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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Um pouco deste 2011 da F-1 - parte 2

Vamos então para a segunda parte do texto que saiu ontem sobre algumas análises de pilotos e equipe em 2011. Hoje é e vez de falar das equipes que menos se destacaram neste ano que incluem a Toro Rosso, a Sauber, a Williams, a Lotus (Caterham em 2012), a Virgin (Marussia em 2012) e a HRT.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="Apesar das pressões internas por resultados convincentes, Alguersuari fez uma boa temporada em 2011"][/caption]

A Toro Rosso iniciou o ano com o que poderíamos chamar de uma acirrada disputa interna entre seus dois pilotos para ver quem sobreviveria durante o ano como piloto titular da equipe. O começo da temporada mostrava sutilmente que Sebastien Buemi era o piloto a permanecer na escuderia caso a equipe quisesse colocar Daniel Ricciardo como titular em alguma corrida da temporada. Porém, a medida que carro foi evoluindo, quem cresceu também foi o espanhol Jaime Alguersuari. O jovem fez ótimas atuações e ofuscou muito seu companheiro de equipe, que fez provas bem desastrosas. No final das contas, Alguersuari terminou o campeonato em alta, com 11 pontos a mais que seu companheiro de equipe. Já a Toro Rosso que ensaiava ficar á frente da Sauber no Mundial de Construtores, terminou o ano na 8ª colocação.

Se a Toro Rosso teve um processo de evolução durante a temporada, o mesmo não pode-se dizer da Sauber. A equipe de Peter começou o ano bem, com performances convincentes de Kamui Kobayashi e com boas atuações de Sergio Pérez, que nem parecia um novato na categoria. Porém, a equipe se perdeu no desenvolvimento do bólido e Kobayashi, especialmente, deixou de render aquilo que todo mundo esperava dele. O resultado foi inevitável. A Force India tornou-se então a badalada equipe média da categoria e a Sauber lutou para não ser uma das piores do segundo pelotão da F-1 no ano.

Mas apesar de um segundo semestre ruim, a Sauber não passou perto do desempenho pífio que a Williams obteve neste ano. Desde que acompanho a F-1, ainda bem moleque, nunca vi a escuderia de Frank Williams tão frágil e desastrada em uma temporada. O início do ano não foi lá muito animador, mas alguns pontos apareciam, mais vezes trazidos por Rubens Barrichello do que por Pastor Maldonado, diga-se de passagem. Mas ao mesmo passo que a temporada ia se caminhando para o fim, a Williams também ia se encaminhando para uma das piores temporadas de sua história. Foram somente 5 pontos no ano, e performances que algumas vezes o colocaram abaixo da Lotus de Tony Fernandes.

[caption id="" align="aligncenter" width="602" caption="Apesar de um ano bem difícil, a Williams pode sonhar com um 2012 melhor. Ou não?"][/caption]

Para o ano que vem, é difícil de imaginar uma Williams forte e campeã de novo, até porque é impossível que se encontre os aparatos necessários para se criar um carro convincente em tão pouco tempo. No entanto, algumas pequenas somas, como a mudança do pessoal técnico, os motores Renault e a possível vinda de um piloto bom e motivado como Adrian Sutil podem deixar a escuderia em uma situação melhor do que a deste ano pelo menos.

Quanto às três últimas colocadas, que por mais uma temporada ficaram no zero na pontuação, um resumo breve é o suficiente para descrever o ano delas. A Lotus evoluiu sim comparando com o ano de 2010, mas muito abaixo do que se esperava. Pilotos e dirigentes que diziam que a equipe com certeza marcaria pontos e até brigaria no pelotão intermediário do grid, viram que as coisas são bem mais complicadas do que parecem. Heikki Kovalainen deu um banho em Jarno Trulli novamente, mas isso não quer dizer que ele deva ser notado com olhos mais atentos.

A Virgin e a Hispania amargaram as últimas colocações sem perspectiva alguma de sonhar com pontos. Na base da venda de cockpits, fica difícil analisar até mesmo o desempenho dos que passaram por lá, que correram sem saber se estariam alinhados no grid para a próxima etapa. A Virgin respeitou sim os contratos com seus pilotos, mas Jérome D’Ambrosio mal terminou sua primeira temporada na F-1 e já foi substituído por Charles Pic.

