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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A novela acabou, deu Grosjean

Demorou, mas a novela enfim terminou. Romain Grosjean, aquele mesmo que correu 2 anos atrás no lugar de Nelsinho Piquet na Renault que tinha o bicampeão Fernando Alonso, será o companheiro de Kimi Raikkonen na Lotus na temporada 2012 de Fórmula 1. Ou seja, a equipe resolveu trocar seus dois pilotos e apostar em um campeão do mundo que pode atrair olhares atentos para a equipe e conquistar bons resultados e um francês cheio da grana, campeão da GP2 e que garantiu o contrato da empresa francesa Total para o próximo ano.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Os franceses sempre se dão bem nos romances e Grosjean fisgou a Lotus-Renault"][/caption]

Não é lá um piloto que se possa olhar com mais atenção e esperar ótimas atuações, mas Grosjean não era inferior a Bruno Senna ou Vitaly Petrov. A verdade é que pelo ano de 2011 que teve, ele merecia uma vaga de titular na F-1, mesmo não sendo nada de outro mundo.

É uma pena ver Bruno Senna com sua principal chance de continuar na categoria acabada. Acho ele um piloto dedicado, batalhador e tal. Não tem lá o talento do tio, isso é fato. Não é lá um gênio das pistas, outro fato. Mas se mostra sempre determinado e merecia uma vaga de titular para o ano que vem. Mas a vida é assim, ou melhor, a F-1 é pior ainda.

Vitaly Petrov não guardou a língua dentro da boca e soltou várias besteiras nessas últimas semanas. Não guiou nada do segundo semestre para cá, mesmo que o carro tenha sido ruim, claro, mas ele poderia pelo menos ter conseguido resultados mais animadores, ou pelo menos não ter sido batido por um novato na equipe como Bruno Senna. Foi muito bem lá no início da temporada, mas caiu de performance assim como o carro. Se merece ficar fora da F-1 mesmo eu não sei, mas entre Grosjean e Petrov eu também teria escolhido o francês. Petrov tem lá uma esperança de correr na Marussia. Quem sabe...

Para informar os nacionalistas, a situação brasileira na categoria máxima do automobilismo está cada vez mais complicada mesmo. Muito provavelmente só Felipe Massa estará no grid ano que vem. Bruno Senna levou uma grande derrota com o anuncio de Grosjean e não tem muito para onde buscar uma vaguinha. Force India deve fechar com Paul Di Resta e Nico Hulkenberg para ano que vem e a Williams deve ir de Adrian Sutil. Essa última possibilidade praticamente acaba também com as chances de outro brasileiro, o incansável Rubens Barrichello.

Ah, e o Grosjean deu lá sua entrevista. Assistam no vídeo abaixo:

 


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quarta-feira, 30 de março de 2011

Vale a pena apostar em Petrov?



ANDERSON NASCIMENTO


Vitaly Petrov conseguiu um inesperado e excelente resultado no GP da Austrália, que marcou a abertura do Mundial de Fórmula 1. O rótulo de piloto pagante começou a cair por terra assim que o piloto russo recebeu seu primeiro troféu na categoria, em seu primeiro pódio e o único até agora de seu país na F-1.

Em Melbourne, Petrov fez uma corrida consistente, sem erros (ou se teve não comprometeu sua corrida) e mostrou que pode ser ele o piloto que conduzirá a equipe durante o ano na ausência de Robert Kubica. Nick Heidfeld que foi contratado para este posto foi um fiasco em sua corrida de estreia na Renault.

Petrov nunca foi um piloto de encher os olhos e raramente (para não dizer nunca) foi considerado um potencial campeão por onde passou. Sempre enfrentou dificuldades, amargando resultados ruins em comparação com seus companheiros de equipe. No ano passado errou muito, passou pelo risco de ser demitido, visto que a Renault enrolou até onde deu para renovar seu contrato, que contou com um belo dinheiro de seu país para que ele pudesse ser fechado, isso ninguém há de negar.

