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domingo, 16 de outubro de 2011

Vettel, pelo prazer de vencer

Lewis Hamilton não lê este blog, mas respondeu às perguntas feitas ontem por essas bandas. Se a cabeça do piloto do carro de número 3 voltou ao lugar ou não, é cedo para dizer, mas foi um alívio vê-lo na dura, linda e marcante disputa de posição com Mark Webber pelo segundo lugar depois da segunda rodada de pit stops. Quase uma volta inteira dividindo curvas lado a lado com o australiano, sem toques, no grande momento de um GP da Coreia morno e sem muita história.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Vettel correu sozinho e Hamilton venceu a corrida disputada pelos outros 23 carros (Foto: Reuters)"][/caption]

Depois da largada e das primeiras voltas, foi difícil ver os líderes trocarem de posição na pista. As ultrapassagens se consumaram mais nos boxes do que nos 5615 sinuosos metros de Yeongam. Sebastian Vettel foi quem deu o bote ainda na primeira volta, deixou Hamilton para trás e não foi mais incomodado durante os outros 54 giros.

As histórias paralelas, quando existiram, não ascenderam do papel de coadjuvantes para o cartaz principal. Ainda assim, graças ao impressionante desempenho de Vettel, os holofotes estiveram voltados para os outros pilotos das três equipes grandes, talvez com exceção de Jenson Button, que sofreu com o desempenho do carro durante toda a corrida. Além de Webber e Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa passaram a ser o foco da prova.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="A ordem de posições entre as Ferraris foi essa até o terço final da corrida (Foto: Getty Images)"][/caption]

A disputa entre os vermelhos mostrou Massa num lampejo, a frente de Alonso durante boa parte da corrida e defendendo-se do espanhol enquanto pôde. Foi uma rara prova em que o brasileiro não se envolveu em nenhum contratempo grave, a não ser os enrolos da própria Ferrari nos pit stops. Deixado para trás depois de voltar dos boxes no meio do tráfego, ficou distante de Alonso no terço final da corrida, quando o espanhol era o piloto mais rápido da pista.

Alonso remou e levou quase 20 voltas para se aproximar de Button. Quando finalmente estava a cerca de dois segundos do quarto colocado, o espanhol deu pinta de ter ficado sem pneu e avisou pelo rádio que desistia da briga. E Dom Alonso, que conquistou um segundo lugar na raça em Suzuka, capitulou em Yeongam, mostrando o quanto é duro ver um piloto querendo andar mais que o carro sem conseguir.

Vettel só voltou à ordem do dia na bandeirada. “Yes, Yes, Yes”, repetidas vezes, ao comemorar a vitória e o bicampeonato da Red Bull no mundial de equipes. Já campeão, Vettel teria todos os motivos para encarar as corridas restantes como um cumprimento formal de tabela. Mas Vettel aparenta ser um piloto de verdade, e pilotos desse gênero tentam a vitória de qualquer forma, para o bem do time ou pelo simples gozo pessoal de vencer.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Vettel e o alto clero da Red Bull comemoram o bicampeonato de construtores (Foto: AP)"][/caption]

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Desequilíbrio de Hamilton e a boa fase de Button

Acumuladas tantas demonstrações de desequilíbrio dentro das pistas de Lewis Hamilton, acho que está na hora desse assunto render um post por aqui, ou melhor, diferente de só falar de suas frustrações dentro das pistas neste ano, seria interessante comentar também sobre a superioridade que Jenson Button vem demonstrando com relação ao seu companheiro de equipe, até porque as duas coisas podem ter uma ligação entre si.

No último fim de semana, no GP de Cingapura, assim como em Monza, Hamilton não fez uma de suas melhores corridas, claro. Na corrida noturna deste domingo, o inglês protagonizou por culpa própria, inegavelmente, um acidente com Felipe Massa, logo nas primeiras voltas da corrida. A qualidade dos dois pilotos aqui não interfere no julgamento da questão. A punição da direção de prova foi mais do que justa e no calor da situação, aliada aos vários erros de Hamilton diante de Massa neste ano, a ironia do brasileiro no final da corrida fez o inglês sair no lucro. O que ficou claro é que mais uma vez o ímpeto de Hamilton, ultimamente agraciado por poucos, levou o inglês a mais uma vez desperdiçar chances de conseguir um resultado melhor e mais convincente.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="A boa fase de Button pode estar prejudicando o desempenho de Hamilton em 2011"][/caption]

Em Monza, no GP da Itália, as várias voltas que Hamilton passou atrás de Michael Schumacher não são tão justificáveis assim. Claro que o alemão dificultou demais a ultrapassagem do inglês, assim como a McLaren de Hamilton não demonstrava grandes condições para efetuar a ultrapassagem. Porém, o piloto da McLaren desperdiçou várias oportunidades de ganhar a posição de Schumacher, além de ter sido superado facilmente por Button e vê-lo realizar também com facilidade a ultrapassagem sobre o veterano piloto alemão.

O que essas duas situações recentes representam , além dos erros constante de Hamilton durante toda a temporada, é uma possível instabilidade emocional já que por pouquíssimas vezes, o campeão de 2008 foi superado pelo seu companheiro de equipe em toda a sua carreira. Na Fórmula 1, a única vez que isso aconteceu antes acabou com as chances da McLaren se tornar campeã em 2007, quando a dupla era formada por Fernando Alonso e Lewis Hamilton. Além dessa possível pressão de ver Button coloca-lo no bolso neste ano, Hamilton sofre, com toda a certeza, com a administração que seu empresário faz de sua carreira. Dispensar os serviços de seu pai e contratar alguém que sequer entende de automobilismo, foi um dos principais erros do inglês em toda a sua carreira na categoria.

Jenson Button desde que chegou à McLaren nunca se importou com a presença de um grande piloto ao seu lado na equipe. Diferentemente de Hamilton, preferiu sempre agir com sensatez, dentro e fora das pistas do que agir de imposição no estilo de pilotagem especialmente.

Todos esses acontecimentos dentro das pistas, mostram que um piloto precisa bem mais do que o simples talento, necessita saber com a ajuda de pessoas mais maduras e equilibradas, a melhor maneira de usa-lo.

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domingo, 19 de junho de 2011

O lado barbeiro de Hamilton

Depois de ter escrito meu último post, que vocês podem ler logo abaixo, continuei pensando nas barbeiragens de Lewis Hamilton. Você pode pensar que esse assunto já rendeu tudo o que tinha que render e eu até concordo com você. É que barbeiragens em um meio de altíssimo nível técnico entre os pilotos não costumam passar batidos por mim por um longo tempo, não mesmo.

Os recentes acidentes que Lewis Hamilton provocou em Mônaco e em Montreal me levaram a recorrer à temporada 2007 e à 2008, tão famosas pelos erros tolos de um jovem que acabara de chegar à Fórmula 1 e já disputava o título com grandes pilotos.

No GP da China de 2007, Hamilton cometeu um erro que eu, nem no videogame, cometeria. Vejam no vídeo abaixo que vocês irão se lembrar.



Sem dúvida, foi algo dramático, mas que não deixou de ser engraçado também. Um piloto que tem o título praticamente nas mãos sendo traído por uma mísera curva com o carro em baixa velocidade é pra fazer qualquer piloto sentir uma raiva inexplicável.

E além do erro cometido na China, não poderia passar em branco a barbeiragem que Hamilton causou no GP do Canadá em 2008, onde acertou em cheio o carro de Kimi Raikkonen que aguardava o sinal verde para poder sair dos boxes. O inglês apressadinho ‘não notou’ os carros na saída dos boxes parado e acertou em cheio o finlandês. Um belo strike!



