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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um pouco deste 2011 da F-1

A temporada de 2011 da Fórmula 1 terminou. Terminou com uma corrida um tanto chata, que nos criou grande expectativa por conta da chuva anunciada que era dada como certa que viria, mas que não veio. Mas, o GP do Brasil só revelou o que estávamos cansados de ver neste ano: o domínio impressionante da Red Bull, ou melhor, como dito ontem pelo Fábio, de Sebastian Vettel.

O carro de fato foi formidável durante todo o ano. Equipe alguma chegou próxima de ameaçar em circunstâncias normais o imperialismo da Red Bull em 2011. A McLaren bem que tentou, mas ter chegado próxima dos taurinos em certas vezes no ano foi mais por conta do grande desempenho que Jenson Button, vice-campeão, teve, ao lado de alguns lampejos de ótima performance de Lewis Hamilton.

Button guiou com a fineza de sempre, conquistou vitórias expressivas como a sua primeira vitória em pista seca desde que chegou à McLaren e a épica conquista no GP do Canadá, que foi algo que não sairá tão cedo da cabeça do piloto inglês. Já Hamilton errou muito durante o ano. Apesar de ter conquistado algumas vitórias, ficou bem longe do esperado e analisando o ano no geral, preferiu insistir mais nos erros ao invés de tentar conserta-los. Quando se deu por conta que precisava arrumar o ano ruim que estava tendo, já era um pouco tarde para almejar alguma coisa no campeonato. Mas a vitória em Abu Dhabi fez-nos ter a esperança de que Hamilton estará como nos velhos tempos em 2012.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="O GP do Canadá mostrou bem a diferença entre Button e Hamilton na temporada"][/caption]

A Ferrari passou o ano tentando se encontrar em meio a um carro totalmente perdido. Se não fosse o talento indiscutível que Fernando Alonso demonstrou dentro da pista, a Ferrari poderia terminar 2011 sem uma vitória sequer, ou talvez, sendo mais dramático, sem sequer um pódio. O GP da Inglaterra foi o único em que a Ferrari saiu realmente contente com o resultado. A vitória ali havia dado o ânimo necessário para que a equipe pudesse trabalhar no desenvolvimento do carro. No entanto, o carro de nome comemorativo ao seu país fracassou novamente em tentar dar o tricampeonato a Alonso. Há quem já diga que a escuderia italiana está atrapalhando e muito a carreira do piloto espanhol, que tem todo o talento para conquistar ainda mais títulos.

Felipe Massa foi pior que Alonso e pior do que a Ferrari. O brasileiro passou o ano sem conquistar nenhum pódio e por algumas vezes foi superado por carros claramente mais fracos do que o seu. Os dirigentes da Ferrari já deram um ultimato a Felipe, já que seu contrato termina no final do próximo ano, e seu desempenho em 2012 será crucial para a renovação deste. 2011 foi um ano para Massa esquecer e prova de que ele também concorda com isso é que ele mesmo se sentiu aliviado em ver a temporada acabada. “2011 acabou e isso é muito legal.”

A Mercedes conseguiu o mesmo resultado de desempenho que 2010. Porém, neste ano contou com uma melhora significativa de Michael Schumacher em alguns GPs. Em Spa-Francorchamps e no Canadá, por exemplo, o multicampeão se destacou e chegou a ameaçar os líderes em alguns momentos. Na classificação do campeonato, terminou bem próximo de seu companheiro de equipe Nico Rosberg e a expectativa para 2012 caso a Mercedes consiga enfim criar um carro de ponta é que ele volte às vitórias. Algo que muita gente torce, inclusive o blogueiro aqui.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="Schumacher teve bons desempenhos como no GP da Bélgica, que alcançou o 5º lugar"][/caption]

A Force India foi apontada como a equipe que melhor conseguiu trabalhar na evolução de seu carro neste campeonato. A equipe começou o ano postulante a disputar a 8ª posição no Mundial de Construtores, mas o desempenho de seus pilotos, especialmente de Adrian Sutil, e a melhora visível no desempenho do carro levaram a escuderia ao 6º lugar, somente 4 pontos atrás da Renault. No próximo ano, a melhora deve continuar, mesmo sem Adrian Sutil, que deve dar lugar a Nico Hulkenberg.

A Renault, por sinal, sentiu demais a falta de Robert Kubica. Nem Nick Heidfeld, nem Vitaly Petrov, nem Bruno Senna chegam perto do grande piloto que é o polonês. Olhando para trás agora, fica fácil definir que a possibilidade de fazer uma boa temporada para a equipe terminou junto com as chances de Kubica poder pilotar em 2011 após seu acidente em uma prova de rali na Itália. E sem um piloto de ponta – Kubica já anunciou que não volta em 2012 – o próximo ano pode ser tão ruim quanto este.

Amanhã, o blogueiro aqui continua a segunda parte do texto contando um pouco como foi a temporada que findou para pilotos e equipes na F-1.

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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Os resultados determinarão o futuro da Mercedes

Os resultados obtidos pela Mercedes até aqui não nos permitem chama-la de equipe grande, de uma equipe que chegará facilmente à vitória neste ano. O próprio Michael Schumacher assumiu isso dizendo que o rendimento dos carros da equipe estão aquém do esperado. Isso faz sentido já que no ano passado a escuderia já havia sido uma decepção e nos testes de inverno, os carros prateados demonstraram uma boa evolução e chegaram a liderar vários dias de treinamento, à frente de Red Bull, McLaren e Ferrari.

