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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ferrari sai ilesa do julgamento em Paris; mundial 2011 terá 20 corridas



FÁBIO ANDRADE


Depois de realizar uma flagrante troca de equipe entre Felipe Massa e Fernando Alonso no GP da Alemanha em julho, a Ferrari foi multada em módicos 100 mil dólares. A quantia é menor do que o valor de qualquer uma das máquinas fabricadas pela montadora. Cem mil dólares para uma empresa do tamanho da Ferrari está longe de ser um valor difícil de ser quitado. Ficou no ar, naquele 25 de julho, a impressão de que a real punição à equipe italiana e a seus pilotos viria no julgamento de hoje, no Conselho Mundial da FIA, em Paris. E de Paris, a Ferrari saiu há pouco, ilesa, sem nenhuma punição de verdade após desrespeitar frontalmente o regulamento esportivo da Fórmula-1.




[caption id="" align="aligncenter" width="494" caption="Fernando Alonso e Felipe Massa"]Fernando Alonso e Felipe Massa[/caption]

Não dá para dizer que a absolvição da Ferrari é uma surpresa, afinal, a politicagem corre solta dentro dos porões da Federação Internacional do Automóvel. Como também não dá pra dizer que é o resultado com o qual todos sonhávamos. O que aconteceu há um mês e meio em Hockenheim foi a morte da F-1 como uma competição de pilotos, ainda que os detentores dos direitos comerciais da categoria continuem lucrando muito ao enganar os (tel) espectadores convencendo-os do contrário.


No fim quem sai prejudicada é a imagem da F-1 enquanto "esporte". A F-1 que ainda não se abriu à internet, que está cagando para o que pensa o público, como se fosse a dona do monopólio das corridas de automóvel nesse mundo. Uma categoria de projeção mundial que ainda funciona como um velho negócio do interiorzão do Brasil onde o que importa é não incomodar os coronéis e prestar-lhes uns favores de vez em quando.




Temporada 2011

Diante da absolvição da Ferrari o resto das sentenças emitidas na Place de la Concorde vira apenas resto, mas é digno de nota. O pré-calendário da temporada 2011 já existe, e nele constam inéditas 20 etapas. O GP do Brasil volta a encerrar o mundial, no fim de novembro, e a F-1 passa a visitar mais um país, a Índia. O gp indiano será o antepenúltimo da temporada do ano que vem.


Pré-Calendário - Temporada 2011:


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Chances matemáticas definem direito a jogo de equipe?



FELIPE MACIEL



Está longe de haver consenso quando o tema é o jogo de equipe. Mas ao que tudo leva a crer, a maioria demonstra clara predisposição a aceitar a interferência do chefão na conduta de seus pilotos apenas quando o chamado segundo piloto não possir chances matemáticas de brigar pelo título.

Sejamos francos quanto a seu real significado... Chance matemática é uma avaliação estupidamente simples, que qualquer criança poderia fazer, consistindo num cálculo de cenário futuro que faz de todo o possível para provar que um dado piloto pode conquistar o título mundial, nem que para isso seja necessário ignorar todo o senso lógico do mundo real e provocar verdadeiras catástrofes com os adversários do piloto em questão.

Exemplo. Neste momento, Mark Webber lidera a tabela com 161 pontos, tendo quatro respeitáveis rivais ameaçando sua façanha de levar o caneco ao fim do ano. As chances matemáticas entram indicando que ainda restam 175 pontos em jogo. Portanto, se o Webber sofrer um grave acidente na Tasmânia durante as férias, o carro do Vettel quebrar em todas as corridas, Jenson Button cair em profunda depressão por ter perdido a Michibata, o Alonso operar a sobrancelha e tirar 5 meses para recuperação, Hamilton resolver voltar para a GP2, e mais uma série de fenômenos inexplicáveis que incluem o Sakon Yamamoto vencer todos os GPs... Pronto, Yamamoto campeão do mundo!

Conclusão: sim, existe chance matemática de Yamamoto conquistar o título em 2010. E daí?



Com a mega polêmica do GP da Alemanha, é possível que a FIA cogite transpor sobre o regulamento o conceito das possibilidades matemáticas de um piloto para afirmar se a equipe pode tratá-lo como escudeiro de seu companheiro ou não.

Essa suposta preocupação da FIA com o pensamento dos espectadores tem, naturalmente, seus pontos positivos e negativos. Mas já que o povão se posiciona favorável ao jogo equipe apenas quando as chances matemáticas são nulas, é de se lamentar que não disponham de recursos mais apurados para análise, nem possuam os conhecimentos do matemático Oswald de Souza, ou ainda desconheçam técnicas de previsões econômicas que podem ser perfeitamente aplicadas em campeonatos esportivos para gerar uma noção mais próxima sobre o futuro provável.

