FÁBIO ANDRADE
Quando estourou a notícia de que Vijay Mallya havia comprado uma equipe, no final de 2007, alguns setores da Fórmula-1 franziram a testa. Afinal, o que poderia fazer um empresário indiano num mundo high-tech de uma categoria tão orgulhosa de si mesma? E os resultados iniciais da equipe batizada de Force India confirmaram os prognósticos negativos. A equipe que começou a competir em 2008 era, na verdade, precedida por uma intensa rotatividade de proprietários.
Entre 2005 e 2008, a estrutura que hoje recebe o nome de Force India teve 4 donos. Em 2005 era a pioneira Jordan, em 2006, tornou-se Midland, em 2007, novamente vendida, passou a chamar-se Spyker, até que, finalmente, foi comprada por Mallya e passou a ser a Force India.
Os resultados da equipe em seu ano de estreia realmente foram ruins, até porque a equipe era a continuidade de uma série de projetos interrompidos. A Force India não marcou pontos em 2008 e, no fim do ano, Vijay Mallya promoveu profundas mudanças visando a reestruturação do time: demitiu o alto comando da equipe, formado por Colin Kolles e Mike Gayscone, e trocou os motores Ferrari pela parceria técnica com a McLaren-Mercedes (que ainda era uma equipe só). Essa última mudança é considerada a chave do atual bom momento da equipe.

O acordo firmado entre Mallya e a então equipe inglesa ia além do simples fornecimento de motores. Além de ceder os propulsores Mercedes, o apoio técnico da McLaren deu ao time indiano a possibilidade de contar com informações de um centro técnico top da F-1, o que seguramente influenciou os resultados promissores da Force India em 2009, com direito a pole position no GP da Bélgica, na veloz pista de Spa-Francorchamps e o 4º lugar de Sutil no também rápido circuito de Monza, na Itália.
A Force India hoje briga com Williams e Renault pelo posto de 5ª força do grid, atrás apenas das gigantes Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull. O salto de qualidade é impressionante, já que há dois anos a equipe era uma das que fechavam o grid. Os resultados animadores conquistados pelo time de Vijay Mallya são uma espécie de recompensa ao indiano pelo trabalho sério e comprometido feito até aqui. No primeiro ano como comandante da Force India, o indiano enfrentou pesado descrédito em relação a seu desempenho como dono de equipe. Vijay hoje pode considerar-se um empreendedor de sucesso na F-1.

Mesmo que nunca tenha vencido uma corrida, apesar de o 2º lugar de Giancarlo Fisichella na Bélgica ano passado ser considerado uma vitória, a Force India chegou a um ponto que é difícil até mesmo para equipes mais estruturadas financeira ou tecnicamente. Exemplos como a Toyota (com forte apoio financeiro da montadora) e Williams (com um know-how que ainda pode ser considerado de primeira), que passaram anos sem resultados expressivos, valorizam o atual momento da Force India, que deve brigar pelos pontos com frequencia em 2010. Passar de equipe figurante a destaque do meio do grid numa categoria dispendiosa como a F-1 é um triunfo para poucos e do qual Vijay Mallya pode se orgulhar.