Como dizem, os grandes pilotos também tem seus momentos de barbeiragem. Não é isso Hamilton?

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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Foco: a diferença entre Hamilton e Vettel

Por ser jovem, encontro-me na posição de analisar o assunto que tratarei neste post, até por experiência própria. Jovens, por serem jovens raramente possuem a capacidade que só a experiência traz, aquela capacidade em focar em mais de uma coisa, de conhecer atalhos e poupar sofrimento, dificuldades e fracassos. Porém, todos passam por essa fase, alguns da melhor maneira que existe, outros da pior.

Estive pensando sobre como anda o comportamento dos jovens na Fórmula 1 e o lado profissional deles, claro, afinal é este aspecto que mais conhecemos e podemos opinar. Lewis Hamilton e Sebastian Vettel são os principais entre essa nova geração que já rendeu muito na máxima categoria do automobilismo e que ainda prometem render mais ainda. Por serem os principais, vou me ater a eles.

[caption id="" align="aligncenter" width="590" caption="Enquanto um mostra-se maduro, o outro demonstra que a madureza ainda não chegou"][/caption]

Hamilton é um grande piloto. Um campeão mundial prematuro, cheio de talento e repleto de confiança e agressividade dentro da pista. Agressividade e confiança que lhe trouxeram grandes problemas, mas que também lhe renderam um campeonato na temporada 2008, quando conquistou o caneco na última volta de maneira sofrível em Interlagos. Em 2007, quando chegou à McLaren, o piloto inglês estava visivelmente admirado com o espaço que havia conquistado, com o sonho realizado. Concentrou-se integralmente na categoria, deu primazia à sua carreira. E foi isso que o levou a se tornar um piloto espetacular no seu ano de estreia, mesmo errando muito e sem nenhuma experiência anterior na F-1.

No entanto, os anos passaram, e seu emprego na Fórmula 1 começou a não ser a coisa mais importante na sua vida, a prioridade de anos anteriores. O relacionamento com a cantora e popstar Nicole Scherzinger ganhou grande destaque em sua vida, o que não é nada errado. Porém, um jovem que ainda não mostrou estar maduro o suficiente não possui a capacidade de focar perfeitamente em várias coisas na vida; isso é uma questão de escolha, que todos nós temos que fazer. Deixar a F-1 um pouco de lado, levou Lewis Hamilton a tomar decisões erradas, como a de dispensar seu pai da função de seu empresário. Os erros na pista são reflexos de um jovem perdido, aparentemente sem rumo e com certeza sem foco. Reclamações, um espírito soberbo e arrogante e contestações até caluniosas agora fazem parte de um ‘novo’ Lewis Hamilton.

Por outro lado, os jovens na F-1 possuem um companheiro que podem se orgulhar. Sebastian Vettel chegou à categoria impressionando assim como Hamilton. Não aconteceram vitórias meteóricas como ocorreu com o colega inglês, mas o tempo passou rápido também e logo tínhamos mais um jovem campeão na Fórmula 1. Um jovem que desde o começo se mostra focado e atento ao que escolheu fazer de melhor na sua vida.

Longe dos holofotes da vida particular, Vettel prefere ser conhecido e venerado pelo que é dentro das pistas e pelo jovem carismático que não permitiu que a F-1 moldasse seu jeito de moleque despretensioso. Raramente se vê comentários dele que não sejam relacionados a uma bela ultrapassagem ou à vitórias conquistadas com muito mérito e dedicação.

[caption id="" align="aligncenter" width="590" caption="Sebastian Vettel vive seu melhor momento na F-1"][/caption]

Adrian Newey, projetista da Red Bull, declarou que o jovem alemão é bem mais maduro do que as pessoas de sua idade. “A coisa mais legal de Sebastian é o seu nível de maturidade com a idade que tem. Já vi muito o filme do piloto que deixa a fama subir à cabeça quando sai da escuridão ao estrelato. Ele está sempre à noite no paddock, conversando com os seus engenheiros, analisando os dados e refletindo sobre o que fez dentro do carro. Acho que esta é a única coisa que todos os ótimos pilotos têm em comum.”

Uma prova de que o foco absoluto de Vettel está na Fórmula 1. Talvez uma garota popular, um contrato polpudo financeiramente ou outro glamour qualquer que os pilotos da F-1 tem a chance de ter atrapalhariam o sucesso que o alemão da Red Bull está tendo hoje. Talvez ele não seria o atual campeão mundial. Talvez ele não seria o líder da tabela de classificação e o virtual novo bicampeão da categoria. Mas, uma coisa é certa, os jovens na vida, e também na Fórmula 1, precisam de foco, disciplina, dedicação e concentração, do contrário serão apenas mais alguns homens a empurrarem a vida e a carreira com a barriga.

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Webber aparece como principal rival de Vettel na Espanha

Mark Webber resolveu mostrar que é ele quem deverá dar mais trabalho para que Sebastian Vettel não vença mais uma neste ano na Fórmula 1. Se o australiano não corre bem em casa, no GP de Melbourne, em Barcelona é ele quem costuma superar quem é que seja, mesmo que este responda por ser o atual campeão do mundo. No ano passado, Webber foi quem venceu e parece que a vitória não o escapará de novo.

Pode ser tudo um exagero e Vettel mostrar que realmente está impossível, que ninguém do atual grid o segura. Porém, dessa vez acredito que até mesmo a pole position, algo que podemos até dizer que já é posse de Vettel, pode cair no colo de Webber amanhã.

[caption id="attachment_7187" align="aligncenter" width="590" caption="Enfim, Webber aparece como candidato a bater a soberania de Vettel"][/caption]

Os tempos nos dos primeiros treinos livres que aconteceram hoje revelam que pode ser Webber ou alguma das duas McLarens a tirar o poderio do atual campeão do mundo neste início de temporada. No primeiro treino, o veterano piloto australiano se isolou lá na frente da tabela de tempos. Colocou nada menos que 1 segundo de vantagem em cima de seu companheiro de equipe, marcando 1:25.142 contra 1:26.149 de Vettel.

No segundo treino livre, Webber voltou a ser o mais rápido, mas dessa vez teve outro adversário pelo melhor tempo, um mais motivado a mostrar que seu carro pode tanto ou quase tanto, quanto os poderosos RB7. Lewis Hamilton ficou apenas 0.036s atrás da melhor marca do dia. O queixudo da Red Bull marcou 1:22.470, o melhor tempo de todos os treinamentos. Seu companheiro também ficou bem próximo de sua marca; 0.356s separaram o melhor tempo dos dois. Jenson Button completou 32 voltas no segundo treino e foi o primeiro na casa dos 1:23.

Se Red Bull e McLaren duelam pelas melhores posições, com predominância ainda da equipe taurina, Ferrari e Mercedes formam o pelotão logo abaixo dos líderes. Fernando Alonso continua correndo mais que o carro e conseguiu ser o 5º no segundo treino. Felipe Massa tirou do carro nada mais do que ele poderia render. A Mercedes segue naquela balada vendo Nico Rosberg superar Michael Schumacher, mesmo que por pouco. Vale lembrar que a estratégia de Rosberg em poupar os compostos macios para a corrida pode dar certo. O jovem alemão correu de pneus duros.

[caption id="attachment_7188" align="aligncenter" width="590" caption="Fernando Alonso e a sua mania de tirar leite de pedra"][/caption]

Ali mais para o meio da tabela aparecem os de sempre. Renault vs Sauber, Williams vs Toro Rosso e Force India vs Lotus formaram como que um duelo devido a proximidade dos tempos de seus pilotos. A surpresa foi ver a Force India rendendo pouco com Paul di Resta conquistando apenas o 17º melhor tempo. Seu companheiro Adrian Sutil parece estar com a cabeça no caso Eric Lux, como não podia ser diferente.

