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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Os confirmados para 2012

A FIA divulgou a lista dos pilotos e equipes que já estão confirmados para a temporada 2012 da Fórmula 1. De equipes, como todos nós já sabemos, nada de novo. As 12 escuderias que compuseram o grid em 2010 e 2011 permanecerão para o próximo ano - quem diria que a Hispania conseguiria sobreviver esse tempo todo. Já a lista de pilotos mostra que podemos ter algumas surpresas na definição de quem ocupará os cockpits vagos, que somam nove.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Nove são as vagas ainda não confirmadas segundo a FIA"][/caption]

As escuderias de ponta, como já sabido, tem seus pilotos confirmados para o próximo ano. A Red Bull, atual bicampeã, vai de Sebastian Vettel e Mark Webber, dois pilotos que são o suficiente para tentar manter os austríacos no topo. A McLaren mantém Jenson Button e Lewis Hamilton e deve permanecer com essa dupla por um bom tempo. A meu ver, é a melhor dupla do grid. A Ferrari terá Fernando Alonso para o ano que vem ao lado do indigesto Felipe Massa. Indigesto porque o brasileiro está longe de trazer os resultados que a Ferrari espera. Se 2012 não for diferente, em 2013 ele não estará mais em Maranello. A Mercedes também permanece com a mesma dupla de pilotos: Nico Rosberg e Michael Schumacher, que ainda aguardam por um carro que os leve às vitórias.

Das escuderias médias até as menores são poucas as definições. A Lotus-Renault confirmou recentemente a contratação de Kimi Raikkonen, que já figura na lista da FIA. Já a outra vaga segue em aberto com uma briga acirrada entre Bruno Senna, Romain Grosjean e Vitaly Petrov.

Na Force India, as duas vagas continuam em aberto.cialis online Porém, somente 3 pilotos lutam por elas e dificilmente a dupla Paul Di Resta-Nico Hulkenberg não serão titulares em 2012. Para Adrian Sutil resta negociar com uma outra equipe, a Williams talvez.

A escuderia de Frank Williams também tem seus dois cockpits indefinidos. E estão na briga Pastor Maldonado, Rubens Barrichello, Adrian Sutil, Van der Garde e Valeri Bottas. A situação de Pastor Maldonado pode definir as coisas para a Williams, visto que o contrato de patrocínio com a petrolífera PDVSA pode ser rasgado e o time ficar sem dinheiro para o próximo ano. Desse modo, o venezuelano muito provavelmente seria dispensado e um piloto com bolso cheio ocuparia seu lugar. Se Maldonado se confirmar como titular junto com o caminhão de dinheiro do petróleo venezuelano, a outra vaga deve exigir menos dos patrocínios dos candidatos e premiar um Barrichello ou Sutil. É esperar para ver.

Enquanto a Sauber já está com seus dois pilotos, Kamui Kobayashi e Sergio Pérez, confirmados para o ano o ano que vem, a Toro Rosso segue com suas vagas em aberto e, se nenhuma surpresa pintar, ela deve escolher entre Jaime Alguersuari (o mais favorito a uma das vagas), Sebastien Buemi (o mais favorito a deixar a equipe) e Daniel Ricciardo, que também pode pintar em outra escuderia. Se alguém de diferente for confirmado na equipe, será uma daquelas surpresas que só a F1 reserva.

A Marussia já garantiu Timo Glock e Charles Pic no lugar de Jérome D’Ambrosio para a temporada 2012. Tecnicamente não muda nada, já que Pic não possui resultados expressivos de onde veio e só participará da F-1 ano que vem por conta de seu dinheiro francês, isso é claro.

A Caterham confirmou no carro número 20 Heikki Kovalainen, que desde sempre na equipe de Tony Fernandes vem deixando Jarno Trulli para trás. O italiano será piloto do carro 21.

Por fim, a Hispania também é outra com as duas vagas indefinidas. Indefinidas em termos, é verdade. A lista da FIA soou estranho quanto a isso, já que os espanhóis anunciaram Pedro De La Rosa como piloto para 2012. De qualquer forma, ele deve assumir um dos carros e aguardar a definição de seu companheiro que deve trazer também uma boa quantidade em dinheiro para a sobrevivência da equipe.

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

FIA libera jogo de equipe a partir de 2011



FELIPE MACIEL



Acabou a hipocrisia. O que sempre foi permitido na prática deixou de ser proibido na teoria.

A FIA acaba de confirmar a remoção do item do regulamento que bania as ordens de equipe, conforme esperado desde o desfecho da polêmica do GP da Alemanha. Os próprios leitores do Blog F-1 votaram e indicaram essa medida como a mais adequada, e assim acabou sendo feito.

Não existe nada melhor do que deixar uma regra bem esclarecida. O meio-termo era simplesmente impraticável; não se pode olhar para a estação do ano para decidir se uma atitude é permitida ou ilegal. E proibir algo realmente difícil de controlar exigia um nível de otimismo acima da média para se dar a esse trabalho.



Essa liberação, no entanto, não significa que as ordens de equipe se tornarão mais freqüentes, afinal de conta elas não são um privilégio da F-1 contemporânea, sem falar que a decadente regrinha não punha medo em ninguém. Quando feita, continuará se dando na segunda metade do campeonato, quando o cenário da briga pelo título for mais esclarecedor para as próprias equipes.

A federação fez questão de ressalvar que ações que causem má reputação ao esporte podem ser tratadas pelo famigerado artigo 151c do Código Esportivo. Chega a ser uma declaração potencialmente risível, porque se ela jamais chegou a punir a troca de posições durante os anos em que as duas regras estavam em vigor, não será agora, com uma regra a menos, que passará a atuar com mais rigidez.

O mais interessante de todo o anúnciou, porém, vem a seguir: A FIA afirmou que todas as conversas de rádio das corridas serão disponibilizadas na íntegra para a imprensa a partir de 2012. Nesse processo de abertura e transparência dos bastidores da F-1, quem ganha é o torcedor.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Enquete F-1: Ordens de equipe



FELIPE MACIEL



A última enquete do ano indagou: Qual a postura da FIA você gostaria que fosse adotada em relação às ordens de equipe na Fórmula 1?

No total de 144 cliques, tivemos a seguinte relação de votos:

Libera! Sempre existiram e sempre existirão - 43,06%

Proíbe, mas libera no final da temporada - 36,11%

Proíbe! Para todas as circunstâncias imagináveis - 20,83%


Confesso estar surpreso com o resultado apontado pela maioria, principalmente por conta de tanta reclamação direcionada à equipe Ferrari neste ano.

