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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Rádio OnBoard - Edição de Sepang

No ar a edição número 109 da Rádio OnBoard!

Na companhia do Ron Groo e do Fábio Campos, debatemos os principais tópicos que se destacaram no GP da Malásia, como desgaste de pneus, ultrapassagens, disputas de pista, acidentes e punições.



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No final de semana que se avizinha, estaremos ao vivo no link de sempre, comentando o GP da China a partir das 19h do sábado. Até a próxima!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Deu no Jornal Nacional



FÁBIO ANDRADE



Reginaldo Leme diz: “a nova Fórmula-1, que não tinha sido tão nova assim na abertura do mundial, agora deu as caras - ...”


Corte para imagem da câmera onboard do carro de Mark Webber, que vai perdendo várias posições antes da primeira curva.


As imagens seguem, e a edição escolhe a colisão entre Alonso e Hamilton, uma fritada de pneus de di Resta e o salto de Petrov para ilustrar a fala de Reginaldo Leme, que continua de onde havia parado:


“... e promete muita ação nas dezessete etapas seguintes.”


As 59 paradas de boxes são citadas, como também o KERS e a asa móvel, agora com imagens que de fato ilustram o texto que é declamado pelo comentarista na reportagem. Não se explica como funcionam essas traquitanas, nem se isso é relevante e muito menos se faz sentido dentro da dinâmica histórica da F-1. Mas ok, ok, é o Jornal Nacional, que possui suas questões de relevância, suas idiossincracias quanto ao tempo de exibição das matérias e a missão de “mostrar aquilo que de mais importante aconteceu no Brasil e no mundo, naquele dia, com isenção, pluraridade, clareza e correção”, como William Bonner repete 3674 vezes em JN - Modo de Fazer. E é lógico que enquanto um desequilibrado entra numa escola atirando em dezenas de crianças a Fórmula-1 não se configure como o prato principal de uma edição do JN.


Mas enfim, não é do JN que quero falar. Ou na verdade é, mas não especificamente dele. É que o começo da matéria guarda um paralelismo importante com o atual momento da categoria máxima do automobilismo. Nos primeiros segundos da matéria levada ao ar na segunda-feira, enquanto Reginaldo Leme fala da nova Fórmula-1, a imagem que acompanha a fala do veterano jornalista é a de um carro perdendo posições. E quando Reginaldo segue dizendo que a temporada promete mais emoção, o que o telespectador vê? 1) uma batida frívola entre dois campeões mundiais que resultou em uma dupla canetada sem sentido por parte dos comissários 2) Paul di Resta travando o dianteiro esquerdo e 3) Petrov saindo da pista e sendo arremessado pra cima por uma irregularidade no gramado que rodeia a pista de Sepang.


Onde está a real emoção nesses três lances?


Eis a cara da temporada de 2011 até aqui, com seus pneus feitos de papel, seu turbinho elétrico e suas asas que se abrem, mas não fazem voar. A impressão é de que nada parece ser o que realmente é. Quer dizer, nada além da incontestável qualidade da dobradinha Red Bull-Vettel até aqui.


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domingo, 10 de abril de 2011

Soberano, Vettel vence na Malásia e amplia vantagem



FÁBIO ANDRADE


A chuva rondou o autódromo de Sepang, ameaçadora, mas apesar da tempestade que as nuvens negras do horizonte sugeriam, o máximo que se viu durante o GP da Malásia foram uns pingos esparsos, insuficientes para mudar a história da corrida. Melhor para Sebastian Vettel, que depois de duas corridas, duas poles e duas vitórias já possui uma vantagem de 24 pontos sobre Jenson Button, o concorrente mais próximo na contagem dos pontos.



O menino, o sorriso, o sinal de positivo: tudo tem dado certo para Vettel em 2011

Sem a chuva e com o fortíssimo calor equatorial da Malásia os pneus Pirelli finalmente cumpriram a promessa de se consumirem rapidamente. Dos 16 pilotos que completaram a prova, 13 fizeram três paradas ou mais. A grande degradação e os diferentes estágios de conservação dos pneus entre carros próximos propiciaram as brigas por posição, mas o primeiro lugar esteve impavidamente sob controle de Vettel e da Red Bull durante toda a corrida.



Chove não molha

Houve uma época em que os Renaults apavoravam as outras equipes nas largadas. No biênio 2005/2006 esse era um dos grandes trunfos da equipe para terror das adversárias - primeiro a McLaren e no ano seguinte a Ferrari. Os carros do time gaulês tinham o mais eficiente sistema de largada do grid e revertiam posições inconvenientes no grid com as largadas perfeitas, em que papavam várias posições.



Nick Heidfeld e Vitaly Petrov trouxeram de volta essa lembrança na largada de Sepang. Heidfeld ganhou quatro posições na partida, saltando de sexto para segundo. Petrov pulou da oitava para a quinta posição, enquanto as McLaren perderam terreno. Ninguém, no entanto, sofreu tantas perdas de posições como Mark Webber, que despencou do terceiro para o décimo lugar.


Durante o primeiro terço da corrida, com as posições relativamente assentadas, pilotos, equipe e câmeras olhavam para o céu. Como é típico da Malásia, a chuva sempre surge como possibilidade e de fato alguns pingos foram denunciados pelas câmeras onboard dos carros e por conversas de rádio entre pilotos e equipes. Mas o grande temporal de fim de tarde não veio, passou ao largo da pista, e a corrida seguiu rumo ao primeiro round de pit stops.


Com pouco mais de 10 voltas completadas começaram as paradas nos boxes. Como aconteceu na Austrália, praticamente todos os pilotos optam pelos pneus macios na primeira metade da corrida, já que os duros não rendem tão bem e não duram tanto a ponto de serem uma alternativa vantajosa.


