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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Massa, chicane ambulante



FÁBIO ANDRADE


Ok, ok. Felipe Massa já começou 2011 do mesmo que terminou 2010: devendo na comparação entre o seu desempenho e do companheiro Fernando Alonso. O desempenho de Massa no Albert Park reacendeu a enxurrada de críticas e prognósticos de que esse é o último ano do brasileiro na Ferrari, mas, ao mesmo tempo, revelou um piloto que, se ainda não consegue render o mesmo que rendia em 2008 e 2009 - suas melhores temporadas - ao menos foi bastante aguerrido em sua luta com a poderosa McLaren de Jenson Button, pelo menos no primeiro round da batalha de 11 voltas entre os dois.



Button terminou a corrida dizendo que “Massa é o piloto mais difícil de ultrapassar” na Fórmula-1 atual. Não deixa de ser um elogio, mas quem não deve estar gostando dessa história é Jarno Trulli. O título de “chicane ambulante” era a única distinção do italiano no grid.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Rádio OnBoard - Edição de Melbourne



FELIPE MACIEL


Está no ar a 107ª edição da Rádio OnBoard!

Fábio Campos e Ron Groo estiveram ao meu lado participando dos comentários relativos ao primeiro GP do ano, que terminou com mais uma vitória do Vettel.

Pilotos que chegaram chegando, pilotos que continuam decepcionando, regras que surpreenderam ou deixaram de surpreender... tudo isso nesta edição que avalia o Grande Prêmio da Austrália de 2011.


Clique para ouvirClique para baixar



A ROB retorna na próxima semana, com as expectativas para a etapa subsequente, de Sepang. Até lá.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Vale a pena apostar em Petrov?



ANDERSON NASCIMENTO


Vitaly Petrov conseguiu um inesperado e excelente resultado no GP da Austrália, que marcou a abertura do Mundial de Fórmula 1. O rótulo de piloto pagante começou a cair por terra assim que o piloto russo recebeu seu primeiro troféu na categoria, em seu primeiro pódio e o único até agora de seu país na F-1.

Em Melbourne, Petrov fez uma corrida consistente, sem erros (ou se teve não comprometeu sua corrida) e mostrou que pode ser ele o piloto que conduzirá a equipe durante o ano na ausência de Robert Kubica. Nick Heidfeld que foi contratado para este posto foi um fiasco em sua corrida de estreia na Renault.

Petrov nunca foi um piloto de encher os olhos e raramente (para não dizer nunca) foi considerado um potencial campeão por onde passou. Sempre enfrentou dificuldades, amargando resultados ruins em comparação com seus companheiros de equipe. No ano passado errou muito, passou pelo risco de ser demitido, visto que a Renault enrolou até onde deu para renovar seu contrato, que contou com um belo dinheiro de seu país para que ele pudesse ser fechado, isso ninguém há de negar.

[caption id="" align="aligncenter" width="809" caption="Mesmo após o 3º lugar na Austrália, Petrov ainda segue contestado"]Vitaly Petrov Renault[/caption]

Mas ninguém pode negar também que Vitaly amadureceu e o GP da Austrália não foi sua primeira amostra disso. No ano passado, quando impediu por diversas vezes uma ultrapassagem de nada mais, nada menos que Fernando Alonso, o russo já mostrava que não era mais o piloto das corridas iniciais na F-1. Correu grande parte da corrida em Abu Dhabi sob a pressão de um bicampeão que era o candidato com mais chances de levar o título naquele momento. Não errou, segurou uma Ferrari atrás de si e fechou o ano como um dos protagonistas. O que ele fez em Albert Park é uma continuação de quem já aprendeu basicamente como lidar com coisa de pilotar um carro de F-1.

O GP australiano provou ao longo de sua história que costuma ser uma etapa atípica comparada as demais provas do ano. Por isso, talvez seja cedo demais para transformar o resultado de Petrov na Austrália em uma marca que deve ser seguida durante toda a temporada. Sem tirar seus méritos pela conquista do terceiro lugar, mas o russo pode terminar 2011 com o mesmo baixo desempenho no geral da temporada passada e, por conta disso, perder a vaga na Renault.

Isolando o resultado deste último domingo, fica fácil dizer que Petrov possui um potencial que merece ser explorado e que ele pode voltar a conduzir a Renault a bons feitos novamente. Mas, analisando o contexto e toda a sua carreira como piloto, apostar no garoto pode não ser uma das tarefas mais fáceis e talvez bastante ingrata.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Os lados bons e os lados ruins



ANDERSON NASCIMENTO


O GP da Austrália de Fórmula 1 marcou a estreia do campeonato de 2011 e deixou várias impressões sobre como será o restante da temporada. Impressões ruins e impressões boas, essas não foram muitas, infelizmente.

Para começar, vimos um Sebastian Vettel dominante no sábado e no domingo. Sem cometer erros e com um carro fenomenal nas mãos não poderia ter saído da Austrália com a sua terceira vitória consecutiva na categoria. Saber que Vettel pode ser um dos melhores pilotos da história da F-1 é uma ótima notícia, porém, não é nada animador ver que seu talento pode tirar a competitividade pelo título neste ano. Se a Webber não acordar, a Ferrari não arrumar seu carro e a McLaren não crescer ainda mais, Vettel levará o bi com uma mão nas costas e plantando bananeira.

A Ferrari foi uma das impressões ruins deste fim de semana. O carro é mediano, no mínimo. Fernando Alonso só conseguiu chegar em 4º lugar porque é Fernando Alonso. Ele não poderia ter feito melhor do que fez e mesmo que estivesse se aproximando de Vitaly Petrov nas voltas finais dificilmente ganharia a posição do piloto russo. O carro vermelho foi uma tremenda decepção.

[caption id="" align="aligncenter" width="530" caption="Vettel venceu com facilidade em Melbourne"]Sebastian Vettel vitória pódio[/caption]

E se o carro batizado em homenagem ao seu país teve desempenho deprimente, imagine tendo a bordo um piloto em fase ruim e de performance apagada. Foi assim no caso de Felipe Massa. Já adiantei, por opinião própria, que Massa não tem o talento nem a capacidade para bater o seu companheiro asturiano, ainda mais com Alonso tendo a equipe toda trabalhando a seu favor. Dizer que o brasileiro pode superar o espanhol é algo de quem é patriota demais. Ontem seu talento só apareceu quando lutou pela posição com Jenson Button, que tinha um carro visivelmente melhor que o seu. Do resto, lembrou muito o piloto que andou em 2010.

Mark Webber foi outra decepção. Terminou a prova, desceu do carro com a cabeça baixa e aparentemente carrancudo. Com o carro que tem nas mãos e pela motivação de correr em casa podia ter chegado no pódio com facilidade. Mas Webber é experiente e a etapa australiana pode ter sido apenas m deslize para alguém que promete brigar pelo título.

