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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Kubica, o acidente, a cobertura



FÁBIO ANDRADE


O acidente sofrido pelo piloto polonês Robert Kubica nesse domingo durante sua participação em um rali na Itália foi assunto de destaque na manhã deste dia 6 na web. Rapidamente o nome do piloto polonês entrou no Trending Topics, a lista de assuntos mais comentados do Twitter. E em meio às notícias desencontradas de primeira hora, um tema que sempre anda ao lado dos acidentes e catástrofes novamente se fez notar: a cobertura da imprensa em casos como esse.




Kubica se acidentou quando participava de uma etapa de rali nas proximidades de Gênova, no norte da Itália. O piloto da Renault guiava acompanhado por James Gerber, seu navegador, que saiu ileso do acidente. Para Kubica, entretanto, o choque com um muro às margens da estrada resultou em várias fraturas na perna, braço e mão direitas. As lesões foram confirmadas pela Renault. Ainda no final da manhã a informação era de que o piloto ainda estava na mesa de cirurgia e a avaliação inicial dos médicos era de que o risco de amputação da mão do polonês era baixo, apesar das sérias lesões.


Os fatos são esses. Alguns veículos de mídia europeus, porém, noticiaram que Kubica chegou a ter uma das mãos amputadas ainda no local do acidente. No Brasil, o direcionamento da notícia em alguns sites pendeu para a declaração que Eric Boullier, chefe da Renault, deu na semana passada, quando afirmou que o brasileiro Bruno Senna era o substituto imediato em caso de problemas com algum dos titulares (Kubica ou Petrov). Tudo isso ainda nas primeiras horas após o grave acidente.




[caption id="" align="aligncenter" width="498" caption="O carro de Kubica após o acidente"]O carro de Kubica após o acidente[/caption]

Os protestos logo se fizeram ouvir no Twitter. E nessa era em que a lógica de mercado penetrou em praticamente todos os setores, tornou-se comum ver os veículos de comunicação estampando seus posicionamentos mercadológicos disfarçados de “interesse do público”. Alguns veículos devem achar que é de “interesse do público” saber que um piloto brasileiro - sobrinho de um tricampeão brasileiro - pode ocupar a vaga de Kubica. E de fato isso é algo de interesse do público, não só o brasileiro mas o que acompanha a Fórmula-1 de uma forma geral. Mas o interesse maior poucas horas após um acidente grave, que pôs em risco a vida do piloto e cujas consequências ainda são incertas para a carreira do polonês, é saber sobre o estado de saúde de Kubica. Curiosidade sobre possíveis substitutos é algo secundário, até fútil e mesquinho, sobretudo porque a declaração de Boullier no fim das contas não quer dizer nada.


Kubica segue sendo operado durante toda a tarde de domingo na Itália. Na próximas horas um boletim médico deve atualizar o estado de saúde do piloto polonês.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Kimi ou Petrov? Aparentemente as únicas opções



FELIPE MACIEL



Eric Boullier não para de valorizar o confronto pela vaga do cockpit ao lado da garagem do Kubica para 2011. Os últimos comentários do francês serviram para assustar Vitaly Petrov e aumentar a especulação em torno de Kimi Raikkonen.
Está definitivamente chegando a hora de tomarmos uma decisão. Mas realmente desejamos considerar todas as opções. Decidi contar a alguns pilotos que não falaremos com eles, mas Kimi segue em nossa lista. Disse várias vezes que desejo encontrá-lo antes de fazer qualquer coisa. Quero entender melhor seu desejo de voltar.

Boullier sobre Raikkonen



Indagado se a escolha depende do balanço "patrocínio vs desempenho", Eric desconversou e afirmou que questões financeiras não estão envolvidas nas negociações. Para Petrov ficar, basta fazer um bom trabalho (superior ao que conseguiu fazer até agora).
Só preciso entender se ele se adapta à F-1 e pode ser um segundo piloto bom no próximo ano. Se Robert está brigando agora pela quinta posição e Petrov pode ser sétimo ou oitavo, então está bem. É o que esperamos de um piloto jovem.