As posições se mantiveram praticamente inalteradas, à exceção da demora da Ferrari no pit stop de Felipe Massa. Prejudicado, o brasileiro ainda foi pescar um quinto lugar no final da prova.



Senna e Prost?

Galvão Bueno lembrou da curiosa declaração de Lewis Hamilton semanas atrás, quando o britânico se referiu à sua rivalidade com Fernando Alonso citando a briga entre Ayrton Senna e Alain Prost. De fato, Hamilton e Alonso viveram uma relação acalorada quando dividiram ao meio a equipe McLaren, tal como os dois campeões do passado. Os titãs de hoje se encontraram, mas Alonso não fez jus ao cerebral professor Prost. Na disputa com Hamilton o espanhol calculou mal o espaço e avariou a asa dianteira de sua Ferrari ao tocar com o McLaren do inglês, que teve muita sorte de não ter o pneu furado.



Petrov também fez das suas. Com os pneus desgastados, escapou da pista, passeou na grama e foi catapultado por um salto no terreno. Voltou pra pista pousando desengonçado como um pelicano. O impacto do retorno ao solo fez quebrar a barra de direção do Renault, que felizmente já estava em baixa velocidade próximo da lateral da pista.


Se Petrov não completou a prova, Heidfeld honrou a Renault com o terceiro lugar, o segundo pódio consecutivo do time que parece finalmente ter voltado a acertar o projeto de um carro. Segue a pergunta: o que Kubica estaria fazendo guiando o R31?



Dois pódios em duas corridas para a equipe Renault


Vettel 100%

As duas vitórias em duas corridas e a inconstância dos adversários já fazem de Vettel o homem a ser caçado em 2011. Seus 50 pontos contra os 26 de Button quase configuram a vantagem simbólica de uma vitória. Ainda é cedo para falar em favoritismos plenos, mas o RB7, ainda que sem a margem absurda de superioridade demonstrada em Melbourne, é o grande carro do momento, mesmo continuando a não usar o KERS. A falta do sistema de recuperação de energia cinética pode complicar a vida dos pilotos da Red Bull na hora das ultrapassagens - como ficou claro em vários momentos do GP da Malásia com Mark Webber, que precisou recuperar terreno depois da má largada - mas não parece ser um grande problema quando se larga da frente. É isso que ensinam as duas vitórias de Vettel.



Grande Prêmio da Malásia, resultado após 56 voltas:

sábado, 9 de abril de 2011

Vettel rouba pole de Hamilton na Malásia



FÁBIO ANDRADE


A cada coelho tirado da cartola, Sebastian Vettel se parece mais com Michael Schumacher. Como assim qual Michael Schumacher? Isso não é pergunta que se faça, caro leitor. É lógico que falo aqui do Mega-Schumi, uma espécie de super-herói, um Super Homem vestido de vermelho cuja kryptonita foi uma aposentadoria de três anos. Vettel se parece com esse Schumi. Ok, a analogia já foi feita diversas vezes, mas não falo da semelhança entre os alemães no âmbito da obstinação, do “ser multivitorioso” que Schumacher foi e que Vettel caminha para ser. Falo de uma característica quase esquecida do heptacampeão, um detalhe, é verdade, algo sobre o qual quase ninguém se debruçou: as voltas voadoras no último minuto de classificação, a velocidade precisa e a precisão cirúrgica, a pole roubada quando o adversário já sentia o gostinho doce na boca. “Com o melhor carro é fácil”, dirá o mais incauto. Concordo, mas o RB7 não deu em Sepang o show que havia dado em Melbourne.



A Hispania vai, a Williams fica

Não é nada para ser comemorar, afinal, a Hispania deve terminar a corrida algumas voltas atrás do líder, mas ao menos o time vai ter o direito de largar para as 56 voltas do GP da Malásia. Dessa vez o time coube na cota de 7% com cerca de um segundo de folga. O tempo limite para largar é de 1min43s516. Narain Karthikeyan, o último, cravou o tempo de 1min42s574.


O que definitivamente ninguém irá comemorar é a (falta de) performance da Williams. O time de Grove fez uma pré-temporada classificada como promissora, mas aí vem a temporada real e lembra a todos que os testes de inverno nunca permitem a real avaliação do potencial dos carros. Com algum otimismo, esperava-se que a Williams brigasse com Mercedes e Renault pelo posto de “melhor depois das três”. Mas a realidade da equipe britânica é bem mais dura: Pastor Maldonado ficou com o 18º posto, fora da classificação ao final do Q1. Rubens Barrichello avançou para o Q2 com alguma dificuldade e não passou do 15º lugar.



Vettel hoje o Schumacher de ontem

Michael Schumacher abandonando o treino ao fim do Q2 enquanto Nico Rosberg consegue pular para o Q3. Já virou rotina e a história repetiu-se em Sepang, com direito à feição preocupada de Ross Brawn ao fim da transmissão, com a face voltada para o nada e balançando a cabeça em sinal negativo. O mundo dá voltas.



Quem também deu muitas voltas em Sepang foi Lewis Hamilton. O campeão de 2008 foi quem mais andou na classificação desse sábado. Foram 19 voltas, a melhor delas em 1min34s974. Isso depois de, no Q2, Jenson Button ter cravado 1min35s569, dando à McLaren não o status de favorita - pois o RB7 ainda é o grande carro do ano - mas de equipe desafiante na briga pela pole em Sepang.


Com sua volta abaixo de 1min35s, Hamilton tinha então grandes chances de ser o pole, já que o inglês foi o primeiro a virar na casa de 1min34s. Hamilton poderia sim ser o pole, não fosse o fato de Sebastian Vettel ainda estar em volta rápida. E o mundo todo já aprendeu que a combinação Adrian Newey + Vettel + sessão classificatória é quase um sinônimo de pole para o guri alemão.


