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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um pouco deste 2011 da F-1 - parte 2

Vamos então para a segunda parte do texto que saiu ontem sobre algumas análises de pilotos e equipe em 2011. Hoje é e vez de falar das equipes que menos se destacaram neste ano que incluem a Toro Rosso, a Sauber, a Williams, a Lotus (Caterham em 2012), a Virgin (Marussia em 2012) e a HRT.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="Apesar das pressões internas por resultados convincentes, Alguersuari fez uma boa temporada em 2011"][/caption]

A Toro Rosso iniciou o ano com o que poderíamos chamar de uma acirrada disputa interna entre seus dois pilotos para ver quem sobreviveria durante o ano como piloto titular da equipe. O começo da temporada mostrava sutilmente que Sebastien Buemi era o piloto a permanecer na escuderia caso a equipe quisesse colocar Daniel Ricciardo como titular em alguma corrida da temporada. Porém, a medida que carro foi evoluindo, quem cresceu também foi o espanhol Jaime Alguersuari. O jovem fez ótimas atuações e ofuscou muito seu companheiro de equipe, que fez provas bem desastrosas. No final das contas, Alguersuari terminou o campeonato em alta, com 11 pontos a mais que seu companheiro de equipe. Já a Toro Rosso que ensaiava ficar á frente da Sauber no Mundial de Construtores, terminou o ano na 8ª colocação.

Se a Toro Rosso teve um processo de evolução durante a temporada, o mesmo não pode-se dizer da Sauber. A equipe de Peter começou o ano bem, com performances convincentes de Kamui Kobayashi e com boas atuações de Sergio Pérez, que nem parecia um novato na categoria. Porém, a equipe se perdeu no desenvolvimento do bólido e Kobayashi, especialmente, deixou de render aquilo que todo mundo esperava dele. O resultado foi inevitável. A Force India tornou-se então a badalada equipe média da categoria e a Sauber lutou para não ser uma das piores do segundo pelotão da F-1 no ano.

Mas apesar de um segundo semestre ruim, a Sauber não passou perto do desempenho pífio que a Williams obteve neste ano. Desde que acompanho a F-1, ainda bem moleque, nunca vi a escuderia de Frank Williams tão frágil e desastrada em uma temporada. O início do ano não foi lá muito animador, mas alguns pontos apareciam, mais vezes trazidos por Rubens Barrichello do que por Pastor Maldonado, diga-se de passagem. Mas ao mesmo passo que a temporada ia se caminhando para o fim, a Williams também ia se encaminhando para uma das piores temporadas de sua história. Foram somente 5 pontos no ano, e performances que algumas vezes o colocaram abaixo da Lotus de Tony Fernandes.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="Apesar de um ano bem difícil, a Williams pode sonhar com um 2012 melhor. Ou não?"][/caption]

Para o ano que vem, é difícil de imaginar uma Williams forte e campeã de novo, até porque é impossível que se encontre os aparatos necessários para se criar um carro convincente em tão pouco tempo. No entanto, algumas pequenas somas, como a mudança do pessoal técnico, os motores Renault e a possível vinda de um piloto bom e motivado como Adrian Sutil podem deixar a escuderia em uma situação melhor do que a deste ano pelo menos.

Quanto às três últimas colocadas, que por mais uma temporada ficaram no zero na pontuação, um resumo breve é o suficiente para descrever o ano delas. A Lotus evoluiu sim comparando com o ano de 2010, mas muito abaixo do que se esperava. Pilotos e dirigentes que diziam que a equipe com certeza marcaria pontos e até brigaria no pelotão intermediário do grid, viram que as coisas são bem mais complicadas do que parecem. Heikki Kovalainen deu um banho em Jarno Trulli novamente, mas isso não quer dizer que ele deva ser notado com olhos mais atentos.

A Virgin e a Hispania amargaram as últimas colocações sem perspectiva alguma de sonhar com pontos. Na base da venda de cockpits, fica difícil analisar até mesmo o desempenho dos que passaram por lá, que correram sem saber se estariam alinhados no grid para a próxima etapa. A Virgin respeitou sim os contratos com seus pilotos, mas Jérome D’Ambrosio mal terminou sua primeira temporada na F-1 e já foi substituído por Charles Pic.

A brincadeira inicial de Richard Branson ainda não surtiu efeito algum e as “confusões” espanholas menos ainda. Quem sabe as mudanças no alto escalão das equipes possam trazer espírito, motivação e principalmente resultados novos para essas escuderias.

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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Buscando melhorar

O GP da Espanha será um palco onde as expectativas estarão em alta por parte de dirigentes, pilotos e equipes. Todas prometeram alguma espécie de evolução visando alcançar passos importantes à frente na disputa do campeonato. Porém, a verdade é que poucas realmente deverão mostrar alguma atualização significativa, que realmente reflitam em ganho de posições até porque todas farão alguma alteração e a coisa pode ficar no pé que está.

Difícil imaginar quem serão essas felizardas, mas em um exercício de adivinhação levando em conta as notícias sabidas até aqui, alguns palpites podem ser dados, os mais expressivos, digamos.

A McLaren dificilmente não apresentará algo que a deixe mais próxima da principal rival, a Red Bull. A escuderia inglesa tem sido a que mais andou próxima dos taurinos e até mesmo acabou com a hegemonia de Sebastian Vettel nesse início de temporada quando venceu com Lewis Hamilton na China. Por isso, alguma modificação acertada pode corresponder a outra vitória na temporada e a uma recuperação necessária para quem quer impedir mais um título da Red Bull no final do ano.