[caption id="" align="aligncenter" width="809" caption="Mesmo após o 3º lugar na Austrália, Petrov ainda segue contestado"]Vitaly Petrov Renault[/caption]

Mas ninguém pode negar também que Vitaly amadureceu e o GP da Austrália não foi sua primeira amostra disso. No ano passado, quando impediu por diversas vezes uma ultrapassagem de nada mais, nada menos que Fernando Alonso, o russo já mostrava que não era mais o piloto das corridas iniciais na F-1. Correu grande parte da corrida em Abu Dhabi sob a pressão de um bicampeão que era o candidato com mais chances de levar o título naquele momento. Não errou, segurou uma Ferrari atrás de si e fechou o ano como um dos protagonistas. O que ele fez em Albert Park é uma continuação de quem já aprendeu basicamente como lidar com coisa de pilotar um carro de F-1.

O GP australiano provou ao longo de sua história que costuma ser uma etapa atípica comparada as demais provas do ano. Por isso, talvez seja cedo demais para transformar o resultado de Petrov na Austrália em uma marca que deve ser seguida durante toda a temporada. Sem tirar seus méritos pela conquista do terceiro lugar, mas o russo pode terminar 2011 com o mesmo baixo desempenho no geral da temporada passada e, por conta disso, perder a vaga na Renault.

Isolando o resultado deste último domingo, fica fácil dizer que Petrov possui um potencial que merece ser explorado e que ele pode voltar a conduzir a Renault a bons feitos novamente. Mas, analisando o contexto e toda a sua carreira como piloto, apostar no garoto pode não ser uma das tarefas mais fáceis e talvez bastante ingrata.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Kimi ou Petrov? Aparentemente as únicas opções



FELIPE MACIEL



Eric Boullier não para de valorizar o confronto pela vaga do cockpit ao lado da garagem do Kubica para 2011. Os últimos comentários do francês serviram para assustar Vitaly Petrov e aumentar a especulação em torno de Kimi Raikkonen.
Está definitivamente chegando a hora de tomarmos uma decisão. Mas realmente desejamos considerar todas as opções. Decidi contar a alguns pilotos que não falaremos com eles, mas Kimi segue em nossa lista. Disse várias vezes que desejo encontrá-lo antes de fazer qualquer coisa. Quero entender melhor seu desejo de voltar.

Boullier sobre Raikkonen



Indagado se a escolha depende do balanço "patrocínio vs desempenho", Eric desconversou e afirmou que questões financeiras não estão envolvidas nas negociações. Para Petrov ficar, basta fazer um bom trabalho (superior ao que conseguiu fazer até agora).
Só preciso entender se ele se adapta à F-1 e pode ser um segundo piloto bom no próximo ano. Se Robert está brigando agora pela quinta posição e Petrov pode ser sétimo ou oitavo, então está bem. É o que esperamos de um piloto jovem.

Boullier sobre Petrov



Gostaria muito de acreditar no retorno de Kimi ao lado de Kubica, mas ainda encaro essa novela como mera pressão da Renault para arrancar mais dinheiro russo de Vitaly e assegurá-lo para o ano que vem, independente dos resultados em pista como sugere a chefia.

Faça sua aposta. Em poucos meses, veremos este desfecho.

domingo, 1 de agosto de 2010

Dupla de equipe: GP da Hungria

Vitaly Petrov


Deu pra imaginar que o russo ia dar um certo trabalho ao Hamilton, talvez com os dois fazendo uma versão remix daquele rebolation de Sepang, mas o Petrov abanou na volta dois e frustrou a todos nós.

Mas o cara fez uma corrida sólida, manteve-se próximo ao Rubinho e faturou esse 5º lugar que é fundamental para a auto-estima e motivação dele dentro da F-1. Só tenho uma pergunta: cadê aquela mulher que o Galvão dizia que era a mãe dele?

Fábio Andrade



Fora a parte em que Petrov chama Hamilton para dançar lambada e o inglês nem dá bola, a russo fez um fim de semana excepcional. 5° lugar para ele é um resultado que fala por si só. Deve ser um daqueles exemplos de piloto que casa com a pista.

Felipe Maciel



Sauber


Acho que a Sauber é a segunda equipe de todo mundo, o time que conta com a simpatia do povão. Então é legal ver os dois pontuando pela primeira vez no ano.