E assim se fez, Vettel cravou mais um pole, a 17ª em 63 corridas disputadas, um aproveitamento de cerca de 27% em classificações. É importante sublinhar: para cada 4 sessões classificatórias Vettel foi pole em pelo menos uma. É uma frequência notável se comparada, por exemplo, com o número de poles de Fernando Alonso, bicampeão e reconhecidamente uma referência entre os melhores pilotos dos últimos anos. O espanhol tem 20 poles em 158 disputados, uma média de 12% de aproveitamento. É óbvio que são carreiras com desenhos e trajetórias diferentes, pois enquanto Vettel queimou etapas e muito velozmente chegou a uma equipe top, Alonso passou por um período de maturação mais extenso desde sua estreia na F-1, em 2001, até disputar de fato um título, em 2005. Mesmo assim, é de impressionar a precisão do alemãozinho na voltas voadoras, quando todas as grandes qualidades de um piloto são evocadas em seu nível máximo.



Michael Schumacher não era um prodígio apenas no sábado, era dominador também nos domingos, e assim construiu seu império de títulos. Para chegar às sete taças contou com a incrível eficiência da Ferrari em seus melhores anos, algo que a Red Bull deu a impressão de que ia aprender a fazer, sobretudo depois do desempenho acachapante da equipe austríaca no GP da Austrália há 15 dias. Em Sepang, entretanto e pelo menos até agora, não se viu aquele domínio absurdo que Vettel exerceu sobre a concorrência no Albert Park. A pole foi conquistada com uma dose maior de suor na Malásia, o que pode sugerir que a McLaren vem mais forte sob forte calor e em pistas com curvas de alta em sequência, características mais presentes em Sepang do que no Albert Park.


A largada para o GP da Malásia será às 5 da manhã de domingo, com transmissão ao vivo pela TV Globo. Segundo o Weather Channel, há 60% de chances de chover durante toda a extensão da corrida, e a chuva pode vir forte e acompanhada de trovoadas. Caso a possibilidade se confirme, será a primeira experiência com os pneus de chuva da Pirelli - que não agradaram os pilotos devido à baixa aderência - em corrida.



Grid de largada para o Grande Prêmio da Malásia:

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Webber ganha força antes da corrida na Malásia



ANDERSON NASCIMENTO


Pelo que deu pra perceber já nas duas primeiras sessões de treinos livres para o GP da Malásia é que Mark Webber não está tão mal assim. Por isso, é sempre válido aquele lembrete de que ainda é muito cedo para se constatar definitivamente o rumo das equipes e pilotos para durante o ano. O que deu a entender no seu fraco desempenho na Austrália é que Webber não corre e nunca correu bem em casa.

É difícil afirmar que ele poderá bater Sebastian Vettel neste fim de semana, mas o que o australiano demonstrou nesta madrugada passada aqui no Brasil levantou um tom bem otimista para ele. Era visível que sua frustração por ter ido tão mal comparado ao seu companheiro no GP realizado em sua terra natal. Assim que Webber saiu do carro sua insatisfação ficou evidente.

[caption id="" align="aligncenter" width="700" caption="Mark Webber foi o melhor nas duas primeiras sessões de treino"]Red Bull, Mark Webber[/caption]

No entanto, o piloto do carro número 2 não é muito de ficar se queixando sem motivos e também não costuma aparecer à público para dar sua cara a tapa. Foi apenas a primeira corrida e Webber sabe mais do que ninguém as condições que o RB7 lhe dá para poder brigar por vitórias. Comparando com Vettel, pode ser que o veterano não esteja psicologicamente tão bem. O atual campeão vem de um momento de consagração e de tomar um novo fôlego depois de conquistar seu primeiro título mundial; o garoto está se divertindo. Já Webber, pode-se dizer que está com a corda no pescoço na Red Bull. Se não fizer um bom campeonato pode dar adeus ao time taurino no final da temporada e talvez perder sua maior chance de realizar o sonho do título.

Treinos Livres

Com respeito aos treinos livres, não teve como não notar o tamanho da superioridade da Red Bull, ou melhor de Webber, especialmente na primeira sessão. O australiano colocou mais de 1s6 em cima do segundo colocado Lewis Hamilton. Algo assustador, de fato. Porém, a tabela de tempo nos treinos livres pode não significar tanta coisa. A diferença muito provavelmente não está girando neste tamanho todo e para salientar ainda mais a dúvida de desempenho dos carros no primeiro treino, o vencedor do GP da Austrália foi apenas o 17º.

Na segunda sessão, Webber impôs novo domínio e fechou novamente na frente. A diferença foi praticamente nula, mas o piloto da escuderia austríaca bateu o tempo de Jenson Button por apenas 0,005s. Hamilton e Vettel também apareceram bem próximos, dando a forte impressão de que as duas equipes, McLaren e Red Bull deverão duelar pela vitória caso a corrida aconteça em circunstâncias normais (sem chuva).

Confira os tempos do Treino Livre 2:
1°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min36s876 (24 voltas)
2°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 0s005 (30)
3°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 0s134 (23)
4°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), a 0s214 (30)
5°. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 1s212 (26)
6°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 1s213 (31)
7°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 1s689 (25)
8°. Nick Heidfeld (ALE/Renault), a 1s694 (16)
9°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 1s707 (27)
10°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1s970 (31)
11°. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), a 2s092 (25)
12°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 2s311 (30)
13°. Vitaly Petrov (RUS/Renault), a 2s391 (17)
14°. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), a 2s522 (29)
15°. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), a 2s727 (34)
16°. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), a 2s749 (31)
17°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 2s933 (28)
18°. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 3s239 (31)
19°. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), a 3s990 (24)
20°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Renault), a 5s014 (19)
21°. Narain Karthikeyan (IND/Hispania-Cosworth) a 6s321 (15)
22°. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), a 7s115 (14)
23°. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Renault), a 8s010 (4)
24°. Jérome D'Ambrosio (BEL/Virgin-Cosworth), Sem tempo

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Chuva e pneus serão decisivos na Malásia



ANDERSON NASCIMENTO


A Red Bull pode não encontrar um caminho tão fácil para vencer desta vez. O GP da Malásia deverá apresentar fatores que colocarão as equipes em um maior equilíbrio, mesmo que alguns pilotos afirmem que a aerodinâmica é mais importante em Sepang e, por isso, os austríacos poderão levar ainda mais vantagem.