[caption id="attachment_7167" align="aligncenter" width="600" caption="McLaren e Ferrari buscam atualizações significativas para não deixar Red Bull escapar"][/caption]

A Ferrari pretende continuar a avançar com o desempenho mais ou menos que demonstrou no GP da Turquia que a grande maioria definiu como uma ótima evolução da equipe italiana. A verdade é que Fernando Alonso andou mais que o carro novamente e que o carro vermelho não melhorou tanto assim das primeiras corridas até o GP turco. Na Ferrari é difícil saber onde se encontra o real desempenho do carro, visto que Alonso tira leite de pedra e Felipe Massa anda menos do que o carro pode render. Mas é de se esperar mudanças que levem o time alguns passos à frente.

Ali no meio mais alto e no meio mais baixo, temos Renault e Lotus prometendo evoluções em segundos. A primeira pretende melhorar até 10 segundos em ritmo de corrida. Nick Heidfeld disse que por conhecerem bem o circuito catalão as equipes que possuem simulador acabam não tendo uma vantagem tão grande quanto nos demais GPs. Argumento que faz bastante sentido já que todos estão “calejados” de andar no circuito da Espanha, onde treinaram por duas vezes nos testes de pré-temporada. As melhoras deverão vir de partes novas, especialmente na traseira do carro.

Já a Lotus quer abaixar em 1 segundo o rendimento de seu bólido. Novidades baseadas no carro vitorioso da Red Bull serão utilizadas na etapa espanhola. O diretor-técnico do time mostrou o otimismo de sempre ao dizer que elas trarão o resultado esperado e que poderão render mais que 1 segundo ao carro depois que os engenheiros e mecânicos entenderem melhor seus resultados iniciais. É conhecido o quanto a Lotus evoluiu do ano de estreia até aqui na Fórmula 1, deixando as demais estreantes do ano passado bem para trás, porém muitas das constantes tentativas em alcançar o pelotão intermediário e conseguir os primeiros pontos tem frustrado aqueles que esperam uma evolução mais rápida do time de Tony Fernandes, inclusive a mim.

No restante do grid, as evoluções talvez não sejam algo que demonstre uma melhoria significativa, talvez estas comentadas acima também não signifiquem muito, mas serão importantes para que não se crie um abismo entre alguma que acertar a mão no crescimento de seu carro.

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terça-feira, 8 de março de 2011

Equipes voltam a testar em Barcelona



ANDERSON NASCIMENTO


No primeiro dia da última bateria de testes coletivos antes do início da temporada da Fórmula 1, a Red Bull voltou a dominar e a mostrar que as rivais terão que correr atrás novamente neste ano. Mark Webber cravou o melhor tempo – 1min22s544 - de todo o dia que não contou com o trabalho de algumas equipes no circuito catalão, como a Ferrari e a Williams. Mas, mesmo assim, o time dos energéticos andou no ‘calibre’ e deverá muito provavelmente começar à frente nas primeiras corridas da temporada.



A McLaren testou no período da manhã sem apresentar muitas novidades, visto que mostrava o mesmo desempenho abaixo do esperado que vinha tendo nos últimos testes. Porém, no período da tarde, a equipe conseguiu andar bem com Jenson Button que colocou o MP4-26 na segunda posição na tabela de tempos no final do dia. Além disso, o que também chamou atenção na equipe inglesa foi a nova invenção que os engenheiros adaptaram no carro. Trata-se de uma saliência um tanto ousada no bico do carro, algo esteticamente nada bonito.

A Toro Rosso que vinha surpreendendo com a velocidade dos últimos testes sofreu com problemas no STR6, especialmente na parte da manhã. No final das contas, fechou o dia com o oitavo melhor tempo tendo Sébastien Buemi no comando do carro.

Luiz Razia e Davide Valsecchi tiveram a oportunidade de hoje testarem o T128 da Lotus. Os pilotos reservas da equipe se revezaram entre as duas sessões de testes, Valsecchi pela manhã e Razia pela tarde. O italiano completou 50 passagens, mas não empolgou muito, apesar de ter feito um bom testes. Já o brasileiro correu no período da tarde e só ficou com a décima melhor marca de todo o dia, contabilizando 29 voltas.



Nico Hulkenberg e Paul di Resta pela Force India, Nick Heidfeld e Vitaly Petrov pela Lotus Renault, Jérôme D’Ambrosio pela Marussia Virgin e Sérgio Pérez pela Sauber foram os demais pilotos que foram para a pista no autódromo catalão. O mexicano, aliás, havia conseguido a impressionante marca de 1min21s176, que seria a melhor marca do dia, no entanto, a direção dos treinos confirmou que o piloto cortou a chicane e seu tempo foi assim anulado.

Amanhã (09), algumas equipes retomam seus trabalhos e outras irão testar seus bólidos pela primeira vez nesta última rodada de testes antes do GP da Austrália.

Confira a classificação da sessão desta terça-feira em Barcelona:
1º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min22s544 ( 97 )
2º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 0s366 ( 74 )
3º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), a 0s393 ( 27 )
4º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 1s573 ( 90 )
5º. Nick Heidfeld (ALE/Lotus Renault), a 2s191 ( 20 )
6º Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 2s495 ( 38 )
7º. Davide Valsecchi (ITA/Team Lotus-Renault), a 2s862 ( 50 )
8º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 3s460 ( 48 )
9º. Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes), a 3s486 ( 31 )
10º. Luiz Razia (BRA/Team Lotus-Renault), a 4s179 ( 29 )
11º. Jérôme D'Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), a 9s516 ( 57 )

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Lotus, Renault e Sauber lançam seus carros



FÁBIO ANDRADE


O fim do mês janeiro tradicionalmente é marcado pelos lançamentos dos carros dos times da Fórmula-1. Para não fugir à regra, só hoje três equipes revelaram os carros que disputarão o mundial de 2011 na categoria: o Team Lotus, a Lotus Renault (é mole?) e a Sauber.