A brincadeira inicial de Richard Branson ainda não surtiu efeito algum e as “confusões” espanholas menos ainda. Quem sabe as mudanças no alto escalão das equipes possam trazer espírito, motivação e principalmente resultados novos para essas escuderias.

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domingo, 3 de julho de 2011

Trocando de mãos

Bom, parece que venderam a geringonça da equipe da Hispania. Um bom valor, diga-se. R$ 54 milhões ( €24 milhões ), nem sei se a equipe vale tudo isso mesmo. Não tenho ideia de quanto ela possa valer, do tamanho de sua estrutura – se é que ela tem – e do valor que foi pedido antes da oferta do grupo que gastou o dinheiro oriundo do Banco Nomura, do Japão. A “hipótese quase certa” saiu do colunista J. G. Matallanas, do espanhol As. Segundo ele, o anúncio deve ocorrer nessa segunda-feira.

Na parte esportiva, é claro que alguma coisa pode mudar. Uma melhor administração, alguém que queira levar a equipe mais a sério e injetar mais dinheiro pode mudar de vez a reputação de uma equipe que até hoje só se viu acostumada a ser motivo de chacota e de desprezo por todas as partes que seguem a Fórmula 1. Talvez os reflexos da negociação sejam vistos mais claramente no ano que vem.

[caption id="" align="aligncenter" width="568" caption="Trocando de mãos será que vai?"][/caption]

Sair das mãos de um sujeito todo abarrotado em dívidas e com mais preocupações do que um dono de equipe deve ter como Jose Ramón Carabante já é um grande passo. A equipe podia até querer ir para frente, mas com Carabante no comando, as coisas só tendiam a naufragar. Resultado: um ano e meio torrando o pouco de dinheiro que existia.

Pode até ser que em 2012 apareçam dois carros com uma disposição de lutar por posições bem melhores do que as que a Hispania disputa hoje. Mas isso soa mais como fantasia do que como realidade.

O que será feita com a escuderia ainda não se sabe, mas se for para continuar na Fórmula 1, que seja para não se arrastar mais.

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A troca do quase certo pelo muito duvidoso

Daniel Ricciardo foi confirmado como piloto titular da Hispania a partir da próxima etapa da Fórmula 1 que acontecerá no maravilhoso circuito de Silverstone na Inglaterra. Um acordo envolvendo Red Bull e a equipe espanhola selou a ida do jovem de 22 anos para o lugar do indiano Narain Karthikeyan, que deverá disputar somente o GP da Índia nesse restante de temporada.

Acontece que uma dúvida pairou na cabeça da maioria dos que acompanharam essa notícia, inclusive da minha. Será que vale a pena trocar uma vaga quase certa na Toro Rosso ou ainda até mesmo na Red Bull para o ano que vem com um lugar em uma equipe que ainda nem sequer pode ser levada à sério? O que Ricciardo poderá fazer por lá senão ficar à frente de seu companheiro de equipe e de dois carros tão ridículos quanto o dele?

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Daniel Ricciardo pode ter ficado mais distante de uma vaga na Red Bull"][/caption]

Seria uma chance de ganhar experiência, alguém diria. Mas sempre quando ouço ou leio reflexões como essa, lembro-me das afirmações de Lucas Di Grassi e Bruno Senna que no ano passado guiaram uma Virgin e uma Hispania respectivamente. Ambos, especialmente Bruno, saíram dizendo que aquilo não era nível de Fórmula 1 e que guiar um carro, mesmo que de uma escuderia média é algo bem diferente do que as carroças que andam no final do grid.

Creio que Ricciardo encontrará alguma dificuldade em pegar a mão do carro da Hispania e quando conseguir não fará muito melhor do que Karthikeyan estava fazendo. Ao menos que um GP seja decidido à base da loteria, ele passará longe dos pontos. Claro que não é somente o australiano que define o seu rumo dentro da categoria, já que é um pupilo da grande Red Bull, mas ter ficado na Toro Rosso poderia ter rendido uma vaga de titular em uma equipe média quem sabe nesse ano ainda.