Pelo lado ruim ainda temos a asa traseira móvel. Ainda está cedo para dizer se realmente este aparato irá trazer os resultados esperados, mas a etapa australiana mostrou que ele serviu muito mais para deixar a corrida artificial do que mais emocionante. Ela não facilitou tanto as ultrapassagens e seria dispensável na corrida de ontem. Vamos ver se na Malásia, onde a reta em que ela poderá ser usada é mais longa.

Mas, o GP da Austrália reservou quatro boas surpresas. A maior dela, na minha opinião, foi o desempenho maravilhoso de Vitaly Petrov. Para quem acompanhou o primeiro ano dele na Fórmula 1 se espantou com o que o russo conseguiu fazer ontem. Conduziu sua Renault como se fosse um piloto veterano na categoria sem cometer erros que influenciassem seu desempenho e por diversas vezes correndo na mesma batida do campeão Lewis Hamilton. Um terceiro lugar muito especial para Petrov e seu país.

[caption id="" align="aligncenter" width="535" caption="Petrov conseguiu o primeiro pódio seu e da Rússia na F-1"]Vitaly Petrov[/caption]

Uma boa outra surpresa foi a Williams. “Mas, perai?!”, talvez você se espante. “A Williams nem terminou a prova!”. Bem, é verdade. Mas o tempo que Rubens Barrichello permaneceu na pista sem errar nos deu uma bela perspectiva da Williams para o restante do ano. Depois que o piloto brasileiro se recuperou do incidente na primeira curva que o colocou na brita, o FW33 lhe deu a possibilidade de andar mais rápido do que todos os que estavam na sua frente. Ele poderia, quem sabe, com uma boa estratégia ter chegado na 5ª ou 6ª posição. Pastor Maldonado também estava indo bem até ser traído pelo carro. Se os ingleses conseguirem resolver o problema de confiabilidade do bólido, não tenho dúvida de que esse poderá ser a melhor temporada dos últimos anos da Williams.

As duas boas surpresas restantes foram a McLaren e a Sauber. A primeira conseguiu se recuperar de uma pré-temporada muito ruim, ainda que acredite que muitas críticas foram exageradas neste período. Lewis Hamilton terminou em segundo em uma corrida consistente. Jenson Button, mesmo punido, terminou na 6ª posição. Os ingleses são os mais próximos de bater a Red Bull de Sebastian Vettel. Já a Sauber colocou o estreante Sergio Perez e o japonês Kamui Kobayashi na zona de pontuação. Infelizmente os dois foram desclassificados, pois o carro infringiu o regulamento técnico da FIA. Mas, o que se deu para ver é que o C30 é um modelo acertadinho e que consome bem pouco pneu comparado aos demais carros do grid.

Corrida chata e a F-1 não promete ser muito diferente de 2010. As novidades pareceram ser furadas e todo o empenho em busca de mais competitividade pode ter efeito inverso com só um piloto, de azul e vermelho, correndo na frente.

domingo, 27 de março de 2011

Em meio as novas regras, Vettel vence na Austrália



FÁBIO ANDRADE


Sebastian Vettel fez 2011 começar da mesma forma que 2010 terminou. O alemãozinho guiou sozinho, foi pouco ameaçado por Lewis Hamilton e teve vida sossegada no GP da Austrália. Vitaly Petrov também começou a atual temporada como terminou a última: na frente de Fernando Alonso, mas agora sem o chilique do bicampeão depois da bandeirada. Ao contrário, Petrov dessa vez foi saudado pelo primeiro pódio de sua carreira e de um russo na Fórmula-1. A Ferrari deu pro gasto mas decepcionou; Webber, idem, e assim, com um jeito de algo que não saiu muito bem como o esperado, desenrolaram-se as 58 voltas da corrida em Melbourne.




[caption id="" align="aligncenter" width="493" caption="Na primeira de 2011 Vettel protagoniza a mesma cena da última de 2010"][/caption]

Depois da bandeirada Luís Roberto e Reginaldo Leme repetiram algumas vezes que a corrida foi “aquém”. A Fórmula-1 prometeu show de ultrapassagens e muitas novidades, mas aparentemente ficou devendo. Em parte porque o velho problema da artificialidade está matando o espectador de raiva, em parte porque sempre que se espera algo com exagerado alarde há o risco da frsutração.



A estrela da transmissão

Em corridas como o GP da Austrália de 2011 normalmente o líder passa quase em branco. Porque não há motivos para passar muitas voltas com o RB7 de Vettel sozinho em primeiro plano na tela. Há mais coisas acontecendo no meio do pelotão que merecem atenção. Talvez a estrela da transmissão da corrida fosse Felipe Massa, mais lento do que seus pares nas primeiras voltas e pólo gerador do maior ponto de tensão do primeiro quarto da corrida australiana. Talvez a estrela da transmissão fosse Jenson Button, primeiramente em disputa com Massa, depois em disputa com meio mundo por causa da punição com uma passagem pelos boxes por ter cortado caminho. Mas a estrela da transmissão foi o gráfico de velocidade, aceleração, freio, KERS e asa móvel.




[caption id="" align="aligncenter" width="493" caption="Massa e Button até foram centro das atenções, mas quem apareceu mesmo foi o gráfico"][/caption]

Não houve trecho de cinco minutos de transmissão em que ele não aparecesse. E ele ofuscou todos os 22 pilotos que davam voltas no Albert Park.



Os boxes, de novo, no centro das atenções

Uma das melhores coisas da temporada passada foi a queda da importância dos pit stops. Eles não deixaram de ser fundamentais para o andamento da corrida e para a estratégia das equipes, mas não foram tão decisivos para o entendimento das corridas. A maioria das provas se resolveu na pista e com acontecimentos de pista. Mesmo em Monza, por exemplo, quando a parada mais eficiente da Ferrari resolveu o GP da Itália a favor de Alonso, foi fácil para o espectador médio compreender o que se passava. Parece que esse tempo prazeroso de assistir as corridas durou apenas uma temporada.


O desgaste dos pneus Pirelli vai voltar a dificultar o entendimento das corridas. Em primeiro lugar pela quantidade de paradas. Em Melbourne boa parte dos pilotos realizou três entradas nos boxes. É um volume de paradas difícil de ser acompanhado e memorizado por quem está acompanhando a corrida. Ficou mais fácil esquecer se fulano já usou pneus macios ou duros, ou pior, ficou mais fácil embaralhar tudo isso e se perder na linha narrativa da corrida. A grande quantidade de paradas também possibilitou o aparecimento de uma pergunta que andou sumida, pelo menos do meu repertório, em 2010: “como que esse piloto foi aparecer nessa posição, nesse momento, assim do nada?”