Por conta disso, só resta ao público considerar a amadora ferramenta das chances matemáticas como meio de afirmar "booleanamente" se o sujeito pode ou não pode continuar sonhando com o título da temporada.



Na etapa de Hockenheim Felipe cedeu a vitória a Fernando, mas segundo a matemática básica dos torcedores, a ordem de equipe ocorreu cedo demais. Mesmo sem verificar modelos matemáticos mais aprimorados, podemos identificar uma razão lógica que levasse a Ferrari a cumprir sua política de definir o piloto privilegiado após meia temporada de igualdade interna.

Felipe Massa, simplesmente, está sendo massacrado pelo desempenho de Fernando Alonso. A diferença fica variando entre 0,3s e 0,7s (por volta!). Ora, se para um piloto ser campeão faz-se necessário superar absolutamente todos os adversários que disputam o tal esporte naquela temporada, basta ele se provar incapaz de bater um deles que automaticamente temos uma clara evidência de que não há chance alguma de se tornar campeão. Catástrofes mirabolantes à parte.

Quem torce para Massa tem motivos para fica desapontado com o GP da Alemanha. Afinal, numa temporada tão ruim para o Felipe, a conquista de uma vitória seria um raro e merecido momento de satisfação. Mas em termos de campeonato, não é nada difícil compreender o que aconteceu.

Massa perde de lavada para o Alonso em posições de largada, posições de chegada, pontos na classificação, pódios, voltas rápidas, voltas na liderança, salário, altura, peso, torcida e o escambau. Se o Felipe estiver acima do Fernando em alguma estatística, por favor me conte qual é.



Daí as pessoas exigem que Stefano Domenicali espere as chances matemáticas do Felipe terminar antes de pensar em promover Alonso a primeiro piloto. Pois bem, coloque-se na posição de chefe de equipe. Você esperaria o Mundial se aproximar da penúltima corrida do ano para finalmente ter um surto de inteligência e descobrir que o Massa não brigará pelo título de 2010?

Se a Ferrari estivesse bem encaminhada na tabela, talvez pudesse se dar ao luxo de adiar a decisão - seria o caso em 2002, aquela sim uma manipulação absurda. Mas com Fernando em 5°, ou você investe todas as forças nele agora para emplacar uma desafiadora recuperação, ou trate de depositar esforços no carro do ano que vem e desistir de 2010. Maranello escolheu a primeira.



De todo modo, caso a federação insira o mecanismo das chances matemáticas nas regras de 2011 para julgar se a inversão de posições é legal ou ilegal, haverá um benefício interessante para a Fórmula 1, que não é acabar com o jogo de equipe em meio de temporada, mas sim fazer com que equipes como a Ferrari tenham mais respeito pelas considerações do público.

O ajuste de posições poderá seguir ocorrendo, porém de maneira sempre discreta, de preferência nos boxes. A inversão escancarada é o que provoca repulsa dos espectadores, por isso a falha verdadeira do time em Hockenheim foi ter movimentado as peças na pista, ao invés de decidir trocar Massa com Alonso nos pits, manobra que poderia ter sido executada de forma relativamente fácil, dificultando bastante o reconhecimento da manipulação orquestrada, bem como sua comprovação.

No final das contas, a adaptação da regra só serviria para fazê-la ser levada mais a sério do que é, mas não tão a sério quanto sugere o que está escrito. Seria uma mudança de efeito reduzido, com intuito de valorizar um exercício de disfarce. No confronto entre verdade estampada e hipocrisia, está sendo combinado que a última é mais saudável ao esporte.

E de fato só existem essa duas opções. Não se decretará o fim do jogo de equipe até o dia em que cada time possuir somente um piloto guiando por ela. O que inclusive explica parcialmente a ânsia da Ferrari ao pedir três carros para sua equipe. Se tem algo bom que podemos tirar do episódio da Alemanha é a perda de moral da escuderia para propor uma ideia estapafúrdia como essa.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Senna fala sobre Massa e a cruel torcida brasileira



FELIPE MACIEL



Já cogitei fazer um post reunindo algumas declarações de pilotos sobre a polêmica, mas perdi o interesse. Não eram comentários tão interessantes assim. Tem piloto que é declaradamente a favor da ordem de equipe, como Schumacher e Webber. Tem quem se posicione contra, como Button. Tem quem use o episódio da Alemanha para mostrar ao público por que Áustria-2002 aconteceu. Mas nenhuma entrevista acrescentou tanto quanto à de Bruno Senna, e por isso só o bate-papo dele com os jornalistas brasileiros mereceu destaque aqui.

A sinceridade e a compreensão macroscópica do piloto da Hispania é a mais pura verdade que quem está de fora às vezes não percebe.
Fórmula 1 é um negócio antes de ser um esporte. O esporte são os pilotos, o negócio são todas as outras pessoas que estão ali dentro.

