Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Ari Vatanen presidente

Este homem tem grandes chances de ser tornar o próximo presidente da FIA: Ari Vantanen. Dotado de uma bagagem bastante representativa no automobilismo, o finlandês conquistou títulos do Mundial de Rally e do Dacar antes de figurar como representante de seu país no parlamento europeu.
"A minha candidatura se assenta em dois pilares: reconciliação e unificação", foram algumas de suas primeiras palavras após lançar oficialmente sua candidatura.
Segundo o próprio, já possui apoio de associações importantes, o que é um bom começo para a obtenção de votos: "Respondendo a pedidos de muitos clubes membros da FIA, devo concorrer nas eleições presidenciais".
"Chegou a hora de uma mudança. Meu foco principal é reconciliar visões da FIA e trazer transparência para seus interessados. A tarefa do presidente é defender bilhões de automobilistas e nosso grande esporte".
Sobre a atual polêmica entre FIA e Fota, o candidato foi inteligentemente político ao comentar: "Não vou atirar pedras a Max, sempre tive boa relação com ele e não me cabe dizer se tem ou não razão".
Ninguém tem do que reclamar a respeito de Vatanen. Sua imagem e seu currículo agradam com facilidade.
Nick Craw e Michel Boeri são nomes possíveis, embora não tenham anunciado nada oficialmente. Provavelmente, um desses três sentará na cadeira mais importante da FIA nos próximos anos. Desde que o Mosley não concorra novamente, claro. Por mais desgastada que seja sua imagem para quem vê de fora, o inglês despontaria como favorito em função do apoio dos diversos clubes pequenos. Mas, a julgar pelos grandes clubes, Ari Vatanen representaria a tão desejável renovação dentro da entidade.

Rádio OnBoard - Edição Pré-Alemanha

Com alguns dias de atraso, está no ar a edição número 47 da Radio OnBoard!
É chegado o dia em que a Rádio OnBoard se encerra com uma música diferente da de Bizet.
Quem participa comigo desta edição é o grande Groo, comentando a seguinte pauta:
*Denúncias contra a FIA
*O casco do concurso de Heidfeld
*O moonwalker do Rubinho
*Ferrari já pensa no próximo ano
*Brawn sob a ótica 2010
*Nurburgring, Hockenheim
Como domingo tem corrida, também tem Pré Race ao vivo, o programa que entra no ar uma hora antes da largada. Às 8h da manhã do dia 12, estaremos falando deste link, contando com a participação dos ouvintes no chat.
Assine o feed da ROB aqui. E até a próxima!

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Querer é poder?

Meu amigo Ron Groo, com seus olhos de águia, descobriu qual o livro que o Rubinho anda lendo, através de uma foto do Twitter.
"Eu quero, eu consigo"? Pra que isso, Rubens?
Ah, deve ser pra dançar o moonwalker...

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Who will dance on the floor in the round?

Muitos já sabem, mas vale dizer: Rubens Barrichello prometeu, no Twitter, que dançará ao estilo de Michael Jackson no pódio de Nurburgring. Isto é, se conseguir chegar entre os três primeiros, fará sua homenagem ao grande pop star, arriscando o imortalizado passo moonwalker.
O Mantovani já tratou de lançar sua simpática charge sobre a suposta cena...
Até verifiquei o calendário da MotoGP para conferir se havia corrida nesse fim de semana, abrindo a chance de o irreverente Rossi inventar algo diferente. Mas não tem.
Impressiona a quantidades de gente, dos mais variados lugares, que deseja prestar algum tipo de tributo ao MJ. Sem dúvida, um artista completo que marcou e mudou a história da música internacional, sem falar no engajamento filantrópico, embutido em muitas de sua letras.
Não queria traçar paralelos com o Senna, mas quando um ícone desse porte morre em plena atividade, causa um choque tremendo em todos que o assistem, todos que gostam de seu trabalho e até mesmo quem não o admira de perto mas guarda o devido respeito.
Qualquer homenagem, de familiares a fãs, de pilotos a bailarinos, é muito bem vinda.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

E eles vão se complicando...

