jenson Button, mesmo punido, terminou na 6ª posição. Os ingleses são os mais próximos de bater a Red Bull de Sebastian Vettel. Já a Sauber colocou o estreante Sergio Perez e o japonês Kamui Kobayashi na zona de pontuação. Infelizmente os dois foram desclassificados, pois o carro infringiu o regulamento técnico da FIA. Mas, o que se deu para ver é que o C30 é um modelo acertadinho e que consome bem pouco pneu comparado aos demais carros do grid.

Corrida chata e a F-1 não promete ser muito diferente de 2010. As novidades pareceram ser furadas e todo o empenho em busca de mais competitividade pode ter efeito inverso com só um piloto, de azul e vermelho, correndo na frente.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nos primeiros treinos, Red Bull e McLaren lideram



ANDERSON NASCIMENTO


A Fórmula 1 enfim começou. Os treinos livres 1 e 2 já ocorreram no circuito de Albert Park em Melbourne, na Austrália. Surpresas aconteceram, mas ainda é cedo para dizer se continuarão a ser surpresas durante o ano. Vamos começar lá por baixo então, analisando os que não foram bem nos dois treinos.

A Hispania segue a ser a piada da categoria. Sequer mostrou um carro pronto e disponível para que Vitantonio Liuzzi ou Narain Karthikeyan pudessem ir para a pista e fazer algumas voltas de instalação. No segundo treino livre, o que consta na tabela é que Liuzzi andou apenas uma volta, o que é óbvio não ser nada suficiente para avaliar alguma coisa em relação ao desempenho do F111. Não tenho dúvidas de que a regra dos 107% será mais uma grande inimiga da escuderia espanhola neste ano. Estaria para apostar até mesmo que nenhum de seus carros consiga largar neste domingo.

Pit sto carros Fórmula 1 Albert Park

Um pouco acima, mas não tão convincente ficou a Marussia Virgin. Timo Glock e Jérôme D’Ambrosio conseguiram completar várias voltas, mas ficaram muito longe das marcas dos primeiros colocados. No treino 1, os dois ficaram a mais de 8 segundos de distância do melhor tempo marcado por Mark Webber. No treino 2, o desempenho melhorou um pouco, mas ainda foram 6 segundos mais lentos do que a melhor volta de Jenson Button. Se a equipe anglo-russa não correr contra o tempo para ajustar seus problemas correrá um sério risco de também ser engolido pela regra dos 107% neste início de temporada e para mim seria uma bela punição por teimarem em não utilizar o túnel de vento mesmo depois do fracasso do carro do último ano.

Confesso que a Lotus foi a minha grande decepção neste primeiro contato dos carros com a temporada 2011. A performance dos três pilotos que foram para a pista foi fraca e teve até Karun Chandhok acertando o muro e destruindo a frente do T128 logo na primeira volta. É cedo ainda para prognosticar alguma coisa, mas tive aquela sensação de que os veremos no fundo do grid de novo, mas tomara que seja só impressão.

Na parte intermediária da tabela, comparando os dois treinos livres, as surpresas ficaram por conta de Rubens Barrichello, Nico Rosberg e Sergio Perez. O piloto da Williams alcançou a 5ª colocação no primeiro treino superando as duas McLarens. No segundo teste, Barrichello foi o 9º com um tempo 1s426 acima da marca do líder. Nico Rosberg tratou de provar que a Mercedes pode ser uma força que lutará por vitórias neste ano. Logo de cara alcançou a 4ª posição, ficando atrás somente de Mark Webber, Sebastian Vettel e Fernando Alonso. No treino posterior, conquistou a 10ª melhor marca, mas viu seu companheiro Michael Schumacher ser o 6º. Já Sergio Perez foi surpresa no segundo treino com uma bela 8ª marca.

A Ferrari viu um bom desempenho somente com Fernando Alonso, que tentou de todas as maneiras andar no ritmo da Red Bull. Felipe Massa, saiu da pista, fritou pneu e não conseguiu um tempo expressivo em nenhum dos treinos.



Diante de tantas suspeitas, a McLaren foi para a pista nesta madrugada para mostrar que não está tão ruim assim como todos imaginam. É verdade que no treino 1 ambos os carros prateados ficaram a mais de um segundo e meio do tempo de Mark Webber. Porém, na segunda parte conseguiram o 1-2 liderado por Jenson Button. Os tempos foram muito próximos com uma diferença de apenas 0s935 do primeiro para o sétimo colocado.