Boullier sobre Petrov



Gostaria muito de acreditar no retorno de Kimi ao lado de Kubica, mas ainda encaro essa novela como mera pressão da Renault para arrancar mais dinheiro russo de Vitaly e assegurá-lo para o ano que vem, independente dos resultados em pista como sugere a chefia.

Faça sua aposta. Em poucos meses, veremos este desfecho.

domingo, 18 de julho de 2010

Kubica, 2006, 2008



FÁBIO ANDRADE



A internet tornou comum em meios automobilísticos a existência dos chamados "tributos" a determinados pilotos. Um belo dia, um fã resolver juntar um amontoado de fotos e de gravações em vídeo e misturar tudo num outro vídeo, normalmente mal editado e com uma melodia melosa como pano de fundo.

É comum encontrá-los em um giro rápido pelo Youtube. Mas fuçando daqui e dali apareceram dois vídeos-tributos ao polonês Robert Kubica que rendem um caldo. Boa qualidade de imagem, edição competente (com algumas ressalvas) e uma trilha sonora que pode ser criticada pelo tom épico que confere ao vídeo, mas pelo menos não apela para o Evanescence.

O primeiro vídeo é o resumo da primeira temporada do polaco, a de 2006. Estão lá apenas os GP's da Hungria (o da estreia) da Itália (o do primeiro e precoce pódio) e da China daquele ano.



No segundo vídeo, o resumo da temporada 2008 do polonês, penas aparecem a pole de Kubica no Bahrein e sua vitória em Montreal. O editor foi muito rigoroso ao usar a tesoura e sintetizar a história. Outros lances da melhor temporada de Kubica até aqui foram ignorados. Mas está no vídeo a legítima surpresa da Fórmula-1 ao constatar uma vitória que dava a Kubica, e não a Hamilton, Raikkonen ou Massa, a liderança daquele mundial.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ferrari foi avisada sobre devolução de posição



FÁBIO ANDRADE



Repercutiu nessa terça a revelação do diretor de prova Charlie Whiting de que a Ferrari foi alertada sobre irregularidades na manobra de Fernando Alonso sobre Robert Kubica por três vezes durante o GP da Grã-Bretanha. Segundo Whiting, a direção de prova comunicou aos boxes italianos que Alonso deveria devolver a posição que, aos olhos dos comissários, foi conquistada de maneira irregular.



Whiting tentou isentar-se de culpa no fracasso da corrida do espanhol, que terminou a prova em 14º. Segundo ele a reclamação de que a punição demorou muito a ser expedida não procede: "avisamos sobre a necessidade de devolução de posição imediatamente após a ultrapassagem".

O problema veio a seguir. A Ferrari não acatou a sugestão dos comissários e Alonso não devolveu a posição ao polonês. Na altura do terceiro aviso feito pela direção de prova o time italiano alegou que o bicampeão já estava muito a frente de Kubica, o que tornaria inviável a devolução da posição. Pouco depois o polaco abandou a corrida por problemas em seu Renault.

A despeito de tudo isso há uma incômoda situação ocorrendo na Fórmula-1. Há pelo menos duas corridas não são os pilotos que decidem em que posição irão terminar a prova, e sim agente externos que apenas deveriam aparecer em casos excepecionais. O posicionamento dos carros anda sendo acaloradamente discutido via diálogos extensos entre equipes e comissários. Esse tipo de interferência não é recente, se intensificou há alguns anos, mas no início da atual temporada dava sinais de ter sido abrandado. Os recentes acontecimentos de Valência e Silverstone mostram que ainda cabem argumentos na discussão sobre como a FIA se enxerga enquanto entidade reguladora da Fórmula-1 e sobre como ela de fato atua por meio de seu braço mais ativo, a direção de prova.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Kubica renovado por mais dois anos



FÁBIO ANDRADE



Com a renovação de contrato de Robert Kubica por mais dois anos na Renault, algumas coisas ficam um pouco assentadas em relação à silly season 2010/2011. Pouca, mas pouquíssima coisa deve mudar nas equipes principais, tornando a transição entre a atual temporada e a próxima num período de vacas magras para especulações e tentativas de adivinhações.

