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domingo, 2 de outubro de 2011

Memória Blog F-1: Campeões em Suzuka [3]

O GP do Japão de 1991 já foi esmiuçado e a história da corrida e do campeonato já é conhecida por quase todo mundo, provavelmente. Para os ruins de memória, a temporada chegava a Suzuka, penúltimo destino do ano, polarizada entre Ayrton Senna e Nigel Mansell. Senna tinha 16 pontos de vantagem sobre o leão e estava numa posição confortável para faturar o tri no Japão.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Senna, campeão pela terceira vez em Suzuka"][/caption]

Com tamanha desvantagem e restando apenas duas corridas para o fim do campeonato, o ideal para Mansell era vencer e torcer para que Senna chegassem em posições ruins tanto em Suzuka comoem Adelaide. Mas a tarefa do inglês, que já era inglória, tonrou-se mais difícil depois que Gerhard Berger cravou a pole, seguido por Senna. Atrás da primeira fila da McLaren estava Mansell, claramente o franco-atirador do GP do Japão de 1991.

Na largada, as posições dos três se mantiveram iguais. A McLaren trazia para o Japão a mesma tática usada na corrida anterior, na Espanha: deixar Berger fugir na frente e fazer com que Senna ficasse segurando Mansell, apostando que o leão, de cabeça quente ao ficar limitado no terceiro lugar quando precisava desesperadamente da vitória, fizesse uma burrada que o tirasse da corrida e desse o título a Senna.

Em Barcelona o joguinho da McLaren não havia dado certo. Mansell não apenas superou Senna e Berger como também venceu a corrida e deixou o brasileiro - que errou e saiu da pista ao tentar bloquear o piloto da Williams - apenas na quinta posição. Mas vantagem de Senna ainda era grande, como as chances de o plano do time de Woking dar certo também eram.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Na Espanha, a tática da McLaren pode não ter dado certo, mas gerou uma das imagens mais clássicas da história da Fórmula-1"][/caption]

Em pouco menos de 10 voltas Berger em Suzuka, já abrira quase 10 segundos de vantagem sobre Senna, que segurava Mansell. Na nona volta o leão embutiu na McLaren de número um, tentando a ultrapassagem, mas exagerou. Chegou forte demais na primeira curva do circuito, passou reto e ficou preso à caixa de brita. O campeonato estava acabado e Senna era tricampeão.

Daí em diante, o brasileiro pôde correr para se divertir. Logo alcançou e ultrapassou Berger. Senna seguia para vitória, quando, a metros do fim, retribuiu o trabalho de seu escudeiro e deu a Berger sua primeira vitória na McLaren. Mesmo em segundo, Senna comemorava tranquilo, seu terceiro título mundial de Fórmula-1, há 20 anos:



domingo, 1 de maio de 2011

Memória Blog F-1: 1º de maio...

... de 1988. Num dia em que o costume é lembrar do Senna morto em Ímola, eis uma memória do tricampeão vivo no autódromo italiano. Vivo e vencendo pela primeira vez com a McLaren, dando o pontapé inicial para o primeiro de seus três títulos na equipe de Woking.


1º de maio de 1988, GP de San Marino:




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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Memória Blog F-1: Estados Unidos 1987



FÁBIO ANDRADE


As páginas e as notícias quentes (ou requentadas) dos dias de hoje referem-se à Lotus apenas para falar sobre a peleja que envolve o direito de usar esse nome clássico da Fórmula-1 na próxima temporada. A história de um dos times mais famosos da história do automobilismo se resume hoje, nas seções hard news da imprensa, a uma briga jurídica difícil de entender e que não traz absolutamente nada de aproveitável para o espectador além de uma confusão que parece não ter fim.


Há 30 anos, porém, falar de Lotus era quase sempre sinônimo de algo com caráter positivo. O fundador do time, o mítico Colin Chapman, foi talvez o maior gênio que a F-1 teve do lado de fora dos cockpits. Revolucionou o modo de projetar carros na categoria como nenhum outro projetista foi capaz de fazer e pôde contemplar o auge da história de sua equipe. Chapman morreu em 1982, antes de ver o ocaso da Lotus. Na verdade, Chapman nem chegou a ver a lenta agonia de um dos maiores times de F-1 de todos os tempos.