Difícil saber ao certo o que não permite fazer da Mercedes uma equipe vencedora nos dias atuais. Eles tem praticamente tudo nas mãos. Possuem um chefe de equipe excepcional chamado de Ross Brawn, um piloto que possui a carreira mais vitoriosa da Fórmula 1, que é Schumacher, um jovem talentoso que ainda promete muito como Nico Rosberg e um orçamento, esse sim, de equipe grande. O que eles não possuem é um carro que lhes permitam vencer. E por que eles não tem? Como dito, é difícil saber levando em consideração todos esses fatores.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="O desempenho da Mercedes definirá de Schumacher permanecerá ou não na Fórmula 1"][/caption]

Não duvido em nada que a Mercedes já comece a pensar no ano que vem, no carro que dará aos seus dois pilotos alemães em 2012. E é melhor que ele traga consigo a capacidade de vencer, pois o futuro de Schumacher na Fórmula 1 depende justamente de seu desempenho. Caso o carro continue vegetando nas posições intermediárias, conquistando apenas uma fatia pequena de pontos em cada etapa, a Mercedes corre o risco de perder seus dois pilotos.

Schumacher deverá se aposentar caso o desempenho da Mercedes não evolua e Rosberg deverá procurar uma nova equipe, disputar a vaga de Felipe Massa na Ferrari talvez, de Mark Webber na Red Bull ou quem sabe um cockpit na McLaren caso Lewis Hamilton continue com a sua insatisfação e feche com a escuderia dos energéticos.

E por mais promissor que seja Paul Di Resta, que deverá assumir uma vaga na Mercedes caso Schumacher ou Rosberg abandonem o barco, ficará ainda mais improvável que a equipe de Brawn consiga conquistar triunfos.

O GP do Canadá, apesar de bastante variável, deu uma esperança à Mercedes de que bons resultados podem voltar a acontecer e pódios não são tão improváveis assim. Acontece que isso é muito pouco para um time da proporção das flechas prateadas.

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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Schumacher e a sua motivação em correr

Michael Schumacher demonstrou em declarações que vive um daqueles momentos de arrependimento que todo ser humano enfrenta. O alemão muitas vezes campeão do mundo na Fórmula 1 retornou à categoria com a motivação de um jovem, disposto a se divertir e a trazer glórias à Mercedes, mesmo que elas não chegassem nem perto das conquistas que Schumacher trouxe para a Ferrari. No entanto, parece que a motivação esfarelou-se depois de tantas corridas sendo passado para trás pelos seus adversários e correndo bem longe do nível dos seus melhores anos na F-1.

[caption id="" align="aligncenter" width="565" caption="Michael Schumacher cometendo mais um erro depois de seu retorno à Fórmula 1"][/caption]

É difícil para quem acompanhou a trajetória do multicampeão alemão vê-lo bem longe das vitórias, e mais, tomando uma surra de seu companheiro de equipe, que apesar de ser um bom piloto nem sequer venceu uma corrida na categoria. Isso, somado a sua idade com certeza contribuem muito para que os boatos de que esse seja definitivamente o último ano de Schumacher na Fórmula 1 aumentem.

A última esperança pode estar na melhoria que a Mercedes vem demonstrando da primeiro corrida na Austrália até a última na Turquia. Foram altos e baixos é verdade, mas deu para ver que existe um potencial no carro a ser explorado e que a possibilidade de o time estar mais perto da Red Bull de Sebastian Vettel nas próximas corridas não é nada absurda como em 2010.

Esse talvez seja a única esperança de Schumacher ainda ao menos conquistar um pódio antes de se despedir pela segunda vez da categoria que por tantas vezes dominou. “Apesar de eu não ter ficado feliz com o final de semana na Turquia, houve sinais claros de melhorias para nós como um time, o que obviamente empurra e reacende minha motivação ainda mais. É mais do que encorajador ver que o trabalho duro do time está tendo resultado. Estamos todos determinados a progredir”, declarou o heptacampeão.

O que precisamos saber realmente antes de apostar novamente as fichas em Michael Schumacher é se a melhoria do carro favorecerá no crescimento do veterano ou se contribuirá ainda mais para aumentar a diferença de seu desempenho para o de Nico Rosberg. Infelizmente, a surra do garoto pode ser ainda maior no vovô.

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terça-feira, 10 de maio de 2011

Renault não acompanha evolução dos rivais

A Renault começou o ano surpreendendo com o seu desempenho muito além da expectativa. Nick Heidfeld e Vitaly Petrov conquistaram resultados expressivos que fizeram com que a equipe ficasse muito mais confiante mesmo depois do grave acidente que impediu Robert Kubica de participar da temporada 2011.

No entanto, apesar do início promissor da equipe preta e dourada, o desempenho no GP da Turquia não foi dos melhores e voltou a colocar em dúvida o real potencial de um carro que vinha sendo muito elogiado, inclusive pelo rival da Red Bull Adrian Newey. A Renault claramente ficou para trás na evolução da etapa chinesa até a etapa do último fim de semana.

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Heidfeld e Petrov pedem mais rapidez na evolução da Renault"]renault petrov heidfeld[/caption]

Com isso, as equipes que melhor trabalharam no carro durante este intervalo de três semanas superaram a Renault e agora são eles quem sonham em voltar a vencer e a bater a atual campeã do mundo liderada por Sebastian Vettel. A Ferrari comemorou seu primeiro pódio depois de ter trabalho com eficiência na melhoria de seu bólido. A Mercedes, que vinha duelando com a Renault, conseguiu colocar Michael Schumacher e Nico Rosberg em carros mais bem equilibrados e velozes do que os guiados por Heidfeld e Petrov.

O R31 é um projeto longe de ser conservador, mas necessita de evoluções fortes e inteligentes como todo o carro no grid. E como essa evolução não veio, Mercedes e Ferrari conseguiram supera-los até com certa facilidade. Heidfeld esteve oito décimos mais lento do que Fernando Alonso durante a corrida e também visivelmente menos veloz do que Nico Rosberg.