Será um belo contraste em relação ao que aconteceu de 2009 para 2010, quando os times principais experimentaram uma grande variação de pilotos. A renovação aponta ainda para uma continuidade da Renault (ou do que restou dela) no grid a médio prazo.



Aos 25 anos de idade, Kubica garante participação na F-1 por seis temporadas. O polonês estreou na categoria substituindo o canadense Jacques Villeneuve na equipe BMW Sauber durante a temporada 2006. Em sua terceira corrida, o GP da Itália, chegou em terceiro, e logo atraiu a atenção. No ano seguinte, seu forte acidente durante o GP do Canadá tornou-se um marco, não só pelas imagens impressionantes, mas também pelo fato de o polaco ter saído praticamente ileso. Em 2008 fez sua melhor temporada, conquistou sua única vitória até aqui na F-1 e terminou o ano em quarto, empatado em número de pontos com o finlandês Kimi Raikkonen.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Ecos numéricos do Canadá



FELIPE MACIEL


Enquanto eu colocava nossa novíssima página de estatísticas no ar, fui pego de surpresa pela ultrapassagem de Michael Schumacher sobre Riccardo Patrese. Foi justamente neste GP do Canadá que o alemão completou 257 Grandes Prêmios, superando o italiano. Agora Rubinho soma 293 corridas e posiciona-se em primeiro na lista, com Schumacher em segundo.

A minha visão sobre o recorde de GPs disputados é quase a de um anti-recorde. Quanto maior for o número de vitórias, poles, pódios... e menor for o número de corridas, melhor para o piloto. Mais um motivo para o Schumacher não ter voltado.



A etapa de Montreal também representou o ponta-pé inicial de Sebastien Buemi no rol dos pilotos que um dia lideraram pelo menos uma voltinha de Grande Prêmio. Além disso, Robert Kubica cravou a volta mais rápida da prova pela primeira vez na carreira.

A propósito, podem dizer o que quiserem do polonês, mas aquele lance do corte súbido ao Sutil para tomar a entrada de boxes foi sensacional! É o tipo do drible arriscado que tem sua graça...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

GP do Canadá - Acidentes



FÁBIO ANDRADE



O GP do Canadá, que acontecerá no próximo fim-de-semana, marca um conceito na Fórmula-1. Junto com Melbourne, que sedia o GP da Austrália, Montreal leva a Fórmula-1 de volta ao diálogo com um item cada vez mais raro na categoria: o muro. Mas em Montreal o colóquio entre os carros e as paredes de concreto parece ser mais agudo.

Como consequência, o GP do Canadá costuma apresentar inúmeras entradas do Safety Car e corridas com resultado potencialmente não-convencionais. E, claro, acidentes.
Robert Kubica

As imagens do acidente do piloto polonês Robert Kubica durante o GP do Canadá de 2007 ainda estão frescas na memória. A batida de Kubica no muro do hairpin do autórdromo Gilles Villeneuve foi, provavelmente, o maior teste “prático” pelo qual a chamada “célula de sobrevivência” já passou. Apesar do violentíssimo choque (estima-se que o carro da BMW tenha atingido o muro a cerca de 230km/h) o habitáculo no qual o piloto fica inserido resistiu e Kubica se safou da batida apenas com uma pequena lesão em um dos pés.

 
Riccardo Paletti

Em 1982, 25 anos antes do forte acidente de Robert Kubica, o piloto italiano Riccardo Paletti, que disputava sua segunda corrida de F-1,  não teve a mesma sorte do polonês, e nem precisou de muros para se acidentar com gravidade. Numa época em que a segurança ainda não era uma obsessão da F-1, Paletti foi vítima de um acidente que muito dificilmente faria vítimas em 2010. Na largada do GP do Canadá, o novato Paletti chocou-se com a Ferrari de Didier Pironi, que ficara parada na pista. Segundos depois, o Osella incediou-se.

