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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Fórmula-1 sem a Oito

Das novidades do calendário de 2012 da Fórmula-1, a maior delas talvez não seja a volta dos Estados Unidos à categoria e sim a ausência da Turquia. Disputado desde 2005 no Istambul Park, o GP da Turquia, depois de sete edições, deixará como lembranças o incrível domínio de Felipe Massa entre 2006 e 2008 e o desenho da Curva Oito, talvez a única criação realmente memorável de Hermann Tilke.

Tido - não por mim, que prefiro Sepang - como o melhor circuito projetado pelo arquiteto alemão, o Istambul Park é um dos poucos da temporada em que se corre no sentido antihorário. Além disso, e que seja digno de nota, o traçado tem a Oito, uma sequência de quatro tomadas à esquerda feitas a uma média de 270 km/h. É Sebastian Vettel quem explica: “a Curva Oito é sensacional, todos os anos tentamos fazê-la de pé embaixo. É veloz e extremamente ondulada, então você mal consegue ver para onde está indo. Você vira e torce pelo melhor”.

Numa análise técnica divulgada pela Mercedes, alguns dados incríveis sobre a Oito são revelados: a curva tem 640 metros de extensão, o que equivale a cerca de 12% da extensão dos 5338 metros do traçado de Istambul Park e os carros levam, em média, 8,5s para percorrê-la. Os pilotos levam mais tempo - 8,7s - para contornar a curva 1 de Xangai, mas nela perde-se muito tempo com a desaceleração e a velocidade é bem menor. Já na Oito, a desaceleração é sutil: a velocidade mínima nas duas primeiras tomadas - que são um pouco sacrificadas para otimizar o contorno da curva como um todo - costuma ser de 260 km/h.



Contornar a Oito exerce uma pressão brutal sobre os pilotos, expostos a enorme pressão média de 3,5G durante a curva, com a força de 4,5G sendo sustentada por dois segundos e pico de 5G.
O retorno à América

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Reprodução topográfica da pista de Austin, nos Estados Unidos"][/caption]

A Fórmula-1 deixará de contornar a Oito para se dirigir a outra criação de Hermann Tilke: a pista de Austin, na cidade americana do Texas, também, assinada pelo arquiteto alemão, será a sede do GP dos Estados Unidos, marcado para retornar à Fórmula em 18 de novembro de 2012. Ao contrário do se poderia imaginar, a etapa americana não será disputada em dobradinha com o GP do Canadá, como acontecia até 2007. O gp americano será a penúltima etapa do mundial do ano que vem, seguido pelo GP do Brasil, que encerrará o campeonato uma semana depois em Interlagos.

A abertura da temporada de 2012 seguirá a tradição: Melbourne abrirá o mundial do ano que vem e o Bahrein, que costumava ser a segunda prova, foi movido um pouco para frente. A prova barenita - adiada em 2011 em função dos protestos da população contra o regime político do país - será a quarta e encerrará o pequeno tour oriental da Fórmula-1 no início do ano.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Rádio OnBoard - Edição de Istambul

No ar a edição número 112 da Rádio OnBoard!

O time formado por Ron Groo, Fábio Campos e eu comentou o GP da Turquia, que marcou a retomada de Vettel ao topo do pódio, numa corrida repleta por ultrapassagens, conforme a banalização sugerida pelo regulamento. Alguns desempenhos de pilotos e equipes também mereceram destaque numa etapa cheia de alternativas como esta de Istambul.



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Voltamos na próxima semana, atualizando as informações da F-1 e comentando a chegada da categoria ao circuito de Montmeló. Até a próxima.

domingo, 8 de maio de 2011

Até o regulamento foi derrotado por Vettel na Turquia

Debruçar-se sobre tudo o que aconteceu no GP da Turquia seria loucura. Em todas as 58 voltas da corrida em Istambul havia pontos de tensão. De Button e Hamilton revivendo o duelo de 2010 nas mesmas curvas esse ano até Schumacher se enroscando com adversários em carros mais fracos, passando por Massa e Button se enfrentando durante boa parte da corrida. Ação não faltou no GP da Turquia e esse parece ser outro ponto fundamental dessa temporada. Há uma hiperestimulação em curso. Seja nos volantes do carros, recheados de botãozinhos e traquitanas, até a transmissão televisiva. É difícil ter 5 minutos para ir ao banheiro durante as corridas, mas não me parece lícito reclamar por causa de corridas divertidas. Melhor assim do que as procissões burocráticas.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Hamilton e Button duelam. E é sempre bom ver companheiros de equipe disputando abertamente"][/caption]