A regra do 107% deve voltar a atormentar as equipes pequenas em Barcelona. A Hispania não conseguiu em nenhum dos dois treinos livres deixar de ser alvo da nova regra, que não é lá tão nova diga-se. A Virgin foi engolida no primeiro treino visto que Glock havia conseguido um tempo 6 segundos mais lento que o do líder Webber. A Lotus também sobrou no primeiro tempo e viu Jarno Trulli ter um desempenho nada animador para a equipe que espera alcançar as intermediárias já nessa etapa.

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Enfim, um GP da China empolgante



ANDERSON NASCIMENTO


O GP da China reservou emoções que não esperávamos. Foi sim a melhor etapa da Fórmula 1 até aqui em 2011, onde vimos muitas ultrapassagens e muita estratégia. Aliás, esses dois foram os principais fatores que decidiram a corrida. Era como se a estratégia fosse utilizada para alcançar o carro a frente e a ultrapassagem, obviamente, para ganhar a posição.

Mark Webber foi o grande piloto da corrida, não que Lewis Hamilton também não tenha sido, mas é que se talvez o australiano tivesse avançado para o Q2 no treino classificatório de sábado, seria ele e não o inglês que acabaria com a hegemonia de Sebastian Vettel. Sair de 18º e terminar em 3º foi muito mais do que acertar na estratégia e triunfar nas brigas por posições. Houve muita motivação ali, e acredito que ela cresceu demais por conta da Red Bull tê-lo usado como cobaia nos treinos livres. Só ele e não Vettel.

Hamilton, depois de tanto criticar sua equipe, pode colher os frutos do trabalho competente e eficiente de seus mecânicos para consertar um carro que apresentou problema instantes antes de alinhar no grid. Um bom desempenho do piloto inglês, mas melhor ainda da equipe prateada, sempre profissional e sempre eficiente o bastante.

[caption id="" align="aligncenter" width="570" caption="Uma corrida animada e cheia de ultrapassagens"][/caption]

Foi bacana também notar que a Mercedes não está tão ruim como no ano passado e ver Nico Rosberg liderando várias voltas durante a corrida e duelando de igual para igual com Red Bull e McLaren me fez acreditar ainda mais na hipótese de que só falta um carro em melhores condições para que Rosberg seja um grande piloto. Michael Schumacher também começa a mostrar que está melhor do que antes, mas é inevitável não compara-lo com a sua época dourada e não sentir ao menos uma ponta de frustração quando ele termina numa oitava colocação.

Jenson Button apareceu como um forte candidato à vitória depois da largada. Ganhou a posição de Vettel sem muita dificuldade e também sustentou a ponta por um bom tempo. No entanto, seu favoritismo começou a se desfazer da mesma maneira como os pneus. Errou nos boxes e perdeu a posição para Vettel. Não foi rápido e nem poupou os compostos suficiente o bastante para conseguir arrancar alguma vantagem. Button esteve diferente ontem, em algumas situações irreconhecível.

Ali entre os brasileiros não há muito o que dizer. Felipe Massa fez uma boa corrida e terminou à frente de Fernando Alonso é verdade. Aliás, essa comparação é uma daquelas insistências em querer colocar Massa em um lugar onde ele não está: acima de Alonso. Sem parcialidade, mas é fato que em nenhum fator importante o brasileiro bate o bicampeão espanhol. Duas corridas significam pouco para começar a dizer que Massa está melhor do que seu companheiro, ou pior, de achar que ele é melhor que o asturiano.

[caption id="" align="aligncenter" width="570" caption="A Red Bull errou na estratégia e Vettel perdeu a chance de vencer novamente"][/caption]

Já Rubens Barrichello conseguiu terminar sua primeira corrida na temporada e enfim poder analisar qual é o real potencial do FW33 e onde é que ele se posiciona em relação aos demais modelos. Terminar em 13º não foi um resultado ruim, mas está muito aquém do que era esperado da Williams neste início de temporada. Muito trabalho precisará ser feito e muitas mudanças deverão acontecer nos carros de Frank Williams.

Para fechar, vale ressaltar o desempenho da Lotus. Não foi nada surpreendente, mas a equipe malaia continua evoluindo e conseguiu neste fim de semana colocar Heikki Kovalainen na 16ª colocação, a frente de Pastor Maldonado e Sergio Perez, por exemplo.

Agora é aguardar longos dias até o GP da Turquia, onde é esperado uma Ferrari mais forte por conta das mudanças que deverão ser implementadas no bólido e uma Red Bull que tenha enfim um KERS sem problemas para colocar a serviço de seus pilotos.

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sábado, 2 de abril de 2011

McLaren: a mais próxima da Red Bull



ANDERSON NASCIMENTO



A Red Bull sem sombra de dúvidas sobrou com Sebastian Vettel na etapa de abertura da temporada 2011 da Fórmula 1 na Austrália. No treino classificatório e também na corrida, os austríacos provaram que possuem sim um carro que trará muita preocupação aos adversários. No entanto, era esperado que o principal rival dos taurinos, pelo menos neste início de campeonato, fosse a Ferrari do bicampeão Fernando Alonso e do motivado Felipe Massa. Mas Melbourne mostrou que é a McLaren quem mais se aproxima de ameaçar a soberania da Red Bull na categoria.

Jenson Button declarou nesta semana que acredita muito no potencial do MP4-26 depois do que ele rendeu no primeiro GP do ano. Disse ainda que o carro tem um grande potencial a ser extraído e que isso irá colaborar muito para que os ingleses possam fazer frente à equipe taurina.
Claramente, os Red Bulls são rápidos, a pole de Sebastian, mostrou isso a todos. Mas, em ritmo de corrida, nós já estamos muito mais perto deles nesta fase da temporada do que no ano passado. Eu sei que você pode dizer que a Red Bull não estava usando KERS, que coloca um casal de décimos em seu bolso, mas eu não acho que estejam tão melhores como você pôde ter visto no sábado. Eu acho que há uma enorme quantidade de potencial inexplorado em nosso carro.

Jenson Button



[caption id="" align="aligncenter" width="809" caption="Na Austrália, a McLaren rendeu bem mais do que o esperado"]Jenson Button McLaren Mp4-26[/caption]



O MP4-26 nasceu cheio de inovações e prometendo trazer tendências e quem sabe de repente triunfar logo de cara sobre a Red Bull. Mas os testes coletivos na Espanha revelaram outra coisa. O carro estava cheio de problemas, distante de apresentar uma boa performance e com sérias dificuldades em sua confiabilidade. Isso levou a McLaren a mexer, mexer e remexer no carro antes da estreia do campeonato. E as modificações, aliadas ao pulso firme de Martin Whitmarsh ao fazer cobranças em cima de toda a equipe técnica, surtiram o efeito desejado.

Lewis Hamilton conseguiu terminar a prova na 2ª colocação mesmo enfrentando o problema no assoalho do carro e obrigando assim o inglês a tirar o pé. Se não fosse isso, talvez Vettel conseguisse ver mais do que apenas retardatários em seu retrovisor. Já Button andou bem também e se não tivesse cometido a besteira de ultrapassar Felipe Massa onde não devia e depois acabar sendo punido poderia ter alcançado um resultado melhor do que uma 6ª posição.

A realidade é que a McLaren, apesar de todos os problemas expostos na pré-temporada, conseguiu dar a volta por cima em pouquíssimo tempo e agora tem um carro um tanto atraente nas mãos. A primeira vez que a equipe fez uma simulação de corrida com o novo carro foi exatamente na primeira etapa do Mundial. Prova essa de que há muito mesmo ainda para evoluir no MP4-26. Pode ser que o seu desempenho seja tão forte quanto o RB7 depois de algum tempo.

