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domingo, 27 de novembro de 2011

A F-1 veio ao Brasil já pensando nas férias

O assunto para qualquer um que comente sobre Fórmula-1 nesse pós Grande Prêmio do Brasil só pode ser o jogo de equipe da Red Bull em Interlagos. Nem dá pra falar em “suposto” jogo de equipe porque ele foi evidente, ocorreu aos olhos de todos, muito mal disfarçado, fantasiado de “gearbox problem” pelo rádio da equipe austríaca. Foi duro de acreditar no engodo montado pelo time taurino, que relutou em adotar o estratagema no ano passado - quando disputava o título ferozmente contra Ferrari e McLaren - e fez uso da tática agora, quando um pouco palpitante vice-campeonato estava em jogo.

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Com um ano de atraso, Vettel cede a posição para Webber"][/caption]

O porquê de um esforço tão grande da Red Bull na luta por um segundo lugar na tabela? Poucas explicações são plausíveis além do fato de que o time dominou, humilhou e massacrou a concorrência. O time não, Sebastian Vettel. Estava na hora de deixar Mark Webber participar da festa. Frustração para a equipe foi ver que nem com o jogo de equipe o vice-campeonato veio. Jenson Button segurou as pontas e Webber ficou numa posição que, numa análise mais fria, é duplamente humilhante: nem com essa vitória dada de bandeja ele conseguiu terminar o ano ao lado de Vettel na tabela de classificação. Sintomático.

Acabado o campeonato, Fernando Alonso, a despeito de estar no mais alto nível de pilotagem da sua vida, terminou o mundial num indigesto quarto lugar que não lhe faz justiça. Coisas da vida, afinal. E a Ferrari, grande derrotada do ano, começa 2012 obrigada a entregar ao bicampeão um carro minimamente competitivo sob a pena de ser acusada de impedir a progressão da carreira do cara que, a meu modo de ver, ainda é o melhor piloto desse certame.

Mas não nos esqueçamos da corrida. Houve uma disputada do terceiro lugar para trás. Lá na frente, a Red Bull fez como a Ferrari há 10 anos, e brincou de decidir o vencedor da prova. Fora dos dois primeiros lugares, o movimento foi outro.

A principal briga da prova se deu entre Alonso e Button, aqueles que, além de Vettel, formam o trio mágico de 2011. O espanhol fez a ultrapassagem mais sensacional da corrida - e uma das mais do ano - sobre o britânico por fora no Laranjinha, a curva mais desafiadora de Interlagos. Mas a falta de rendimento da Ferrari permitiu a Button devolver a manobra na Curva do Lago, também por fora, no final da corrida. E a troca de ultrapassagens entre os dois foi o melhor de uma corrida morna, onde a zona de ativação do DRS surtiu pouco efeito.

Houve mais em Interlagos, como o toque de corrida entre Bruno Senna e Michael Schumacher e a excelente exibição de Adrian Sutil. Mas ninguém ligou muito. Depois de uma temporada longa, há muito decidida e sem um atrativo de peso, pareceu que o circo estava mais preocupado em arrumar logo as malas e curtir as férias na Europa, do que em interessado em alguma coisa no Brasil. Tanto foi assim que o jogo de equipe da Red Bull passou em branco. Boas férias, Fórmula-1.
Grande Prêmio do Brasil, após 71 voltas:

1 - Mark Webber (AUS/Red Bull) - 1h32min17s434
2 - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull) - a 16s9
3 - Jenson Button (ING/McLaren) - a 27s6
4 - Fernando Alonso (ESP/Ferrari) - a 35s0
5 - Felipe Massa (BRA/Ferrari) - a 1min06s7
6 - Adrian Sutil (ALE/Force India) - a 1 volta
7 - Nico Rosberg (ALE/Mercedes) - a 1 volta
8 - Paul di Resta (ESC/Force India) - a 1 volta
9 - Kamui Kobayashi (JAP/Sauber) - a 1 volta
10 - Vitaly Petrov (RUS/Renault) - a 1 volta
11 - Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso) - a 1 volta
12 - Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso) - a 1 volta
13 - Sergio Perez (MEX/Sauber) - a 1 volta
14 - Rubens Barrichello (BRA/Williams) - a 1 volta
15 - Michael Schumacher (ALE/Mercedes) - a 1 volta
16 - Heikki Kovalainen (FIN/Lotus) - a 2 voltas
17 - Bruno Senna (BRA/Renault) - a 2 voltas
18 - Jarno Trulli (ITA/Lotus) - a 2 voltas
19 - Jerome d'Ambrosio (BEL/Virgin) - a 3 voltas
20 - Daniel Ricciardo (AUS/Hispania) - a 3 voltas
21 - Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania)
22 - Lewis Hamilton (ING/McLaren)
23 - Pastor Maldonado (VEN/Williams)
24 - Timo Glock (ALE/Virgin)

sábado, 26 de novembro de 2011

Ninguém bateu Vettel de novo

[caption id="" align="aligncenter" width="600" caption="Sebastian Vettel conquista sua 15ª pole na temporada. Um número que impressiona!"][/caption]