Bruno Senna



Sim, a Fórmula 1 é antes de mais nada um negócio. Ela nasceu do negócio. Quando se praticou F-1 pela primeira vez, como foi? Alguém pegou um par de chuteiras e uma bola e saiu jogando? Pegou uma raquete e um par de tênis e começou a passar a bolinha por cima da rede? Não. Antes de existir competição de Fórmula 1 era necessário existir dinheiro, engenharia, fornecedor, carro... os pilotos são a última peça do quebra-cabeça para que se concretizem as corridas.

Um negócio que vira esporte; um esporte que, quanto mais cresce, mais próximo do negócio fica. O raciocínio básico do jogo de equipe da Ferrari - de ganhar a qualquer custo - é o mesmo que leva o Ecclestone a virar as costas para a França e inventar GP em Abu Dhabi. Essa é só uma constatação da dura realidade deste esporte. Não significa que devemos aceitar nada, apenas uma constatação de sua natureza, repito. Mas a parte mais interessante da entrevista vem a seguir, com o repórter Felipe Motta dialogando com Senna a respeito do comportamento da torcida brasileira diante da manipulação em Hockenheim.



O piloto brasileiro se encontra numa situação muito difícil. Eu conversei com jornalistas do mundo inteiro e eles me disseram que quando há ordem de equipe no país deles, a torcida fica incomodada mas direciona muito de sua revolta para a equipe porque ela tem esses valores de autoridade e de expectativa. Não que o brasileiro não tenha isso de respeitar autoridades. Tem, mas eles vinculam a F-1 ao piloto e ao país como se fosse uma Olimpíada. F-1 é uma Olimpíada?

Felipe Motta




Esporte é esporte. Pelo que eu sinto da torcida brasileira, o esportista brasileiro tem obrigação de vencer, como na Copa. A seleção brasileiro chega na Copa com a obrigação de vencer. Não é justo para ninguém lidar com esse tipo de pressão. Todo mundo que disputa um esporte de alto nível como é a F-1, como é a Copa... a competição é forte, ninguém tem a obrigação de ganhar nada. Não existe alguém que seja tão extraordinário que não exista competição. As pessoas têm de entender que o esporte é competição. Ninguém é invencível.

É uma coisa que todo mundo tem de se educar, aprender a torcer pelo sucesso do esportista, e não só pela vitória. Ele pode ser bem sucedido, mesmo não sendo o campeão, o melhor de todos os tempos. É uma profissão: você faz porque gosta e não porque você só pode ser campeão. (...) O esportista quer o torcedor que torce pelo sucesso dele, não que o odeie quando ele não obtém o sucesso que foi projetado. Acho que é uma questão de educação.

Bruno Senna



A conversa prosseguiu com o jornalista avaliando que o público se sentiu lesado pela manobra da Ferrari, já que na óptica do torcedor, o esportista pode ter sucesso ou insucesso desde que tenha perdido na pista, algo que qualifica o episódio como indigno. Bruno comenta ser difícil argumentar que se entregue um GP de mão beijada ainda no meio da temporada, mas contrapõe que às vezes se sacrifica uma corrida para ganhar coisas mais à frente.

Enfim, não cabe aqui reproduzir todos os melhores momentos da conversa, por isso deixo o link com áudio da entrevista completa.



Tenho a sensação de que o Brasil é o pior país para se nascer caso se pretenda ser um piloto de Fórmula 1. Vejo comentários dizendo que Massa virou o novo Rubinho. Pois bem, quando foi que Rubinho virou Rubinho? Foi na Áustria há 8 anos? E bastou o Massa executar ato semelhante agora na Alemanha para ele "entrar para o clube"?

Aí é que está. O público brasileiro tem a incrível capacidade de se deparar com uma cena revoltante e apagar todas as demais passagens da carreira de um piloto, deletar todas as qualidades que reconhecia no esportista e dizer que se recusa a torcer por ele novamente.

Se no lugar do Felipe, o Kubica fosse o companheiro do Alonso a abrir para o espanhol, ninguém aqui passaria a ignorar o potencial do polonês e tudo o que ele já mostrou na Fórmula 1. Nem aqui nem na Polônia, nem em canto algum.

O povo brasileiro leva casos como este para o lado pessoal. O que me remete inevitavelmente àquela velha frase: "triste do país que precisa de heróis". Não vou argumentar que não se deve condenar o Felipe e depositar sobre ele a carga de responsabilidade pelo caso; seria inútil. Neste país, busca-se um novo Senna e nada menos que isso. Nunca vão encontrar e nunca desistirão de procurar. E o caráter implosivo da torcida brasileira seguirá destruindo ídolos de respeito.