Detroit 1987

O GP dos Estados Unidos de 1987 marcou a última vitória da Lotus na F-1. O carro já não ostentava o lendário preto e dourado John Player Special de outros tempos e sim o monocromático amarelão dos cigarros Camel. Sem a pintura clássica se foi parte do encanto da Lotus.




Desde o último título de pilotos conquistado em 1978 a Lotus vivia uma seca que em 1987 completava nove anos. Como parte da tentativa de permanecer como um time de respeito, desde 1985 a Lotus apostava no ainda coadjuvante Ayrton Senna. Até aquele GP dos EUA o brasileiro havia dado cinco vitórias ao time. Junto com um triunfo de Elio de Angelis no GP de San Marino de 1985, a equipe havia tido, até então, seis vitórias em dois anos. Foi bem mais do que a única vitória da Lotus no período negro entre 1979 e 1984, quando o mesmo de Angelis venceu o GP da Áustria de 1982. Apesar da falta de constância e da clara desvantagem em relação às equipes dominantes da época (Williams e McLaren), a Lotus dava sinais de ser um time em reconstrução.


Só que a vitória de Senna em Detroit em 1987 foi a última do time. A pista americana, montada nas ruas da cidade que ostentava orgulhosamente o título de capital do automóvel, era super travada e detestada pelos pilotos. Senna já vencido por lá em 1986 pela própria Lotus e venceria novamente em 1988 já pela McLaren.


O vídeo abaixo registra a corrida, a última vitória da Lotus na Fórmula-1:




Depois disso, entretanto, o mergulho da Lotus rumo ao desaparecimento foi fatal. Ao final do ano Senna transferiu-se para a McLaren e nem mesmo a chegada de um tricampeão como Nelson Piquet foi capaz de reverter o quadro. Daí em diante a Lotus agonizou e finalmente desapareceu, em 1994. Agora o nome do time reaparece nessa briga jurídica em que nenhuma das partes, ao olhar desse blogueiro, tem o direito de se apresentar como herdeira de um dos maiores legados do esporte a motor em todos os tempos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Memória Blog F-1: Japão 1988



ANDERSON NASCIMENTO



O GP do Japão de 1988 marcou o primeiro título do tricampeão Ayrton Senna. Foi ali que o mundo começou a ver como genial um piloto arrojado, pretencioso e despretencioso ao mesmo tempo e muitíssimo talentoso acima de tudo.

Estive conversando com alguns amigos e me recordei dessa corrida. Etapa essa que mostrou o quanto um campeão deseja seu título. Não havia nascido naquela época em que a Mclaren vermelha e branca desfilava pelo circuito sensacional de Suzuka. Assim, não poderia deixar de compartilhar esta lembrança com vocês. Aperte play e assista do começo ao fim a brilhante corrida de Senna que terminou como o mais novo campeão mundial da Fórmula 1.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O filme de um mito



ANDERSON NASCIMENTO



Um filme emocionante e espetacular! Confesso que ainda não o assisti, afinal o documentário sobre a vida do maior piloto do automobilismo brasileiro estreia hoje em solo nacional, mas pelo que já ouvi e li sobre ele não há como não se emocionar.



O filme Senna possui imagens inéditas, fatos descobertos e depoimentos, tanto do próprio Ayrton como de outros que passaram por sua vida, que remontam a tragetória do tricampeão mundial.

No quesito imagem, o documentário dirigido pelo inglês Asif Kapadia apresenta cenas extraídas de câmeras on board que dão um realismo e uma emoção inexplicáveis a quem assisti. Além disso, imagens do próprio acervo pessoal da família Senna são dispostas e fazem parte dos bastidores contados em detalhes no filme.

Torcedores e fãs do brasileiro também engrossam o enredo. Vários brasileiros desabafam e expressam suas dores, seus sentimentos e suas emoções ao ver Ayrton morto dentro do carro da Williams em 1994. "Nós precisamos de saúde, comida e um pouco de alegria, e agora a alegria se foi", comenta no filme uma das admiradoras de Senna.