Mas se é verdade que as corridas seguem num ritmo de acontecimentos muito veloz, há também muita informação para apurar. E a Fórmula-1, que deseja sempre ampliar o volume de espectadores, enche a tela de informações durante toda a corrida. Já não basta saber quem está em qual posição, mas também quantas voltas ele já deu com aquele pneu, qual o tipo de pneu foi ou não usado por determinado piloto... As corridas estão se decidindo na pista, sim, mas elas estão totalmente envoltas em informações abstratas que nem sempre ficam claras para o espectador médio. Exige-se uma certa “ciência” para entender as corridas e não necessariamente há demérito nisso. Só não parece ser a tática mais inteligente para quem quer ganhar público.


Uma das ferramentas que talvez endosse esse tipo de percepção é a asa móvel. É preciso saber em que ponto da pista ela pode ser usada e a partir de que volta ela pode ser acionada. E para que não restem dúvidas sobre o momento em que o piloto abre o aerofólio traseiro mais um gráfico foi adicionado à transmissão. As ultrapassagens acontecem na pista e não nos boxes, e esse era o objetivo sonhado que se tornou realidade. Ok, mas para o espectador médio entender os motivos que levam o piloto A a passar o piloto B com tanta facilidade ainda dependem de um repertório teórico e virtual que era dispensável até o fim de 2010.



O fim da disputa

Outro efeito nefasto do uso da asa móvel é a quase abolição das brigas por posições. Em algumas disputas no Istambul Park o piloto da frente ficou totalmente impossibilitado de ter reação diante da ultrapassagem iminente. Dessa forma, o “show” tão ansiosamente planejado por Bernie Ecclestone sai prejudicado. Não há show quando um piloto ultrapassa o outro como se um estivesse com motor turbo e outro com um simples aspirado.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Webber acionou a asa e passou Rosberg sem tomar conhecimento. Onde está o show?"][/caption]

Isso, porém, parece não representar um problema para as cabeças que pensam a Fórmula-1 e que lucram com ela, pelo menos por enquanto. Porque o hiperestímulo a que me referi no início inebria os sentidos dos espectadores e da imprensa. Todo mundo ainda vai falar muito no recorde de pit stops e no expressivo número de ultrapassagens que aconteceram em Istambul. Preocupar-se com a consistência dessas ultrapassagens só quando o efeito novidadeiro dessas traquitanas passar.


Por isso, talvez, eu seja mais simpático aos pneus voláteis da Pirelli do que à asa móvel. Os pneus forçam a ocorrência de muitas ultrapassagens, mas também, pelo menos por enquanto, possibilitam a existência de estratégias de corridas diferentes. E isso já é uma grande coisa quando olhamos em perspectiva para as temporadas passadas, quando as táticas eram todas iguais e todos se encontravam nas mesmas condições durante toda a corrida. As muitas paradas nos boxes são um efeito colateral aceitável se a corrida tiver atrativos como pilotos com pneus em diferentes estágios de degradação e brigas por posição na pista. Os mais puritanos ainda chiam diante do alto número de pit stops, mas é interessante perceber esse novo comportamento como um comércio. Em troca de mais disputas na pista há mais paradas de boxes, apesar da aparente incongruência dessa afirmação.



E a corrida?