 

Apesar das perturbadoras imagens das chamas envolvendo o carro e o piloto, diz-se que Paletti não sofreu com o ocorrido. A batida contra a Ferrari de Pironi deslocou a coluna de direção do carro contra o tórax de Paletti, deixando-o inconsciente. A morte do piloto foi anunciada poucas horas depois.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Petrov, Renault, Ferrari



FÁBIO ANDRADE



Desde o início da temporada o polonês Robert Kubica aparece como um dos grandes nomes do grid da safra 2010. Pelo menos desde o GP da Austrália, Kubica tem surpreendido positivamente por sua pilotagem consistente e por estar frequentemente a frente de carros mais badalados, como o F-10 da Ferrari.

Na mesma medida, desde o início do ano, o calouro russo Vitaly Petrov apresenta um desempenho bem mais discreto, como é próprio dos novatos. Enquanto Kubica ocupa o sétimo posto na classificação geral de pilotos, com 67 pontos, Petrov amealhou suados seis tentos. O russo estava prestes a conseguir mais quatro pontinhos na Turquia, mas a manobra da defesa de posição perante as investidas de Fernando Alonso tirou o novato da zona de pontuação por causa de um pneu furado.



Petrov fazia em Istambul sua melhor corrida desde o GP da China, quando chegou em sétimo e conquistou seus únicos seis pontos. Na Turquia, o russo esteve durante boa parte da corrida entre os dois carros da Ferrari e, na parte final, resistiu a alguns dos ataques do bicampeão Fernando Alonso. Caminhava para um redentor oitavo lugar quando teve seu pneu furado.

Foi a ocasião em que Petrov andou mais próximo de Kubica no ano, tal como em Xangai. O piloto russo não cometeu erros e, junto com o polonês, manteve a equipe Renault próxima à Ferrari praticamente durante toda a corrida. Ferrari que já ligou o sinal vermelho. Depois de Felipe Massa passar toda a corrida turca atrás de Kubica e de Alonso só conseguir a ultrapassagem sobre Petrov no finalzinho e com certa dificuldade, ficou a impressão de que a Renault já briga com o time italiano pelo posto de quarta força do grid de 2010.


Te cuida, Ferrari

Um fracasso do modelo F-10, no qual a equipe italiana investiu enorme energia e também enorme esperança depois do fiasco da F-60, seria vexatório para a Ferrari, e a alta cúpula da equipe sabe disso. O modelo desse ano começou a ser gestado em Maranello ainda no meio de 2009 e, pelo tempo que sua preparação consumiu, o bólido vermelho está deixando a desejar. Por isso mesmo Stefano Domenicali, chefe do time rubro, promete atualizações técnicas importantes para o time a partir do GP da Europa, no dia 27 de junho. Só que antes de correr nas ruas de Valência, a Fórmula-1 viaja para a América do Norte, para o GP do Canadá. Mais uma corrida com desempenho modesto pode comprometer de vez o ano da equipe de Maranello.

domingo, 23 de maio de 2010

Até onde vai o braço de Robert Kubica?



FELIPE MACIEL



De uns anos para cá ficou realmente difícil nivelar com precisão o carro da Renault no grid da Fórmula 1. A combinação não é nada justa: um piloto com naipe de campeão ao lado de um inexperiente, muitas vezes preterido pela equipe.

Nos deparamos com longa discrepância entre os resultados de Alonso em relação a Nelsinho ou a Grosjean, e hoje notamos algo semelhante entre Robert Kubica e Vitaly Petrov.



Nas temporadas anteriores, era trivial observar o disparate entre pilotos Renault posicionados em lados opostos do grid - um fica no Q1, outro sobe ao Q3. Em 2010, embora o mesmo já tenha ocorrido no qualifying, felizmente o acontecimento deixou de ser comum. Agora o contraste se limita a Q2 x Q3.

Quem acompanhava a GP2 depositava muito mais fichas no Piquet e no Romain do que no russo, mas Petrov já alinhou numa satisfatória 11ª colocação logo em sua 3ª corrida. Ok, ele pode ter lá seu talento, mas também fica claro que o R30 é o melhor carro feito pela Renault desde seu último campeonato mundial, conquistado em 2006.