Reconhecido mundialmente não só pelo seu talento dentro das pistas, mas também pelo seu carácter como pessoa e ser humano, Ayrton deixou marcas eternas e importantes na mente e no coração de milhões de pessoas ligadas ou não ao automobilismo. Até hoje fomenta no coração de crianças e adolescentes o desejo da vitória e do sucesso, que o fazia ser tão fascinante. O documentário demonstra de maneira tocante muito da vida pessoal e como um dos pilotos mais incríveis pensava sobre fatos e acontecimentos que normalmente não estavam na pauta de um piloto.

Portanto, assistir Senna vai mais além do que apreciar um bom filme, mas nos transporta a reviver a fantástica história de um gênio chamado Ayrton Senna.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

GP do Brasil: o que você não vê na tv



FÁBIO ANDRADE




O vídeo acima é o resumo de uma corrida bem documentada, sobretudo para nós brasileiros, que temos rico material sobre as grandes vitórias de Ayrton Senna. Para os desavisados, trata-se do lendário GP do Brasil de 1991, quando Senna viveu o drama de passar as últimas voltas com apenas a 6ª marcha da McLaren funcionando, rezando para que a Williams de Riccardo Patrese não conseguisse se aproximar até a bandeirada.


Apesar de essa ser uma memória já bastante conhecida, o vídeo vale a pena sobretudo pela diferença entre a transmissão de Fórmula-1 que se fazia há 20 e a que se faz hoje. No vídeo postado acima, em algumas tomadas, fica evidente, por exemplo, que o Laranjinha é uma curva feita em um senhor aclive. Essa sensação é bastante suavizada ou praticamente deixa de existir na transmissão televisiva atual. Isso dá uma ideia de como a tv altera a forma de percepção de uma corrida.


Para os que, como eu, ainda não puderam assistir a um gp de F-1 in loco, essa observação deve soar como mais um estímulo. A tv fornece os tempos de volta, as posições de cada um na pista e o rádio da comunicação entre equipes e pilotos, mas não permite um olhar subjetivo sobre o que se desenrola na pista. Dizem até que corridas de automóvel têm cheiro.


Ainda sobre o vídeo, no mesmo Laranjinha a câmera onboard revela a direção nervosa do McLaren de Senna, mas essa já não é uma esfera sob interferência da direção de imagens e sim dos próprios carros da época. Senna corrige a trajetória na saída da curva. Eram carros sem a aderência aerodinâmica extrema de hoje em dia, e era uma pilotagem inegavelmente mais bonita de assistir.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Prévias da manobra Schumacher-Barrichello-Hungria



FELIPE MACIEL



Schumacher e Barrichello voltaram a protagonizar uma polêmica no último domingo. Não foi tão grande quanto a de Massa e Alonso na Alemanha, nem com a de Schumacher e Barrichello (opa) há 8 anos atrás. Mas foi registrado como destaque negativo do GP do Hungria, culminando na perda de 10 colocações no grid da Bélgica por parte do alemão, sanção esta que há um bom tempo a FIA não aplicava.

Ainda assim serve de desculpa para relembrarmos momentos brilhantes do passado, afinal, apesar de tudo, esta foi uma baita ultrapassagem. O rápido amigo Rianov desforrou os duelos Senna x Prost na temporada de 1988, quando ambos se estranharam entre o muro e o rival da forma analogamente empolgante, embora riscos supérfluos não tenham sido assumidos na mesma intensidade do episódio mais contemporâneo.



Na primeira, a defensiva do Ayrton chega a assustar o pessoal da mureta que exibia as placas aos pilotos, mas Prost supera Senna limpamente na reta de Estoril.

A retribuição da gentileza se dá em Suzuka, com o futuro campeão entrando no vácuo do Professor e completando a ultrapassagem na curva 1.



Em termos de susto, porém, nenhuma se assemelha tanto à do Michael com Rubens como esta disputa entre Webber e Massa no Japão em 2008, logo na abertura do vídeo seguinte. Naquela época foi de se pensar que o muro acabou na hora certa. Mas vendo isso hoje, parece que o roda-a-roda na Hungria deixou o racha de Fuji no chinelinho.