Embora eu concorde com a liberação do jogo de equipe, imaginava que os espectadores ainda pensassem em sustentar o veto às ordens de pitwall. Como não necessariamente é o caso, talvez a federação seja compreendida no geral caso anule a regra para o ano que vem, mesmo após um ano marcado pela volta da velha polêmica.




A regra - pra inglês vê - que visa controlar o incontrolável nunca impediu qualquer manipulação em todos os anos de sua existência. De fato, a FIA e os fãs da F-1 não são ninguém para dizer como cada escuderia deve se portar. Para isso existem chefes, diretores, gerentes...

Muitas críticas recaíram sobre a RBR por não inverter Webber e Vettel no GP do Brasil de 2010, atitude que no fim foi fundamental para a conquista do título do piloto alemão. Do contrário, o time entregaria a Fernando Alonso o título mundial.

Por essas e outras é absurdo subestimar e subjugar as cabeças que controlam as equipes; aqueles caras sabem o que fazem. Cada que está de fora pode acreditar ingenuamente possuir discernimento para escolher o momento certo de executar ou evitar o jogo de equipe, mas se isso fosse verdadeiro, em vez de estarem assistindo às corridas estariam sentados no banco do diretor esportivo de algum time da F-1.

Goste ou não, de novo, aqueles caras sabem o que fazem. Eles conhecem o ambiente interno, a filosofia, a política de trabalho de sua escuderia, e estão cientes sobre até onde vão seus valores. Como provável esporte mais complexo do mundo, a F-1 não é somente um confronto entre pilotos, ou entre máquinas. Dentre tantas variáveis, há também o acirramento entre diferentes métodos de comando. Se em 2007 venceu o time mais integrado e menos conflituoso, em 2010 foi o inverso, ganhando quem não controla o jogo e opta por correr mais riscos.



A Ferrari, por exemplo, permite a igualdade por meia temporada, deixando para a segunda metade do ano a decisão de quem fica com os privilégios. A Red Bull prefere liberar o duelo ao longo do campeonato, assim como a McLaren. Se a Renault brigasse pelo título, provavelmente encheria Robert Kubica de paparicos e gostaria, no mínimo, que o segundo piloto não atrapalhasse desde o princípio.

Em meio a essa diversidade de métodos, não existe o jeito certo nem o jeito errado. Para o dirigente, o certo é agir conforme a cultura da equipe; o errado seria traí-la. E isso estará sempre à frente de qualquer regrinha que a FIA redigiu para levar alguns a acreditarem que equipes perderão o direito de fazer seus pilotos a agirem como se fossem da mesma equipe.

Não há nada de errado em liberar (o que nunca deixou de ser livre). Proibir é que é estressante. E como é...

sábado, 2 de outubro de 2010

Assim não teremos GP da Coreia...



FELIPE MACIEL


Em tese o calendário abriga 19 corridas. Sendo que daqui a 20 dias a Fórmula 1 deverá estar em território coreano para inaugurar mais um tilkódromo.

O problema é que nem o magnata Bernie Ecclestone para disposto a apostar um mísero centavo de que as obras darão conta do serviço a tempo.

Para completar o problema dos tão anunciados atrasos, ainda trataram de inventar uma bela lambança na última quarta-feira: o guindaste atingiu uma das principais arquibancadas causando consideráveis danos à estrutura.

Fico imaginando o que se passou na cabeça dos responsáveis ao ver esse acidente. Parece que tudo conspira contra o projeto que já deveria ter sido entregue há bastante tempo. A inspeção da FIA, por exemplo, estava programada para setembro, no entanto precisou ser adiada para o dia 11 de outubro.

A empresa KAVO continua garantindo que tudo será resolvido a tempo. A minha dúvida não é bem essa: prefiro perguntar se a FOM consegue transferir a prova para algumas semanas após o planejado. O meu otimismo para a data de 24 de outubro está se esgotando...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Reajustando o resultado oficial do GP de Cingapura



FELIPE MACIEL


Viram as duas incríveis ultrapassagens de Felipe Massa em Cingapura? O brasileiro executou uma passada dupla sobre Sutil e Hulkenberg, colocando 20s de vantagem em cada um deles.

Pena que a corrida já havia acabado quando tal feito aconteceu.



Tenho de destacar este intrigante comportamento da FIA, distribuindo canetada como se pouco importasse o resultado final. No desenrolar da corrida nós vimos alguns lances pendentes de investigação, porém nenhum terminou em penalty. Justo uns incidentes em que eles não sentiram a menor vontade de investigar, acabaram sendo motivo de alteração de resultado, e o pior, após a bandeirada.

O mundo inteiro viu Adrian Sutil cortando a curva por fora na primeira volta, o que significa que os comissários tiveram uma eternidade para tomar uma atitude mas preferiram tratar como uma disputa normal que sequer merecia ser analisada no decorrer da prova. Ao final da corrida, porém, trataram de puxar o tapete do alemão inexplicavelmente.

Num ato cagueta da Force India, a equipe ameaça apelar da decisão caso a FIA não puna Nico Hulkenberg por um suposto corte de curva num dado instante deste GP. E a federação se livra do inconveniente jogando o piloto da Williams na lama do mesmo jeito.

Para início de conversa, ninguém deveria ser punido; muito menos no tapetão. Para completar, eu fico aqui imaginando uma situação hipotética parecida, apesar de risível, em que a Force India iria até a FIA pedir para que a Ferrari fosse punida porque Felipe Massa havia cortado uma curvinha em um momento qualquer...

Se não for só impressão minha, esse pós-GP de Cingapura foi um espetáculo de futilidade. Parece que tem criancinhas tomando decisões desnecessárias pela FIA. Essa entidade definitivamente não parece ser séria.

Na configuração final, Massa foi 8°, Sutil 9° e Hulkenberg 10°. É tudo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ferrari sai ilesa do julgamento em Paris; mundial 2011 terá 20 corridas



FÁBIO ANDRADE


Depois de realizar uma flagrante troca de equipe entre Felipe Massa e Fernando Alonso no GP da Alemanha em julho, a Ferrari foi multada em módicos 100 mil dólares. A quantia é menor do que o valor de qualquer uma das máquinas fabricadas pela montadora. Cem mil dólares para uma empresa do tamanho da Ferrari está longe de ser um valor difícil de ser quitado. Ficou no ar, naquele 25 de julho, a impressão de que a real punição à equipe italiana e a seus pilotos viria no julgamento de hoje, no Conselho Mundial da FIA, em Paris. E de Paris, a Ferrari saiu há pouco, ilesa, sem nenhuma punição de verdade após desrespeitar frontalmente o regulamento esportivo da Fórmula-1.