Deixando de lado essa parte substancial da Fórmula-1, tivemos uma corrida animada, não dá para negar. Mas animada da segunda posição para trás. O nome de Sebastian Vettel está, cada vez mais, sendo acompanhado pelo epíteto “genial”, com toda justiça. Não só ele tem sido genial, mas sua equipe, na maior acepção da palavra, também vem apresentando um desempenho irrepreensível. Adrian Newey projeta um foguete. Christian Horner não vem tendo muito trabalho para comandar a dupla de pilotos, visto que Webber não anda ameaçando o alemãozinho. E o time trabalha de forma impecável nos boxes, sem erros e com uma velocidade sempre melhor do que a dos rivais. Diante de um quadro desses o que o piloto precisa fazer é aproveitar esse potencial pilotando no mais alto grau de competência. Vettel está fazendo o que no jargão da Fórmula-1 se chama de “pilotar como um campeão”. E isso ele já é. Até porque o alemãozinho já possui uma vitória de grande carga simbólica: todos os rivais sofrem a influência do novo regulamento e passam a corrida toda sob algum tipo de risco, sob ameaça de perder posição para algum rival ou com a perspectiva de um pit stop de última hora por causa do consumo dos pneus. Vettel vence corridas tranquilas lá na frente. O campeão de verdade é o único que triunfa até mesmo sobre o regulamento.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="O time saúda Vettel. A Red Bull dá uma aula de eficiência para as rivais"][/caption]
Grande Prêmio da Turquia, resultado após 58 voltas:



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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Rádio OnBoard - Edição Pré-Turquia

No ar a edição número 111 da Rádio OnBoard!

Na companhia do grande Ron Groo e do amigo pé frio Fábio Campos, falamos sobre a passagem conturbada da Indy em São Paulo no último fim de semana.

Quanto à F1, debatemos a notícia da Williams trocando Sam Michael por Mike Coughlan, e também falamos de alguns aspectos técnicos que irão influenciar o desenrolar da prova turca no próximo domingo.


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E como tem corrida vindo aí, tem também Rádio OnBoard ao vivo a partir das 20h do sábado, no conhecido link do Pre Race. Participe, até lá!

domingo, 28 de novembro de 2010

O GP conturbado



ANDERSON NASCIMENTO



Depois de uma temporada tão agitada e movimentada na Fórmula 1, achei ideal relembrar uma corrida que refletiu muito toda a disputa e competitividade que a temporada reservou.
Quem não se lembra do GP da Turquia? Trágico para a Red Bull e bonito e esportivo para a Mclaren. Vale a pena acompanhar os melhores momentos da corrida abaixo, que teve como vencedor Lewis Hamilton.

domingo, 30 de maio de 2010

Dupla de equipe: GP da Turquia

Kamui Kobayashi


Ele foi pra Superpole e não é a primeira vez que ele consegue isso esse ano. Em Barcelona o Koba também conseguiu ir pra fase final da classificação. De quebra marcou o pontinho da Sauber, apesar de sofrer com algumas ultrapassagens durante a corrida.

Fábio Andrade



Arrastando, arrastando, o japonês conseguiu finalmente marcar o primeiro pontinho dessa Sauber-quase-ex-BMW. Engoliu muita ultrapassagem na corrida mas o esforço rendeu o tão buscado 10° lugar. O carro é ruim, no entanto mostra algum potencial em pistas velozes. E o japa voador dessa vez desencantou. Well done!

Felipe Maciel



Bruno Senna


Acho que foi a melhor corrida dele desde o começo do ano. Parece que ele teve que parar para não quebrar o motor e isso é uma tremenda pena. Os Cosworth, decididamente, estão deixando a desejar. O Bruno era o mais bem colocado das equipes estreantes quando teve que abandonar.

Fábio Andrade



Ainda não entendi como ele colocou o carro da Hispania à frente das pequenas rivais. Talvez o problema aerodinâmico se torne solução num circuito que demande pé embaixo por tanto tempo. Fato é que Bruno fazia uma grande corrida, até ser obrigado a se retirar. Lamentável. Justo quando consegue fazer aquele algo a mais, a confiabilidade (ou falta de) entra em cena. Essa é a vida de piloto de fundo de grid.

Felipe Maciel



Ferrari x Renault


É um duelo que vem se repetindo em 2010. Em Melbourne o Kubica não cedeu às investidas do Massa. Em Mônaco, idem e hoje em Istambul de novo. Mas hoje com um grau de dramaticidade maior para os italianos porque o Felipe não esboçou ataque em nenhum momento.

