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sábado, 14 de janeiro de 2012

A Dinastia Gachot

A Fórmula-1 costuma ser cruel com quem ousa sair de seus domínios pela porta dos fundos. A categoria, cheia de melindres e meandros manhosos, não é de tolerar casos de escândalos, sejam públicos ou esportivos, e isso não vale apenas para pilotos. Cartolas como Max Mosley e Flávio Briatore também já foram vítimas da fúria moralista (e hipócrita, em muitos dos casos) desse ambiente tão particular. Pouquíssimos são os que conseguem conquistar o efeito teflon de Fernando Alonso e sair de uma acusação sem o menor vestígio de sujeira agarrado à sua imagem.

Para quem ainda não é uma estrela do esporte como o bicampeão espanhol as coisas não são tão fáceis, e quem anda comprovando essa tese é Adrian Sutil. O piloto alemão começou a ser julgado essa semana na Côrte de Munique pela confusão ainda muito mal esclarecida em que se meteu numa boate em Xangai depois do GP da China, em abril de 2011. Na ocasião, Sutil feriu como um copo o luxemburguês Eric Lux, um dos sócios da empresa que detém a propriedade da Lotus Renault. Lux teve um profundo corte no rosto e no pescoço que precisou ser costurado com 24 pontos.

[caption id="" align="aligncenter" width="320" caption="A pose sorridente de Sutil deve ser substituída por um tom mais compenetrado até o fim do julgamento"][/caption]

Em meio a pedidos de desculpa da parte de Sutil e da ameaça de processo por Lux, o piloto prosseguiu ao longo de 2011 na Force India, equipe pela qual disputa o mundial desde 2008. Dispensado no final do ano passado, Sutil era um dos nomes cotados para assumir um cockpit na Williams ao lado do venezuelano Pastor Maldonado, mas “coincidentemente” nessa semana em que seu julgamento teve início, pipocaram as notícias de que as negociações entre o time de Grove e Sutil esfriaram.

Quem sai da Fórmula-1 com acusações desse porte nas costas, a menos que seja uma estrela como o já citado Alonso, não costuma voltar, pelo menos não tão cedo. Se volta, dificilmente repete o brilho de antes.
Piquet e Gachot

Nas últimas duas décadas, dois pilotos exemplificaram essa máxima. Em 2008, Nelsinho Piquet, pressionado na Renault pela falta de resultados, aceitou fazer parte de um escabroso jogo de manipulação de resultado no GP de Cingapura para ter seu contrato renovado. O piloto brasileiro bateu de propósito em um dos muros do circuito para favorecer seu companheiro de equipe, que era ninguém menos do que Fernando Alonso. Um ano depois o escândalo estourou durante a transmissão do GP da Bélgica, quando Reginaldo Leme escancarou o esquema ao vivo na Tv Globo. Briatore foi afastado da qualquer atividade na categoria e Nelsinho saiu com a reputação imensamente em baixa indo para os Estados Unidos correr na Nascar. Alonso, ileso, sequer costuma ser questionado sobre o caso, afirmando que tudo foi armado à sua revelia.

Outro caso célebre, e bem mais parecido com o de Sutil, foi o do belga Bertrand Gachot. Em dezembro de 1990 ele se envolveu em uma briga de trânsito depois de colidir com um táxi em Londres, sacando um tubo de gás lacrimogêneo e disparando contra o rosto do taxista depois de trocarem uns sopapos. Gachot não sabia que o porte de gás lacrimogêneo era proibido na Inglaterra. O taxista brigão, de nome Eric (!) Court, resolveu entrar com um processo conta o então piloto da Jordan.

Em 1991, Gachot fazia uma boa temporada com a Jordan, chegando a terminar três corridas em posições pontuáveis. Em agosto, na altura de sua corrida doméstica, o belga foi a Londres ouvir sua sentença. Para incredulidade geral, o piloto foi condenado a seis meses de prisão. Às vésperas da corrida em Spa e com um cockpit vago, Eddie Jordan não resistiu à oferta de 300 mil dólares oferecidos pela Mercedes Benz para que um tal Michael Schumacher, jovem piloto formado pela montadora alemã, disputasse o GP da Bélgica em um de seus carros.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Revoltado com a prisão do piloto local, o público belga declarou sua insatisfação no asfalto de Spa: "Gachot, a Bélgica está com você. Você não é um hooligan"."][/caption]