[caption id="" align="aligncenter" width="494" caption="Fernando Alonso e Felipe Massa"]Fernando Alonso e Felipe Massa[/caption]

Não dá para dizer que a absolvição da Ferrari é uma surpresa, afinal, a politicagem corre solta dentro dos porões da Federação Internacional do Automóvel. Como também não dá pra dizer que é o resultado com o qual todos sonhávamos. O que aconteceu há um mês e meio em Hockenheim foi a morte da F-1 como uma competição de pilotos, ainda que os detentores dos direitos comerciais da categoria continuem lucrando muito ao enganar os (tel) espectadores convencendo-os do contrário.


No fim quem sai prejudicada é a imagem da F-1 enquanto "esporte". A F-1 que ainda não se abriu à internet, que está cagando para o que pensa o público, como se fosse a dona do monopólio das corridas de automóvel nesse mundo. Uma categoria de projeção mundial que ainda funciona como um velho negócio do interiorzão do Brasil onde o que importa é não incomodar os coronéis e prestar-lhes uns favores de vez em quando.




Temporada 2011

Diante da absolvição da Ferrari o resto das sentenças emitidas na Place de la Concorde vira apenas resto, mas é digno de nota. O pré-calendário da temporada 2011 já existe, e nele constam inéditas 20 etapas. O GP do Brasil volta a encerrar o mundial, no fim de novembro, e a F-1 passa a visitar mais um país, a Índia. O gp indiano será o antepenúltimo da temporada do ano que vem.


Pré-Calendário - Temporada 2011:


FIA veta entrada de 13ª equipe no grid de 2011



FELIPE MACIEL


Se a federação tivesse usado esse mesmo rigor anteriormente, nunca teríamos ouvido falar de Hispania, Virgin, Lotus, ou mesmo as USF1 e Prodrive da vida...

Até mesmo a respeitosa Epsilon Euskadi rodou na escolha da FIA. Cá entre nós, pior que a Hispania não seria. Na falta de quem atendesse seguramente às exigências técnicas e financeiras, Jean Todt mandou deixar tudo do jeito em que está.



Apesar da eleição causar uma boa apreensão para rechear um pouco mais o grid da F-1, a decisão de cancelar uma nova entrada se revela madura e acertada. Tem muita escuderia da atualidade sofrendo de questões financeiras, e isso não ocorre somente no fim do pelotão. A realidade está sendo bem abafada, mas a verdade é que até mesmo times como Renault e Force India nadam contra a maré de custos para manter a pose na categoria.

Esse tal oferecimento de vaga a uma 13ª equipe é algo totalmente fora de hora. A abertura se deu num período de instabilidade política, quando Max Mosley decidiu enlouquecer as regras para abrigar times incipientes obrigando todos a reduzirem gastos de maneira drástica. A crise política passou quando Mosley se foi, mas a fragilidade financeira perdura silenciosamente: a F-1 sente, mas não comenta sobre ela.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Rubens Barrichello fará seu 300° GP em Spa. Ou não!



FELIPE MACIEL



Quem diria que um dia alguém completaria 300 GPs na Fórmula 1? Pois é, o recorde de longevidade é do Rubinho e ninguém tasca.

A única ressalva que precisamos fazer é citar a discordância entre a contagem do piloto e os registros oficiais da FIA.



Isso se deve por conta das 3 corridas identificados abaixo. A primeira foi o memorável Spa-98, que exigiu uma segunda; Rubens participou somente da catastrófica primeira.

As outras provas ocorreram em 2002. Em Barcelona, problemas elétricos impediram Barrichello de sair para a volta de apresentação. Na França ocorreu uma versão piorada, com cara de cena pastelão.

Barrichello considera essas não-largadas como GPs disputados, a FIA não. Mas enfim, se é dele o recorde, ele comemora quando quiser.

GP da Bélgica de 1998



GP da Espanha de 2002



GP da França de 2002


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Asa flexível é o aparato do momento



FELIPE MACIEL



A Fórmula 1 vê florescer o terceiro intrigante arranjo técnico deste ano. O duto F inventado pela McLaren foi o primeiro, gerando uma pequena polêmica de início, que ganhou proporções ainda maiores quando a Ferrari instalou seu sistema de forma a exigir a tirada de mão do volante de seus pilotos. Outras equipes vieram no rastro depois.

O escapamento associado ao difusor foi o segundo grande ícone técnico da temporada, inaugurado pela Red Bull e já devidamente copiado pelas rivais. Quanto ao terceiro, em voga neste momento, é nada mais nada menos que a asa viva formulada pela mesma escuderia energética.



O vídeo mostra bem seu funcionamento. Tome o pneu como referencial e observe o movimento do aerofólio.

De alguma forma, a asa dianteira se enverga de maneira a baixar a altura dos endplates, esboçando um U de cabeça para baixo se visto de frente. À medida em que o carro acelera na reta, as laterais do aerofólio descem cerca de 25 milímetros, rendendo alguns décimos de vantagem. Na freada, evidentemente, a asa retoma sua horizontalidade.

O mecanismo é extremamente curioso, a ponto de o engenheiro da McLaren, Paddy Lowe, reconhecer que precisará trabalhar bastante para criar sua versão, visto que ele não faz ideia de como o bicho funciona.

A Ferrari foi rápida no gatilho e estreou o seu no GP da Alemanha, colocando ainda mais pressão sobre a McLaren com relação às suas duas grandes adversárias. As análises da FIA não constataram qualquer irregularidade, portanto se ela deseja impedir a continuidade da asa flexível, uma boa solução será tapar a brecha no regulamento do ano que vem.

E por mais que existam regras restringindo a liberdade dos projetistas, a criatividade dos engenheiros segue pegando todos de surpresa. Assim que é bom.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Especulando as possibilidades de punição para a Ferrari



FELIPE MACIEL



Iniciemos este post com o super-carcamano da Fórmula 1, aquele que possui pós-doutorado no assunto enquanto o Domenicali ainda está estudando para o vestibular. Flavio Briatore achou lindo ver a Ferrari favorecendo Alonso. Disse que faz todo sentido o time apostar em quem tem mais pontos no campeonato, afirmou que a regra que proíbe o jogo de equipe é absurda e se posicionou totalmente favorável ao jogo. Até aí não disse nada que não esperássemos. A frase forte ficou por conta de seu otimismo quanto ao posicionamento do Conselho.
O presidente do Conselho Mundial é Jean Todt, que comandava a Ferrari quando na Áustria, em 2002, ele ordenou que Barrichello deixasse Schumacher passar na bandeira quadriculada. Então acho que todos podemos relaxar.

