Mostrando postagens com marcador GP da Bélgica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador GP da Bélgica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rádio OnBoard - Edição de Spa-11

Está no ar a edição número 122 da Rádio OnBoard!

Sob o comando de Fábio Campos, Ron Groo e eu completamos a equipe incumbida de levantar as discussões relativas a mais um excelente GP da Bélgica, etapa da reestreia de Bruno Senna na F-1. Acidentes, ultrapassagens e bons pegas são outros destaques que não ficaram de fora dos comentários neste programa. Ouça!



Clique para ouvirClique para baixar

Em breve a Rádio OnBoard estará novamente no ar, nas vésperas da etapa de Monza, outro tradicionalíssima circuito que também promete. Até lá.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vettel vence pela sétima vez no ano

A Red Bull voltou a mostrar quem manda na Fórmula 1. Fazia algum tempo que Sebastian Vettel não vencia, mas dessa vez, ao contrário do que aconteceu em alguma de suas outras seis vitórias na temporada, Vettel precisou realizar algumas boas ultrapassagens para vencer e garantir sua vitória em Spa- Francorchamps, além de consolidar de vez sua liderança absoluta no campeonato.

A equipe austríaca viu o aniversariante do fim de semana, Mark Webber chegar na segunda posição e completar a dobradinha. O australiano, como já está se tornando rotina, largou mal, viu seus adversários o ultrapassarem aos montes e teve que remar a corrida toda atrás do prejuízo. O segundo posto esteve de bom tamanho.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Red Bull volta a dominar após três corridas sem vencer"][/caption]

Em terceiro lugar cruzou Jenson Button. Impecável durante a corrida, o inglês fez uma corrida muito boa e determinada. Talvez o ponto forte de Button nas corridas em que se destacou neste ano tenha sido a determinação de realizar as ultrapassagens sem perder muito tempo atrás dos adversários mais lentos. Somado aos seus atributos como piloto paciente e com uma tocada refinada, Button conseguiu subir ao pódio depois de ganhar a posição de Fernando Alonso no final da corrida.

Alonso, que por sua vez, fez uma boa corrida, mas foi brecado pelas limitações de seu carro. Chegou a liderar a corrida e se tornou favorito à vitória em algumas ocasiões. De qualquer forma, a quarta posição não foi tão ruim pra quem teve um sábado bem aquém do esperado.

Quem fez mais uma de suas atrapalhadas, nem sei se tão atrapalhada assim, foi Lewis Hamilton. A meu ver, a batida que o tirou da corrida com Kamui Kobayashi foi um acidente de corrida, sem um único culpado. Hamilton até vinha fazendo uma boa corrida, mas todos já sabemos como é o seu ímpeto.

Além de Hamilton, quem não completou a corrida foi Jaime Alguersuari junto com mais três pilotos, incluindo seu companheiro de equipe Sebastien Buemi. A Toro Rosso que veio com bastante expectativa para a corrida deste domingo recebeu logo na primeira curva a sua grande frustração. Bruno Senna, que fez sua estreia na Renault, freou muito tarde e acertou o carro de Alguersuari que não teve mais o que fazer além de se despedir mais cedo da corrida. O espanhol foi o grande destaque do sábado de classificação. Já Bruno Senna, que também havia feito um bom trabalho ontem, terminou na 13ª colocação depois de ter sido punido e ter realizado uma parada por conta dos danos causados pelo acidente.

Quem também merece destaque é o grande veterano do grid e maior vencedor da história da Fórmula 1, Michael Schumacher. Não somente pelo fim de semana comemorativo onde ele completa 20 anos desde sua primeira corrida na categoria, mas também pela ótima corrida que fez. Largando da última colocação e se aproveitando dos pneus novos que possuía, Schumacher terminou na impressionante 5ª posição, com direito a ultrapassagem em cima de Nico Rosberg, que vem fazendo o veterano engolir poeira desde o seu retorno à F-1.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Em fim de semana comemorativo, Schumacher realizou sua melhor corrida desde seu retorno às pistas"][/caption]

Rosberg chegou a liderar a corrida logo após a largada depois de se aproveitar da péssima largada de Webber e do desempenho ruim dos pneus dianteiros do caro de Vettel. Porém, a Mercedes demonstra que possui um carro que limita muito os resultados de seus pilotos.

O último destaque fica por conta de Pastor Maldonado que conseguiu levar a Williams aos pontos no GP belga. Aliás, esse foi o seu primeiro ponto desde que chegou à equipe. Já estava na hora do venezuelano levar ao menos um pontinho para casa depois de já ter realizado boas atuações este ano.

A próxima parada da Fórmula 1 será em Monza daqui a duas semanas.



Deixe seu comentário »

sábado, 27 de agosto de 2011

A F-1 assiste a um treino com cara de Spa

Foi uma sessão classificatória com cara de Bélgica. E logo na Bélgica, onde a Fórmula-1 anualmente revive a sensação de estar visitando a si mesma, com uma corrida no interior da Europa, o circuito de Spa-Francorchamps apresentou um treino a seu modo: nervoso, molhado e... emocionante. Se havia um lugar onde a classificação poderia voltar a ser palpitante em meio ao enfadonho sistema de Q1, Q2 e Q3, esse lugar era a velha estrada belga, em parte por causa de seu traçado de natureza desafiadora, em parte pela lendária instabilidade climática da região da floresta das Ardenas. Chuva é algo que quase quebra a tentação racional da Fórmula-1 e convida o impoderável para fazer parte do circo.

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="O cenário clássico de Spa. Tem como não amar?"][/caption]

Porém, havia mais. Nessa edição 2011 da corrida belga, a Fórmula-1 relembra os 20 anos da estreia de Michael Schumacher, o homem que reescreveu os livros de recordes da categoria. E o retorno do sobrenome Senna ao paddock também causou frisson, sobretudo após o final do treino, quando Bruno Senna se viu na sétima posição depois de um treino disputado sob condições climáticas sempre mutantes, como é característica de Spa.