Os treinos livres e a possibilidade de chuva nesse sábado em Interlagos deram a chance para que se sonhasse com a pole position de outro piloto que não fosse Sebastian Vettel. Mas o domínio foi grande novamente. Com um carro de outro planeta e um talento que se esbanja no jovem alemão, fica difícil para qualquer um desafia-lo.

O tempo foi para a casa dos 1min11s. Com a marca de 1min11s918, Vettel ficou pouco à frente de seu companheiro de equipe, Mark Webber, mas pareceu que se quisesse aumentar a diferença teria feito. Com a pole, Vettel quebrou um recorde na F-1 e fez a sua 15ª pole no ano. Número impressionante.

Na segunda fila quem aparece são os carros da McLaren que eram grandes adversários dos taurinos. Jenson Button foi bem, ficando à frente de seu companheiro de equipe Lewis Hamilton que sai em 4º.

Fernando Alonso, como de costume neste ano, tirou tudo o que podia para conseguir o 5º lugar no grid. Só uma chuva pode colocar o espanhol na vice-liderança do campeonato e impedir que Button consiga o feito. Ao lado do espanhol sairá o sempre competente Nico Rosberg. Felipe Massa sairá da 7ª colocação.

A surpresa do treino foi ver que Bruno Senna se sentiu realmente motivado em correr em Interlagos e tentar mostrar que pode ser a melhor escolha para a Renault no ano que vem. O sobrinho avançou para o Q3 e sairá amanhã na 9ª colocação.

Rubens Barrichello conseguiu realizar um bom treino de classificação e sair satisfeito com o resultado que obteve, sem reclamar, o que neste ano foi algo bem difícil de acontecer. O piloto da Williams conseguiu o 12º melhor tempo no Q2, enquanto que seu companheiro sequer avançou para a segunda parte dos treinamentos.

Paul Di Resta sai em 11º e Adrian Sutil conquistou o ótimo 8º posto. Só a chuva e o azar para tirar o 6º lugar do Mundial de Construtores da equipe indiana.

A corrida amanhã começa às 14h (horário de Brasília). Hoje às 20h tem Pré-Race na Radio OnBoard.

1º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min11s918 ( 17 )
2º. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min12s099 ( 16 )
3º. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), 1min12s283 ( 18 )
4º. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min12s480 ( 22 )
5º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min12s591 ( 22 )
6º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min13s050 ( 21 )
7º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min13s068 ( 18 )
8º. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), 1min13s298 ( 23 )
9º. Bruno Senna (BRA/Lotus Renault), 1min13s761 ( 20 )
10º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), sem tempo ( 18 )

11º. Paul di Resta (ESC/Force India-Mercedes), 1min13s584 ( 17 )
12º. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), 1min13s801 ( 17 )
13º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), 1min13s804 ( 18 )
14º. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), 1min13s919 ( 22 )
15º. Vitaly Petrov (RUS/Lotus Renault), 1min14s053 ( 16 )
16º. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min14s129 ( 18 )
17º. Sergio Pérez (MEX/Sauber-Ferrari), 1min14s182 ( 21 )

18º. Pastor Maldonado (VEN/Williams-Cosworth), 1min14s625 ( 11 )
19º. Heikki Kovalainen (FIN/Team Lotus-Renault), 1min15s068 ( 11 )
20º. Jarno Trulli (ITA/Team Lotus-Renault), 1min15s358 ( 14 )
21º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Hispania-Cosworth), 1min16s631 ( 8 )
22º. Daniel Ricciardo (AUS/Hispania-Cosworth), 1min16s890 ( 9 )
23º. Jérôme D'Ambrosio (BEL/Marussia Virgin-Cosworth), 1min17s019 ( 10 )
24º. Timo Glock (ALE/Marussia Virgin-Cosworth), 1min17s060 ( 10 )

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Interlagos



FELIPE MACIEL



No ar a edição número 99 da Rádio OnBoard!