Ao que parece a falta de Robert Kubica começa a ser sentida. Mesmo que Heidfeld tenha uma experiência muito confiável na Fórmula 1 parece que ainda não consegue fornecer um bom “feedback” para o desenvolvimento do bólido assim como Kubica fazia.

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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Já começaram as especulações para 2012

A temporada 2011 mal começou e as especulações para a temporada seguinte ganham força e notoriedade um tanto exagerada. Muito exagerada, aliás. Foram apenas três corridas e muita gente anda discutindo o próximo companheiro de Sebastian Vettel na Red Bull, que herdaria a vaga de Mark Webber, qual será o piloto que estará no lugar de Felipe Massa no ano que vem e se Paul Di Resta estaria mesmo com um pé na Mercedes de Ross Brawn.

[caption id="" align="aligncenter" width="540" caption="Nico Rosberg vem sendo um dos nomes mais cotados nas especulações para 2012"]Nico Rosberg Mercedes[/caption]

Antes de comentar sobre tais especulações é válido lembrar que será apenas um exercício de opinião e não de alguém que está lá dentro dos paddocks e que possui todos os conhecimentos sobre a vida profissional de cada piloto da Fórmula 1. Tudo só passa de especulação e nada mais.

Bem, começaremos pela saída de Mark Webber da Red Bull e a possível ida de Felipe Massa para lá. Parece que a cada dia que passa, as chances do piloto australiano continuar como companheiro de Sebastian Vettel na próxima temporada diminuem, por isso, não acredito que uma renovação de contrato entre ambas as partes irá acontecer. Do mesmo modo, desacredito na possibilidade de Massa chegar à melhor equipe da Fórmula 1 e por vários motivos. Primeiro, Massa não é mais aquele piloto bom, um tanto ousado e rápido como há tempos atrás. Hoje ele não passa de um companheiro de Fernando Alonso, que atrai toda a atenção necessária dentro da Ferrari para ele. Segundo, Helmut Marko, que tem bastante influência nas decisões da Red Bull dentro da principal categoria de automobilismo do mundo, não gosta muito de pilotos brasileiros como pude ler em algum blog nesta vasta internet.

Parece que um nome mais jovem e de potencial maior a ser explorado seja o piloto certo para assumir o lugar de Webber no ano que vem. Nico Rosberg é o meu preferido, mas não descartaria algum piloto da Toro Rosso, incluindo Daniel Ricciardo, como possível substituto do veterano australiano.

Na vaga que se abrirá na Ferrari caso Massa não termine bem o campeonato e assim tenha seu contrato rasgado pela diretoria da escuderia italiana, há grandes chances de Nico Rosberg subir na carreira e conquistar uma vaga tão cobiçada no automobilismo mundial. Talvez só ali mesmo para o jovem alemão desencantar e conquistar sua primeira vitória na categoria e deixar enfim de ser somente uma promessa de grande piloto.

[caption id="" align="aligncenter" width="540" caption="Já Mark Webber é o principal nome a perder o emprego em 2012"]Mark Webber Sebastian Vettel[/caption]

Pelo que vimos até então, as especulações apontam que a Mercedes deverá ficar com poucas opções de pilotos para correr em 2012. Nico Rosberg é cotado para cada vaga aberta em alguma equipe de ponta e Michael Schumacher dificilmente não pendurará de vez as luvas no término deste ano. Assim, Paul Di Resta, a grande promessa da Mercedes que hoje atua pela Force India e tem demonstrado um ótimo trabalho nas corridas de estreia na F-1, deverá fazer parte da equipe de Ross Brawn.

Seria muito bom ver o escocês em uma equipe de melhor calibre que se evoluir como se espera pode até fazer um carro que brigue por vitórias no ano que vem. Di Resta não é apenas um piloto novato, visto que já possui alguma experiência em guiar monopostos, mesmo que tenha se dado bem mesmo em uma categoria de turismo. Se não fosse a super proteção da Mercedes sobre o escocês eu apostaria que a Red Bull não mediria esforços para traze-lo ao seu lado, ou mesmo a Ferrari.

Especulações a parte, a verdade é que ainda há um longo caminho até a dança das cadeiras em 2012. Pilotos ainda podem decepcionar muito e também podem demonstram algum valor que ainda não vimos até aqui. Ainda está muito cedo para fazer prognósticos, mas não há dúvidas de que essa tarefa de colocar pilotos dentro de cockpits é bem divertida.

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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Enfim, um GP da China empolgante



ANDERSON NASCIMENTO


O GP da China reservou emoções que não esperávamos. Foi sim a melhor etapa da Fórmula 1 até aqui em 2011, onde vimos muitas ultrapassagens e muita estratégia. Aliás, esses dois foram os principais fatores que decidiram a corrida. Era como se a estratégia fosse utilizada para alcançar o carro a frente e a ultrapassagem, obviamente, para ganhar a posição.

Mark Webber foi o grande piloto da corrida, não que Lewis Hamilton também não tenha sido, mas é que se talvez o australiano tivesse avançado para o Q2 no treino classificatório de sábado, seria ele e não o inglês que acabaria com a hegemonia de Sebastian Vettel. Sair de 18º e terminar em 3º foi muito mais do que acertar na estratégia e triunfar nas brigas por posições. Houve muita motivação ali, e acredito que ela cresceu demais por conta da Red Bull tê-lo usado como cobaia nos treinos livres. Só ele e não Vettel.

Hamilton, depois de tanto criticar sua equipe, pode colher os frutos do trabalho competente e eficiente de seus mecânicos para consertar um carro que apresentou problema instantes antes de alinhar no grid. Um bom desempenho do piloto inglês, mas melhor ainda da equipe prateada, sempre profissional e sempre eficiente o bastante.