Robert Kubica está dando um verdadeiro show. O polonês está classificando-se entre os postos top com muito mais facilidade que Fernando Alonso em 2008 e em 2009, quando o espanhol tirava proveito do tanque vazio para galgar posições durante a super pole - opção que o polonês não possui e ainda dispensa na temporada corrente.

Descobrir o quanto o carro da Renault é bom continuará sendo um desafio até o dia em que a equipe parar de contratar dois pilotos de níveis completamente distintos. Pela baixa expectativa atribuída ao time francês desde a pré-temporada, naturalmente passamos a supervalorizar o braço do polonês Robert Kubica, que de fato vive uma grande fase. Mas ele não faz milagre de transformar um monoposto de meio de grid a candidato frequente ao pódio.

Após uma sequência de bólidos mal nascidos - com direito a uso de esquema controverso para abocanhar a vitória em certa corrida noturna -, a Renault finalmente começa a se restabelecer tecnicamente na Fórmula 1. O R30 é dos bons e a parceira com um Kubica motivado pela casa nova já permite ao time sonhar com uma nova vitória, coisa que em 2009 passou longe de ocorrer. Sem falar na abstinência do polonês, que não vê a hora de pisar no lugar mais ilustre do pódio pela segunda vez na carreira.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Robert Kubica feliz da vida na Renault



FELIPE MACIEL


Ao encerrar sua passagem na BMW após os quatro primeiros anos na F-1, Robert Kubica restabeleceu a motivação e retomou a boa fase assim que migrou para a Renault e encontrou um carro mais bem nascido e uma equipe mais acolhedora.

Na temporada passada, o polonês só abriria sua pontuação no campeonato na Turquia, a 7ª etapa do calendário. Já agora posiciona-se em 7° na tabela, mesmo sabendo que há pelo menos 8 carros mais rápidos que o seu no grid.
Não é segredo que, por vezes nos últimos anos, eu não me senti tratado como gostaria [na BMW]. Acho que o sentimento ao seu redor e a convicção das pessoas com quem você trabalha é importante em qualquer atividade. Hoje sinto que a equipe tem confiança em mim. Eles me deixaram confortável, e isso me permite não sentir o cansaço de uma carga de trabalho que é ainda maior do que em temporadas anteriores

Robert Kubica



Essa boa recepção demonstrada pela Renault nos leva a crer, ou que a equipe passou por uma súbita mudança de filosofia com a saída de Flavio Briatore, ou então que o time não mudou absolutamente nada [olha o Cléber Machado fazendo escola...].

Uma nova filosofia seria acabar com a pressão excessiva sobre o piloto e contribuir ao máximo com seu desempenho em vez de apenas cobrar. Mas para isso deveríamos nos certificar de que o Petrov também se sente ok naquele ambiente, eliminando a hipótese de o Kubica ter se tornado a versão 2010 de Fernando Alonso dentro da Renault, um piloto paparicado com todos os privilégios. Particularmente e felizmente, entendo que a primeira opção ganhe força.



A julgar pelo depoimento do novo chefe Eric Boullier - que pelo currículo e pela personalidade já sinaliza ser um profissional antônimo do Briatore - a união de Kubica com a Renault resultou, de maneira natural, num bom progresso de trabalho e na vinda de bons resultados logo de cara.
Robert Kubica é muito ansioso por trabalhar direito e muito comprometido com a equipe, e isso é um grande trunfo que é difícil de avaliar. O que eu tenho visto desde o início dos testes e antes mesmo é que Robert sempre fica com os engenheiros. Ele é muito exigente, e o bom é que quando um piloto é muito exigente e, em seguida, faz boas corridas, como as que ele fez nos três primeiros GPs, sem erros e com ritmo muito bom, a equipe respeita o que ele faz e oferece mais.

Com a equipe adaptada a Robert e vice-versa nós apenas construímos algo bem-sucedido. A equipe está pressionando, o piloto é exigente e obtém resultados. Um alimenta o outro, e eu espero que o time esteja muito mais forte.