Além disso, a expectativa sobre a real evolução das equipes que brigam pelo título era enorme. E a classificação belga não frustrou quem esperava um treino emocionante, apesar de o pole ter sido um já tradicional freqüentador da posição de honra.
Efeméride ao avesso

Michael Schumacher quase sempre tem boas histórias para contar quando se lembra de Spa-Francorchamps. Foi lá onde ele estreou na Fórmula-1 em 1991 e onde venceu a primeira corrida na categoria um ano depois. Como se não bastasse, voltou a vencer na Bélgica em outras quatro oportunidades e confirmou seu sétimo título por lá, em 2004. Dessa vez, porém, o heptacampeão terá de trabalhar duro no domingo se quiser sair de Spa com outra boa história. Ainda em sua volta de instalação, o Mercedes de Schumacher perdeu a roda traseira direita pouco antes da Rivage, transformando o alemão em passageiro do carro. Fora do treino antes de completar uma volta rápida, Schumi vai largar do fundo do grid, o que se não é promessa de um show, ao menos é garantia de uma corrida movimentada.

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="A reqboque. Foi assim que o carro de Schumacher voltou aos boxes"][/caption]

Com Schumacher de fora da briga logo no começo do Q1, o normal era que o alemão fizesse companhia às três equipes pequenas nas sete últimas posições do grid de largada. Mas o mau desempenho de Paul di Resta surpreendeu, tal como o bom ritmo de Heikki Kovalainen, que andou um segundo melhor do que o escocês da Force India. O resultado: di Resta degolado no Q1 e Kovalainen levando a Lotus a uma rara participação no Q2.
O Q2 no seu devido lugar

Desde a implantação do atual sistema de classificação que o Q2 tem sido o ponto alto das sessões. Até 2009, era no fim dessa parte da classificação que todos os pilotos iam para a pista com um suspiro de gasolina para tentar ir para Superpole. Em 2010, com o fim da obrigatoriedade de terminar o treino com o tanque já abastecido com o combustível necessário para a primeira parte da corrida, havia a esperança de que o Q3 voltasse a ser o clímax dos treinos, mas a regra que limita o uso dos jogos de pneus macios frustrou a expectativa. Felizmente choveu em Spa, e o que se viu foi uma subida gradual de tom entre as três partes da classificação.

Jenson Button, que normalmente dá show em condições de pista como a desse sábado, não passou da segunda parte do treino seu 13º lugar. Já Adrian Sutil rodou na saída da Eau Rouge, felizmente sem maiores consequência além de quebrar o bico de seu Force India. Mas o que de fato marcou o Q2 foi briga entre Lewis Hamilton e Pastor Maldonado. Os dois se tocaram na saída da Bus Stop, enquanto ambos estavam em volta rápida. Logo depois, com o cronômetro já zerado, na descida posterior à La Source, ambos voltaram a se estranhar. O primeiro toque aparentemente não teve culpados, foi o que se chama de “acidente de corrida”, mas a segunda pancada motivou a direção de prova a convidar os dois pilotos para uma conversa.

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Apesar da confusão com Maldonado, Hamilton conquistou o 2º lugar no grid em Spa"][/caption]

Para a BBC, Hamilton e Maldonado deram versões parecidas para o incidente. Evitando afirmar que o piloto da Williams premeditou a segunda colisão, Hamilton culpou o venezuelano pelo toque: “perdi muito tempo na Curva 1 e vi Maldonado se aproximando rápido. Mantive o traçado e ele tentou me cortar. Não sei se foi de propósito, mas com a sessão terminada não havia necessidade de disputa, muito menos de um toque”. Questionado pela mesma BBC, Maldonado deu praticamente a mesma resposta que Hamilton, e garantiu que não agiu de forma intencional: “não estava chovendo e temos que entender o que aconteceu. Depois da bandeirada não havia necessidade de disputarmos”.
Vettel arrasa a concorrência

O entrevero com Maldonado deixou Hamilton com um carro avariado nas mãos. Asa dianteira e suspensão do MP4/26 foram danificadas no choque com Maldonado, mas foram rapidamente remendadas pelos mecânicos da McLaren e é notável que o britânico tenha voltado para a pista no Q3 e disputado a pole palmo a palmo com Vettel. Só que em sua última volta, o alemãozinho se aproveitou da condição de pista, que secava a cada minuto, e impôs uma vantagem de quatro décimos sobre o piloto da McLaren, conquistando a pole com sobras em Spa.

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Vettel conquistou a 24ª pole de sua carreira em Spa"][/caption]

Webber, que deu a impressão de brigar pela pole no início do Q3, ficou com o terceiro posto. Felipe Massa ficou com o quarto lugar, e largará pela segunda vez consecutiva a frente de Fernando Alonso, que decepcionou conquistando apenas o oitavo lugar.

Mas as grandes surpresas do Q3 estavam por vir. Jaime Alguersuari levou a Toro Rosso ao sexto lugar. Bruno Senna, em sua estreia na Renault, terminou a classificação num sétimo lugar em que ele mesmo não acreditava: “não imaginava estar entre os 10 primeiros” - disse o estreante da Renault. Vitaly Petrov, o companheiro de Senna na Renault, também chegou ao Q3, mas ficou com o 10º lugar, mais de um segundo acima do tempo do brasileiro.

Às 9 da manhã desse domingo a Tv Globo transmite a largada e as 44 voltas do GP da Bélgica. Para a hora da corrida em Spa, a previsão é de tempo nublado com temperatura em torno dos 14ºC e 20% de chance de chuva.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Bélgica:

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min48s298
2º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min48s730
3º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min49s376
4º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min50s256
5º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min50s552
6º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), 1min50s773
7º. Bruno Senna (BRA/Renault), 1min51s121
8º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min51s251
9º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min51s374
10º. Vitaly Petrov (RUS/Renault), 1min52s303
11º. Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), 2min04s692
12º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 2min04s757
13º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 2min05s150
14º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), 2min07s349
15º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), 2min07s777
16º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), 2min08s106
17º. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Renault), 2min08s354
18º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 2min07s758
19º. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Renault), 2min08s773
20º. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), 2min09s566
21º. Jérôme D'Ambrosio (BEL/Virgin-Cosworth), 2min11s601
22º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), 2min11s616
23º. Daniel Ricciardo (AUS/Hispania-Cosworth), 2min13s077
24º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), sem tempo

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Azar de Bourdais

Casos de pilotos egressos dos Estados Unidos e que não se dão bem na Fórmula-1 não são incomuns. Mas poucos pilotos campeões na América do Norte tiveram uma infelicidade tão plena do outro lado do atlântico como Sebastien Bourdais. O francês foi quatro vezes campeão da Champ Car, mas em uma temporada e meia na F-1 teve como melhores resultados os sétimos lugares conquistados em 2008 na Austrália e na Bélgica.