A imagem da FIA vai ficando mais suja do que pau de galinheiro.
Não bastasse o envolvimento do representante da entidade articulando o acordo entre Manor e Virgin para viabilizar a parceria daquela que seria a equipe escolhida para ingressar em 2010, agora pinta uma nova acusação sobre as costas de Max Mosley:
"Fomos avisados que, se quisermos uma vaga para o grid em 2010, teríamos de assinar um contrato de três anos com a Cosworth", afirmou um membro de um time não qualificado para compor o grid do ano que vem. "Tínhamos uma possibilidade real de contar com motor Renault, Mercedes ou Ferrari mas tornou-se claro para mim que era obrigatório pelos 'poderes superiores' que a Cosworth fosse a fornecedora de motores".
Em meio àquelas duras discussões com a Fota, a federação realmente determinou que as candidatas deveriam usar propulsores Cosworth se de fato desejassem brigar pela vagas. A entidade confirmou a denúncia e ainda se defendeu, alegando que o fornecimento de uma montadora independente era "prioridade para as novas equipas, já que o pelotão corria o risco de estar dependente da indústria do automóvel e nenhuma nova equipa poderia entrar sem a sua permissão".
Significa que, além de participar dos acordos da Manor, a FIA interviu nas possibilidades de contrato das demais, tirando-lhes a chance de escolher o próprio motor com o qual disputaria o Mundial.
As três escolhidas, por sinal, usarão mesmo Cosworth. Quanto à Fota, por enquanto, é só silêncio. Fica um cheiro de paz armada no ar.
Falando em paz armada, Bernie Ecclestone é outro que vem tropeçando nas próprias pernas. Depois de tecer elogios ao Hitler e seu poderio, o chefão da F-1 foi a público tentar desconversar e esclarecer o incidente.
Talvez não tenha convencido muita gente, afinal o primeiro-ministro do Estado de Baden-Wurttemberg, Gunther Oettinger, se reuniria com ele para debater o futuro de Hockenheim na categoria, mas o alemão preferiu cancelar o encontro.
Que fase, hein, Fórmula 1...

Domingo, 5 de Julho de 2009

O maior de todos os tempos

Ficou ruim comentar a Fórmula 1 nesse período ocioso da categoria. Num belo dia, o manda-chuva do circo, Sir Bernie Ecclestone, aparece na mídia para falar bem de Adolf Hitler. Num outro belo dia, vem o líder do campeonato, Jenson Button, e diz que acredita ser o maior de todos os tempos.
No caso do piloto, ainda vejo alguma chance de ter ocorrido um ruído de comunicação. Talvez lhe perguntaram quem seria o melhor da história, e ele entendeu o melhor da atualidade. No caso do Bernie, não tem ruído que dê jeito: seu grande sonho é dominar o mundo.
Mas este domingo foi especial para um grande esportista. Roger Federer se sagrou o maior vencedor de Grands Slams de todos os tempos, com 15 títulos, superando Pete Sampras, que por sinal assistiu à histórica partida na quadra central do santuário de Wimbledon, onde o suíço fechou o jogo com 4h16min em 3 a 2: 5/7, 7/6(8-6), 7/6(7-5), 3/6, 16/14. Isso mesmo, 16 a 14 no set final, sendo que o quinto set do torneio britânico não possui tie-break. Menção honrosa a Andy Roddick, que jogou como um verdadeiro monstro, valorizando ainda mais a conquista de Roger. Para completar a festa, Federer retoma o número 1 do ranking da ATP.
As pessoas ligadas ao esporte dizem sem medo que Federer é o maior de todos os tempos. O tênis tem uma grande vantagem sobre a Fórmula 1 quando você tenta tirar conclusões desse porte: não há muitas justificativas para argumentar mais a favor de uns que de outros.
Não se leva em consideração a diferença entre os motores, ou o nível do carro, ou a influência do companheiro de equipe, ou se o estilo dele depende de mais aderência na frente ou atrás, ou se o excesso de tecnologia ajuda mais a uns que a outros, ou se o passar dos anos impede qualquer tipo de comparação. Tudo o que um tenista precisa é de uma raquete e um par de tênis; o resto é com ele.
As variáveis são diminutas, o fator tempo não pesa tanto. Assim, fica bem mais fácil apontar quem é o maior de todos.
Na F-1, a briga para ser o piloto top é eterna e insolucionável. Candidatos na lista não faltam. Fangio, Clark, Stewart, Piquet, Senna, Prost, Schumacher...
O fato é que cada época tem o seu grande piloto, então nada melhor do que aproveitar os ícones de cada período. Nos anos 80, feliz de quem teve a chance de acompanhar os duelos entre os vários nomes da década. De 90 aos anos 2000, sorte de quem esteve ali para presenciar as aulas do heptacampeão. Pela frente virão outros. Hamilton já começou fazendo sua história, possivelmente se tornará grande, assim como Vettel, uma promessa em ascenção.
Quanto ao Button... Este passou anos fazendo volume no grid, parece ser tarde para mudar radicalmente o conceito sobre ele. A bordo de uma máquina vencedora, ele resolveu vencer. Mesmo com título na mão, precisará provar muito em temporadas futuras se realmente quiser dividir espaço com os verdadeiros gênios que fizeram uma trajetória colossal na F-1.