A Red Bull liderou com folga o primeiro treino livre colocando quase um segundo no tempo da Ferrari de Alonso. Webber cravou a melhor marca em sua última volta e desbancou seu companheiro de equipe. O que deu pra perceber é que os taurinos podem estar mais rápidos do que no ano passado e ainda mais superiores aos seus adversários.

Na virada de hoje para sábado, acontece o último treino livre antes que o treino classificatório, marcado para às 3 horas no horário de Brasília mostre enfim o que realmente os bólidos estão rendendo neste início de ano.

terça-feira, 8 de março de 2011

Equipes voltam a testar em Barcelona



ANDERSON NASCIMENTO


No primeiro dia da última bateria de testes coletivos antes do início da temporada da Fórmula 1, a Red Bull voltou a dominar e a mostrar que as rivais terão que correr atrás novamente neste ano. Mark Webber cravou o melhor tempo – 1min22s544 - de todo o dia que não contou com o trabalho de algumas equipes no circuito catalão, como a Ferrari e a Williams. Mas, mesmo assim, o time dos energéticos andou no ‘calibre’ e deverá muito provavelmente começar à frente nas primeiras corridas da temporada.



A McLaren testou no período da manhã sem apresentar muitas novidades, visto que mostrava o mesmo desempenho abaixo do esperado que vinha tendo nos últimos testes. Porém, no período da tarde, a equipe conseguiu andar bem com Jenson Button que colocou o MP4-26 na segunda posição na tabela de tempos no final do dia. Além disso, o que também chamou atenção na equipe inglesa foi a nova invenção que os engenheiros adaptaram no carro. Trata-se de uma saliência um tanto ousada no bico do carro, algo esteticamente nada bonito.

A Toro Rosso que vinha surpreendendo com a velocidade dos últimos testes sofreu com problemas no STR6, especialmente na parte da manhã. No final das contas, fechou o dia com o oitavo melhor tempo tendo Sébastien Buemi no comando do carro.

Luiz Razia e Davide Valsecchi tiveram a oportunidade de hoje testarem o T128 da Lotus. Os pilotos reservas da equipe se revezaram entre as duas sessões de testes, Valsecchi pela manhã e Razia pela tarde. O italiano completou 50 passagens, mas não empolgou muito, apesar de ter feito um bom testes. Já o brasileiro correu no período da tarde e só ficou com a décima melhor marca de todo o dia, contabilizando 29 voltas.



Nico Hulkenberg e Paul di Resta pela Force India, Nick Heidfeld e Vitaly Petrov pela Lotus Renault, Jérôme D’Ambrosio pela Marussia Virgin e Sérgio Pérez pela Sauber foram os demais pilotos que foram para a pista no autódromo catalão. O mexicano, aliás, havia conseguido a impressionante marca de 1min21s176, que seria a melhor marca do dia, no entanto, a direção dos treinos confirmou que o piloto cortou a chicane e seu tempo foi assim anulado.

Amanhã (09), algumas equipes retomam seus trabalhos e outras irão testar seus bólidos pela primeira vez nesta última rodada de testes antes do GP da Austrália.

Confira a classificação da sessão desta terça-feira em Barcelona:
1º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min22s544 ( 97 )
2º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 0s366 ( 74 )
3º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), a 0s393 ( 27 )
4º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 1s573 ( 90 )
5º. Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault), a 2s191 ( 20 )
6º Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 2s495 ( 38 )
7º. Davide Valsecchi (ITA/Team Lotus-Renault), a 2s862 ( 50 )
8º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 3s460 ( 48 )
9º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 3s486 ( 31 )
10º. Luiz Razia (BRA/Team Lotus-Renault), a 4s179 ( 29 )
11º. Jérôme D'Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), a 9s516 ( 57 )

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Horner reage às revelações de Mark Webber



FELIPE MACIEL


Além de dar uma desculpa que não convenceu, Mark Webber passou a ser visto com desconfiança dentro da equipe por conta do famigerado acidente sofrido e revelado em seu livro.