[caption id="" align="aligncenter" width="570" caption="Uma corrida animada e cheia de ultrapassagens"][/caption]

Foi bacana também notar que a Mercedes não está tão ruim como no ano passado e ver Nico Rosberg liderando várias voltas durante a corrida e duelando de igual para igual com Red Bull e McLaren me fez acreditar ainda mais na hipótese de que só falta um carro em melhores condições para que Rosberg seja um grande piloto. Michael Schumacher também começa a mostrar que está melhor do que antes, mas é inevitável não compara-lo com a sua época dourada e não sentir ao menos uma ponta de frustração quando ele termina numa oitava colocação.

Jenson Button apareceu como um forte candidato à vitória depois da largada. Ganhou a posição de Vettel sem muita dificuldade e também sustentou a ponta por um bom tempo. No entanto, seu favoritismo começou a se desfazer da mesma maneira como os pneus. Errou nos boxes e perdeu a posição para Vettel. Não foi rápido e nem poupou os compostos suficiente o bastante para conseguir arrancar alguma vantagem. Button esteve diferente ontem, em algumas situações irreconhecível.

Ali entre os brasileiros não há muito o que dizer. Felipe Massa fez uma boa corrida e terminou à frente de Fernando Alonso é verdade. Aliás, essa comparação é uma daquelas insistências em querer colocar Massa em um lugar onde ele não está: acima de Alonso. Sem parcialidade, mas é fato que em nenhum fator importante o brasileiro bate o bicampeão espanhol. Duas corridas significam pouco para começar a dizer que Massa está melhor do que seu companheiro, ou pior, de achar que ele é melhor que o asturiano.

[caption id="" align="aligncenter" width="570" caption="A Red Bull errou na estratégia e Vettel perdeu a chance de vencer novamente"][/caption]

Já Rubens Barrichello conseguiu terminar sua primeira corrida na temporada e enfim poder analisar qual é o real potencial do FW33 e onde é que ele se posiciona em relação aos demais modelos. Terminar em 13º não foi um resultado ruim, mas está muito aquém do que era esperado da Williams neste início de temporada. Muito trabalho precisará ser feito e muitas mudanças deverão acontecer nos carros de Frank Williams.

Para fechar, vale ressaltar o desempenho da Lotus. Não foi nada surpreendente, mas a equipe malaia continua evoluindo e conseguiu neste fim de semana colocar Heikki Kovalainen na 16ª colocação, a frente de Pastor Maldonado e Sergio Perez, por exemplo.

Agora é aguardar longos dias até o GP da Turquia, onde é esperado uma Ferrari mais forte por conta das mudanças que deverão ser implementadas no bólido e uma Red Bull que tenha enfim um KERS sem problemas para colocar a serviço de seus pilotos.

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Substituindo a desconfiança pela evolução?



ANDERSON NASCIMENTO



Com os tempos de ontem e a boa marca nessa manhã em Jerez de la Frontera, a Mercedes parece ter dissipado a desconfiança que caía sobre o W02. No começo, o carro dos alemães se mostrou frágil, cheio de problemas e demonstrando um fraco desempenho. Nico Rosberg foi o que mais sofreu com as dificuldades de se pilotar o W02 em seus primeiros dias de vida na pista.

No entanto, como já dito, nessa semana o carro se mostrou bastante sólido e confiável. Nas mãos de Michael Schumacher (de maneira alguma desmerecendo o talento de Nico Rosberg), o W02 evoluiu e há quem diga que o bólido alemão está tão forte a ponto de ameaçar o poderia de Ferrari, McLaren e quem sabe da Red Bull. Porém, vale lembrar que não se sabe exatamente as condições do W02 quanto foi para a pista do circuito de Jerez. Talvez o carro saiu dos boxes bem leve com uma gota e meia de gasolina, a exemplo da Sauber na pré-temporada do ano passado. Mas, os alemães não precisam disso e sim arrumar o carro nas condições mais próximas possíveis do real para não fazer tão feio como em 2010.



Mas além da possível melhora do carro, o desempenho nestes testes coletivos em Jerez dão pinta de que algo mais evoluiu. Schumacher esteve longe de sua forma impecável que o fez multicampeão na temporada passada, porém, nas últimas provas do campeonato, o piloto da Mercedes mostrou uma certa melhora e uma salto de qualidade, mesmo que pequeno em alguns momentos. Essa resultado positivo pode ainda estar em curso, como provavelmente acredito que está. Schumacher pode estar se acostumando a nova Fórmula 1 e, dessa forma, justificar os resultados destes últimos dias.

Mais uma vez é bom salientar que os resultados desta pré-temporada são muito obscuros ainda. Mas pelo que se dá pra notar até agora é que a Mercedes está diferente de como começou o ano. Os motivos ainda são incertos, mas seria bom que fossem pelas questões apresentadas acima que o time pode pintar como candidato às vitórias em 2011.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Mercedes pode ser favorita ao título neste ano?



ANDERSON NASCIMENTO



A Mercedes já tem data marcada para apresentar seu novo carro para a temporada 2011 da Fórmula 1. No dia 1º de fevereiro, no primeiro dia de testes para a pré-temporada da competição que será realizada em Valência, a equipe alemã mostrará o modelo W02 MGP.

Nico Rosberg e Michael Schumacher apresentarão o novo carro momentos antes dele sair para a pista. Mas será que ele pode ser apontado como uma das temidas forças para a disputa do título mesmo levando em consideração o decepcionante ano de 2010?



Bem, é claro que apontarmos favoritos neste momento não passará de especulação ou de um tiro no escuro. Mas, podemos deduzir com certeza que algo de melhor deve acontecer ao time alemão em 2011 em comparação com a temporada anterior.
Michael Schumacher já está readaptado e o W02 muito provavelmente foi construído segundo as suas características. Além do mais, nunca se deve subestimar a qualidade e a genialidade da dupla Brawn-Schumacher que já rendeu muitos títulos no início da última década.

