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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Rádio OnBoard - Edição de Barcelona

Está no ar a 113ª edição da Rádio OnBoard!

O amigo Fábio Campos viajou para a Espanha e acompanhou o GP de Barcelona na arquibancada do final da reta dos boxes, e retornou para contar suas versões para os fatos.

Nesta edição, além de abordarmos os acontecimentos da etapa espanhola, também levantamos tópicos interessantes, como a qualidade da transmissão e o futuro de Felipe Massa.



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Não se esqueça que em fim de semana de GP tem também programa ao vivo da Rádio OnBoard, no sábado às 20h, provavelmente com direito a sorteio de algum(ns) artigo(s) trazidos pelo Fábio da Espanha.

domingo, 22 de maio de 2011

A disputa por posições voltou a existir em Barcelona

Barcelona é uma das pistas onde é mais difícil ultrapassar em toda a Fórmula-1. Esse já é um dado sedimentado, tradicional, quase folclórico que ronda o GP da Espanha. Não foi assim, porém, na primeira corrida por lá, em 1991. O GP da Espanha daquele ano foi uma prova movimentada, para não dizer que foi histórica e uma das mais marcantes daquele mundial. No futuro, o mesmo será dito do GP de 2011 em Montmeló? Certamente não, porque apesar da boa briga com Hamilton no fim, Vettel venceu de novo, e essa é a quarta vitória do alemãozinho em cinco corridas. Mas esse GP da Espanha talvez seja lembrado por trazer de volta a tensão e a disputa verdadeira por posições numa F-1 que estava cada vez mais próxima do vídeo game.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="A disputa de posição voltou à ordem do dia depois de ser extinta nas últimas três corridas"][/caption]

Os 4655 metros de curvas de raio longo são um desafio para as ultrapassagens. A turbulência gerada pelo carro que vai a frente é um veneno para quem vem atrás, e é provável que justamente isso tenha feito do GP da Espanha de 2011 uma corrida um pouco próxima das outras provas de 2010. As ultrapassagens até aconteceram, mas sem o ritmo atropelado de Sepang, Xangai e Istambul, as três etapas anteriores. As ultrapassagens se sucederam depois de algum ritual, perseguição, tensão, espectadores roendo unhas no sofá de casa e nas arquibancadas. Seria uma pobreza de espírito dizer que a corrida foi chata porque nela não houve o ritmo frenético das últimas três. Aos que pensaram nisso, talvez seja preciso aprender a “sentir” as corridas de uma forma diferente. Ver ultrapassagens sendo arquitetadas volta a volta é tão ou mais bacana do que a ultrapassagem em si.


Esse efeito foi conseguido em Barcelona muito provavelmente por causa das características da pista. A última curva do traçado tem o dom de afastar carros que passaram a volta toda bem próximos uns dos outros e isso dificultou a eficácia da asa móvel, como ficou mais do que provado na briga entre Vettel e Hamilton nas últimas voltas. A pista da Catalunha, normalmente criticada por dificultar as ultrapassagens, dessa vez ajudou as manobras a fazer um pouco mais de sentido.



Os espanhóis em festa durante 20 voltas

A corrida teve vários personagens em destaque: Button e a recuperação depois da largada ruim; Heidfeld e a bela corrida depois de largar em último; Webber apático chegando em quarto depois de largar na pole e Massa como um espectro vagando pela pista sem muito objetivo. Mas três pilotos moveram as principais emoções da corrida: Lewis Hamilton, Sebastian Vettel e Fernando Alonso.


Hamilton imprimiu uma implacável perseguição contra Vettel no final da corrida. Se a Red Bull é imbatível nas classificações, em ritmo de corrida Barcelona viu acontecer o mesmo que já se passara em Xangai: os rivais conseguiram acompanhar de perto os carros do time austríaco. Com destaque para o bom rendimento da McLaren, sobretudo com pneus duros. O segundo e o terceiro lugares do time britânico estão longe de serem ruins, dada supremacia da Red Bull no campeonato até aqui.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Hamilton até chegou perto, mas Vettel segurou a vitória em Barcelona"][/caption]