Christian Horner confirmou que não tinha conhecimento da lesão no ombro. Mais do que isso: ele mal sonhava que o australiano escrevia um livro sobre os acontecimentos da temporada. A notícia foi recebida de forma desagradável aos olhos do chefe da Red Bull.
Eu nem sabia do livro, sem falar do ombro. Obviamente é decepcionante que Mark não tenha dito nada. Foi uma lesão que aparentemente não afetou o desempenho dele, mas, mesmo assim, teria sido bom ficar sabendo dela. Nossos pilotos têm a obrigação de ter certeza de que estão em forma.

Parece que bicicletas não combinam com Mark, então talvez fosse melhor ele ficar longe delas.

Christian Horner



Um puxão de orelha em público a quem contou em público um segredo que o chefe só veio a descobrir por meio da imprensa.

O incompreensível, porém, não é o fato de Mark ter escondido o causo da equipe. Afinal, havendo um companheiro mais bem visado pela equipe do que ele, quem em seu lugar não hesitaria em contar ao time?

A escorregada do Webber é contar agora. Fosse para falar a verdade, que o fizesse em setembro, não em dezembro. Ou revela antes ou não revela nunca mais. Por que criar um mal estar desnecessário quando tudo está tão bem?

Será que ele precisa mesmo vender tanto livro assim? Vai entender...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Explicando a queda de rendimento de Mark Webber



FELIPE MACIEL


A F-1 e outros esportes podem provar que, se você tiver algo para revelar, você não ameaça escrever um livro; você o escreve.

Mark Webber tornou pública uma informação surpresa para os espectadores da Fórmula 1, que acompanharam o declínio de seu rendimento na parte decisiva do campeonato.

A explicação do piloto recai sobre suas famosas desventuras sobre rodas na Austrália. No livro Up front: 2010 A season to remember, ele conta ter sofrido uma lesão no ombro ao levar uma queda de bicicleta no final de setembro. Para completar sua "Montoyada", tratou de não deixar nem mesmo o chefe Christian Horner descobrir a verdade.



A fratura não era tão séria porém o tratamento não seria tão simples. Apenas seu treinador, Roger Clearly, e o médico da FIA, Gary Hartstein, foram informados do problema. O piloto inclusive chegou a tomar injeções de cortisona antes da etapa do Japão e da Coreia.

As últimas 4 corridas do campeonato foram teoricamente comprometidas pela lesão. Nesse período, Webber conquistou 2 segundos lugares e 1 sétimo lugar, sendo que bateu e abandonou no GP chuvoso da Coreia. Somou, portanto, 40 pontos, contra 58 de Lewis Hamilton, 61 de Fernando Alonso e 75 de Sebastian Vettel.

Está aí um bom argumento de defesa para este declínio de fim de campeonato. Assim sobram duas perguntas que não querem calar: é correto de dizer que 2010 foi a primeira e última oportunidade de Webber de brigar pelo título? E será que esta é a última vez que ele se quebra em cima de uma bicicleta?

Pelo visto não há nada que impeça ambas as ocorrências de voltarem a acontecer.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A derrota na pista como vitória da empresa



FÁBIO ANDRADE


Ainda ontem Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, causou furor ao declarar que prefere ser vice a ganhar o mundial com troca de posições. É bonito ver alguém do comando de uma empresa falando assim. Chega a soar como algo estranho numa categoria já habituada ao jogo de equipe, mas não deixa de ser admirável. Se o discurso do proprietário da Red Bull se confirmar e se a equipe deixar Vettel e Webber livres para voar em Abu Dhabi no próximo domingo, algo inédito estará acontecendo na Fórmula-1. Se Vettel vencer a corrida com Webber em segundo e Alonso em terceiro, o título caminhará para os braços do espanhol. Se mesmo num cenário desses a equipe não interferir, um dos cânones máximos da história da F-1, o jogo de equipe, finalmente cairá.




Uma hipótese como a do parágrafo acima colocaria instantaneamente a Red Bull num enorme paradoxo. A derrota de Webber seria classificada como honesta, como limpa, talvez como justa, certamente como uma derrota com muito mais valor do que o hipotético tricampeonato de Alonso, por razões que o GP da Alemanha explica bem. Por outro lado seria, ao mesmo tempo, uma derrota tola, fruto da censura, para alguns inexplicável, em usar uma tática consagrada, ainda que controversa, para ganhar títulos na categoria máxima do automobilismo.