Desgaste excessivo dos pneus aumentam as chances de surpresas na corrida

O que vale como defesa da afirmação de que Sebastian Vettel ou Mark Webber não terão facilidade neste próximo fim de semana é o forte calor, ou se ele não ocorrer, a chuva que promete vir no domingo durante a corrida. Se em condições normais a estratégia nesta temporada será uma questão bastante importante para a conquista dos melhores resultados, em situações atípicas uma boa estratégia é fundamental. Engenheiros e pilotos terão muito mais trabalho em conseguir encontrar a melhor saída.

Desse modo, não se pode descartar uma surpresa no pelotão da frente, no pódio ou quem sabe vencendo a corrida. A temporada teve apenas uma etapa e suas certezas ainda são poucas e pequenas demais para definir exatamente que a Red Bull estará tão forte como esteve com Vettel em Melbourne agora em Sepang. Por isso, mesmo que seja difícil de imaginar não descartaria uma vitória de uma equipe mediana debaixo de chuva ou em um calor que exija quatro paradas da maioria dos carros.

A Renault mostrou que pode andar bem, a Williams também possui um carro que deixou os torcedores otimistas apesar do problema de confiabilidade do KERS e do câmbio. Além disso, a Sauber é outra equipe que pode se dar muito bem se as coisas não ocorrem dentro dos conformes.

- Como funcionam os pneus de chuva

Um vídeo mostra exatamente como funciona os pneus para pista molhada. É legal ver no vídeo abaixo como os desenhos dos pneus influenciam muito no trabalho de eliminar a água e fazer com que o carro se estabilize nas melhores condições possíveis.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Rádio OnBoard - Edição Pré-Malásia



FELIPE MACIEL


Está no ar a edição número 108 da Rádio OnBoard!

Um tema melancólico nos leva Fábio Campos, Ron Groo e eu a comentar a etapa de Interlagos da Copa Montana desse final de semana, onde um grave acidente vitimou o piloto Gustavo Sondermann, que não resistiu.

Falamos também sobre a Fórmula 1, que chega a Sepang para disputar a segunda corrida do Mundial 2011. Além disso, levantamos um tópico de boa discussão, sugerida por nosso ouvinte, a respeito dos principais nomes da F1 atual.


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Neste fim de semana tem corrida, portanto tem programa ao vivo Pre Race, a partir das 20h do sábado. Te esperamos lá!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Memória Blog F-1: Duas para o final - 1999



FÁBIO ANDRADE


Michael Schumacher e a Ferrari chegavam a 1999 pressionados. A seca de títulos se estendia por 20 anos e o alemão, contratado a peso de ouro para reverter o quadro do time italiano em 1996, falhou miseravelmente em todas as tentativas até então. Para 99, o projetista Rory Byrne entregou a Schumacher e a Eddie Irvine o F-399, modelo com o qual Maranello esperava voltas aos dias de glória.


O campeonato corria com uma bela disputa entre Schumacher e Mika Hakkinen até o GP da Grã-Bretanha. Em Silverstone Schumi sofreu seu mais grave acidente. Teve a perna direita fraturada e retirou-se definitivamente da briga pelo mundial.




[caption id="" align="aligncenter" width="390" caption="O acidente que tirou Schumi de combate durante parte de 1999"]O acidente que tirou Schumi de combate durante parte de 1999[/caption]

Só que a Ferrari, apesar de não contar com sua estrela, não podia parar. Mesmo que Irvine fosse um muito improvável campeão como piloto, o mundial de construtores ainda estava em jogo. Para o lugar de Schumacher foi chamado o piloto de testes Mika Salo. E, na falta de alguém melhor, Irvine foi alçado ao patamar de primeiro piloto de Maranello.


Com o irlandês como homem do time, a Ferrari faturou os gp’s da Áustria e da Alemanha. Durante a ausência de Schumi, Hakkinen venceu apenas na Hungria. O campeonato chegava ao desconhecido circuito de Sepang, para o inédito GP da Malásia, equilibrado. Hakkinen era o líder com 62 pontos, seguido de muito perto por Irvine, com 60.


Operado em agosto, Schumacher, num primeiro momento, anunciou que só retornaria às atividades oficiais da F-1 em 2000. Ficava sobre Irvine e Salo a responsabilidade de conduzir a Ferrari ao seu primeiro título em duas décadas. No início de outubro, porém, uma reviravolta mudou todas as perspectivas para a corrida malaia. Após alguns testes em Mugello, Schumi anunciou que retornaria para as duas últimas etapas do mundial, Sepang e Suzuka. Só que agora, como escudeiro.


O retorno de Schumacher deu uma injeção de ânimo aos ferraristas. Na classificação, o alemão cravou a pole fazendo um tempo quase um segundo melhor do que o de Irvine, para perplexidade geral. As McLaren ficaram ainda mais longe. David Coulthard em terceiro e Hakkinen em quarto foram 1,1s mais lentos do que o alemão.


No domingo, Schumacher largou e comandou o pelotão, mas logo tratou de deixar claro que voltou para jogar pelo time. Na quarta volta o alemão cedeu a posição a Irvine e passou a atuar como escudeiro, segurando Hakkinen. A estratégia deu certo e a Ferrari conquistou uma dobradinha, com Irvine a liderar. Porém, horas depois, um comunicado da FIA causaria grande decepção na equipe italiana.