Em Spa, Bourdais esteve próximo da consagração. Perto do último dos 44 giros da prova belga, uma chuva fina começou a cair sobre a pista encravada nas Ardenas. Kimi Raikkonen, Lewis Hamilton e Felipe Massa, os ponteiros, preferiram não parar e seguiram na pista úmida com pneus de pista seca. Mas vários dos pilotos das posições intermediárias realizaram um pit stop na abertura da última volta para calçar os pneus intermediários e tentar ganhar posições nos sete quilômetros de corrida que restava.

Foi então que começou o ocaso de Bourdais. Poucas vezes um piloto foi da glória à desgraça num intervalo de tempo tão curto como o francês no GP da Bélgica de 2008. Bourdais, que escolheu não parar nos boxes, entrou na última volta como o terceiro colocado, com a Toro Rosso. Mas seus pneus de pista seca perderam rendimento de forma incrível quando a pista começou a molhar, e Bourdais não pôde resistir aos carros calçados com os intermediários.

O pódio que seria consagrador transformou-se em sétimo lugar assim que Bourdais foi sendo deixado para trás por Heidfeld, Alonso, Kubica e... Sebastian Vettel, seu companheiro de Toro Rosso. Todos esses, de pneus intermediários, tiveram um rendimento algumas dezenas de segundos melhor do que o de Bourdais, com pneus de pista seca:



O golpe foi duro de ser digerido pelo francês, que perdeu a grande chance de sua carreira na F-1 e foi às lágrimas na conversa com jornalistas:



Uma semana depois, em Monza, o resultado do treino de classificação pareceu indicar que as coisas iam dar certo para Bourdais. O francês colocou a Toro Rosso no quarto lugar do grid num treino classificatório diluvial. Ok, Vettel foi o assunto do sábado ao colocar o time na pole, mas a quarta posição não era, definitivamente, um mau negócio.

Mas na largada, Bourdais ficou para trás. Seu STR3 morreu no momento da partida e o mundo foi privado da chance de ver os dois pilotos da Toro Rosso no pódio italiano. Vettel? Vettel venceu a prova, enquanto Bourdais chegou apenas em 17º. A comparação com os resultados do companheiro foi cruel para o Tião francês. Por acaso ou não, a partir daí a carreira de Vettel ascendeu rapidamente, enquanto a de Bourdais despencou sem páraquedas. O alemãozinho foi promovido para a equipe A da Red Bull no ano seguinte, enquanto o francês foi demitido da Toro Rosso depois do GP da Alemanha de 2009, sendo substituído pelo espanhol Jaime Alguersuari.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Raikkonen, Spa, KERS

Os mais puristas hão de concordar com as declarações de Kimi Raikkonen: KERS e asa móvel aumentam o show, mas , aparentemente, nivelam por baixo as disputas por posição. Ok, Kimi, mas não esqueça que é ao KERS que você deve sua última vitória na Fórmula-1, na Bélgica em 2009:



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Memória Blog F-1: Bélgica 1996

Com seis vitórias na pista de Spa-Francorchamps, é natural que a maioria da lembranças envolvendo Michael Schumacher e o circuito belga sejam felizes. Quando chegou em Spa para disputar o GP de Bélgica de 1996, porém, Schumacher não tinha muito o que comemorar: havia abandonado quatro das cinco provas anteriores, e para agravar a situação, ninguém exceto Damon Hill e Jacques Villeneuve, os pilotos da Williams, tinha possibilidades matemáticas de levar a taça daquele ano. Apesar de 1996 ter sido, desde o começo, encarado como um ano de transição, aprendizado e reconstrução na Ferrari, em que não haviam esperanças de título, o panorama era de crise.

E um grande susto sublinhou a fase negra da equipe de Maranello. Nos treinos de sexta, Schumacher perdeu o controle da F-310 na Fagnes e bateu forte, de traseira, contra a barreira de pneus:



Apesar do susto, Schumi não sofreu nenhum dano físico. No sábado, classificou-se em terceiro no grid, atrás das Williams. No domingo, deixou Hill para trás logo na largada e passou a escoltar Villeneuve até o grave acidente de Jos Verstappen, na 14ª volta. Assim que o Safety Car entrou na pista, a Ferrari chamou sua dupla de pilotos para os boxes. Quando o carro-madrinha deixou a pista, Schumacher era o terceiro colocado, atrás apenas das McLarens de Mika Hakkinen e David Coulthard, que ainda não haviam feito seus pit stops. Assim que pararam, os dois deixaram o caminho livre para a terceira vitória do alemão em Spa:



domingo, 7 de agosto de 2011

Memória Blog F-1: Schumacher em Spa

Na semana passada o blog estreou nova imagem no cabeçalho. O belo clique reproduzido acima foi feito no GP da Bélgica de 1992, numa época em que o choque dos assoalhos dos carros contra o asfalto gerava a bonita e saudosa profusão de faíscas que eram a festa dos fotógrafos por conta das lindas imagens que eram captadas.

Marcada para o dia 30 de agosto, a etapa belga era a 13ª das 16 corridas programadas para o mundial de 1992. A corrida teve o britânico Nigel Mansell partindo da pole com sua Williams de outro mundo. Só que o Leão perdeu a ponta para a McLaren de Ayrton Senna logo na largada e caiu para o segundo lugar. Em terceiro estava o jovem Michael Schumacher, com a Benneton.

Mansell logo recuperou a liderança da prova depois de ultrapassar Senna lindamente na Blanchimont, mas no terceiro giro a instabilidade climática da região das Ardenas deu o ar de sua graça: começou a chover e os boxes de Spa logo estavam engarrafados de carros prontos para terem seus pneus trocados.

Enquanto todos foram prontamente calçar a borracha apropriada para correr na chuva, Senna preferiu arriscar. Permaneceu na pista com pneus silck por alguns giros apostando numa chuva passageira. Infelizmente para o brasileiro, a água continuou a cair e quando decidiu ir aos boxes, o tricampeão já havia perdido muito tempo. Voltou para a corrida longe da briga pela vitória.

Na volta de número 30, Schumacher voltou aos boxes, depois de escapar na Stavelot. O alemão foi o primeiro a perceber que a pista já apresentava condições para o uso dos pneus slick e arriscou. Enquanto isso, Mansell e Patrese seguiam nos dois primeiros lugares, mas ainda com os pneus de chuva sobre o asfalto que secava. Quando a Williams chamou seus dois pilotos para a última troca, Schumacher já havia ganho terreno suficiente para roubar a primeira posição de Mansell.