É possível que uma derrota seja mais digna que uma vitória? Pessoalmente acredito que sim, mas isso nada tem a ver com a situação dos pilotos da Red Bull no campeonato e sim com convicções que eu cultivo enquanto ser humano. Uma hipotética derrota da Red Bull no mundial de pilotos em função do não-uso do jogo de equipe pode ser simplesmente uma vitória simbólica de Vettel, que esfregará na cara de Webber a sempre suspeita preferência do time pelo jovem alemão. Mas é por demais fora da realidade imaginar que uma equipe de Fórmula-1 deixe escapar um título simplesmente por um vínculo emocional mais forte com este ou com aquele piloto.



Se a Red Bull deixar o título escapar por relutar em usar o jogo de equipe, esta será uma vitória do esporte, certamente, mais também uma vitória do departamento de marketing da fábrica de bebidas Red Bull. Não consigo imaginar alguém que deixará de comprar uma Ferrari porque Felipe Massa deu passagem a Fernando Alonso no GP da Alemanha de 2010. Uma Ferrari é um bem de consumo durável, um símbolo de status, normalmente um produto palpável apenas para meia-dúzia de endinheirados que estão muitíssimo dispostos a ostentar seus dólares.


Também não consigo pensar em alguém que deixaria de beber Red Bull se Vettel desse passagem a Webber em Abu Dhabi, mas, teoricamente, uma fábrica de bebidas energéticas depende muito mais de seu marketing para sobreviver do que uma empresa-símbolo do capitalismo como a Ferrari. Sobretudo uma marca como a Red Bull, uma marca que deseja se comunicar com o enorme público jovem através de eventos pop e esportes radicais. Seria um prejuízo enorme para a imagem da empresa se seu nome fosse vinculado a um título decidido por uma decisão unilateral e autoritária como o clássico jogo de equipe. Sob essa ótica, a possível derrota da Red Bull no campeonato de pilotos e a disputa esportivamente admirável entre Vettel e Webber mesmo num momento de decisão transformam-se menos numa vitória do esporte e mais no triunfo da fábrica de bebidas Red Bull sobre a equipe de corridas Red Bull.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A esportividade e a tamanha disputa na Red Bull



ANDERSON NASCIMENTO



Será mesmo que a Red Bull abrirá mão do seu primeiro título mundial de pilotos em troca do status e da lembrança de ser uma equipe profissional e que preza o esporte acima de tudo? Ou será que no momento que realmente resolver decidir por Sebastian Vettel ou Mark Webber, deixará essa conversa de lado, que ganhou ainda mais força depois da marmelada da Ferrari no GP da Alemanha, e entregará a vitória a algum de seus comandados? Faltam apenas alguns dias para que conheçamos as respostas.



Primeiramente, é digno de nota ressaltar que não seria bom para uma jovem equipe, que tem como dona uma empresa séria e respeitada nos meios esportivos que investe, ficar manchada pela falta de esportividade dentro da principal e mais importante categoria automobilística do planeta. Não seria nada bom para sua curta história automobilística!

Se diz que Webber declarou em entrevista após a corrida realizada em território brasileiro que preferiria ver Fernando Alonso campeão do que seu companheiro e grande rival levantando o troféu em seu lugar. Se isso realmente for verdade o ambiente dentro da equipe das latinhas ultrapassa o "nível do péssimo".

Já Vettel deu a entender que poderá ceder lugar ao seu companheiro de equipe em Abu Dhabi para que ele possa se tornar o campeão, sendo essa a única oportunidade de auxílio que Webber tem nas mãos, já que, nessa disputa interna, a Red Bull joga totalmente a favor do jovem alemão, enquanto que o experiente australiano luta sozinho pela taça. Apesar disso, Christian Horner declarou algo não tão parecido com essa realidade:
Nós apoiaremos os dois pilotos igualmente, e os dois pilotam para o time. No final do dia tenho certeza que eles farão o que for certo para o time. Não tenho dúvida sobre isso. Então, não haverá ordens de equipe, e eu não acho que exista alguma decisão difícil para ser tomada.