Ou talvez a sensação seja menos expansiva do que quando vimos ao vivo por conta do Evanescence dominando o fundo musical. Quem, em sã consciência, dedica um vídeo ao público do automobilismo sem permitir que se escute o som do motor?



Absolutamente nada contra a banda, só mantenho certa curiosidade em saber quando foi que combinaram que Bring Me To Life deveria virar moda nos vídeos da F-1 no YouTube.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Bruno Senna do Corinthians!



FELIPE MACIEL


As semelhanças entre Bruno e Ayrton não param na fisionomia. O piloto torcedor do segundo time mais popular do país participou de uma sessão de fotos para integrar o coro de celebridades que aparecerá no livro "Corinthians - 100 Anos de Paixão".


Toda minha família é corintiana. Para mim, é uma feliz coincidência que minha estreia na Fórmula 1 tenha acontecido exatamente no ano em que o Timão está comemorando uma data tão especial.

Bruno Senna



Tem como olhar para isso sem relembrar aquela velha foto do Ayrton com cara de menino exibindo o escudo de seu time por baixo do macacão?

Não me pergunte se esta foto estará no livro. Mas deveria. E olha que nem corinthiano sou.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Os Donos do Carro



FÁBIO ANDRADE



Segundo informações dos sites de notícias, Jenson Button encerrou na semana passada uma ação legal contra a equipe pela qual conquistou o título mundial de F-1 em 2009, a Brawn GP. A ação dizia respeito a uma cláusula contratual que garantia a entrega de um dos carros modelo BGP001 a Button em caso de conquista de título. Como a Mercedes inicialmente se negou a presentear o piloto com um dos chassis usados no ano passado, Button apelou para a Corte de Londres.



O impasse se resolveu na semana passada quando as partes entraram num acordo e Button pôde, finalmente, levar para casa um dos exemplares do modelo com o qual foi campeão.

É raro ver um piloto ganhar um carro de competição, mas acontece. Há 20 anos atrás, sem brigas na justiça, um outro piloto, recém chegado ao hall dos bicampeões também ganhou um presente. A reportagem é da Quatro Rodas de novembro de 1990:
Este carro é seu, bicampeão!

Por Sérgio Quintanilha

A magnífica atuação de Ayrton Senna ao volante do McLaren-Honda número 27 na temporada 1990 foi duplamente consagradora – colocou-o na companhia de Alberto Ascari, Graham Hill, Jim Clark e Emerson Fittipaldi como integrante do clube dos bicampeões de Fórmula-1 e dobrou até seu patrão, Ron Dennis. Quem venceu foi o homem, não a máquina. E o piloto também ganhou o carro...



Mas Ayrton precisou convencer o exigente Ron Dennis de que merecia o presente. Quando ainda negociava a renovação de seu contrato, o bicampeão revelou seu desejo ao patrão.

- Acho que a equipe poderia me dar o meu carro de corrida deste ano... – arriscou Ayrton.

- É muito difícil – cortou Ron Dennis – A McLaren nunca deu, nem vendeu, um carro até hoje.

As corridas de Spa-Francorchamps e Monza, porém, mudaram a cabeça do boss da McLaren. Senna pilotou maravilhosamente nessas duas provas e acabou ganhando 18 pontos que teoricamente deveriam ser de Alain Prost. Mesmo com um carro superior, o francês se viu impotente diante do brasileiro naqueles dois Grandes Prêmios. Dennis não resistiu:

- Faço questão de reconhecer que as vitórias nessas duas provas foram suas e não da equipe – disse ele a Senna – O carro é seu.

“Foi um dos momentos mais espontâneos de Ron”, recordava Senna. “Sua atitude realmente me deixou bastante emocionado”.

(...)