[caption id="" align="aligncenter" width="493" caption="Prometeram show, não cumpriram e ainda dificultaram o entendimento da corrida"][/caption]
A corrida, cadê?

Pela primeira vez em um ano de Blog F-1 vou me permitir um texto que não fale longamente de detalhes e detalhes da corrida, até porque, como os comentaristas da Globo falaram no fim da prova, ficou a sensação de que o GP da Austrália ficou “aquém”. Mas não foi a corrida que ficou abaixo do esperado, a F-1 que simplesmente não ofereceu ao espectador o que foi prometido. Os recursos introduzidos pela FIA ficaram num grande vazio carecendo de sentido. E a enorme expectativa gerada desaguou num mar de sonolentos bocejos quando, na madrugada mal dormida, todo mundo ligou a televisão e constatou que, cada vez mais, a F-1 vai se parecendo com corrida de vídeo game. E não é para ver um simulacro de corrida que se acorda às três horas de uma manhã de domingo.



Grande Prêmio da Austrália, resultado após 58 voltas:

sábado, 26 de março de 2011

Vettel quebra recorde da pista e arrasa rivais na Austrália



FÁBIO ANDRADE


O resultado do treino classificatório do GP da Austrália não foi surpresa, até porque todos os participantes de bolões e apostas do mundo inteiro devem ter apostado no mesmo nome. A pole position de Sebastian Vettel foi uma mera questão de esperar o treino acabar. A surpresa foi a facilidade com a qual o atual campeão aniquilou os rivais no Albert Park. Quem também surpreendeu foi a McLaren, que conseguiu ser competitiva, pelo menos em comparação com a Ferrari. Porque a Red Bull já entra na primeira corrida de 2011 um patamar acima tanto de Maranello como de Woking.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Vettel foi soberano em Melbourne"][/caption]

No outro extremo da tabela a Hispania reiniciou sua via crucis, se arrastando pela pista e ficando a 10 segundos do tempo da pole. Para o time espanhol o tempo não parece ser um remédio. Com a volta do fator dos 7% - que exclui do grid pilotos que fiquem mais de 7% acima do tempo da melhor volta da sessão - a Hispania deve ficar fora de boa parte das largadas, como ficará amanhã. Em breve é bem possível que a Fórmula-1 volte a ter 22 carros.



Heidfeld decepciona logo no Q1

Além da Hispania, Nick Heidfeld foi a grande nota triste da primeira parte do treino. O piloto alemão, que substitui o acidentado Robert Kubica, ficou com um indigesto 18º lugar e só participou do Q1 em Melbourne. O resultado de Heidfeld é ainda mais decepcionante porque a Renault parece ter um pacote competitivo entre as médias e porque o outro piloto da grife francesa, o russo Vitaly Petrov, chegou até o Q3 e conseguiu o sexto posto. E na mitologia que acompanha os pilotos da F-1 atual, seria lógico que Heidfeld conseguisse uma posição melhor do que a de Petrov.


Porém, como lógica nem sempre tem a ver com os carrinhos que dão voltas, uma pergunta pode tornar o 18º lugar de Heidfeld ainda pior do que ele já é: Kubica faria tão feio?


Já o Q2 acabou bem cedo para Rubens Barrichello. O brasileiro da Williams rodou ainda no início da segunda parte da classificação, depois de pôr as rodas esquerdas na grama. Preso na velha caixa de brita, Barrichello, que normalmente consegue avançar até o Q3, ficou com o 17º lugar.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="Ironicamente, Barrichello, o mais experiente piloto do grid, larga em posição pior do que a do companheiro de equipe estreante"][/caption]
A McLata volta a ser McLaren

A McLaren assustou os fãs com a pré-temporada repleta de problemas técnicos e indícios de pouca confiabilidade no MP4/26, além da aparente falta de velocidade demonstrada pelo novo carro nos testes de inverno. Mas em Melbourne o que era calhambeque voltou a andar como Cadilac e o time parece ter feito um ótimo proveito dos 15 dias a mais de preparação que o adiamento do GP do Bahrein proporcionou. Há quem fale em blefe, mas nem faria sentido uma equipe andar tão mal só para fazer cena numa era de testes tão raros. O concreto mesmo é que Hamilton e Button têm nas mãos um carro para tumultuar a briga pelos primeiros lugares, briga que segundo os prognósticos da pré-temporada seria polarizada entre Red Bull e Ferrari.



Ferrari sem ritmo e Vettel sobrando

A pré-temporada indicou que a grande briga nesse início de ano seria entre Red Bull e Ferrari, nessa ordem. Mas, num paralelo quase perfeito em relação a 2010, o pretenso favoritismo da equipe italiana se desfez ao fim do primeiro treino classificatório. Sem falar nos sustos vividos por Felipe Massa. O brasileiro da Ferrari só garantiu lugar no Q2 no último instante da primeira parte do treino, quando já estava em 18º. Depois, já no Q3 rodou de forma estranha ao sair dos boxes, em baixa velocidade.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="A Ferrari decepcionou e Massa larga apenas em oitavo"][/caption]

Em nenhum momento do treino a Ferrari esteve próxima da Red Bull. Na verdade, ninguém esteve próximo de Vettel, mas a McLaren tanto trouxe mais incômodo aos austríacos que Hamilton se colocou entre Vettel e Webber. A primeira Ferrari só aparece na quinta posição com Alonso, enquanto Massa, seis décimos mais lento do que o espanhol, larga do oitavo lugar no domingo. Faltou ritmo de classificação ao carro italiano em Melbourne.


Ritmo de classificação é o que não falta para a Red Bull desde 2010. Pole position já pode ser incorporado como sobrenome dos carros projetados por Adrian Newey, sobretudo porque a equação Newey + Vettel quase sempre é igual a show. Foi isso que o que ficou demonstrado na classificação do GP da Austrália. Vettel pulverizou o antigo recorde da pista, que datava de 2004, quando os carros corriam sem restrições aerodinâmicas e com motor V10 também sem limitação de potência. A antiga marca, de 1min24seg125 pertencia a Michael Schumacher e foi baixada em quase seis décimos: 1min23seg529.


O adversário mais próximo do alemãozinho é Hamilton, que ficou a intermináveis sete décimos da pole. Todo o restante do grid, inclusive o companheiro de Vettel, Mark Webber, ficou pelo menos um segundo acima do tempo da pole. Uma volta arrasadora que abre a perspectiva de que McLaren e Ferrari terão de trabalhar muito para alcançar a velocidade do time que já tinha o melhor carro do grid em 2010.