Não que isso me afete. Não sou eu quem precisa de piloto brasileiro para assistir Fórmula 1.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Contra as evidências, Massa nega ser 2º piloto da Ferrari



FÁBIO ANDRADE



Aos olhos de grande parte da opinião pública brasileira, Felipe Massa se “barrichellou” ao aceitar a troca de posições com o companheiro Fernando Alonso no último GP da Alemanha. Se a impressão de que o piloto brasileiro aceitou a posição de segundão dentro da Ferrari foi imediata, o impacto das palavras ditas hoje pelo vice de 2008 reforça ainda mais a impressão de que uma síndrome de Barrichello talvez esteja recaindo sobre Massa.



Em entrevista concedida hoje, Massa foi categórico. No caso de repetição da situação ocorrida em Hockenheim, o brasileiro afirmou que ganhará a corrida. E completou: “no dia em que eu me sentir segundo piloto eu vou parar de correr”.

Como torcedor da Fórmula-1 como um todo, gostaria muito que tudo o que Felipe Massa disse fosse crível, mas conhecendo a Ferrari, as palavras do brasileiro são difíceis de serem levadas a sério. Se em Hockenheim a equipe o obrigou a ceder a liderança para Fernando Alonso, o que haveria mudado agora, cinco dias depois do turbilhão, em Hungaroring?

A imagem da Ferrari, de parte dos patrocinadores e do próprio Felipe Massa sofreu uma imensa mancha (reitero que Fernando Alonso já tem em seu currículo diversas chagas, sendo a do último domingo apenas mais uma. O espanhol caminha a passos largos para ser um novo Schumacher) depois do ocorrido do último fim de semana na Alemanha justamente pela encenação montada aos olhos do mundo. Para um piloto cuja imagem jaz a céu aberto em seu país, um novo teatro retiraria definitivamente de Felipe Massa o direito a um velório digno.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Titônio fala por Felipe Massa



FELIPE MACIEL


Já que ninguém na Ferrari tem a permissão da equipe para falar o mínimo de verdade, só mesmo alguém sem contrato com ela mas com conhecimento suficiente a respeito das relações com Maranello para comentar honestamente o caso. Veja essa história do ponto de vista do pai de Felipe, Titônio Massa:

terça-feira, 27 de julho de 2010

Especulando as possibilidades de punição para a Ferrari



FELIPE MACIEL



Iniciemos este post com o super-carcamano da Fórmula 1, aquele que possui pós-doutorado no assunto enquanto o Domenicali ainda está estudando para o vestibular. Flavio Briatore achou lindo ver a Ferrari favorecendo Alonso. Disse que faz todo sentido o time apostar em quem tem mais pontos no campeonato, afirmou que a regra que proíbe o jogo de equipe é absurda e se posicionou totalmente favorável ao jogo. Até aí não disse nada que não esperássemos. A frase forte ficou por conta de seu otimismo quanto ao posicionamento do Conselho.
O presidente do Conselho Mundial é Jean Todt, que comandava a Ferrari quando na Áustria, em 2002, ele ordenou que Barrichello deixasse Schumacher passar na bandeira quadriculada. Então acho que todos podemos relaxar.

Flavio Briatore



Ok, muita gente já deve ter pensado o mesmo. Mas vamos nos lembrar do Spygate que dominou a temporada de 2007, quando o então presidente da FIA Max Mosley fez campanha para eliminar a McLaren da F-1, pelo menos até o final do ano seguinte, 2008. Por um instante, o mundo acreditou que fosse possível, assim que a Autosport publicou a notícia de que tradicional escuderia havia sido banida do esporte, informação esta que rapidamente se espalhou por diversos órgãos de imprensa, deixando todos de queixos caídos. Hoje podemos rir desta big-barrigada da mídia, que foi retirada do ar poucos segundos depois da equivocada publicação.



Voltando à questão principal, o fato é que o presidente da FIA, apesar de toda sua rivalidade contra Ron Dennis e desejo de se livrar de sua figura, não foi capaz de provocar a exclusão da equipe. Isso porque não cabe ao presidente da FIA definir o resultado de julgamento no Conselho. Cabe ao Conselho, ora.

Mais do que isso, a participação do Bernie Ecclestone também sempre deve ser levada em conta. E o chefão da F-1, naquele episódio, se colocava contrário à opinião de Mosley, zelando por uma sanção amena à Woking. O final da história todos conhecem: o time foi desclassificados do Mundial de Construtores.

Quanto ao caso da Ferrari em Hockenheim, a situação parece muito mais tranquila para a equipe se considerarmos o que se passa na cabeça dos presidentes da FIA e da FOM. Jean Todt dispensa comentários, seu sucessor na Ferrari se mostrou um verdadeiro discípulo do francês. Já a opinião do Bernie Ecclestone é esta:
Confesso que concordo com qualquer pessoa que defender o banimento das regras de ordens de time. Fazemos as pessoas chamarem isso de equipe. Ambos os carros devem ser os mesmos. Os pilotos vestem as mesmas roupas. Todos parecem um time, uma equipe que está correndo.

