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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Whitmarsh desmente suposta ordem de equipe



FELIPE MACIEL



Os ecos da Turquia seguem tilintando na cabeça de muita gente na Fórmula 1. No caso da Red Bull, o chefe Christian Horner falou pelos cotovelos a respeito da batida. Já no caso da McLaren, demorou mas chegou a vez de Martin Whitmarsh dar sua versão do conflito.

O vídeo da FOM denunciou o momento em que Phil Prew garantia a Hamilton que Button não tentaria lhe roubar a vitória. A conversa de rádio ocorreu imediatamente antes de Jenson iniciar o ataque, que terminou com a manutenção de Lewis na ponta.



Antes mesmo do duelo, a equipe já alertava seus pilotos sobre a necessidade de se economizar combustível. Após o pega, o pit wall reenviou a mensagem para frear o ritmo dos dois. Hamilton se distanciou e cruzou em primeiro com Button completando a dobradinha. A explicação de Whitmarsh é a seguinte: Phil Prew enganou-se; apenas isso, nada mais.

Comentários registrados na íntegra...
Pouco depois que ele foi informado de que Jenson não o ultrapassaria, Jenson o fez. Phil deu sua opinião a Lewis e depois isso mudou. Ambos são pilotos e tinham um desafio na pista, eles sabem disso.

A corrida se desenvolveu um pouco mais rápida que o esperado. Então nós estávamos consumindo mais combustível do que tínhamos imaginado. Por isso tivemos que encontrar maneiras de economizar.

Inevitavelmente, surge um dilema à medida em que você se aproxima do fim da corrida sobre o quão duro você pode correr. Acho que ficou amplamente demonstrado que uma equipe e seus pilotos podem cometer esse erro, mas não há dúvida de que nossos dois pilotos querem ganhar corridas, em contrapartida eles estavam sendo orientados a cuidar do combustível. Como conseqüência disso, Phil Prew tinha a opinião de que Jenson não ultrapassaria, o que provavelmente foi um erro de julgamento.

Mas eu não acredito que fosse esperado que o Lewis levantaria tanto o pé na curva 8. Jenson, que é um piloto de corridas, quando o viu aliviar tanto na curva 8, pensou que aquela seria sua oportunidade, e então partiu para o ataque.

Eles sabem que eles são pilotos de corrida. Lewis até ficou surpreso com a informação passada pelo rádio. Ele perguntou, e Phil Prew, que é o engenheiro-chefe, deu uma resposta instintiva e imediata, já que ele não achava que Jenson iria tentar passar.

Mas Lewis não estava disposto a ceder o primeiro lugar de forma fácil; acho que ele fez uma belíssima ultrapassagem para garantir sua permanência na liderança.

Martin Whitmarsh



Por mais que o histórico da equipe conte a favor, fico com a pulga atrás da orelha com essa versão explanada pelo Martin. Ele pode estar mesmo reportando a verdade, mas sinceramente, neste caso específico, não o condenaria caso de fato houvesse uma intenção da equipe em evitar a briga no final. Depois que as duas Red Bull's se enroscaram daquela forma, não adianta dizer que os prateados assistiriam a um combate interno sem tremer nas bases. O medo é, antes de mais nada, um instinto de sobrevivência. E ver a RBR morrer na praia foi uma lambança exemplar que não poderia ser repetida de modo algum logo em seguida. Mérito dos campeões, que deram uma aula de como se digladiar na pista explorando o máximo da adrenalina sem desrespeitar o parceiro nem trazer danos ao time. A elegância britânica é notável tanto sobre o asfalto quanto diante da mídia. A rivalidade entre Hamilton e Button é a mais nobre, limpa e bonita de se ver nesta temporada.

Para o GP do Canadá, porém, a expectativa é de um embate entre equipes. A McLaren, cada vez mais próxima da Red Bull, traz mais atualizações aerodinâmicas buscando ameaçar de vez o poderio dos energéticos no campeonato. Ritmo de corrida eles já provaram que possuem. Alcançar Webber e Vettel no qualifying deve ser a chave do próximo fim de semana.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Button, o escolhido... de Hamilton

No ano passado, a rádio paddock dizia que Hamilton havia vetado o fechamento de contrato com Rosberg. Depois a conversa era de que o inglês estava vetando a ida do Raikkonen para a McLaren. Não sabemos se existia algo de real nos boatos, é possível que não; a única verdade da história só veio à tona agora, com Lewis contando quem escolheu como substituto de Kovalainen.
Uma coisa que vocês não sabem é que eu liguei para Martin e disse "o que você acha de Jenson?", antes mesmo que eles começassem a negociar. Naquela época, eu ligava para os dirigentes e perguntava "o que está acontecendo? Estou lendo diferentes histórias sobre diferentes pilotos. O que está acontecendo?". Felizmente, me falaram quem eram os cotados, e mesmo não tendo influência, eu perguntei "vocês já falaram com o Button?". E por que Jenson? Porque ele é o melhor piloto que há, e eles queriam o melhor piloto possível.

Lewis Hamilton



Parece que a equipe combinou bem as palavras. Martin Whitmarsh confirmou que "enquanto avaliávamos o mercado de pilotos, Lewis foi consistentemente positivo sobre Jenson", destacando o respeito mútuo entre os dois.

Button, por sua vez, revelou ter começado a conversa com o próprio Hamilton: "Falamos um pouco sobre isso em Abu Dhabi e no Brasil, mas não sobre eu estar aqui. Eu estava interessado, mas sendo muito intrometido. Não achei que existia essa opção, nunca pensei nisso."



É difícil dizer o quanto de verdade e de ficção tem nesses discursos. A McLaren anda muito preocupada em mostrar que o clima na equipe será amigável, ao contrário do desastre ocorrido há poucos anos. Particularmente, até acredito que será. Assim como Massa e Raikkonen formaram uma dupla amistosa na Ferrari, Jenson e Lewis também podem seguir esse estilo.

Mesmo porque o Button não é sujeito de ego inflado. Woking pode ter certa preferência por Hamilton, mas detém a frieza necessária para agir da maneira correta com ambos os campeões.