Disputa que chega a ser assustadora entre Vettel e Webber, mas que ainda reservará muitas emoções para Abu Dhabi. Quanto a grande esportividade dos taurinos, prefiro acreditar mesmo que levarão isso até o final. Mas não há dúvida alguma de que o Príncipe das Astúrias ri bastante em algum lugar com tudo isso.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O dia para esquecer e a suspeita sobre Webber



FÁBIO ANDRADE


O domingo foi de fato um dia para a equipe Red Bull esquecer. Zerada nos pontos e com os dois pilotos estacionados na classificação, o time ainda teve de contemplar a vitória e a ressureição de Fernando Alonso. Numa incrível maré de zica, mais uma vez o melhor carro não conquistou o melhor resultado, como o vídeo abaixo ilustra:




Três coisas ficam muito evidentes: 1) a cara de Adrian Newey revela o grau de decepção com a perda uma vitória que era certa. O projetista pareceu não acreditar que sua joia deixou Vettel de novo parado antes da bandeirada. O abandono é ainda mais cruel, dirão alguns, porque veio justamente quando Webber já havia abandonado. Para muitos, era o momento em que a Red Bull poderia enfim apoiar unicamente o alemãozinho.


2) Dessa vez, Vettel não pode ser responsabilizado por não completar a prova. O menino fazia uma corrida irrepreensível, veloz durante toda a prova, não cometeu um erro, mesmo com as condições adversas e traiçoeiras da encharcada pista de Yeongam. Correu "como um campeão", como se diz quando um piloto apresenta um desempenho sólido e sem erros. Para ser um campeão, no entanto, o menino precisa repetir os grandes desempenhos no Brasil e em Abu Dhabi, e torcer para que Alonso e Webber estejam afastados do pódio.


3) Mark Webber, esse sim, saiu da prova por sua própria culpa. Talvez tenha abusado da confiança ao abrir demais a tangência da curva e ir para além da zebra. Perdeu o controle, atravessou a pista, bateu, voltou a cruzar em diagonal pelo traçado e foi atingido por Nico Rosberg. Seu último ato no GP da Coreia do Sul fez com que o ex-piloto Gerhard Berger levantasse uma hipótese perturbadora sobre o zigue-zague do australiano na corrida de domingo.


Em entrevista à tv austríaca, Berger insinuou que o retorno de Webber à pista depois da batida foi intencional e teve como objetivo tirar Fernando Alonso ou Lewis Hamilton da corrida. O ex-companheiro de Ayrton Senna na McLaren afirmou que o australiano "poderia ter freado e parado no muro. Ele tirou Rosberg, mas acho que ele preferiria acertar Alonso ou Hamilton [rivais diretos de Webber na briga pelo mundial]. No momento [da batida] várias coisas passam pela sua cabeça e ficou evidente, você vê que as rodas [de Webber] não estavam travadas. Talvez ele tivesse algo nos freios, mas não era o que parecia".


Nico Rosberg também reclamou: "Não entendi porque Webber freou. Foi loucura voltar à pista daquela maneira" - disse o piloto da Mercedes.


A alegação de Berger provavelmente é baseada nas mesmas imagens que o mundo inteiro viu pela televisão. Não chega a ser leviana, mas carece de comprovação. Além disso, as mesmas imagens de tv mostram que depois de bater, Webber ficou com o carro empenado, com a roda dianteira direita sem contato com o solo. Também o pneu traseiro esquerdo provavelmente deve ter sofrido alguma avaria depois do toque contra o muro, o que dificultaria a frenagem do carro, sobretudo em pista molhada. Para saber se Webber pressionava ou não o freio, o gráfico de "throttle/brake" daria uma resposta definitiva.


Já as imagens da câmera onboard mostram um Webber curiosamente lerdo na reação ao acidente. A partir de 01:12, no vídeo postado alguns parágrafos acima, podemos ver o replay da batida na onboard instalada no carro do australiano. O que se vê são os instantes imediatamente anteriores à batida e o modo como o piloto se portou. O momento do choque contra o muro está exatamente em 01:20. Na iminência da pancada, Webber solta o volante, num ato reflexo de segurança para o qual os pilotos são quase adestrados. No momento da batida, o volante se move para a direita impulsionado pelo choque da roda dianteira esquerda contra o muro. Isso leva o carro a retornar para a pista da esquerda para a direita sob o ponto de vista da câmera onboard.


