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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Homem de Gelo voltou

A notícia teve grande repercussão e pegou muita gente de surpresa, até mesmo os que estavam mais atentos as negociações de Kimi Raikkonen com a Lotus-Renault. O finlandês está de volta e, segundo ele próprio, motivado o suficiente para voltar a ser o Kimi Raikkonen de 2007, sim, aquele campeão mundial com a Ferrari.

[caption id="" align="aligncenter" width="564" caption="Kimi Raikkonen volta à F-1 vestindo o macacão da equipe que já o queria no início desta temporada"][/caption]

Muitos colocam em dúvida sua volta. Outros fazem comparações com o retorno bem abaixo do esperado que teve Michael Schumacher, mas a verdade é que pouca coisa se assemelha ao retorno do finlandês com a volta do multicampeão alemão. As mudanças não foram muito grandes desde que Raikkonen deixou a categoria no final de 2009, por conta do desonroso descompromisso da Ferrari perante seu contrato. Então, o retorno do finlandês em alto nível depende mais do carro que lhe será dado para os próximos dois anos de contrato, do que propriamente de sua motivação.

Todos sabem bem o bom piloto que Kimi é. Ao contrário do que alguns dizem por aí, sua participação no WRC não foi medíocre, tampouco vexatória. Vale lembrar também, que o piloto finlandês perdeu seu pai no tempo que esteve fora da F-1, pessoa que ele era muito ligado. E pergunto quem é que não se sente abatido na vida pessoal e na profissional com a morte de alguém tão próximo? Mesmo sendo uma pessoa fria e de poucas palavras, aquilo pesou muito sobre os ombros de Raikkonen.

Jean Alesi, embaixador da Lotus Renault, disse que “a F-1 precisa de um piloto que marque voltas 100% no limite. Isso um piloto do calibre de Kimi pode fazer, dançar no limite e nunca cair. A partir disso, os engenheiros conseguem uma base”. Todo mundo sabe que Raikkonen não é lá um piloto que trabalha ligado a equipe o tempo todo, contando as experiências das voltas que fez em detalhes. Não disponibiliza um grande feedback, mas as palavras de Alesi nos fazem entender que mesmo com esse trabalho, Kimi pode fazer o suficiente para a Lotus-Renault.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="Enquanto uma vaga se define na equipe, outros três pilotos lutam pelo outro cockpit da Lotus-Renault"][/caption]

Com Kimi Raikkonen confirmado para uma das vagas da equipe e Robert Kubica fora dos planos da escuderia em 2012, a outra vaga continua em aberto e deve ganhar dono muito em breve. Vitaly Petrov, Bruno Senna e Romain Grosjean disputam a vaga colocando na mesa todo o dinheiro que possuem e levando para critério de desempate o desempenho nas pistas. Triste isso, já que a Fórmula 1 merecia o inverso dos critérios.

Como Raikkonen é um piloto que não deve custar nada barato para a escuderia, o segundo piloto do time precisará ajudar a Lotus a bancar os gastos da próxima temporada. Conclusão: o dinheiro será decisivo na escolha entre candidatos à vaga.

Ao Kimi, boa sorte em seu retorno e que tenhamos uma temporada de 2012 cheia de habilidade por parte dos seis campeões mundiais que farão parte do grid.



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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Memória Blog F-1: Campeões em Suzuka [1]

O Suzuka Internacional Circuit estreou na Fórmula-1 em 1987. De lá para cá a pista sediou o GP do Japão em 23 oportunidades e em 10 delas o campeão foi coroado na Terra do Sol Nascente. Seis pilotos puderam soltar o grito de campeão enquanto contornavam a sinuosa pista japonesa na volta da vitória: Nelson Piquet (1987), Ayrton Senna (1988, 1990, 1991), Alain Prost (que nesse caso só pôde confirmar o título depois de se reunir com os comissários e conseguir a polêmica desclassificação de Senna em 1989), Damon Hill (1996), Mika Hakkinen (1998, 1999) e Michael Schumacher (2000, 2003). Se cruzar a linha de chegada em 10º ou em melhor posição no próximo dia nove de outubro, Sebastian Vettel se tornará o sétimo piloto coroado campeão no autódromo japonês.