Team Lotus

O Team Lotus, o time que disputou a temporada passada sendo chamado apenas de Lotus, revelou seu T128 via web. Foram poucas e tímidas imagens em formato 3D. O real T128, o carro com a frente mais baixa entre os já lançados, poderá ser visto na terça-feira, quando o time participa dos testes em Valência.






Foi confirmada também a presença do piloto brasileiro Luiz Razia no Team Lotus. O baiano, de 22 anos, já foi campeão da F-3 Sulamericana e será o terceiro piloto da equipe malaia. Ao mesmo tempo, Razia continuará participando da GP2 Ásia, campeonato que terá a primeira etapa disputada nos próximos dias 11 e 12 em Abu Dhabi.



Lotus Renault

O insólito lançamento de dois carros diferentes de equipes com o mesmo nome no mesmo dia aconteceu hoje. Enquanto o Team Lotus apresentou seu monoposto pra 2011 pela internet, a Lotus Renault, que disputou o campeonato passado chamando-se apenas de Renault, desvendou as linhas do R31 em Valência. Além de lançar o carro, a Renault anunciou ainda a pequena multidão de pilotos-reserva que estarão ligados ao time em 2011.






O tcheco Jan Charouz, o chinês Ho-Ping Tung e o malaio Fairuz Fauzy serão pilotos-reserva da equipe. Já Bruno Senna e Romain Grosjean serão os chamados terceiros pilotos, os substitutos imediatos dos titulares Robert Kubica e Vitaly Petrov. Toda essa variedade de pilotos estará presente dentro de uma única equipe numa categoria que praticamente aboliu os testes durante a temporada.






A equipe havia anunciado a pretensa intenção se homenagear a clássica pintura preta e dourada da época da Lotus John Player Special. Se a intenção era realmente essa, faltou delicadeza na hora de planejar o layout do carro.



Sauber

Já a Sauber, que não está envolvida em nenhuma confusão a respeito de sua nomenclatura, também exibiu hoje o novo carro. O C30, como é tradicional na equipe suíça, será empurrado por motores - e agora também pelo KERS - da Ferrari.










A Sauber também apostou no bico alto, tendência desse início de pré-temporada. Mas o que mais capturou a atenção no novo carro de Kamui Kobayashi e Sérgio Perez foi a multiplicação dos patrocínios na equipe. Enquanto o C29, carro do time na temporada passada, correu quase “pelado” o C30 já surge com mais marcas estampadas em sua carenagem logo na apresentação. Segundo Peter Sauber, a equipe já entra em 2011 com as finanças estabilizadas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Memória Blog F-1: Estados Unidos 1987



FÁBIO ANDRADE


As páginas e as notícias quentes (ou requentadas) dos dias de hoje referem-se à Lotus apenas para falar sobre a peleja que envolve o direito de usar esse nome clássico da Fórmula-1 na próxima temporada. A história de um dos times mais famosos da história do automobilismo se resume hoje, nas seções hard news da imprensa, a uma briga jurídica difícil de entender e que não traz absolutamente nada de aproveitável para o espectador além de uma confusão que parece não ter fim.


Há 30 anos, porém, falar de Lotus era quase sempre sinônimo de algo com caráter positivo. O fundador do time, o mítico Colin Chapman, foi talvez o maior gênio que a F-1 teve do lado de fora dos cockpits. Revolucionou o modo de projetar carros na categoria como nenhum outro projetista foi capaz de fazer e pôde contemplar o auge da história de sua equipe. Chapman morreu em 1982, antes de ver o ocaso da Lotus. Na verdade, Chapman nem chegou a ver a lenta agonia de um dos maiores times de F-1 de todos os tempos.



Detroit 1987

O GP dos Estados Unidos de 1987 marcou a última vitória da Lotus na F-1. O carro já não ostentava o lendário preto e dourado John Player Special de outros tempos e sim o monocromático amarelão dos cigarros Camel. Sem a pintura clássica se foi parte do encanto da Lotus.




Desde o último título de pilotos conquistado em 1978 a Lotus vivia uma seca que em 1987 completava nove anos. Como parte da tentativa de permanecer como um time de respeito, desde 1985 a Lotus apostava no ainda coadjuvante Ayrton Senna. Até aquele GP dos EUA o brasileiro havia dado cinco vitórias ao time. Junto com um triunfo de Elio de Angelis no GP de San Marino de 1985, a equipe havia tido, até então, seis vitórias em dois anos. Foi bem mais do que a única vitória da Lotus no período negro entre 1979 e 1984, quando o mesmo de Angelis venceu o GP da Áustria de 1982. Apesar da falta de constância e da clara desvantagem em relação às equipes dominantes da época (Williams e McLaren), a Lotus dava sinais de ser um time em reconstrução.


Só que a vitória de Senna em Detroit em 1987 foi a última do time. A pista americana, montada nas ruas da cidade que ostentava orgulhosamente o título de capital do automóvel, era super travada e detestada pelos pilotos. Senna já vencido por lá em 1986 pela própria Lotus e venceria novamente em 1988 já pela McLaren.


O vídeo abaixo registra a corrida, a última vitória da Lotus na Fórmula-1:




Depois disso, entretanto, o mergulho da Lotus rumo ao desaparecimento foi fatal. Ao final do ano Senna transferiu-se para a McLaren e nem mesmo a chegada de um tricampeão como Nelson Piquet foi capaz de reverter o quadro. Daí em diante a Lotus agonizou e finalmente desapareceu, em 1994. Agora o nome do time reaparece nessa briga jurídica em que nenhuma das partes, ao olhar desse blogueiro, tem o direito de se apresentar como herdeira de um dos maiores legados do esporte a motor em todos os tempos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O coerente ponto de vista da Lotus Cars



FELIPE MACIEL



As últimas declarações de Gerard Lopez e Eric Boullier esclareceram as reais intenções do Grupo Lotus ao buscar participação na Fórmula 1 - de forma muito mais sincera que Tony Fernandes.

