FELIPE MACIEL
A Fórmula 1 chegou ao Bahrein para inaugurar a temporada 2010. A organização abriu passagem para o uso do traçado escondido, até então. Antes mesmo da corrida, os próprios pilotos já comentavam que não haviam gostado da reformulação do percurso.
Terminamos o fim de semana em Sakhir sem entender qual o propósito da mudança. A nova área não permite nem sonhar com manobra de ultrapassagem, revelando-se uma zona travada e estreita, onde o máximo que podemos esperar é ver pilotos inexperientes cometerem algum erro, como foi o caso de Hulkenberg e Chandhok.
O desfecho do GP levou ao pódio pilotos de Ferrari e McLaren, remetendo ao apreciável desempenho clássico das equipes rivais, que renascem em 2010 após uma dura temporada no último ano. Claro que o resultado final ofuscou o verdadeiro potencial da Red Bull, que corre no mesmo nível da Ferrari, ao contrário da McLaren, que por sua vez ainda
enfrenta desconfianças por conta das questões envolvendo o difusor. Mas nenhuma equipe na F-1 tem tanta tradição em se recuperar em pleno desenrolar do campeonato como o grupo de Woking.

Em meio às merecida critícas direcionadas aos responsáveis pela pista que abriu a temporada 2010 da IndyCar, Tony Kanaan arrumou tempo para destacar a determinação de um país como o Brasil, que contraiu a responsabilidade de promover um mega evento internacional em tempo recorde.
Numa questão de 3, 4 meses, as autoridades brasileiras assumiram o risco de sediar a prova de inauguração do campeonato da Indy e obtiveram um inegável sucesso na empreitada. Embora tudo indicava que a realização da corrida estaria fora de questão, a ideia foi abraçada, o desafio lançado, e as dificuldades superadas.
Dentre essas dificuldades, inclui-se a transferência de local, já que em princípio o Rio deveria receber o grid. Mas enquanto se corria contra o tempo, pularam do barco e jogaram o pepino para São Paulo, que não decepcionou.
O desespero durou até a virada de sábado para domingo, mas na hora H tudo estava perfeitamente pronto para o espetáculo.
A corrida de fato foi muito boa. Apesar da interrupção causada pelas águas de março, tivemos pegas até as voltas finais, inclusive em relação à briga pela vitória e ao duelo de brasileiros para ficar com o 3° lugar, culminando na ultrapassagem de Vitor Meira sobre Raphael Matos.

Com contrato para receber novamente a IndyCar nos próximos anos, o categoria norte-americana tem tudo para começar a ganhar popularidade por aqui. Só ficarei na torcida para que não voltem a repetir marketing fake que inventaram durante a cerimônica do pódio.
O vencedor da prova, Will Power, ficou um tanto constrangido quando foi forçado a beber o desconhecido leite brasileiro direto na caixa... A indelicada paródia com Indy 500 é uma forçação de barra dispensável. Seria excelente se a pretensiosa cena não voltasse a acontecer futuramente.