Na companhia de Fábio Campos e Ron Groo, abordamos os casos mais marcantes do GP do Brasil, traçamos as expectativas para a disputa final pelo título da temporada e também voltamos a fazer o clássico "Jogo Rápido".


Clique para ouvirClique para baixar



Voltamos na próxima semana, com o título já definido no Grande Prêmio de Abu Dhabi. Mas antes, o programa ao vivo no link de costume, iniciando às 20h do último sábado de Pre Race do ano. Até o próximo encontro.

domingo, 7 de novembro de 2010

Em prova morna, Vettel lidera dobradinha da Red Bull no Brasil



FÁBIO ANDRADE


O título do mundial de construtores conquistado na tarde desse domingo pela Red Bull em Interlagos dá ao time alguma tranquilidade para disputar o outro mundial ainda em aberto, o de pilotos, que terá seu desfecho no domingo que vem, no GP de Abu Dhabi. Já no GP do Brasil, o que se viu foi a equipe austríaca vencer com tranqüilidade em São Paulo, com Sebastian Vettel liderando a dobradinha da Red Bull, complementada por Mark Webber. Vettel chega assim à quarta vitória no ano, se mantendo vivo na disputa pelo título. Não houve ordem de equipe para que o alemãozinho favorecesse Webber e dessa forma Fernando Alonso continua na ponta do mundial de pilotos depois do terceiro lugar conquistado pelo espanhol  na corrida brasileira.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="A dobradinha em Interlagos garantiu o título de construtores para a equipe Red Bull"]A dobradinha em Interlagos garantiu o título de construtores para a equipe Red Bull[/caption]

Quatro pilotos vão chegar em Abu Dhabi com chances de levar o mundial. Jenson Button se despediu da briga pelo título no Brasil e seu companheiro de equipe ainda preserva alguma possibilidade de faturar a taça, mas ela é extremamente remota. Lewis Hamilton chega ao oriente médio com 24 pontos de desvantagem em relação ao líder Alonso. Precisa de um grande milagre para terminar o ano com o bicampeonato.


Mas Abu Dhabi ainda é na semana que vem. Nesse domingo a corrida foi no Brasil, no belo Interlagos, na pista que proporciona show e muitas ultrapassagens. Havia grande expectativa em torno da prova na pista paulista. Mas depois das 71 voltas ficou no ar a sensação de que algo saiu abaixo do esperado.



Alguém faltou ao grande encontro

[caption id="" align="aligncenter" width="499" caption="Vettel pulou tomou o primeiro lugar de Hulkenberg antes mesmo da primeira curva"]Vettel pulou tomou o primeiro lugar de Hulkenberg antes mesmo da primeira curva[/caption]

Não dá pra falar do começo da corrida em Interlagos sem citar Nico Hulkenberg. A lógica dizia que o jovem alemão, largando da pole, não resistiria por muito tempo às investidas dos carros mais fortes. Dito e feito, a liderança de Hulkenberg não resistiu à primeira curva. Antes mesmo do S do Senna o alemãozinho da Williams já havia sucumbido ao alemãozinho da Red Bull, Sebastian Vettel. Hulkenberg deu algum trabalho a Mark Webber, que concretizou a ultrapassagem poucas voltas depois. O próximo a encarar o pole seria Lewis Hamilton, mas o britânico estava mais preocupado com a aproximação de Alonso. Uma bela briga entre os campeões chegou a se delinear, mas Hamilton escorregou na saída da Curva do Lago ainda na segunda volta, fugindo de uma disputa que prometia ser boa. Na mesma Curva do Lago onde em, 2007, Hamilton começou a ver seu campeonato desmoronar a não-briga mais palpitante do GP do Brasil de 2010 aconteceu.


Alonso passou então a atacar Hulkenberg, que deu bastante trabalho, segurando o espanhol na caixa de câmbio de sua Williams até a volta de número 7, quando foi, finalmente superado. Só que nessa altura, Vettel e Webber já haviam se destacado do restante do pelotão, e faziam uma corrida só deles.




[caption id="" align="aligncenter" width="499" caption="Webber em 2º, Hulkenberg em 3º e Hamilton se defendendo de Alonso na freada do S do Senna"]Webber em 2º, Hulkenberg em 3º e Hamilton se defendendo de Alonso na freada do S do Senna[/caption]

Quando conseguiu ultrapassar o piloto da Williams, Alonso já levava 12 segundos de prejuízo em relação aos Red Bulls. Em quarto lugar, Hulkenberg continuou a conduzir bem, impedindo Lewis Hamilton de ultrapassá-lo até que a equipe Williams finalmente o chamou para trocar os pneus. Depois disso Hulk sumiu das câmeras, mas teve suas 10 voltas de fama na Fórmula-1.