Vettel foi competente como sempre, primeiro por despachar Webber logo na largada. E depois não só ele foi competente, mas também sua equipe, que vem merecendo notas 10 consecutivas pelo trabalho de box preciso. É importante salientar que a Red Bull é uma equipe que vence em conjunto, porque não é só Vettel que extrai tudo do carro, o time corresponde com estratégias corretas e pit stops extremamente eficientes. Essa soma de trabalhos competentes resultou na ultrapassagem sobre Alonso, concretizada no velho estilo Schumacher de vencer os rivais na parada de boxes. Daí para frente foi aproveitar o bom ritmo do carro e seguir para a vitória.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Quarta vitória em cinco corridas e Vettel segue firme na liderança do campeonato"][/caption]

Se Vettel ultrapassou Alonso na volta 18 num lance meio imaterial, sem imagens, numa manobra que leva pelo menos duas voltas para se concretizar e nem sempre é compreendida por todos os espectadores, o espanhol ganhou a ponta na largada diante dos olhos de todos. E que largada fez o bicampeão, deixando três oponentes para trás antes da primeira curva. Em seu país e diante de sua torcida, Alonso fez os espanhóis presentes no Circuito da Catalunha comemorarem com um urro coletivo comparável ao que acontece em Interlagos em caso de pole ou vitória de brasileiro. O festejo foi tão intenso que chegou a todos que assistiam pela tv via sinal de satélite, misturado ao som dos motores rasgando as curvas da pista catalã. Enquanto do lado de fora do autódromo milhares de espanhóis protestavam contra as medidas do governo para enfrentar a crise econômica, dentro do circuito outros milhares se esqueceram dos problemas para comemorar com seu ídolo durante pouco menos de 20 voltas.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Alonso pulou na ponta na largada..."][/caption]

[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="... e o público espanhol rejubilou nas arquibancadas"][/caption]
Grande Prêmio da Espanha, resultado após 66 voltas:



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sábado, 21 de maio de 2011

Com pole de Webber na Espanha, Red Bull mantém domínio

Quando finalmente apareceu alguém para tirar de Sebastian Vettel a exclusividade na conquista de poles, esse alguém foi seu companheiro de equipe Mark Webber, como era de se esperar. Webber cravou a volta mais rápida do Q3 no treino classificatório para o GP da Espanha e ambos baixaram o antigo recorde da pista, que era 1min21seg670 com certa facilidade.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Desta vez o pole não foi Vettel, mas a posição de honra segue sob o domínio da Red Bull"][/caption]

Há muitos anos que a pista da Catalunha convive com a fama de priorizar carros com maior eficiência aerodinâmica. Por isso a dobradinha da Red Bull na primeira fila era imensamente provável, e aconteceu de forma tranquila. A pista espanhola também convive com as reclamações sobre a dificuldade de ultrapassar no traçado com curvas de raio longo, que dificultam a aproximação dos carros. Será a prova de fogo para as novas regras fazer com que a corrida de amanhã seja tão movimentada como foram as outras até aqui.



A anti-classificação

Webber e Vettel se garantiram na ponta com a facilidade de sempre, e novamente humilharam as rivais. Ainda quando restava Q3 pela frente, a Red Bull se deu por satisfeita e os dois pilotos do time retiraram os volantes de seus carros, saltaram e começaram a ser cumprimentados pelos mecânicos. Superioridade avassaladora é isso.


Também é digno de nota o desempenho de Fernando Alonso. Correndo em casa, o espanhol extraiu o que deve ser a capacidade máxima da Ferrari e festejou a posição com uma alegria acima do usual para uma segunda fila. Certamente porque o bicampeão tem noção da grande volta que fez, ficando a míseros três milésimos do terceiro lugar de Lewis Hamilton. Enquanto isso, Felipe Massa conseguiu um oitavo tempo que não seria bom em nenhuma circunstância, sobretudo se comparado ao desempenho de seu companheiro de equipe.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Mais uma vez andando mais do que o carro, Alonso ficou muito próximo do terceiro lugar na Catalunha"][/caption]

O desempenho da McLaren foi ofuscado pelo rendimento de Alonso. O normal para o time britânico era dominar a segunda fila, mas o espanhol se colocou entre Hamilton e Button. E a outra grande surpresa do dia foi a presença da Williams no Q3, não com Rubens Barrichello - que largará da 19ª depois de ter enfrentado problemas de câmbio - mas com o venezuelano Pastor Maldonado, que largará do nono lugar.