Primeiro as considerações de Lopez, diretor do Grupo Genii Capital, expondo a inexistência de relação da clássica escuderia da F-1 com a estratégica entrada da montadora Lotus na categoria e 2011.
Nós discutimos com a Proton e a Lotus um número de projetos fora da F-1, e nós temos feito isso por um ano e meio. Para o Grupo Lotus faz muito sentido. O resultado disso, até onde sabemos, não acho que nós e o Grupo o Lotus podemos reivindicar como extensão ou continuidade da equipe do Sr. Chapman.

Acho que a reinvindicação feita pelo Grupo Lotus é bem simples, que é um time de corrida com a marca Lotus ligado ao Grupo Lotus, que fabrica carros de rua. E é isso. Não tem nada a ver com a equipe Lotus do passado, que não é o caso da 1Malaysia Racing [empresa de Tony Fernandes]. E é ai que existe a confusão, nem o Grupo, nem nós, nem eles podem realmente reivindicar aquilo.

Gerard Lopez



Ele deixa claro que o investimento nas diversas modalidades automobilísticas é uma questão iniciativa do grupo que almeja vender seus carros de rua, sem qualquer ar pretensioso de se exaltar como o resgate da história da finada equipe consagrada pelos títulos, carros e grandes pilotos de Colin Chapman.

E quem finalmente resolveu se manifestar é o chefe da Renault Eric Boullier, tocando na ferida de Fernandes.
Existem muitas pessoas envolvidas nesta discussão. A única coisa que eu sei é que a Proton decidiu investir e ser patrocinadora do nosso time. Isso nos faz ser o representante oficial da Lotus. Você pode tentar ser chamado de Team Lotus, mas, no final, existe apenas um time com o apoio da Proton, que, portanto, representa a Lotus Cars.

Se eu posso encontrar alguém na Inglaterra que se chama Richard Ferrari, eu posso comprar os direitos de usar o nome dele, essa é uma situação estúpida. É muito ruim para os fãs, pois [o time de Fernandes] é falso. Falar para os fãs sobre a herança da Lotus é errado. Se você se chama Lotus e você fabrica carros, então este é o único nome oficial. É isso.

Eric Boullier



Este é o argumento mais incisivo de toda esta celeuma.

Seria um grande favor à F-1 se não houvesse mais Lotus alguma no grid, mas se eu pudesse escolher indicaria a Lotus Renault como a vencedora desta birra interminável. A postura de Tony Fernandes diante da equipe é um triste incômodo. Um homem que quis lançar uma escuderia e, em vez de se dar ao trabalho de escolher o próprio nome, foi buscar o direito de usar algo com o qual não mantinha a menor relação.

Como levar a sério um homem que chega na primeira temporada dizendo sonhar com a 80ª vitória do time. Na nona corrida disputada, manda estampar um emblema de GP500 na carenagem do carro. Quanta cara-de-pau...



Em nada me agrada esse sujeito invocar o passado da Lotus para promover a própria equipe que nada tem em comum com a verdadeira Lotus, a não ser um nome comprado. Seria o mesmo que o Paulo Maluf comprar o nome Tyrrell e lançar uma equipe de Fórmula 1 posando de campeão do mundo. Ora, amigo, a história não se compra! A história não pode ser posta à venda!

É uma boa hora para cortar as asinhas do Tony Fernandes antes que essa sua esperteza vire moda; e espaço para novas equipes no grid é o que não falta.



A Lotus Cars ao menos é sincera e reconhece seu lugar. A Lotus Cars é a Lotus Cars; não é uma fraude. Ela pode usar o nome Lotus porque sempre se chamou Lotus, desde que Colin Chapman a criou.

Se o Fernandes quer manter uma escuderia, seria de bom grado se não se aproveitasse da história gloriosa de quem trabalhou para ser grande na F-1, e fosse capaz de determinar um nome próprio para sua equipe.

Existe nítida diferença entre o que é legal e o que é justo. Tony tem o direito legal de usar o Team Lotus, mas como nessa história alguém vai sair ganhando e outro alguém irá perder, prefiro torcer pelo que considero mais justo: o lado menos pior do confronto reside na honestidade da Lotus Cars ao querer apenas fazer publicidade de seus carros com o único nome que ela possui.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A novela Lotus



ANDERSON NASCIMENTO



Nesta quarta-feira (08) a Lotus Cars, empresa que tem como dona a malaia Proton, anunciou que comprou as ações da Renault na Fórmula 1 e, ao lado da Genni Capital, tornou-se uma das principais acionistas da equipe. Assim, o grupo entra na categoria e como aconteceu na década de 80 com a Lotus de Colin Chapman, a Lotus Renault ostentará como cores em seus carros o preto e o dourado.



Mas até aí as coisas ficam fáceis de se entender. Acontece que uma outra Lotus, a de Tony Fernandes, que iniciou sua saga na Fórmula 1 nesta temporada, não está nem um pouco feliz com o que vem acontecendo do outro lado. O empresário malaio e a Lotus Cars brigam na justiça para ver quem poderá deter o nome que Colin Chapman batizou sua antiga equipe.

Vale lembrar que a intenção da Lotus Cars não é apenas de tirar o nome que garante ser seu dos malaios, mas sim entrar de vez no automobilismo mundial. Já fez isso neste ano quando ingressou na Indy, além de já possuir um acordo para correr junto à ART na GP2.

Porém, enquanto isso não se resolve, as duas equipes continuarão a se chamar Lotus e ambas usarão motores Renault, além de correrem com as mesmas cores, conforme Fernandes havia anunciado meses atrás. Uma bagunça organizada como diria meu amigo.