Pode-se dizer sem receio que o MP4-26 ainda é um carro cru. O difusor utilizado no carro na Austrália era feito de titânio, visto que não houve tempo para que ele fosse fabricado de fibra de carbono. Com um difusor mais leve e algumas outras modificações que não foram concluídas como deveria pela falta de tempo, a McLaren pode andar ainda mais próxima da Red Bull já na Malásia.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Revelada mais uma falcatrua de Alonso



ANDERSON NASCIMENTO


A biografia de Bernie Ecclestone escrita por Tom Bowers trouxe mais uma polêmica não conhecida envolvendo o piloto espanhol Fernando Alonso. Segundo o livro, o piloto da Ferrari que em 2007 era companheiro de Lewis Hamilton na McLaren pediu para que o carro do inglês fosse sabotado no GP da Hungria daquele ano.

Ron Dennis havia recebido o pedido de Alonso pessoalmente e creio que não deve ter se assustado, mas jamais faria isso com a equipe que defende tão bem. A ideia do bicampeão era que a equipe colocasse menos combustível no carro de Hamilton para que ele não conseguisse completar a corrida.

No mesmo fim de semana, Alonso já havia prejudicado seu companheiro, demorando nos boxes e impossibilitando que Hamilton fizesse mais uma volta rápida no treino classificatório e assim ficasse com a pole-position. O espanhol conseguiu o que queria, mas a FIA, atenta ao que acontecia, o puniu e Alonso foi obrigado a ceder o lugar de honra ao seu companheiro inglês. O vídeo abaixo mostra bem como aconteceu este ato desonesto do asturiano.



A crise na escuderia inglesa havia se instalado. Fernando Alonso e Lewis Hamilton brigavam pela preferência da equipe e também por quem levaria o campeonato. Acabou que Alonso perdeu a vaga no time e o seu tricampeonato. Kimi Raikkonen levou o título da temporada 2007.

Para mim, não me espanta ver mais uma atitude desse tipo vinda de Fernando Alonso. É inegável que ele possui pouco caráter esportivo, e há quem discorde disso, mesmo sabendo de todo seu histórico. Não é a toa, afinal, que ele possui uma grande quantidade de fãs pelo mundo todo, especialmente na Espanha, que não quer saber o que ele faz desde que ganhe títulos e continue levando a bandeira vermelha e amarela ao topo da Fórmula 1.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A boa notícia para a McLaren



ANDERSON NASCIMENTO


A McLaren foi uma das equipes que mais comemorou a decisão do cancelamento da etapa bahrenita da Fórmula 1, que marcaria a abertura da temporada da categoria. O motivo é que a equipe pode usar as duas semanas a mais até o GP da Austrália (que se tornou o primeiro do ano) para evoluir o MP4-26 que apresentou problemas além do esperado nos testes coletivos realizados na Espanha.



O novo modelo da equipe de Woking possui problemas em ter uma boa performance em ‘stints’ longos, ou em configurações de corrida. Os engenheiros e mecânicos da equipe ainda procuram entender como os pneus, o carro e os sistemas (especialmente o KERS) funcionam juntos. Será necessário compreender mais durante os próximos testes o quanto as mudanças mais radicais do carro influenciam em seu desempenho.

Mesmo com muitos pontos negativos jogando contra o time de Martin Whitmarsh, o fato de ter Jenson Button a bordo de um de seus cockpits é uma grande chance de obter um bom resultado nas corridas iniciais onde se conhece pouco sobre o comportamento dos pneus durante uma corrida de verdade. O cerebral e ótimo piloto inglês quando o assunto é estratégia pode compensar os “defeitos” que a equipe talvez ainda traga para as primeiras etapas do campeonato.

Lewis Hamilton já chegou a reclamar, mas a equipe afirma que tudo está saindo como o esperado e que poderão chegar na Austrália em condições iguais aos carros da Red Bull e Ferrari. Apesar de parecer pequeno o tempo de duas semanas a mais para trabalhar no crescimento de um carro tão complexo quanto o MP4-26, quem conhece bem o potencial dos mecânicos e engenheiros da Fórmula 1 sabe que muita coisa pode ser modificada e muito trabalho pode ser feito em quinze dias. Além disso, a McLaren, por zelar de um profissionalismo a altura de sua tradição, está ainda mais otimista quanto a melhoria de seu carro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FIA exibe lista incompleta de pilotos para 2011



FELIPE MACIEL


A federação fez o seu tradicional release do dia 30 de novembro, expondo a relação de pilotos até então confirmados para a próxima temporada.

Red Bull, McLaren e Ferrari não têm segredo. A Renault, que poderia ter sido uma rival à altura da Mercedes se tivesse um bom piloto comandando o segundo cockpit, tem somente Kubica garantido e continua precisando de investimentos. Cabe ao Petrov buscar a grana e se reafirmar na vaga.

A Williams já se despediu de Hulkenberg e definiu Maldonado como companheiro de Rubens Barrichello justo depois que o documento da FIA "foi ao ar". A Force India não confirmou nem Sutil nem Liuzzi. Paul di Resta, campeão da DTM, tenta tomar o lugar do italiano mas comenta-se que uma cláusula no contrato permitiria que Vitantonio mantivesse a titularidade por mais esta temporada, mesmo que o time não simpatizasse com a ideia agora.

Nenhum dos pilotos foi confirmado pela Toro Rosso, mas na falta de boatos só nos resta imaginar que eles mantenham a sua duplinha. A Lotus não trará alterações na dupla. A equipe de nome mais trabalhoso do grid, Marussia Virgin, cai para os últimos números e deve anunciar a permanência de Timo Glock em breve.



A superstição ou algo que o valha continua em alta. Lewis Hamilton, aparentemente, pediu para ficar com o número par, como sempre aconteceu na F-1. Já Michael Schumacher não abre mão de tomar o ímpar do seu companheiro de equipe.

Até que se prove o contrário, a Lotus continua se chamando Lotus e a Renault não deixa de ser apenas Renault. Mas até o fim da novela, ninguém duvida que as questões judiciais forcem Tony Fernandes a se contentar com o nome 1Malaysia, abrindo a oportunidade de surgir o Renault Lotus no time de Kubica. O mais divertido desse balaio de gatos é que a atual Lotus usará motores Renault no ano que vem. Assim o Galvão vai enfartar!

E quem gostaria de vivenciar de perto essa confusão era Bruno Senna, que estava de malas prontas para a Lotus malaia. Dizem por aí que o furo publicado pelos site Grande Prêmio, antecipando o anúncio antes do contrato ser concluído, irritou os dirigentes da equipes, desencaminhando as negociações. O piloto brasileiro, assim, deve amargar mais um ano na Hispania.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A matemática do título a 3 provas do fim



FELIPE MACIEL


Restando apenas Coreia, Brasil e Abu Dhabi para finalizar o Mundial 2010, já está na hora de fazer um balanço dos cenários que dariam título a cada um dos postulantes vivos na disputa. Assim diz a tabela:

Mark Webber - 220 pontos
Fernando Alonso - 206
Sebastian Vettel - 206
Lewis Hamilton - 192
Jenson Button - 189



Líder isolado, Mark Webber pode se dar ao luxo de abandonar uma corrida, sendo que se vencer as outras duas o campeonato será seu.

O caso de Alonso e Vettel é o mesmo: ambos sonham em vencer pelo menos duas corridas das três que ainda faltam. Na terceira, bastará chegar à frente do Webber para ficar com o caneco.