Mas algo que vem chamando a atenção nos treinos classificatórios de 2011 é a ausência de carros na pista durante um período longo do Q3. A regra que determina a limitação do uso dos jogos de pneus durante os fins de semana junto da grande diferença de rendimento entre compostos diferentes está produzindo como efeito colateral um Q3 monótono. Equipes e pilotos optam por tentar economizar os pneus macios para a corrida, mas abdicam de dar giros rápidos no momento de definição do grid. Resultado: o Q3, que deveria ser o clímax da sessão classificatória, está ficando enfadado - em parte porque o domínio da Red Bull já retira boa parte da emoção, é verdade.


Para as 66 voltas da corrida é difícil não imaginar que Webber e Vettel vão discutir a vitória entre si, a não ser que se envolvam em acidentes ou que o RB7 apresente problemas. A chuva, que poderia embaralhar um pouco as cartas, não deve aparecer: segundo o Weather Channel, as chances de precipitação na hora da corrida em Barcelona são de apenas 20%.



Grid de largada para o Grande Prêmio da Espanha:



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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Webber aparece como principal rival de Vettel na Espanha

Mark Webber resolveu mostrar que é ele quem deverá dar mais trabalho para que Sebastian Vettel não vença mais uma neste ano na Fórmula 1. Se o australiano não corre bem em casa, no GP de Melbourne, em Barcelona é ele quem costuma superar quem é que seja, mesmo que este responda por ser o atual campeão do mundo. No ano passado, Webber foi quem venceu e parece que a vitória não o escapará de novo.

Pode ser tudo um exagero e Vettel mostrar que realmente está impossível, que ninguém do atual grid o segura. Porém, dessa vez acredito que até mesmo a pole position, algo que podemos até dizer que já é posse de Vettel, pode cair no colo de Webber amanhã.

[caption id="attachment_7187" align="aligncenter" width="590" caption="Enfim, Webber aparece como candidato a bater a soberania de Vettel"][/caption]

Os tempos nos dos primeiros treinos livres que aconteceram hoje revelam que pode ser Webber ou alguma das duas McLarens a tirar o poderio do atual campeão do mundo neste início de temporada. No primeiro treino, o veterano piloto australiano se isolou lá na frente da tabela de tempos. Colocou nada menos que 1 segundo de vantagem em cima de seu companheiro de equipe, marcando 1:25.142 contra 1:26.149 de Vettel.

No segundo treino livre, Webber voltou a ser o mais rápido, mas dessa vez teve outro adversário pelo melhor tempo, um mais motivado a mostrar que seu carro pode tanto ou quase tanto, quanto os poderosos RB7. Lewis Hamilton ficou apenas 0.036s atrás da melhor marca do dia. O queixudo da Red Bull marcou 1:22.470, o melhor tempo de todos os treinamentos. Seu companheiro também ficou bem próximo de sua marca; 0.356s separaram o melhor tempo dos dois. Jenson Button completou 32 voltas no segundo treino e foi o primeiro na casa dos 1:23.

Se Red Bull e McLaren duelam pelas melhores posições, com predominância ainda da equipe taurina, Ferrari e Mercedes formam o pelotão logo abaixo dos líderes. Fernando Alonso continua correndo mais que o carro e conseguiu ser o 5º no segundo treino. Felipe Massa tirou do carro nada mais do que ele poderia render. A Mercedes segue naquela balada vendo Nico Rosberg superar Michael Schumacher, mesmo que por pouco. Vale lembrar que a estratégia de Rosberg em poupar os compostos macios para a corrida pode dar certo. O jovem alemão correu de pneus duros.

[caption id="attachment_7188" align="aligncenter" width="590" caption="Fernando Alonso e a sua mania de tirar leite de pedra"][/caption]

Ali mais para o meio da tabela aparecem os de sempre. Renault vs Sauber, Williams vs Toro Rosso e Force India vs Lotus formaram como que um duelo devido a proximidade dos tempos de seus pilotos. A surpresa foi ver a Force India rendendo pouco com Paul di Resta conquistando apenas o 17º melhor tempo. Seu companheiro Adrian Sutil parece estar com a cabeça no caso Eric Lux, como não podia ser diferente.

A regra do 107% deve voltar a atormentar as equipes pequenas em Barcelona. A Hispania não conseguiu em nenhum dos dois treinos livres deixar de ser alvo da nova regra, que não é lá tão nova diga-se. A Virgin foi engolida no primeiro treino visto que Glock havia conseguido um tempo 6 segundos mais lento que o do líder Webber. A Lotus também sobrou no primeiro tempo e viu Jarno Trulli ter um desempenho nada animador para a equipe que espera alcançar as intermediárias já nessa etapa.