A audaz estratégia do jovem alemão foi a senha para a sua primeira vitória na Fórmula-1, justamente um ano depois de estrear na categoria pela Jordan, no mesmo circuito de Spa-Francorchamps. O vídeo abaixo, espelhado para tentar impedir a retirada do ar pela FOM, registra a última volta da corrida de 1992:



Em 1º de julho de 2002, quase 10 anos depois de sua primeira vitória, Schumacher largava da pole para mais um GP da Bélgica. Num fim de semana perfeito (como foram quase todos para a Ferrari naquele ano), o alemão chegou a ter 25 segundos de vantagem sobre Rubens Barrichello, o segundo colocado da prova. Mas no final, Schumacher passou a andar bem mais lento, para garantir a chegada dos dois carros da scuderia na mesma foto no momento da bandeirada. Foi a sexta vitória do então pentacampeão na pista belga e a 10ª prova vencida por Schumacher somente naquele campeonato. Um recorde, conquistado com a tranquilidade demonstrada no vídeo abaixo:



sábado, 4 de setembro de 2010

Inocentando Vettel da batida com Button em Spa



FELIPE MACIEL


Às vezes é preferível deixar que falem mal do piloto a revelar a verdade e colocar a inovação técnica do carro sob risco. É o que ocorre com a Red Bull.

A câmera on board de Sebastian Vettel revela um detalhe imprescindível na compreensão do descontrole do bólido na chegada à Bus Stop, que culminou com o choque sobre a McLaren de Jenson Button.

Ao se aproximar da traseira do inglês, a tão falada asa flexível confirmou sua característica mais negra: ela é feita para ganhar tempo com pista livre pela frente, porém pode se tornar perigosa em casos de perseguição.



Nas imagens do cockpit, o aerofólio já contorcido pelo efeito proposto por Adrian Newey, simplesmente tomba e torna Vettel um passageiro. No vídeo é claro o momento em que ela fica bamba, provocando aquele o fatídico descontrole.

Parece que finalmente temos uma explicação cientificamente compreensível para um acidente tão esquisito.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Spa-Francorchamps



FELIPE MACIEL



No ar a 91ª edição da Rádio OnBoard!

Ao lado do grande Ron Groo, em nossa mesa virtual, falamos das principais passagens do GP da Bélgica, vencido por Lewis Hamilton e marcado pela batida de Sebastian Vettel sobre Jenson Button.


Clique para ouvirClique para baixar



Na próxima semana deveremos estar de volta comentando desde as expectativas para o GP da Itália até a retomada da polêmica de Hockenheim, com a audiência no Conselho.

domingo, 29 de agosto de 2010

Dupla de equipe: GP da Bélgica

Sebastian Vettel


Vi alguém falando no Twitter e concordei: Vettel é o Hamilton de ontem. Mas há algumas diferenças. Hamilton fez um campeonato perfeito em 2007 até o GP do Japão, antepenúltima corrida do ano. Vettel, por sua vez, vem cometendo erros desde a primeira parte da temporada.

O problema maior nem foi o erro em si, mas, a meu ver, a consequência psicológica que isso pode trazer para ele. Se antes já estava pressionado, agora temo que Vettel passe a se cobrar ainda mais e que, por extensão, passe a errar ainda mais. Mas torço para que isso não aconteça para o bem do campeonato.

Fábio Andrade



Deve ser o piloto que mais desperdiçou pontos neste ano. Somando as quebras, as batidas, Vettel vai se complicando num campeonato que teoricamente seria feito pra ele. Dessa vez, um erro de cálculo não só prejudicou a si mesmo como também ao Button, que também briga pelo título. Sorte dele que o inglês faz o tipo low profile; fosse outro, sairia do carro soltando fogo pelas ventas, e com razão.

Felipe Maciel



Mercedes


Chega a ser gozado, mas quando o Schumacher consegue finalmente se classificar melhor que o Rosberg o alemão tem uma punição a cumprir. Alguém nos céus não deseja ver o alemão se dar bem nesse retorno.

Mas, teorias conspiratórias à parte, o alemão remou do 21º para o 7º lugar e chegou encostado no Nico, que largou em 14º. Claro, contou com os abandonos e com as confusões que rolaram, mas pelo menos dessa vez não passou vergonha.

Sem falar que os dois prateados se encontraram em duas ocasiões e de forma ríspida. Mas eu ainda acho que o grande confronto dos dois virá quando (se) a Mercedes entregar um carro decente a eles.

Fábio Andrade



Quem vê F-1 pela primeira vez deve ter a sensação de que Rosberg e Schumacher são farinha do mesmo saco. Um passa o outro, o outro passa o um, e eles se misturam só entre eles mesmo porque o carro também não ajuda mais.

O ano de reestreia da Mercedes está sendo bem esquisitinho, e decepcionante.

Felipe Maciel



Rubens Barrichello


Uma lástima que a corrida de número 300 tenha acabado tão cedo, mas a chuva tem dessas surpresas.

Não tem muito mistério, o erro foi dele, mas as condições de pista realmente estavam difíceis. Ninguém sabia o quão molhado estava, ainda que eu ache que Barrichello foi um tanto quanto imperito ao tentar frear como se o asfalto estivesse seco.

Fábio Andrade



Imediatamente me lembrei do GP do Brasil da despedida de David Coulthard. Era para ser um dia especial para o cara, os pilotos haviam participado de toda uma cerimônia naquele fim de semana, daí chega na hora H e o cidadão abandona na primeira volta.

O Rubinho merecia um GP 300 pelo menos mais longo. Mas prevaleceu o típico azar barrichelliano...

Felipe Maciel



Fernando Alonso


Já começou estranho pelo décimo lugar de sábado. Na corrida deu azar de ser abalroado pelo Barrichello e deu mais azar ainda porque a chuva não caiu do jeito que seus intermediários precisavam no início. Fazia uma prova de recuperação interessante até a chuva do final.

Bateu no fim e não pontuou, o que na minha opinião é bem feito para a Ferrari. De uma certa forma foi um lembrete de que o campeonato ainda não se definiu (nem hoje e, lógico, muito menos no mês passado em Hockenheim) e que o que aconteceu na Alemanha foi uma atitude irracional.

Fábio Andrade



Primeiro eu gostaria de entender que sorte é essa que o Alonso tem. Como um piloto pode levar um pancão como aquele do Rubinho, e ainda sair intacto? Voou pedaço de Williams para tudo que era canto mas a Ferrari sobrou inteirinha...