A partir daí vem as McLarens, que não poderão economizar santo se pretendem dar a volta por cima na temporada praticamente perdida. A Lewis Hamilton, basta vencer todas as 3 etapas, desde que o australiano nunca consiga um resultado melhor que a terceira colocação.

A matemática do Button é ligeiramente mais desafiadora. O atual campeão tem de ganhar todas, torcer para que Webber não faça nada melhor que 2 terceiros e 1 quarto lugar, independente do resultado dos demais.

E aí? Em quem você mais acredita nessa reta final? Quanto pilotos chegarão com chances ao último GP do ano? São os momentos finais para se fazer qualquer aposta em 2010 (que, diga-se, passou rápido como de costume).

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Memória Blog F-1: Carteira de Craque



FÁBIO ANDRADE




Sem dúvidas que o GP da Itália foi uma das melhores corridas do ano de 2008. Lewis Hamilton deu um show à parte. Largando da 15ª posição após um pesadelo diante do temporal da classificação, recuperou-se de forma fantástica no domingo. Ultrapassou mais do que qualquer um na pista e chegaria no pódio se não tivesse que fazer uma parada extra em função de um erro na previsão de tempo da McLaren. O britânico terminou a prova pressionando Felipe Massa, seu rival na briga pelo título. A corrida foi quase uma síntese do histórico do comportamentos dos dois sob chuva: enquanto o piloto da McLaren, oito colocações melhor do que sua posição de largada, deu show, Massa, cruzando a meta no mesmo sexto lugar em que largou, não chegou a ser um burocrata, mas ficou pálido diante do brilhantismo de Hamilton.


O lado mais prazeroso de assitir à pilotagem de Hamilton naquele dia, porém, foi ver que mesmo depois da punição aplicada ao inglês em Spa uma semana antes, o garoto não perdeu o característico arrojo na hora de brigar por ultrapassagens. Hamilton brigou por cada posição com o afinco de sempre, para desespero do Race Control, que parece preferir que os pilotos rápidos peçam licença educadamente aos lentos para ultrapassá-los.


Mas o nome que ficou marcado naquele domingo chuvoso foi o de Sebastian Vettel. Protagonista de uma das vitórias mais incríveis de todos os tempos, o moleque navegou o Toro Rosso pela ensopada pista de Monza como um campeão, depois de fazer a pole no sábado sob chuva ainda mais severa. Pilotar "como um campeão" é tudo o que Vettel precisa fazer novamente em Monza no próximo GP da Itália, e é o que ele deixou de fazer em algumas oportunidades em 2010.




[caption id="" align="aligncenter" width="480" caption="A histórica vitória de Vettel em Monza"]A histórica vitória de Vettel em Monza[/caption]

Curioso é o paradoxo que a imagem de Vettel encontrará na próxima vez que chegar ao Autódromo Nazionale di Monza. Se há dois anos o menino alemão saía de lá aclamado como a maior revelação da Fórmula-1 em muito tempo, hoje ele é uma estrela contestada que ocupa apenas o terceiro lugar num campeonato em que tinha tudo para ser o líder.


Eis a diferença entre ganhar quando ninguém leva fé em você e perder quando todos esperam que você ganhe. No vídeo que abre esse post, Galvão Bueno (em que pese o fato de as palavras a seguir terem sido emitidas por tamanho frasista)  chega a dizer que Vettel é "um menino que tá querendo tirar carteria de craque". Em recente transmissão, no entanto, o mesmo Galvão afirmou que o alemãozinho "não entra naquela turma que cabe nos dedos de uma mão". Sintoma do desgaste da imagem de Vettel, que ainda tem tempo, exatamente seis corridas, para tirar, ainda em 2010, a tal carteira de craque e ser proprietário definitivo do termo "como um campeão".

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Memória Blog F-1: Bélgica 2008



FÁBIO ANDRADE





Melhor corrida de 2008? Talvez o leitor responda que não por causa do GP do Brasil ou por causa de uma outra grande corrida de uma das temporadas mais divertidas do passado recente da F-1. Mas o tom que tomou as discussões sobre o GP da Bélgica de 2008 não foi o de diversão e sim o da polêmica. A ultrapassagem de Hamilton sobre Raikkonen perto do fim mudou a história da corrida e os comissários trataram de mudá-la novamente com uma canetada horas depois da conclusão da prova. A forma como Hamilton operou a ultrapassagem sobre Raikkonen realmente foi discutível, mas há de se lembrar que a filosofia de segurança usada pela FIA para estruturar as pistas contribuiu muito para todo o imbróglio.

domingo, 27 de junho de 2010

Dupla de equipe: GP da Europa

Williams


Well, bacana ver os azuis se classificando bem. Mesmo que o resultado final da corrida não tenha sido tão bom como o da classificação, foi legal ver um dos pilotos de Grove terminando entre os cinco primeiros. Mesmo que o Barrichello seja um dos envolvidos na confusão armada pela direção de prova.

Foi um pouco decepcionante o abandono do menino Hulk. Um pontinho seria importante para a auto-estima dele no momento. E deu pra perceber que ele ficou bastante irritado por ter de se retirar a poucas voltas do fim.

Fábio Andrade



A Williams vive uma temporada de altos e baixos. Desta vez o desempenho foi excelente para ambos os carros, pena que Nico Hulkenberg teve problemas e precisou abandonar. Vai continuar com 1 mísero pontinho na tabela classificatória.

Por isso mesmo o Hulk verde de raiva desceu a pancadaria na inocente barreira de pneus - bateu mais forte que o Webber, coitada... Ao menos o Rubens aproveitou o dia para chegar numa animadora quarta posição. Difícil vai ser repetir essa boa performance nas próximas.

Felipe Maciel



Webber X Kovalainen


Eu continuo achando que não existiu alguém fundamentalmente culpado pelo ocorrido. Ao mesmo tempo ainda não consegui identificar se o Kovalainen brecou muito cedo ou se o Webber deixou pra frear na última hora; ou se, numa terceira opção, a velocidade final do australiano era muito maior do que a do finlandês.

No mais, as exclamações de praxe numa dessas: os carros são mesmo bastante seguros e a cena é uma das mais fortes dos últimos tempos.

Fábio Andrade



Mexer o carro para o meio da pista e brecar com antecedência foi uma manobra de alto risco se considerarmos que os protagonistas estavam a bordo de uma Lotus e uma Red Bull. Deu-se a desgraça, pois.

É nítida a surpresa que o Webber teve ao se deparar com a traseira do Kovalainen crescendo à sua frente, não havia o que fazer. Os times pequenos têm todo o direito de defender posição contra pilotos de ponta, mas o episódio sugere que certos recursos de defesa de posição sejam evitados. A diferença de velocidade aliada à freada antecipada é, digamos, pouco recomendada.

Felipe Maciel



Penalty de Hamilton


As punições hoje, de uma maneira geral, foram aplicadas de forma estranha. O drive-through de Hamilton demorou o suficiente para não surtir efeito. E as outras punições... bem, são o próximo tópico.

Fábio Andrade



Lewis ficou totalmente confuso na hora: passar ou não passar? Na dúvida, ultrapassou o safety car. Os pilotos da Ferrari, mais atentos às minúcias do regulamento, alertatam ao time logo de imediato. A FIA não só demorou a publicar a conversa de rádio como também levou um tempo imenso para punir. O resultado? Sanção inofensiva para Lewis e protesto de Alonso e Massa ao final da prova. Não é a primeira nem será a última vez que a FIA se enrola numa dessas.

Felipe Maciel



1, 9, 10, 11, 12, 14, 15, 16, 22


O Race Control anunciou as punições e informou que elas ficariam para depois da corrida. Aí meteu cinco segundos de "multa" no tempo de chegada de cada envolvido na confusão dos boxes. Cinco segundos. O que são cinco segundos? Punição para inglês ver.