Agora, posso estar redondamente enganado, mas acho difícil ele mirar a vaga de Mark Webber já para o ano que vem. As chances de alcançar uma vaga em um super carro parece que minguaram para Ricciardo.

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um resultado histórico para a Hispania

A corrida deste último domingo nos atraiu a atenção por vários motivos. Uma vitória espetacular de Jenson Button, os erros um tanto absurdos de Lewis Hamilton, a forte chuva que interrompeu a prova, um deslize de Sebastian Vettel na última volta e uma Hispania que por pouco não alcançou a tabela de pontuação, mas conseguiu seu melhor resultado na sua história de um ano e meio na Fórmula 1.

Eu, por exemplo, me vi totalmente desatento às posições intermediárias e as do final da tabela, o que consequentemente me levou a passar batido pelo resultado histórico da Hispania no GP canadense. A vitória de Button, os erros de Lewis Hamilton e a precipitada de Sebastian Vettel na volta final detiveram minha atenção e creio que o da maioria, que não observaram como deveriam o feito da equipe espanhola.

Sem dúvida que as condições do tempo e os imprevistos que aconteceram no circuito de Montreal colaboraram e muito para a 13ª posição de Vitantonio Liuzzi e a 14ª colocação de Narain Karthikeyan, porém, todos, obviamente, pilotaram nas mesmas circunstâncias que o time de Jose Ramón Carabante. O indiano chegou a estar na zona de pontuação por uma volta, mas acabou sucumbindo à falta de experiência e a desatenção durante o restante da corrida.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Ambos os carros da Hispania conseguiram um bom resultado"][/caption]

Além das circunstâncias, o que parece ter ajudado a equipe foi o trabalho de engenheiros e mecânicos em conseguir um novo escapamento que aumentasse a velocidade ao F111, prova de que nem tudo foi fruto do acaso.

“Foi um grande resultado para nós, para a equipe, porque fizemos um grande trabalho durante todo o final de semana, demos os passos certos e a equipe trabalhou perfeitamente durante os pit-stops. Temos muito trabalho pela frente, mas é um bom ponto de partida para o futuro”, celebrou Liuzzi. Grande parte desse elogio também, se deve ao resultado de que ambos os carros superaram a dupla da Marussia Virgin, que chegaram logo atrás dos carros espanhóis. Pelo que parece, a equipe de Richard Branson já ganhou a posição de “lanterninha” no grid da F-1.

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

E se não for agora, não será nunca mais

Muitos imaginavam que a Hispania não conseguiria chegar às etapas europeias neste ano. Muitos sequer acreditavam que alguém investiria em uma equipe pouco séria e praticamente condenada ao fracasso. Mas, o que pouquíssimos imaginavam aconteceu.

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="As dificuldades na Hispanis já foram maiores"][/caption]


A Hispania chega para a Turquia com confiança. Confiança de que as coisas serão melhores e que começarão a mudar de agora em diante. Sou um daqueles que nunca acreditaram neste time, até porque Jose Ramón Carabante e seus comandados não me deram motivos convincentes de que eles conseguiriam sobreviver na Fórmula 1. A situação da escuderia espanhola ainda é bem crítica, mas dá a impressão de que já foi bem pior.

Uma marca de baterias indiana talvez comece a abrir as portas para que mais empresas “enlouqueçam” e despejem dinheiro na Hispania. Mas até que ela não estampe o carro e não mostre para todo mundo que isso é verdade, ainda ficaremos com um pé atrás.

Já dentro da pista falta pouco para que eles consigam superar de vez a teimosa Virgin. A tecnologia computadorizada que dispensa o uso do túnel de vento vai fazer com que a equipe anglo-russa seja superada pelos espanhóis. Para que a superação aconteça já na Turquia só vai depender de quão forte e eficiente serão as transformações e atualizações no carro da Hispania. Mas mesmo que não forem boas o suficiente, como é muito provável, Vitantonio Liuzzi e seu companheiro dificilmente não terminarão o ano à frente dos carros vermelhos da Virgin (isso se eles chegarem até o fim, claro).