Na última vez que um título de pilotos foi decidido em Suzuka, em 2003, Schumacher chegava ao Japão exatamente da mesma forma que Vettel chegará daqui a pouco mais de 10 dias: precisando de um ponto. O gp  japonês era o último daquela temporada e Schumacher contava 92 pontos contra 83 de Kimi Raikkonen. Mesmo que empatassem no número de pontos, Schumi levava vantagem no primeiro critério de desempate que é o número de vitórias: o alemão da Ferrari tinha seis trinufos no ano, contra apenas um do finlandês da McLaren. Ou seja, bastava para Schumacher terminar a corrida, pelo menos, no oitavo lugar para não depender de nenhum resultado.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Cristiano da Matta e os irmãos Schumacher disputando posição em Suzuka"][/caption]

O que parecia uma tarefa fácil para o então pentacampeão ganhou ares de drama no treino classificatório do sábado. Uma garoa intermitente testou a frieza dos pilotos e das equipes. Na época, o modelo de classificação determinava o momento exato que cada piloto deveria sair para sua volta rápida e cada um tinha apenas uma chance de tentar a pole. Schumacher e Raikkonen enfrentaram os 5807 metros da pista japonesa quando ela estava “melada” pelo chuvisco. O finlandês cravou 1min33s272 e ficou com o oitavo lugar. Schumacher esteve mais de um segundo mais lento com 1min34s302 e o 14º lugar. Rubens Barrichello, o pole, pegou o asfalto seco e massacrou a concorrência com uma volta em 1min31s713, deixando Juan Pablo Montoya, o segundo no grid, quase sete décimos atrás.

O desfecho do mundial daquele ano se deu no domingo, numa corrida tensa para a Ferrari. Com Raikkonen largando em oitavo e longe da vitória, a possibilidade de uma virada histórica do iceman era ínfima. De toda forma, Barrichello, na pole, tinha a missão de garantir que a posição número 1 não saísse de seu controle para dar mais tranquilidade ao time e a Schumacher. Ao alemão, cabia tentar fazer uma corrida de recuperação, garantir pelo menos um ponto, e não precisar depender de resultados alheios.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Raikkonen até tentou, mas não pôde impedir o hexacampeonato de Schumacher em 2003"][/caption]

O resto foi história, e a história não foi simples como Schumacher e a Ferrari esperavam. Pressionado, o alemão cometeu dois erros infantis (se fossem cometidos hoje, provavelmente, resultariam em duas punições ao alemão) e se complicou na corrida. Raikkonen passou a ser o segundo pouco depois da metade da prova, mas a condução sólida de Barrichello impediu a vitória do finlandês. E no final, mesmo que vencesse, Raikkonen não seria campeão porque Schumacher conseguiu o mínimo necessário para garantir seu título: o oitavo lugar e um ponto. Estava coroado o primeiro piloto seis vezes campeão mundial de Fórmula-1 e o recorde de cinco títulos do argentino Juan Manuel Fangio estava, finalmente, superado.

Nos vídeos, o GP do Japão de 2003 quase na íntegra. Falta o trecho entre as voltas 20 a 30. Mas pouca coisa de importante acontece nessa parte que falta, logo, vale muito a pena recordar:











sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Raikkonen, Spa, KERS

Os mais puristas hão de concordar com as declarações de Kimi Raikkonen: KERS e asa móvel aumentam o show, mas , aparentemente, nivelam por baixo as disputas por posição. Ok, Kimi, mas não esqueça que é ao KERS que você deve sua última vitória na Fórmula-1, na Bélgica em 2009:



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Kimi ou Petrov? Aparentemente as únicas opções



FELIPE MACIEL



Eric Boullier não para de valorizar o confronto pela vaga do cockpit ao lado da garagem do Kubica para 2011. Os últimos comentários do francês serviram para assustar Vitaly Petrov e aumentar a especulação em torno de Kimi Raikkonen.
Está definitivamente chegando a hora de tomarmos uma decisão. Mas realmente desejamos considerar todas as opções. Decidi contar a alguns pilotos que não falaremos com eles, mas Kimi segue em nossa lista. Disse várias vezes que desejo encontrá-lo antes de fazer qualquer coisa. Quero entender melhor seu desejo de voltar.