E palmas para o Kobayashi! De 23º para 9º, numa grande ascensão. Claro que as várias quebras que aconteceram hoje ajudaram, mas o ganho de posições do japa foi invejável.

Fábio Andrade



Apesar dos cofres vazios, a simpática equipe do tio Peter conseguiu pontuar com os dois. Já era hora, hein, de la Rosa! O Kobayashi, nem se fala. O sayajin fez um teletransporte de 23° para 9° e segue sendo o piloto que mais dá gosto de ver lá no meio do pelotão. Apesar de que, desta vez, quase não vimos. A transmissão da FOM não deu muita bola para ele. De repente, o japinha estava lá na zona de pontos.

Felipe Maciel



Pit da Mercedes


Hoho, vou deixar as piadinhas sobre o Nico roda solta pro Groo e pro Marcão. Mas que vacilo que a equipe deu.

Vi depois que a roda atingiu um mecânico da Williams, mas sem ferimentos. Acho que a Nica tá com saudade de soltar a rodinha pra alguém nos boxes azuis. Tá, parei.

Enfim, o curioso é ano passado aconteceu algo semelhante com Alonso na Renault em Hungaroring.

Fábio Andrade



Normalmente não gosto quando alguém é punido por uma falha desse tipo, que não qualifico como displicência ou negligência. Foi um erro infeliz de quem está sob aquela pressão provocada pela muvuca nos pits. Mas como o autor não foi o único afetado, e o vacilo atingiu pessoas de outra equipe que não tinham nada com a história, a punição acaba sendo mais que inevitável. O piloto, nessas ocasiões, fica rendido. Azar do Nico.

Felipe Maciel



Kubica x Sutil


Eu sempre acho gozado quando acontece algo desse tipo no mundinho high tech da F-1. Bastava o cara do pirulito ter segurado a onda e nada disso teria acontecido. Mas, são coisas de corrida.

Só não achei razoável punir o Kubica. Ele já teve o prejuízo inerente à confusão que aconteceu. E incidentes desse tipo vão existir enquanto existirem pit stops, é coisa normal a meu modo de ver.

Fábio Andrade



Esse sim é um deslize crasso. Mandar o piloto sair quando está passando carro no pit lane é uma bobeira clássica. Mas o mecânico chefe da Renault caprichou, liberando o Kubica quando o piloto que vinha era justo o da garagem da frente. Que bela patacoada!

Nesse caso, a punição esportiva não significa absolutamente nada, já que a corrida do polonês foi pelo ralo de imediato. A multa de bolso se fez necessária: então que tratem de transferir US$ 50 mil para o paypal da FIA amanhã.

Felipe Maciel



Punição a Vettel


Tá certo, desrespeitou o regulamento, tem que sofrer as sanções cabíveis. Não luto contra isso, é o certo. O negócio é que se é para punir, que todo mundo seja punido com o mesmo senso de justiça.

Afinal, certa equipe e seus pilotos derespeitaram frontalmente, e de forma muito mais acintosa e agressiva, as regras no domingo passado e nem surgiu a possibilidade de uma punição esportiva.

Fábio Andrade



Na Fórmula 1 é assim, não pode fazer jogo de equipe. Se seu carro for vermelho talvez possa. Mas não pode.

Bem, falando sério, o tempo do safety car na pista foi tão rápido que eu sequer notei que haveria relargada naquela volta. Engraçado que Vettel deu a mesma justificativa! Mas como é improvável que a Red Bull estivesse dormindo e não tenha avisado seu piloto, não é difícil concluir que Sebastian jogou fora uma vitória certa enquanto executava a ordem de Christian Horner. Escorregada boba do Vettel que custou a dobradinha energética.

Fale o que quiser da Ferrari, mas quando ela faz jogo de equipe, ela sempre tira bom proveito disso. Já a Red Bull parece bastante atrapalhada no assunto. Quando não faz, dá problema; quando faz, também. É inadmissível que o time saia da Hungria sem os 100% de aproveitamento com aquele carro de outro mundo. Quanto desperdício de pontos numa só temporada...

Felipe Maciel



Schumacher x Barrichello


Schumacher foi um verdadeiro kamikaze em Hungaroring. Conduta irresponsável e incompatível para um multicampeão como ele.