O Alonso conseguiu deixar o Petrov para trás, mas com algum esforço. Se não reagir logo, a Ferrari corre sério risco de abandonar a briga e isso seria um vexame histórico depois de reservar tanto tempo ao desenvolvimento do F-10.

Fábio Andrade



Essa corrida foi um verdadeiro terror para a Ferrari. Tudo indica que ela perdeu vaga no G4 transformando-se na quinta força. Na classificação isso ficou bastante claro, já na corrida pode-se argumentar que o ritmo da Ferrari foi minimamente superior ao da Renault. Mas, sinceramente, minha leitura diz que a diferença que contou a favor dos italianos foi a discrepância de nível entre o bicampeão Alonso e o inexperiente Petrov. O espanhol soube trazer os pneus para o momento decisivo da prova e assim aplicou-lhe a ultrapassagem.

Acho que já podemos cravar que a Ferrari posiciona-se atrás de RBR, McLaren, Mercedes e Renault. Não teve duto F que desse jeito. E agora, José?

Felipe Maciel



Hamilton x Button


Muito legal de ver. A briga mais recheada de competência em toda a corrida. Duros um com o outro, como deve ser, mas leais e "cuidadosos" na medida do possível, afinal, fazem parte do mesmo time. Legal.

Fábio Andrade



Belíssima briga. No melhor estilo "aqui se faz, aqui de paga", os dois trocaram e destrocaram de posições em poucas curvas, no limite dos espaços, calculando cada centímetro para a realização de um duelo limpo e de alto nível. Lance para marcar a temporada e ser devidamente lembrado no final do ano. Um show!

Felipe Maciel



Webber x Vettel


É um pouco chato dizer que alguém foi culpado e que o outro foi inocente. Antes de tudo me pareceu ser um acidente normal de corrida e, como em todo acidente, pode acontecer com qualquer um. Ponto.

Nenhum dos dois assumiu publicamente responsabilidade pelo ocorrido. Mas, mesmo depois de ver o replay algumas dezenas de vezes, ninguém me tira da cabeça que o Vettel, no mínimo, se precipitou ao tentar mudar a linha. Mas é uma discussão que rende, tipo aquela entre o Hamilton e o Raikkonen em Spa-2008.

Fábio Andrade



O confronto teve cara de duelo de categoria de base, onde um acidente como aquele chega a ser relativamente comum. Mark espremeu Sebastian para a esquerda. Quando este meteu de lado, quis empurrar para a direita. A intenção do Vettel era até natural, o problema é que Webber manteve-se em linha reta e daí houve o choque.

A briga entre Hamilton e Button foi uma verdadeira aula para esses dois. Quando Lewis revidou a ultrapassagem na curva 1, Jenson puxou para fora para ampliar a velocidade de contorno na curva, já que a preferência era do Mr. Pussycat. Por acaso Hamilton concluiu a ultrapassagem, mas ao menos eles não trombaram. Já Webber manteve o traçado reto mesmo sem qualquer preferência na curva. A resistência do australiano pegou o alemão de surpresa. Bastou uma mexida lateral para promover a lambança.

Acidente de corrida. Dois cabeças duras dando o sangue pela vitória e pela ponta da tabela às vezes pode acabar nisso.

Felipe Maciel



GP da Turquia


Eu fiquei um pouco irritado com a puxação de saco do trio da Globo em relação à pista, mas até concordo, vai. O Istambul Park não é uma pista ruim. E chega, não esperem declarações mais passionais.

Ouvi dizer que esse foi o último ano da F-1 lá. Pela quantidade de gente nas arquibancadas, até durou muito. Mas eu sempre fico sentido, porque os países investem uma bolada para receber a F-1. Ver a categoria indo embora assim não deve ser agradável.

Fábio Andrade



Corridaça! Para uma prova em pista seca, o GP da Turquia foi uma grata surpresa. Não me lembro qual foi a última vez que vi tanto piloto brigando pela vitória no braço, ali na pista, no mano a mano mesmo.

Sabemos que o traçado é de alto nível, e a F-1 faria um favor a si mesma se o mantivesse no calendário. Com tanto circuito chechelento por aí, parece que só os decentes vem a correr risco. Vale até lançar a campanha "Fica Istambul!".