Flavio Briatore



Ok, muita gente já deve ter pensado o mesmo. Mas vamos nos lembrar do Spygate que dominou a temporada de 2007, quando o então presidente da FIA Max Mosley fez campanha para eliminar a McLaren da F-1, pelo menos até o final do ano seguinte, 2008. Por um instante, o mundo acreditou que fosse possível, assim que a Autosport publicou a notícia de que tradicional escuderia havia sido banida do esporte, informação esta que rapidamente se espalhou por diversos órgãos de imprensa, deixando todos de queixos caídos. Hoje podemos rir desta big-barrigada da mídia, que foi retirada do ar poucos segundos depois da equivocada publicação.



Voltando à questão principal, o fato é que o presidente da FIA, apesar de toda sua rivalidade contra Ron Dennis e desejo de se livrar de sua figura, não foi capaz de provocar a exclusão da equipe. Isso porque não cabe ao presidente da FIA definir o resultado de julgamento no Conselho. Cabe ao Conselho, ora.

Mais do que isso, a participação do Bernie Ecclestone também sempre deve ser levada em conta. E o chefão da F-1, naquele episódio, se colocava contrário à opinião de Mosley, zelando por uma sanção amena à Woking. O final da história todos conhecem: o time foi desclassificados do Mundial de Construtores.

Quanto ao caso da Ferrari em Hockenheim, a situação parece muito mais tranquila para a equipe se considerarmos o que se passa na cabeça dos presidentes da FIA e da FOM. Jean Todt dispensa comentários, seu sucessor na Ferrari se mostrou um verdadeiro discípulo do francês. Já a opinião do Bernie Ecclestone é esta:
Confesso que concordo com qualquer pessoa que defender o banimento das regras de ordens de time. Fazemos as pessoas chamarem isso de equipe. Ambos os carros devem ser os mesmos. Os pilotos vestem as mesmas roupas. Todos parecem um time, uma equipe que está correndo.

Acredito no que os dirigentes fazem quando estão na equipe e o modo com que conduzem seus times é problema deles. É claro que, se fizerem algo perigoso, então estarão com problemas. Do contrário, eles que se entendam.

Bernie Ecclestone



Em outras palavras, para ele ninguém tem que meter o bedelho na equipe dos outros. O que nos leva a um quadro interessante, onde os dirigentes dos órgãos comercial e regulamentador mantêm um raciocínio em comum.

Seguindo certa lógica (ainda que questionável), a punição à Ferrari deve ser menos rigorosa que aquela aplicada à McLaren - o que já era esperado independente da opinião deles. Por isso duvido que cassem os pontos do campeonato. Talvez apliquem uma multa maior que a esmola de 100 mil dólares determinada pelos comissários. No pior das hipóteses (ou "melhor", depende do seu ponto de vista), ocorreria a desclassificação dos dois carros do GP.

Uma opção a se pensar seria apontar uma punição esportiva qualquer mas ressalvar que ela só será sobrada caso a escuderia volte a cometer um ato semelhante num intervalo de tempo de 1 ano - medida análoga àquela adotada pelo Conselho Mundial no episódio da mentira da McLaren em 2009.

Ou então nem precisa fazer audiência alguma. Chama os italianos para se reunirem naquela mesa gigante e bonita do Conselho, liga para a pizzaria, faz o pedido, bate um papo durante umas cinco horas e depois manda avisar aos jornalistas que ninguém foi punido.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Enquete F-1: Race Control



FELIPE MACIEL


Nas últimas semanas, o Blog F-1 deixou a seguinte questão no ar: Como você avalia o Race Control nesta temporada?

Após 90 pitacos, fechamos uma enquete apertada:

Pode melhorar! Dá para reduzir ainda mais o número de sanções - 32,2%

Péssimo! Punem quando não se deve e absolvem quem merece punição - 28,9%

Excelente! Finalmente a FIA está punindo na medida certa - 21,1%

Pode melhorar! Estão deixando de aplicar punições equivocadamente - 17,8%




Curioso que a opção "excelente" abria vantagem no começo mas então pintaram GPs controversos, como a etapa de Valência, provocando certa perda de credibilidade na equipe de comissários da FIA.

No Canadá também presenciamos um episódio estranho, onde se perdeu a conta de quantas punições foram aplicadas, muito embora todas fossem compreensíveis. Mas tomo esses casos como exceções à regra. A FIA reformulou sua conduta neste ano, buscando minimizar as sanções, evitando adiar decisões para momentos posteriores à bandeirada e usando a experiência de grandes pilotos como auxílio ao trio de oficiais.

Estão no caminho certo, acertando na maioria das vezes. É a melhor conduta da FIA em corridas que vejo em muitos anos. De minha parte, tenho pouco a reclamar.

E de sua parte, há uma nova enquete no ar. Clica lá e opine! Dentro de poucas semanas voltamos com o resultado...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ferrari foi avisada sobre devolução de posição



FÁBIO ANDRADE



Repercutiu nessa terça a revelação do diretor de prova Charlie Whiting de que a Ferrari foi alertada sobre irregularidades na manobra de Fernando Alonso sobre Robert Kubica por três vezes durante o GP da Grã-Bretanha. Segundo Whiting, a direção de prova comunicou aos boxes italianos que Alonso deveria devolver a posição que, aos olhos dos comissários, foi conquistada de maneira irregular.



Whiting tentou isentar-se de culpa no fracasso da corrida do espanhol, que terminou a prova em 14º. Segundo ele a reclamação de que a punição demorou muito a ser expedida não procede: "avisamos sobre a necessidade de devolução de posição imediatamente após a ultrapassagem".

O problema veio a seguir. A Ferrari não acatou a sugestão dos comissários e Alonso não devolveu a posição ao polonês. Na altura do terceiro aviso feito pela direção de prova o time italiano alegou que o bicampeão já estava muito a frente de Kubica, o que tornaria inviável a devolução da posição. Pouco depois o polaco abandou a corrida por problemas em seu Renault.