Segundo o Weather Channel, não há previsão de chuva para Melbourne no horário do GP da Austrália. A largada para as 58 voltas da corrida acontecerá às 3 da manhã de domingo pelo horário de Brasília. A partir da meia noite a Rádio Onboard apresenta seu programa pré-race, ao vivo.



Grid de largada para o Grande Prêmio da Austrália:

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nos primeiros treinos, Red Bull e McLaren lideram



ANDERSON NASCIMENTO


A Fórmula 1 enfim começou. Os treinos livres 1 e 2 já ocorreram no circuito de Albert Park em Melbourne, na Austrália. Surpresas aconteceram, mas ainda é cedo para dizer se continuarão a ser surpresas durante o ano. Vamos começar lá por baixo então, analisando os que não foram bem nos dois treinos.

A Hispania segue a ser a piada da categoria. Sequer mostrou um carro pronto e disponível para que Vitantonio Liuzzi ou Narain Karthikeyan pudessem ir para a pista e fazer algumas voltas de instalação. No segundo treino livre, o que consta na tabela é que Liuzzi andou apenas uma volta, o que é óbvio não ser nada suficiente para avaliar alguma coisa em relação ao desempenho do F111. Não tenho dúvidas de que a regra dos 107% será mais uma grande inimiga da escuderia espanhola neste ano. Estaria para apostar até mesmo que nenhum de seus carros consiga largar neste domingo.

Pit sto carros Fórmula 1 Albert Park

Um pouco acima, mas não tão convincente ficou a Marussia Virgin. Timo Glock e Jérôme D’Ambrosio conseguiram completar várias voltas, mas ficaram muito longe das marcas dos primeiros colocados. No treino 1, os dois ficaram a mais de 8 segundos de distância do melhor tempo marcado por Mark Webber. No treino 2, o desempenho melhorou um pouco, mas ainda foram 6 segundos mais lentos do que a melhor volta de Jenson Button. Se a equipe anglo-russa não correr contra o tempo para ajustar seus problemas correrá um sério risco de também ser engolido pela regra dos 107% neste início de temporada e para mim seria uma bela punição por teimarem em não utilizar o túnel de vento mesmo depois do fracasso do carro do último ano.

Confesso que a Lotus foi a minha grande decepção neste primeiro contato dos carros com a temporada 2011. A performance dos três pilotos que foram para a pista foi fraca e teve até Karun Chandhok acertando o muro e destruindo a frente do T128 logo na primeira volta. É cedo ainda para prognosticar alguma coisa, mas tive aquela sensação de que os veremos no fundo do grid de novo, mas tomara que seja só impressão.

Na parte intermediária da tabela, comparando os dois treinos livres, as surpresas ficaram por conta de Rubens Barrichello, Nico Rosberg e Sergio Perez. O piloto da Williams alcançou a 5ª colocação no primeiro treino superando as duas McLarens. No segundo teste, Barrichello foi o 9º com um tempo 1s426 acima da marca do líder. Nico Rosberg tratou de provar que a Mercedes pode ser uma força que lutará por vitórias neste ano. Logo de cara alcançou a 4ª posição, ficando atrás somente de Mark Webber, Sebastian Vettel e Fernando Alonso. No treino posterior, conquistou a 10ª melhor marca, mas viu seu companheiro Michael Schumacher ser o 6º. Já Sergio Perez foi surpresa no segundo treino com uma bela 8ª marca.

A Ferrari viu um bom desempenho somente com Fernando Alonso, que tentou de todas as maneiras andar no ritmo da Red Bull. Felipe Massa, saiu da pista, fritou pneu e não conseguiu um tempo expressivo em nenhum dos treinos.



Diante de tantas suspeitas, a McLaren foi para a pista nesta madrugada para mostrar que não está tão ruim assim como todos imaginam. É verdade que no treino 1 ambos os carros prateados ficaram a mais de um segundo e meio do tempo de Mark Webber. Porém, na segunda parte conseguiram o 1-2 liderado por Jenson Button. Os tempos foram muito próximos com uma diferença de apenas 0s935 do primeiro para o sétimo colocado.

A Red Bull liderou com folga o primeiro treino livre colocando quase um segundo no tempo da Ferrari de Alonso. Webber cravou a melhor marca em sua última volta e desbancou seu companheiro de equipe. O que deu pra perceber é que os taurinos podem estar mais rápidos do que no ano passado e ainda mais superiores aos seus adversários.

Na virada de hoje para sábado, acontece o último treino livre antes que o treino classificatório, marcado para às 3 horas no horário de Brasília mostre enfim o que realmente os bólidos estão rendendo neste início de ano.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Memória Blog F-1: Austrália 2008



FÁBIO ANDRADE


Apenas sete dos 22 carros que largaram receberam a bandeirada do GP da Austrália em 16 de março de 2008. A corrida foi uma das mais confusas e divertidas do histórico recente da Fórmula-1 e serviu como aperitivo para uma temporada igualmente divertida.


A prova foi marcada pelo fim do uso do controle de tração. O GP da Austrália de 2008 era a primeira corrida sem o uso do dispositivo desde 2001. Por coincidência ou não, o Albert Park assistiu a um festival de erros e rodadas aos quais o espectador da F-1 não estava acostumado, sobretudo quando os erros eram cometidos por pilotos considerados de ponta.


Apesar da quantidade de abandonos e do alto número de baixas, a McLaren teve uma corrida tranquila. O time terminaria a prova com uma dobradinha não fosse um Safety Car fora de hora que atrapalhou a vida de Heikki Kovalainen. Já Lewis Hamilton correu sem sustos e assegurou a vitória na primeira corrida do ano em que seria campeão.


Mas foi o inusitado o que marcou a primeira corrida de 2008. Segue o compacto do excelente GP da Austrália daquele ano, uma bela forma de matar a saudade dos carrinhos dando voltas na tv nas manhãs - ou madrugadas - de domingo:



Parte 1:


Parte 2:


Parte 3:

quinta-feira, 10 de março de 2011

Memória Blog F-1: Austrália 1996



FÁBIO ANDRADE



Quando a Fórmula-1 saiu de Adelaide para Melborune houve quem ficasse sentido. Afinal, o traçado já era tradicional para a categoria, sobretudo porque tinha um caráter especial por encerrar as temporadas de 1985 a 1995. A pista já havia se tornado um marco e a mudança da sede do GP da Austrália de Adelaide para Melbourne também implicou na alteração da posição da corrida australiana no calendário. De última, a prova passou a ser a primeira e durante anos outra tradição se fez: as temporadas da F-1 não necessariamente começam na mais simples das pistas: o Albert Park está longe de ser um traçado trivial.