Pouco depois começaram as paradas para troca de pneus. O destaque foi Button, um dos primeiros a parar, que conseguiu sair da nona para a quinta posição. A nota triste foi o trabalho de box infeliz da Ferrari, que não fixou bem a roda dianteira direita no carro de Felipe Massa, obrigando-o a voltar aos boxes na volta seguinte para terminar o serviço.


Alonso e os dois Red Bulls foram aos boxes entre as voltas 24 a 26. O espanhol foi o primeiro a parar, seguido de Vettel na outra volta e Webber na seguinte. As paradas encerraram a primeira parte da corrida, sem incidentes sérios e até então sem Safety Car.


A corrida mergulhou então em sua fase mais morna. Passada a tensão da largada e das paradas nos boxes, Vettel liderava com cerca de 3 segundos de vantagem para Webber, que tinha quase 10 segundos de margem sobre Alonso. As voltas atrás de Hulkenberg custaram a Alonso a chance de estar mais próximo das Red Bulls. A expectativa por diversas brigas por posição alimentadas assim que o grid se definiu no sábado foi se tornando um enjoado conformismo com uma corrida sem disputa entre os líderes do mundial.




[caption id="" align="aligncenter" width="499" caption="Distante dos líderes da corrida, Alonso ficou com o 3º lugar"]Distante dos líderes da corrida, Alonso ficou com o 3º lugar[/caption]

Alguém faltou ao grande encontro. Era em Interlagos que os líderes deveriam discutir o mundial 2010. Na próxima corrida em Abu Dhabi ninguém espera que chovam ultrapassagens. Se havia algum lugar para que os concorrentes ao título resolvessem suas diferenças na pista, esse lugar era São Paulo. Afinal, o histórico recente garante a pista brasileira como uma das que mais proporcionam ultrapassagens e elas aconteceram em bom número no meio da fila. Só foram raras entre os que brigam pelo campeonato.


Alguém faltou ao grande encontro. Hamilton e Alonso poderiam ao menos ter ensaiado um confronto no começo da corrida, mas o britânico abriu mão da briga ao escapar no Lago. Depois, da volta 40 até o acidente com Vitantônio Liuzzi, Webber também ameaçou começar a disputar a liderança da prova com Vettel. Só que sempre que o australiano se aproximava do companheiro alemão, um retardatário surgia e o fazia perder tempo. No 52º giro Liuzzi bateu na Curva do Sol e obrigou o Safety Car a entrar em cena. Depois disso Webber não conseguiu mais se aproximar de Vettel. Nas voltas finais o grande encontro ameaçou se dar entre Alonso e Webber, mas faltou tempo para que o espanhol se aproximasse. E tudo terminou como estava.




[caption id="" align="aligncenter" width="396" caption="A grande briga que não houve em Interlagos: Sebastian Vettel e Mark Webber"]A grande briga que não houve em Interlagos: Sebastian Vettel e Mark Webber[/caption]

Na revista Veja do dia 19 de setembro de 2001 o ensaísta Roberto Pompeu de Toledo entitulou assim seu artigo na última página do semanário: “alguém faltou ao grande encontro”. Toledo se referia aos atentados que abalaram Nova Iorque e Washington uma semana antes, e sobre como eles despertavam uma guerra da “invencível América” contra os rotos afegãos:




(...) trata-se de guerra contra quem? Eis o problema. É uma guerra em que falta o outro lado. Se o leitor tem em mente os palestinos, que raio de adversários são esses – pouco mais que um bando de favelados, armados mais freqüentemente de paus e pedras que de outra coisa? Se tem em mente o Afeganistão, que raio de adversário é esse, cujas lutas tribais o situam a um degrau da Idade da Pedra? Não. Não dá para imaginar a Terceira tendo como oponentes, de um lado, a super e invencível América, e do outro os esfarrapados palestinos, ou os obscuros afegãos. Eis outro paradoxo, o maior, dos eventos da semana passada. Ao desencadear a Terceira Guerra Mundial, o outro lado faltou. Foi como um encontro marcado em que um dos lados, na hora H, não dá as caras. Ou como a noiva que deixa o noivo só no altar. (...)