O grande mérito de Ayrton no seu bicampeonato foi ter conseguido aliar suas virtudes anteriores – como o arrojo e a velocidade – a um grande amadurecimento na estratégia de corrida. Aos 30 anos, Ayrton possuía uma condição física e emocional afinadíssima, era idolatrado como maior ídolo popular no Brasil e já podia exibir em sua casa uma joia como o McLaren número 27 que o conduziu ao bicampeonato mundial. Ele mereceu.

sábado, 12 de junho de 2010

Memória Blog F-1: Outside



FELIPE MACIEL


No final da classificação de hoje, em virtude do baixo nível de combustível no tanque, Lewis Hamilton reduziu ao máximo durante a volta de retorno aos boxes. Estaria prestes a infringir a regra que estipula um tempo limite para circular na pista, além de ser reprovado no procedimento de pesagem após o treino.

Eis que o pit wall lhe instrui a desligar o motor. Tem início ali umas daquelas cenas que não deixa dúvidas a qualquer espectador que aquilo ficará marcado com o passar dos anos. Belíssima forma de se comemorar a pole position...



Sobre o mesmo palco, ocorreu algo semelhantemente especial quando Jean Alesi venceu sua primeira e única na Fórmula 1. A diferença aqui é a ajudinha de um outro piloto que passava por aquele trecho: Michael Schumacher oferece-lhe uma grata carona até os boxes. Desfecho heróico e emblemático para uma vitória que tanto custou a se concretizar. GP do Canadá de 1995.



Acontecimento igualmente memorável ficou marcado pelo final de Silverstone-91. Ayrton Senna estaciona sua McLaren e recebe uma força de Nigel Mansell para chegar à garagem. Um intruso ainda ousou tentar impedir, ao que tomou um sai-pra-lá do Ayrton. E o público fez a festa!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Memória Blog F-1: O dia em que Schumacher chorou



FELIPE MACIEL


A entrevista coletiva após o Grande Prêmio da Itália de 2000 foi um memorável momento "manteiga derretida" da Fórmula 1. Michael Schumacher igualava, naquele 10 de setembro, o número de vitórias de Ayrton Senna. O alemão não conteve o choro pela emoção de alcançar seu piloto de referência. Não bastasse isso, o rival Mika Hakkinen também entrou na onda.



Ok, mas por que relembrar esse fato hoje? Não que precisemos de um motivo concreto, mas se fosse para apontar um, ficaria de bom tamanho citar um fato histórico que está acontecendo com Rubens Barrichello: ele se tornou o primeiro brasileiro a atingir o mesmo número de pontos do Senna na F-1, e talvez neste GP do Canadá consiga passar à frente do grande ídolo nacional.

Não que isso seja tão marcante quanto as vitórias. A estatísticas de pontos não devem levar ninguém ao choro como no caso das vitórias... muito menos agora com essa pontuação maluca.

Com o distorcido formato dos 25, implementado pela FIA em 2010, não serão poucos os pilotos que terão o privilégio de ostentar mais pontos que o Ayrton. Na verdade, a aceleração desse processo já teve início, basta dizer que neste ano Fernando Alonso superou, e muito, o tricampeão em número de pontos graças ao surgimento do novo sistema.

De qualquer forma, registre-se aí: neste instante, Senna e Barrichello encontram-se empatados na tabela histórica de pontos com 614 para cada um. Os mais próximos candidatos da atualidade são Jenson Button e Felipe Massa, com 415 e 387 respectivamente, estando Lewis Hamilton, 340, logo atrás. Todos com chances matemáticas de pularem na frente do Senna ainda em 2010.

terça-feira, 23 de março de 2010

Rádio OnBoard - Edição Pré-Austrália



FELIPE MACIEL


Está no ar a 72ª edição da Rádio OnBoard!

Edição cheia e bem discutida! A equipe formada por Fábio Campos, Ron Groo e eu usou o primeiro terço do programa para atualizar algumas notícias de destaque, como a regra dos difusores, as alterações no motor Renault e na aerodinâmica da equipe Ferrari.

Os últimos dois terços do programa foram bem movimentados, com altos debates sobre variados assuntos, como por exemplo as ultrapassagens na era sem reabastecimento e um dos interessantes aspectos que confrontam a Fórmula 1 do passado com a do presente! Uma troca de opiniões muita rica, quem conferir vai notar... e se preferir fazer parte das excelentes discussões, o espaço de comentários é todo seu.