Pode parecer um otimismo um tanto exagerado o meu com relação a uma equipe tão frágil que sequer merece respeito ainda. Bem, pode até ser, porém, as três primeiras corridas mostraram que a equipe evoluiu sim, mesmo que tenha sido algo ainda muito abaixo do que deveria ser, mas evoluiu. Seus carros sequer participaram da pré-temporada, sequer correram no primeiro dia de treinos livres na Austrália. Mas eles ainda estão aí e melhorando corrida após corrida. Até onde isso vai dar eu não sei, mas o atual momento da Hispania é de crescimento. E se não for agora, não vai ser nunca mais.

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sábado, 12 de março de 2011

Sem crescer nem um pouco



ANDERSON NASCIMENTO


Imaginava-se que a Hispania começaria a temporada 2011 da Fórmula 1 diferentemente do que começou a temporada 2010. Dois pilotos contratados e um carro tão esperado estava por vir. Não aguardado por alguma possibilidade de alto desempenho, mas para revelar como seria o fracasso dessa vez. Em 2010, o F110 foi ao Bahrein pela primeira etapa do campeonato sem ao menos ter percorrido uma volta sequer. Agora em 2011, as coisas pareciam mudar, mas continuam a mesma.

A equipe de José Ramon Carabante apresentou seu novo modelo ontem, no penúltimo dia de testes coletivos em Barcelona. O F111 tinha exatamente os traços revelados semanas atrás em fotos, incluindo os apelativos e bem humorados pedidos de patrocínios. Além disso, era esperado que o carro fosse para a pista já nesta sexta-feira, visto que muito tempo foi perdido e pouco restava para testar o carro. Mas, a escuderia espanhola anunciou que não treinaria nem na sexta, nem no sábado. O motivo: amortecedores e componentes presos na alfândega. Conclusão: começarão 2011 da mesma maneira que iniciaram 2010, testando o carro somente na estreia.



Não há nada contra em trabalhar discretamente, lutar contra as dificuldades financeiras e poucos recursos e ser uma equipe pequena. Mas na Hispania, nada disso se aplica, somente o fato de ser pequena, ou melhor, minúscula. Não há seriedade na equipe de Carabante e o que cada vez menos parece é que eles estão na Fórmula 1 para competir de verdade. Triste isso. Triste ver que a categoria cedeu um lugar para um time qualquer, montado no quintal de uma mansão espanhola e longe de qualquer oportunidade de ser vencedora ou de ao menos ter dignidade.

As outras estreantes do ano passado trabalham com mais afinco e com mais compromisso em seus projetos de médio a longo prazo. A Lotus é o exemplo mais perfeito disso. A Marussia Virgin, apesar de não andar no mesmo ritmo da rival verde e amarela, evolui na confiabilidade do carro e pretende sair do fundo do grid assim que a oportunidade em alguma corrida pintar. Mas na Hispania os dias que passam só são um adiamento da extinção que ninguém sentirá falta.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Acabam-se as vagas: Liuzzi fecha com a Hispania



FELIPE MACIEL


Uma vaga pouco disputada foi finalmente fechada a 2 semanas da abertura do campeonato. A disputa era discreta, tímida, fraca. Parece que quase ninguém estava disposto a gastar os tubos para pegar um carro da HRT, ao mesmo tempo em que a equipe precisava de um competidor experiente para amenizar o efeito de um indiano de talento limitado que pagou pela outra vaga.

Vitantonio Liuzzi era o favorito e assegurou a posição. O seu desespero para se manter na F-1 lhe rendeu o posto de piloto titular na pouco promissora escuderia espanhola, que sequer pôs o carro novo na pista. O italiano se queimou no ano passado, quando decepcionou após ganhar a grande oportunidade na ascendente Force India. Suprimido pelo desempenho abaixo da crítica, o bom kartista optou por se submeter a uma posição desprivilegiada no grid. Mas o que ele acha que ganha com isso?



Ao fraquejar numa boa equipe, um piloto praticamente assina seu atestado de afastamento da Fórmula 1. Relegado no grid, a cobiça pelo primeiro bólido que aparecer em sua frente serve apenas para adiar o momento do fim de sua participação na categoria. As chances de Liuzzi voltar a um bom time são mínimas.


