FELIPE MACIEL
A Fórmula 1 igualará em 2010 o recorde de GPs por ano ocorrido em 2005. Caso nenhuma corrida seja cancelada, claro. Destacam-se as informações do atraso nas obras na Coreia e a suposta ameça do Eyjafjallajokull ao GP da Espanha, mas com um pouco de sorte teremos as digníssimas 19 corridas agendadas para esta temporada, preparando-nos para bater recorde atrás de recorde nos anos seguintes.
Em 2011 serão 20 etapas, e em breve chegaremos a 25. Palavra de Bernie Ecclestone.

O próximo Mundial incluirá uma etapa na Índia. Depois disso, ainda há muito a se decidir... Tudo leva a crer que o poderoso chefão trará o circo à bela paisagem de Manhattan, consolidando o tão desejado retorno da F-1 aos Estados Unidos. A Rússia também está na alça de mira do Bernie, que possivelmente tornará Sochi a sede do Grande Prêmio da terra do Petrov.
Roma ganharia sua corrida em 2013, para o entusiasmo dos tifosi. Ainda há a esperança de o tradicional GP da França retomar seu espaço, resta saber qual circuito faria as honras - provavelmente um rabisco do Tilke resolveria o assunto.
Mesmo somando todas as conjecturas, ainda faltaria GP para completar os 25 mencionados por Sir Ecclestone. Mas se as previsões se confirmarem, a F-1 estará trilhando um sonolento caminho de aumento do número de provas de rua, que servem sobretudo ao interesses de marketing, mas não aos anseios por boas corridas.
Para quem realmente gosta da coisa, a volta do reformado circuito de Ímola seria muito mais interessante do que a criação de um traçado urbano na capital italiana. Particularmente, porém, considero mais atraente uma devolução de espaço a Portugal no calendário, com o belo e sinuoso autódromo de Algarve e seu distinto potencial para promover boas exibições de quaisquer categorias que tiverem o privilégio de correr por lá.

Saindo do campo ideal e recolocando os pés na realidade, o fato é que Bernie terá de usar suas habilidades apelativas para convencer as equipes a lidarem com a intensidade de trabalho e o disparo dos gastos consequentes de um calendário tão obeso. E não será surpresa alguma caso a parte principal de sua performance eloquente derivar dos estonteantes lucros esperados com os novos GPs estrategicamente selecionados.
Se a expectativa de temporadas cada vez mais longas se confirmarem, os fãs em geral não terão do que reclamar. Afinal, ninguém precisa de 4 meses de pré-temporada. Provavelmente, um tempo em torno de 70 dias se tornaria o intervalo disponível para as equipes programarem as transições de um campeonato para outro, o que ganha sentido numa fase de crescentes restrições nos testes da F-1.
No que depender do presidente da FOM, podemos ir nos preparando para as megatemporadas. Não é algo simples de se fazer, mas impossível não é.