O circuito tem características de pista de rua, tal como Adelaide. Muros próximos, ondulações na pista e sujeira, muita sujeira. O Albert Park, como o nome sugere, é um parque e não um autódromo. Não sedia atividades automobilísticas durante o ano. Portanto não há trilho, não há área emborrachada e a pista normalmente se encontra cheia de detritos nas primeiras atividades. Leva tempo até que as condições de aderência sejam boas.


Mas quando o circo desembarcou por lá para a primeira corrida, realizada em 10 de março de 1996, os assuntos predominantes eram outros. O grande destaque do grid naquela altura, com dois títulos pela Benetton, cometera a loucura de trocar um time vencedor por uma lenda que se arrastava nas pistas. Michael Schumacher iria estrear pela Ferrari, numa das contratações mais caras da história do esporte até então. Na Williams o burburinho era por conta do retorno de um sobrenome mítico para a F-1: era a primeira corrida de Jacques Villeneuve, filho do lendário Gilles, na categoria. O canadense fora campeão da CART em 1995 e chegava para provar que é possível sim ser campeão dos dois lados do Atlântico.


Na classificação o impensável aconteceu. Villeneuve, estreando na F-1, cravou a pole position. A Williams comandou a primeira fila com Damon Hill em segundo. A segunda fila era vermelha, com Eddie Irvine em terceiro e Schumahcer em quarto.



Na corrida o canadense manteve a grande forma. Largou e manteve a ponta, enquanto Hill perdeu posições para as duas Ferraris. Mas logo a corrida foi interrompida pelo incrível acidente de Martin Brundle na terceira curva, ainda na primeira volta. Apesar de plasticamente impressionante, a batida não fez vítimas, mas causou a interrupção da corrida. De acordo com o regulamento da época, foi convocada uma nova largada com as posições originais do grid.


Na nova partida Villeneuve novamente segurou a primeira posição, enquanto Hill tomou mais cuidado com as Ferraris. Os dois carros da Williams logo dominaram a corrida e sumiram a frente das rossas.


Pouco depois da 30ª volta Schumacher abandonou com problemas nos freios. Mas isso em nada repercutiu na briga pela vitória, já que eram os carros da Williams que lideravam. Na primeira bateria de pit stops, Hill ganhou a posição de Villeneuve, mas por pouquíssimo tempo. Numa sequência de tirar o fôlego, os dois pilotos de Mr. Frank disputaram a primeira posição de forma aberta. Villeneuve, com uma volta a mais de aquecimento de pneus, recuperou a liderança, deixando incrédulos os espectadores da corrida e até mesmo o narrador da tv inglesa, o inoxidável Murray Walker.


Na 34ª volta, porém, a sorte de Villeneuve começou a mudar. A escapada na primeira curva do circuito possivelmente danificou o carro, que começou a apresentar um vazamento de óleo poucas voltas depois. Sem condições de guiar na condição máxima, Villeneuve esteve muito perto de vencer em sua primeira corrida de F-1, mas teve de abrir passagem para a vitória do companheiro de equipe. Hill venceu, mas esteve à sombra - coisa que, venhamos e convenhamos, foi quase uma marca da carreira do filho de Graham Hill - de Villeneuve naquele fim de semana do primeiro GP da Austrália em Melbourne.

sábado, 5 de março de 2011

Memória Blog F-1: Austrália 2005



FÁBIO ANDRADE



Há exatos seis anos, num 5 de março, também num sábado, a primeira atividade oficial da temporada de 2005 tinha início em Melbourne. Eram os treinos livres para o GP da Austrália, em Albert Park. Os treinos classificatórios vinham em novo formato, com a posição de largada sendo decidida depois de duas voltas rápidas cujos tempos seriam somados. A bizarrice em questão era parte do pacote de mudanças de uma Fórmula-1 que queria ver se conseguia, enfim, trazer alguma surpresa ao fim da corrida, algo diferente de uma dobradinha da Ferrari comandada por Michael Schumacher.


A outra novidade de 2005 eram os pneus. Estavam proibidas as trocas durante as corridas. Esse pacotão de novidades, junto às mudanças que a F-1 já havia implantado em 2003, eram tentativas de oxigenar a competição e de introduzir uma maior imprevisibilidade às corridas. O alvo lógico de tudo isso era o conjunto imbatível da Ferrari, que, não por acaso, aplicou sovas históricas na concorrência nos anos anteriores às mudanças de regulamento.


Em 2003 a coisa quase deu certo. A Ferrari não veio com um carrão invencível e McLaren e Williams embolaram a briga. Na última corrida, em Suzuka, Kimi Raikkonen chegou com condições de desbancar o então pentacampeão Schumi, mas a condução sólida e a vitória de Rubens Barrichello garantiram o título mais apertado de Schumacher em seus anos de glória em Maranello.


No treino classificatório para o GP da Austrália de 2005 a nova regra para a classificação somada à chuva que caiu sobre Albert Park gerou um grid de largada, no mínimo, estranho. Giancarlo Fisichella sagrou-se pole, apenas pela segunda vez numa carreira que já tinha nove anos na F-1. Na primeira fila, ao lado de Fisichella, estava o outro italiano, Jarno Trulli, com a improvável Toyota. A seguir vinham Mark Webber com a Williams, Jacques Villeneuve com a Sauber e David Coulthard com a novata Red Bull. A primeira Ferrari só aparecia na sexta fila, e com Rubens Barrichello, na 11ª posição. Schumacher completou apenas uma das duas voltas rápidas a que tinha direito e largou no 18º lugar.


Nas 57 voltas da corrida no domingo, Fisichella foi soberano. Perdeu a ponta apenas quando precisou fazer seu pit stop para reabastecer o R25. Venceu com autoridade fazendo com que, por pouco tempo, desse para acreditar que a Itália finalmente deixaria de ter pilotos atuando apenas como coadjuvantes. Infelizmente para o Físico, a vitória em Melbourne foi uma chuva de verão. Nas três corridas seguintes, (Malásia, Bahrein e Ímola) o italiano seria vítima de três abandonos. Afastado da liderança do mundial, restou a Fisichella o papel de escudeiro de Fernando Alonso na briga pelo título.


Mas a corrida ainda teve mais. O próprio Alonso foi um dos destaques. Depois de partir da 13ª posição, o espanhol cruzou a linha de chegada num excelente terceiro lugar, atrás de Rubens Barrichello. Também em grande forma, o brasileiro completou a corrida em segundo.