[caption id="" align="aligncenter" width="400" caption="Irvine, o vencedor do GP da Malásia"]Irvine, o vencedor do GP da Malásia[/caption]

Depois de terminado o GP da Malásia a FIA informou que os carros 3 e 4 estavam desclassificados da corrida por irregularidades nos defletores. Segundo peritos, esses apêndices da F-399 eram 10 milímetros menores do que o exigido pelo regulamento. Hakkinen faturava o bicampeonato fora das pistas.


A Ferrari recorreu da decisão. Na apelação a equipe argumentou que a medida dos defletores estava dentro da margem de 5 milímetros contemplada no regulamento. A FIA analisou a assertiva do time de Maranello e, por fim, admitiu que os defletores do carro da Ferrari estavam dentro da margem. Equipe e pilotos tiveram os pontos conquistados em Sepang devolvidos e a briga pelo mundial chegava ainda indefinida a última etapa do calendário, Suzuka. Irvine chegou ao Japão com 70 pontos, contra 66 de Hakkinen. Apesar disso, o título escapou, restando a Schumacher a tarefa de finalmente conquistá-lo no ano seguinte.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Três vezes Alonso



FELIPE MACIEL



GP do Bahrein: Vroooooommm!


GP da Austrália: Não quero saber!


GP da Malásia: Embreagem pra quê?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Rádio OnBoard- Edição de Sepang



FELIPE MACIEL


Ao lado dos amigos Ron Groo e Fábio Campos, fizemos um bom levantamento dos principais acontecimentos do GP da Malásia, incluindo as pequenas polêmicas do fim de semana, e minha difícil missão de explicar aos críticos do Hamilton que a manobra do inglês não é passível de punição.

Desconsidere minha voz ligeiramente fragilizada pela gripe e dê o play em os nossos comentários sobre esta bela corrida!



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A Rádio OnBoard apóia a competição online F1 Champion que acompanha a temporada 2010 da F-1 e reserva vários prêmios aos melhores jogadores, sendo o maior deles nada menos que o super netbook da Acer! Os participantes já receberam o resultado do GP da Malásia e a disputa fica melhor a cada etapa. Ainda há tempo para se inscrever...

Retornaremos na semana que antecede o GP da China com mais uma edição. Até lá!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Regularidade ainda pesa mais que vitória



FELIPE MACIEL



Seria até mais fácil provar o que está demonstrado neste post usando apenas as proporções matemáticas de cada sistema de pontuação. Mas como a análise feita com dados concretos são mais inteligíveis e aceitáveis, façamos a comparação da classificação da F-1 após os 3 primeiros GPs de 2010 com os modelos de pontuação anteriores. Logo chegaremos à conclusão de que o formato que confere 25 pontos ao vencedor apresenta muito mais semelhanças com seu predecessor que supervalorizava a regularidade.

À esquerda está representado o revolucionário 25-18-12-10-8-6-4-2-1. No canto superior direito, seu antecessor 10-8-6-5-4-3-2-1. Já na parte inferior direita, surge o distinto 10-6-4-3-2-1, que deixou de existir ao fim de 2002, quando a FIA desandou a fazer regras infelizes.



Atualmente, Felipe Massa lidera o campeonato sem ter vencido nenhuma corrida. Vettel, Alonso e Button subiram ao topo do pódio uma vez cada um, mas na tabela são superados pela regularidade do brasileiro, que soma 2 pódios contra 1 de cada vencedor de GP.

Caso vigorasse o sistema vigente até o ano passado, nada mudaria entre eles. Na verdade, a única alteração seria a perda de posição de Button para Rosberg, que no momento se encontram empatados.

Já em comparação com o bom e velho 10-6-4, tudo se inverte. Vettel e Alonso sobem para a ponta, deixando Massa em 3°. Button, mesmo terminando uma corrida em 7° e outra em 8° (ou seja, não pontuaria em duas provas), estaria empatado com o Felipe, que por sua vez ostenta abandono zero, 100% dos GPs na zona de pontuação e dois pódios.

A conclusão é óbvia: a ampla diferença de pontos no novo modelo de pontuação induz os espectadores a acreditar que a vitória está mais valorizada do que nos últimos anos. Ledo engano.



Quando a FIA desistiu de lançar o sistema 25-20-15 para implementar o 25-18-15, ela não potencializou vantagem alguma ao vencedor. Ela apenas criou uma desvantagem para o 2° colocado. Mas para o 3° lugar, o 4°, o 5° ou o 6° é como se o sistema de pontuação não tivesse sido alterado, uma vez que a mudança de proporção de pontos para essas posições é desprezível.

Finalmente, esqueça esse papo de que o formato de pontos inaugurado em 2010 privilegia a vitória. Ele está aí para disparar o número de pontos na temporada agradando a espectadores médios e a patrocinadores, além de ampliar a chance de equipes inferiores pontuarem. Essa Fórmula 1 "democrática" foi uma mera invenção da FIA após a debandada das montadoras e a entrada de equipes que não possuíam orçamento à altura.

Pena que questões de momento provocam mudanças que desfiguram toda a história da categoria. Agora qualquer moleque com 4 ou 5 anos de F-1 pode se gabar por ter mais pontos que o Ayrton Senna.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dupla de equipe: GP da Malásia

Sebastian Vettel


Tava na hora, né? Acho justo, porque o moleque seguia pra vitória nas outras duas corridas e ficou no meio do caminho por problemas fora do seu controle. Talvez o dia hoje fosse do Webber, mas o australiano perdeu a corrida nos primeiros 300 metros ao perder a posição pro alemãozinho. Inclusive, já tá começando a pegar mal chamar o Vettel de alemãozinho, porque suas vitórias sempre são com desempenho de gente grande.