A despeito de tudo isso há uma incômoda situação ocorrendo na Fórmula-1. Há pelo menos duas corridas não são os pilotos que decidem em que posição irão terminar a prova, e sim agente externos que apenas deveriam aparecer em casos excepecionais. O posicionamento dos carros anda sendo acaloradamente discutido via diálogos extensos entre equipes e comissários. Esse tipo de interferência não é recente, se intensificou há alguns anos, mas no início da atual temporada dava sinais de ter sido abrandado. Os recentes acontecimentos de Valência e Silverstone mostram que ainda cabem argumentos na discussão sobre como a FIA se enxerga enquanto entidade reguladora da Fórmula-1 e sobre como ela de fato atua por meio de seu braço mais ativo, a direção de prova.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Vem aí a Fórmula 1 verde



FELIPE MACIEL



Mais uma vez a Fórmula 1 sinalizou suas intenções de desenvolver tecnologias limpas. Por enquanto fica só no gogó mas é uma questão de tempo para que as novidades sejam implementadas. Principalmente agora em que FIA e Fota apontam as metas em conjunto, com data marcada.

O mais recente preview com cara de propaganda partiu das equipes. No comunicado, comenta-se que a categoria finalmente voltará a lançar produtos que ganharão as ruas de todo o mundo dentro dos próximos 3 anos. Motores turbo, injeção eletrônica, freios ABS, controle de tração, suspensão ativa e muitos outros recursos despertaram evoluções nos carros de passeio graças à F-1. Agora chegou a vez da sustentabilidade ditar os lançamentos da categoria, que se tornará tão verde quanto se espera.

F1 Verde

O grande carro chefe das mudanças será o KERS. Há alguns meses se comentou que futuramente o sistema será usado durante a passagem pelo pit lane, substituindo o trabalho do motor. Neste caso, sim, o dispositivo estará exercendo sua função amiga do ambiente, coerente com a proposta de estímulo às montadoras para fabricação de carros híbridos. Muito melhor do que a pura instalação daquela nulidade conhecida como push-to-pass, a exemplo do que (poucos) fizeram em 2009.

O presidente da Fota, Martin Whitmarsh, também destacou os planos de reduzir em 12% a emissão de dióxido de carbono até 2012. Mas somente em 2013 teremos a combinação de tecnologias desejadas, que incluem os novos motores aliados ao sistema de transmissão que formarão a base para o desenvolvimento contínuo de tecnologias que melhorem a eficiência do consumo de combustível.

O escopo já foi descrito, resta esperar que se cumpram as diretrizes traçadas pelas próprias escuderias. As mudanças estipuladas para o médio prazo conferem o tempo necessário para que as ideias tomem forma. E o melhor: desta vez, FIA e Fota trabalham em total concordância e aprovação. Esta é a tranquilidade que se precisa para se desempenhar um projeto sério e conciso para o futuro; sem aquele clima de guerra e troca de farpas como vimos no final da era Mosley. Para se desenvolver o que se quer, tem que gastar dinheiro, tem que respeitar quem produz, tem que usar o tempo a seu favor. Agora sim a categoria se encontra numa posição estável para investir nas causas ambientais. A Fórmula 1 verde já está encomendada.

domingo, 27 de junho de 2010

Dupla de equipe: GP da Europa

Williams


Well, bacana ver os azuis se classificando bem. Mesmo que o resultado final da corrida não tenha sido tão bom como o da classificação, foi legal ver um dos pilotos de Grove terminando entre os cinco primeiros. Mesmo que o Barrichello seja um dos envolvidos na confusão armada pela direção de prova.

Foi um pouco decepcionante o abandono do menino Hulk. Um pontinho seria importante para a auto-estima dele no momento. E deu pra perceber que ele ficou bastante irritado por ter de se retirar a poucas voltas do fim.

Fábio Andrade



A Williams vive uma temporada de altos e baixos. Desta vez o desempenho foi excelente para ambos os carros, pena que Nico Hulkenberg teve problemas e precisou abandonar. Vai continuar com 1 mísero pontinho na tabela classificatória.

Por isso mesmo o Hulk verde de raiva desceu a pancadaria na inocente barreira de pneus - bateu mais forte que o Webber, coitada... Ao menos o Rubens aproveitou o dia para chegar numa animadora quarta posição. Difícil vai ser repetir essa boa performance nas próximas.

Felipe Maciel



Webber X Kovalainen


Eu continuo achando que não existiu alguém fundamentalmente culpado pelo ocorrido. Ao mesmo tempo ainda não consegui identificar se o Kovalainen brecou muito cedo ou se o Webber deixou pra frear na última hora; ou se, numa terceira opção, a velocidade final do australiano era muito maior do que a do finlandês.

No mais, as exclamações de praxe numa dessas: os carros são mesmo bastante seguros e a cena é uma das mais fortes dos últimos tempos.

Fábio Andrade



Mexer o carro para o meio da pista e brecar com antecedência foi uma manobra de alto risco se considerarmos que os protagonistas estavam a bordo de uma Lotus e uma Red Bull. Deu-se a desgraça, pois.

É nítida a surpresa que o Webber teve ao se deparar com a traseira do Kovalainen crescendo à sua frente, não havia o que fazer. Os times pequenos têm todo o direito de defender posição contra pilotos de ponta, mas o episódio sugere que certos recursos de defesa de posição sejam evitados. A diferença de velocidade aliada à freada antecipada é, digamos, pouco recomendada.

Felipe Maciel



Penalty de Hamilton


As punições hoje, de uma maneira geral, foram aplicadas de forma estranha. O drive-through de Hamilton demorou o suficiente para não surtir efeito. E as outras punições... bem, são o próximo tópico.

Fábio Andrade



Lewis ficou totalmente confuso na hora: passar ou não passar? Na dúvida, ultrapassou o safety car. Os pilotos da Ferrari, mais atentos às minúcias do regulamento, alertatam ao time logo de imediato. A FIA não só demorou a publicar a conversa de rádio como também levou um tempo imenso para punir. O resultado? Sanção inofensiva para Lewis e protesto de Alonso e Massa ao final da prova. Não é a primeira nem será a última vez que a FIA se enrola numa dessas.

Felipe Maciel



1, 9, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 22


O Race Control anunciou as punições e informou que elas ficariam para depois da corrida. Aí meteu cinco segundos de "multa" no tempo de chegada de cada envolvido na confusão dos boxes. Cinco segundos. O que são cinco segundos? Punição para inglês ver.