E assim foi o GP do Brasil. Alguém faltou ao grande encontro não porque as Red Bulls são a América invencível e os rivais são pobres coitados montados em carroças ou em carrinhos de rolimã. Alguém faltou porque na corrida que tinha tudo para, finalmente, marcar com grandes brigas e grandes imagens a discussão do campeonato mais esperado e mais equilibrado dos últimos anos, ninguém brigou. Vettel, Webber, Alonso e Hamilton não se enfrentaram. Cada um ficou na sua. E o público ficou do lado de cá, aguardando sem muitas esperanças que em Abu Dhabi se produza, enfim, alguma imagem marcante que sirva como símbolo e memória da Temporada 2010 no futuro.


O campeonato de pilotos vai para o GP de Abu Dhabi, o último do ano, assim: Alonso líder com 246 pontos. Webber atrás com 238. Vettel tem 231 e Hamilton, praticamente fora da briga, tem 222.



Grande Prêmio do Brasil, resultado após 71 voltas:

sábado, 6 de novembro de 2010

Hulkenberg faz história, desbanca favoritos e é pole no Brasil



FÁBIO ANDRADE


Justamente no GP do Brasil, quando sua vó ou sua irmã, que quase nunca assistem Fórmula-1, estão na sala, você tem que dar explicações sobre quem é esse ilustre desconhecido que tem o número um ao lado de seu nome no crédito da televisão. Isso quando já não basta ter que dizer quem é o tal Mark Webber e o outro tal Sebastian Vettel e ter que ouvir à odiosa pergunta sobre o por que de Schumacher não estar mais ganhando nada. É justamente quando a televisão dá mais notoriedade a um produto que normalmente passa batido na programação que a maior zebra do ano acontece. E aí o jornalismo da Globo, que normalmente já não consegue explicar bem o que é uma corrida de automóvel, tem um trabalhinho a mais para a próxima edição do Jornal Nacional.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="Nico Hulkenberg, o pole do GP do Brasil"]Nico Hulkenberg, o pole do GP do Brasil[/caption]

Nico Hulkenberg teve grande senso de oportunidade na tarde desse sábado em Interlagos. Larga na primeira posição no GP do Brasil, desbancando os favoritos que brigam pelo título. Ao seu lado na primeira fila está o também jovem Sebastian Vettel. Uma primeira fila inteiramente alemã e que tem 46 anos de idade se somadas as idades dos integrantes que têm 23 anos cada um. O ídolo de ambos nesse esporte em que competem, Michael Schumacher, tem 41 anos de idade.


A pole conquistada por Nico Hulkenberg é a primeira da equipe Williams desde o GP da Europa de 2005, quando o também alemão Nick Heidfeld cravou o melhor tempo no treino classificatório em Nurburgring.



A pole da despedida

Um resultado como esse só poderia vir mesmo em Interlagos. É, afinal, uma pista que tem suas limitações, poucas curvas de alta velocidade, mas configura-se como um dos traçados com mais personalidade do calendário mesmo assim. Disputado no sentido anti-horário (só Turquia, Cingapura e Coreia do Sul também o são) e com uma grande variação de relevo, a pista possui curvas em subida, em descida, miolo travado e um longo período de aceleração com duas guinadas para a direita. Foge do mais do mesmo visto nos tilkódromos e conta com o bônus da instabilidade climática para tornar a coisa ainda mais fora do comum. Só mesmo num lugar assim, na América do Sul ignorada pela maioria dos grandes eventos, para que um cidadão também não muito conhecido e a beira do desemprego pudesse dar seu cartão de visitas com 18 corridas de atraso.


Nico Hulkenberg é um estreante em 2010, mais um dos muitos jovens pilotos que chegaram na F-1 como grandes promessas. Na visão desse blogueiro, não é um piloto ruim, ao contrário, conseguiu acompanhar o veterano e experiente companheiro Rubens Barrichello em algumas ocasiões na classificação, eventualmente conseguindo até posição melhor do que a do brasileiro, seu parâmetro imediato de comparação. Apesar dos bons resultados em seu ano de estreia (seu melhor resultado é o sexto lugar obtido na Hungria) está sem emprego para a próxima temporada. A equipe pela qual disputa o mundial, a Williams, perderá os dois principais patrocinadores e precisou vender a vaga da Hulkenberg para o venezuelano Pastor Maldonado, que levará consigo vultoso patrocínio petrolífero de seu país.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Depois de 5 anos a Williams volta à posição de honra"]Depois de 5 anos a Williams volta à posição de honra[/caption]

Justamente quando está perto da despedida, Hulk deu à Williams o retorno ao lugar de onde uma das equipes mais tradicionais do esporte a motor jamais deveria ter saído. Esporte quase nunca tem a ver com justiça, mas não custa perceber o quanto as coisas se sucedem de uma forma cruel de vez em quando.