No entanto, o que deve acontecer (espero que até o início da próxima temporada) é que a Lotus que participou do grid nessa temporada deverá perder a luta na justiça e se chamar 1 Malaysia. Enquanto as cores, ninguém poderá impedir que o time de Fernandes cumpra a promessa de correr com as cores preta e dourada. Aí eu quero ver diferenciarem facilmente os carros quando estes estiverem passando a quase 300 km/h.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FIA exibe lista incompleta de pilotos para 2011



FELIPE MACIEL


A federação fez o seu tradicional release do dia 30 de novembro, expondo a relação de pilotos até então confirmados para a próxima temporada.

Red Bull, McLaren e Ferrari não têm segredo. A Renault, que poderia ter sido uma rival à altura da Mercedes se tivesse um bom piloto comandando o segundo cockpit, tem somente Kubica garantido e continua precisando de investimentos. Cabe ao Petrov buscar a grana e se reafirmar na vaga.

A Williams já se despediu de Hulkenberg e definiu Maldonado como companheiro de Rubens Barrichello justo depois que o documento da FIA "foi ao ar". A Force India não confirmou nem Sutil nem Liuzzi. Paul di Resta, campeão da DTM, tenta tomar o lugar do italiano mas comenta-se que uma cláusula no contrato permitiria que Vitantonio mantivesse a titularidade por mais esta temporada, mesmo que o time não simpatizasse com a ideia agora.

Nenhum dos pilotos foi confirmado pela Toro Rosso, mas na falta de boatos só nos resta imaginar que eles mantenham a sua duplinha. A Lotus não trará alterações na dupla. A equipe de nome mais trabalhoso do grid, Marussia Virgin, cai para os últimos números e deve anunciar a permanência de Timo Glock em breve.



A superstição ou algo que o valha continua em alta. Lewis Hamilton, aparentemente, pediu para ficar com o número par, como sempre aconteceu na F-1. Já Michael Schumacher não abre mão de tomar o ímpar do seu companheiro de equipe.

Até que se prove o contrário, a Lotus continua se chamando Lotus e a Renault não deixa de ser apenas Renault. Mas até o fim da novela, ninguém duvida que as questões judiciais forcem Tony Fernandes a se contentar com o nome 1Malaysia, abrindo a oportunidade de surgir o Renault Lotus no time de Kubica. O mais divertido desse balaio de gatos é que a atual Lotus usará motores Renault no ano que vem. Assim o Galvão vai enfartar!

E quem gostaria de vivenciar de perto essa confusão era Bruno Senna, que estava de malas prontas para a Lotus malaia. Dizem por aí que o furo publicado pelos site Grande Prêmio, antecipando o anúncio antes do contrato ser concluído, irritou os dirigentes da equipes, desencaminhando as negociações. O piloto brasileiro, assim, deve amargar mais um ano na Hispania.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bruno acerta com Lotus e Rubinho permanece na Williams



ANDERSON NASCIMENTO



Mesmo que Bruno Senna não consiga um bom resultado no GP do Brasil, ele já tem muito o que comemorar neste fim de semana. O piloto brasileiro conseguiu acertar com a Lotus de Tony Fernandes e no ano que vem estará muito acima do nível que é obrigado a estar agora à bordo da inguiável Hispania.



Foram dias e dias de especulações da imprensa e conversas entre empresários do piloto e dirigentes da equipe malaia para que tudo fosse acertado. A Embratel, que desde a F3 Inglesa apoia o sobrinho do tricampeão mundial, resolveu desembolsar mais dinheiro para que Senna conseguisse permanecer na Fórmula 1 em um lugar mais competitivo. Com certeza, o sobrenome Senna pesou muito para que o jovem piloto pudesse correr ao lado de Heikki Kovalainen. Jarno Trulli, perdedor da vaga, deve estar a caminho dos Estados Unidos, com destino à Nascar.

Já Rubens Barrichello está confirmado por pelo menos mais um ano na Williams. Isso mesmo, por pelo menos mais um ano, visto que o contrato prevê uma possível permanência do brasileiro na temporada 2012 dependendo do desempenho do time de Frank Williams e do próprio piloto veterano.

Não há dúvida que todo o trabalho realizado pelo "bando de guerreiros", como Rubinho mesmo definiu, ao lado do brasileiro favoreceu muito para essa renovação. Desse modo, os boatos para que Nico Hulkenberg "desça" para a Hispania no ano que vem começam a ganhar mais força e do venezuelano Pastor Maldonado ser o companheiro de Barrichello na próxima temporada.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

De volta a parceria Lotus-Senna?



ANDERSON NASCIMENTO



Parece que a maré de azar de Bruno Senna está com os dias contados. Depois de estrear na Fórmula 1 à bordo de um carro cheio de defeitos e dificuldades, e em uma equipe com poucas condições financeiras, o piloto brasileiro pode estar indo para a escuderia novata que mais vem trabalhando para dar certo desde o início da temporada.



Foi divulgada por um site brasileiro a notícia de que Senna estaria negociando um lugar na Lotus, no lugar do veterano Jarno Trulli. Bastaria um patrocinador para que o acordo entre ambas as partes fosse fechado e assim reedita-se a parceria Lotus-Senna que começava há 25 anos atrás. E a procura por ele é intensa entre os empresários do piloto.

Desse modo, Bruno poderia enfim começar de verdade uma carreira promissora na categoria mais importante do automobilismo mundial, já que a Lotus terá para 2011 motores Renault, que são mais potentes e velozes do que os Cosworth e suporte da Red Bull para alguns sistemas mecânicos e hidráulicos, além de já contar com um forte aparato financeiro. E o inglês Mike Gascoyne, diretor-técnico da equipe malaia, é prova do otimismo vivido dentro do time:
O anúncio de que chegamos a um acordo de vários anos com a RBR para o fornecimento de câmbios e sistemas hidráulicos a partir de 2011 é um grande passo à frente para nós, tanto na engenharia quanto nas nossas ambições para o futuro. Este pacote tem uma importância grande no desempenho do carro, não apenas na pista, mas no projeto e nos pacotes aerodinâmicos. O fim dos difusores duplos aproximará o desenho da parte traseira dos carros e o contrato deverá ajudar no projeto para a próxima temporada.