Talvez seja por isso também que Fernando Alonso e Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, fizeram questão de comentar sobre a força da Mercedes para este ano. A experiência tanto de Schumacher quanto de Ross Brawn pode ser decisiva na questão de como lidar com as mudanças que a F-1 terá.

O outro alemão Nico Rosberg demonstrou em 2010 que, apesar do carro ruim que tinha nas mãos, pode fazer um bom trabalho e quem sabe este ano lutar pela sua primeira vitória na categoria.

Uma expectativa ainda maior do que a do ano passado está depositada nas costas da escuderia alemã e do seu piloto multi-campeão. Schumacher, mesmo que não tenha nada o que provar, precisará mostrar que ainda pode triunfar numa categoria que vai se tornando cada vez mais dos jovens pilotos. A Mercedes precisará fazer jus ao seu alto orçamento e recuperar o ótimo desempenho que teve em 2009 quando sagrou-se campeã ainda com o nome de Brawn GP.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mudanças de visual no GP da Espanha



FELIPE MACIEL



Na passagem da China para a Espanha, 3 equipes chamam a atenção a olho nu: Mercedes, Ferrari e Hispania.



O time de Ross Brawn formou seu duto deformando o clássico desenho do topo do carro. A entrada de ar superior foi removida para a instalação de dois canais, um de cada lado, tendo entre eles uma parede em V. Não bastasse a revolução promovida pela McLaren com uma inovação aerodinâmica tão cobiçada, a Mercedes foi lá e acoplou dois rombos na carenagem para buscar tempo. Ficou um tanto esquisito, mas se o funcionamento for ideal não haverá o menor problema. Só nos resta esperar que essa façanha não motive o restante do grid a desfigurar seu desenho de forma tão grosseira.




Já a Ferrari e a Philip Morris cederam ao piti dos médicos britânicos desocupados que conseguiram visualizar uma série de propagandas subliminares da Marlboro, seja no carro, no uniforme, na cor, no desenho...

E assim a escuderia italiana resolveu aposentar o código de barras após 5 anos de uso, deixando ali um retângulo branco com um estranho vazio, que de uma forma ou de outra continuará chamando a atenção dos espectadores. Mas é muito improvável que a mudança impeça a continuidade da parceria, afinal, com exibição de marcar ou sem, a tabaqueira segue embolsando altos retornos pela manutenção do posto de patrocinadora principal da equipe Ferrari.




Num lugar distante no grid, quem inovou na pintura foi a problemática Hispania. O carro continua sendo um fracasso aerodinâmico, mas ao menos o layout sofreu modificações, com a substituição dos traços brancos por rabiscos vermelhos.

Outra novidade da equipe foi a vinda de Christian Klien assumindo o cockpit de Karun Chandhok para cravar meio segundo abaixo do tempo de Bruno Senna. Não chega a ser um test driver de luxo, mas pelo menos não foi o Yamamoto que tomou o lugar de um dos titulares no treino livre.



sexta-feira, 2 de abril de 2010

O favorito para o GP da Malásia



FELIPE MACIEL


Lewis Hamilton aterrissou na Malásia de cabelo em pé depois de um fim de semana complicado na Austrália. Lá, ele viu o atual campeão e novo companheiro de equipe, Jenson Button, conquistar a primeira vitória da McLaren no ano e ainda se posicionar em 3° na tabela classificatória, logo à sua frente.

Hamilton terminou a corrida dando uma prensa na equipe que alterou sua estratégia durante a prova. Mas essa postura agressiva não passou batido, e alguém lá dentro mostrou quem é o chefe. Daí Lewis teve de inverter suas palavras:
A equipe me explicou as razões por trás daquele segundo pit, e agora entendo que eles estavam se esforçando para que eu superasse Webber e Nico mais para o fim da corrida. Ainda estamos aprendendo sobre os pneus deste ano e talvez tenhamos superestimado a degradação dos compostos do pelotão da frente. Aprendemos com isso e vamos usar este conhecimento para melhorar ao longo da temporada.

Foi bom ver a equipe celebrando a vitória do Jenson. Vitórias são muito importantes porque unem todo o time e mostram que estamos no caminho certo

Lewis Hamilton



Em Sepang, o cutucado piloto começou mostrando logo a que veio: sobrou no primeiro treino livre e baixou o tempo na segunda sessão. A sexta-feira foi toda dele.

Claro que o carro da McLaren também está ajudando. Sua tão falada asa traseira e o túnel de ar controlado pelos pilotos trazem o funcionamento aerodinâmico que casa com a pista. Além da força demonstrada para o treino classificatório, o inglês bom de chuva pode esperar corrida no molhado. Não são poucas as chances de Lewis ampliar sua coleção de vitórias aquáticas neste GP.



A Red Bull abriu o fim de semana mostrando menos ritmo que nas corridas anteriores e a mesma deficiência de confiabilidade. A Mercedes esboça crescimento mas não a ponto de ser dada como favorita. Já a Ferrari escondeu o verdadeiro potencial treinando long runs, mas também deve estar surpresa com a velocidade apresentada pela McLaren no primeiro dia.

Até agora, a briga mais interessante entre as principais duplas de equipe é entre Hamilton e Button. Na Ferrari, ninguém ataca ninguém. Na Mercedes, Schumacher ainda tenta se achar. Na Red Bull, os pilotos nunca se encontram na pista. Mas na McLaren, Hamilton já executou ultrapassagem sobre o Button, que respondeu com o uso de uma estratégia acertada para levar a vitória.

Direito de resposta a Lewis a partir das 5h da manhã. Segura o Miltão mordido que eu quero ver...

sábado, 20 de março de 2010

Novos difusores no GP da Austrália



FELIPE MACIEL



As desconfianças existiam desde a pré-temporada, mas como sempre a FIA deixou para julgar após a primeira corrida, dando aos espertinhos o direito de competir fora das regras ao menos por 1 GP.