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quarta-feira, 12 de maio de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Barcelona



FELIPE MACIEL



No ar, a edição número 78 da Rádio OnBoard!

Na companhia de Ron Groo e Fábio Campos, fizemos dois programas em um, ressaltando os pontos de destaque do GP da Espanha aliando às discussões referentes à chegada da Fórmula 1 em Mônaco logo na semana seguinte.


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No sábado, temos um encontro marcado para o programa ao vivo Pre Race, a partir das 20h, no endereço de sempre. Até a próxima!

domingo, 9 de maio de 2010

Dupla de equipe: GP da Espanha

Red Bull


É a melhor-equipe-do-ano-e-isso-todo-mundo-já-sabe. É um blábláblá enjoado, mas verdadeiro.

O desempenho na classificação foi impressionante. Na corrida, porém, a equipe não foi 100% porque a dobradinha que era perfeitamente possível (mais do que isso, a dobradinha era esperada) não aconteceu. Serei óbvio, mas o RB6 precisa ganhar confiabilidade. Depois que conseguir isso, arrumem um jeito pra segurar Vettel e Webber.

Fábio Andrade



Gostei da largada das Red Bull's. Os dois mexeram pra lá e pra cá, criaram uma barreira na frente de Hamilton e Alonso e sustentaram a dianteira na primeira curva. Mas durante a corrida foram duas RBR's completamente diferentes.

Uma de Mark Webber, impecável, que não tomou conhecimento dos adversários. A outra do Vettel, uma equipe que errou nos boxes, um carro que apresentou problemas e por isso não colheu a dobradinha. A cada dia a situação se parece mais com a McLaren de 2005, que de tanta falha técnica impediu o primeiro título do Raikkonen, que poderia ser conquistado com relativa facilidade.

Felipe Maciel



Nico x Nico


Foi na marra que o Rosberg conseguiu passar o Hulkenberg. Mas o Nico da Mercedes podia ter tentado a manobra mais cedo. Perdeu muito tempo.

Claro, sintoma também da dificuldade que é ultrapassar em Barcelona.

Fábio Andrade



Saiu da Williams há pouco tempo, mas a Mercedes já o conhece muito bem. O Rosberg precisa mesmo levar cutucada do engenheiro pra reagir na pista. Foi só colocar pressão que ele arriscou jogar o carro por dentro e concluir a única ultrapassagem decente da corrida.

Felipe Maciel



Pit stop da Mercedes


Vi a cena do pit stop do Rosberg de novo e mesmo assim me pareceu confuso. Não entendi bem se faltou mesmo fixar a roda no eixo. Entra para aquele hall de bagunças no pit lane.

Fábio Andrade



Muito curioso esse erro. Muito curioso mesmo. Mas digo isso pela forma tranquila em que ele corrigiram. Na época do pirulito, o mecânico dava uma na cabeça do piloto, e o sujeito parava no susto. Quando a Ferrari lançou a sinaleira, foi um show de patacoadas, revelando ainda a dependência do dispositivo tradicional.

No entanto, a Mercedes errou a colocação da uma das rodas e o Nico parou imediatamente, logo após ser liberado. Resta saber como eles fizeram isso. Quem o avisou pelo rádio... Desde já fica claro sua forma eficiente de consertar um erro cometido a tempo.

Felipe Maciel



Duto F da Ferrari


“F” só se for de #Fail. Em Barcelona, meu irmão, tanto faz.

A verdade é que não deu para avaliar. A pista da Catalunha, definitivamente, dificulta muito. Em Mônaco é inútil usar. Só vai dar para ter noção da eficiência do sistema da Ferrari em Istambul.

Fábio Andrade



Lamentável a solução adotada pela Ferrari. Mesmo copiando algo feito pela McLaren, a Ferrari introduziu um modelo nitidamente avesso à segurança de seus pilotos. Ver Alonso balançando o volante com uma das mãos na entrada da última curva já foi o bastante para, no mesmo dia, a F-1 bater o martelo de que o duto F será banido em 2011.