Na Hispania, o brasileiro realizou 16 corridas sendo que seu melhor resultado foi apenas um 14º lugar e ficou de fora do GP da Inglaterra, o qual precisou ceder seu bólido para o japonês Sakon Yamamoto, devido à problemas financeiros da equipe. Com certeza, o desempenho tanto da equipe espanhola, quanto do piloto brasileiro, foram muito abaixo do esperado neste ano de estreia.

Além dessa possibilidade, Senna também pode estar negociando sua estadia para mais um ano na Hispania, ou ainda estar buscando uma vaga em alguma escuderia que esteja com sua dupla de pilotos em aberto. Porém, a chance mais realista para o brasileiro é a equipe de Tony Fernandes, que mesmo não sendo uma forte e grande equipe, pode lhe proporcionar a oportunidade de mostrar às grandes e ao mundo o talento que herdou de seu tio.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Equipe Lotus mostra ousadia no marketing



FELIPE MACIEL


No dia 1° de setembro, a Lotus realizará um teste aerodinâmico em linha reta na Inglaterra. Seria um evento normal se houvesse um piloto oficial da escuderia trabalhando para analisar melhorias no modelo T127. Mas será um algo um tanto diferente disso.

Quem assumirá o bólido responde pelo nome de Nabil Jeffri. Se você não o conhece, procure na Fórmula BMW Pacific, mais precisamente na quinta colocação da tabela. O malaio apoiado pela AirAsia de Tony Fernandes possui apenas 16 anos de idade e integra o programa de jovens talentos da equipe.

Portanto não se trata de um caso em que o piloto testa o carro da equipe - para isso usasse o Jarno Trulli -, nem do caso em que a equipe testa o piloto - antes deixasse o garoto brincar no simulador, onde ao menos se faz curva. A explicação remanescente é a boa e velha jogada de marketing.

Aliás, o grupo de Tony Fernando está se revelando um ás no assunto. Basta começar citando o resgate do nomes Lotus na Fórmula 1, do contrário a equipe se chamaria Litespeed e talvez nem houvesse sido escolhida pela FIA. Mas o time vai além.



A equipe projeta uma surpreendente iniciativa de marketing para o ano que vem. Trata-se da Lotus Exos, que consiste em vender 25 monopostos pelo preço razoável de 1 milhão de dólares cada, e posteriormente treinar esses clientes para participarem de uma competição automobilística em particular.

O modelo em questão não é o T127 da temporada 2010, mas sim o chamado Lotus Exos 125, que possui características próximas ao Fórmula 1. O carro pesa 650kg e é alimentado pelo propulsor Cosworth V8 de 660cv, chegando a 10.300 rpm.

Portanto, se você deseja passar por um programa de treinamentos com engenheiros, pilotos, personal trainers, e ficar a ponto de bala para disputar um pequeno campeonato de amadores no estilo da F-1, reserve seu milhão para comprar esta belezinha da Lotus.



As informações não são muito detalhadas, mas a ideia surpreende. Consta, pois, que em 2011, em algum lugar da Europa, a brincadeira tem início.

sábado, 19 de junho de 2010

As novidades das equipes para o GP de Valência



FELIPE MACIEL


O otimismo de Felipe Massa para a etapa de Valência contrai boa parte das atenções para a reação prometida pela Ferrari na casa de Alonso. O brasileiro, que tanto reclamou de um carro destoante de seu estilo ao longo da atual temporada, espera com ansiedade a nona corrida do ano com uma pontinha de esperança de manter os 100% de aproveitamento no tilkeway.

A pista se assemelha mais a Montreal que a Istambul, o que já conta a favor de Maranello, que suou na Turquia mas se reergueu no Canadá - ao menos com um dos carros, já que o outro bateu na largada e não pôde aproveitar o ritmo convincente do F10 no pelotão da frente.

Para o GP da Europa, reserva-se a estreia do escapamento copiado da Red Bull, que é um sistema quase tão chamativo quanto o duto F lançado pela McLaren. A escuderia italiana já plagiou o canal aerodinâmico dos rivais prateados. A diferença em relação à clonagem do escapamento do Newey, é que talvez esta funcione no carro vermelho.

Para dar um fim nas abanadas e ampliar o equilíbro, o escape mais baixo, integrado ao extrator de ar, reposiciona o centro gravitacional na parte traseira e melhora a pressão aerodinâmica direcionando o fluxo do exaustor para o difusor, além de tornar mais limpo o ar incidente sobre o aerofólio. Com este reforço no nível de aderência do F10, o time se dá ao direito de sonhar com pelo menos mais um pódio nesta próxima corrida.



Já o maior duelo do ano, protagonizado por Red Bull e McLaren, ganhará mais episódios interessantes nas etapas que seguem.

Durante o fim de semana do GP do Canadá, Adrian Newey ficou na fábrica do touro enérgico preparando os últimos ajustes para o sistema que estreará na tourada espanhola domingo que vem. Trata-se do tal duto F, que eles tanto postergaram, mas finalmente está no ponto. O efeito esperado é melhor que o do modelo implementado pela Ferrari, uma vez que os italianos aceleraram o processo de construção e acabaram se decepcionando com os resultados. Se em Maranello apressado come cru, na Red Bull "tudo ao seu tempo" é a medida de ordem da casa.

Por outro lado, o grupo de Woking providencia para o GP da Inglaterra o escapamento que aponta para o difusor. Bonito ver cada equipe se inspirando em sua rival para batê-la nas pistas...



Mas bonito de verdade é ver o clima amigável dentro da Lotus.