"Fora das regras", vírgula... O regulamento sequer especifica o tamanho do orifício traseiro que permite o acesso do motor de arranque.

As regras da FIA apenas dizem que espaço deve ser suficiente para a entrada do dispositivo. Aproveitando-se da indefinição númerica, determinados times abusaram da abertura (indicada na imagem obtida do blog Guard Rail) e criaram um canal extra para gerar mais fluxo de ar através do difusor.



Estamos falando com certeza de McLaren e Mercedes, sendo que Force India e Renault também são apontadas pela imprensa como farinha do mesmo saco. Portanto, essas 4 equipes chegarão a Melbourne com o rabinho mais estreito.

A entidade se viu na obrigação de alegar que a postura de tais times infringiu o espírito da regras. Trata-se de uma descarada mudança de critério, porque no ano passado a essência do regulamento zelava pela redução da pressão aerodinâmica nos bólidos, mas a FIA não enxergou problemas para aprovar o difusor radical da Brawn GP.

Mas nós já estamos acostumados, não é verdade? Afinal, a Fórmula 1 é um esporte em que regras são redigidas claramente e aplicadas sempre, a todo rigor, sem interesses secundários nem julgamentos parciais referentes a situações específicas.

"Ou não", completaria o sábio Cléber Machado.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Memória Blog F-1: Pequenas Notáveis II



FÁBIO ANDRADE



A continuação da trajetória das mais marcantes equipes pequenas da década termina hoje com a 2ª parte do memorial, com a Sauber/BMW Sauber e a Minardi/Toro Rosso:

Sauber/BMW Sauber


A trajetória do empresário suíço Peter Sauber no automobilismo começa bem antes da fundação da equipe Sauber de Fórmula-1.

Desde a década de 70, a Sauber já existia como fabricante de carros de corrida.

O crescimento dos negócios do suíço Peter culminou então numa proposta de parceria entre a Sauber e a gigante Mercedes Benz no Mundial de Esportes Protótipos. Em 1985, Sauber apresentava à multinacional alemã o projeto de um motor V8 supostamente revolucionário e que, segundo suas expectativas, faria a Mercedes brigar entre os grandes.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Vettel domina dia instável em Jerez



FELIPE MACIEL



Nesta nossa quarta-feira de cinzas, o dia de treinos da F-1 teve céu predominantemente cinza mesmo. Um chove-para-chove-para serviria de resumo para a primeira sessão da semana. Dia de baixo potencial produtivo, diga-se.

Quanto mais eles treinam, menos conclusões tiramos. Com o fator combustível fazendo mais diferença do que nunca, e a água descendo pra completar a bagunça, esta pré-temporada confunde até mesmo quem está na pista acompanhando tudo de perto.

O destaque do dia fica por conta da estreia da Lotus, que rodou 76 voltas e demonstrou o mínimo de confiança que a Virgin até agora anda devendo. Fairuz Fauzy comandou o T127, ficando com o penúltimo tempo, deixando Timo Glock na rabeira da tabela, após míseras 10 voltinhas no circuito. Um pequeno detalhe: o test driver da Lotus teve de treinar sem a direção hidráulica.



Cinco bandeiras amarelas interromperam as atividades das equipes, sendo duas com Rubens Barrichello, uma com Massa, uma com Hamilton e outra de Paul di Resta escapando da pista enquanto acumulava km's para adquirir superlicença.

A Force India também usou Sutil nos esforços desta quarta. A Toro Rosso continua exibindo tempo mais bonito do que deveria. A Renault poderia fazer o mesmo mas prefere seguir os trabalhos como uma das equipes mais discretas.

A Mercedes foi a que mais rodou, 111 voltas com heptacampeão ao volante. Michael se mostra mais confiante a cada dia com o desempenho do carro. Sobre a Sauber, apenas foi devidamente conduzida pelo experiente de la Rosa em mais um dia de clima complicado na Espanha.

Seguem os tempos.

1. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), 1min22s593 (99 voltas)
2. Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min23s017 (71)
3. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min23s204 (71)
4. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 1min23s322 (78)
5. Pedro de La Rosa (ESP/Sauber), 1min23s367 (75)
6. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min23s803 (111)
7. Adrian Sutil (ALE/Force India), 1min24s272 (27)
8. Paul Di Resta (ING/Force India), 1min25s088 (74)
9. Vitaly Petrov (RUS/Renault), 1min26s237 (54)
10. Rubens Barrichello (BRA/Williams), 1min27s320 (108)
11. Fairuz Fauzy (MAL/Lotus), 1min31s848 (76)
12. Timo Glock (ALE/Virgin), 1min32s417 (10)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Valência, dia 1



FÁBIO ANDRADE


Inconclusivo como todo primeiro dia de testes, a segunda-feira em Valência serviu, pelo menos, para atestar a alta médica definitiva de Felipe Massa e Michael Schumacher e apresentar o modelo da Mercedes.



A alta médica de Felipe Massa após seu acidente no último GP da Hungria se deu em setembro do ano passado, há 5 meses, portanto. Mas para a Fórmula-1 não bastavam os dizeres dos médicos de que o brasileiro passara pelo grave problema sem lesões sérias e sem maiores sequelas. A Fórmula-1 precisava ver Felipe Massa na pista andando bem, para, definitivamente, crer que o piloto da Ferrari está realmente recuperado dos ferimentos de agosto do ano passado. Nada melhor do que atividades em conjunto com outras equipes e, melhor ainda, fechar o dia como o mais rápido em pista para confirmar: Massa está de volta, felizmente em forma, e preparado para as exigências de uma competição de alto nível como a Fórmula-1.

massa ricardo tormo 2010

O melhor tempo do dia anotado por Massa ainda é, obviamente, muito pouco para traçar favoritismos para o início da temporada. Mas é um alento para a Ferrari começar as atividades bem logo de cara. O time italiano abandonou o desenvolvimento do carro do ano passado, a F60, ainda no meio de 2009 para voltar suas forças no desenvolvimento do carro de 2010. Começar bem a atual pré-temporada é nada mais do que o necessário para uma equipe que depositou tanta energia no projeto da F10, que chamou a atenção por rodar por mais de 100 voltas sem apresentar problemas.