É lógico que ninguém esperava que o alemão desse a posição de presente ao Barrichello. O próprio Schumi sabe que é conhecido justamente pelo contrário, por disputar cada centímetro como se fosse o último. Mas nas circunstâncias em que a corrida estava, com Barrichello muito mais forte que ele, o Schumacher não devia agir de forma tão inconsequente. Felizmente o muro acabou na hora certa e não houve maiores problemas com Rubinho além de duas rodas na grama.

Fábio Andrade



Surpresa zero com a atitude do Schumacher. Surpresa mesmo foi finalmente sair punição. O alemão está defendendo posição com essa agressividade há bastante tempo, independente do adversário; só hoje que a FIA achou de punir. Também, se passasse de hoje, é porque não puniria mais nada nem por decreto.

Engraçado é que, por mais violenta que seja sua repulsão por tomar ultrapassagens, ele segue tomando...

Felipe Maciel

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Petrov, Renault, Ferrari



FÁBIO ANDRADE



Desde o início da temporada o polonês Robert Kubica aparece como um dos grandes nomes do grid da safra 2010. Pelo menos desde o GP da Austrália, Kubica tem surpreendido positivamente por sua pilotagem consistente e por estar frequentemente a frente de carros mais badalados, como o F-10 da Ferrari.

Na mesma medida, desde o início do ano, o calouro russo Vitaly Petrov apresenta um desempenho bem mais discreto, como é próprio dos novatos. Enquanto Kubica ocupa o sétimo posto na classificação geral de pilotos, com 67 pontos, Petrov amealhou suados seis tentos. O russo estava prestes a conseguir mais quatro pontinhos na Turquia, mas a manobra da defesa de posição perante as investidas de Fernando Alonso tirou o novato da zona de pontuação por causa de um pneu furado.



Petrov fazia em Istambul sua melhor corrida desde o GP da China, quando chegou em sétimo e conquistou seus únicos seis pontos. Na Turquia, o russo esteve durante boa parte da corrida entre os dois carros da Ferrari e, na parte final, resistiu a alguns dos ataques do bicampeão Fernando Alonso. Caminhava para um redentor oitavo lugar quando teve seu pneu furado.

Foi a ocasião em que Petrov andou mais próximo de Kubica no ano, tal como em Xangai. O piloto russo não cometeu erros e, junto com o polonês, manteve a equipe Renault próxima à Ferrari praticamente durante toda a corrida. Ferrari que já ligou o sinal vermelho. Depois de Felipe Massa passar toda a corrida turca atrás de Kubica e de Alonso só conseguir a ultrapassagem sobre Petrov no finalzinho e com certa dificuldade, ficou a impressão de que a Renault já briga com o time italiano pelo posto de quarta força do grid de 2010.


Te cuida, Ferrari

Um fracasso do modelo F-10, no qual a equipe italiana investiu enorme energia e também enorme esperança depois do fiasco da F-60, seria vexatório para a Ferrari, e a alta cúpula da equipe sabe disso. O modelo desse ano começou a ser gestado em Maranello ainda no meio de 2009 e, pelo tempo que sua preparação consumiu, o bólido vermelho está deixando a desejar. Por isso mesmo Stefano Domenicali, chefe do time rubro, promete atualizações técnicas importantes para o time a partir do GP da Europa, no dia 27 de junho. Só que antes de correr nas ruas de Valência, a Fórmula-1 viaja para a América do Norte, para o GP do Canadá. Mais uma corrida com desempenho modesto pode comprometer de vez o ano da equipe de Maranello.

domingo, 23 de maio de 2010

Até onde vai o braço de Robert Kubica?



FELIPE MACIEL



De uns anos para cá ficou realmente difícil nivelar com precisão o carro da Renault no grid da Fórmula 1. A combinação não é nada justa: um piloto com naipe de campeão ao lado de um inexperiente, muitas vezes preterido pela equipe.

Nos deparamos com longa discrepância entre os resultados de Alonso em relação a Nelsinho ou a Grosjean, e hoje notamos algo semelhante entre Robert Kubica e Vitaly Petrov.