Fábio Andrade



Vettel fez tudo certinho, largou muito bem, aplicou o ritmo certo para andar na frente sem ser ameaçado, liderou as voltas que tinha que liderar... Enfim, foi impecável como sempre. A única diferença em relação aos outros GPs é que dessa vez a Liz Voluptuosa não lhe deu um bolo. Vitória incontestavelmente merecida.

Felipe Maciel



Motor Ferrari


É o grande "#fail" da equipe de Maranello. E é curioso porque em 2010 a Ferrari pode sofrer com a fragilidade dos propulsores, sobretudo no fim da temporada. Não sei os números exatos, mas parece que os rossos já usaram mais motores do que o máximo desejável pra essa altura do campeonato.

Fábio Andrade



Se continuar nesse ritmo, cada piloto usará 19 motores ao longo da temporada. Sem mais.

Felipe Maciel



Chandhok vs Senna


Bem, o indiano terminou uma volta a frente do brasileiro hoje, mas confesso que ainda não sei o motivo e nem se isso faz mesmo grande diferença. Mas a Hispania cumpriu bem o seu script, que é tentar terminar as corridas e ponto.

Fábio Andrade



Desde a pré-temporada, quando a Campos escancarou a vergonha que o time seria, eu passei a julgar que o melhor que o Bruno tinha a fazer era pular desse barco. Arrumasse uma vaga de test driver preferencialmente num time grande, se mantivesse numa ambiente mais alto nível, fizesse qualquer coisa, mas que não entrasse na pista para disputar com seu companheiro de equipe quem seria o último no GP nem com quantas voltas de desvantagem eles terminariam.

A cada corrida eu tenho ainda mais convicção do que pensava. Na Malásia, Bruno foi superado pelo Chandhok durante todo o final de semana. Não vejo o que ele tem a ganhar na Hispania, mas sei o que tem a perder. Pilotos de altíssimo potencial foram queimados recentemente na F-1 por terem se equivocado logo na porta de entrada. Espero que não se torne mais um.

Felipe Maciel



Hamilton vs Petrov


A dona Petrova, a mãe do Vitaly, deve ter exultado quando viu o filho dar aquele passão no Lewis. Um dos pontos altos da corrida, e chama a atenção para o fato de a Renault ter sido subestimada durante a pré-temporada porque o carro não parece tão ruim como parecera antes. Petrov vai sofrer muito tendo um companheiro como Kubica.

Ok, sobre o zigue-zague do Hamilton: eu condenaria em outras ocasiões, mas achei gozado ver o inglês quebrar uma dessas convenções não-escritas acordadas nos briefing dos pilotos. Prontofalei.

Fábio Andrade



Assim o Lewis vai se tornar o rei das polêmicas das regras não redigidas! A F-1 tem regras extra-oficiais, geradas pelo bom senso. Como aquela que diz que se alguém cortar caminho e devolver posição está tudo ok. O episódio de Spa-08 é só mais um exemplo de confusão que ele se meteu graças a seu espírito explosivo focado na vitória de qualquer duelo.

Sobre o rebolation com o Petrov, eu não puniria. Não tem regra definitiva, nesse caso não existe o preto no branco, cada um enxerga de um jeito. Se Lewis mudasse várias vezes a trajetória para fechar o Petrov na trajetória do russo, eu exigiria algo além da advertência. Mas o que ocorreu foi que Vitaly imitou a trajetória de Hamilton em busca do vácuo. Ora, se a trajetória é uma só para ambos, ninguém tem que ser punido. A punição só deve existir quando duas trajetórias distintas se "cruzam" várias vezes. Conclusão: não gostei nem da advertência.

Felipe Maciel



Meteorologia


Aqui em Vitória os antigos dizem que a chuva é certeira se encobrir o Monte Mestre Álvaro. Acredito mais na sabedoria popular do que na do Climatempo, apesar de admitir que eu também me equivoquei hoje. Quase todos nós acreditávamos na chuva como minha prima de 2 anos acredita em coelho da páscoa. Foi um engano coletivo.

Fábio Andrade



Disseram que não choveria no treino mas cairia uma tempestade na corrida. O treino foi disputado completamente no molhado, com direito a bandeira vermelha. Já na corrida nem uma gota.

Independente da graça meteorológica, ficou provado que chuva no treino basta para termos um bom GP. A classe A largando do fundão já é garantia de ultrapassagens até o fim.

Felipe Maciel



Tabela classificatória


Desde o começo eu era simpático ao movimento que queria valorizar a vitória, mas nunca gostei muito dessa quantidade de pontos tão grande e de tantos lugares pontuáveis. Mas, dos males o menor. Ver o Vettel saltar do 7º para o 3º lugar foi bacana na classificação, deu pra ter ideia de como a vitória voltou a dar ao piloto vencedor o poder de reação, algo que se perdeu com a pontuação que vigorou de 2003 e 2009.

Fábio Andrade



O sistema de classificação atual não valoriza a vitória, tanto é que o líder ainda não venceu. Mas pela primeira vez Massa ocupa o topo da tabela classificatória na F-1, mais do que justo a quem já fez por merecer esse gostinho.

Também é interessante ver 7 pilotos separados por menos de 10 pontos: 39-37-37-35-35-31-30. Só não se esqueçam que o homem a ser batido deveria possuir neste momento 75 pontos, não fosse um par de infortúnios. Se a confiabilidade do RB6 na Malásia começar a se repetir, a dissociação de certos números vai ser violenta.

Felipe Maciel

domingo, 4 de abril de 2010

No seco, Vettel lidera dobradinha da Red Bull na Malásia



FÁBIO ANDRADE



Era chegada, finalmente, a hora de vencer. E depois de tantas vezes bater na trave, não se pode negar a justiça da vitória de Sebastian Vettel hoje no GP da Malásia. O alemão da Red Bull fez uma corrida tão irretocável que só apareceu na transmisão televisiva na largada e na chegada. Superou seu companheiro de equipe na partida e daí em diante desapareceu, tanto porque imprimiu um forte ritmo de corrida, como porque sumiu das telas da tv durante o restante das 56 voltas da corrida.