O talento de Tonio já instigou há alguns anos, mas hoje não resta dúvida de que se trata de apenas mais um campeão da F3000 que ficou na promessa. Liuzzi não tem mais nada a oferecer na Fórmula 1, mas seus serviços ajudarão de alguma forma uma equipe pequena que precisa de um condutor rodado para se desenvolver. A parceria é interessante para a Hispania; ao Liuzzi restou apenas o status de piloto de F-1 como figurante inexpressivo do fundão.

A menos, é claro, que o F111 surpreenda as expectativas e lhe garanta boas diversões ao longo da temporada. E é bom que ele se divirta bastante, porque sua passagem pela categoria não tem muito a se prolongar.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Mudanças e dificuldades da Hispania



ANDERSON NASCIMENTO



A Hispania ganhou novamente as manchetes dos noticiários da Fórmula 1, nestes últimos dias. Dessa vez o que atraiu a atenção da imprensa foram a contratação do indiano Narain Karthikeyan e os velhos problemas financeiros que a equipe vem enfrentando, oriundos desde sua existência.

No entanto, apesar de todas as dificuldades e de uma pré-temporada que promete não ter muito resultado para os espanhóis, visto que utilizarão o carro que correu em 2010, a Hispania deverá participar da temporada 2011, só não se sabe se será por completo ou não.

José Ramón Carabante, dono da equipe espanhola, afirmou nos últimos dias que negocia parte das ações do Grupo Hispania, grupo imobiliário que dá o nome à sua escuderia. Talvez essa fosse a salvação para o time. O Grupo Hispania sofreu um forte prejuízo devido à crise financeira mundial. Com isso, Carabante ficou com um prejuízo de R$ 105 milhões perante seu antigo sócio.



Já a segunda vaga como piloto da escuderia ainda não está decidida, mas existe uma grande probabilidade de que Sakon Yamamoto ou Christian Klien assumam um dos cockpits, o que seria uma ótima decisão para Colin Kolles. Quem trouxer maior quantia em dinheiro leva. Bruno Senna é carta fora do baralho, segundo pronunciamento do próprio time.

Quanto ao carro da próxima temporada, as mudanças que serão feitas são consideráveis, mas não o suficiente para tirar o time do fundo do grid. É claro que não há como fazer previsões detalhadas de como será o desempenho do novo bólido, mas não deve ser muito melhor do que o carro que correu a temporada passada. Seria um carro tão ruim quanto o antecessor, com uma melhora apenas na parte traseira que viria da Williams, já que os espanhóis contarão com a caixa de velocidades do time inglês.

A Hispania é o verdadeiro exemplo de que não se deve entrar na F-1 sem condições financeiras e estruturais. Ela é espelho real de como é difícil seguir na Fórmula 1 sem uma bela fortuna nos cofres.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

De volta a parceria Lotus-Senna?



ANDERSON NASCIMENTO



Parece que a maré de azar de Bruno Senna está com os dias contados. Depois de estrear na Fórmula 1 à bordo de um carro cheio de defeitos e dificuldades, e em uma equipe com poucas condições financeiras, o piloto brasileiro pode estar indo para a escuderia novata que mais vem trabalhando para dar certo desde o início da temporada.



Foi divulgada por um site brasileiro a notícia de que Senna estaria negociando um lugar na Lotus, no lugar do veterano Jarno Trulli. Bastaria um patrocinador para que o acordo entre ambas as partes fosse fechado e assim reedita-se a parceria Lotus-Senna que começava há 25 anos atrás. E a procura por ele é intensa entre os empresários do piloto.

Desse modo, Bruno poderia enfim começar de verdade uma carreira promissora na categoria mais importante do automobilismo mundial, já que a Lotus terá para 2011 motores Renault, que são mais potentes e velozes do que os Cosworth e suporte da Red Bull para alguns sistemas mecânicos e hidráulicos, além de já contar com um forte aparato financeiro. E o inglês Mike Gascoyne, diretor-técnico da equipe malaia, é prova do otimismo vivido dentro do time:
O anúncio de que chegamos a um acordo de vários anos com a RBR para o fornecimento de câmbios e sistemas hidráulicos a partir de 2011 é um grande passo à frente para nós, tanto na engenharia quanto nas nossas ambições para o futuro. Este pacote tem uma importância grande no desempenho do carro, não apenas na pista, mas no projeto e nos pacotes aerodinâmicos. O fim dos difusores duplos aproximará o desenho da parte traseira dos carros e o contrato deverá ajudar no projeto para a próxima temporada.