A carreira de Gachot não acabou por causa de sua prisão na Inglaterra, mas jamais voltou a exibir o mesmo brilho de antes da prisão. Libertado do sistema penitenciário britânico, o belga conseguiu uma vaga na fraca equipe Venturi em 1992 e conquistou o único ponto da curta história do time no GP de Mônaco, quando terminou em sexto. No final do ano a Venturi desapareceu e Gachot novamente ficou sem emprego. Só voltou à Fórmula-1 em 1994, vagando sem muito objetivo nas pistas pela Pacific. Não conseguiu completar corridas nesse ano, seja por abandonos ou, na maioria dos casos, por nem conseguir se classificar. Encerrou sua carreira na Fórmula-1 em 1995, depois de completar duas corridas, nenhuma nos pontos.
Sutil na corda bamba

O fato de as negociações entre Sutil e a Williams terem esfriado justamente na semana em que começou o julgamento do piloto alemão já dá o tom de como pilotos envolvidos em escândalos não são bem recebidos pela Fórmula-1. Gachot jamais voltou a disputar corridas por uma equipe promissora depois de sua prisão. O futuro de Sutil ainda é incerto, até mesmo porque sua sentença ainda não saiu. Mas, mesmo se for condenado, ele pode voltar para a Fórmula-1 em função da condição particular que vive a categoria.

Experiência é um artigo que vale ouro nesses tempos de testes praticamente abolidos. Pilotos com qualquer período de prática em um F-1 estão com cotação em alta, perdendo apenas para pilotos pagantes no mercado de emprego das equipes, sobretudo no das pequenas. E Sutil, além de estar longe de ser um piloto ruim, disputou quatro temporadas na Force India, sendo três empurrado pelos motores Mercedes e uma com os propulsores da Ferrari, além de usufruir, nesse período, do corpo técnico de uma das equipes que mais progrediu no grid nos últimos anos. Com um currículo desses, não está descartada a possibilidade de ele voltar ao campeonato por uma equipe pequena em médio prazo.

Se Sutil será ou não o novo Gachot, ainda é cedo para dizer. A coincidência de nomes entre as vítimas das agressões em ambos os casos é marcante, mas as diferentes épocas em que os casos se deram podem dar ao alemão uma sobrevida mais feliz na Fórmula-1. Diferença maior do que essa é que a saída de Gachot abriu caminho para o surgimento de um piloto que remodelou a história da categoria. Já o afastamento de Sutil deve abrir espaço para um sobrinho de gênio com sobrenome famoso ou um veterano já velho de guerra das pistas.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

O caso envolvendo Adrian Sutil e Eric Lux

Este assunto não é algo esportivo, mas ocorreu com pessoas que percorrem nos paddocks da Fórmula 1 e circula em toda a imprensa especializada em automobilismo. O assunto da agressão de Adrian Sutil a Eric Lux transformou-se de boatos a uma ação judicial em que o diretor-presidente do grupo Genii pede uma indenização que beira os 10 milhões de euros.

[caption id="" align="aligncenter" width="580" caption="Adrian Sutil fez besteira e pode-se dizer sortudo se só tiver que pagar 10 milhões de euros"][/caption]

Alguns não sabem bem o que aconteceu, então é válido fazer um resumo sobre o assunto. Segue o texto narrando o acontecido e escrito por Tomás Motta do Blog Fórmula 1:
“Era a madrugada de 17-18 de abril em Shangai, logo depois do GP da China. A Renault alugou uma sala vip na famosa discoteca M1NT na capital chinesa para uma festa particular, onde funcionários, pilotos e mais integrantes faziam parte do selecionado.

Após iniciada a festa, chegam Sutil, Hamilton e um guarda-costas, que querem entram, mas recebem a resposta que não estão convidados. Começa uma discussão entre o responsável pela entrada dos convidados pois ambos queriam ingressar, quando chega Eric Lux e lhes-diz que a sala já estava ocupada, no que podiam ir para outra.

Sutil, já bastante afetado pelo álcool, faz um corte bastante profundo no pescoço de Lux com um pedaço de copo quebrado, que chega a afetar seu ouvido. Eric terminou com 20 pontos na área ferida, sendo que o incidente poderia ter terminado de uma maneira muito pior. Nisso, Lewis, sem se intrometer na briga, chama o segurança.

Enquanto Lux é levado ao hospital, o guarda-costas retira rapidamente Adrian e Lewis do local, sendo que Sutil é colocado em um avião para logo sair do país, enquanto Lewis teria defendido o amigo. Pelo visto, Alonso também estava nessa mesma discoteca.”

A minha opinião é que Sutil, por estar embriagado, já pode ser considerado culpado por estar nessas condições em um lugar público. Pode parecer um moralismo exagerado, mas pessoas nessas situações acabam fazendo exatamente o que o piloto alemão fez. Por uma coisa banal, diríamos, ele poderia ter matado o executivo e estar em lençóis bem piores agora.

Imagino que exista mais informações sobre o ocorrido que ainda não sabemos, mas se foi mais ou menos isso o que ocorreu não hesito em tomar o lado de Eric, mesmo que esse também tenha insultado ou começado a briga como alguns sugerem. Vale aquele ditado: “Quando um não quer dois não brigam”.