Vettel ficou na penumbra porque a tv tinha com o que se ocupar. Largando do fundo do grid, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa movimentaram a corrida. A chuva, tão aguardada, parece ter sofrido um ataque de estrelismo, e não apareceu no dia de gala. Restou então a essas estrelas que vivem abaixo do firmamento chamadas pilotos garantirem o ingresso do público malaio e a manhã de vigília dos brasileiros.
O necessário Hamilton

O fim do reabastecimento ainda é assunto porque ainda se observam todas as mudanças no comportamento dos pilotos. Não há mais a expectativa de ultrapassagens nos boxes (se há ela foi em muito reduzida) e os pilotos precisam se resolver por seus próprios meios. E aí acabam problemas de arrasto, turbulência, super freios e carros desequilibrados. Quando se precisa ganhar uma posição, até mesmo um tilkódromo pode se converter numa pista de verdade.

Lewis Hamilton é um dos mais notáveis pilotos do atual grid quando o assunto é ultrapassagem. Vão falar, e muito, da manobra do britânico pra defender-se do russo Vitaly Petrov, afinal, uma defesa de posição tão "malandra" era algo que não se via há muito tempo. Mas, afinal, por que aquelas pessoas se sentam num carro de corrida a cada 15 dias, a não ser com o objetivo de ir ao limite a cada segundo? O destemor, como bem foi observado no GP da Austrália, é, certamente, a maior qualidade e o pior defeito de Hamilton, e é também aquilo que faz o campeão de 2008 ser amado por uns e odiado por outros tantos. Hamilton é, portanto, um piloto mais do que desejável nessa F-1 sem reabastecimento, ele é necessário, porque com pneus frios e tanque cheio, no início da corrida, não mediu esforços para ganhar quantas posições pudesse. Ainda falta um grande resultado ao britânico em 2010, é verdade, mas tal como o tempo fez justiça a Vettel, certamente a hora de Hamilton vai chegar.



Enquanto Hamilton era o grande personagem das primeiras voltas, Massa, Alonso e Button ficaram para trás. Não chegaram a ser geniais na largada porque estavam em entre carros 2 segundos mais lentos. Ganhar 7 posições de rivais tão modestos não é algo digno de ser chamado de desafio. Mas no passar das voltas todos demonstraram grande competência ao extrair o máximo de seus equipamentos, sobretudo Alonso, com problemas de câmbio que eram audíveis perante as câmeras onboard. É questionável a tática de Button de trocar os pneus duros por macios logo na 6ª volta e talvez o atual campeão tenha sido o mais fraco do quarteto Ferrari-McLaren, mas, se serve de consolo, houve gente com menos sorte.

Antes confiabilíssimos, o equipamento com a grife Ferrari já não exibe a mesma durabilidade há tempo. E se Schumacher era o rei da sorte no time de Maranello, como se fosse imune a quebras, o começo de carreira de Fernando Alonso na equipe italiana encontrou em Sepang seu ponto baixo. A quebra foi particularmente cruel para o asturiano como só as quebras no finzinho de corridas podem ser, e porque entregou a Felipe Massa a liderança do campeonato.



Massa teve seu grande momento ao ultrapassar Button, apesar de continuar reclamando de falta de aderência na F10. Lá na frente, apesar de apagados na transmissão da tv, Nico Rosberg, Robert Kubica a Adrian Sutil tiveram conduções competentes, demonstrando, mais uma vez, que a geração que chega tem qualidade de sobra.

E qualidade é artigo do qual a Red Bull está bem servida. Dominante na corrida, a equipe finalmente enfrentou um fim de semana sem quebras. Era o que bastava para pintar a vitória, tão apoteótica como só as dobradinhas podem ser. E se o objetivo da nova distribuição de pontos era privilegiar a vitória, Vettel mostra que a mudança cumpriu o prometido. O alemão pulou da 7ª para a 3ª posição do campeonato mundial. A volta do poder de reação, castrada pela pontuação vigente entre 2003 e 2009, é a melhor novidade do GP da Malásia.
Grande Prêmio da Malásia, após 56 voltas:

1°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1h33min48s412
2°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s8
3°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s5
4°. Robert Kubica (POL/Renault), a 18s5
5°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 21s0
6°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 23s4
7°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 27s0
8°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 37s9
9°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1min10s6
10°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), a 1min13s3
11°. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1min18s9
12°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 1 volta
13°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 2 voltas
14°. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), a 3 voltas
15°. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), a 3 voltas
16°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), a 4 voltas
17°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), a 5 voltas

sábado, 3 de abril de 2010

Sob forte chuva, Webber é pole na Malásia



FÁBIO ANDRADE



A chuva costuma trazer surpresas e embaralhar a lógica da Fórmula-1, e num ambiente equatorial como a Malásia, carros e pilotos disputaram uma sessão de classificação como não se via desde o último GP do Brasil: forte chuva, muitas saídas de pista, alguns dos favoritos fora do Q3 e a bandeira vermelha tremulando nas mãos dos comissários.

A chuva caiu sobre o circuito de Sepang durante toda a sessão, mas o atraso de hoje foi muito menor do que o ocorrido na última qualificação em Interlagos. O estrago para os postulantes ao título, no entanto, foi semelhante. A começar pela dupla da Ferrari e por Lewis Hamilton, eliminados logo no Q1. O trio de pilotos das equipes de ponta saiu para tentar a volta rápida exatamente no momento em que a chuva atingia maior intensidade e não conseguiu passar adiante nas etapas do qualifying.