Felipe Maciel

Após batida da dupla da RBR, Hamilton vence na Turquia



FÁBIO ANDRADE



Chegada a sétima etapa do mundial e os entusiastas da Fórmula-1 se preparavam para mais uma procissão enjoada de Mark Webber e Sebastian Vettel desfilando a eficiência do RB6 pelas 58 voltas do GP da Turquia, certo? Errado, felizmente para saúde do campeonato, infelizmente para a equipe Red Bull, que viu sua dobradinha se desfazer como o pneu traseiro-direito de Vettel após o toque com o companheiro Webber.


A McLaren incomoda

Largando em segundo e em quarto, respectivamente, na linha “suja” da reta de Istambul, Lewis Hamilton e Jenson Button muito certamente perderiam suas posições. E perderam. Não resistiram a adversários como Sebastian Vettel e Michael Schumacher que obviamente tracionaram melhor antes da primeira curva. Mas, rapidamente, os britânicos recuperaram suas posições, e essa reação rápida foi fundamental para que não se perdessem na história da corrida.



Sobretudo para Hamilton. Em Istambul, sem chuva (chuva deu um baile na meteorologia das equipes, diga-se) em condições normais de temperatura e pressão, a McLaren andou próxima da Red Bull como nenhuma equipe conseguiu fazer em 2010. As primeiras 15 voltas da corrida turca foram marcadas pela pressão de Hamilton sobre Webber. Já estava no ar a impressão de que um bom trabalho das equipes seria essencial para a definição da liderança da prova. E ele foi, naquele momento.

Num detalhe de alguma fração de segundo, a McLaren demorou mais do que podia demorar e devolveu Hamilton à pista atrás de Vettel. A virtual dobradinha da Red Bull voltava a ser um fato.
O Grande Choque

A partir das paradas para troca de pneus, a corrida ganhou um outro tom. Ainda que Hamilton e Button se mantivessem próximos dos líderes Webber e Vettel, as posições pareciam sedimentadas. A tensão permanecia por conta de previsão de chuva. Os computadores das equipes teimavam e determinar a hora em que ela cairia, mas a chuva turca não é como a inglesa, portanto, não costuma ser fiel aos horários marcados. Destituída da pontualidade britânica, a tal chuva se limitou a alguns pingos esparsos.

Foi no terço final, faltando 19 voltas para o fim, que a corrida se decidiu, com a tentativa de ultrapassagem de Vettel sobre Webber, que o vídeo abaixo explica melhor do que qualquer blábláblá textual:

 

Depois do encontrão, Webber ainda seguiu na corrida e terminou em terceiro. Vettel ficou por ali mesmo e saiu do carro chamando o companheiro de equipe de louco, como se o culpado pelo acidente fosse o australiano.



Óbvio dizer que uma batida como essa, nessas circunstâncias, não é proposital nem premeditada. Vettel errou ao intuir que Webber voltaria para a linha de tangência natural para contornar a próxima curva. Um erro sério (e que provavelmente será muito debatido nos próximos dias), que prejudicou o time e abortou uma virtual dobradinha.
Finalmente, Hamilton

E quem disse que a tensão do GP da Turquia havia acabado? Hamilton e Button, em grande estilo, trataram de dar ainda mais graça ao final da corrida ao brigarem pelo primeiro lugar:

 

Ao final das 58 voltas Hamilton, enfim, venceu em 2010. Daqui a 15 dias a F-1 volta a um de seus clássicos, Montreal, no Canadá. E, nas longas retas do circuito Gilles Villeneuve há, além de muros muito próximos, a chance de a McLaren aparecer ainda mais forte com o sistema de dutos de ar.
Grande Prêmio da Turquia, resultado após 58 voltas:

sábado, 29 de maio de 2010

Webber mantém domínio e é pole na Turquia



FÁBIO ANDRADE



O treino classificatório para o GP da Turquia terminou como todos os outros realizados em 2010: com a Red Bull na liderança, na terceira pole position seguida do australiano Mark Webber. A McLaren de Lewis Hamilton completa a primeira fila.