Boullier sobre Raikkonen



Indagado se a escolha depende do balanço "patrocínio vs desempenho", Eric desconversou e afirmou que questões financeiras não estão envolvidas nas negociações. Para Petrov ficar, basta fazer um bom trabalho (superior ao que conseguiu fazer até agora).
Só preciso entender se ele se adapta à F-1 e pode ser um segundo piloto bom no próximo ano. Se Robert está brigando agora pela quinta posição e Petrov pode ser sétimo ou oitavo, então está bem. É o que esperamos de um piloto jovem.

Boullier sobre Petrov



Gostaria muito de acreditar no retorno de Kimi ao lado de Kubica, mas ainda encaro essa novela como mera pressão da Renault para arrancar mais dinheiro russo de Vitaly e assegurá-lo para o ano que vem, independente dos resultados em pista como sugere a chefia.

Faça sua aposta. Em poucos meses, veremos este desfecho.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A volta dos que deveriam ter ficado



FÁBIO ANDRADE


A informação é da Autosport, então todo mundo leva a sério: Kimi Raikkonen estaria interessado em voltar para a Fórmula-1 pela equipe Renault em 2011. A menção de um campeão em voltar para seu esporte (ou nesse caso, categoria) sempre é positiva, vide o rebuliço que Michael Schumacher causou ao tornar público seu retorno, no final de 2009. Nessa temporada cheia de pretensões, de "melhor piloto da atualidade" vencendo com ordem de equipe, de queridinho do time lamentando por estar sendo jantado pelo companheiro e de idem acontecendo com o maior mito recente da F-1, este blogueiro tem saudade de Kimi e de seu ar blasé de quem pouco está ligando pra toda essa fogueira de vaidades.




[caption id="" align="aligncenter" width="450" caption="Raikkonen em bocejo oficial pela Ferrari em 2009"]Raikkonen em bocejo oficial pela Ferrari em 2009[/caption]

Porém, tal como aconteceu com Schumacher, cabem perguntas ao hipoteticamente repatriado Kimi Raikkonen: depois de um ano fora, o finlandês ainda tem a "mão" da F-1? Nessa realidade de poucos ou nenhum teste durante o ano a rápida adaptação na pré-temporada seria primordial em caso de retorno.


E outra: se for para voltar, que Raikkonen retorne como em sua melhor forma e que a Renault faça bem ao campeão de 2007 como a Ferrari não fez.


Outro que volta, mas esse já de forma oficial e confirmada ontem, é Nick Heidfeld. Volta pra casa, para a mesma Sauber onde quase criou raízes durante a maior parte de sua carreira. É outro retorno que me agrada muito e penso que poderia ter sido assim desde o início do ano: Heidfeld e Kobayashi formando a dupla de Peter Sauber nas pistas.




[caption id="" align="aligncenter" width="466" caption="Heidfeld no cockpit da BMW Sauber em 2008"]Heidfeld no cockpit da BMW Sauber em 2008[/caption]

Gosto enormemente do piloto que é o Heidfeld. Acho que é um dos talentos mais injustiçados da década que passou, algo como Rubens Barrichello nos anos 90. Mas não gosto da comparação. Entre o Barrichello de ontem e o Heidfeld de hoje e entre os mitos que eclipsaram a trajetória de ambos há enormes diferenças.