A questão é que acontecimentos como este mancham a carreira de um piloto que corre em uma categoria de altíssimo nível como a Fórmula 1. E estar Lewis Hamilton, que já provou ser irresponsável ao volante, ao seu lado nesse episódio me pressiona ainda mais a pensar que Sutil é o grande culpado nessa história toda.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Reajustando o resultado oficial do GP de Cingapura



FELIPE MACIEL


Viram as duas incríveis ultrapassagens de Felipe Massa em Cingapura? O brasileiro executou uma passada dupla sobre Sutil e Hulkenberg, colocando 20s de vantagem em cada um deles.

Pena que a corrida já havia acabado quando tal feito aconteceu.



Tenho de destacar este intrigante comportamento da FIA, distribuindo canetada como se pouco importasse o resultado final. No desenrolar da corrida nós vimos alguns lances pendentes de investigação, porém nenhum terminou em penalty. Justo uns incidentes em que eles não sentiram a menor vontade de investigar, acabaram sendo motivo de alteração de resultado, e o pior, após a bandeirada.

O mundo inteiro viu Adrian Sutil cortando a curva por fora na primeira volta, o que significa que os comissários tiveram uma eternidade para tomar uma atitude mas preferiram tratar como uma disputa normal que sequer merecia ser analisada no decorrer da prova. Ao final da corrida, porém, trataram de puxar o tapete do alemão inexplicavelmente.

Num ato cagueta da Force India, a equipe ameaça apelar da decisão caso a FIA não puna Nico Hulkenberg por um suposto corte de curva num dado instante deste GP. E a federação se livra do inconveniente jogando o piloto da Williams na lama do mesmo jeito.

Para início de conversa, ninguém deveria ser punido; muito menos no tapetão. Para completar, eu fico aqui imaginando uma situação hipotética parecida, apesar de risível, em que a Force India iria até a FIA pedir para que a Ferrari fosse punida porque Felipe Massa havia cortado uma curvinha em um momento qualquer...

Se não for só impressão minha, esse pós-GP de Cingapura foi um espetáculo de futilidade. Parece que tem criancinhas tomando decisões desnecessárias pela FIA. Essa entidade definitivamente não parece ser séria.

Na configuração final, Massa foi 8°, Sutil 9° e Hulkenberg 10°. É tudo.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Foto do dia



FÁBIO ANDRADE


Sexta-feira corrida para este que vos bloga. Deixo os caros leitores com a notícia mais importante do dia, que não é nem a "dobradinha" da Red Bull nos treinos livres nem o muito suspeito desarranjo intestinal do Yamamoto.


Que a Force India é uma equipe que promete decolar há muito tempo, não é novidade. O ensaio foi feito por Fisichella em 2008. Hoje, em Cingapura, Adrian Sutil finalmente decolou com o carro da equipe, de nariz empinado como só um jato comercial pode fazer e como um Fórmula-1 não faz: (clique aqui para ver em tamanho maior)





Próxima parada: muro.

sábado, 7 de agosto de 2010

Adrian Sutil tenta abandonar equipe Force India



FELIPE MACIEL

Já passou da hora. Desde sua estreia na Spyker ele não consegue romper o cordão que o liga à escuderia. Para 2011, mais uma nova tentativa de subir de nível está sendo posta em prática, como conta o próprio piloto.

Estou feliz na Force India, mas quero progredir. Marcar pontos regularmente era meu objetivo nesta temporada, mas no ano que vem eu quero melhorar ainda mais, seja aqui ou em algum outro lugar.

Os melhores times já estão praticamente fechados, então é difícil encontrar um lugar melhor que aqui. É uma decisão difícil de tomar agora, e se você for assinar por três anos, por exemplo, e não está confiante que o time é melhor, então não deve fazê-lo.

Adrian Sutil





As esperanças do alemão provavelmente contrastam com as de Vitaly Petrov. Se as 4 melhores equipes já definiram seus pilotos para o ano que vem, a única equipe superior ao patamar da Force India é a Renault de Robert Kubica. Cá entre nós, Sutil e Kubica formariam uma dupla interessante, não?

Completando a especulação de um novo cenário, também não seria nada mal se Bruno Senna adquirisse cockpit titular na Force India, equipe onde havia sido sondado em momentos anteriores.

A propósito, essas férias da F-1 prometem ser, além de longas, monótonas. Nem a boataria de imprensa será como antes, já que as principais vagas foram confirmadas. Basicamente, resta confirmar uma na Renault, outra na Sauber, mais as duplas de Force India e Hispania. Me arrisco a dizer que o resto não sofre consideráveis ameaças de mudança.