O time prepara novo chassis para a Grande Prêmio da Europa e a pretensão inicial era atribui-lo a Heikki Kovalainen, que vem se desempenhando melhor que o parceiro Jarno Trulli. Justamente devido às maiores dificuldades do italiano com o balanço do bólido atual, Mike Gascoyne anunciou a mudança de planos: Jarno receberá a atualização antes do finlandês. Eis que tem início a troca de gentilezas entre os dois; cada um repassando a preferência para o companheiro ao lado. Veja que gracinha:
Não, eu não quero que Heikki sinta que estou sendo favorecido. Por favor, sinta-se livre para dar o novo chassi a ele

Disse Jarno Trulli a Mike Gascoyne



Não, Jarno está tendo dificuldades. Dê a ele.

Disse Heikki Kovalainen a Mike Gascoyne



É uma situação que resume o grande sentimento dentro da equipe – em que ambos estão tentando ajudar uns aos outros. No final, nós vamos dar a Jarno, mas os dois pilotos estão abertos a trocá-lo mais tarde.

Disse Mike Gascoyne a nós

segunda-feira, 8 de março de 2010

Enquete F-1: Equipes novatas



FELIPE MACIEL


Nas últimas duas semanas, o Blog F-1 perguntou: Com qual das novas equipes você mais simpatiza?

Nesse meio tempo, algumas ficaram pelo caminho. Houve quem mudasse de nome. E as mais bem cotadas nas pistas levaram a melhor na votação. Apertadíssima, por sinal.

Um total de 132 votos resultaram no seguinte desfecho:

Lotus - 36,36%
Virgin - 36,36%
Campos - 15,15%
Stefan - 9,85%
US F1 - 2,27%

Se depender da galera daqui, Tony Fernandes e Richard Branson terão de decidir no braço quem será a aeromoça de quem no final da temporada. Este empate entre Virgin e Lotus foi um resultado fantástico para a ocasião.

As porcentagens também demonstram certa simpatia pela Campos, ou pelo que se esperava que ela fosse - algo bem diferente deste empreendimento em forma de lambança. Os poucos votos depositados à Stefan sugerem que boa parte do público aceitaria a entrada da equipe para suprir o preenchimento do grid. Já a US F1 ficou nas migalhas, um time para não se levar a sério, definitivamente.

O Blog F-1 reabastece a enquete da lateral com uma nova indagação. Dentro de alguns dias, traremos o veredicto de nossos sábios leitores. Participe!

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Volta da Tradição do Fim do Grid



FÁBIO ANDRADE



Há exatamente uma semana, durante o post sobre algumas das equipes pequenas mais marcantes da F-1, lembrei do tempo em que as equipes pequenas “honravam seu nome e se contentavam em chegar 5 voltas atrás do vencedor.”

Pois é, a Fórmula-1 parece estar prestes a relembrar esse período.

Hoje o espanhol José Ramon Carabante anunciou que sua equipe lançará seu modelo para a temporada 2010 nesta quinta, dia 4. Enquanto quase todos os outros times já revelaram seus carros há pelo menos um mês, a Campos irá apresentar seu bólido apenas 10 dias antes da data da primeira prova do ano.

Opa, Campos não. Hispania! Sim, é esse o novo nome da equipe de Bruno Senna e do indiano Karun Chandhok.

Mas a pergunta obrigatória depois da constatação de que a Hispania lançará seu carro  com chassi Dallara e motor Cosworth a cerca de uma semana da abertura do mundial é: o que uma equipe concebida às pressas e nascida de um parto prematuro às avessas poderá fazer numa categoria de alto nível como a Fórmula-1?

“Muito pouco” é a mais provável resposta. E está bem assim.

O mundial desse ano já tem protagonistas demais, expectativas demais, holofotes demais e estrelas demais. A temporada 2010 já tem Massa, Vettel, Hamilton, Button, Alonso e Schumacher. Já se esperam as brigas internas dentro dos times grandes que prometem batalhas épicas de egos inflados. Já se promete um sensacional equilíbrio como há anos não se via, tendo em vista os resultados dos testes. Será uma super-temporada, super-emocionante, super, super, super.

O mundial, enfim, antes de começar, já ostenta superlativos em excesso.

Nesse contexto Lotus, Virgin e Hispania são o anti-clímax necessário a uma temporada que é vendida como sucesso antes mesmo de começar. As equipes pequenas certamente voltarão a honrar sua designação, levando 4 ou 5 segundos por volta e cruzando a meta muitas voltas atrás dos líderes porque milagres não existem na F-1, e carros projetados às pressas são incapazes de competir a sério numa categoria top. A esclerose das pequenas é um reflexo involuntário da gestão Max Mosley, mas essa filha bastarda do velhinho sadomasô será encarada por esse  que vos bloga como algo não tão ruim.



Afinal, as pequenas e seus resultados vexatórios também fazem parte da enciclopédia de histórias da F-1, apesar de protestos raivosos como o da Ferrari na semana passada.

Talvez as pequenas da atualidade não tenham o mesmo carisma das de outros tempos, lembrará alguém, e isso é certo. Como também é certo que simpatia, as vezes, é um atributo que se conquista com o tempo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Vettel domina dia instável em Jerez



FELIPE MACIEL



Nesta nossa quarta-feira de cinzas, o dia de treinos da F-1 teve céu predominantemente cinza mesmo. Um chove-para-chove-para serviria de resumo para a primeira sessão da semana. Dia de baixo potencial produtivo, diga-se.

Quanto mais eles treinam, menos conclusões tiramos. Com o fator combustível fazendo mais diferença do que nunca, e a água descendo pra completar a bagunça, esta pré-temporada confunde até mesmo quem está na pista acompanhando tudo de perto.