Ficou no ar a impressão de que o Race Control quis punir, mas não muito, tanto no caso de Hamilton como no caso dos que foram punidos depois da corrida. E entre as regras que nem mesmo a FIA entende, perde o espectador, que passou 1h40 vendo uma corrida com resultado sub júdice

Fábio Andrade



A Globo está divulgando o resultado da Tele Sena agora?

Rapaz, nunca vi tanto número de piloto sendo ameaçado pelo Race Control. O desfecho da investigação mostrou que a FIA não teve peito para punir tanta gente a ponto de virar o resultado do GP de ponta cabeça. 5 segundos servem pra quê? Para devolver uma posição ao ídolo da casa, e olhe lá.

Felipe Maciel



Sinal Vermelho


Depois de uma corrida como essa eu mesmo fico com a impressão de que não passo de um reclamão pronto a espinafrar tudo o que houve durante a prova, mas não se trata disso. Existe cena mais sem noção do que um sinal vermelho a impedir a progressão de um piloto numa disputa de velocidade?

Fábio Andrade



Esse sinal vermelho na saída do pit lane é quase um convite ao piloto para ir pra casa. É inadmissível que se force alguém a parar no final dos boxes e esperar duzentos carros passarem à sua frente de forma gratuita. Desde as mudanças de 2007, essa maldade incondicional se tornou recorrente na F-1. Quando é que irão dar um jeito nisso?

Felipe Maciel



Kamui Kobayashi


Brilhareco para o japa hoje. Mas o Kobayashi, quando está nos seus dias, é difícil de segurar. Chegaria em 3º não fosse a exigência ridícula do regulamento (hoje eu tô um chato mesmo, mas essa corrida mereceu), mas no final das contas conseguiu despachar o Alonso e ultrapassou o Buemi também, algo que o espanhol tentou durante dezenas de voltas sem sucesso.

Ok, Koba estava de pneus macios e novos, Alonso com calçados desgastados. Mas o final de prova do japa valeu a corrida.

Fábio Andrade



Tem como não gostar do Kamui Kobayashi? Hoje ele foi um dos principais motivos que me conferiram o direito de encher o peito e dizer: este foi o melhor GP de Valência que vi até aqui. O japonês correu num excelente ritmo com os mesmos pneus da largada e tinha tudo para completar a corrida na terceira colocação, não fosse aquela regrinha artificial.

O pit stop obrigatório lhe abriu a oportunidade de dar o show. Quando vi as "2 laps remaining", me veio à mente: "já pensou se esse japa passa os dois e fecha essa com chave de ouro?" E não é que o abusado foi lá e fez? Deu um passão no Alonso e dobrou o Buemi na curva da vitória. Sensacional, valeu o ingresso (que eu não paguei)!

Felipe Maciel

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Promoção: infrinja as regras e não ganhe punição



FELIPE MACIEL


Mais do que achar uma brecha nas regras, a Ferrari escancarou: não satisfeita em realizar teste proibido, ela anuncia para quem quiser ouvir... Sim, driblamos as normas, nosso piloto sentou o pé direito, nós avaliamos o novo conjunto aerodinâmico durante uma bela e inocente gravação promocional.



Ok, eles não disseram com essa palavras. Mas disseram com estas: Precisamos tirar o máximo de proveito de qualquer oportunidade nesta era de testes proibidos!.

Para completar a comovente confissão, publicaram a simpática câmera on board de Fernando Alonso desempenhando seu excelente trabalho na avaliação do escapamento rebaixado.

Se isso serve de consolo às rivais: fiquem tranquilos, o recorde de Fiorano não deve ter sido batido.



Agora falando sério. Quando será que o Excelentíssimo Senhor Jean Todt irá se pronunciar a respeito? Se a FIA não mexer os pausinhos, iniciativas semelhantes serão tomadas por outras equipes até o final do campeonato. Aí sim teremos a volta do festival de testes na F-1.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Oficial: Pirelli de volta à Fórmula 1



FELIPE MACIEL


Esse é o tipo de notícia tantas vezes divulgada por diversos órgãos de imprensa antes da confirmação oficial, que por fim nenhum deles poderá se gabar de ter dado o furo.

A FIA decretou o que todo mundo já sabia: a Pirelli retoma as atividades na Fórmula 1 após 20 anos de ausência. Decisão simpática, já que depois de um bom tempo teremos uma novidade na marca de calçados - ou seja, nem Bridgestone nem Michelin - mas que possui uma longa história na categoria, o que nos inspira confiança.

Sendo assim, as estatísticas da Pirelli voltarão a subir a partir de 2011. O número de vitórias, por exemplo, está estagnado desde o GP do Canadá de 1991, quando Nelson Piquet de Benetton herdou a conquista quase certa de seu rival Nigel Mansell, que por sinal se deu ao trabalho de andar na frente durante toda a prova até encontrar um jeito de abandonar na volta final.



Junto ao anúncio de que a Pirelli substituirá a fornecedora japonesa, a FIA revelou uma série de regrinhas para o ano que vem. De novo, quase nada estava fora do esperado. A mais interessante delas é a recuperação dos antigos 107% no treino classificatório.

Um detalhe curioso na nova velha regra é seu caráter pouco democrático, sujeito à vontade dos comissários em decidir se estão a fim de punir ou não.
A partir de 2011, qualquer piloto cuja melhor volta de qualificação for superior a 107% do tempo do mais rápido no Q1 não será autorizado a participar da corrida.

Em circunstâncias excepcionais, no entanto, o que pode incluir uma volta adequada nos treinos livres, os comissários podem permitir que o carro comece a corrida. Caso haja mais de um piloto nesta situação, o grid será definido pelos comissários.

Trecho do comunicado da FIA



Em outras palavras, se um carro de equipe pequena ficar acima dos 107%, ele está fora do GP. Mas se for um bólido mais respeitável, sem problemas: larga lá atrás mas larga.

A desigualdade nesse caso é fruto de um arremedo de regras. Os 107% não combinam com um treino repartido em fases, daí a necessidade de criar a liberdade para os comissários utilizarem seu bom-senso, em vez de seguir estritamente o que foi escrito. Mais do que proteger os times de ponta, porém, ela na verdade evita que qualquer problema técnico enfrentado pelas equipes durante o Q1 dê um basta em todo o fim de semana daquele piloto. Deixando mais claramente: o Alonso pode voltar a estampar o guard rail de Mônaco no terceiro practice que sua vaga na corrida estará novamente assegurada.