Mais uma coisa: alguém sentiu alguma diferença entre a Ferrari com o duto e a Ferrari sem o duto? O time de Maranello está ficando cada vez mais para trás na briga com Red Bull e McLaren em termos de desempenho. Pela verba que tem, o projeto poderia ser melhor...

Felipe Maciel



Michael Schumacher


Pela primeira vez no ano o alemão vai passar uma semana sem a imprensa fazendo mimimi na orelha dele. Finalmente o velho teve um desempenho minimamente respeitável. Estava na hora.

Fábio Andrade



Ficou evidente que a reconfiguração do carro foi feita para ele. Michael vai recuperando a forma aos poucos. Hoje fechou a porta tantas vezes quanto necessário. Bem diferente daquele fim de semana na China.

Tem muito progresso ainda a ser feito, mas só o fato de parar de pagar mico já é muito válido. Pelo que reprensenta para a F-1, estava ficando chato vê-lo se arrastar daquele jeito.

Felipe Maciel



Karun Chandhok


O que eu vou falar do Bahuan? Não acho justo dizer que ele foi culpado pelo incidente com o Massa nem pelo enrolo com o Alguersuari. No primeiro caso ele tentou sair da frente mas não deu; no segundo me pareceu que a imperícia foi do Jaime.

Eu acho que antes de apontar pedras para os pilotos dos três times do fundão a gente deve pensar na condição em que eles estão disputando esse sub-campeonato.

Fábio Andrade



Se meteu em duas confusões neste domingo. Ok, não foi proposital e a diferença para os demais carros é crítica. Mas será que o Chandhok faria a gentileza de sair do traçado para abrir passagem ao menos uma vezinha, hein? Já está ficando acomodado demais em mandar os outros alterarem a trajetória a todo momento para lhe acrescentar volta. Caso tivesse saído da linha da borracha para ceder caminho ao Alguersuari, por exemplo, o acidente certamente seria evitado.

Se estivesse disputando alguma posição, seria compreensível. Mas para ele não há a menor razão para pressa, desviar do trajeto natural cairia de boa ajuda a todos. Os pilotos dos carros de verdade agradecem.

Felipe Maciel

Vitória fácil para Webber na Espanha



FÁBIO ANDRADE



Desde o sábado já havia ficado claro: salvo alguma catástrofe, a Red Bull venceria o GP da Espanha com facilidade. E venceu, com Mark Webber partindo sem ser incomodado pelos rivais – nem mesmo por Sebastian Vettel – para desfilar durante as 66 voltas da corrida em Barcelona. A festa da Red Bull, no entanto, ficou um pouco micada, porque pelo desempenho de ambos na classificação de ontem era esperada uma dobradinha.



Nem McLaren nem Ferrari puderam fazer frente ao desempenho superior do RB6. Mas os insistentes azares que têm atingido a dupla de pilotos da RBR, sobretudo Vettel, estão dando uma sobrevida aos rivais na tabela de pontos.

Pelo desempenho que apresenta desde o início da temporada o RB6 é, sem dúvidas, o carro do ano. A incrível marca de 5 poles em 5 corridas é sintoma da superioridade da Red Bull. No entanto, há uma precariedade nos resultados da equipe nas corridas, seja por causa de circunstâncias climáticas desfavoráveis, seja por causa de quebras. Por isso a cara amarrada de Sebastian Vettel no pódio. Não é a primeira vez que o alemãozinho vê sua corrida prejudicada por falhas que fogem ao seu controle.

Os problemas de Vettel começaram cedo, ainda na primeira metade da corrida. No encontrão do alemão com Lewis Hamilton sobrou para o piloto da Red Bull um passeio pela área de escape, com direito a salto nas ondulações. Daí em diante o rendimento do carro de Vettel não voltou a ser forte o suficiente para ameaçar uma reação. O alegado problema nos freios foi a cereja do bolo solado servido para o alemãozinho hoje em Barcelona.
As novatas-vilãs

A disputa de posição que resultou no passeio de Vettel pela área de escape, no entanto, teve um participante surpresa: o Virgin de Timo Glock, lento, pronto para dar passagem aos carros rápidos. O incidente entre Vettel, Hamilton e Glock, junto ao de Felipe Massa e Karun Chandhok, reacende as discussões sobre a viabilidade do treino classificatório do próximo sábado, em Mônaco, com seis carros muito lentos na apertada pista do principado.
Um tributo à monotonia

A pista de Barcelona já é tradicional no calendário da Fórmula-1. Na mesma proporção, são comuns as procissões burocráticas durante o GP da Espanha. A pista, muito requisitada para testes, não aparece em nenhuma lista como uma das mais queridas pelos pilotos. As curvas de raio muito longo premiam a aerodinâmica dos carros, sacrificando as tentativas de ultrapassagens.