Acredito no que os dirigentes fazem quando estão na equipe e o modo com que conduzem seus times é problema deles. É claro que, se fizerem algo perigoso, então estarão com problemas. Do contrário, eles que se entendam.

Bernie Ecclestone



Em outras palavras, para ele ninguém tem que meter o bedelho na equipe dos outros. O que nos leva a um quadro interessante, onde os dirigentes dos órgãos comercial e regulamentador mantêm um raciocínio em comum.

Seguindo certa lógica (ainda que questionável), a punição à Ferrari deve ser menos rigorosa que aquela aplicada à McLaren - o que já era esperado independente da opinião deles. Por isso duvido que cassem os pontos do campeonato. Talvez apliquem uma multa maior que a esmola de 100 mil dólares determinada pelos comissários. No pior das hipóteses (ou "melhor", depende do seu ponto de vista), ocorreria a desclassificação dos dois carros do GP.

Uma opção a se pensar seria apontar uma punição esportiva qualquer mas ressalvar que ela só será sobrada caso a escuderia volte a cometer um ato semelhante num intervalo de tempo de 1 ano - medida análoga àquela adotada pelo Conselho Mundial no episódio da mentira da McLaren em 2009.

Ou então nem precisa fazer audiência alguma. Chama os italianos para se reunirem naquela mesa gigante e bonita do Conselho, liga para a pizzaria, faz o pedido, bate um papo durante umas cinco horas e depois manda avisar aos jornalistas que ninguém foi punido.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Escândalo da Ferrari na Alemanha mudará a F-1?



FELIPE MACIEL


Quando perguntam a um ator qual o personagem mais marcante da carreira ele diz que é sempre o atual. Quando se pergunta a um técnico de futebol qual o time adversário mais perigoso, responde que é sempre o do próximo jogo. A Fórmula 1 está ficando parecida como este tipo de lugar comum. Responda rápido: Qual a pior polêmica da história? Fica a impressão de que é sempre a mais recente.

Mas não, a marmelada ocorrida no GP da Alemanha não é a pior coisa que já se viu. Eu diria se tratar de uma das polêmicas menos assustadoras da década. Áustria-2002 foi muito pior, ocorrendo logo no início de um campeonato onde o carro da Ferrari era disparado o melhor do ano, o que tornava injustificável o sacrifício de Barrichello para Schumacher vencer.

Em 2007 tivemos um escândalo de roubo industrial que gerou discussões durante um ano inteiro, culminando na eliminação da McLaren do Mundial de Construtores. O Nelsinho batendo de propósito em 2008 forma com o caso da espionagem as mais lamentáveis polêmicas extravagantes da categoria. Não só da década; da história.

A crise da mentira em 2009, sim, me parece uma passagem menos feia que a triste colaboração do Massa com Alonso em Hockenheim. Me reservo o direito de manter o sadomasoquismo particular de Max Mosley fora desta lista.



Desculpa se ficou parecendo um ranking de infelicidades, a intenção não é essa. Como pode se ver, a Fórmula 1 encontrou uma fase em que apresenta ao menos uma vergonha por ano, mas ela continua lá, firme e forte, cheia de espectadores e saldos lucrativos para as corporações atuantes. É um esporte que nem precisa se dar ao trabalho de tentar agradar seus stakeholders para fazer sucesso.

Mas será que nada muda? 2011 virá aí e a F-1 estampará uma nova encrenca nas páginas dos jornais de automobilismo? Alguém sabe como fazer isso parar? Aliás, será que Bernie Ecclestone e cia. desejam que isso pare ou eles gostam de ver o circo pegar fogo?

Pronto, fiz uma série de perguntas que não sei responder e você provavelmente também não. É duro explicar inclusive o fato de vivermos num período tão intensamente conturbado, com um show de crises em toda santa temporada. Possivelmente há alguma relação com o crescente nível de exposição, que desmascara as sandices que sempre existiram no meio.

Já temos a informação de que a audiência no Conselho Mundial está marcada para 10 de setembro. Serão 4 semanas de intervalo após a Hungria, no entanto o julgamento acontecerá somente na véspera do segundo GP de retorno das férias - Itália, diga-se. Em outras palavras, daqui a um mês e meio. Haja paciência... Eles terão tempo suficiente para ver o clima esfriar e minimizar a pressão do público que exige a desclassificação da Ferrari na corrida de Hockenheim.

Fecho o post respondendo a pergunta do título: independente da decisão do Conselho, nada muda na F-1. A Ferrari já escolheu seu piloto privilegiado neste ano, logo ela não irá voltar atrás. Se perder os pontos da Alemanha pode ser pior, o desespero para ajudar o Alonso aumenta. E em breve teremos novas polêmicas por razões semelhantes ou não, e mais Conselho, e mais Corte. A Fórmula 1 não aprende fácil. A quem não ameaça assistir campeonato de bocha, melhor se manter preparado para a próxima.