Fizeram parte do andamento da edição o quadro de Temas Polêmicos e alguns áudios históricos em homenagem ao Ayrton Senna. Ouça!

Clique para ouvirClique para baixar



Prepare-se para se acertar com o fuso horário da Austrália, que deixará muita gente de pé até a hora da corrida. Por isso mesmo o Pré Race ao vivo irá ao ar a partir de 1h da manhã de domingo.

A Rádio OnBoard também te convida novamente a conhecer o distinto jogo F1 Champion, que reserva diversos prêmios aos participantes que jogarem ao longo da temporada 2010. O pessoal que apostou no GP do Bahrein já conferiu o resultado da classificação da competição. Ainda há tempo de entrar nessa disputa!

domingo, 21 de março de 2010

Senna, 50 anos



FELIPE MACIEL



Ayrton é diferenciado nos mais variados aspectos que podemos considerar. A equipe Williams é a única na história que se prontificou a realizar homenagem eterna ao tricampeão que morreu em seu cockpit. Não importa quantos anos se passarem, fãs e não fãs da Fórmula 1 irão lembrar de sua figura, e os novos inevitavelmente tomarão conhecimento de seus feitos neste esporte.

No aniversário de exatas 5 décadas de nascimento, o Instituto Ayrton Senna promove a iniciativa de construir o maior cartão de aniversário do mundo, no endereço senna50.com.br. A contagem já chegou à casa de dezenas de milhares de mensagens.



A estrela do Ayrton era forte, tudo conspirava a seu favor na construção da imagem íntegra e inabalável que de fato se criou. Vindo de um país cuja economia cruzava a chamada "década perdida", onde o instável sistema político clamava por radical mudança após anos de tortura sob poderio militar, uma nação que enfrentava longo jejum de títulos em Copas do Mundo... O único Brasil que dava certo era aquele que tremulava nas mãos de Senna, sob o som do Tema da Vitória, celebrando seus triunfos.

Mas não foi só entre os brasileiros que Ayrton se destacou. O mundo reconheceu seu extremo talento, sua dedicação e disciplina física, seu carisma, sua inteligência... e até mesmo o mão forte que ousava limitar suas conquistas para promover vitórias francesas.



O episódio de Suzuka-89 foi um passo importante na criação daquela figura heróica. Consistiu na denúncia de uma politicagem barata que ofendia o esporte descaradamente, que ainda culminou na humilhação pública do piloto injustiçado, se vendo obrigado a pedir desculpas a quem lhe prejudicou para seguir correndo na F-1.

No ano seguinte, a empatia de todos concordou que Senna tinha o direito de revidar na mesma moeda para vencer de forma suja, como se tal ação limpasse a sujeira da batalha perdida na temporada anterior.



Ayrton sempre caminhou em passos rápidos, precisos, corretos e seguros. Ele não dava uma escorregada, não falava o que não precisava ser dito, não dava patada em jornalista por mais estúpida que fosse a pergunta, não se envolvia em polêmicas extra-pista, transmitia a imagem de um sujeito-exemplo, o modelo a ser seguido, o homem gentil e vencedor.

Ninguém via o Senna esquentado e violento, - que até o Schumacher já teve que encarar. A visão das pessoas era muito bem trabalhada na TV. Perguntas perigosas levavam Ayrton a parar por 30s diante do microfone e pensar em cada letra da resposta antes de dizê-la. O piloto tem uma coletânea de frases sobre garra, fé, acreditar em si, acreditar em Deus, realizar sonhos. Ele era autoridade para falar sobre assunto, afinal ele realizou os seus.

O talento é inegável. A sexta marcha em Interlagos, a volta de todas as voltas em Donington, o desempenho na chuva, o rei de Mônaco, o piloto nos braços do povo, e tantas outras passagens fizeram a sua pilotagem chegar ao auge das discussões infindáveis sobre o maior e o melhor de todos os tempos.