Já Schumacher parou na 42ª volta. Ao tentar negociar uma ultrapassagem com Nick Heidfeld, o alemão da Ferrari exagerou. Em perseguição ao alemão da Williams, Schumacher tirou Heidfeld do traçado e o obrigou a pisar fora do traçado. Ao sair da pista, Heidfeld ficou com a direção comprometida e acertou o F-2005 do heptacampeão. O abandono de ambos foi um presságio tanto para a Williams como para a Ferrari. Para os italianos, foi indício do ano complicado que viria. Para os ingleses, selou um longo período de espera por vitórias. Desde o triunfo na última corrida de 2004 - com Juan Pablo Montoya no GP do Brasil - a Williams não vence mais na Fórmula-1.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A boa notícia para a McLaren



ANDERSON NASCIMENTO


A McLaren foi uma das equipes que mais comemorou a decisão do cancelamento da etapa bahrenita da Fórmula 1, que marcaria a abertura da temporada da categoria. O motivo é que a equipe pode usar as duas semanas a mais até o GP da Austrália (que se tornou o primeiro do ano) para evoluir o MP4-26 que apresentou problemas além do esperado nos testes coletivos realizados na Espanha.



O novo modelo da equipe de Woking possui problemas em ter uma boa performance em ‘stints’ longos, ou em configurações de corrida. Os engenheiros e mecânicos da equipe ainda procuram entender como os pneus, o carro e os sistemas (especialmente o KERS) funcionam juntos. Será necessário compreender mais durante os próximos testes o quanto as mudanças mais radicais do carro influenciam em seu desempenho.

Mesmo com muitos pontos negativos jogando contra o time de Martin Whitmarsh, o fato de ter Jenson Button a bordo de um de seus cockpits é uma grande chance de obter um bom resultado nas corridas iniciais onde se conhece pouco sobre o comportamento dos pneus durante uma corrida de verdade. O cerebral e ótimo piloto inglês quando o assunto é estratégia pode compensar os “defeitos” que a equipe talvez ainda traga para as primeiras etapas do campeonato.

Lewis Hamilton já chegou a reclamar, mas a equipe afirma que tudo está saindo como o esperado e que poderão chegar na Austrália em condições iguais aos carros da Red Bull e Ferrari. Apesar de parecer pequeno o tempo de duas semanas a mais para trabalhar no crescimento de um carro tão complexo quanto o MP4-26, quem conhece bem o potencial dos mecânicos e engenheiros da Fórmula 1 sabe que muita coisa pode ser modificada e muito trabalho pode ser feito em quinze dias. Além disso, a McLaren, por zelar de um profissionalismo a altura de sua tradição, está ainda mais otimista quanto a melhoria de seu carro.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Três vezes Alonso



FELIPE MACIEL



GP do Bahrein: Vroooooommm!


GP da Austrália: Não quero saber!


GP da Malásia: Embreagem pra quê?

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Melbourne



FELIPE MACIEL



No ar, a edição número 73 da Rádio OnBoard!

O trio formado por Ron Groo, Fábio Campos e eu comentou o empolgante GP da Austrália com todos os seus pontos altos e as pequenas polêmicas derivadas desta prova movimentada. Ao fim do programa, os comentaristas expõem uma visão crítica do trato dado pela Globo e pela Band ao automobilismo.


Clique para ouvirClique para baixar



Retornamos semana que vem, após a passagem da F-1 pela Malásia para a realização da terceira etapa do Mundial, antes do primeiro intervalo de 3 semanas do ano. Até a próxima.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dupla de equipe: GP da Austrália



FELIPE MACIEL



Strike do Kobayashi


Confesso que até agora não entendi bem o acidente do Koba. De todo modo foi plasticamente impressionante, apesar de inofensivo para os padrões de segurança da F-1 de hoje. Sobre o Kobayashi é interessante notar que em nenhum momento ele chegou perto das exibições realizadas no Brasil e em Abu Dhabi.

Fábio Andrade



Não ficou claro a causa do acidente, tudo o que vi foi a asa dianteira se desmanchar da mesma forma que aconteceu no 1° treino livre. Se tiver sido uma recorrente falha boba como essa, então a Sauber tem um problema que é acima de tudo relativo à segurança!

Quanto à batida em si, sinceramente não lembro qual foi a última vez que usei a palavra "strike" com tanta convicção... Uma STR e uma Williams no meio da curva atingidos em cheio por um carro fora de controle em altíssima velocidade. Que pancão foi aquele?!

Felipe Maciel



Ferrari


Muito se fala que a Red Bull é a equipe mais forte do ano, e isso realmente é fato, ao menos nas classificações, mas o RB6 precisa terminar corridas. Em se tratando de eficiência nas corridas como um todo, a Ferrari é a equipe mais bem sucedida do ano, apesar de não ter tido um desempenho brilhante até aqui.

Fábio Andrade



O coleguismo da Ferrari é de se tirar o chapéu. Não que isso contribua com o julgamento emocional das corridas, mas fundamenta perfeitamente a filosofia moderna da escuderia e a eficácia do jogo de equipe. Se não podemos dizer que Felipe e Fernando usaram do "unidos venceremos", então diremos que criaram o "unidos terminaremos". Ambos ficaram juntos na pista, sem esboçar confronto interno, se respeitando e trabalhando em equipe por um resultado sólido.

Massa enfrentou problemas com os compostos Bridgestone durante todo o fim de semana mas fez a façanha de subir ao pódio. Sem contar que para os pneus melhorarem a temperatura, precisavam estar gastos. Sofrendo todo tipo de ataque durante o GP, brigou o quanto pôde e saiu num lucrativo 3° lugar. Já Alonso se atrapalhou na largada e fez uma prova de recuperação inacreditável. Não fosse a rodada na curva 1, tinha tudo para sonhar com a segunda vitória consecutiva.

Felipe Maciel



Hispania


É louvável que o Chandhok tenha chegado ao final numa equipe que passa por tantos problemas, mas além disso há pouco a acresentar. Terminar 5 voltas atrás não é propriamente algo que mereça comentários mais elogiosos.

Fábio Andrade



Parece piada mas o único carro de equipe nova que completou o GP foi o da HRT... A Hispania fez o que nem a Virgin conseguiu até hoje: Terminar a corrida. Quem diria? Karun Chandhok fez o milagre de levar aquela carroça até o fim. Ganhou o dia, afinal era o máximo com o que poderia sonhar. Chegar em 14° será a maior glória de um piloto da Hispania pelos próximos 17 GPs...

Felipe Maciel



Jenson Button


Confesso que nunca vi Button como um piloto acima da média, mas a temporada dele na Brawn me cativou, talvez pela figura simples que ele aparenta ser, talvez pela simpatia imediata que a gente tende a ter por quem surge como novidade. Mas o negócio é que fiquei autenticamente contente pela vitória dele. Quebrou as apostas da maioria, já que quase todo mundo esperava que a Red Bull ou a Ferrari discutissem a vitória. Foi o triunfo de quem arriscou, numa leitura muitíssimo correta da corrida. E também de quem teve a legítima sorte de campeão pelo abandono do Vettel.