Na Hispania, o brasileiro realizou 16 corridas sendo que seu melhor resultado foi apenas um 14º lugar e ficou de fora do GP da Inglaterra, o qual precisou ceder seu bólido para o japonês Sakon Yamamoto, devido à problemas financeiros da equipe. Com certeza, o desempenho tanto da equipe espanhola, quanto do piloto brasileiro, foram muito abaixo do esperado neste ano de estreia.

Além dessa possibilidade, Senna também pode estar negociando sua estadia para mais um ano na Hispania, ou ainda estar buscando uma vaga em alguma escuderia que esteja com sua dupla de pilotos em aberto. Porém, a chance mais realista para o brasileiro é a equipe de Tony Fernandes, que mesmo não sendo uma forte e grande equipe, pode lhe proporcionar a oportunidade de mostrar às grandes e ao mundo o talento que herdou de seu tio.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Há algo inusitado no reino de Hispania



FÁBIO ANDRADE



De alguns anos para cá desapareceram da Fórmula-1 as figuras dos pilotos-pagantes. Eles foram muito presentes na categoria até os anos 90, começaram a rarear na virada da década e quase desapareceram por completo em algum momento nos últimos cinco anos. A adoção das equipes novatas era a senha para que esse tipo particular, e normalmente desprezado, de piloto voltasse a povoar o grid. Curiosamente as equipes recém-chegadas apreciaram o uso desse mecanismo de sobrevivência com moderação, sem a falta de critério de outrora, mas o caso Hispania-Yamamoto começa a chamar atenção.



Pouco antes do GP da Grã-Bretanha a Hispania anunciou, repentinamente, que Bruno Senna seria substituído pelo japonês Sakon Yamamoto. Pipocaram notícias de que o brasileiro não estaria conseguindo os patrocínios prometidos ao time. Em seguida essa versão foi trocada por outra, na qual um e-mail teria causado o afasatamento do sobrinho de Ayrton. De acordo com essa segunda versão, Bruno teria redigido uma mensagem reclamando da administração do chefe de equipe Colin Kolles e, acidentalmente, enviou o conteúdo ao patrão. A retirada de Senna do gp britânico teria sido uma espécie de represália.

Ainda durante o último fim de semana a Hispania garantiu que Bruno não fora dispensado definitivamente, e que o brasileiro voltaria a guiar como titular na corrida seguinte, o GP da Alemanha. Só que a surpresa agora fica por conta da dispensa do outro piloto titular do time, Karun Chandhok. O indiano será substituído por Yamamoto na corrida germânica.
Após Sakon Yamamoto ter uma performance muito positiva em Silverstone, a equipe decidiu dar ao piloto japonês a oportunidade de correr ao lado de Bruno Senna. Karun Chandhok é ainda parte da família Hispania e deve estar no time para mais corridas durante a temporada.

Comunicado da equipe Hispania


Os rumores da vez dão conta que Yamamoto estaria pagando cerca de 2,5 milhões de dólares por corrida à Hispania. Como a prioridade do time é se sustentar no grid, estaria explicado o motivo da continuidade do japonês em detrimento de um dos pilotos titulares.


Mas ainda assim, persiste o inusitado: José Ramon Carabante vai cozinhando seus três pilotos em banho-maria, enquanto a Hispania vai se segurando no fim do grid.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

HRT mantém Bruno até o final do ano. Será?



FELIPE MACIEL


Muito mal contada a história do Bruno Senna. Com direito a desfecho cínico através de um comunicado alegando que o piloto tem "todo o apoio da equipe". A promessa é de que o novato competirá em todas as demais etapas de 2010.

Sei não... Talvez ele pudesse ter perdido mesmo sua vaga, desde que o ganho financeiro do time com Yamamoto fosse capaz de cobrir com sobras as despesas do rompimento de contrato.

Algo estranho aconteceu nesse início de fim de semana que o time fez questão de não explicar. A questão financeira tem grande responsabilidade, evidentemente, mas deixa lacunas no esclarecimento de uma postura tão tardia e repulsiva de Colin Kolles.

