FÁBIO ANDRADE
O acidente sofrido pelo piloto polonês Robert Kubica nesse domingo durante sua participação em um rali na Itália foi assunto de destaque na manhã deste dia 6 na web. Rapidamente o nome do piloto polonês entrou no Trending Topics, a lista de assuntos mais comentados do Twitter. E em meio às notícias desencontradas de primeira hora, um tema que sempre anda ao lado dos acidentes e catástrofes novamente se fez notar: a cobertura da imprensa em casos como esse.

Kubica se acidentou quando participava de uma etapa de rali nas proximidades de Gênova, no norte da Itália. O piloto da Renault guiava acompanhado por James Gerber, seu navegador, que saiu ileso do acidente. Para Kubica, entretanto, o choque com um muro às margens da estrada resultou em várias fraturas na perna, braço e mão direitas. As lesões foram confirmadas pela Renault. Ainda no final da manhã a informação era de que o piloto ainda estava na mesa de cirurgia e a avaliação inicial dos médicos era de que o risco de amputação da mão do polonês era baixo, apesar das sérias lesões.
Os fatos são esses. Alguns veículos de mídia europeus, porém, noticiaram que Kubica chegou a ter uma das mãos amputadas ainda no local do acidente. No Brasil, o direcionamento da notícia em alguns sites pendeu para a declaração que Eric Boullier, chefe da Renault, deu na semana passada, quando afirmou que o brasileiro Bruno Senna era o substituto imediato em caso de problemas com algum dos titulares (Kubica ou Petrov). Tudo isso ainda nas primeiras horas após o grave acidente.
[caption id="" align="aligncenter" width="498" caption="O carro de Kubica após o acidente"]
[/caption]Os protestos logo se fizeram ouvir no Twitter. E nessa era em que a lógica de mercado penetrou em praticamente todos os setores, tornou-se comum ver os veículos de comunicação estampando seus posicionamentos mercadológicos disfarçados de “interesse do público”. Alguns veículos devem achar que é de “interesse do público” saber que um piloto brasileiro - sobrinho de um tricampeão brasileiro - pode ocupar a vaga de Kubica. E de fato isso é algo de interesse do público, não só o brasileiro mas o que acompanha a Fórmula-1 de uma forma geral. Mas o interesse maior poucas horas após um acidente grave, que pôs em risco a vida do piloto e cujas consequências ainda são incertas para a carreira do polonês, é saber sobre o estado de saúde de Kubica. Curiosidade sobre possíveis substitutos é algo secundário, até fútil e mesquinho, sobretudo porque a declaração de Boullier no fim das contas não quer dizer nada.
Kubica segue sendo operado durante toda a tarde de domingo na Itália. Na próximas horas um boletim médico deve atualizar o estado de saúde do piloto polonês.






