Bem, em seguida Alonso faria um troca-troca excessivo de pneus, ultrapassaria uns carros do fundão e acabaria deslizando de cara pro muro fechando assim um fim de semana completamente sem sal. A weekend to forget, como eles gostam de dizer.

Felipe Maciel



Lewis Hamilton


É difícil hoje alguém dizer que não gosta desse piloto. Eu mesmo tinha alguma resistência em aceitar o grande piloto que era vendido pelo meio especializado porque achava que seu começo em equipe grande facilitou muito as coisas. Besteira. No final, a pressão e a responsabilidade de guiar para uma equipe McLaren o fizeram amadurecer rápido.

Na chuva então Hamilton é um dos melhores, talvez o melhor, da atual geração. Uma corrida irretocável que nem mesmo a escapadinha na Rivage pôde manchar.

Fábio Andrade



Vitória merecida e inconstestável. A McLaren recuperou a boa forma nesta etapa, depois das últimas tímidas corridas, onde vimos a Ferrari ganhando evidência para cima do time do Ron Dennis. Aliás, o chefão é pé quente... foi lá só para ver a vitória do seu pupilo.

Felipe Maciel



GP da Bélgica


Clássico, desafiador, com personalidade, fantástico, ansiosamente aguardado, climaticamente instável. A rasgação de seda será eterna enquanto Spa existir e enquanto Tilke coexistir com ela. Minha favorita é Suzuka, é verdade, mas Spa, Monza e Mônaco, junto com a pista japonesa, são como uma espécie de evangelho dessa religião que é a Fórmula-1.

Fábio Andrade



Eu costumo julgar a qualidade das corridas me baseando na expectativa depositada antes da largada. Se eu for assistir a um GP de Cingapura e pintarem umas 5 ultrapassagens já é uma grande conquista. Mas esse mesmo número em Suzuka seria um fracasso.

No caso desta etapa, fiquei com a sensação de que a F-1 deixou Spa devendo um pouco. Nem com clima instável tivemos duelos que realmente valessem a pena. A prova foi marcada mesmo por lambanças e batidas...

Vi muitos GPs da Bélgica melhores que esse, mas é bom saber que daqui a duas semanas deve ter coisa melhor para acontecer em Monza. Que venha!

Felipe Maciel

Em prova marcada por erros de Vettel, Hamilton vence em Spa



FÁBIO ANDRADE


Passadas as 44 voltas do GP da Bélgica, quantos vencedores teve a corrida? Numa prova com tantas variáveis não pode existir apenas um único vitorioso, aquele que cruza a meta na frente nos outros. No caso de hoje, com todos os méritos, esse vitorioso foi Lewis Hamilton, que contornou a La Source em primeiro e não mais abandonou a liderança. Mas a vitória de hoje se estende a Mark Webber, a Robert Kubica e até a Felipe Massa, que, a exemplo de Hungaroring, se não fez grande corrida, também não andou para trás.


Se os vitoriosos são muitos, os derrotados também são vários. Fernando Alonso tropeçou na própria presunção. Sebastian Vettel tropeçou em si mesmo e levou Jenson Button junto em seu tombo. Entre as idas e vindas da chuva, o alemãozinho saiu de Spa Francorchamps um pouco mais “-inho”.




Terra da garoa

Na largada, Webber andou para trás. Já havia acontecido algo semelhante com o australiano em Valência. O Red Bull número seis simplesmente demorou para se locomover, tal como havia acontecido com Rubens Barrichello naquele mesmo grid em 2009. Lewis Hamilton agradeceu e pulou na ponta, seguido por Button, Kubica e Vettel.




[caption id="" align="aligncenter" width="493" caption="Hamilton já liderava a corrida na primeira volta"]Hamilton já liderava a corrida na primeira volta[/caption]

Logo na primeira volta, entretanto, a tensão se intensificou por causa da chuva. Na verdade uma garoa leve, mas já suficiente para tornar a pilotagem difícil. Na freada da Bus Stop quase todos os pilotos da frente escaparam, mas para Rubens Barrichello e Fernando Alonso os problemas foram maiores. O brasileiro, do auge de seus 300 gp’s, perdeu o ponto de freada e atropelou o espanhol. Barrichello abandonou, enquanto Alonso tentou dar o pulo do gato: foi aos boxes e calçou os pneus intermediários. Começava o azar do bicampeão.


Com o Safety Car na pista o grupo estava compacto. A chuva revelou-se inconsistente, e os pneus intermediários de Alonso, inadequados. O asturiano teve de voltar aos boxes, e em menos de 10 voltas já havia feito duas paradas.




Inho, inho, inho

Vettel passou a pressionar fortemente Button, que tinha uma avaria pequena na asa dianteira. Só que a vida do alemãozinho não estava fácil: preso atrás do carro que inventou o duto de ar, Vettel não conseguia se aproximar o suficiente de Button nas retas de Spa. O alemãozinho tentou, na célebre freada da Bus Stop, dar o bote no atual campeão, mas algo em sua manobra não saiu lá muito certo.


Vettel estava na linha de fora e dificilmente conseguiria a ultrapassagem naquele exato momento. É chato assumir a postura de um juiz sabe-tudo e dizer se o alemãozinho foi afoito ou não, se foi precipitado ou não foi, afinal, quem sabe da dificuldade de pilotar um carro daqueles são os pilotos. O consensual, no entanto, é que a balançada do RB6 foi estranha (algo a ver com o tal duto de ar?). Mas na situação em que se encontra, e por tudo o que já lhe aconteceu em 2010, o prejuízo vai pra conta do piloto da Red Bull.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="Problemas afastaram Vettel dos líderes do campeonato"]Problemas afastaram Vettel dos líderes do campeonato[/caption]


Vettel, um menino de vinte e poucos anos, é um talento que vem sofrendo uma progressiva deterioração em sua imagem em 2010. Acumula erros, demonstra instabilidade emocional perante um companheiro de equipe que ganha e marca pontos com constância e, obviamente, não está correspondendo à pressão que recebe por ter mergulhado na temporada como favorito. Talvez ainda não tenha compreendido que o fato de ter conseguido grandes resultados numa equipe pequena o credenciou como grande estrela em ascensão, e que isso trás cobranças num patamar elevado. O fato é que, com o carro que tem e com a preferência do time na primeira metade do ano, Vettel deveria liderar o mundial com folga. Ainda está em tempo de se reabilitar, ou de, em pouco tempo, ficar conhecido como o novo Mansell quase 20 anos depois da aposentadoria do leão.