E após uma conversinha entre diretor e empresário, eis que o representante do Senna solta a frase mais sem nexo do ano.


O Bruno não é obrigado a abrir mão de seu lugar nem em treino livre, mas fez isso com a garantia de que corre até o final do ano.

Chris Goodwin



Quer dizer que ele não precisa abrir mão de seu direito de treinar e correr, mas optou por declinar desse direito para que pudesse exercer o direito de continuar correndo? Alguém aí anda tentando desafiar nossa inteligência...

O fato é que a Hispania é uma equipe ainda menos confiável do que se imaginava. Bruno está sendo substituído agora e não há motivos para acreditar que não possa ser posto de lado novamente - já corri para consultar a data do GP do Japão: 10 de outubro.

Uma pena este incidente chato ocorrer justo em Silverstone, pista da qual Bruno gosta e onde já teve a oportunidade de comemorar vitória em seu período anterior à Fórmula 1. Mas excepcionalmente neste final de semana, terá de ficar chupando o dedo e aguardar a devolução do cockpit em Hockenheim.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

HRT chuta Bruno Senna e aloca Sakon Yamamoto



FELIPE MACIEL


A atitude da equipe Hispania foi um golpe para Bruno Senna. Ainda não se sabe ao certo como se deu esta súbita decisão e teremos de esperar até a manhã desta sexta torcendo por alguma explicação definitiva.

Bruno viajou para a Inglaterra como num fim de semana comum, fez todos os procedimentos normais de um piloto antes de chegar ao 1º treino livre, como por exemplo pedalar por algumas voltas para avaliar o traçado. De repente, surge a bomba de que Colin Kolles mexeu as peças: Senna perdeu o cockpit para Sakon Yamamoto.



Por uma corrida? Pelo resto do campeonato? Caiu para test driver ou o contrato será rasgado? Nada. Para falar à imprensa, a Hispania é tão lerda quanto a sua carroça. Eles fornecem a meia-notícia e nós ficamos esperando a outra metade até o dia de amanhã.

Eu era do time que dizia que o Bruno deveria romper com a Campos desde que ela deixou de ser Campos. Mas como ele preferiu arriscar correr por um time que não tem nada para dar, agora é a vez da equipe ameaçar um rompimento ou algo semelhante.

Seja lá o que for anunciado amanhã, o melhor para Bruno é que aconteça aquilo que ele deveria ter buscado antes do início da temporada. Manter-se na Hispania não é o que importa. O importante é conseguir uma vaga reserva numa escuderia do meio do grid para frente.

Correr e não ser notado vale tanto quanto não correr. Pois então não corra. Espere o momento de entrar num lugar minimamente decente para trabalhar. Enquanto isso, assista à Hispania se desenvolver com sua super dupla Karun Chandhok e Sakon Yamamoto.

Depois do nome Piquet ser expelido da F-1 (ainda que por motivos peculiares), é a vez do sobrenome Senna ficar pendurado. Que fase, hein, Brasil...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mudanças de visual no GP da Espanha



FELIPE MACIEL



Na passagem da China para a Espanha, 3 equipes chamam a atenção a olho nu: Mercedes, Ferrari e Hispania.



O time de Ross Brawn formou seu duto deformando o clássico desenho do topo do carro. A entrada de ar superior foi removida para a instalação de dois canais, um de cada lado, tendo entre eles uma parede em V. Não bastasse a revolução promovida pela McLaren com uma inovação aerodinâmica tão cobiçada, a Mercedes foi lá e acoplou dois rombos na carenagem para buscar tempo. Ficou um tanto esquisito, mas se o funcionamento for ideal não haverá o menor problema. Só nos resta esperar que essa façanha não motive o restante do grid a desfigurar seu desenho de forma tão grosseira.




Já a Ferrari e a Philip Morris cederam ao piti dos médicos britânicos desocupados que conseguiram visualizar uma série de propagandas subliminares da Marlboro, seja no carro, no uniforme, na cor, no desenho...