Nas temporadas anteriores, era trivial observar o disparate entre pilotos Renault posicionados em lados opostos do grid - um fica no Q1, outro sobe ao Q3. Em 2010, embora o mesmo já tenha ocorrido no qualifying, felizmente o acontecimento deixou de ser comum. Agora o contraste se limita a Q2 x Q3.

Quem acompanhava a GP2 depositava muito mais fichas no Piquet e no Romain do que no russo, mas Petrov já alinhou numa satisfatória 11ª colocação logo em sua 3ª corrida. Ok, ele pode ter lá seu talento, mas também fica claro que o R30 é o melhor carro feito pela Renault desde seu último campeonato mundial, conquistado em 2006.



Robert Kubica está dando um verdadeiro show. O polonês está classificando-se entre os postos top com muito mais facilidade que Fernando Alonso em 2008 e em 2009, quando o espanhol tirava proveito do tanque vazio para galgar posições durante a super pole - opção que o polonês não possui e ainda dispensa na temporada corrente.

Descobrir o quanto o carro da Renault é bom continuará sendo um desafio até o dia em que a equipe parar de contratar dois pilotos de níveis completamente distintos. Pela baixa expectativa atribuída ao time francês desde a pré-temporada, naturalmente passamos a supervalorizar o braço do polonês Robert Kubica, que de fato vive uma grande fase. Mas ele não faz milagre de transformar um monoposto de meio de grid a candidato frequente ao pódio.

Após uma sequência de bólidos mal nascidos - com direito a uso de esquema controverso para abocanhar a vitória em certa corrida noturna -, a Renault finalmente começa a se restabelecer tecnicamente na Fórmula 1. O R30 é dos bons e a parceira com um Kubica motivado pela casa nova já permite ao time sonhar com uma nova vitória, coisa que em 2009 passou longe de ocorrer. Sem falar na abstinência do polonês, que não vê a hora de pisar no lugar mais ilustre do pódio pela segunda vez na carreira.

domingo, 18 de abril de 2010

Dupla de equipe: GP da China



McLaren


É gozado porque depois de classificação considerei que a McLaren estava definitivamente fora da briga e que os tais dutos estavam sendo superestimados. Na verdade ainda acho que os dutos estão recebendo um tratamento um pouco exagerado pela imprensa e pelos próprios personagens do circo, afinal, velocidade máxima final não é o único fator determinante para fazer um carro competitivo.

Mas fora da briga a McLaren não esteve e a equipe é a única que venceu duas até aqui em 2010. Foram vitórias circunstanciais? Prefiro não entrar nesse mérito. O que acontece é que a McLaren (Button, sobretudo) soube aproveitar melhor as chances que apareceram.

Fábio Andrade



Desde a sexta-feira até o Q2 no sábado, a ameaça da McLaren era perceptível. Mas o fracasso na super pole foi inacreditável. Enquanto a Red Bull respirava aliviada com a pole, soltou uma ironia para cima dos ingleses. Acabaríamos descobrindo que era cedo para isso...

Mais uma vez, sob chuva, Hamilton e Button partiram para estratégias diferentes. E Button de novo levou a melhor. Mas o show do Lewis não pode ser menosprezado, pena que seu estilo empolgante de guiar esteja sendo prejudicado pelo reabastecimento proibido. Se vencesse, seria merecido. Assim como a vitória do Button também foi. Dobradinha merecida, pois.

Felipe Maciel



Vitaly Petrov


A F-1 não parece muito carente de homens-show, mas o Petrov veio pra engordar as fileiras desse tipo de piloto. Ultrapassou, rodou, ultrapassou de novo. Eu ainda vou esperar um pouco mais pra dizer se gosto ou não dele, do estilo dele, mas por ora não tá fazendo feio.

Tô gostando mesmo é da Renault. As corridas têm sido um pouco estranhas, talvez por isso o desempenho do carro esteja sendo avaliado precipitadamente, mas parece que a equipe foi muito subestimada durante a pré-temporada.

Fábio Andrade



O russo está evoluindo bem... Com um final de corrida em grande estilo, marcou os primeiros pontos na Fórmula 1. Foi um dos bons destaque da China, sem dúvida. O presidente da Rússia já pode comunicar ao seu povo: "Nunca na história desse país um russo ultrapassou o Schumacher!".