Com a notícia da volta de Heidfeld e os rumores sobre o retorno de Raikkonen, as manchetes ganham um ar de 2001, quando os dois pilotos dividiam os boxes da Sauber. Eram então dois jovens talentosos que tinham pela frente, diziam os especialistas da época, um sucesso retumbante os agurardando. A setença até deu certo para Raikkonen, mas jamais se concretizou para Heidfeld. Talvez seja interessante para Sebastian Vettel saber que o confete e a serpentina jogados hoje, não garantem o carnaval de amanhã.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Bélgica 2009



FÁBIO ANDRADE




A única vitória da Ferrari em 2009 quase foi esquecida perante o desempenho de Giancarlo Fisichella em Spa. O italiano fez a pole e segurou a ponta na largada, mas sucumbiu ao KERS da F-60 de Kimi Raikkonen logo depois. De toda forma, Físico, com a modesta Force India, não desgrudou do finlandês, escoltando a Ferrari durante o restante da corrida. No pódio, Fisichella foi o mais aplaudido, em parte porque Raikkonen é carismático como um acidente aéreo.


Mas não é para ver pilotos sorrindo que se liga a tv aos domingos de manhã, e Spa Francorchamps é um capítulo importante na carreira de Raikkonen na F-1. Com incríveis quatro vitórias na pista belga (2004, 2005, 2007 e 2009), Raikkonen criou uma identificação com o circuito das ardenhas que é quase semelhante a que aconteceu entre Senna e Mônaco, ou entre Massa e Istambul Park. Se Kimi estivesse na pista no próximo domingo seria intensamente apontado como favorito.


E não foi só de pista que se viveu no GP da Bélgica em 2009. Foi na tv, via transmissão da Globo, que o mundo começou a tomar nota do escândalo envolvendo Nelsinho Piquet, o comando da Renault e Fernando Alonso no GP da Cingapura de 2008.


OBS: aos caros leitores, um aviso: alguns de vocês já devem ter percebido que o blog assumiu um ritmo errático há alguns dias. A tendência é de que os posts continuem pingando com menos frequência por aqui. Em breve, se tudo sair como o planejado, volta tudo ao normal.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Bélgica 2008



FÁBIO ANDRADE





Melhor corrida de 2008? Talvez o leitor responda que não por causa do GP do Brasil ou por causa de uma outra grande corrida de uma das temporadas mais divertidas do passado recente da F-1. Mas o tom que tomou as discussões sobre o GP da Bélgica de 2008 não foi o de diversão e sim o da polêmica. A ultrapassagem de Hamilton sobre Raikkonen perto do fim mudou a história da corrida e os comissários trataram de mudá-la novamente com uma canetada horas depois da conclusão da prova. A forma como Hamilton operou a ultrapassagem sobre Raikkonen realmente foi discutível, mas há de se lembrar que a filosofia de segurança usada pela FIA para estruturar as pistas contribuiu muito para todo o imbróglio.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Jogo de Equipe, Bélgica, 2005



FÁBIO ANDRADE



Se em 2010 o jogo de equipe voltou a ser o tema da vez, voltemos a uma ocasião em que a troca de posições foi feita sem alarde: Spa, GP da Bélgica de 2005.

Raikkonen disputava com Alonso o título. O finlandês contava com um carro que não era ruim, mas que teimava em não concluir as corridas. Raikkonen abandonara por problemas em seu bólido diversas vezes em 2005, e de praticamente todas as formas imagináveis.

No GP da Bélgica daquele ano Alonso chegou a Spa com chances de conquistar em definitivo o título, mas teve seu triunfo adiado para o gp seguinte (que por acaso era o do Brasil). No sábado, Juan Pablo Montoya cravou a pole. O colombiano dominou toda a corrida com Raikkonen em segundo, até que no fim, Ron Dennis mexeu seus pauzinhos. Montoya foi diminuindo o ritmo gradativamente, enquanto Raikkonen fazia seguidas voltas mais rápidas. No último pit stop, as posições foram invertidas e Raikkonen pôde vencer e adiar o primeiro título de Alonso por mais 15 dias.