Ficou no ar a impressão de que o Race Control quis punir, mas não muito, tanto no caso de Hamilton como no caso dos que foram punidos depois da corrida. E entre as regras que nem mesmo a FIA entende, perde o espectador, que passou 1h40 vendo uma corrida com resultado sub júdice

Fábio Andrade



A Globo está divulgando o resultado da Tele Sena agora?

Rapaz, nunca vi tanto número de piloto sendo ameaçado pelo Race Control. O desfecho da investigação mostrou que a FIA não teve peito para punir tanta gente a ponto de virar o resultado do GP de ponta cabeça. 5 segundos servem pra quê? Para devolver uma posição ao ídolo da casa, e olhe lá.

Felipe Maciel



Sinal Vermelho


Depois de uma corrida como essa eu mesmo fico com a impressão de que não passo de um reclamão pronto a espinafrar tudo o que houve durante a prova, mas não se trata disso. Existe cena mais sem noção do que um sinal vermelho a impedir a progressão de um piloto numa disputa de velocidade?

Fábio Andrade



Esse sinal vermelho na saída do pit lane é quase um convite ao piloto para ir pra casa. É inadmissível que se force alguém a parar no final dos boxes e esperar duzentos carros passarem à sua frente de forma gratuita. Desde as mudanças de 2007, essa maldade incondicional se tornou recorrente na F-1. Quando é que irão dar um jeito nisso?

Felipe Maciel



Kamui Kobayashi


Brilhareco para o japa hoje. Mas o Kobayashi, quando está nos seus dias, é difícil de segurar. Chegaria em 3º não fosse a exigência ridícula do regulamento (hoje eu tô um chato mesmo, mas essa corrida mereceu), mas no final das contas conseguiu despachar o Alonso e ultrapassou o Buemi também, algo que o espanhol tentou durante dezenas de voltas sem sucesso.

Ok, Koba estava de pneus macios e novos, Alonso com calçados desgastados. Mas o final de prova do japa valeu a corrida.

Fábio Andrade



Tem como não gostar do Kamui Kobayashi? Hoje ele foi um dos principais motivos que me conferiram o direito de encher o peito e dizer: este foi o melhor GP de Valência que vi até aqui. O japonês correu num excelente ritmo com os mesmos pneus da largada e tinha tudo para completar a corrida na terceira colocação, não fosse aquela regrinha artificial.

O pit stop obrigatório lhe abriu a oportunidade de dar o show. Quando vi as "2 laps remaining", me veio à mente: "já pensou se esse japa passa os dois e fecha essa com chave de ouro?" E não é que o abusado foi lá e fez? Deu um passão no Alonso e dobrou o Buemi na curva da vitória. Sensacional, valeu o ingresso (que eu não paguei)!

Felipe Maciel

sábado, 12 de junho de 2010

Memória Blog F-1: Outside



FELIPE MACIEL


No final da classificação de hoje, em virtude do baixo nível de combustível no tanque, Lewis Hamilton reduziu ao máximo durante a volta de retorno aos boxes. Estaria prestes a infringir a regra que estipula um tempo limite para circular na pista, além de ser reprovado no procedimento de pesagem após o treino.

Eis que o pit wall lhe instrui a desligar o motor. Tem início ali umas daquelas cenas que não deixa dúvidas a qualquer espectador que aquilo ficará marcado com o passar dos anos. Belíssima forma de se comemorar a pole position...



Sobre o mesmo palco, ocorreu algo semelhantemente especial quando Jean Alesi venceu sua primeira e única na Fórmula 1. A diferença aqui é a ajudinha de um outro piloto que passava por aquele trecho: Michael Schumacher oferece-lhe uma grata carona até os boxes. Desfecho heróico e emblemático para uma vitória que tanto custou a se concretizar. GP do Canadá de 1995.



Acontecimento igualmente memorável ficou marcado pelo final de Silverstone-91. Ayrton Senna estaciona sua McLaren e recebe uma força de Nigel Mansell para chegar à garagem. Um intruso ainda ousou tentar impedir, ao que tomou um sai-pra-lá do Ayrton. E o público fez a festa!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Whitmarsh desmente suposta ordem de equipe



FELIPE MACIEL



Os ecos da Turquia seguem tilintando na cabeça de muita gente na Fórmula 1. No caso da Red Bull, o chefe Christian Horner falou pelos cotovelos a respeito da batida. Já no caso da McLaren, demorou mas chegou a vez de Martin Whitmarsh dar sua versão do conflito.

O vídeo da FOM denunciou o momento em que Phil Prew garantia a Hamilton que Button não tentaria lhe roubar a vitória. A conversa de rádio ocorreu imediatamente antes de Jenson iniciar o ataque, que terminou com a manutenção de Lewis na ponta.



Antes mesmo do duelo, a equipe já alertava seus pilotos sobre a necessidade de se economizar combustível. Após o pega, o pit wall reenviou a mensagem para frear o ritmo dos dois. Hamilton se distanciou e cruzou em primeiro com Button completando a dobradinha. A explicação de Whitmarsh é a seguinte: Phil Prew enganou-se; apenas isso, nada mais.

Comentários registrados na íntegra...
Pouco depois que ele foi informado de que Jenson não o ultrapassaria, Jenson o fez. Phil deu sua opinião a Lewis e depois isso mudou. Ambos são pilotos e tinham um desafio na pista, eles sabem disso.

A corrida se desenvolveu um pouco mais rápida que o esperado. Então nós estávamos consumindo mais combustível do que tínhamos imaginado. Por isso tivemos que encontrar maneiras de economizar.

Inevitavelmente, surge um dilema à medida em que você se aproxima do fim da corrida sobre o quão duro você pode correr. Acho que ficou amplamente demonstrado que uma equipe e seus pilotos podem cometer esse erro, mas não há dúvida de que nossos dois pilotos querem ganhar corridas, em contrapartida eles estavam sendo orientados a cuidar do combustível. Como conseqüência disso, Phil Prew tinha a opinião de que Jenson não ultrapassaria, o que provavelmente foi um erro de julgamento.

Mas eu não acredito que fosse esperado que o Lewis levantaria tanto o pé na curva 8. Jenson, que é um piloto de corridas, quando o viu aliviar tanto na curva 8, pensou que aquela seria sua oportunidade, e então partiu para o ataque.

Eles sabem que eles são pilotos de corrida. Lewis até ficou surpreso com a informação passada pelo rádio. Ele perguntou, e Phil Prew, que é o engenheiro-chefe, deu uma resposta instintiva e imediata, já que ele não achava que Jenson iria tentar passar.

Mas Lewis não estava disposto a ceder o primeiro lugar de forma fácil; acho que ele fez uma belíssima ultrapassagem para garantir sua permanência na liderança.

Martin Whitmarsh



Por mais que o histórico da equipe conte a favor, fico com a pulga atrás da orelha com essa versão explanada pelo Martin. Ele pode estar mesmo reportando a verdade, mas sinceramente, neste caso específico, não o condenaria caso de fato houvesse uma intenção da equipe em evitar a briga no final. Depois que as duas Red Bull's se enroscaram daquela forma, não adianta dizer que os prateados assistiriam a um combate interno sem tremer nas bases. O medo é, antes de mais nada, um instinto de sobrevivência. E ver a RBR morrer na praia foi uma lambança exemplar que não poderia ser repetida de modo algum logo em seguida. Mérito dos campeões, que deram uma aula de como se digladiar na pista explorando o máximo da adrenalina sem desrespeitar o parceiro nem trazer danos ao time. A elegância britânica é notável tanto sobre o asfalto quanto diante da mídia. A rivalidade entre Hamilton e Button é a mais nobre, limpa e bonita de se ver nesta temporada.