Senhoras e senhores, estamos diante de uma regra tecnicamente perfeita. Isto é, ela é capaz de resolver os problemas que ela mesma causaria, permitindo que qualquer tipo de decisão seja tomada. Deixa a sensação de que quanto mais infalível uma regra for, mais estranho fica chamá-la de "regra".

domingo, 13 de junho de 2010

Dupla de equipe: GP do Canadá

Ferrari


Uma corrida é pouco pra dizer se o carro vermelho voltou a brigar pela ponta, e a falta de um deles lá na frente também dificulta uma análise. O que dá pra dizer é que Alonso tá com pinta de piloto número 1. Canadá foi a oitava do ano e o espanhol constantemente superou Massa.

Fábio Andrade



A Ferrari voltou a respirar neste GP. Prometem mais para Valência, então vamos esperar. Ao menos o time voltou a andar à frente de Mercedes e Renault, o que torna o resultado bastante significativo. Alonso aproveitou bem e abocanhou o pódio. Massa não foi feliz na largada, realizou uma senhora corrida de recuperação e de novo se envolveu numa batida no final. Não era o dia dele. A pergunta é: quando será?

Felipe Maciel



Michael Schumacher


Não deve estar sendo fácil pra um sujeito que se aposentou acostumado às vitórias voltar num carro médio. Mas o alemão cometeu alguns, digamos, exageros, para dizer o mínimo. Jogou duro com o Kubica no início da corrida e saiu da pista e na briga com Massa avariou o carro do brasileiro.

Alguém viu aquele piloto regular e blindado contra erros que se aposentou em 2006?

Fábio Andrade



Nunca pensei que diria isso, mas... o Schumacher incorporou o Montoya hoje ou foi só impressão minha? Quem passou limpamente pelo Schumacher nessa corrida mereceu o Oscar; o alemão dificultou de todas as formas possíveis e imagináveis. Sobrou pancada pra Force India, pra Ferrari, passeio na grama com a Renault...

Schumacher sem aquele desempenho todo me parece um tanto revoltado dentro do cockpit - tudo isso para terminar em 11°.

Felipe Maciel



Race Control


O que tenho a perguntar é: querem que os pilotos de Fórmula-1 façam um curso de direção segura? Sem mais.

Fábio Andrade



Sou um grande simpatizante dessa nova FIA, que convida ex-pilotos, que pune menos, que deixou de ser intransigente e rigorosa no ato de avaliação. Mas em Montreal eles soltaram punição pra todo lado. E, sinceramente, não tenho do que reclamar. Quem tomou penalty fez por merecer. Foram muitos, é verdade, mas não houve exagero algum. As sanções foram, simplesmente, justas.

Até aqui, o Race Control 2010 segue aprovadíssimo!


Felipe Maciel



Dobradinha da McLaren


E dá pra dizer que a dobradinha não foi merecida? A Red Bull em Montreal não foi Red Bull e a Ferrari ficou caolha sem um de seus carros lá na frente. Hamilton esteve soberbo, acho que não é exagero dizer que faz sua melhor temporada na F-1. Button veio na dele, tranquilo, sem alarde, e foi segundo.

A McLata parece ser a grande rival da Red Bull por hora.

Fábio Andrade



A McLaren é, de longe, a equipe mais eficiente do grid. A Red Bull teve carro de sobra até aqui mas foi incapaz de tirar proveito disso por diversas razões. Acabou por facilitar o trabalho do grupo de Woking, que não precisará fazer um campeonato de recuperação agora que conseguiu se nivelar com o bólido dos energéticos.

Com apenas 1 pole, a McLaren é a equipe que mais venceu e por acaso lidera ambos os Mundiais depois dessa segunda dobradinha seguida. A RBR, com quase todas as poles do ano, não converteu seus resultados. Parece que o favoritismo está virando de lado...

Felipe Maciel



Luís Roberto de Múcio


Vá, todo mundo critica o Galvão, porque o cara é um chato mesmo e o CALA (A) BOCA GALVÃO no Twitter é um sintoma disso. Mas para a F-1, mesmo com sua pachequice e ufanismo fora de moda, o Galvão é o menos pior narrador da Globo.

O Luís Roberto é massa no futebol. Prefiro ele e o Cléber Machado quando o assunto é a redonda. Mas na F-1 o Galvão ainda faz falta.

Fábio Andrade



Luís Roberto narrando Fórmula 1 é algo que não pode dar certo. Nunca foi o forte dele, é evidente. Mas também não precisava dormir durante a ultrapassagem do Button sobre o Alonso, né?

Sem falar naqueles comentários bobinhos que são sua marca registrada. Enquanto ele passa as próximas duas semanas tentando entender que um piloto de olhos fechados não é sinal de sonolência, eu fico na torcida pra que a Globo mande pelo menos o locutor n° 2 de sua escala para a próxima corrida. O que é improvável, eu sei...

Felipe Maciel



GP do Canadá


Uma pista como essa não pode ficar ausente de um calendário sob nenhuma hipótese. A gente fala muito de Monza, Silverstone, Suzuka, Spa, mas Montreal (por que não?) também é um clássico da F-1.

Fábio Andrade



Eu me preparei durante uma semana para assistir a uma grande corrida. Me surpreendi. A corrida saiu muito melhor que a encomenda! Do início ao fim tinha sempre algo chamando a atenção. Havia duelos na pista por toda a parte do grid. A etapa da Turquia foi muito boa, mas essa do Canadá foi muito além.

Depois de duas grandes exibições consecutivas da F-1, estarei me preparando para um dos piores GPs do ano nas ruas de Valência. O GP da Europa se encarregará de compensar essa fase boa do circo, pode deixar...

Felipe Maciel

terça-feira, 18 de maio de 2010

Damon Hill pune Michael Schumacher



FELIPE MACIEL



A presença de Damon Hill na equipe de comissários de Mônaco despertou insinuações dos fãs da F-1. Tudo não deveria passar de uma brincadeira, já que o inglês não tem poder soberano dentre os agentes da FIA encarregados de avaliar o incidente e dar o veredicto.