Eric Boullier, diretor da Renault



Por tudo que a equipe apresentou (ou deixou de apresentar) nos anos anteriores, havia certa desconfiança sobre a ida de Kubica para a Renault. Mas as baixas expectativas foram superadas pela realidade. Resta saber se daqui pra frente o polonês seguirá como instrumento certo no time para emplacar a retomada do nível vencedor nas temporadas subsequentes, ou se a equipe não conseguirá manter o piloto em seu quadro de funcionários, uma vez que o polonês pode ser cobiçado por qualquer escuderia em melhor situação que o time francês.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Piloto contratado, piloto ameaçado



FELIPE MACIEL


Não sei com que frequência isso acontece no grid, mas talvez não seja errado dizer que a cultura Briatore ainda vive dentro da Renault.

Firmar contrato com um piloto inserindo obrigação em número/porcentagem de pontos me parece extremamente negativo. Não existe cláusula para engenheiro do tipo "se o bólido tomar mais de 1s da Ferrari, o time poderá rasgar seu contrato". Mas com piloto existe.



Segundo informações de uma agência russa, Vitaly Petrov tem, formalmente, o dever de marcar pelo menos 25% dos pontos de Robert Kubica. Isso é mais que mera desculpa para justificar uma possível demissão: é quase uma ferramenta de coerção.

Quando o piloto vive uma fase dura em que a tudo sai errado, a pressão se multiplica por força de contrato. Prejuízo para ele, prejuízo para a equipe.

Esse método de "pressão total" tanto sobre os pilotos oficiais quanto os jovens de base fez com que a própria Renault dispensasse Robert Kubica de seu programa de desenvolvimento. O erro está comprovado: anos depois, o time francês emprega o polonês voador, já renomado no ambiente da Fórmula 1. Mas se eles não aprendem, vai se fazer o que?

domingo, 31 de janeiro de 2010

R30, a tentativa de redenção da Renault



FÁBIO ANDRADE



Sem grande badalação, como manda o figurino da nova (será?) ordem econômica da Fórmula-1, a Renault revelou hoje o R30, modelo da equipe para disputar a temporada 2010. E que bela surpresa nos trouxe o novo bólido da montadora francesa!

Além do novo carro, soube-se na tarde de hoje em Valência quem é o companheiro de Robert Kubica na equipe Renault. É o russo Vitaly Petrov, de 25 anos. Egresso do automobilismo russo, foi campeão de categorias como a Copa Lada e a Fórmula 1600 Russa, de onde carimbou o passaporte para a GP2, onde conquistou 4 vitórias na carreira e foi vice-campeão em 2009. Segundo especulações, Petrov, que aparece na foto abaixo ao lado de Kubica, trás para a Renault o numerário de 15 milhões de euros.

kubica petrov 2010

Voltando a falar do R30, o modelo retorna ao antigo esquema de cores da equipe. O preto e o amarelo formaram uma dobradinha que, outrora improvável, não agrediu os olhos. Chama a atenção, porém, a ausência de outros patrocinadores além da marca de lubrificantes Total e do nome da própria montadora.

r30 2010

A aposta do time para voltar a ser competitivo é um carro com bico mais baixo do que o da maioria das máquinas que já foram reveladas, destoando de padrões como os de Ferrari e BMW, que parecem ter se inspirado no RB5 da Adrian Newey. A Renault, por sua vez, parece ter bebido na fonte do BGP-001 da campeã de 2009, a Brawn GP.

r30 2010 hd

r30 2010

As entradas de ar do R30 também são menos pronunciadas do que a da maioria dos concorrentes e os projetistas da equipe não fugiram à barbatana de tubarão, acessório apenas não usado até agora pela Ferrari. O difusor traseiro foi devidamente escondido de flashes e olhares mais curiosos, como vem se tornando praxe.

r30 2010

Depois de desaparecer da briga pelas vitórias após a saída de Alonso no fim de 2006 e de escandalizar o universo do esporte a motor com as armações de Cingapura, a Renault, enfim, ensaiou um tentativa de se redimir. O R30, com seus inimagináveis preto e amarelo são a mudança de layout mais notável e interessante da pré-temporada até aqui.