F-1 ainda vale a pena após polêmica de Hockenheim?



FELIPE MACIEL


Não foi a primeira vez que Felipe Massa deu a vitória de bandeja a um companheiro de equipe. Já havia feito algo semelhante aqui, no Brasil, bem diante da sua torcida no final da temporada 2007.

A reação do público não chegou nem perto do que ocorreu hoje em Hockenheim. Ninguém exigiu que Kimi Raikkonen superasse Massa no braço se quisesse conquistar aquele título. Por que será?

Essa coisa de que o espectadores rejeitam ordem de equipe na Fórmula 1 pode ser enganoso. O público aceita sim. Aceitou justo aqui em Interlagos. O que difere aquele episódio deste aqui é o fato de equipe e torcida estarem em consenso no primeiro caso. A inversão de posições só fica injusta quando o público não tem empatia pela postura da escuderia e é surpreendido pela troca. Não se trata de infringir as regras, pois.

Massa e Raikkonen - GP do Brasil de 2007

Ah, sim, é verdade, existe uma outra diferença importante: em São Paulo, a manipulação havia sido feita nos boxes. Clareando a memória: Felipe fez seu pit e reduziu o ritmo propositadamente, enquanto Kimi permanecia na pista acelerando para tomar a liderança.

Considero esta segunda diferença menos relevante que a primeira. Mesmo que a troca fosse descarada, as pessoas entenderiam, afinal a manipulação do resultado implicaria em título mundial. O que nos leva a outra conclusão: uma marmelada é considerada feia quando o grau de certeza de interferência no resultado do campeonato for pequeno.

Mas não vim aqui para citar os tópicos que separam o caso de hoje para o caso de ontem e tomar seu tempo com uma série de conclusões derivadas dessa comparações. Eu pretendo mesmo é analisar criticamente a tal regra que proíbe o jogo de equipe, que por sinal já foi contestada por David Coulthard, afirmando que não faz sentido não haver jogo de equipe se existe equipe e um título em jogo (ele não disse com essas palavras, eu adaptei).

Nelsinho Piquet

A regra da FIA não serve para impedir a manipulação de resultado. Não serve.

O objetivo dela é impedir que algo seja feito descaradamente. O ideal é fazer a troca de posições sem que o público perceba. Pronto, feito isso não há crime algum.

O que foi aquela batida de Nelsinho Piquet em Cingapura? Não foi jogo de equipe também? Por que a FIA não investigou logo após o GP? Não me diga que ela não sabia. Boa parte dos profissionais da Fórmula 1 sabiam ou pelo menos desconfiavam. O Massa sabia, tanto que foi falar com o Briatore. E ninguém fez nada. Por quê? Por quê?

A resposta é simples. Porque o público caiu na pegadinha. O público não se revoltou. O público não percebeu. Parabéns, Briatore, você fez o crime perfeito. Exceto pelo fato de ter demitido o língua-solta um ano depois, claro.

Não existe regra alguma proibindo jogo de equipe. Existe sim regra proibindo o nítido jogo de equipe. O crime, portanto, é deixar o público notar. Se a FIA percebe e o público não nota, a FIA não pune.

Particularmente, me recuso a apoiar uma regra que decide o que é certo e o que é errado baseado na capacidade da equipe em me fazer de trouxa. Uma regra assim não deveria existir. Ponto.



Quanto ao Massa, este cedeu à ordem do pitwall porque sabe por experiência própria que tal postura era a coisa certa a se fazer. Para quem não se lembra, um ano após Felipe abrir para Raikkonen, foi a vez de Kimi ceder preferência ao Massa no GP da China de 2008. A lição é: o 2° piloto de hoje pode ser o 1° piloto de amanhã. Imagina qual seria a lição se Felipe não tivesse permitido ao Raikkonen conquistar o título mundial? Resposta: o vencedor de hoje pode ser o demitido de amanhã.

Sobre as inúmeras histórias envolvendo a Ferrari, gostaria de lembrar que ela não é a única. Um exemplo foi a Renault executando ordem de equipe em Xangai-06, quando Fisichella quase deu marcha ré para Alonso tirar a vantagem entre eles e passar. Ninguém foi punido.

Isso porque o público aprovou. E aprovou porque acha que a equipe tem o direito de aplicar jogadas especiais em final de temporada. Portanto o episódio de Hockenheim poderia ocorrer no Japão ou em Abu Dhabi que ninguém faria alvoroço. Mas não, ocorreu em Hockenheim.

A razão de a Ferrari escolher Alonso como piloto privilegiado desde o meado de 2010 é porque a equipe desesperada fez uma primeira metade de temporada tão fraca, que não há tempo para se recuperar com os dois pilotos. Então vai um só.