A vitória do Button deu uma injeção de novos ares num campeonato que já vinha muito polarizado entre Red Bull e Ferrari, apesar de ainda estar no começo.

Fábio Andrade



Quando todos acharam que o Button tinha feito a maior bobagem, ele estava na verdade começando a construir sua vitória. A mudança de pneus foi a tática acertada e a saída do Vettel abriu caminho para a vitória do campeão logo em sua segunda corrida de McLaren! Nem vou lembrar que ele levou um passão do Hamilton no começo da corrida...

Felipe Maciel



Hamilton x Webber


Os dois, junto com o Kubica, o Massa e o Alonso (e o Rosberg, em menor escala) foram o centro das atenções da corrida, o pólo de acontecimentos do GP da Austrália. Pelas circunstâncias da corrida eles, Hamilton e Webber, aparentaram ter os carros mais equilibrados do meio do bloco. Foram agressivos durante toda a prova, fizeram uma bela corrida, trouxeram de volta o sabor de uma competição realmente disputada na pista, com todos os prós e os contra inerentes a isso. A colisão entre os dois na disputa de posição com Alonso faz parte.

A transmissão global da F-1 é muito judiada por todo mundo, mas hoje, pelo menos hoje, eu me permito concordar com o Galvão: o GP da Austrália foi uma corrida de grandes pilotos, que erram e que acertam em igual proporção. Porque apesar da fantasia de super homem que o esporte a motor mitifica, o automobilismo ainda é disputado por seres humanos. Hamilton e Webber podem não ter conquistado resultados expressivos, mas deram cores mais vivas à corrida.

Fábio Andrade



Esses dois tiraram o GP da Austrália pra se engalfinhar. Lewis foi o showman do GP, mas Webber não deixou por menos depois que o inglês mandou ele se aposentar em praça pública.

No comecinho, quando ambos haviam acabado de passar o Massa, eles se tocaram e o Felipe retomou a posição. Mais no final, quando partiam para cima de Alonso, se acharam no meio da curva e foram parar na brita. Mais parecia briga de kartista. Grandes duelos, sem dúvida!

Felipe Maciel



Tradução sem Burti


Ficou infinitamente mais difícil decifrar as conversas de rádio sem o Burti, apesar de eu até gostar disso. Acho que a “F-1 Big Brother” é um pouco sem sentido, apesar de nos revelar algumas passagens curiosas.

Acho que mais difícil foi aturar a esclerose do Galvão, que tava com tudo ontem, e a transmissão da FOM, que se perdeu em diversos momentos da corrida.

Fábio Andrade



Vou ter que sugerir à Globo que da próxima vez que o Burti não puder participar, ao menos convoquem o fulaninho que faz a tradução simultânea depois do pódio no Sportv.

Ou então que o narrador instale um aplicativo moderno no celular que resolva o problema com o inglês instantaneamente. Melhor que brincar de trocar SMS durante a transmissão.

Agora ficou claro: antes de comentarista, Burti é acima de tudo um indispensável tradutor de conversas de rádio.

Felipe Maciel

domingo, 28 de março de 2010

Button surpreende e vence na Austrália



FÁBIO ANDRADE



Nem mesmo Jenson Button, o vencedor da corrida, poderia imaginar a vitória conquistada no GP da Austrália. A prova foi tão cheia de alternativas que é até difícil escolher por onde começar.



Pelo começo, então, façamos um acordo: o campeonato começou pra valer hoje, na Austrália, que é onde ele sempre começa.

Não entendo porque começar a temporada fora de Melbourne. O início de ano no Albert Park, com suas áreas verdes, seus cursos d’água, seu ambiente mais interessado e sua pista traiçoeira me parecem infinitamente mais apropriados do que o cenário desértico do Bahrein. O tilkódromo árido do oriente médio é desértico em todas as suas concepções. É um deserto tradicional, de areia, óbvio, mas também é um deserto no que diz respeito ao público e à própria competição motorizada, que fica enjoada de si mesma num lugar tão calculadamente planejado. O Bahrein não parece um bom cartão de visitas. É frio por ser metódico. A Austrália sim é convidativa, causa boa impressão a qualquer convidado, talvez porque seja uma pista de rua veloz, onde o imponderável está ali, numa mera escapada de pista.

Jenson Button que o diga. Quem poderia imaginar que aquele McLaren que foi aos boxes prematuramente e saiu do pit lane com zero de aderência venceria a corrida? Foi a vitória do risco, de quem se atreveu a fazer uma parada só e ir em frente, numa corrida que calou com lições simples os que alegavam falta de pulsação na F-1. Bastou retirar a exagerada capacidade de frenagem dos carros no início da prova, com o piso escorregadio, e as ultrapassagens aconteceram. Bastou conceder liberdade para que pilotos e equipes escolhessem parar mais uma vez ou ir até o final e a corrida prendeu a atenção do público até o fim.
A chuva, uma aliada

Quase a totalidade das corridas consideradas “emocionantes” pela maioria do público tiveram o auxílio da chuva para atingir tal feito nos últimos tempos. Talvez sem a chuva a largada não tivesse sido tão inusitada, com Felipe Massa, piloto com (injustificada) fama de “bundão” sob piso úmido, disparando como um jato, da 5ª para a 2ª posição e com Button, Fernando Alonso e Michael Schumacher se enrolando logo na primeira curva. Nessa primeira curva ninguém apostaria um centavo na vitória de Button, nem na recuperação de Alonso, que caiu para último.



A movimentação e a rotatividade de favoritos à vitória foi imensa. A corrida esteve nas mãos da Red Bull, pareceu caminhar para uma dobradinha da McLaren e terminou com um piloto Renault e um piloto Ferrari no pódio.

Menções honrosas a Robert Kubica, que além do talento natural, parece ter especial afeição pelo circuito australiano. O polonês terminaria a corrida do ano passado em 3º, não tivesse se envolvido num acidente infantil com Sebastian Vettel a 3 voltas do final. Mas hoje tudo deu certo para o polaco, que se aproveitou bem das confusões e pulou da 9ª para a 2ª posição e não se intimidou com os avanços da Ferrari de Felipe Massa.

O brasileiro também foi um bravo. Rompeu, finalmente, com os maus desempenhos em Melbourne ao conseguir seu primeiro pódio na pista australiana. Não parece ter sido fácil, pois durante toda a corrida ficou a impressão de que Massa tinha em mãos um carro desequilibrado. Em determinado momento sua corrida pareceu prejudicada pela equipe, mas o saldo final é amplamente positivo: Massa é o único piloto a ir ao pódio nas duas corridas realizadas até aqui e segue Alonso de perto na classificação do mundial de pilotos.