Por hora, o “baby-Schumacher” continua sendo apenas o alemãozinho. Nada, porém, que uma vitória arrasadora em Monza - a mesma Monza onde, há dois anos atrás, Vettel deu seu cartão de visitas - não faça o mundo inteiro esquecer.


O piloto da Red Bull foi considerado culpado pelo acidente com Button e foi punido com uma passagem pelos boxes, como se a pancada e a perda de posições já não tivessem sido o bastante. E Vettel ainda teve tempo de se envolver em um outro acidente, dessa vez com Vitantônio Liuzzi. Disputando posição na Bus Stop, sempre nela, Vettel teve o pneu de seu Red Bull furado pelo bico do Force India.




[caption id="" align="aligncenter" width="493" caption="Com o pneu furado, Vettel saiu, definitivamente, da briga pelos pontos"]Com o pneu furado, Vettel saiu, definitivamente, da briga pelos pontos[/caption]


Condições climáticas adversas ou Spa Francorchamps

Passada a primeira metade da corrida e o GP da Bélgica a corrida ganhou aquele ar burocrático de quando as posições ficam estáticas. Algum ou outro foco de atenção aqui e ali, como quando Schumacher e Rosberg se encontraram na Malmedy, mas nada de mais palpitante. As equipes tentavam prever a hora da chuva, mas o tempo nas ardenhas tem suas manhas. E quando a chuva caiu, restando 10 voltas para o final, era a hora de prender a respiração.


O dilema era o seguinte: ir imediatamente aos boxes trocar os pneus slick pelos intermediários correndo o risco de a pista não estar molhada o suficiente ou manter-se de slicks no asfalto úmido até ter absoluta certeza da necessidade da troca, arriscando-se a sair da pista. A maioria dos pilotos preferiu a segunda opção, não sem uma dose de susto para Hamilton, que quase abandonou ao escapar na Rivage.


A essa altura Webber, que passou boa parte da corrida no pelotão do meio, já era o segundo colocado, beneficiado pelo encontrão entre Vettel e Button e pelas paradas de boxes lentas de Kubica e Massa.


Depois do escorregão de Hamilton, o grid inteiro decidiu que era a hora dos intermediários. Alonso, porém, mesmo já calçando os pneus para piso molhado, rodou sozinho ao pisar na zebra, tal como Petrov na classificação ontem. Nada feliz o final de corrida para o bicampeão.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Ferrari de Alonso avariada após batida do bicampeão"]Ferrari de Alonso avariada após batida do bicampeão[/caption]

O Safety Car foi acionado. Quando deixou a pista para a relargada, restavam três voltas para o final. Ninguém quis arriscar, e cautelosamente todos “levaram as crianças para casa”. Hamilton venceu, mas não venceu sozinho.




[caption id="" align="aligncenter" width="468" caption="Hamilton comemora a vitória e a liderança do mundial em Spa"]Hamilton comemora a vitória e a liderança do mundial em Spa[/caption]

Mark Webber venceu mais um importante duelo interno na Red Bull. O segundo lugar, depois de estar bem atrás nas primeiras voltas, é um excelente resultado, sobretudo porque o australiano mantém-se colado em Hamilton na classificação. Kubica triunfou porque, mais uma vez, sua competência ficou evidente ao manter a Renault no pódio em meio a McLaren e Red Bull. Felipe Massa talvez pudesse ousar mais, entretanto, seu quarto lugar e o abandono de Alonso lembraram à Ferrari que o campeonato ainda está longe do fim, e que muita coisa pode acontecer até Abu Dhabi.




Grande Prêmio da Bélgica, resultado após 44 voltas:

sábado, 28 de agosto de 2010

Clima instável não impede pole de Webber em Spa



FÁBIO ANDRADE


Numa sessão de classificação típica da região das Ardenhas, Mark Webber cravou a pole position para o GP da Bélgica. É a 12ª pole da equipe Red Bull em 13 possíveis, e a 5ª vez que o piloto australiano conquista a posição de honra em 2010. Em meio a tamanho domínio do time austríaco em classificações, até parece estranho dizer, mas Webber contou com a ajuda da sorte e do clima instável da região de Spa Francorchamps para largar na frente no GP da Bélgica de amanhã.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="A instabilidade climática marcou o treino classificatório"]A instabilidade climática marcou o treino classificatório[/caption]

Webber deu sorte porque logo após sua primeira volta rápida no Q3 começou a chover em Spa. Novamente. A chuva já havia dado o ar da graça no princípio do treino, espalhando uma relativa bagunça pelo grid.



Petrov, o show man

Vitaly Petrov pode não continuar na Renault em 2011, mas sua passagem pela Fórmula-1 até aqui já rendeu ao russo o epíteto de show man. O termo é normalmente utilizado em cada temporada para se referir a um ou outro piloto que vende muito caro uma posição ou defende com muito afinco um lugar que sequer vale pontos. Petrov já fez tudo isso e, de quebra, ainda conseguiu o feito de rodar na volta de aquecimento na classificação de hoje em Spa.


O russo, na verdade, foi vítima da manhosa chuva que começou a cair assim que os carros foram liberados no Q1. Na condição de pista apenas “melada” pela água, Petrov exagerou na tangência de uma curva e pisou na zebra. Rodou e bateu de leve no guard-rail, mas o comando de prova achou necessária a intervenção da bandeira vermelha para retirar a Renault do canto da pista.


Mais a frente, já na volta rápida, a chuva aumentou. Jarno Trulli e Lucas di Grassi se tocaram pouco antes da curva Stavelot.  Com di Grassi parado na pista, vários carros que vinham atrás escaparam, ou tentando desviar de quem estava lento ou porque escorregaram na freada, já que o grid inteiro corria no asfalto molhado com pneus slicks.


Mesmo assim, os carros de ponta conseguiram fechar voltas relativamente rápidas. Como a pista estava inteiramente molhada, ficou a impressão de que os tempos não poderiam melhorar ainda durante o Q1. Entretanto, alguns pilotos voltaram para o traçado com pneus intermediários, e conseguiram melhorar várias posições. Quando a pista voltou a secar e permitir novamente o uso dos silcks, o Q1 já estava no final.



Williams X Mercedes: melhor para Barrichello

No Q2 o asfalto sagrado de Spa Francorchamps voltou a estar seco, e a McLaren pôde comprovar a eficácia do MP4/25 em traçados com longas retas. Lewis Hamilton e Jenson Button lideraram a segunda etapa do treino e foram os únicos a andar abaixo de 1min47s até aquele momento.