Sábado, 4 de Julho de 2009

Por que Manor?

Quando a FIA anunciou a entrada da Manor no Mundial 2010, ninguém entendeu absolutamente nada. Nem se sabia de sua candidatura, e parecia difícil entender por que razão ela foi escolhida em detrimento de postulantes com potencial técnico superior.
A presença de Nick Wirth, sócio de Mosley na equipe Simtek, deixou uma pulguinha atrás da orelha. O tempo passou, e simplesmente engolimos a definição da Manor.
Até que o The Guardian começa a resolver o mistério, soltando uma bomba: a escuderia teria sido favorecida de alguma maneira.
E-mail enviado pelo comissário-chefe da FIA, Alan Donnelly, revela que estaria participando de uma importante negociação entre Manor e Virgin antes mesmo de o anúncio oficial. A atual patrocinadora da Brawn assumiria boa parte das ações da nova equipe, o que faz bastante sentido, visto que Richard Branson tende a correr dos crescentes valores de investimentos exigidos pelo time dominante da F-1.
Inclusive, essa informação consta em um dos emails de Donelly, que por sinal viajou para a Arábia para se encontrar pessoalmente com um membro da família real: "Vou estar na Arábia Saudita, e estou ansioso por encontrá-lo na nossa reunião agendada com a Manor e a Virgin. Entretanto, se você quiser me encontrar antes em uma reunião privada no domingo, favor me avisar".
Tanto o representante da FIA, Donelly, quanto o dono da Manor, John Booth, negam a versão. David Richard, por sua vez, se mostrou decepcionado com o caso, já que a Prodrive foi a favorita que não faturou a vaga: "Nós nos baseamos no princípio de que todos os concorrentes estavam no mesmo nível, com os melhores projetos escolhidos. Perdemos muito tempo e dinheiro com isso", reclamou.
Definitivamente, a FIA tem sua conduta moral abalada depois desse episódio. A menos que tenha uma explicação correta e convincente para a misteriosa pergunta: afinal, que razão levou a entidade a incluir justo a Manor no trio de equipes que estreia no ano que vem?
Para a coisa esquentar de vez, só falta a Fota entrar na jogada para entender direitinho o que motivou a escolha da Manor. A equipe de fato merece estar na Fórmula 1, ou seria ela, quem sabe, uma espécie de futuro fantoche da FIA dentro da associação?
As perguntas podem render...

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Mais um concurso

Numa época em que os pilotos interagem cada vez mais com os fãs através dos seus sites pessoais ou de relacionamento, a pintura especial no quintal de casa é moda mais do que consolidada.
No GP da Alemanha, será a vez de Heidfeld mudar o desenho do casco. O piloto realizou um concurso pela internet, onde o húngaro Tamás Simon bateu os 9000 concorrentes e ganhou o apreço de Nick: ""Minha impressão imediata foi... 'uau!'", contou.
O piloto disse que seu designer pessoal e até seus amigos se impressionaram com a pintura, confirmando a clássica frase de que gosto não se discute.
Pessoalmente, não vi nada muito atraente no desenho, para dizer o mínimo. Seria mesmo interessante ver Heidfeld correndo novamente com seu velho e belo capacete azul; era um dos cascos mais bonitos do grid.
Mas como o designer Simon ganhou o gosto do alemão, será premiado com o direito de passear pelo paddock na sexta-feira, dia 10, e entregar sua obra-prima a Nick, instantes antes da primeira sessão de treinos livres.
Para concluir, o mais importante: o capacete será leiloado como forma de arrecadar fundos para a instituição de caridade alemã chamada "Wir helfen Kindern".