Onde estão os favoritos?

Crueldade foi o que Hulkenberg fez com a concorrência. Mesmo com o piso molhado, todos apostavam que os seis pilotos das três equipes grandes estivessem nas primeiras posições. Afinal a chuva não era torrencial, pelo contrário, foi diminuindo até acabar totalmente e, já no fim do treino, possibilitou o uso de pneus slick, de pista seca. Apesar disso, o asfalto de Interlagos era um traiçoeiro tapete que só permitia a pilotagem no “trilho” seco, com o agravante de ainda estar muito molhado na curva da Junção.


Robert Kubica e Mark Webber logo experimentaram o quão complicada estava a freada da Junção, escapando e passeando na área de escape. No restante da pista, porém, a pilotagem com pneus slick já era razoavelmente segura, e os tempos começaram a baixar, apesar do piso úmido. Óbvio, a pole position de Hulkenberg foi, em parte, condicional. O alemãozinho (perdeu, Vettel) não teria carro para brigar pela ponta em pista totalmente seca. Mas, por outro lado, Hulk faturou a ponta com os grandes pilotos e as grandes equipes na pista. Felipe Massa, duas vezes vencedor e especialista em Interlagos estava lá. Rubens Barrichello, que goza de ótima reputação no molhado, também. Sebastian Vettel, outro pato, estava na disputa. Até mesmo dom Fernando Alonso, o fodão, brigava pela ponta. Todos ficaram atrás do desconhecido Hulkenberg.


E ficaram atrás por muito. Hulkenberg conquistou a pole com vantagem digna de piloto Red Bull. Um segundo sobre o rival mais próximo, Vettel. Tal como o próprio Vettel fez em 13 de setembro de 2008, quando marcou a pole position sob chuva em Monza no GP da Itália com um carro modesto, Hulkenberg fez o mundo parar e perceber nesse 6 de novembro que mesmo quando há um título em disputa, grandes campeões, grandes favoritos, há espaço para a surpresa, para o imponderável. Há espaço para que um moleque de 20 e poucos anos surpreenda e dê uma oxigenada no ambiente meio quadradão da F-1. Hulkenberg pode não ganhar nada amanhã, e provavelmente não ganhará a corrida, que deve ter pista seca e sol, mas trouxe de volta alguma poesia quando só se falava em jogo de equipe na Ferrari e briga dentro da Red Bull.



Os dois alemãozinhos: Sebastian Vettel e Nico Hulkenberg
Os dois alemãozinhos: Sebastian Vettel e Nico Hulkenberg

Red Bull favorita

Vettel largará em segundo e é o grande beneficiado com o resultado do treino. É uma espécie de primeiro colocado sub judice, se é que tal condição é possível. Terá a companhia de Webber que parte em terceiro e verá Lewis Hamilton pelo retrovisor no quarto lugar. Alonso, único com condições de sagrar-se campeão no Brasil amanhã, partirá em quinto, muito abaixo do que a torcida espanhola esperava. Jenson Button, já em situação delicada na tabela, deu o adeus definitivo à briga pelo título. A não ser que algo muito fora do comum aconteça em Interlagos. Com um treino classificatório tão fora do comum, no entanto, é bom não duvidar.



Grid de largada para o Grande Prêmio do Brasil:

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Interlagos, Treino 2



FÁBIO ANDRADE


A segunda sessão de treinos livres para o Grande Prêmio do Brasil contou desde o começo com a presença dos pilotos que disputam o título. Durante quase todos os 90 minutos de atividades da tarde em Interlagos algum dos cinco pilotos que brigam pelo mundial estava na pista preparando o carro para os dias decisivos da etapa brasileira. Apesar do movimento, o treino não teve grande incidentes. A bandeira amarela precisou ser acionada apenas uma vez, quando Felipe Massa  parou a F-10 na reta oposta, com um problema de embreagem.




O restante do treino foi marcado por algumas escapadas dos pilotos, sobretudo na freada da Cruva do Lago, onde vários carros passearam pela área de escape. Jaime Alguersuari disputou a freada do S do Senna com Michael Schumacher como se estivessem em uma corrida. A cena teve direito até a um toque entre ambos. O jovem espanhol ainda rodou no Mergulho, pouco depois, mas conseguiu retirar o carro da posição pergiosa e o treino não precisou ser interrompido.