Na briga entre Mercedes e Williams para conquistar as últimas vagas do Top 10 a equipe de Rubens Barrichello se deu melhor. A Williams avançou para a fase final da classificação com seus dois carros, enquanto a Mercedes ficou de fora. Michael Schumacher e Nico Rosberg ficaram na porta de entrada do Q3, respectivamente em 11º e 12º, mas irão largar bem mais atrás em razão das punições que receberam. Schumacher perdeu 10 lugares pela manobra perigosa contra Barrichello na Hungria e Rosberg largará 5 posições atrás por ter trocado o câmbio.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="A dupla da Mercedes perdeu posições por causa de punições"]A dupla da Mercedes perdeu posições por causa de punições[/caption]
Na hora da verdade, a chuva

Quatro equipes foram completas para a superpole: McLaren, Red Bull, Ferrari e Williams. Nas duas vagas que restaram, os habitués Adrian Sutil com a Force India e Robert Kubica com a Renault. Além desses, havia a sempre presente chance de chuva em Spa.


Era a chance de a McLaren marcar sua segunda pole no ano e seguramente Lewis Hamilton brigaria pela posição de honra em sua segunda volta rápida. Porém, depois que todos os grandes deram seu primeiro giro veloz, os pingos começaram a cair no primeiro e no segundo trechos da pista. Mark Webber, que fechara a primeira rodada de voltas rápidas a frente, já tinha a pole garantida.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="Webber, o pole em Spa"]Webber, o pole em Spa[/caption]

Ao lado de Webber, Lewis Hamilton não tem na segunda posição o pior dos cenários. Pelo contrário, com apenas quatro pontos de desvantagem para Webber no campeonato, o britânico tem a chance de brigar de forma direta com o australiano pela liderança do mundial.


A segunda fila tem o sempre competente Kubica ao lado de Sebastian Vettel, que não sabe o gosto de uma vitória desde o GP da Europa. Mais atrás, Rubens Barrichello, em seu gp  de número 300, larga em sétimo. Felipe Massa é o sexto e Fernando Alonso, grande decepção do dia, conquistou apenas o 10º posto.


A instabilidade climática, no fim das contas, é a maior verdade da região das Ardenhas nessa época do ano, e é essa indefinição, aliada ao traçado de Spa Francorchamps que dá à corrida belga seu charme característico. A previsão, se é que se pode confiar nela para o GP da Bélgica, indica 60 % de possibilidades de chuva moderada para a tarde de amanhã. Chuva e Spa Francorchamps, quase sempre, formam uma combinação memorável.



Grid de largada para o Grande Prêmio da Bélgica:

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Barrichello, Spa, 1994



FÁBIO ANDRADE


Independente do que digam os números oficiais, Rubens Barrichello comemorará no domingo sua corrida de número 300. As estatísticas não batem com os cálculos que o brasileiro usa, mas isso pouco importa. Rubinho irá comemorar em Spa o rompimento de mais uma marca histórica. Completar três centenas de gp's, além de ser um feito inédito, era inimaginável há tempos atrás.


Quis o acaso que a marca de 300 gp's fosse alcançada em Spa Francorchamps, a pista onde, em 1994, Barrichello conquistou a primeira pole de sua carreira e primeira pole da história da equipe Jordan. O brasileiro foi, na época, o mais jovem piloto a conquistar uma pole position na Fórmula-1, aos 22 anos. O acontecimento, como não poderia deixar de ser, foi resultado de condições adversas do clima nas ardenhas. Barrichello andou rápido na sexta-feira, pegou o momento de pista menos molhada, e terminou o dia como o mais rápido, mesmo pilotando a modesta Jordan. No sábado a chuva persistiu, torrencial, e Rubinho sagrou-se pole pela primeira vez.


A pole do brasileiro foi, por muitas razões, especial. Foi em Spa, que mesmo com a Eau Rouge transformada em uma chicane lenta (os acontecimentos de maio daquele ano ainda reverberavam com força no ambiente da F-1), ainda era um dos mais míticos circuitos do calendário. E foi meses depois da morte de Ayrton Senna, afinal. Um tempo em que o Tema da Vitória soava mais como marcha fúnebre do que como alegre celebração no Brasil.


Barrichello liderou a largada. Aguentou a pressão na La Source e resistiu também na "Eau Rouge", mas sucumbiu a Michael Schumacher na longa reta Kemmel. Na volta 19 o brasileiro saiu da pista e abandonou a prova:




Schumacher também não venceu. Na verdade, venceu, mas teve a vitória subtraída por questões de regulamento. Coisas de um campeonato em que a FIA quis garantir o contole absoluto da situação depois do fim de semana negro de maio em Ímola.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Bélgica 2009



FÁBIO ANDRADE




A única vitória da Ferrari em 2009 quase foi esquecida perante o desempenho de Giancarlo Fisichella em Spa. O italiano fez a pole e segurou a ponta na largada, mas sucumbiu ao KERS da F-60 de Kimi Raikkonen logo depois. De toda forma, Físico, com a modesta Force India, não desgrudou do finlandês, escoltando a Ferrari durante o restante da corrida. No pódio, Fisichella foi o mais aplaudido, em parte porque Raikkonen é carismático como um acidente aéreo.


Mas não é para ver pilotos sorrindo que se liga a tv aos domingos de manhã, e Spa Francorchamps é um capítulo importante na carreira de Raikkonen na F-1. Com incríveis quatro vitórias na pista belga (2004, 2005, 2007 e 2009), Raikkonen criou uma identificação com o circuito das ardenhas que é quase semelhante a que aconteceu entre Senna e Mônaco, ou entre Massa e Istambul Park. Se Kimi estivesse na pista no próximo domingo seria intensamente apontado como favorito.


E não foi só de pista que se viveu no GP da Bélgica em 2009. Foi na tv, via transmissão da Globo, que o mundo começou a tomar nota do escândalo envolvendo Nelsinho Piquet, o comando da Renault e Fernando Alonso no GP da Cingapura de 2008.