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Mudanças pneumáticas

A Bridgestone viu que estava se complicando com a regra dos pneus e preferiu disparar exceções para todos lados. Se já é uma artificialidade obrigar as equipes a usarem especificações diferentes durante as corridas, a FIA inventou artificialidade em dobro quando determinou que a fornecedora levasse tipos intercalados de pneus nos GPs de 2009.
Mônaco parecia ser a única prova com alvará para o uso dos adjacentes macios e supermacios. Ledo engano. Vem por aí o show dos fora da lei: Hungria, Valência, Spa e Monza.
Os competidores calçarão os mesmos compostos de Mônaco tanto no GP da Europa, quanto em Hungaroring, que são pistas que exigem a combinação mais macia possível.
A utilização do pneu supersoft no traçado belga fica fora de questão. Por outro lado, as baixas temperaturas eliminam a especificação mais dura. Com isso, médio e macio torna-se automaticamente o conjunto mais correto.
Na tradicional pista italiana, a opção macio-duro causaria uma discrepância drástica de desempenho, o que fez a Brid escolher a mesma combinação de Spa.
Resumindo:
Europa e Hungria – supermacio e macio
Bélgica e Itália – macio e médio
Quando algo é artificial demais, um dia será traído por sua própria natureza. Aí está.
Ah, antes que perguntem... Os demais circuitos seguem dançando conforme o regulamento, a exemplo de Nurburgring, onde serão vistos os supermacios e os médios.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Retirada providencial

A aposentadoria do Coulthard foi a grande mão na roda para a equipe Red Bull nessa virada de campeonato. Isso porque Sebastian Vettel merecia demais ser promovido, os energéticos não segurariam o alemão por mais tempo numa equipe pequena, ele era muito maior que a Toro Rosso, tão grande quanto os olhos que se voltavam para aquele talento capaz de vencer um GP em um time pequeno, fato que não ocorria desde 2003, com a Jordan em Interlagos.
A vaga da Red Bull abriu-se no momento certo, David Coulthard resolveu pendurar o capacete. A despedida evitou um duelo desnecessário entre Webber e o escocês para fazer companhia a Sebastian, que tinha de ascender ao time A imediatamente. Coulthard é mais piloto que Mark, mas a fase de fim de carreira chegava a ser catastrófica. Se tivesse tentado manter-se no cockpit, provavelmente perderia a briga, por maior que fosse o respeito da equipe por ele.
Em 2008, o australiano foi muito superior em todos os aspectos, com exceção do quesito crash test. David Coulthard virou um muro ambulante, o número de acidentes nos quais se envolveu superou a quantidade de corridas na temporada. Eu sei porque Ron Groo contou.
O vídeo não mostra exatamente todas as pancadas do ano, nem mesmo todas as batidas do britânico. Deve ser por causa do tempo da música de fundo que os youtubers colocam para piorar o vídeo. Mas o escocês participa de uma considerável parcela das lambanças. Justo ele, que sempre foi um piloto mais neutro e técnico, estava irreconhecível. Definitivamente era hora de abandonar as pistas.
Hoje, observando o desempenho da RBR, ele deixa escapar um certo arrependimento, como quem tanto plantou e deixou o negócio na época da colheita.
"Em um esporte de tanta pressão, você tem de ser capaz de se recuperar, voltar e entregar todas as horas. Questionei se ainda tinha energia para fazer isso. Porém, do jeito que as regras mudaram, é quase certo de que teria energia para disputar mais essa temporada", disse. "Mas sinto que a Red Bull tinha boas alternativas, e seria melhor reconhecer antes do que depois que era hora de sair", ponderou.
De fato, Coulthard teve um grande peso no trabalho de desenvolvimento desde que saiu da McLaren e se engajou no desafio da Red Bull. No entanto, considerando a remota possibilidade de ter batido Vettel ou Webber numa suposta briga pelo cockpit titular, seria difícil imaginá-lo fazendo um trabalho melhor que os pilotos da dupla atual.
Vettel segue despontando como estrela da Fórmula 1 e Webber vive seu melhor momento na categoria. Coulthard pode ter perdido a bocada, mas fez a escolha certa. Mais até pela equipe, agora em plena ascenção, do que para ele próprio.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