Felipe Maciel



Massa x Alonso


Na China o Alonso engoliu o Felipe. Ponto.

Felipe vai ser segundão na Ferrari? Vai ser substituído no fim do ano? Vai passar o ano sem ganhar uma? Bem, não sou nem quero ser profeta de nada, e acho que ainda é muito cedo para responder a todas essas perguntas.

O incidente na entrada dos boxes: não é usual ver na Ferrari, mas também não vejo o drama que tentaram construir. Se o piloto da frente está mais lento o normal é ultrapassá-lo, certo?

Fábio Andrade



Antes de mais nada, o Massa errou. Não se conserta o erro batendo no companheiro, sobrou-lhe portanto aceitar a perda de posição. Mas será que não tinha um momento pior para ele dar uma balançada do que na exata hora de entrar nos boxes?!

Bem, lucro para a Ferrari que o Alonso tenha passado o Massa. Porque o espanhol tinha muito mais ritmo para galgar posições e o fez. Quanto ao incidente, não vejo por que discutir: O Fernando já tinha passado! Se não fossem para os boxes, ele superava o Felipe na curva da vitória. Parceiro de equipe é antes de mais nada piloto, isto é, ele não está lá para tirar o pé e dar apoio moral quando o outro erra, e sim para ultrapassar e ir embora.

Felipe Maciel



Michael Schumacher


Está enfrentando grandes apuros. É complicado falar porque o Schumi desperta muitas paixões. O que é seguro dizer é que ele concordou em se expor dessa forma. Depois de 4 corridas os fatos são: Schumacher foi sistematicamente mais lento do que o companheiro e ainda não se adaptou a essa F-1 tão diferente de quando ele parou há 3 anos. Idade influencia? Pode ser. Mas é óbvio que todos vamos avaliá-lo não só pelo que ele fez até 2006, mas também por agora em 2010, e com uma cobrança até maior, já que se trata do maior recordista da história. E o que Schumacher conta até aqui em 2010 não faz justiça a um homem com o currículo dele.

Se Schumi não se adaptou ao carro, aos pneus ou ao novo estilo que a F-1 adquiriu é um problema que ele terá de resolver. Estava tudo no pacote.

Fábio Andrade



Já não entendi o que o Schumacher pretendia quando anunciou que retornaria, e a cada dia entendo menos. Voltou para quê? Para ser octa? Ser octa pra quê? Ninguém até hoje foi nem hexa. Ah, sim, ele voltou para se divertir. Sei, mas vale a pena o risco?

O retorno do alemão pode se transformar na pior decisão já tomada em sua carreira. Justo ele, que nunca enfrentou um período de decadência, já que se afastou em grande forma... É triste ver cenas como essas exibidas durante o GP da China.

A diferença em relação ao Rosberg, ao invés de diminuir, parece que está crescendo. A única coisa que deve está se reduzindo é sua motivação. Possui um dos 4 melhores carros do grid mas é apenas o 10° da tabela. Já duvido que volte a ser reconhecível, pelo menos nesta temporada.

Felipe Maciel



Tabela classificatória


Cabem poucas observações, a meu ver. A tabela reflete com boa margem de acerto, se é que o termo existe e é justo usá-lo, o que a temporada está apresentando até aqui.

Fábio Andrade



É estranho dizer isso, mas poucos acreditavam que o atual campeão fosse liderar a tabela do campeonato com relativo conforto. O Nico Rosberg em segundo nem se fala!

Ferrari e Red Bull, supostamente os melhores carros do princípio da temporada, estão fora da ponta. A Ferrari já foi alcançada por McLaren e Mercedes. A RBR ainda tem uma pequena folga e apresenta maior potencial de recuperação. De qualquer forma, as quebras nas 2 primeiras corridas, e este GP da China - uma das piores exibições sob chuva da equipe - lhe privaram de conquistar os pontos correspondentes ao que o carro tem para dar.

Felipe Maciel



Troféu Santander


Huuuummm. Pra mim ficou bonito. Eu sempre acho troféus bonitos. Sei lá, entendo pouco sobre desenhos, tradição, e essas coisas. Se é ou não o logo de uma marca acho que pouco importa.