Jenson Button que o diga. Encaixotado atrás da Mercedes de Michael Schumacher, não conseguiu a ultrapassagem. De nada adiantou o sistema de dutos na reta principal de Barcelona. Schumacher, enfim, apresentou um rendimento satisfatório e a disputa entre o heptacampeão e o atual dono da coroa foi o que de mais palpitante aconteceu na corrida.

No final, quando as posições já pareciam estar definidas, o furo no pneu de Hamilton, o segundo colocado, trincou levemente a linearidade da corrida. Mas não mudou muita coisa. Sem chuva e de volta à Europa, sua casa, a Fórmula-1 já começa a sentir saudades de suas férias no oriente.
Grande Prêmio da Espanha, resultado após 66 voltas:

sábado, 8 de maio de 2010

Barrichello é bombardeado por pedras



FELIPE MACIEL



Rubens Barrichello arrumou uma encrenca inédita para encerrar as atividades logo no Q1. A justificativa inicial dava conta de que a interferência do engenheiro no rádio e o tráfego oferecido pela HRT de Bruno Senna barraram sua tentativa de cravar volta rápida para ascender ao Q2. No entanto, faltava mencionar um interessante ingrediente que alterou sua performance na sessão: uma chuva de pedras...
Foi uma coisa atípica. Estava na volta de saída e deixei o Hamilton passar. Só que ele escorregou, foi na caixa de brita e seguiu acelerando. Foi como se fosse um bombardeio de pedras no meu carro.

O carro furou inteiro, é a primeira vez que vi isso. A pedra bateu no capacete e fez um buraco. Abriu buraco na suspensão, na asa dianteira, traseira e no airbox.

Dava pra passar mesmo se não fosse tráfego, mas não foi como eu almejava. A gente trocou motor e eu almejava o Q3, mas fiquei no bombardeio.

A equipe está discutindo isso. Não tenho essa visão de fora. Relatei o bombardeio, eles estavam com pressa e, basicamente, os mecânicos não estavam prontos para saber o que fazer. Nessas, o engenheiro mandou sair e eles discutiram para ver se valia a pena ou não. O buraco que fez no pontal da suspensão dianteira era perigoso, mas existe a competição e não tinha o que fazer.

Rubens Barrichello



Não bastasse a estranheza do fenômeno, a imagem de seus casco após o treino mostra que uma das britas atingiu o capacete na mesma altura da fatídica mola que vitimou Felipe Massa na Hungria. No caso de Rubens, evidentemente, o estrago não representou nem 1% daquele drama.



Rubinho se mostrava animado com a possível evolução do carro para a etapa espanhola, no entanto, independente do esdrúxulo acontecimento, a hora da verdade não revelou nenhuma evolução sensível. O mesmo se pode dizer a respeito da Ferrari, que recebia comentários animadores de Fernando Alonso às vésperas de sua prova caseira.

O bicampeão havia afirmado que a chegada da F-1 ao território europeu mostraria quem realmente estaria pronto para batalhar pelo título. Seguindo esse raciocínio, o favoritismo da Red Bull se torna praticamente inquestionável. Se Barrichello me permite, hoje os energéticos aplicaram um bombardeio na concorrência.

Red Bull domina primeira fila na Espanha



FÁBIO ANDRADE



O começo da temporada europeia era esperado pelas equipes porque era, finalmente, a chance de implantar atualizações para melhoria de rendimento dos carros. As equipes de ponta aguardavam a oportunidade para tentar encostar na Red Bull, dona do melhor carro do ano até aqui. Mas a sessão classificatória na pista espanhola de Barcelona revelou que a equipe dos energéticos continua muito a frente de todas as rivais em ritmo de classificação.