Outro que teve a alta definitivamente assimilada hoje foi Michael Schumacher. Anunciado como substituto de Massa após o acidente do brasileiro na Hungria e impedido de pilotar a Ferrari devido às fortes dores no pescoço depois de um acidente de moto, o alemão retornou às atividades oficiais com a Mercedes hoje, marcando o 3º tempo, a frente do companheiro de equipe também alemão Nico Rosberg.

schumacher mercedes 2010

Melhores tempos do dia em Valência:

1 - Felipe Massa (Ferrari) - 1:12.574 - 103 voltas

2 - Pedro de la Rosa (Sauber) - 1:12.784 (+0,210s) - 74 voltas

3 - Michael Schumacher (Mercedes) - 1:13.247 (+0,673s) - 39 voltas

4 - Nico Rosberg (Mercedes ) - 1:13.543 (+0,969s) - 39 voltas

5 - Gary Paffett (McLaren) - 1:13.846 (+1,272s) - 86 voltas

6 - Rubens Barrichello (Williams) - 1:14.449 (+1,875s) - 75 voltas

7 - Sebastien Buemi (Toro Rosso) - 1:14.782 (+2,208s) - 19 voltas

8 - Robert Kubica (Renault) - 1:15.000 (+2,426s) - 69 voltas

Adrian Newey, gênio da raça

A segunda-feira teve tempo ainda para o lançamento do W01, o carro da Mercedes para a temporada.

rosberg brawn schumacher ricardo tormo 2010

rosberg ricardo tormo 2010

Uma das poucas equipes a abrir mão da chamada barbatana de tubarão na parte traseira do bólido, a Mercedes apresentou na manhã de hoje em Valência um monoposto com a influência inconfundível de Adrian Newey, projetista da rival Red Bull, sobretudo na parte da frente. Apesar da ponta do bico ser mais baixa do que a do RB5, carro da RBR em 2009, os traços característicos de Newey são visíveis na área frontal do carro, como a elevação pronunciada das laterais do bico na altura onde se localiza a suspensão. A foto abaixo compara o RB5, projetado por Newey em 2009 com o W01, carro da Mercedes em 2010.

comparação rb5 X w01

Na Fórumla-1, ter uma ideia copiada é sinal de eficiência, vide os difusores da Brawn em 2009. Newey, o homem das Williams massacrantes das temporadas de 1992 e 1993, já é reverenciado como gênio das pranchetas. Para engordar seus predicados enquanto projetista, o RB5 lhe forneceu um argumento inquestionável: Newey lançou uma tendência solitária que se tornou altamente eficiente, apesar dos difusores milagrosos da concorrência. A prova de seu talento em desenhar essas maravilhosas máquinas chamadas carros de corrida se dá agora, com várias rivais importantes como Ferrari e Mercedes se rendendo ao bico curvilíneo do carro projetado por Adrian ano passado.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Mercedes mostra cores do carro de 2010

De Stuttgart para o mundo. Hoje os olhos da Fórmula 1 se voltaram para a casa da Mercedes, onde a promissora escuderia abriu a série de apresentações em 2010.




As novas cores foram pinceladas sobre a carenagem do BGP 001. O bólido de 2010 só dará o ar de sua graça nos testes coletivos de fevereiro.

O layout lembra de certa forma a bela pintura usada pela McLaren desde o meado da década de 90 até a metade da década atual. Alguns rabiscos leves da Petronas em azul-piscina não ferem a harmonia das cores da Flecha Prateada.



A tradição não perdeu sua vez. O número em vermelho sobre a base branca é estampado semelhantemente aos clássicos modelos dos anos 54 e 55. O nome do bólido não fica por menos. Será batizado de W01.




Particularmente simpatizei com a pintura. É suave, não tem nada de extravagante e respeita a tradição da montadora na medida certa. Mas é evidente que o jogo de luzes predominou no evento, por isso só conheceremos o puro layout quando o carro for para a pista dar as primeiras aceleradas.



E por fim, um recado de Ross Brawn para Nico Rosberg: vê se aprende, garoto...
Trabalhar novamente com Michael é algo muito especial, que eu não achei que fosse acontecer novamente. É algo extremamente motivador para mim e para a equipe. Nico também tem um excelente futuro. Ele corre há vários anos, mas penso que irá aproveitar o fato de correr com Michael, ver como um heptacampeão trabalha.

É o primeiro ano da Mercedes desde 1995 e tive o privilégio na minha carreira de estar envolvido com muitas coisas especiais.

Ross Brawn



O discurso é bonito mas serviu para expor a vontade do chefe. Rosberg é a aposta para o futuro. No presente, que trate de aprender com quem sabe.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Heidfeld sobra o cargo de test driver

Se você acredita no poder do cosmo, a influência das constelações, a força do cometa, a zica do buraco negro e nos cavaleiros do zodíaco, então você deve ter uma boa explicação para tudo conspirar contra a carreira deste homem na Fórmula 1.

Por duas vezes na categoria, teve a chance de fechar com uma grande equipe. Seria na McLaren em 2002, mas seu companheiro de equipe Kimi Raikkonen havia brilhado mais no ano anterior, e herdou a vaga de Mika Hakkinen.