OBS: aos caros leitores, um aviso: alguns de vocês já devem ter percebido que o blog assumiu um ritmo errático há alguns dias. A tendência é de que os posts continuem pingando com menos frequência por aqui. Em breve, se tudo sair como o planejado, volta tudo ao normal.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Bélgica 2008



FÁBIO ANDRADE





Melhor corrida de 2008? Talvez o leitor responda que não por causa do GP do Brasil ou por causa de uma outra grande corrida de uma das temporadas mais divertidas do passado recente da F-1. Mas o tom que tomou as discussões sobre o GP da Bélgica de 2008 não foi o de diversão e sim o da polêmica. A ultrapassagem de Hamilton sobre Raikkonen perto do fim mudou a história da corrida e os comissários trataram de mudá-la novamente com uma canetada horas depois da conclusão da prova. A forma como Hamilton operou a ultrapassagem sobre Raikkonen realmente foi discutível, mas há de se lembrar que a filosofia de segurança usada pela FIA para estruturar as pistas contribuiu muito para todo o imbróglio.

sábado, 14 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Eau Rouge, 1999



FÁBIO ANDRADE



A Eau Rouge é, certamente, a mais mítica curva da Fórmula-1 atual. E o título faz sentido. Em meio a circuitos recheados de curvas em 2ª ou 3ª marcha e com pouca variação de relevo, a pista de Spa-Francorchamps nos oferece uma curva em descida em alta velocidade que repentinamente se torna uma subida íngreme. A saída desse paredão não é vista pelos pilotos quando eles estão no ponto mais baixo e além disso, há o fortíssimo efeito da força G, que exerce uma absurda força de compressão sobre o corpo dos pilotos. Reza a lenda que eles perdem, momentaneamente, o foco da visão no ponto mais crítico da curva.

Há quem diga que a Eau Rouge de hoje já perdeu parte de seu desafio graças à extrema eficiência da pressão aerodinâmica dos carros. Já faz um certo tempo que qualquer piloto consegue vencer a Eau Rouge com o pé embaixo. Sim, a Eau Rouge tornou-se uma curva flat, mas esse blogueiro se recusa a aceitá-la como um desafio diminuído por conta disso.

E uma visita ao ano de 1999 mosta que as coisas nem sempre foram assim tão "fáceis" (muitas aspas, por favor) na curva-símbolo de Spa.

A começar pelo entorno da Eau Rouge. Se hoje a área de escape é asfaltada, há 11 anos a linha de fora da curva era coberta de terra e foi por lá que o piloto brasileiro Ricardo Zonta experimentou a sensação de perder o controle do carro e virar passageiro.



O acidente de Zonta encerrou uma trilogia de pancadas fortes na Eau Rouge entre 1998 e 1999. Em 98 Jacques Villeneuve bateu com a Williams; em 99 o mesmo Villeneuve acidentou-se, agora com um BAR. Minutos depois da forte batida do canadense, o ocupante do outro cockpit da BAR, Ricardo Zonta, retirou totalmente a equipe do treino classificatório para o GP da Bélgica daquele ano ao capotar e destruir o carro.

Se estivesse em 2010, Zonta provavelmente não teria tido um susto tão grande. É sabido que o asfalto na área de escape possui exatamente a função de evitar o que aconteceu com o piloto brasileiro: a capotagem. De toda forma, o saldo do acidente foi positivo para Zonta. O piloto da BAR saiu do carro por suas próprias pernas e foi caminhando até o veículo de resgate, absolutamente ileso depois da forte batida.

A Eau Rouge de 1999 possui ainda outra coisa que você não encontra mais em 2010: comissários de pista contemplando o movimento dos carros placidamente, desprotegidos de um possível "despiste" como se diz no português lusitano. Comissários de pista hoje são muito pouco lembrados. Na maioria das vezes você só os vê quando eles realmente se fazem necessários.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Spa em um minuto e meio



FÁBIO ANDRADE



Que a pista de Spa-Francorchamps é talvez a mais querida dos pilotos não é nenhuma novidade. A corrida remonta um cenário de F-1 clássica, no interior da Europa e a pista é na verdade meio pista e meio estrada. Suas curvas de alta velocidade aliadas à sensação de entrar no carro e acelerar naturalmente são, nas palavras do piloto alemão Adrian Sutil, "um espetáculo raro até mesmo para pilotos de Fórmula-1".

Tanta solenidade não é em vão. Spa reune características em extinção nas novas pistas da F-1. A começar pela extensão de 7km, que transforma a pista num ET em meio a traçados pasteurizados e padronizados em torno dos 5km. Além disso, a pista possui uma natureza desafiadora, curvas em subida e em descida, algumas delas feitas em 7ª marcha.

Além de ser uma grande pista, Spa já foi palco de grandes corridas. O vídeo abaixo passa rapidamente por alguns dos lances mais marcantes vividos pela F-1 nas ardenas.



A segunda vitória de Ayrton Senna em 1985, a primeira de Schumacher em 1992, a bola de fogo que envolveu a Jordan de Eddie Irvine em 1995 e o duelo entre Schumi e Hill no mesmo ano, finalizando com a prova de 1998, uma das mais acidentadas da história. Em um minuto e meio, um passeio rápido por parte da história do GP da Bélgica nos últimos 25 anos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Jogo de Equipe, Bélgica, 2005



FÁBIO ANDRADE



Se em 2010 o jogo de equipe voltou a ser o tema da vez, voltemos a uma ocasião em que a troca de posições foi feita sem alarde: Spa, GP da Bélgica de 2005.

Raikkonen disputava com Alonso o título. O finlandês contava com um carro que não era ruim, mas que teimava em não concluir as corridas. Raikkonen abandonara por problemas em seu bólido diversas vezes em 2005, e de praticamente todas as formas imagináveis.

No GP da Bélgica daquele ano Alonso chegou a Spa com chances de conquistar em definitivo o título, mas teve seu triunfo adiado para o gp seguinte (que por acaso era o do Brasil). No sábado, Juan Pablo Montoya cravou a pole. O colombiano dominou toda a corrida com Raikkonen em segundo, até que no fim, Ron Dennis mexeu seus pauzinhos. Montoya foi diminuindo o ritmo gradativamente, enquanto Raikkonen fazia seguidas voltas mais rápidas. No último pit stop, as posições foram invertidas e Raikkonen pôde vencer e adiar o primeiro título de Alonso por mais 15 dias.


F1 - Best of Belgian GP 2005 - MyVideo

Foi o clássico jogo de equipe, jogado sem pudores, e tratado com naturalidade por imprensa e torcida. Confirmando o que foi dito em muitos sites e blogs internet a fora, uma tática aceitável quando a equipe tenta, no fim do mundial, garantir a presença de seu piloto na briga pelo maior tempo possível.