Além disso, chega a ser infantil acreditar que alguém se aproveitaria do convite oficial feito pela federação para atuar com interesses vingativos, desprezando todo o seu profissionalismo. Sem falar que Hill jamais sustentou amargura com o episódio de Adelaide, ao contrário de um outro ex-piloto da Williams, que não vem ao caso agora. Mas é lamentável saber que o campeão de 96 recebeu acusações de parcialidade devido à punição a Michael Schumacher em Monte Carlo.
Em parte, é claro, existe o meu desconforto porque fui chamado para fazer uma decisão sobre um incidente envolvendo Michael. Agi apropriadamente, mas recebi alguns e-mails me acusando de preconceito

Damon Hill



Ele não precisa se preocupar com esse tipo de picuinha. Quem pensa na decisão do campeonato de 2008 lembra da fantasia criada por espectadores imprudentes que incriminaram Timo Glock pela definição do título a favor de Lewis Hamilton. Felizmente, atitudes bobas como essas caem no esquecimento facilmente.



Mas os comentários de Hill a respeito da experiência deste domingo foram muito além das sandices que teve de escutar. O britânico argumentou, com toda a razão, que a atuação de pilotos como comissários deve consistir na transmissão das sensações de quem já esteve dentro do cockpit para auxiliar a tomada de decisão por parte dos comissários.

A FIA precisa entender que piloto não deve ser convidado para incorporar a figura jurídica de decisor junto aos demais. Isso mais parece uma aula de como transtornar seus convidados.
Foi uma experiência fascinante, mas eu me pergunto se é justo que os pilotos sejam colocados na posição de interpretar os regulamentos. Eu imaginei que estaria lá como consultor fornecendo uma visão de piloto para os comissários, que estão lá tomar as decisões. Minha experiência é como um condutor, e não como um legislador ou intérprete de regulamento

Damon Hill



Pelo visto, a mensagem "track clear" e as luzes verdes não são os únicos detalhes a serem repensados pela FIA após o GP de Mônaco.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Quem será a nova fornecedora de pneus?



FELIPE MACIEL


Está chegando a hora da FIA definir quem vai suceder a Bridgestone no fornecimento de pneus da F-1.


Para quem vê de fora, a Michelin é franca favorita por sua vasta na experiência na categoria e o curto intervalo de tempo desde o ano em que se retirou.



A marca francesa praticamente expulsa da Fórmula 1 pela FIA só voltará se a entidade atender suas notáveis exigências. Ela deseja concorrência e também busca ampliar o diâmetro das rodas de 13 para 18 polegadas, o que provocará certos custos de adaptação por parte das equipes na manufatura do carro, seja em elementos mecânicos, seja em aerodinâmicos.


Esta candidata registrou nada menos que 102 vitórias, 111 poles, fez 108 voltas mais rápidas e somou 3308,5 pontos nos seus 215 GPs, que ocorreram entre os anos de 77 a 84, e mais recentemente entre 2001 e 2006.



Aparentemente, as sugestões da Michelin abriram os olhos de outras marcas, como por exemplo a Pirelli, que apoia a proposta de aumentar o diâmetro do aro e também pretende contar com a ajuda da Fota nos custos do fornecimento da borracha.


A fabricante italiana ostenta 43 vitórias, 46 poles, 50 voltas mais rápidas e um total de 238,5 pontos nos 200 GPs, conquistados entre 81 a 91 com exceção das temporadas de 87 e 88.



Já a americana Cooper Avon é a queridinha do tio Bernie, que não parece nem um pouco empolgado com possibilidade de uma nova guerra de pneus.


Ela está um tempinho longe da F-1: Participou nos anos 54, 56, 57, 59, 81 e 82, totalizando 8 pontos em 29 GPs.


Caso não pinte uma surpresa, ao menos um desses 3 nomes fechará o negócio. Seja lá qual for a decisão, espera-se que seja tomada e divulgada em menos de um mês. Mais precisamente no fim de semana do GP da Espanha. De 9 de maio não passa. É o que prometem...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Briatore vem aí, olê olê olá...



FELIPE MACIEL



Finalmente acabou o arranca-rabo entre a FIA e Flavio Briatore. Depois de 'julga pra lá', 'julga pra cá'; julgamento que anula julgamento, o ex-chefão e a federação decidiram em conjunto a pena a ser paga pelo carcamano sem que precisassem voltar a se desgastar nos tribunais.

Tanto Flavio quanto Symonds seguirão suspensos de qualquer competição da FIA até 2011. No caso específico da Fórmula 1, só estarão liberados para retornar a partir de 2013. Esse é o momento em que os brasileiros costumam gritar: Pizza!

Briatore no pódio em Cingapura

Calma lá. Pizza completa propriamente dita seria se a dupla de dirigentes estivesse livre para competir novamente desde já, como se o veredito da FIA fosse completamente anulado, ignorando a participação de ambos na manipulação do resultado do GP de Cingapura. O que ocorre, na verdade, é que a punição a Briatore e a Symonds não será vitalícia. Apenas isso.

Somente para efeito de comparação com o desejo da FIA de Max Mosley, a determinação inicial era de que Pat Symonds pegaria 5 anos, enquanto o italiano seria suspenso por tempo indeterminado. A sanção dos dois foi reduzida para 3 anos. Ao menos me alivia saber que os conflitos se encerraram e o Cingapuragate chegou ao fim. Com um desfecho que pouco me surpreende, diga-se.

Quanto ao Pat, não sei se alguém se interessará por ele em 2013 nem estou preocupado em descobrir. Quanto ao Flavio, seu velho amigo de negócios Bernie Ecclestone deve abrir as portas da FOM para que o talentoso carcamano comece a despejar seu tino comercial sobre os interesses comerciais da Fórmula 1 nos próximos anos.



Caso alguma equipe lance uma oferta de trabalho ao Briatore, ele estará decidido a recusar. Porque mesmo antes de todo esse rebuliço ele já sinalizava interesse em abandonar o pit wall e seguir um caminho de gerenciamento mais amplo na categoria. E não foram poucas as vezes que Ecclestone contou com os pitacos de Flavio sobre suas decisões.

Creio que as relações Bernie-Briatore serão retomadas de forma mais estreita do que nunca dentro de poucos anos. Tio Bernie fará 80 anos em 2010. Tio Bria comemorou 60 ontem e talvez já tenha sido notificado de que o presidente da FOM deseje tê-lo como braço direito.

Goste ou não, basta Flavio Briatore dizer 'sim' que poderá assumir um dos cargos mais rentáveis da F-1 daqui a 3 anos. Observando pelo lado positivo, se este cenário se confirmar não precisaremos nos preocupar com uma infinitésima reincidência de tática suja aplicada por este sujeito no esporte. Mas se a Fórmula 1 de hoje já age por impulsos meramente monetários, o que dizer desta provável união entre Milionário e José Rico? Prefiro nem imaginar...