Meu objetivo não é dizer que a Ferrari está certa, jamais diria isso. Apenas coloco o outro lado da moeda para que possamos pensar mais profundamente nas minúcias do caso em vez de agir com veemência, como foi a reação generalizada neste domingo. Afinal, jogo de equipe não é novidade alguma - desde Fangio se ganha título mundial assim.

Por isso não inventem que se deixará de assistir à F-1, como alguns sugerem da boca pra fora. Este não é o único esporte sujo do planeta. O futebol é outro repleto de sujeira mas ali ninguém se dá conta. Quanto mais popular ou rentável for o esporte, maior a chance de ser tratado como um grande negócio.

E se você assiste algo com assiduidade tendo total consciência de que lá acontecem coisas que até Deus duvida, é porque você definitivamente é um maldito fã daquele maldito esporte. Não há maracutaia que te convença a abandonar. Não sei como mudar uma categoria que funciona assim desde sempre, só sei que virar as costas para ela não é uma opção. Então deixemos as falsas ameaças à F-1 de lado e esperemos o julgamento do Conselho Mundial. Vamos ver como a Ferrari joga do lado de fora da pista.

domingo, 25 de julho de 2010

Meus amigos me salvaram do GP da Alemanha



FÁBIO ANDRADE



Domingo a essa hora, nesse blog, costuma entrar no ar o Dupla de Equipe. Se você é leitor habitué, já sabe do que se trata. Se não é, explico: trata-se de uma seção com considerações dos dois blogueiros dessa página sobre o que aconteceu na corrida do respectivo dia. E o que aconteceu hoje em Hockenheim torna impossível a existência da coluna, porque o GP da Alemanha foi uma farsa travestida de corrida daquelas que faz o sujeito se sentir um idiota em frente ao televisor. Há apenas um assunto, urgente, grave, que exige uma palavra. Felipe Maciel falou aí embaixo. Peço licença a ele para falar agora, porque me abstive de “falar” sobre Fórmula-1 durante a maior parte do meu domingo.



Desde o meio da semana eu já sabia que não ia blogar hoje. Pela primeira vez em 2010 não seria eu o responsável pelo tradicional post pós-corrida que tanto gosto de fazer. Havia uma pretensa reunião com amigos que me impediria de ficar em casa após as 11 da manhã. Talvez eu nunca tenha sido tão grato aos amigos como fui hoje. Um muito obrigado a eles.

Todos eles sabem do meu gosto pela Fórmula-1. Pelo prazer que tenho em assistir a uma corrida. Paixão não se explica. A maioria deles compreende os telefonemas não atendidos aos domingos de manhã e os pedidos para que os encontros sejam mudados de data quando o dia coincide com o das corridas. Sim, já prescindi de me reunir com eles e com familiares para ver corridas, sou um tanto quanto repetitivo quanto a isso, e o pessoal mais velho de guerra na blogosfera com certeza já sabe. Muitos, tenho certeza, também já fizeram e fazem isso. Não quero parecer um tolo, mas sei que vou fazê-lo: esse esporte que me toma energia, ao qual reservo parte importante dos meus fins de semana, que ponho, muitas vezes, na frente de obrigações que fazem realmente a diferença, merece toda essa solenidade?

Eu repito: talvez nunca tenha sido tão grato aos meus amigos. Reunir-me com eles durante a tarde e o início da noite desse domingo me tirou de um estado de nervos que não se espera de um domingo pela manhã. Confesso que não teria prazer em escrever imediatamente após o GP da Alemanha. Broxei, admito. Desiludi-me, com a equipe pela qual torço, com o piloto que respeitei profundamente pela sua capacidade de evolução, por nunca se dar por vencido. Não me decepcionei com Alonso. Apesar de admirar seu grande talento, seu currículo de Schumacher já me fazia esperar por algo do gênero.

Em 12 de maio de 2002 eu tinha 13 anos. Chorei naquela manhã, no auge da minha pré-adolescência. De raiva. Dois anos antes, no dia 30 de julho de 2000, após uma corrida naquele “mesmo” Hockenheim, chorei também. Mas de alegria. Hoje não chorei, lógico. Mas talvez a lucidez de hoje, do “alto” dos meus 21 anos tenha feito com que o golpe fosse mais duro.



Não esperava que a Ferrari fosse capaz de repetir a maior burrada da história. Pelo menos não tão rapidamente. Áustria-2002 parecia ter sido uma lição suficientemente dura, mas, como descobrimos nesse domingo, não foi. Não serei hipócrita de dizer que reprovo o jogo de equipe. Acho justificável quando acontece na penúltima, última corrida, num campeonato disputado ponto a ponto. Massa já viveu isso, já entregou uma vitória em casa para Raikkonen em 2007 e já recebeu, deliberadamente, a segunda posição do finlandês, em Xangai-2008. Valia um campeonato. E ambos campeonatos decididos por um ponto.

