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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Prévias da manobra Schumacher-Barrichello-Hungria



FELIPE MACIEL



Schumacher e Barrichello voltaram a protagonizar uma polêmica no último domingo. Não foi tão grande quanto a de Massa e Alonso na Alemanha, nem com a de Schumacher e Barrichello (opa) há 8 anos atrás. Mas foi registrado como destaque negativo do GP do Hungria, culminando na perda de 10 colocações no grid da Bélgica por parte do alemão, sanção esta que há um bom tempo a FIA não aplicava.

Ainda assim serve de desculpa para relembrarmos momentos brilhantes do passado, afinal, apesar de tudo, esta foi uma baita ultrapassagem. O rápido amigo Rianov desforrou os duelos Senna x Prost na temporada de 1988, quando ambos se estranharam entre o muro e o rival da forma analogamente empolgante, embora riscos supérfluos não tenham sido assumidos na mesma intensidade do episódio mais contemporâneo.



Na primeira, a defensiva do Ayrton chega a assustar o pessoal da mureta que exibia as placas aos pilotos, mas Prost supera Senna limpamente na reta de Estoril.

A retribuição da gentileza se dá em Suzuka, com o futuro campeão entrando no vácuo do Professor e completando a ultrapassagem na curva 1.



Em termos de susto, porém, nenhuma se assemelha tanto à do Michael com Rubens como esta disputa entre Webber e Massa no Japão em 2008, logo na abertura do vídeo seguinte. Naquela época foi de se pensar que o muro acabou na hora certa. Mas vendo isso hoje, parece que o roda-a-roda na Hungria deixou o racha de Fuji no chinelinho.

Ou talvez a sensação seja menos expansiva do que quando vimos ao vivo por conta do Evanescence dominando o fundo musical. Quem, em sã consciência, dedica um vídeo ao público do automobilismo sem permitir que se escute o som do motor?



Absolutamente nada contra a banda, só mantenho certa curiosidade em saber quando foi que combinaram que Bring Me To Life deveria virar moda nos vídeos da F-1 no YouTube.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Memória Blog F-1: Mônaco? Chuva?



FELIPE MACIEL


Não foi exatamente uma corrida maluca mas sem dúvida um final de GP simplesmente "unbelievable"! A etapa de Mônaco de 1982 tinha tudo para ser uma prova morna, até o momento em que a chuva resolveu atuar. As primeiras vítimas começaram a aparecer a dez voltas do fim, mas foi na antepenúltima volta que o show de lambanças transformou os instantes finais do GP numa verdadeira epopeia.

Daly errou na Tabacaria mas fez de todo o possível para manter-se na pista até o final, mesmo que isso incluísse derramar óleo sobre o asfalto. Na 74ª passagem de um total de 76, Alain Prost escapou e bateu, cedendo a liderança a Riccardo Patrese. O gostinho da primeira vitória seria esfriado na volta seguinte, quando rodou no hairpin, perdendo algumas posições.

Em seguida, o então líder Pironi encosta num local perigoso, dentro do túnel, por conta de uma pane seca. De Cesaris herdaria a vitória, se não sofresse do mesmo mal. Para completar o festival de abandonos, Daly também desistiu na volta final.

Em meio à confusão, chegou-se a imaginar que Nigel Mansell assumiria a ponta. Ao que ressurge diante das câmeras a Brabham de Riccardo Patrese, absoluto na ponta, e cruza a linha de chegada pondo uma volta em cima de todos os demais, sem tomar consciência de que havia se tornado, de alguma forma, o vencedor do Grande Prêmio de Mônaco.

Confira o show, com Murray Walker nos vocais:



A movimentada etapa de Monte Carlo de 1996 também pediu a colaboração dos céus para gerar uma corrida surpreendente.

O GP, agitado desde o princípio, cruzou as 2h de duração, sendo concluído pela vitória do francês Olivier Panis, que triunfaria pela primeira e única vez na Fórmula 1. A Ligier subiria ao topo do pódio pela última vez, já que seria vendida para Alain Prost em 1997.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Amor e ódio nas pistas

A luta entre Senna e Prost foi um dos confrontos mais ferrenhos da Fórmula 1, se não o mais. O choque em Suzuka marcou a história da categoria, mesclando esporte com política, numa cassação da merecida vitória que custou a chance de Ayrton seguir brigando pelo título.

Senna viveu instantes de extrema raiva. Sofreu uma batida proposital de seu rival, recuperou-se na corrida, mas foi privado de subir ao topo do pódio após a interferência do presidente francês da FIA, sempre próximo de Prost. Não bastasse, ainda foi obrigado a se desculpar por seu protesto, do contrário seria covardemente excluído da F-1.

Ayrton tinha motivos de sobra para não desejar olhar mais na cara de Alain nem banhado a ouro. Mas não foi bem assim. No ano seguinte, o acerto de contas veio na curva 1 da volta 1 no Japão.

Existia entre ambos um grande respeito, certa admiração. O brasileiro e o francês não se tornaram inimigos, muito pelo contrário. A aposentadoria de Prost chegou a ser frustrante para Ayrton. Na sexta-feira em Ímola, a dois dias da tragédia, Senna fez questão de demonstrar a falta que sentia daquele extraordinário piloto no campeonato. A mensagem foi curta mas carregada de enorme sinceridade:



O caso Senna-Prost é uma história sensacional. Talvez não possamos dizer o mesmo sobre a decisão do Mundial de 1997, que deu início a uma pseudo-rivalidade dispensável.

O campeonato tinha de ser resolvido em Jerez. 1 ponto separava o então líder Michael Schumacher de Jacques Villeneuve. O dia não acabaria bem para o alemão, que lançou seu carro sobre a Williams do canadense quando surpreendido com a tentativa de ultrapassagem na volta 48.

Michael seria desclassificado do Mundial, perdendo todos os pontos conquistados. Jacques tornou-se campeão, cruzando a linha em 3°. Diante da manobra mal sucedida do adversário e da punição rigorosa aplicada pela FIA, Villeneuve tinha motivos para apenas rir de Schumacher, que recebeu uma dura lição naquele 26 de outubro. Não foi bem assim.

Jacques Villeneuve preferiu o caminho da intriga. Os anos se passaram e o campeão de 97 só alimentou seu desafeto com Michael, sempre criticando e rejeitando o alemão. Isso porque ganhou aquele campeonato...



É incerto afirmar que a maior diferença entre Suzuka-89 e Jerez-97 tenha sido a existência de Suzuka-90 no primeiro caso. Não, o que faltou a Jacques não foi chance de acertar as contas. Até porque o resultado contou a seu favor.

Fosse o Damon Hill, que havia perdido em 94 devido à cortesia de Schumacher em Adelaide, seria mais fácil compreender. No entanto Hill simplesmente reconheceu o título do piloto da Benetton e seguiu a vida sem chororô. Enquanto Villeneuve, com título ganho, desgastou-se em ataques disparados a Michael; críticas essas que o alemão normalmente se encarregou de ignorar.

Evidentemente, cada vítima tem seu modo de reagir a longo prazo diante de uma ocorrência desse porte. Particularmente, admiro a reação do Ayrton: Explodir no momento da celeuma e superar o que passou logo depois, quem sabe até mantendo uma relação normal com o antigo vilão. Promover uma perseguição doentia pelo restante dos seus dias é pouco recomendado. Eu diria injustificável, no caso de a manobra do bandido não ter dado cabo do mocinho. Uma boa cabeça sabe dar conta do recado.