Em uma sessão classificatória livre da chuva e de acidentes extraordinários, o drama do dia, tal como em Mônaco, ficou a cargo do espanhol Fernando Alonso.
Fim de Festa

O GP da Turquia marca a comemoração de uma marca histórica para a Ferrari: é a corrida de número 800 da equipe italiana na Fórmula-1. Desde ontem os carros de Felipe Massa e de Fernando Alonso circulam com a marca festiva inscrita na carenagem.



A comemoração da Ferrari, no entanto, não começou como a equipe gostaria. Ainda no Q2, Alonso se atrapalhou na penúltima curva de uma volta lançada, enquanto tentava melhorar sua 11ª posição. Ainda teve tempo de abrir outra volta mas não conseguiu progredir para a superpole, terminando o treino numa indigesta 12ª colocação.

Felipe Massa conseguiu avançar para a parte final do treino, mas não alcançou um lugar entre os ponteiros. Na pista em que tem o melhor retrospecto em sua carreira, Massa largará apenas na oitava posição. Mesmo no ano passado, quando o carro da Ferrari era considerado muito ruim, o brasileiro conseguiu uma melhor posição de largada, em sétimo.
Todo dia é dia do canguru

Se a primeira pole de Webber em 2010, na Malásia, foi considerada um resultado ocasional, hoje seria surpresa se Sebastian Vettel conseguisse superar o companheiro australiano. Com seis corridas e uma sessão classificatória completadas, Webber tem quatro poles e duas vitórias no bolso. É, quem diria, o grande momento de sua carreira na F-1.

Vettel voltou a tomar quatro décimos do companheiro, mesmo com o chassi do seu RB6 trocado e numa sessão em que parecia favorito após ser o mais rápido no Q2. Apesar do terceiro lugar, tem como trunfo o fato de largar do lado limpo da pista num circuito em que a primeira curva é bem próxima ao ponto de largada.



Se a Ferrari não se mostra capaz de brigar pelas primeiras posições, a equipe mais próxima de fazer uma oposição à Red Bull é a McLaren. Não por acaso, Hamilton se colocou entre os carros dos energéticos e Jenson Button fecha a segunda fila. Mas, tomando como exemplo as seis primeiras corridas do ano, nenhum dos dois deve fazer frente a Webber e Vettel. Com poucas chances de chuva (20% no horário da corrida, segundo o Weather Channel), o GP da Turquia tende a ser outro desfile da superioridade da Red Bull.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Turquia:

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Curva 8: o grande feito de Hermann Tilke



FELIPE MACIEL



20 de agosto de 2005. Provavelmente o dia em que Hermann Tilke riu. Riu como nunca imaginou que poderia rir um dia. Um sábado glorioso para o arquiteto alemão.

Naquele dia a Fórmula 1 foi apresentada a uma curva genial, que responde apenas pelo nome de 8. O treino classificatório era definido com uma volta apenas para cada piloto. O que se viu foi um show de erros, com direito a rodadas na curva desafiadora.

Curva 8 de Istambul

O traçado rigoroso da curva de 4 pernas fez vítimas sem escolher endereço. Não importava se o piloto era novo, se era velho, se era experiente, se possuía títulos, se recebia altos salários, se guiava carro de ponta ou pilotava para time pequeno. O grid de largada contou, por exemplo, com Schumacher em 17°, duas posições à frente de Jacques Villeneuve. Este último foi quem mais sofreu em sua volta lançada. Errou a entrada da curva, tentou corrigir de todas as formas até o final do contorno, e quando parecia que sairia ileso, rodopiou como uma verdadeira centrífuga.

O festival de erros daquele dia não voltaria mais a acontecer. Não na mesma intensidade, com tantos pilotos falhando quase que coletivamente. A partir daí, a então desavisada F-1 passou a manter um respeito especial por aquele trecho. Hoje, a criação mais bem sucedida de Hermann Tilke é símbolo da valorização da resistência física dos pilotos, que recebem ali um castigo da força G a cada uma das 58 voltas do GP da Turquia.