Quem também não teve sorte na pista malaia foi Jenson Button. O atual campeão até conseguiu marcar um tempo que o habilitou para o Q2, mas rodou e foi parar na caixa de brita na volta de desaceleração. Encalhado na área de escape, Button ficou impedido de participar do restante do treino.

Ao final do Q3 duas das equipes que normalmente ocupam o fim do grid conseguiram avançar: Lotus e Virgin, ainda que a última apenas com Timo Glock.

Durante o Q2 a pista esteve instável. Nos 15 minutos de atividades houve tempo para a chuva ir e vir. Como era de se esperar, Lotus e Virgin sucumbiram, na companhia de Petrov, de La Rosa, Buemi e Alguersuari.

O Q3, com sobra de vagas, abrigou vários pilotos que raramente têm chance de brigar pela pole até o final. Nico Hulkenberg e Kamui Kobayashi foram as maiores surpresas. O desempenho da Force Índia mais uma vez se mostrou sólido, e os dois pilotos da equipe também foram até a última etapa da classificação.

Foi durante a Superpole que a chuva caiu com mais força. Num incrível replay da tempestade que interrompeu o GP da Malásia de 2009, uma tormenta desabou sobre o autódromo, cobrindo as lentes das câmeras de branco. Restando 7 minutos e 17 segundos para o encerramento do treino e antes que algum piloto completasse uma volta no Q3, a bandeira vermelha interrompeu a classificação em função da forte chuva.

Foram cerca de 15 minutos de espera até que as atividades fossem retomadas. E no fim das contas a pole position não foi nenhuma zebra: Mark Webber, com extremo senso de oportunidade, conquistou para a Red Bull a 3ª pole em 3 corridas. O piloto australiano foi o único a perceber que a pista já apresentava condições para uso dos pneus intermediários, enquanto os outros 9 competidores usavam os pneus de chuva forte.



Dessa forma Webber conseguiu ser mais de um segundo melhor do que o restante dos pilotos. Nico Rosberg, da Mercedes, marcou o 2º tempo e Sebastian Vettel, companheiro de Webber, o 3º.

Para além de uma corrida divertida, com 4 dos melhores carros e pilotos partindo do fundo do pelotão, a expectativa para o GP da Malásia é sobre as condições climáticas. Pelo que se viu hoje na classificação, não custa muito para que se repita na corrida o que se viu no ano passado, ocasião em que, das 56 voltas previstas, apenas 31 foram concluídas por causa da forte chuva. Os treinos classificatórios de hoje foram realizados no horário em que a corrida será disputada amanhã e nunca é demais lembrar que em regiões de clima equatorial a chuva cai forte e pontualmente ao fim da tarde. Se novamente a corrida malaia tiver de ser interrompida por causa da água, a F-1 novamente vai perder a guerra contra o clima.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Malásia:

1°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min49s327
2°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min50s673
3°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min50s789
4°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), 1min50s914
5°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), 1min51s001
6°. Robert Kubica (POL/Renault), 1min51s051
7°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), 1min51s511
8°. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min51s717
9°. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min51s767
10°. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes), 1min52s254
11°. Vitaly Petrov (RUS/Renault), 1min48s760
12°. Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari), 1min48s771
13°. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), 1min49s207
14°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), 1min49s464
15°. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth), 1min52s270
16°. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), 1min52s520
17°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), sem tempo
18°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), 1min52s884
19°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min53s044
20°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min53s050
21°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min53s283
22°. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), 1min56s299
23°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), 1min57s269
24°. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), 1min59s977

quarta-feira, 31 de março de 2010

Chuva no GP da Malásia: bom ou ruim?



FELIPE MACIEL



A chuva não é um personagem muito comum nos GPs da Malásia. Mas no ano passado Bernie Ecclestone resolveu correr o risco de dar a largada mais tardiamente, numa displicente provocação a São Pedro, que sempre ataca no final da tarde nessa época do ano.

Nós tivemos em 2009 uma meia corrida em pista seca que foi de tirar o fôlego. Sim, no seco a Fórmula 1 fez um show, que ironicamente teve de ser interrompido pela chuva.

A perda de luz natural causou o encerramento do GP, mas o fator gerador da paralisação da corrida na verdade foi a própria chuva. Uma tempestade desceu com toda força, tornando as condições inguiáveis para qualquer piloto.




Ou seja, chuva na Malásia tem potencial de sobra para congelar a prova, ao invés de colaborar com o espetáculo. Se vai haver relargada depois ou não, é outra história.

E nessa história entra a pequena minimização do risco tomado pelos dirigentes, que determinaram o começo da prova 1h antes em relação à última temporada, quando a etapa iniciada às 15h locais foi interrompida na 31ª das 56 voltas.

Em 2010, as luzes vermelhas se apagam às 16h em Sepang. E a meteorologia já espera água. Resta-nos torcer para que não seja outro dilúvio. A F-1 se submete ao risco de repetir o vexame graças à atuação financeira da FOM, que visa um lucro forçado abrindo mão do horário ideal e pondo em jogo o andamento da prova.



A pista de Kuala Lumpur não é tida como um local especial para ultrapassagens, mas tem a brilhante capacidade de alternar corridas monótonas com grandes lances, como esse ocorrido em 2008, numa disputa de 3.

O velho circuito do Tilke apresenta largura até exagerada para colaborar com as disputas. Retas principal e oposta bem longas, trajetória de curvas suavemente arredondadas, desenhadas numa época em que não lhe exigiam tantos cotovelos. Eu diria que o irmão mais novo de Sepang é Xangai; são traçados que possuem certas semelhanças mas você nunca sabe se deve esperar um belo GP ou uma madrugada sonolenta.

Algo me faz estar otimista para a 12ª edição do Grande Prêmio da Malásia. Não sei se motivado pela corrida da Austrália ou por esta previsão de chuva - afinal, um possível banho bem dosado na pista não nos deixaria motivos para reclamar...