Alonso foi o nome da corrida. Tocado no início do grande prêmio, pareceu ter seu final de semana arruinado ao cair para último. Mas o espanhol se livrou rapidamente dos carros mais fracos e logo retornou aos lugares pontuáveis. No fim da corrida resistiu bravamente às investidas de Hamilton, mesmo estando com os pneus mais desgastados. E ainda deu uma aula sobre como defender uma posição de maneira limpa: vendeu caro a ultrapassagem ao inglês ao fechar a porta, mas de forma limpa. Sobrou para Lewis e para Mark Webber.

E se Webber frustrou a torcida local, a Red Bull, outra vez, é a grande nota triste, outra vez. A dobradinha fulminante do treino classificatório pareceu ser o anúncio de uma vitória fácil, mas restou ao time comemorar os magros dois pontos conquistados por Webber. Vettel, outra vez vítima de problemas em seu carro, dessa vez nos freios, cai para um indigesto 7º lugar na classificação do mundial, o que é obviamente pouco para o time que é apontado como o melhor do início de temporada.



Mas o toque de melancolia mais marcante do dia é de outro alemão, esse consagrado como o maior piloto da F-1 pelas estatísticas. Relegado ao fim do pelotão pelo incidente da largada, Michael Schumacher sofreu para recuperar posições, passando diversas e diversas voltas negociando uma ultrapassagem com o modesto Toro Rosso de Jaime Alguersuari. É difícil lembrar de Schumacher em situação tão vexatória, mas talvez o mundial demore mais algum tempo para começar de verdade para o heptacampeão.
Grande Prêmio da Austrália, após 58 voltas:

sábado, 27 de março de 2010

Vettel confirma favoritismo da Red Bull em Melbourne



FÁBIO ANDRADE



Confirmando expectativas a Red Bull foi soberana nos treinos classificatórios para o GP da Austrália. Não foi, porém, o homem da casa, Mark Webber, quem marcou a pole position. Sebastian Vettel estragou a festa do ídolo local e cravou a melhor volta do fim de semana em Melbourne, sendo o único a andar abaixo da marca do 1m24s e quebrando o recorde da pista australiana, que já durava 6 anos.



O treino desse sábado foi marcado pelo domínio absoluto da Red Bull. Vettel foi o mais rápido em todas as etapas da classificação, dando ao time austríaco a condição de franco favorito para a corrida de amanhã.

No pelotão de trás a disparidade para com os líderes não foi tão gritante, apesar de ainda ser grande. Se no Bahrein os carros da HRT ficaram a 10 segundos da pole, na Austrália a diferença foi de meros 6,6 segundos.

Como de costume, o Q1 nocauteou os dois HRT, os dois Virgin e os dois Lotus e mais o azarado da vez, que no caso foi o russo Vitaly Petrov da Renault.
Com medo da multa...

No Q2 a grande surpresa foi Lewis Hamilton, que não conseguiu avançar para a fase final da classificação e largará em 11º amanhã. Depois dos incidentes com a polícia australiana por excesso de velocidade já há quem diga que o campeão de 2008 ficou receoso e tirou o pé para não levar outra multa...



O Q3 de Melbourne contou praticamente com os mesmos participantes do de Melbourne, a exceção por conta de Lewis Hamilton, substituído na Austrália por Rubens Barrichello, a grande surpresa do Top 10 australiano.

A briga pela posição de honra se resumiu, no final das contas, aos dois pilotos da Red Bull. Mark Webber chegou a flertar com a pole, mas Sebastian Vettel, cada vez mais consagrado como poleman, foi buscar 116 milagrosos milésimos para fazer a volta mais rápida.

Entre as brigas internas, chamou atenção a grande diferença de rendimento entre Fernando Alonso e Felipe Massa na Ferrari, que se repetiu durante todo o treino. Em entrevista ao repórter Carlos Gil, da Tv Globo, o piloto brasileiro justificou a performance ruim alegando dificuldades no aquecimento dos pneus e consequente falta de aderência.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Austrália:

quinta-feira, 25 de março de 2010

Pré-Austrália



FÁBIO ANDRADE



Duas pequenas observações em tópicos porque o tempo é curto:

- A Ferrari já vai para Melbourne com um cartucho queimado: já trocou os propulsores de seus dois carros no Bahrein, de sábado para domingo, e apesar de afirmar que vai reutilizar esses motores durante o ano, o sinal de alerta se acendeu em Maranello. Ainda mais porque mesmo de motor novo no domingo, Felipe Massa enfrentou problemas de superaquecimento na parte final do GP do Bahrein. O brasileiro tentou tranqüilizar afirmando hoje em Melbourne que o problema em seu carro “não foi sério”, mas já faz um certo tempo que o equipamento com a grife Ferrari não inspira a confiança de outrora. Para a corrida de Albert Park o time rubro vai usar o mesmo motor que terminou a corrida no Sakhir.

 - Muito se fala sobre o GP da Austrália e sobre as boas corridas que sempre acontecem por lá. E é mesmo verdade. Albert Park, com seu misto de pista de corrida e parque citadino promove uma realidade que se vê cada vez menos nos circuitos da F-1: a da proibição de erros. Se em Xangai ou Abu Dhabi  os erros raramente resultam em abandono para os pilotos devido às longas áreas de escape, em Melbourne os muros estão sempre próximos, prontos a acolher quem se desviar da pista.



Além disso, a corrida em Melbourne possui outra particularidade: das 14 provas disputadas em Albert Park desde 1996, em 10 o vencedor sagrou-se campeão do mundo no fim da temporada, incluindo os 4 últimos campeões: Fernando Alonso, Kimi Raikkonen, Lewis Hamilton e Jenson Button.

terça-feira, 2 de março de 2010

Um Outro Encontro de Campeões



FÁBIO ANDRADE



O post é rápido, tão sintético que é quase digno de estar no Twitter.

A organização do GP do Bahrein solicitou a presença de todos os campeões da história da Fórmula-1 no autódromo barenita do Sakhir, dia 14, ocasião em que começará a temporada 2010, a que comemora os 60 anos de vida da categoria.

Dos 18 campeões vivos, apenas 2 não deverão estar presentes na comemoração: o brasileiro tricampeão Nelson Piquet (campeão em 1981/83/87) e o finlandês Kimi Raikkonen (campeão em 2007).

Lendo sobre a comemoração, me lembrei desse post do Capelli, que conta a história de uma outra reunião histórica de campeões, em Adelaide, no GP da Austrália de 1990.

Era a corrida de número 500 da história da F-1 e a organizção também bolou um encontro entre feras, algumas delas essenciais para a solidificação e permanência da ideia da F-1 como categoria máxima na mente de milhões de pessoas.



Sobre o que será que os gênios conversam quando se encontram?