A curva também é sinal de problemas para os ajustes programados pelos engenheiros, especialmente para o de Lewis Hamilton, cujo estilo excessivamente dependente de uma frente estável já lhe rendeu más experiências graças à curva 8. Quem não se lembra do pneu se rasgando escandalosamente em 2007? Ou da ultrapassagem sobre Massa em 2008, que nada mais era do que uma consequência da estratégia de uma parada a mais para evitar o desgaste dos compostos.



A curva 8 só tem um defeito: assim como todas os traços curvos de Hermann, é desprovida de nome. Os bons e velhos circuitos da F-1 possuem suas marcas muitos bem denominadas. Como a Parabólica de Monza, o S do Senna em Interlagos, a Eau Rouge em Spa, bem como tantas outras famosas espalhadas pelo calendário: Mirabeau, Blanchimont, Lowes, Stowe, 130-R, di Lesmo, Sainte Devote...

Aproveitando a omissão do Tilke a respeito do assunto, proponho a seguinte enquete: se você pudesse escolher, que nome daria para a distinta curva 8? Ela merecia algo melhor que um mero número, não? Um pouco de imaginação não faz mal a ninguém...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Rádio OnBoard - Edição Pré-Turquia



FELIPE MACIEL


Está no ar a edição número 80 da Rádio OnBoard!

Ao lado do amigo Ron Groo foram levantados bons temas de discussão sobre notícias e boatos da atualidade, sem nos esquecermos da véspera de mais um GP: a F-1 está aterrissando em Istambul neste final de semana.


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No meio do próximo fim de semana entraremos ao vivo, entre treino e corrida, no link de sempre. Mais precisamente às 20h de sábado, para comentar o resultado do qualifying e as expectativas para a corrida. Até a próxima!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Vencedor sempre saiu da 1ª fila na Turquia



FÁBIO ANDRADE



Sendo mais um marco da marcha da Fórmula-1 rumo ao leste, o GP da Turquia é disputado desde 2005 na pista de Istambul Park, desenhada por (quem? Quem?) Hermann Tilke.

- O Istambul Park costuma ser considerado o "menos pior" projeto de Hermann Tilke. Como em Interlagos e Cingapura, em Istambul se corre no sentido anti-horário;



- Algumas de suas curvas se parecem com outras curvas célebres de outros circuitos. A curva 1, por exemplo, se assemelha ao “S do Senna” de certo autódromo brasileiro;

- E atenção para a largada! A curva 1 é bem próxima ao ponto de partida e é raro que passem todos ilesos;





- Mas a grande sensação da pista turca é a curva 8. De raio longo e com quatro tangências (na verdade três, mas a saída da curva foi contabilizada aqui), é uma curva de grande exigência técnica;

- Como toda pista-Tilke, entretanto, o fator ‘risco’ é baixo. Uma grande área de escape circunda a curva 8. Ou seja, um erro ali pode ocasionar, no máximo, uma escapada de pista;

- O longo trecho de aceleração que vai da curva 10 até a curva 12 é o principal ponto de ultrapassagem da pista. Esse trecho termina numa forte freada que baixa a velocidade dos bólidos de 320km/h para cerca de 90km/h;

- Mas, desde a estreia do autódromo até a última corrida, o GP da Turquia praticamente foi decidido no sábado. Das cinco corridas disputadas no circuito turco, em quatro o vencedor era o pole position (2005 – Raikkonen; 2006, 2007 e 2008 – Massa). No ano passado o vencedor, Jenson Button, largou em segundo. Em todas as edições, portanto, o vencedor partiu da primeira fila.

domingo, 23 de maio de 2010

Felipe Massa, Istambul 2008



FÁBIO ANDRADE



Na Turquia, Felipe Massa ainda é rei. Suas três vitórias no circuito de Istambul Park configuram um caso raro de identificação entre piloto e pista na Fórmula-1 atual.

No vídeo abaixo, a última e mais tensa vitória de Massa no GP da Turquia, em 2008. Poucos contavam com a estratégia não-convencional adotada pela McLaren, de realizar três paradas com Lewis Hamilton. O britânico, mais leve, apresentou grande rendimento em sua segunda "perna" de corrida, chegando a ultrapassar Felipe na pista, mas não conseguiu abrir a distância necessária para fazer a terceira parada e voltar a frente do piloto da Ferrari.