Fábio Andrade



Deram uma bela melhorada no desenho, não? O chamado cocozinho do Santander evoluiu para um troféu de verdade. Se divulgam a marca sem estragar o símbolo de um trabalho bem feito, está ótimo.

Felipe Maciel

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Enquete F-1: Ultrapassagens



FELIPE MACIEL



Após um tempo perguntando "Qual o principal fator que dificulta as ultrapassagens na Fórmula 1?", chegamos a mais um resultado de enquete.

114 cliques computados trouxeram o seguinte julgamento dos leitores:

Fatores técnicos do carro - 37,7%
Traçados dos circuitos - 36,8%
Falta audácia aos pilotos - 16,7%
Valorização da estratégia - 4,4%
Outro - 4,4%
Sistema de pontuação - 0,0%

Um único voto separou os dois itens principais dando a vitória aos "fatores técnicos do carro". Mais uma vez, sou obrigado a concordar com o resultado. Ainda há meios de melhorar tecnicamente os carros, começando com a remoção do difusor duplo. Os freios sagrados da F-1, caso fossem alterados, consistiriam num largo progresso favorável ao espetáculo. Mas isso está fora de questão, não é mesmo, dona FIA?

Em segundo lugar, ficaram os traçados. Algumas pistas realmente não colaboram com as ultrapassagens, mas outras que as permitem muitas vezes sediam corridas meia-boca, o que mostra que os circuitos não são necessariamente os culpados.

Um destaque provavelmente histórico em nossas sondagens merece ser mencionado: a opção "sistema de pontuação" receber zero voto na enquete. Zero. Nada. Nadinha! Não consigo me lembrar se alguma vez isso já ocorreu aqui no blog. Mas o interessante é que este item entrou na pesquisa porque até o ano passado ouvia-se comentários de que a busca pela regularidade provocada pelo sistema de pontos evitava as ultrapassagens. Se em 2010 esse discurso desapareceu, como sugere nossa enquete, eu só espero que tal mudança de mentalidade não tenha sido motivada pela grande enganação lançada pela FIA ao fazer muitos acreditarem que o novo modelo valoriza a vitória, o que não é verdade, como já mostrei aqui, ou aqui se preferir.



Para fechar, vou dar uma apimentada numa poeira que estava baixando. O vai-e-vem entre Hamilton e Petrov na Malásia só não terminou em ultrapassagem porque a McLaren com duto de ar, usina Mercedes e tudo que tem direito, é simplesmente o melhor carro de reta da F-1, enquanto a Renault ainda não parece uma Brastemp. Não fosse essa diferença, bastaria um zigue e um zague para Petrov descolar da traseira de Lewis e realizar a ultrapassagem com relativa facilidade na curva 1.

Eu já comentei mais calmamente meu ponto de vista sobre esta polêmica por lá, mas cito este exemplo aqui apenas para ilustrar como as equipes são capazes de tornar a aerodinâmica tão refinada a ponto de impor um empecilho técnico às tentativas de ultrapassagens dos rivais.

Fim de enquete velha, início de enquete nova. Uma pergunta na lateral da página aguarda a sua resposta...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Piloto contratado, piloto ameaçado



FELIPE MACIEL


Não sei com que frequência isso acontece no grid, mas talvez não seja errado dizer que a cultura Briatore ainda vive dentro da Renault.

Firmar contrato com um piloto inserindo obrigação em número/porcentagem de pontos me parece extremamente negativo. Não existe cláusula para engenheiro do tipo "se o bólido tomar mais de 1s da Ferrari, o time poderá rasgar seu contrato". Mas com piloto existe.



Segundo informações de uma agência russa, Vitaly Petrov tem, formalmente, o dever de marcar pelo menos 25% dos pontos de Robert Kubica. Isso é mais que mera desculpa para justificar uma possível demissão: é quase uma ferramenta de coerção.

Quando o piloto vive uma fase dura em que a tudo sai errado, a pressão se multiplica por força de contrato. Prejuízo para ele, prejuízo para a equipe.

