FELIPE MACIEL
Nem sei por onde começo. Por quem tem carro e não tem vaga? Por quem tem vaga e não tem carro? Lá vou eu apelar para a ordem alfabética...
Campos Meta
De Campos só tem o nome. Seu grande fundador Adrian Campos está fora do negócio, mas a equipe mantém a identidade espanhola, uma vez que José Ramón Carabante passou de sócio a controlador da escuderia.
Colin Kolles foi definido não apenas como o chefão da coisa como também o diretor geral, que irá pôr ordem na bagunça e encarar o distinto desafio de organizar a ida da Campos para o Bahrein. Considerando o depoimento de Kolles, há tanto trabalho a ser feito quanto você pode imaginar.
Por duas semanas, tenho dormido duas horas por noite. É um momento inacreditável. Eu estou me esforçando cada vez mais e não sossegarei enquanto não estiver lá. Quero ter sucesso em levar a equipe ao grid, sobreviver à temporada e estabilizar o time.
Minha meta é resolver esse caos. Eles tinham basicamente nada, só caos. O único departamento que existia era o de software, em que oito garotos que nunca viram um carro de F-1 em suas vidas faziam programas de simuladores.
Há dois ou três engenheiros com experiência em F-1, e só isso. A história real é maluca. Teremos dois carros no Bahrein. Não sei como, não me importo, mas teremos dois carros no grid.
Colin Kolles
Em outras palavras, a equipe está nua. Mesmo que consiga colocar carro no grid, Bruno Senna e mais um infeliz passará o ano penando com o triste objetivo de terminar as corridas.
Stefan GP
Os sérvios sem garagem nos boxes buscam de todo jeito estrear. Se só existem 13 vagas, eles sonham com a 14ª. Mas o carro está pronto e eles não podem usar compostos Bridgestone.
O SF01 já colocou o motor para roncar, porém a primeira aventura em pista acontecerá para o final deste mês, no ilustríssimo circuito de Portimão, nem que seja com pneus de GP2. O time tem contrato com a Toyota, recebe equipamentos da Toyota, traz funcionários da Toyota. Dizem que até a grana da Panasonic vai ser herdada da Toyota. A confiança na estreia é tamanha, que sua presença física no Bahrein já é garantida. E não estão indo a turismo, suponho.
Kazuki Nakajima é dono de um dos cockpits. Jacques Villeneuve está prestes a assinar contrato também. A relativa tranquilidade lhes permite pensar em quem será o piloto reserva. Mera questão de tempo.
US F1
Os americanos viraram piada. Se os sérvios perturbam a FIA para ganhar o direito de competir, Ken e Peter imploram para disputar o Mundial a partir do GP da Espanha. Pois é, 4 corridas de ausência. Já que todo mundo sai impune do Pacto de Concórdia, não é de se admirar caso Todt abra essa concessão.
Em um mundo ideal, nós podemos perder as quatro primeiras corridas e aparecer em Barcelona. Acredito que tudo é possível. Mas qual seria o ponto disso? Por que eles nos dariam uma franquia e, na primeira vez que houvesse um buraco na estrada, simplesmente arrancá-la e colocá-la fora dos negócios? Definitivamente essa não é a mensagem que eu estou tendo deles. Eles querem nos ajudar, não acabar com a gente.
Ken Anderson
Duvido que o Anderson esteja tão tranquilo quanto sugere neste comentário. Seria bastante pragmático da parte da FIA eliminar a US F1 e alocar a Stefan. Resolveria o problema.
Mesmo que a FIA seja boazinha, os estadunidenses precisam se preparar para tirar dinheiro de outro piloto, porque há bons indícios anunciando a mudança de Pechito Lopez para a Campos. O argentino quer se garantir nas corridas; tá certo ele.
A verdade é que a equipe não tem carro. Estão pedindo tempo para construir um. É o drama virando comédia, simplesmente não dá para acreditar. Há um ano, a dupla ianque fazia graça e dava as caras em programas de TV para comemorar o projeto que ganharia as pistas na temporada seguinte. Pelo visto não vai.