Mark Webber e Sebastian Vettel dominaram o grid com ampla vantagem em relação ao restante das equipes. É difícil pensar que um dos dois não conquistará a vitória amanhã no GP da Espanha. Entre Webber, o pole, e o primeiro carro de outra equipe, Lewis Hamilton e sua McLaren, há um enorme fosso de mais de oito décimos de segundo, uma diferença superlativa quando se fala em Fórmula-1.
O treino

Como de costume, o Q1 nocauteou as três equipes mais fracas do grid: HRT, Virgin e Lotus. A surpresa foi a saída precoce de Rubens Barrichello na primeira parte do treino.

No Q2, Adrian Sutil, que frequentemente avança para o Q3, foi surpreendido pela boa performance da Sauber, sobretudo do japonês Kamui Kobayashi, que conseguiu se credenciar para a fase final da classificação junto com o (competente-quase-genial-que-sempre-consegue-ir-para-o-Q3) Robert Kubica e as equipes do G4 (termo em desuso simplesmente porque a RBR já está podendo ser chamada de “G1”).

A Superpole foi um desfile da supremacia da Red Bull. A equipe austríaca comprovou que em condições normais o rendimento do RB6 é um arraso em relação aos concorrentes. Muito da absurda facilidade com que Webber e Vettel conquistaram a primeira fila se deve à eficiência aerodinâmica do modelo projetado por Adrian Newey, já que a pista de Barcelona é conhecida por ser uma das mais exigentes nesse quesito.

Quanto ao restante dos pilotos, o objetivo é tentar minimizar os prejuízos. Lewis Hamilton e Jenson Button mostram uma McLaren em boas condições de brigar pelo pódio. Na Ferrari a forte diferença de rendimento começa a deixar as coisas complicadas para Felipe Massa, que vem sendo seguidamente batido por Fernando Alonso, tanto em classificações como em corridas. A Mercedes, que realizou algumas mudanças no W01 para tentar ajudar Michael Schumacher a melhorar o desempenho, viu o heptacampeão, pela primeira vez no ano, classificar-se melhor do que Nico Rosberg.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Espanha:

quinta-feira, 6 de maio de 2010

GP da Espanha: atualizações e chance de chuva



FÁBIO ANDRADE



A chuva é um artigo raro na história do GP da Espanha. Desde que a prova se mudou para Barcelona, o registro mais notável da influência de São Pedro data de 1996, quando o mundo resolveu cair sobre o circuito da Catalunha em forma de água. Em 2010, no entanto, há possibilidades de o santo ajudar os torcedores. Pela 4ª vez consecutiva nesse ano, existem possibilidades razoáveis de chover nos treinos classificatórios de sábado e durante a corrida no domingo.



Para o sábado a meteorologia indica 50% de chances de chuva. No domingo o índice cai para 40% de chances de precipitações de intensidade moderada.

Mesmo que não chova, o GP da Espanha trará novidades. Como já se tornou comum, o princípio da fase europeia do campeonato é marcado pelas atualizações nos carros. A Ferrari eventualmente poderá incluir o seu sistema de dutos na F-10, dependendo do resultado dos treinos com o equipamento na sexta-feira.

Red Bull e Mercedes ainda não aprontaram o dispositivo para Barcelona, mas ambas trarão novos pacotes aerodinâmicos para o GP da Espanha. Na equipe prateada a atualização do W01 incluirá também o aumento da distância entre-eixos. Segundo o próprio Ross Brawn, boa parte das mudanças no modelo da equipe alemã visam facilitar a pilotagem de Michael Schumacher.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rádio OnBoard - Edição Pré-Espanha



FELIPE MACIEL



No ar, a edição número 77 da Rádio OnBoard!

Juntamente com o Ron Groo foi possível discutir as notícias que se destacaram durante a lacuna entre China e Espanha. As expectativas para a chegada ao calendário europeu, dentre outros assuntos, estão entre os tópicos deste programa.


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Agora é esperar pelo GP da Espanha, sem esquecer do nosso programa ao vivo Pre Race, sábado, às 20h. Depois da corrida voltaremos comentando os fatos que definiram a etapa de Barcelona.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

GP da Espanha costuma ser monótono



FÁBIO ANDRADE



- Disputado no Circuito da Catalunha desde 1991, o GP da Espanha ocupa atualmente o espaço que já foi de Ímola, e abre a fase europeia do campeonato. O traçado é conhecidíssimo por todas as equipes. Quando existiam testes na Fórmula-1, o autódromo espanhol era o preferido das equipes;