O que torna esse retorno suspeito é o fato de Webber ter posto as duas mãos no volante depois do choque e não ter tentado corrigir a trajetória para manter o carro no mesmo canto do muro. Entre 01:21 e 01:23, o piloto teve condições de tentar impedir o carro de atravessar novamente a pista, mas não se nota nem um esboço de movimento dos braços de Webber com esse objetivo. Claro, foram apenas dois segundos e nós que estamos de fora dificilmente passamos por uma situação dessas, portanto, não sabemos qual é o modo usual de reagir nos instantes imediatamente posteriores a uma batida. Mas, a priori, as imagens sugerem que Webber não se esforçou para evitar um provável segundo choque contra algum carro que passasse naquele momento pela pista, a menos que algum defeito consequente da batida tenha travado a direção do RB6 do australiano.


Se houve algum interesse escuso ou se a sucessão de acontecimentos foi um mero acaso, só o próprio Mark Webber é quem pode dizer, isso se ele estiver interessado em dizer. As circunstâncias em que tudo aconteceu são bem particulares, logo, é bastante difícil  julgar Webber por acertos ou erros cometidos em frações de tempo irrisórias. No entanto, as imagens acima dão margem a uma infinidade de interpretações.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

É hora de priorizar



ANDERSON NASCIMENTO



"Ainda é muito cedo", pregou o chefe da Red Bull, Christian Horner, sobre se o time taurino dará prioridade ao piloto australiano e o segundo mais bem colocado na tabela de classificação Mark Webber.

Porém, após perder a liderança do campeonato para Fernando Alonso neste fim de semana, a Red Bull, que antes não se imaginava priorizando um de seus pilotos, agora já acena com tal possibilidade. De caça, a equipe austríaca passou a ser caçadora.

É muito importante ressaltar que Sebastian Vettel já não depende mais de suas próprias forças para conquistar o título da Fórmula 1 pela primeira vez em sua curta carreira. Por outro lado, basta Mark Webber vencer as duas etapas restantes que derruba a desvantagem de 11 pontos para Alonso e sai de Abu Dhabi como o novo campeão da categoria.



Assim sendo, escolher o australiano como arma principal para a conquista do caneco parece ser o caminho mais sensato para enfrentar um Alonso motivadíssimo e embalado por várias vitórias e uma constante regularidade desde o GP da Alemanha.

Sebastian Vettel é um jovem que terá várias outras oportunidades mais reais do que essa de vencer a Fórmula 1, no entanto, nesta temporada ele, por várias vezes, abusou dos erros e deixou escapar a chance de estar em uma posição mais confortável na tabela. Assim, torna-se uma tarefa bem mais complicada apostar as fichas no alemão.

A Ferrari já há tempos escolheu sua arma para atirar nos rivais e a Mclaren se juntou-se a ela. Agora só faltam os azuis decidirem se lutarão com um canguru aborrecido e um jovenzinho apressado ou se atirarão apenas com uma australiana de alto calibre. É esperar para ver.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A matemática do título a 3 provas do fim



FELIPE MACIEL


Restando apenas Coreia, Brasil e Abu Dhabi para finalizar o Mundial 2010, já está na hora de fazer um balanço dos cenários que dariam título a cada um dos postulantes vivos na disputa. Assim diz a tabela:

Mark Webber - 220 pontos
Fernando Alonso - 206
Sebastian Vettel - 206
Lewis Hamilton - 192
Jenson Button - 189



Líder isolado, Mark Webber pode se dar ao luxo de abandonar uma corrida, sendo que se vencer as outras duas o campeonato será seu.

O caso de Alonso e Vettel é o mesmo: ambos sonham em vencer pelo menos duas corridas das três que ainda faltam. Na terceira, bastará chegar à frente do Webber para ficar com o caneco.

A partir daí vem as McLarens, que não poderão economizar santo se pretendem dar a volta por cima na temporada praticamente perdida. A Lewis Hamilton, basta vencer todas as 3 etapas, desde que o australiano nunca consiga um resultado melhor que a terceira colocação.

A matemática do Button é ligeiramente mais desafiadora. O atual campeão tem de ganhar todas, torcer para que Webber não faça nada melhor que 2 terceiros e 1 quarto lugar, independente do resultado dos demais.

E aí? Em quem você mais acredita nessa reta final? Quanto pilotos chegarão com chances ao último GP do ano? São os momentos finais para se fazer qualquer aposta em 2010 (que, diga-se, passou rápido como de costume).