Red Bull lidera novamente

Tal como na manhã, a Red Bull dominou outra vez a tabela de tempos de Interlagos com uma dobradinha. De novo Sebastian Vettel foi o mais rápido, baixando o melhor tempo do dia para 1min11s968. Mark Webber cravou o segundo tempo, ficando a 104 milésimos do companheiro. Fernando Alonso dessa vez pôde concluir todo o treino livre e ficou com o terceiro tempo. Curiosamente, o espanhol marcou, na sessão vespertina, o mesmo tempo que Vettel cravara pela manhã: 1min12.328.



Treinos Livres para o Grande Prêmio do Brasil, sessão 2:

Interlagos, Treino 1



FÁBIO ANDRADE


Bem, cheguei em casa agora, perdi a sessão 1 dos treinos livres para o GP do Brasil. Pretendo assistir à segunda e prometo disponibilizar um link aqui, caso encontre um.


Ta aí a listinha dos tempos. Menino Vettel vem quente como sempre, mas isso quase nunca quer dizer alguma coisa. Red Bull confirma a impressão de que tem O carro para Interlagos. McLaren fez segunda fila, o que é muito para o momento do time. Ferrari decepcionou ficando lá embaixo. As notícias são de que Alonso chegou a parar o carro na reta oposta, com problemas.


Mas hoje é sexta, e tudo isso não diz muita coisa.



Treinos Livres para o Grande Prêmio do Brasil, sessão 1:

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

GP do Brasil: o que você não vê na tv



FÁBIO ANDRADE




O vídeo acima é o resumo de uma corrida bem documentada, sobretudo para nós brasileiros, que temos rico material sobre as grandes vitórias de Ayrton Senna. Para os desavisados, trata-se do lendário GP do Brasil de 1991, quando Senna viveu o drama de passar as últimas voltas com apenas a 6ª marcha da McLaren funcionando, rezando para que a Williams de Riccardo Patrese não conseguisse se aproximar até a bandeirada.


Apesar de essa ser uma memória já bastante conhecida, o vídeo vale a pena sobretudo pela diferença entre a transmissão de Fórmula-1 que se fazia há 20 e a que se faz hoje. No vídeo postado acima, em algumas tomadas, fica evidente, por exemplo, que o Laranjinha é uma curva feita em um senhor aclive. Essa sensação é bastante suavizada ou praticamente deixa de existir na transmissão televisiva atual. Isso dá uma ideia de como a tv altera a forma de percepção de uma corrida.


Para os que, como eu, ainda não puderam assistir a um gp de F-1 in loco, essa observação deve soar como mais um estímulo. A tv fornece os tempos de volta, as posições de cada um na pista e o rádio da comunicação entre equipes e pilotos, mas não permite um olhar subjetivo sobre o que se desenrola na pista. Dizem até que corridas de automóvel têm cheiro.


Ainda sobre o vídeo, no mesmo Laranjinha a câmera onboard revela a direção nervosa do McLaren de Senna, mas essa já não é uma esfera sob interferência da direção de imagens e sim dos próprios carros da época. Senna corrige a trajetória na saída da curva. Eram carros sem a aderência aerodinâmica extrema de hoje em dia, e era uma pilotagem inegavelmente mais bonita de assistir.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Kobayashi, One Year



FÁBIO ANDRADE




Já faz um ano que Kamui Kobayashi surpreendeu os fãs da Fórmula-1 com sua aparição em Interlagos. E os traços da agressividade nipônica vistos na pista brasileira, uma das que mais proporcionam brigas por posição, se confirmaram em 2010 no GP do Japão, em Suzuka, onde as ultrapassagens não costumam ser muito abundantes. Com seu estilo atirado, que propõe ao adversários em pista as opções "ultrapassagem" ou "batida",  Kobayashi conquistou em menos de um ano a simpatia de boa parte dos entusiastas da Fórmula-1.


E se a Toyota resistisse na categoria em 2010, seríamos privados desse arrojo para o retorno de Timo Glock ou a permanência de Jarno Trulli na equipe japonesa? A saída da montadora da F-1 foi lamentada mas garantiu a presença do kamikaze Kobayashi no grid desse ano. Há males, que definitivamente, vêm para o bem. Koba é hoje um dos pilotos mais interessantes de ser prestar atenção nas corridas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O que esperar do GP do Brasil?



ANDERSON NASCIMENTO



Chegamos a mais um ano de um Grande Prêmio que surgiu a décadas atrás e que ajudou a Fórmula 1 a ter uma história mais empolgante e vibrante. Já vimos por aqui vitórias memoráveis de gigantes do automobilismo e, recentemente, presenciamos títulos de jovens pilotos, até considerados inexperientes para se consagrarem campeões.