- E por que os times gostavam tanto da pista da Catalunha? Bem, a pista que abriga o GP da Espanha sempre foi considerada uma espécie de shopping center para carros de F-1: seu desenho apresenta curvas lentas e curvas velozes, um mix de características muito úteis para testes;

- A variedade de curvas, porém, não é sinônimo de boas corridas e muito menos de ultrapassagens. Nick Heidfeld sabe disso. Na edição de 2008 do GP da Espanha, o alemão da BMW ficou dezenas de voltas encaixotado atrás da Force India de Giancarlo Fisichella. Mesmo com um carro superior, Heidfeld só conseguiu a ultrapassagem porque Fisichella deu uma pequena escorregada na saída da última curva do circuito:

 

- Os organizadores tentaram um artifício para aumentar as ultrapassagens na grande reta: instalaram um chicance antes da última curva, na intenção de obrigar os carros a mergulharem na reta mais próximos. Não funcionou;

- A exceção ao marasmo que costuma ser o GP da Espanha aconteceu em 1991. A prova era a antepenúltima etapa do mundial, que tinha Ayrton Senna como favorito, com ampla vantagem na tabela. Senna não venceu e viu seu único oponente na briga pelo título, o inglês Nigel Mansell, triunfar. A corrida gerou uma das imagens mais célebres e bonitas da F-1: Mansell e Senna lado a lado, assoalhos dos carros raspando no asfalto e gerando faíscas na longa reta principal.



- Das 19 corridas disputadas na pista da Catalunha, em 12 o vencedor foi o campeão do mundo ao final da temporada, inclusive no ano passado.

- A Espanha, por fim, é a terra da Alonsomania. Os espanhóis são loucos por Fernando Alonso, o primeiro ídolo forte da Espanha na F-1. A corrida costuma acontecer com casa cheia e torcida vestindo as cores que o bicampeão vestir. É de se imaginar que as arquibancadas do circuito catalão estarão vermelhas, com a multidão de seguidores de Alonso saudando o herói local com o ímpeto de sempre.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Lá vem a fase européia...



FELIPE MACIEL



Pensamento do dia: É duro esperar 3 semanas para assistir a uma corrida desanimadora.

O público da Fórmula 1 começou o ano encarando a nova temporada com um nível de stresse sem igual. O GP do Bahrein frustrou a todos que esperavam um bom reforço na qualidade das competições em pista, mas à medida em que o circo foi se afastando da Europa as boas corridas trataram de apaziguar os ânimos.

Agora é hora de pousar no velho continente e encarar a realidade. Porque na Austrália teve chuva na corrida, na Malásia desceu água no treino e na China choveu durante o GP. Mas a próxima parada é em Barcelona, onde as ultrapassagens só não conseguem ser mais raras que a chuva.

Há poucos anos os organizadores modificaram o trecho final do circuito removendo uma interessante curva de alta para evitar a perda de pressão aerodinâmica e remodelaram o traçado com uma chicane que não ajudou em nada os duelos do final da reta principal.



Eu sou da opinião de que não se deve repulsar curvas rápidas para implementar um contorno de baixa velocidade se não houver garantia de eficácia nas ultrapassagens. Porque é muito mais interessante tanto para o público quanto para o piloto se deparar com o desafio de uma curva que imponha dificuldades do que obrigar todos a estacionarem seus veículos para passarem por lá. Não que a antiga curva da vitória fosse tão rigorosa, mas com relativa frequência alguém sambava na grama da entrada da reta. Hoje, ninguém erra naquele trecho.

O problema, porém, não é o GP da Espanha, afinal o histórico nos leva a baixar as expectativas para a prova. Aliás, o país do Alonso tem duas representantes no calendário, mas nenhuma que preste para empolgar os torcedores.

O problema é que a fase européia pode ratificar a desconfiança vista logo na primeira corrida do campeonato: mais uma vez, a F-1 mudou para não mudar.



Está chegando a hora de começarmos a medir pra valer a eficácia do fim do reabastecimento. Na abertura do calendário europeu, as equipes atualizam a munição e partem para o que Alonso chamou de "hora da verdade". Não só em relação ao grau evolução da categoria em termos de possibilidades de ultrapassagem, mas também em relação ao nivelamento das equipes para descobrirmos quem de fato brigará pelo título e que não poderá sonhar tanto com ele.

E... sinceramente? Button e Rosberg na ponta da tabela não me inspiram confiança...