F1 - Best of Belgian GP 2005 - MyVideo

Foi o clássico jogo de equipe, jogado sem pudores, e tratado com naturalidade por imprensa e torcida. Confirmando o que foi dito em muitos sites e blogs internet a fora, uma tática aceitável quando a equipe tenta, no fim do mundial, garantir a presença de seu piloto na briga pelo maior tempo possível.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Raikkonen, esse desmotivado?



FÁBIO ANDRADE



Do dia 27 de abril de 2008 ao dia 30 de agosto de 2009, um piloto viveu um drama na Fórmula-1. Ou não. Porque quando se fala de Kimi Raikkonen, normalmente os tons dramáticos ficam reservados às paginas de jornais e a blogueiros com um pé no sensacionalismo, como esse que escreve esse post. Kimi costuma dar muito menos atenção a tudo que acontece no ambiente extra-pista, incluindo as discussões sobre seu próprio rendimento.

O fato é que o período datado no parágrafo acima é o intervalo entre a penúltima e a última vitória de Raikkonen na F-1. Foram quase exatos 16 meses, ou 25 corridas, sem ser o primeiro a receber a bandeira quadriculada na linha de chegada, o que é um calvário para um piloto numa equipe como a Ferrari.

Raikkonen foi então acusado de sonolento, desinteressado, desmotivado. Seu jejum começou no GP da Espanha de 2008 e durou até o GP da Bélgica de 2009. Kimi só se redimiu com uma atuação de gala na sua “pista-fetiche”, se é que o termo existe, Spa-Francorchamps, na única vitória da Ferrari no último campeonato. Mas ainda assim Raikkonen se retirou da F-1 no fim do ano passado deixando no ar a sensação de que se tornara um piloto mediano e burocrático.


O jejum dos outros

No passado recente da F-1, Kimi Raikkonen não foi a única estrela a passar um grande período sem vitórias, mas foi o único piloto que teve de lidar com uma quase perseguição da imprensa, que o acusava de estar desmotivado. Outros destaques da F-1 não conviveram com isso. Felipe Massa é um bom exemplo. Seu último triunfo foi no GP do Brasil do dia 2 de novembro de 2008, há um ano e meio, ou 24 grandes prêmios. Porém, Massa esteve impedido de disputar oito dessas 24 corridas em virtude de seu acidente no GP da Hungria de 2009, que o tirou das pistas pelo resto do ano.

Fernando Alonso também atravessou um longo período de vacas magras. Na verdade, dois intervalos grandes sem vitórias: de setembro de 2007 (GP da Itália, ainda pela McLaren) a setembro de 2008 (o infame GP de Cingapura, já pela Renault) e de outubro de 2008 (GP do Japão) a março de 2010 (GP do Bahrein, pela Ferrari). Foram, respectivamente, 18 e 19 corridas de jejum.

Há ainda outros casos de pilotos que ficaram longos períodos sem vencer: Rubens Barrichello passou quatro temporadas inteiras sem vitórias e voltou a triunfar no ano passado. Jenson Button esteve sem vencer do GP da Hungria de 2006 ao GP da Austrália de 2009. Já aparentava ser piloto de uma vitória só, até encontrar o BGP-001 em seu caminho e partir para o título no ano passado. Mas no caso de Barrichello e Button chovem ressalvas, afinal, ambos estavam em alguns dos carros mais fracos do grid antes de a Brawn GP aparecer.

Apesar de todos os exemplos, a pecha de desinteressado só recaiu sobre Kimi Raikkonen. Talvez porque a Ferrari não fosse, de fato, a equipe ideal para seu estilo, talvez porque Kimi não desfiasse um rosário de sorrisos nem parecesse paciente diante dos interrogatórios dos jornalistas.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Memória Blog F-1: Raikkonen em seus dias



FELIPE MACIEL


"Chegar é um coisa, passar é outra", é o que diz nosso sábio narrador.