Mas, o que esperamos neste ano não nos deve empolgar como em anos anteriores ou mesmo naqueles que nos deixam com muitas saudades. Aguardamos sim uma batalha ferrenha entre os postulantes ao título, que pretendem vencer a todo custo. Porém, pecamos como sempre quando o assunto é organização. Não há como nos compararmos aos orientais, incluindo aos coreanos, quando o que se olha vai além das pistas.

A Fórmula 1, como a imensa maioria sabe, envolve muito mais do que grandes máquinas e geniais pilotos pisando fundo em um circuito moderno e bem construído. A F-1 se confunde com os negócios, com o dinheiro que ela mesmo respira. E mesmo em um país pouco habituado a ordem e a disciplina como o nosso, a organização e a seriedade fazem uma diferença enorme nestes assuntos.

Esportivamente, não há dúvida que a etapa brasileira seja uma das melhores do atual calendário da FIA para a F-1. Povo apaixonado por automobilismo e que deposita em seus compatriotas dentro dos cockpits uma esperança de vitória muitas vezes inimaginável.

No entanto, longe de querer ser crítico demais, percebi que mais se vale um GP como o disputado na Coréia do Sul do que como o que será disputado em solo brasileiro. Os coreanos, que a imprensa mundial tratou de classifica-los como incompetentes, fizeram questão de nos pedir desculpas pelo atraso das obras e por sediarem uma etapa de Fórmula 1 naquelas circunstâncias. Com isso, elevaram a F-1 a um patamar que ela nem mesmo merecia, pois como o excelente jornalista Luis Fernando Ramos nos lembrou, é a Fórmula 1 que gira em torno do mundo e não o mundo em torno da Fórmula 1.

Nós, ao contrário dos coreanos, vibramos com tanto ufanismo e às vezes de maneira tão tola que nos esquecemos dos tantos problemas que precisamos resolver para termos enfim uma etapa da maior alta qualidade. Bernie Ecclestone já notou isso e não vê mais no Brasil um lugar rentável para sua categoria.

Isto não é pessimismo, nem uma crítica injusta a essa pátria, mas um retrato verídico do que normalmente esperamos em um GP do Brasil.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Rússia sediará gp a partir de 2014; Yeongam ainda preocupa



FÁBIO ANDRADE


O acordo firmado entre Bernie Ecclestone, o gerente comercial da Fórmula-1  e o primeiro-minstro russo Vladimir Putin para a realização de uma corrida naquele país aperta ainda mais o calendário para os próximos anos. O GP da Rússia irá ingressar na categoria em 2014, ampliando a tendência atual de rumar cada vez mais para o leste. A estreia da Rússia no mundial acirra a disputa para sediar uma corrida já que estão confirmadas novas provas a partir de 2011. O próximo ano marcará a entrada do GP da Índia no mundial e em 2012 os Estados Unidos voltarão a receber os carros de F-1.


Semanas atrás, alguns representantes das equipes foram unanimes em dizer que 20 corridas é a quantidade máxima desejável para a categoria devido aos trâmites logísticos que envolvem as viagens do circo pelo mundo. Ecclestone concordou e declarou informalmente à imprensa que as 20 corridas de 2011 são o limite para a F-1. Resta saber quais provas deixarão o calendário para que as novas etapas entrem. No final de julho, Ecclestone deu um recado à organização do GP do Brasil, cobrando melhorias no autódromo de Interlagos, que segundo o chefão comercial, é "o pior do campeonato". O contrato da F-1 com a prefeitura de São Paulo, coincidentemente, vai até 2014.




[caption id="" align="aligncenter" width="495" caption="GP do Brasil: contrato entre prefeitura e F-1 vai até 2014"]GP do Brasil: contrato entre prefeitura e F-1 vai até 2014[/caption]
Incertezas sobre Yeongam

Charlie Whiting homologou o circuito de Yeongam há poucos dias, mas ao contrário do que poderia se imaginar, aumentaram as dúvidas quanto ao que vai acontecer na Coreia do Sul no próximo dia 24. O asfalto só foi aplicado na pista há poucos dias e é unanime a impressão de que ele não vai estar devidamente fixado daqui a pouco mais de uma semana, quando os carros começarem a circular pelo traçado. Tal como quando marcaram o GP da Malásia para o final da tarde mesmo com iminente risco de chuva em 2009, mais uma vez os comandantes do "circo" da Fórmula-1 operam sem nenhuma dose de bom senso.