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Asas serão novamente inspecionadas



FÁBIO ANDRADE



O assombroso desempenho que a Red Bull voltou a apresentar na Hungria reacendeu a discussão sobre a legalidade do RB6, o vencedor projeto de Adrian Newey que começa, enfim, a resultar em vantagem numérica para a equipe austríaca na tabela de pontos. As equipes rivais insistem em questionar se a asa dianteira do carro taurino está ou não em conformidade com o regulamento.



Também a Ferrari sofre com as desconfianças sobre a legalidade de sua asa, e apesar de um teste já feito pela FIA ter atestado que tanto o RB6 como o F10 estão dentro do regulamento, o jornal italiano La Stampa afirma que uma inspeção mais exigente será feita antes da próxima etapa do mundial, o GP da Bélgica.

No primeiro teste, realizado antes da corrida em Hungaroring, as asas teriam de suportar o peso de 50 kg com uma variação máxima de 10 mm. Corre no circo, à boca miúda, o boato de que Red Bull e Ferrari teriam iludido os agentes no primeiro teste, pois suas asas, teoricamente, resistiriam à carga de 50 kg, mas se apresentariam uma flexão proporcionalmente acima do permitido se expostas a pressões maiores.

Para tentar eliminar as dúvidas, o novo teste da FIA será mais rigoroso, segundo o La Stampa. A partir de Spa a carga imposta às asas será de 100 kg, podendo haver variação de, no máximo, 20mm. Isso deve fazer com que os times precisem projetar reforços nas estruturas das asas.
Sobre questionamentos, Webber é incisivo

As sucessivas reclamações dos adversários renderam declarações da parte do piloto da Red Bull e líder do campeonato Mark Webber. O australiano referiu-se ao esforço da equipe para entregar aos pilotos um carro vencedor, lembrando que os engenheiros depositaram bastante esforço sobre o RB6, e lembrou que o modelo de Adrian Newey passou em todos os testes feitos pela FIA.



O piloto ainda alfinetou os concorrentes, dizendo que “quando existe pressão para que as pessoas mostrem resultados e eles não vêm, acontece esse tipo de coisa.”

As asas dianteiras parecem ser o motivo da próxima guerra entre as equipes, ainda que nesse caso a repercussão ainda não seja tão explosiva como foi no caso dos difusores da Brawn GP no ano passado. E a bem da verdade, não parece ser simplesmente a asa dianteira a única razão para a incrível velocidade que o RB6 apresentou na maioria das pistas. Seria simplista resumir a vantagem do carro da Red Bull apenas à questão da asa. Um modelo que se deu bem em pistas travadas como Mônaco e Hungaroring, e também em traçados velozes como Sepang e Silverstone provavelmente deve ter em diversos outros pontos as explicações para seu desempenho "de outro mundo."

sábado, 17 de julho de 2010

Consultor da Red Bull dispara contra Mark Webber



FELIPE MACIEL



Esse tal de Helmut Marko é um sujeitinho que não guarda nada na garganta. Nunca se viu um consultor tão desaforado e crítico de seus pilotos. Há umas semanas ele cutucava o Buemi, já agora sobrou para o Webber.

O comportamento hostil do australiano após o GP da Inglaterra - insinuando ser tratado como 2° piloto e se dizendo arrependido por renovar contrato - rendeu respostas à altura por parte do consultor da equipe. Veja aí os disparos de Marko ao Mark:


Não sei o que Webber quer. O piloto que teve a nova asa dianteira instalada no carro era quem estava na frente no campeonato. Nada mais lógico.

Se Mark imagina que existe uma conspiração entre nós e Vettel contra ele, então está totalmente errado. Acho que, se fôssemos pensar em conspiração, seria o oposto. Seria contra Vettel. Afinal, qual carro constantemente tem problemas? Será que Mark teve uma roda solta, um freio quebrado, um chassi com defeito, um problema na caixa de câmbio e um bico danificado?

Mark está tendo uma grande temporada e melhorou muito, mas não deve esquecer que deve tudo isso ao time. Onde ele estava há dois anos? Nem poderia sonhar em ganhar corridas. Para nós, realmente não importa quem será o campeão, o importante é que ele esteja dentro de um cockpit da Red Bull.

Helmut Marko



O progredir dos fatos cada vez mais se assemelha à McLaren de 2007. A preferência do time por um dos pilotos não necessariamente se revertia a privilégios ao mesmo. Até que o outro piloto, estressadinho e impaciente, deu um empurrãozinho à equipe para por em prática sua preferência.