F1 Histórica cancelada

A duas semanas do evento, o público é frustrado com o cancelamento da corrida. Entre os GPs da Alemanha e da Hungria, teríamos um fim de semana diferente na telinha, por conta da Historic F1, que deixaria a Europa pela primeira vez e viria ao Brasil disputar uma etapa em Interlagos.
O site oficial alegou que a Globo não foi capaz de bancar a prova. Já a emissora disse que sua responsabilidade se restringia a transmitir a corrida, portanto não mantinha qualquer relação com o financiamento do evento. A explicação final sugere que os (desconhecidos) patrocinadores voltaram atrás devido a um reposicionamento de mercado, que lhe fizeram optar por abandonar os planos.
O valor dos ingressos será devolvido a todos, resta agora saber se o "esperamos a oportunidade de retornar no futuro" não passa de uma forma amistosa de se encerrar o comunicado, ou se de fato a organização da categoria pretende tentar uma reaproximação em 2010.
A presença da Historic F1 no Brasil poderia se tornar frequente a partir desse ano, mas a barrigada histórica das empresas deixou uma péssima primeira impressão. As equipes já haviam providenciado as passagens e os demais preparativos, no entanto foram tão surpreendidas quanto nós com o anúncio. Será indiscutivemente compreensível se se esquecerem de São Paulo e continuarem seu caminho pela Europa mesmo. Mas tomara que não. Tomara que, ainda assim, venham brincar de Fórmula 1 no ano vem.

Domingo, 28 de Junho de 2009

Começar de novo

A Ferrari entregou os pontos. Para o GP da Alemanha, os italianos carregam mais uma atualização do F60, mas, muito em breve, a equipe começa a se concentrar no projeto 2010, já que o título da temporada atual se tornou inalcançável.
Montezemolo contou que a proibição dos testes dificulta o trabalho de recuperação no campeonato, por isso a etapa de Nurburgring marcará o começo do desenvolvimento do novo bólido, uma vez que o regulamento do próximo Mundial vai se solidificando à medida em que a rixa entre Fota e FIA tende a terminar.
"Estou muito confiante a respeito da melhora do nosso carro na próxima corrida, e daí estaremos totalmente concentrados no carro do próximo ano, sem Kers, com regras claras, depois de um importante acordo que fizemos com a FIA nesta semana".
O presidente da Ferrari também voltou a reclamar do difusor, exemplo das regras nebulosas que pegaram de surpresa boa parte das equipes neste ano.
Se Luca deu a entender que o KERS será banido em 2010, só nos resta desejar que o extrator de dois andares tenha o mesmo destino. Afinal, o conceito do regulamento foi ferido a partir do instante em que se aprovou um dispositivo capaz de melhorar a eficiência aerodinâmica dos carros, enquanto se esperava que a carga fosse reduzida como um todo.
Quando se vira um regulamento de pernas para o ar, como ocorreu na transição 2008-2009, o risco de algo escapar dos planos é considerável; mas em 2010 a FIA tem que voltar a cravar suas regras. E que daí em diante, as mudanças enfim se tornem menos frequente do que neste período recente da Fórmula 1.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Suspiros da guerra encerrada