Para o GP do Canadá, porém, a expectativa é de um embate entre equipes. A McLaren, cada vez mais próxima da Red Bull, traz mais atualizações aerodinâmicas buscando ameaçar de vez o poderio dos energéticos no campeonato. Ritmo de corrida eles já provaram que possuem. Alcançar Webber e Vettel no qualifying deve ser a chave do próximo fim de semana.

sábado, 5 de junho de 2010

A frieza de Lewis Hamilton



FELIPE MACIEL



E nós elogiando a McLaren pela postura liberal na Turquia...

O vídeo do site oficial conta uma versão diferente daquilo que parecia visto de fora. No terço final do resumo, nota-se uma conversa de rádio em que o time de Woking assegura Lewis que Jenson não o atacará porque ambos os carros estão poupando combustível. Logo em seguida, Button investe sobre Hamilton e promove uma senhora briga pela vitória.

Tanto o duelo da McLaren quanto o da Red Bull indicam um ruído grave de comunicação via rádio quando o pit wall deseja ordenar que seus pilotos mantenham ou invertam as posições sem correr risco de ser interpretado como jogo de equipe pela FIA.

Mas prefiro deixar essa discussão para outro momento. O que mais me chama a atenção neste episódio aqui é a pronta reação de Lewis Hamilton ao se deparar com o fator surpresa.



Não é a primeira vez que o Lewis mostra sua destreza em momentos críticos. De qualquer forma, não deixa de ser apreciável a sua rapidez de resposta frente a um absurdo que foge completamente dos planos.

Imagine o que é buscar a primeira vitória no campeonato após saber que seu companheiro de equipe, atual campeão do mundo, já possui duas. Adicione a isso o fato de você estar na liderança e ele em segundo. Se você vence, abre a sua série; se você perde, ele leva o terceiro caneco no ano, enquanto você segue zerado. Mas acima de tudo, você recebe uma notícia aliviadora da equipe te liberando para reduzir a velocidade, já que seu parceiro não o atacará.

Ao que você levanta o pé direito acreditando na vitória consolidada, se depara com o dito cujo crescendo em seu retrovisor, colocando de lado e assumindo a ponta a poucas voltas do fim. A sensação do piloto deve ser das mais confusas, sem possibilidade de entender rapidamente por que diabos foi ultrapassado. Ao mesmo tempo é seu dever replicar na pista e lutar para recuperar logo de imediato aquela vitória que parecia certa. Sem titubear, Lewis foi lá e fez.



Não é tão simples quanto parece. Ele, porém, faz parecer, afinal precisou passar por uma prova de fogo muito mais rigorosa no dia em que conquistou seu título mundial.

Ser ultrapassado por Sebastian Vettel há pouquíssimas voltas do fim do campeonato de 2008 deu início a um dos fatos mais extraordinários já visto na história. Mas ninguém teria motivos para sentir uma tensão maior do que o próprio Lewis naquele instante.

Sobre o mesmo palco, um ano antes, seria jogada fora uma conquista praticamente anunciada. O então estreante desperdiçaria na última etapa o título da temporada. Não teria sido culpa só dele, o câmbio havia lhe traído durante a prova e atirado pela janela a primeira grande chance na F-1. Mas em 2008, perder o campeonato de novo, no mesmo lugar... aí já seria demais, não?

Muito se falou no quase triunfo do Massa e na quase reincidência de derrota de Hamilton. No entanto, pouco se falou na intensa pressão sobre o piloto ao ver aquela Toro Rosso cruzar a sua frente e tomar a posição que valia o trabalho de todo o Mundial. Perseguir o carro azul sob o pé d'água, em meio ao desespero de precisar recuperar uma posição irrecuperável não é tarefa fácil. Alguns em seu lugar teriam se arremessado contra o bólido energético numa tentativa frustrada de vencer o campeonato. Dar uma tampona no adversário possivelmente resolveria o problema, no entanto ele manteve a cabeça no lugar, não errou um ponto de freada, acelerou o quanto pôde e teve a sabedoria para brigar legitimamente até o final, mesmo que isso significasse chegar em 6°.

Por sorte ou algo que o valha, pegou um inofensivo Timo Glock pelo caminho e acabou levando a melhor depois de um custoso sofrimento. A chuva no fim devolveu o que quase havia lhe tirado. Mas provou que, mentalmente, Lewis Hamilton não deve nada a ninguém. E que diante do fator surpresa, sua frieza não pode ser subestimada, por mais decisivo que seja o momento.

domingo, 30 de maio de 2010

Dupla de equipe: GP da Turquia

Kamui Kobayashi


Ele foi pra Superpole e não é a primeira vez que ele consegue isso esse ano. Em Barcelona o Koba também conseguiu ir pra fase final da classificação. De quebra marcou o pontinho da Sauber, apesar de sofrer com algumas ultrapassagens durante a corrida.

Fábio Andrade



Arrastando, arrastando, o japonês conseguiu finalmente marcar o primeiro pontinho dessa Sauber-quase-ex-BMW. Engoliu muita ultrapassagem na corrida mas o esforço rendeu o tão buscado 10° lugar. O carro é ruim, no entanto mostra algum potencial em pistas velozes. E o japa voador dessa vez desencantou. Well done!

Felipe Maciel



Bruno Senna


Acho que foi a melhor corrida dele desde o começo do ano. Parece que ele teve que parar para não quebrar o motor e isso é uma tremenda pena. Os Cosworth, decididamente, estão deixando a desejar. O Bruno era o mais bem colocado das equipes estreantes quando teve que abandonar.

Fábio Andrade



Ainda não entendi como ele colocou o carro da Hispania à frente das pequenas rivais. Talvez o problema aerodinâmico se torne solução num circuito que demande pé embaixo por tanto tempo. Fato é que Bruno fazia uma grande corrida, até ser obrigado a se retirar. Lamentável. Justo quando consegue fazer aquele algo a mais, a confiabilidade (ou falta de) entra em cena. Essa é a vida de piloto de fundo de grid.

Felipe Maciel



Ferrari x Renault


É um duelo que vem se repetindo em 2010. Em Melbourne o Kubica não cedeu às investidas do Massa. Em Mônaco, idem e hoje em Istambul de novo. Mas hoje com um grau de dramaticidade maior para os italianos porque o Felipe não esboçou ataque em nenhum momento.

O Alonso conseguiu deixar o Petrov para trás, mas com algum esforço. Se não reagir logo, a Ferrari corre sério risco de abandonar a briga e isso seria um vexame histórico depois de reservar tanto tempo ao desenvolvimento do F-10.

Fábio Andrade



Essa corrida foi um verdadeiro terror para a Ferrari. Tudo indica que ela perdeu vaga no G4 transformando-se na quinta força. Na classificação isso ficou bastante claro, já na corrida pode-se argumentar que o ritmo da Ferrari foi minimamente superior ao da Renault. Mas, sinceramente, minha leitura diz que a diferença que contou a favor dos italianos foi a discrepância de nível entre o bicampeão Alonso e o inexperiente Petrov. O espanhol soube trazer os pneus para o momento decisivo da prova e assim aplicou-lhe a ultrapassagem.

Acho que já podemos cravar que a Ferrari posiciona-se atrás de RBR, McLaren, Mercedes e Renault. Não teve duto F que desse jeito. E agora, José?

Felipe Maciel



Hamilton x Button


Muito legal de ver. A briga mais recheada de competência em toda a corrida. Duros um com o outro, como deve ser, mas leais e "cuidadosos" na medida do possível, afinal, fazem parte do mesmo time. Legal.