Dizem que foi Flavio Briatore quem induziu Webber a explodir publicamente. Não sei se passa de mera especulação... O Briatore's way of life já deixou de ser suportável na F-1. Fica e evidente que a briga comprada pelo Webber tem seus riscos, e o principal deles é a perda de credibilidade com a equipe.

O primeiro piti passa. Mas casos de reincidência podem ser determinantes para a escolha de Vettel como primeiro piloto. Afinal, um piloto que se rebela contra a escuderia não pode exigir dela seu apoio.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

A palhaçada que foi a pós-batida Vettel-Webber



FELIPE MACIEL



Como rendeu a polêmica da Red Bull, não? A pancada do domingo provocou uma série de declarações, revelações e falsidades que fizeram a F-1 girar somente em torno de um mesmo assunto nos dias posteriores à trapalhada.

De início, a postura do time foi culpar o Webber. Daí o público reage acusando a Red Bull de proteger o pupilo Sebastian Vettel. De repente, começam a pipocar questões de bastidores que o próprio time decide tornar público, a começar pela decisão dos engenheiros de ambos os pilotos em dar carta branca ao Vettel para atacar Webber, já que o australiano passaria a perder rendimento com o processo de economia de combustível iniciado naquela volta.



Mais tarde, Christian Horner viria a público mudar o discurso e afirmar que não houve culpados. Por último, surgiria mais um detalhe da história dando conta de que Webber teria solicitado à escuderia que Sebastian reduzisse a velocidade, pedido esse negado já que o alemão se localizava na alça de mira de Lewis Hamilton, com sua McLaren implacável na reta, fungando no cangote do RB6 a cada volta.

Eis que os pilotos pintam com a típica conversa para boi dormir. Webber se pronuncia alegando intenção de sentar e conversar com o companheiro, certificando-se de que tudo ficará bem. Vettel ratifica a encenação, afinal "nós somos profissionais".

Para completar, vem a notícia de que a equipe estaria prestes a renovar com Mark Webber por mais uma temporada. Simultaneamente, forma-se o rumor dando conta de um prolongamento de contrato com Vettel até 2015. Aiai...



Mas ainda tinha uma cartada final. Se é que todo esse papo-furado enfim acabou...

A Red Bull promove um encontro animado entre seus amissíssimos pilotos na fábrica de Milton Keynes, conforme registra a foto acima. O toque de mestre na brincadeira foi indicado na legenda que exibia a inscrição: "Merda acontece". Certamente a coisa mais sensata e verdadeira vinda da RBR em todos esses dias.

Dos dois, um: ou a escuderia é tão atrapalhada quanto seus pilotos para lidar publicamente com uma situação desfavorável, ou a sequência dos fatos pós-batida foi uma tática de marketing para valorizar a exposição da marca perante a mídia.



O que aparece para nós não possui nenhuma relação com o que acontece de fato lá dentro. Baseado na declaração inicial do Horner, me arrisco a dizer que o comportamento da direção do time foi soltar um esporro para cima de Mark Webber, que antes de pensar em sustentar a ponta da corrida deveria zelar pela integridade dos dois carros. No instante do impacto, o australiano estava atrás de Vettel, mais lento, e posicionado pelo lado de fora. Com toda a desvantagem do mundo, ao invés vez de aceitar a ultrapassagem, ele decidiu por manter os dois carros na parte suja, privando ambos de fazer uma tomada "contornável" para curva. O time poderia aceitar a postura extremista de defesa de posição de Mark, desde que não fosse executada contra outra Red Bull. Creio que os primeiros comentários do diretor, reconhecendo certo exagero por parte de Webber, foi muito mais que uma mera preferência dos energéticos por Vettel: do ponto de vista deles, provavelmente a culpa é do veteraníssimo australiano.

Resta-nos agora abrir os olhos para a possibilidade de voltarem a se cruzar na pista nesses próximos GPs. Uma hipótese plausível seria a escuderia instruir seus pilotos a agir de maneira que o mais lento deles não seja tão agressivo contra o mais rápido no caso específico de uma disputa interna. A pior hipótese seria vetar a disputa direta entre os dois - esperamos que esse radicalismo não corra. De todo modo, é inegável a frustração de uma equipe que possui o melhor carro desde o início do ano e se revela incapaz de abrir vantagem nos campeonatos de pilotos e de construtores.