No que depender do julgamento passional, Ayrton o é. Em Ímola, sua morte o imortalizou como um herói romântico do esporte a motor. Aos olhos arregalados, o mundo se despediu de uma figura sem igual, com todos os predicados que este país exige impiedosamente de todo brasileiro que se aventura na F-1.

Chegamos aos 50 anos de Senna, pois. Difícil dizer algo de novo, algo que não tenha sido dito. Mas não cansamos de repetir a cada marca medida em anos de aniversário de vida e morte de Ayrton Senna.

Porque, como dizia o poeta alemão: "triste do país que precisa de heróis". O Brasil precisa e teve o seu.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Amor e ódio nas pistas

A luta entre Senna e Prost foi um dos confrontos mais ferrenhos da Fórmula 1, se não o mais. O choque em Suzuka marcou a história da categoria, mesclando esporte com política, numa cassação da merecida vitória que custou a chance de Ayrton seguir brigando pelo título.

Senna viveu instantes de extrema raiva. Sofreu uma batida proposital de seu rival, recuperou-se na corrida, mas foi privado de subir ao topo do pódio após a interferência do presidente francês da FIA, sempre próximo de Prost. Não bastasse, ainda foi obrigado a se desculpar por seu protesto, do contrário seria covardemente excluído da F-1.

Ayrton tinha motivos de sobra para não desejar olhar mais na cara de Alain nem banhado a ouro. Mas não foi bem assim. No ano seguinte, o acerto de contas veio na curva 1 da volta 1 no Japão.

Existia entre ambos um grande respeito, certa admiração. O brasileiro e o francês não se tornaram inimigos, muito pelo contrário. A aposentadoria de Prost chegou a ser frustrante para Ayrton. Na sexta-feira em Ímola, a dois dias da tragédia, Senna fez questão de demonstrar a falta que sentia daquele extraordinário piloto no campeonato. A mensagem foi curta mas carregada de enorme sinceridade:



O caso Senna-Prost é uma história sensacional. Talvez não possamos dizer o mesmo sobre a decisão do Mundial de 1997, que deu início a uma pseudo-rivalidade dispensável.

O campeonato tinha de ser resolvido em Jerez. 1 ponto separava o então líder Michael Schumacher de Jacques Villeneuve. O dia não acabaria bem para o alemão, que lançou seu carro sobre a Williams do canadense quando surpreendido com a tentativa de ultrapassagem na volta 48.

Michael seria desclassificado do Mundial, perdendo todos os pontos conquistados. Jacques tornou-se campeão, cruzando a linha em 3°. Diante da manobra mal sucedida do adversário e da punição rigorosa aplicada pela FIA, Villeneuve tinha motivos para apenas rir de Schumacher, que recebeu uma dura lição naquele 26 de outubro. Não foi bem assim.

Jacques Villeneuve preferiu o caminho da intriga. Os anos se passaram e o campeão de 97 só alimentou seu desafeto com Michael, sempre criticando e rejeitando o alemão. Isso porque ganhou aquele campeonato...



É incerto afirmar que a maior diferença entre Suzuka-89 e Jerez-97 tenha sido a existência de Suzuka-90 no primeiro caso. Não, o que faltou a Jacques não foi chance de acertar as contas. Até porque o resultado contou a seu favor.

Fosse o Damon Hill, que havia perdido em 94 devido à cortesia de Schumacher em Adelaide, seria mais fácil compreender. No entanto Hill simplesmente reconheceu o título do piloto da Benetton e seguiu a vida sem chororô. Enquanto Villeneuve, com título ganho, desgastou-se em ataques disparados a Michael; críticas essas que o alemão normalmente se encarregou de ignorar.

Evidentemente, cada vítima tem seu modo de reagir a longo prazo diante de uma ocorrência desse porte. Particularmente, admiro a reação do Ayrton: Explodir no momento da celeuma e superar o que passou logo depois, quem sabe até mantendo uma relação normal com o antigo vilão. Promover uma perseguição doentia pelo restante dos seus dias é pouco recomendado. Eu diria injustificável, no caso de a manobra do bandido não ter dado cabo do mocinho. Uma boa cabeça sabe dar conta do recado.