Dois rivais apertam as mãos e selam a paz reservadamente após um acordo produtivo para ambos os lados. Logo depois, uma das partes comenta o fato em tom de vitória, comemorando o resultado como se tivesse aplicado um golpe de ippon em seu oponente.
Os pulos de alegria da Fota pegaram mal. Falaram mais do que a realidade permitia, foram inconvenientes e infantis, provocando um pequeno surto de raiva de Max Mosley, que atacou de volta, inclusive ameaçando, nas estrelinhas, se manter na presidência por mais um tempo:
"Se você deseja que o acordo que fizemos tenha alguma chance de sobrevivência, você e a Fota precisam retificar suas ações imediatamente. Vocês precisam corrigir essas falsas informações que foram dadas e, depois, não dar declaração nenhuma. Você, em pessoa, precisa emitir uma correção e pedir desculpas na sua entrevista coletiva nesta tarde", escreveu a Montezemolo.
"Fiquei chocado ao ver que a Fota veiculou a informação de que o senhor Boeri (presidente do Automóvel Clube de Mônaco e do Senado da FIA) havia tomado conta da F-1, algo que você sabe que é completamente irreal, e que eu fora forçado a deixar meu cargo, outra falsidade. E, aparentemente, eu não teria nenhum papel na FIA até outubro, algo sem nenhum sentido até pelos estatutos da FIA".
Mosley não aceita sair como perdedor, e nem merece, afinal sua não reeleição é antes de mais nada uma decisão própria de quem já planejava deixar o cargo livre após mais de uma década na cadeira principal.
Max escreveu também à FIA alertando a entidade sobre o homem a ser escolhido para sucedê-lo: "Essa questão é uma matéria exclusiva de vocês, membros da FIA, e definitivamente não dos construtores de carros. Ter um presidente sob influência da Fota colocaria em risco todo o excelente trabalho de nossa organização e na promoção de melhores resultados ambientalistas e relativos à segurança da frota de veículos".
"Isso pode resultar em problemas a curto prazo na Fórmula 1. É possível que a Fota crie um campeonato independente. É direito deles, contanto que esteja sob o Código Esportivo Internacional. Mas o Mundial de F-1 continuará sendo organizado pela FIA como foi nos últimos 60 anos. O campeonato já teve momentos difíceis no passado e certamente terá no futuro, mas não há motivo para dar o controle a ninguém de fora da entidade".
A chance de racha que ele mensiona não é tão alta; se não aconteceu antes, não acontecerá mais. Tudo o que se faz necessário é a ascenção de um nome independente dos interesses da Fota na presidência da federação. A Fórmula 1 não precisa e nem deve ser dirigida pelas equipes. A FIA é a verdadeira gestora das regras da categoria.
Da mesma forma que as expectativas não eram boas com relação a um campeonato de monopostos organizado por escuderias, seria ruim ver a F-1 cair nos braços dos times que a disputam. A mudança esperada virá com a entrada de uma nova mentalidade, uma criatura que assuma o cargo de Mosley e ponha fim à pirotecnia de regrinhas bobas que surgem e desaparecem segundo a boa vontade do dirigente trapalhão.
Para realizar bons mandatos, o presidente subsequente terá de mostrar pulso firme para bater de frente com as exigências da Fota em algumas oportunidades, visto que ela é uma organização de forte peso político, criada a menos de um ano, mas que já fez e aconteceu nesse meio tempo de existência. O desafio do sucessor inclui a aceleração do corte de gastos para assegurar a viabilidade do esporte, evitando retiradas surpresa ao estilo da Honda. Além, claro, de buscar melhores mecanismos técnico-esportivos, após as aparentemente fracassadas modificações nos bólidos desse ano, que não renderam o incremento sensível de ultrapassagem que gostaríamos de presenciar.
O bate-boca Max-Luca ainda persiste, mas o acordo traçado tem tudo para ser seguido. O presidente X vem aí. No momento, o difícil é prever quem.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

F-1 a salva

Acabou. A novela de bastidores chegou ao fim com final feliz para a Fórmula 1, que seguira sendo disputada pelas equipes componentes da Fota, que desistiram de deixar a categoria. Mais do que isso: livre dos devaneios de Max Mosley, o presidente que enfim resolveu parar de disputar a reeleição da FIA.
Após a reunião, ele contou: "Haverá apenas um campeonato de F-1. Concordamos com uma redução de custos. O objetivo é, nos próximos dois anos, atingir os níveis de gastos do início dos anos 1990".
"Agora vamos ter paz", afirmou Max, dando fim à guerra e comunicando sua aposentadoria, tão sonhada por ele quanto por todos os demais.
A Fota conseguiu derrubar o teto. Logo sairá a lista oficial das escuderias do grid 2010. Uma Fórmula 1 com mais carros. Gente nova no comando da federação. A categoria promete gastar menos a cada ano, assegurando a permanência dos times que lá estão. A estabilidade política foi restabelecida. Em breve, um novo Pacto de Concórdia deve surgir.
Foi uma rixa feia, chata, cansativa, assustadora, desgatante. Mas o resultado não poderia ser mais positivo. Resta esperar o comunicado da Fota confirmando o encerramento dos conflitos e a ratificação dos acordos.
Ecclestone, Mosley e Montezemolo trabalharam bastante durante a madrugada para que a reunião no Conselho servisse apenas para firmar a pacificação na Fórmula 1. Pacificada está.

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Rádio OnBoard - Edição de Silverstone

No ar, a edição número 46 da Rádio OnBoard!
Fábio Campos e Ron Groo marcaram presença a meu lado para discutirmos nossa pauta do GP da Inglaterra.
Para quem assinava o feed antigo, vale lembrar que lançamos o novo feed oficial, mais confiável, mais completo, que receberá todas as novas edições sem exceção (ao contrário do feed anterior, que ficará incompleto, embora continue ativo). Assine o feed oficial clicando aqui.
*Disputas de pista em Silverstone
*A vitória de Vettel
*Fim de semana da Brawn
*Massa, de 11º para 4º
*Ferrari, a única a usar o KERS
*Os zerinhos do Lewis que a TV não mostrou
*A corrida de Piquet
*Williams passa McLaren no Mundial
*A estagnação gráfica da F-1
*Chance de resolução dos conflitos políticos
Estaremos de volta após duas semanas, antes do GP da Alemanha em Nurburgring. Até a próxima.