Esse método de "pressão total" tanto sobre os pilotos oficiais quanto os jovens de base fez com que a própria Renault dispensasse Robert Kubica de seu programa de desenvolvimento. O erro está comprovado: anos depois, o time francês emprega o polonês voador, já renomado no ambiente da Fórmula 1. Mas se eles não aprendem, vai se fazer o que?

domingo, 31 de janeiro de 2010

R30, a tentativa de redenção da Renault



FÁBIO ANDRADE



Sem grande badalação, como manda o figurino da nova (será?) ordem econômica da Fórmula-1, a Renault revelou hoje o R30, modelo da equipe para disputar a temporada 2010. E que bela surpresa nos trouxe o novo bólido da montadora francesa!

Além do novo carro, soube-se na tarde de hoje em Valência quem é o companheiro de Robert Kubica na equipe Renault. É o russo Vitaly Petrov, de 25 anos. Egresso do automobilismo russo, foi campeão de categorias como a Copa Lada e a Fórmula 1600 Russa, de onde carimbou o passaporte para a GP2, onde conquistou 4 vitórias na carreira e foi vice-campeão em 2009. Segundo especulações, Petrov, que aparece na foto abaixo ao lado de Kubica, trás para a Renault o numerário de 15 milhões de euros.

kubica petrov 2010

Voltando a falar do R30, o modelo retorna ao antigo esquema de cores da equipe. O preto e o amarelo formaram uma dobradinha que, outrora improvável, não agrediu os olhos. Chama a atenção, porém, a ausência de outros patrocinadores além da marca de lubrificantes Total e do nome da própria montadora.

r30 2010

A aposta do time para voltar a ser competitivo é um carro com bico mais baixo do que o da maioria das máquinas que já foram reveladas, destoando de padrões como os de Ferrari e BMW, que parecem ter se inspirado no RB5 da Adrian Newey. A Renault, por sua vez, parece ter bebido na fonte do BGP-001 da campeã de 2009, a Brawn GP.

r30 2010 hd

r30 2010

As entradas de ar do R30 também são menos pronunciadas do que a da maioria dos concorrentes e os projetistas da equipe não fugiram à barbatana de tubarão, acessório apenas não usado até agora pela Ferrari. O difusor traseiro foi devidamente escondido de flashes e olhares mais curiosos, como vem se tornando praxe.

r30 2010

Depois de desaparecer da briga pelas vitórias após a saída de Alonso no fim de 2006 e de escandalizar o universo do esporte a motor com as armações de Cingapura, a Renault, enfim, ensaiou um tentativa de se redimir. O R30, com seus inimagináveis preto e amarelo são a mudança de layout mais notável e interessante da pré-temporada até aqui.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pague e leve: últimas semanas

Pechito Lopez é um piloto de apelido engraçado com um talento extraordinário estimado em US$ 8 milhões de dólares, 2 dos quais partem dos cofres argentinos, que deve ser um país maravilhoso, onde o governo não tem problema algum para resolver. Daí nada melhor que ajudar a pôr fim aos 9 anos de ausência da Fórmula 1.

A categoria se tornou tão exigente com a entrada de patrocínio que pode virar moda a participação de governos nacionais na brincadeira. Pastor Maldonado é outro exemplo. Contava com o apoio da Venezuela para despejar dinheiro na Campos e estrear na F-1. Mas a situação do Adrian ficou um pouquinho complicada; antes de um piloto pagante ele precisa mesmo é de um bom investidor que ajude a segurar o pepino.



Das vagas restantes, podemos destacar também o vice-campeão da GP2, Vitaly Petrov, que detém uma mala estupidamente recheada por dois poderosos patrocinadores russos. O que a Renault está esperando para anunciar a troca do talento do Grosjean pelo potencial do Petrov?

É chato olhar para o calendário e observar que há 3 vagas em aberto considerando que falta apenas 1 mês e meio para a abertura do campeonato. Essa lerdeza não víamos faz tempo na F-1. O tal do Pechito, por exemplo, só deve fazer contato com o bólido no final de fevereiro, a duas ou três semanas do Bahrein. Os pilotos da Campos provavelmente irão conhecer o carro nos treinos livres. Isso se formos otimistas. Num cenário pessimista, a Stefan GP pegaria o carro do Toyota e entraria atropelando o time espanhol.