Fábio Andrade



Belíssima briga. No melhor estilo "aqui se faz, aqui de paga", os dois trocaram e destrocaram de posições em poucas curvas, no limite dos espaços, calculando cada centímetro para a realização de um duelo limpo e de alto nível. Lance para marcar a temporada e ser devidamente lembrado no final do ano. Um show!

Felipe Maciel



Webber x Vettel


É um pouco chato dizer que alguém foi culpado e que o outro foi inocente. Antes de tudo me pareceu ser um acidente normal de corrida e, como em todo acidente, pode acontecer com qualquer um. Ponto.

Nenhum dos dois assumiu publicamente responsabilidade pelo ocorrido. Mas, mesmo depois de ver o replay algumas dezenas de vezes, ninguém me tira da cabeça que o Vettel, no mínimo, se precipitou ao tentar mudar a linha. Mas é uma discussão que rende, tipo aquela entre o Hamilton e o Raikkonen em Spa-2008.

Fábio Andrade



O confronto teve cara de duelo de categoria de base, onde um acidente como aquele chega a ser relativamente comum. Mark espremeu Sebastian para a esquerda. Quando este meteu de lado, quis empurrar para a direita. A intenção do Vettel era até natural, o problema é que Webber manteve-se em linha reta e daí houve o choque.

A briga entre Hamilton e Button foi uma verdadeira aula para esses dois. Quando Lewis revidou a ultrapassagem na curva 1, Jenson puxou para fora para ampliar a velocidade de contorno na curva, já que a preferência era do Mr. Pussycat. Por acaso Hamilton concluiu a ultrapassagem, mas ao menos eles não trombaram. Já Webber manteve o traçado reto mesmo sem qualquer preferência na curva. A resistência do australiano pegou o alemão de surpresa. Bastou uma mexida lateral para promover a lambança.

Acidente de corrida. Dois cabeças duras dando o sangue pela vitória e pela ponta da tabela às vezes pode acabar nisso.

Felipe Maciel



GP da Turquia


Eu fiquei um pouco irritado com a puxação de saco do trio da Globo em relação à pista, mas até concordo, vai. O Istambul Park não é uma pista ruim. E chega, não esperem declarações mais passionais.

Ouvi dizer que esse foi o último ano da F-1 lá. Pela quantidade de gente nas arquibancadas, até durou muito. Mas eu sempre fico sentido, porque os países investem uma bolada para receber a F-1. Ver a categoria indo embora assim não deve ser agradável.

Fábio Andrade



Corridaça! Para uma prova em pista seca, o GP da Turquia foi uma grata surpresa. Não me lembro qual foi a última vez que vi tanto piloto brigando pela vitória no braço, ali na pista, no mano a mano mesmo.

Sabemos que o traçado é de alto nível, e a F-1 faria um favor a si mesma se o mantivesse no calendário. Com tanto circuito chechelento por aí, parece que só os decentes vem a correr risco. Vale até lançar a campanha "Fica Istambul!".

Felipe Maciel

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Curva 8: o grande feito de Hermann Tilke



FELIPE MACIEL



20 de agosto de 2005. Provavelmente o dia em que Hermann Tilke riu. Riu como nunca imaginou que poderia rir um dia. Um sábado glorioso para o arquiteto alemão.

Naquele dia a Fórmula 1 foi apresentada a uma curva genial, que responde apenas pelo nome de 8. O treino classificatório era definido com uma volta apenas para cada piloto. O que se viu foi um show de erros, com direito a rodadas na curva desafiadora.

Curva 8 de Istambul

O traçado rigoroso da curva de 4 pernas fez vítimas sem escolher endereço. Não importava se o piloto era novo, se era velho, se era experiente, se possuía títulos, se recebia altos salários, se guiava carro de ponta ou pilotava para time pequeno. O grid de largada contou, por exemplo, com Schumacher em 17°, duas posições à frente de Jacques Villeneuve. Este último foi quem mais sofreu em sua volta lançada. Errou a entrada da curva, tentou corrigir de todas as formas até o final do contorno, e quando parecia que sairia ileso, rodopiou como uma verdadeira centrífuga.

O festival de erros daquele dia não voltaria mais a acontecer. Não na mesma intensidade, com tantos pilotos falhando quase que coletivamente. A partir daí, a então desavisada F-1 passou a manter um respeito especial por aquele trecho. Hoje, a criação mais bem sucedida de Hermann Tilke é símbolo da valorização da resistência física dos pilotos, que recebem ali um castigo da força G a cada uma das 58 voltas do GP da Turquia.

A curva também é sinal de problemas para os ajustes programados pelos engenheiros, especialmente para o de Lewis Hamilton, cujo estilo excessivamente dependente de uma frente estável já lhe rendeu más experiências graças à curva 8. Quem não se lembra do pneu se rasgando escandalosamente em 2007? Ou da ultrapassagem sobre Massa em 2008, que nada mais era do que uma consequência da estratégia de uma parada a mais para evitar o desgaste dos compostos.



A curva 8 só tem um defeito: assim como todas os traços curvos de Hermann, é desprovida de nome. Os bons e velhos circuitos da F-1 possuem suas marcas muitos bem denominadas. Como a Parabólica de Monza, o S do Senna em Interlagos, a Eau Rouge em Spa, bem como tantas outras famosas espalhadas pelo calendário: Mirabeau, Blanchimont, Lowes, Stowe, 130-R, di Lesmo, Sainte Devote...

Aproveitando a omissão do Tilke a respeito do assunto, proponho a seguinte enquete: se você pudesse escolher, que nome daria para a distinta curva 8? Ela merecia algo melhor que um mero número, não? Um pouco de imaginação não faz mal a ninguém...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ferrari com boas chances de vitória em Mônaco



FELIPE MACIEL



Em Mônaco tudo é diferente, não tem jeito. Até a Ferrari, que tira os primeiros treinos livres para testar configuração de corrida e andar pesado, resolveu dar o show nesta quinta-feira em Monte Carlo com Fernando Alonso sendo o único a baixar de 1:15.

O bom desempenho da equipe italiana nos treinamentos do Principado conferem certa confiança ao time para encerrar a década da mesma forma que começou: com uma vitória no GP de Mônaco. Desde 2001, a Ferrari só assiste Wiliams, Renault, Brawn GP, e principalmente McLaren triunfando nas ruas mais charmosas da F-1.

O fator tido como vilão do carro vermelho nas últimas etapas por Felipe Massa recebeu uma série de elogios por parte de Fernando Alonso. Os pneus mais macios da Bridgestone agradaram ao espanhol, em oposição às especificações mais duras que foram usadas desde a Austrália, reduzindo drasticamente o grip de um carro que ainda não é o ideal.



Mas com a McLaren sendo tratada como potência nas retas e a Red Bull reconhecida por sua eficiência aerodinâmica, a Ferrari ganha ânimo para competir num circuito que minimiza tais qualidades para valorizar a aderência mecânica dos bólidos.

De qualquer forma, não é o caso de desprezar a velocidade da RBR - até então imbatível em treinos classificatórios e de problemas nas curvas de baixa supostamente superados - nem de desconsiderar a presença de Lewis Hamilton - um daqueles pilotos metidos a Mr. Mônaco -, muito embora a McLaren não inspire tanta confiança quanto a Red Bull.

Para completar, o belo céu azul de Monte Carlo pode ser preterido por uma banho de chuva tanto no sábado quanto no domingo, ao menos é o que garante a previsão meteorológica.

E chuva na F-1 já é sinônimo de espetáculo. Mas chuva em Mônaco é certeza de um espetáculo de outro planeta. Tomara que seja mesmo o caso.