E assim a escuderia italiana resolveu aposentar o código de barras após 5 anos de uso, deixando ali um retângulo branco com um estranho vazio, que de uma forma ou de outra continuará chamando a atenção dos espectadores. Mas é muito improvável que a mudança impeça a continuidade da parceria, afinal, com exibição de marcar ou sem, a tabaqueira segue embolsando altos retornos pela manutenção do posto de patrocinadora principal da equipe Ferrari.




Num lugar distante no grid, quem inovou na pintura foi a problemática Hispania. O carro continua sendo um fracasso aerodinâmico, mas ao menos o layout sofreu modificações, com a substituição dos traços brancos por rabiscos vermelhos.

Outra novidade da equipe foi a vinda de Christian Klien assumindo o cockpit de Karun Chandhok para cravar meio segundo abaixo do tempo de Bruno Senna. Não chega a ser um test driver de luxo, mas pelo menos não foi o Yamamoto que tomou o lugar de um dos titulares no treino livre.



quinta-feira, 4 de março de 2010

Hispania Racing Team



FÁBIO ANDRADE



Evento espartano, poucas imagens até agora, e muito do que eu pensava sobre a Hispania (é, o nome não soa bem de jeito nenhum) já dito no post de ontem.

Resta então deixar por aqui as poucas fotos aproveitáveis do lançamento do carro com a qual a novata HRT (é, a sigla me parece melhor) vai disputar a temporada 2010 e torcer para que Bruno Senna e Karun Chandhok não sejam fritados vivos por estarem na equipe errada na hora errada.







Pintura em tons de cinza e preto, praticamente sem patrocínio

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Volta da Tradição do Fim do Grid



FÁBIO ANDRADE



Há exatamente uma semana, durante o post sobre algumas das equipes pequenas mais marcantes da F-1, lembrei do tempo em que as equipes pequenas “honravam seu nome e se contentavam em chegar 5 voltas atrás do vencedor.”

Pois é, a Fórmula-1 parece estar prestes a relembrar esse período.

Hoje o espanhol José Ramon Carabante anunciou que sua equipe lançará seu modelo para a temporada 2010 nesta quinta, dia 4. Enquanto quase todos os outros times já revelaram seus carros há pelo menos um mês, a Campos irá apresentar seu bólido apenas 10 dias antes da data da primeira prova do ano.

Opa, Campos não. Hispania! Sim, é esse o novo nome da equipe de Bruno Senna e do indiano Karun Chandhok.

Mas a pergunta obrigatória depois da constatação de que a Hispania lançará seu carro  com chassi Dallara e motor Cosworth a cerca de uma semana da abertura do mundial é: o que uma equipe concebida às pressas e nascida de um parto prematuro às avessas poderá fazer numa categoria de alto nível como a Fórmula-1?

“Muito pouco” é a mais provável resposta. E está bem assim.

O mundial desse ano já tem protagonistas demais, expectativas demais, holofotes demais e estrelas demais. A temporada 2010 já tem Massa, Vettel, Hamilton, Button, Alonso e Schumacher. Já se esperam as brigas internas dentro dos times grandes que prometem batalhas épicas de egos inflados. Já se promete um sensacional equilíbrio como há anos não se via, tendo em vista os resultados dos testes. Será uma super-temporada, super-emocionante, super, super, super.

O mundial, enfim, antes de começar, já ostenta superlativos em excesso.

Nesse contexto Lotus, Virgin e Hispania são o anti-clímax necessário a uma temporada que é vendida como sucesso antes mesmo de começar. As equipes pequenas certamente voltarão a honrar sua designação, levando 4 ou 5 segundos por volta e cruzando a meta muitas voltas atrás dos líderes porque milagres não existem na F-1, e carros projetados às pressas são incapazes de competir a sério numa categoria top. A esclerose das pequenas é um reflexo involuntário da gestão Max Mosley, mas essa filha bastarda do velhinho sadomasô será encarada por esse  que vos bloga como algo não tão ruim.



Afinal, as pequenas e seus resultados vexatórios também fazem parte da enciclopédia de histórias da F-1, apesar de protestos raivosos como o da Ferrari na semana passada.

Talvez as pequenas da atualidade não tenham o mesmo carisma das de outros tempos, lembrará alguém, e isso é certo. Como também é certo que simpatia, as vezes, é um atributo que se conquista com o tempo.