A segunda oportunidade acabou de ocorrer: o cockpit germânico da flecha prateada estaria ao seu dispor, até que num belo dia a lenda viva alemã resolve acordar e retomar as atividades. Justo onde?



Nick iniciou na Prost, em 2000. No ano seguinte, conquistou o primeiro pódio da história da Sauber e marcou mais pontos que Kimi Raikkonen. Em 2002, bateu o novato Felipe Massa. Dividiu a garagem com o experiente Frentzen na temporada subsequente. Para seguir na categoria, restou-lhe a vaga da fraca equipe Jordan em 2004. Entrou para a Williams no primeiro ano de vagas magras da equipe, que dura até hoje. Depois foi só BMW, contracenando incansavelmente com Robert Kubica. Em número de pontos, superou o polonês voador nas quatro temporadas de existência da dupla.

Mas ninguém dá a mínima para o Heidfeld.



Regularidade é sua maior virtude. Junto com ela, destaca-se sua discrição, seja dentro ou fora das pistas. Conforme comentei com o amigo blogueiro Daniel Gomes, "o Button é um exemplo de que ser discreto demais faz as pessoas esquecerem de você, mesmo que tenha talento pra vencer".

Nick não merece se sujeitar à atividade de piloto de testes. Infelizmente, tornou-se a única opção para manter-se na Fórmula 1, mesmo com o grid escancarado de 26 postos. O problema de Heidfeld não é falta de talento, falta de currículo ou falta de experiência. Ele possui tudo que um piloto precisa para estar numa boa escuderia. Pena ter nascido com o lado errado apontando para o astro que nos rodeia em trajetória elíptica sob o efeito da gravidade, que empurra a carreira de Heidfeld para o buraco.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Janeiro

No ar, a edição número 66 da Rádio OnBoard!

Abrimos a temporada 2010 destacando as duplas de pilotos das equipes Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull, além de comentarmos algumas notícias recentes da categoria. Neste programa, Ron Groo e eu recebemos pela primeira vez a visita do convidado especial Marcelo Iriarte, do blog F1 ALC.


(Clique para ouvir)




(Clique para baixar)

As férias da Rádio OnBoard terminaram, mas ainda estamos meio perdidos sem saber quando retornamos. Provavelmente voltaremos quando os carros já estiverem na pista, com a pré-temporada a todo vapor. Até a próxima.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O que Jenson Button pensa que está fazendo?

Essa pode ser a pergunta do ano. Claro que o retorno de Michael Schumacher também provoca indagações, mas não chega a ser tão difícil compreender. Difícil mesmo é entender o que Jenson Button foi fazer na McLaren.

Querendo ou não, o título de Jenson é um feito suspeito. Suspeita-se da qualidade do piloto como merecedor de tal conquista. Afinal, há um ano era só mais um no grid; mas a bordo de um carro alienígena trilhou o caminho do sucesso.

Além disso, quase todo campeão mundial da Fórmula 1 é historicamente deixado em segundo plano. Faça sua pequena lista dos melhores da história. Seu top-5. Ou o top-10. Top-15, que seja. É provável que nomes como Peterson e Gilles estejam entre eles, bem como nomes de bicampeões, tricampeões, tetra...

Mas e os campeões? Você se lembrou de Giuseppe Farina em sua lista? Lembrou do Phil Hill? E do Damon? Que mal lhe pergunte... Jenson Button?



Campeão mundial de Fórmula 1 costuma ser discretamente submetido a uma dura pergunta: faltou-lhe capacidade para se tornar bicampeão?

Simplesmente, (quase?) ninguém espera que Button um dia conquiste o bicampeonato. Muito menos guiando pela McLaren com o Hamilton por lá. A questão voltou a ser abordada recentemente pelo bad boy Eddie Irvine.
Foi a pior decisão que ele poderia ter tomado. A única razão para isso, pelo que penso, é que ele não queria permanecer na Brawn ao lado de Rosberg, que não tem tanto prestígio quanto Hamilton, mas pode ser tão veloz quanto. Jenson talvez tenha achado que é melhor ser batido por Lewis do que por Nico.

Rubens Barrichello é um grande vencedor e acabou com Jenson na segunda metade da última temporada. Michael nunca foi derrotado por ninguém. Lewis chegou à F-1 e, em seu primeiro ano, bateu o bicampeão Fernando Alonso.

Se analisarmos a carreira de Button, Ralf Schumacher o bateu, Giancarlo Fisichella e Rubens também. Houve muitas corridas em que ele não teve boas performances, então não podemos afirmar que ele está no nível de outros pilotos.

Eddie Irvine



Só para aliviar o peso da crítica, gostaria de lembrar que Jenson Button aposentou certo campeão mundial, mais especificamente na temporada de 2003. Portanto ele não viveu apanhando, como o irlandês quis vender.

A verdadeira dúvida sobre sua ida para Woking é: foi Jenson que deixou a Brawn ou foi a Mercedes que deixou Button?



Particularmente, me arriscaria a dizer que a Mercedes de Norbert Haug só tinha olhos para alemãs e dispensou o inglês, que fatalmente caiu na garagem do Hamilton. É o que faz mais sentido.

Porque não existe sentido algum sair de onde estava e escolher a McLaren por livre e espontânea vontade. Lewis é o prata da casa e o queridinho dos ingleses em geral. Não há nada que conte a favor de Jenson. E a temporada posterior ao título é um ponto crítico: precisa convencer que é digno do que acabou de vencer.

Não se trata de tirar os méritos do campeão, mas sim de como a história o tratará. A Fórmula 1 pode ser injusta: ser campeão às vezes parece pouco. Button precisa fazer mais, e Hamilton não lhe dará espaço para tanto. Em meio a tamanho desafio aguardado na vida do britânico nesta temporada, os obstáculos enfrentados em 2009 tendem a virar fichinha em termos comparativos.