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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Jean Todt arrependido? Conta outra...



FELIPE MACIEL



Depois da derrota ferrarista no Mundial de 2010, onde o jogo de equipe aplicado por Stefano Domenicali fez uma diferença tão nula quanto aquele ordenado por Jean Todt em 2002 - apesar de resultados opostos no campeonato -, o atual presidente da FIA resolveu lamentar sua atitude no memorável domingo em A1-Ring.
Arrependo-me porque, olhando para trás, vejo que poderia ter sido evitado, pois Schumacher acabou ganhando o campeonato. Mas me arrependeria ainda mais se tivesse perdido o título por dois pontos.

Jean Todt



Ora, isso pode ter qualquer nome, menos arrependimento. Trata-se de uma mera constatação de que a Ferrari arrumou uma confusão desnecessária a troco de nada. Mas se fosse a troco do título, ele faria. Portanto ele não se arrependeu de marmelada alguma. Se para Todt os fins continuam justificando os meios, este foi o arrependimento mais mal arrependido que eu já vi.



Com relação às conversas de rádio com Barrichello, Todt não fez cerimônia para inserir sua versão. Enquanto Rubens já insinuou uma fábula surpreendente que seria contada num livro que jamais será escrito, o antigo chefão da Ferrari revelou que o piloto brasileiro tinha consciência de todo o plano antes mesmo da largada, mas esperou até a última curva para executar a inversão:
Não precisei dizer nada para convencê-lo. Já tínhamos combinado antes: "Se você estiver na frente após o pit stop, tem que deixar Schumacher passar sem criar confusão". Esse era o acordo. Na verdade, um piloto é pago para aceitar certas decisões. Chamei-o umas 50 vezes, bem claro. Ele abriu na última curva, o público vaiou, Schumacher ficou com o primeiro lugar e a Ferrari foi multada em US$ 500 mil por violar o protocolo

Jean Todt

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A volta dos monstros diretores



FELIPE MACIEL


Cada vez menos silencioso, Flávio Briatore desenha seu retorno à F-1 e fala abertamente sobre este momento por ele aguardado em 2013. O carcamano, por outro lado, garante que não voltará a ocupar o cargo de chefe de equipe.

Desde que a punição do Cingapuragate foi remodelada, apostei de bate-pronto que Briatore retornaria numa função administrativa fazendo companhia a Bernie Ecclestone. Ainda hoje, esse cenário é o mais provável.

Há ainda quem diga que ele possa se tornar representante da Pirelli na F-1. Mas importante de verdade é a garantia de seu não envolvimento nas questões esportivas, afinal este sujeito nunca foi um exemplo de desportividade.



O retorno de Flavio Briatore é uma questão de tempo, mas isso não é novidade alguma. O que assusta mesmo é a surpreendente notícia publicada pelo site 422race.com. Segundo consta, Max Mosley estaria articulando um meio de recuperar a posição máxima da FIA.

O atual senador da entidade apoiou com sucesso o Jean Todt, eleito ao cargo da presidência, mas que assumiu o comando agindo de maneira amistosa e democrática com as equipes. Já que Mosley é um chato de carteirinha e adora uma confusão, ele prepararia propostas de alteração do regulamento para apresentar na reunião do dia 5 de novembro, visando minimizar o poder de Todt, dando o ponta-pé inicial na reviravolta que o devolveria à cadeira principal na próxima eleição.

A história parece um tanto fantasiosa e não seria a primeira vez que um órgão de imprensa inventaria situações extravagantes para gerar notícias infelizes. Mas como não sabemos da veracidade da questão, há motivos para se manter o pé atrás, afinal Mosley é uma ameaça à estabilidade da Fórmula 1.

Mesmo não fazendo nada, Todt já é infinitamente melhor.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fórmula 1 2011: Bridgestone ou Michelin?



FELIPE MACIEL


Se alguém aí estiver a fim de fornecer pneus em 2011, a Fórmula 1 agradece, viu?

Esta é a nova grande preocupação que mexe com as estruturas da FIA. Nos últimos anos, temia-se a saída de equipes do grid. Boa parte das montadoras de fato saiu. Hoje a F-1 almeja alinhar 26 carros, sendo que apenas 4 marcas de propulsores estão disponíveis. São eles Ferrari, Mercedes, Renault, e o motor popular da Cosworth. Por pouco não se perde a Renault também. Seria muita equipe pra pouco propulsor.

Mas há problema mais imediato para ser resolvido: o fator borracha. Nos próximos meses, um contrato precisa ser firmado para garantir o fornecimento de pneus para 2011. A Fórmula 1 simplesmente não tem pneu garantido.



Melhor não perder seu tempo sonhando com uma possível reedição da guerra dos pneus. Se não está fácil conseguir uma fornecedora, que dirá duas. Além disso a federação deve estar satisfeita com o sistema monomarca. Os treinos aconteciam com quase 15 carros andando no mesmo segundo, e o corte de custos se faz coerente.

Por outro lado, a questão orçamentária limita os testes, que consequentemente dificultará o desenvolvimento dos compostos caso uma nova fornecedora entre no ano que vem. Vendo desse ângulo, nada melhor que convencer a Bridgestone a reconsiderar sua decisão e manter-se na categoria.

A entidade começou mexendo os pausinhos através de uma medida tímida, reduzindo de 14 para 11 o número de jogos disponíveis para cada piloto durante o fim de semana. Vale destacar que há mais GPs no calendário deste ano, e mais escuderia também, o que só a complica a atividade logística e gera mais gastos.

A propósito, o número de compostos biscoito e intermediário sustentam o mesmo número de 4 e 3 jogos, respectivamente.

Se isso for tudo, então a proposta parece fraca; seria mais produtivo ajoelhar-se e implorar para a Bridgestone ficar por mais algum tempo. O plano B está atrelado à exigente Michelin, que admite a possibilidade de retorno, desde que a FIA acate seu interesse em lançar regra de caráter ambiental, demonstrando o desempenho de seus pneus em função da economia de combustível e redução da emissão do CO2.

Será que Jean Todt topará seguir as ideias da marca francesa? Ou dará de ombros para eles, como fez em Indianápolis-05? Não que estivesse errado naquela ocasião, mas é apreciável notar a capacidade deste mundo dar voltas, não é mesmo?



Bridgestone ou Michelin? Quem fará a gentileza de não deixar a Fórmula 1 sem pneus em 2011? Esqueça as demais, elas já negaram qualquer vontade de assumir o serviço.

Em termos de calçados, este esporte ficou pouco atraente. Para torná-lo mais chamativo às empresas, regras especiais precisam ser aplicadas. Se a FIA inventou a jogada do macio/duro para dar relevo à Bridgestone, a própria Michelin está sugerindo o esquema que realçaria sua presença. E em princípio, a intenção dos franceses não parece nada ruim. Não me surpreenderei se voltarem de vez.