O destaque do dia fica por conta da estreia da Lotus, que rodou 76 voltas e demonstrou o mínimo de confiança que a Virgin até agora anda devendo. Fairuz Fauzy comandou o T127, ficando com o penúltimo tempo, deixando Timo Glock na rabeira da tabela, após míseras 10 voltinhas no circuito. Um pequeno detalhe: o test driver da Lotus teve de treinar sem a direção hidráulica.



Cinco bandeiras amarelas interromperam as atividades das equipes, sendo duas com Rubens Barrichello, uma com Massa, uma com Hamilton e outra de Paul di Resta escapando da pista enquanto acumulava km's para adquirir superlicença.

A Force India também usou Sutil nos esforços desta quarta. A Toro Rosso continua exibindo tempo mais bonito do que deveria. A Renault poderia fazer o mesmo mas prefere seguir os trabalhos como uma das equipes mais discretas.

A Mercedes foi a que mais rodou, 111 voltas com heptacampeão ao volante. Michael se mostra mais confiante a cada dia com o desempenho do carro. Sobre a Sauber, apenas foi devidamente conduzida pelo experiente de la Rosa em mais um dia de clima complicado na Espanha.

Seguem os tempos.

1. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), 1min22s593 (99 voltas)
2. Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min23s017 (71)
3. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min23s204 (71)
4. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 1min23s322 (78)
5. Pedro de La Rosa (ESP/Sauber), 1min23s367 (75)
6. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min23s803 (111)
7. Adrian Sutil (ALE/Force India), 1min24s272 (27)
8. Paul Di Resta (ING/Force India), 1min25s088 (74)
9. Vitaly Petrov (RUS/Renault), 1min26s237 (54)
10. Rubens Barrichello (BRA/Williams), 1min27s320 (108)
11. Fairuz Fauzy (MAL/Lotus), 1min31s848 (76)
12. Timo Glock (ALE/Virgin), 1min32s417 (10)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Conheça o T127, o primeiro carro nova da Lotus



FELIPE MACIEL



Se a Lotus faz força para manter laços com o passado, então acertou no desenho: o T127 apresenta look retrô de tão quadrado que é.

Jarno Trulli, Heikki Kovalainen, Fairuz Fauzy e o recordista de demissões Mike Gascoyne posam para a foto.



quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Virgin x Lotus: pequenas rivais

Ou deveria dizer "Virgin Airlines vs AirAsia" ? Ou ainda "Richard Branson vs Tony Fernandes"?

Fato é que esses dois homens têm uma história muito... digamos, paralela. Ambos tiveram passagem pelos negócios da música e atualmente estão inseridos na indústria da aviação.

Mais do que isso: Tony Fernandes foi funcionário de Richard Branson trabalhando como controlador financeiro para a Virgin Records, de 1987 a 1989. Agora, são velhos conhecidos. E rivais.



Mas não se trata de uma rivalidade aos moldes Mosley x Briatore, por exemplo. Entre eles, tudo parece ser bem mais saudável. Basta dizer que a primeira temporada de Virgin e Lotus na Fórmula 1 será marcada por uma aposta pessoal para ver quem levará a melhor.

Se você não viu o diálogo Branson-Fernandes no mês de dezembro, faço questão de reproduzi-lo abaixo.

Quem começou provocando foi o Tony, alegando que se mataria caso perdesse para Branson no ano de estreia. Teve início o festival de réplicas e tréplicas:
Vindo de um mercado musical, eu suponho que poderemos escolher a música para o funeral! Mas eu gosto muito de Tony, então espero que ele não se mate. Mas ao mesmo tempo, quero vencê-lo. Talvez a gente possa pensar em outro desafio: ele tem uma empresa aérea, e nós também, se nós vencermos, ele poderia vir trabalhar na nossa empresa e trabalhar como aeromoça da Virgin.

Nós daremos certeza que a roupa ficará perfeita. Eu suspeito que ele pode nos pedir reciprocidade. Vou ter que verificar como buscar essas roupas. Estou confiante na vitória.

Richard Branson



O malaio não deixou barato, e brincou com o título de "Sir" do britânico, que fora condecorado pela rainha. E ainda acrescentou o gran finale, apelando para a famosa personalidade de Richard.
É muito apropriado, não acha? Nossos passageiros ficarão honrados em ser servidos por um Cavaleiro do Reino.

Mas conhecendo Richard, o verdadeiro desafio será evitar ter que perguntar aos nosso clientes: "café, chá, ou eu?". Seria assustador!

Tony Fernandes



Agora saindo do campo da diversão e passando para um tema mais polêmico, a Virgin decidiu construir o bólido sem qualquer auxílio do túnel de vento. A supervalorização do CFD divide opiniões.

O especialista da Virgin, Nick Wirth, teve oportunidades de comprovar em outras categorias a eficácia do sistema no desenvolvimento de carros, sobretudo na Fórmula Indy. Coincidência ou não, os americanos da US F1 também comunicaram a intenção de utilizar primordialmente o CFD em seu primeiro carro.

Richard Branson



Será que eles estão confundindo IndyCar com Fórmula 1, ou realmente o CFD já dá conta do recado e o túnel de vento é tecnologia ultrapassada? O homem da Lotus duvida que o time de Branson esteja no caminho certo: "A Virgin está muito convencida de que é o caminho a seguir, que pode fazer tudo isso com o CFD. Sou do mundo da aviação e digo que você não pode. É preciso ter um túnel de vento", garantiu Fernandes.

Quando começar a temporada, Virgin e Lotus poderão ser bons medidores da qualidade dos supercomputadores. Duas novatas com suas saudáveis rivalidades construindo carros de formas distintas. A Virgin almeja provar à Lotus, à Williams, à Ferrari e a todo grid que um bom carro pode ser gerado tocando-se apenas num inocente mouse de computador. A Fórmula 1 paga pra ver.