Mas o que temos hoje? A 11ª etapa do mundial, restando oito para o fim. Alonso não é líder, nem segundo, nem terceiro, mas apenas o quinto colocado na classificação. O mundial não será decidido na próxima corrida. O que teria motivado, então, a repetição de uma história como a de oito anos atrás, quando, na sexta etapa de um mundial que contava com 17 corridas, Schumacher, com 44 pontos, um carro invencível e toda uma equipe a seu favor, venceu o GP da Áustria depois de receber a liderança de Rubens Barrichello, seis pontos, a 50 metros da linha de chegada?

Eu não sei. Não há uma resposta plausível. O presidente de uma grande patrocinadora da Ferrari estava nos boxes vermelhos assistindo a corrida. Apertou a mão de alguém do elenco do time italiano ao final da corrida, satisfeito. Eu não estava feliz. Estava decepcionado, e a metáfora do marido que se descobre traído feita pelo Hugo Becker é perfeita. Descobri que minha maior paixão me trai. Mas ao invés de ficar em casa chorando saí para me divertir com meus amigos. Eles me salvaram de passar o domingo mau humorado e decepcionado. Talvez já seja a hora de reservar mais tempo a eles. E menos à Fórmula-1.

Massa entrega vitória a Alonso no GP da Alemanha



FELIPE MACIEL


Falar da corrida em Hockenheim é comentar somente a respeito da troca de posições entre Felipe Massa e Fernando Alonso, o jogo de equipe mais mal disfarçado da história (na Áustria não houve disfarce, certo). Desde que criaram a regra que impede esse tipo de manobra, ninguém jamais foi punido e não foi por falta de oportunidade.

Vamos ao GP alemão, pois. Tudo começou quando as Ferraris pularam para a ponta após a má largada de Sebastian Vettel. Felipe assumiu a ponta seguido por Alonso. A diferença foi mantida estável no primeiro stint, completado com compostos macios. Quando efetuaram a troca para os duros, o circo começou a pegar fogo: Alonso partiu para cima de Massa e quase chegaram a se tocar.

Por alguma razão que "carece de fontes", o piloto espanhol deixou Massa se distanciar em 3s, até que resolveu fazer despencar a vantagem do líder da prova. Quando próximos, Rob Smedley emitiu a ordem de equipe para ceder passagem ao bicampeão e assim foi feito.



O que mais me surpreende não é a determinação do favorecimento ao Alonso após meio campeonato decorrido, onde a tabela classificatória sugere à Maranello a opção de escolher o primeiro piloto para a dura tarefa de disputar o título contra os 4 pilotos mais bem equipados do Mundial.

O que mais me surpreende é seu amadorismo para executar algo que deveria ser sua especialidade, se considerarmos a experiência adquirida no assunto. Será que até hoje não aprenderam a administrar um jogo de equipe diante de nossos olhos?

A tal regra da FIA inventada após os episódios de 2002 não serve para banir a inversão de posições, mas sim para evitar que o público seja enganado com um resultado manipulado. Ou seja, no fundo exige-se competência da escuderia para iludir o público ou ao menos confundi-lo com o mínimo de discrição.

O que vimos hoje, no entanto, foi uma aula de como não proceder numa marmelada. Quando Smedley perguntou ao Massa se tinha entendido a mensagem, o mundo inteiro respondeu por ele: sim, entendemos. E depois do GP, aquela patética postura de negar o jogo de equipe repetidamente, como se fôssemos telespectadores cegos, surdos e bobos. Péssima encenação feita por gente sem qualquer talento artístico.



Jogo de equipe existirá enquanto existir equipe. Não vale crucificar Massa, que fez seu trabalho respeitando a hierarquia, nem vale crucificar Alonso, que realmente quis receber o privilégio e o fez por merecer na visão da equipe. As dificuldades técnicas enfrentadas pelo Felipe são reais, e mostram que ele não está em posição de brigar pelo título este ano. O time então se achou no direito de apostar no Fernando. Se ele conquistar o tri, toda a polêmica vivida agora terá valido a pena.

Essa é a Fórmula 1. Um esporte onde se faz de tudo para ganhar. Inclusive tirar a vitória de quem a merecia. É tudo uma questão de ponto de vista. Do ponto de vista do público, isso é uma atitude anti-ética, anti-esportiva, um completo absurdo, uma vergonha para o esporte. Do ponto de vista da equipe, é uma maneira de ampliar as chances de alcançar o objetivo da temporada, em vez de dissipar os pontos e facilitar a vida dos adversários, o que consistiria numa "economia de inteligência".

Quem pode dizer o que é certo e o que é errado, afinal?