Mas nem sempre foi assim. Que o diga Kimi Raikkonen em tempo de McLaren: o finlandês não negociava ultrapassagem, ele simplesmente ultrapassava. Assim...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Frases para esquecer

Os esportistas são preparados para competir. Os jornalistas são responsáveis por perguntar sobre a competição. Mas ainda não inventaram uma forma eficiente de treinar os competidores para responder as indagações a respeito do esporte.

Acontece com alta frequência na Fórmula 1. Hoje mesmo está em destaque nos portais de notícias: "Não tenho nada a perder", Rosberg sobre Schumacher.

Nico não pode estar falando sério. É como se o Kovalainen dissesse que não tinha o que perder quando se juntou a Hamilton na McLaren. Tem a perder, claro, sempre tem. A moral do finlandês era mais elevada antes de ingressar em Woking. Hoje, ele impõe menos respeito. A capacidade de um piloto nunca está em tanta evidência como no dia em que ele guia um carro rápido, sendo obrigado a andar na frente.



Me fez lembrar da declaração do Nelsinho quando havia acabado de ganhar vaga na F-1. O piloto inventou de afirmar que não tinha que provar nada a ninguém. Que espécie de novato se acha no direito de dizê-lo? Pouco importa qual foi o contexto, porque todos sempre precisam provar algo, seja para si, seja para o público, seja para o chefe ou para quem for. O Schumacher, por exemplo, tem agora o dever de provar que o retorno à categoria não foi a decisão mais infeliz que já tomou na vida profissional.

Mas nenhuma declaração sai tão carregada de falsidade como quando o assunto é pressão. Por mais que o piloto esteja pressionado, ele simplesmente não sente nada. A única vez que vi um confessar ter sentido pressão foi justamente o Piquet, explicando por que aceitou atochar o carro no muro de Cingapura.

No final das contas, ninguém tira a razão do sábio locutor da televisão brasileira: "conversa de piloto é mais falsa que nota de 3". Muitas vezes porém nem chega a ser falsidade, é puro preenchimento de lacuna. E nesse sentido, a Fórmula 1 perdeu dois ícones nesta temporada 2009. O primeiro é o Raikkonen, que deixava a lacuna vazia com suas respostas secas de três segundos. O outro era o Nelsinho Piquet, com sua honestidade irretocável: o carro é uma droga, o chefe não entende de corridas e minha corrida amanhã será uma porcaria. Uma franqueza assustadora...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Team radio

Temos aqui uma coletânea de conversas inusitadas via rádio. Separei em seções para organizar. Lá vai...

Piloto escravo


Fazem as honras Jarno Trulli com sua frase clássica e Rubens Barrichello reclamando nos mesmos moldes.




Montoya vs Raikkonen


Na primeira, o colombiano xinga o finlandês sem dó nem piedade. Na segunda, o sacaneia na última volta, ao que Kimi reage com um longo discurso: "oh!".




Cômicas


Chegamos ao Exterminador Barrichello, o carinho entre Massa e Smedley e a invasão de pista por um cavalo com chifres.






Engenheiro narrador


Está lá o Timo Glock concentrado na briga de posição, e o engenheiro pendurado no rádio comentando cada movimento. É o Galvão Bueno da Toyota!



Você se lembra do GP da Hungria em que Scott Speed exige aos berros que a equipe coloque pneus secos enquanto a pista terminava de secar, e logo que o time faz a troca, o americano sai rodopiando igual a uma bailarina? Se não lembra, azar. Porque este é outro vídeo...

Não encontrei o bendito áudio daquele episódio. O máximo que achei foi esta conversa estupidamente inusitada do californiano com o Liuzzi. Mas já que tem que encerrar o post com mais alguma palhaçada, eis o Flavio Briatore pentelhando o Ron Dennis, num tempo em que ele ainda tinha motivos para dar risada de algo na Fórmula 1.