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sexta-feira, 18 de junho de 2010

A "emoção" super-macia



FÁBIO ANDRADE



Foi com a intenção de diminuir a influência das paradas de boxes no resultado das corridas e forçar os pilotos a tentar as ultrapassagens na pista que o regulamento da F-1 sofreu grandes alterações de 2009 para 2010. Ou devo pensar o contrário se as regras vigentes forçam os carros a ter tanques de combustíveis que comportem uma quantidade de gasolina suficiente para que os F-1 cumpram os 300 km de cada corrida sem reabastecimento?

Pois bem, diz a AutoSport que a Bridgestone pretende usar mais vezes os pneus super-macios, os mesmos que foram utilizados no GP do Canadá e se deterioraram rapidamente, provocando várias paradas para troca. Segundo o site da revista, essa nova política para definição dos pneus deve entrar em prática a partir do GP da Alemanha, que será realizado no dia 25 de julho.



Ou seja, a ideia é voltar a fazer os pit stops voltarem ao centro das atenções, agora não por causa do reabastecimento, mas pelo desgaste dos pneus. Tudo pelo “show”, afinal.

A tentativa de priorizar os pneus com alto desgaste para tentar dar (ainda) mais “emoção” às corridas esbarra em apenas uma ressalva: o alto consumo visto em Montreal foi, de fato, um comportamento anômalo e um tanto quanto improvável de se repetir nas próximas etapas. O asfalto do circuito Gilles Villeneuve teve como característica mais marcante na última corrida o fato de estar pouquíssimo emborrachado, e por isso comeu a borracha com tamanha voracidade.

Agora o ponto em quero chegar: existe justificativa para uma intervenção tão artificial na história das corridas? Obrigar os pilotos a usar dois tipos de pneus na mesma corrida já parecia intervencionista o bastante, mas a Bridgestone acena com uma possibilidade que eleva essa tendência ao auge.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Fórmula 1 2011: Bridgestone ou Michelin?



FELIPE MACIEL


Se alguém aí estiver a fim de fornecer pneus em 2011, a Fórmula 1 agradece, viu?

Esta é a nova grande preocupação que mexe com as estruturas da FIA. Nos últimos anos, temia-se a saída de equipes do grid. Boa parte das montadoras de fato saiu. Hoje a F-1 almeja alinhar 26 carros, sendo que apenas 4 marcas de propulsores estão disponíveis. São eles Ferrari, Mercedes, Renault, e o motor popular da Cosworth. Por pouco não se perde a Renault também. Seria muita equipe pra pouco propulsor.

Mas há problema mais imediato para ser resolvido: o fator borracha. Nos próximos meses, um contrato precisa ser firmado para garantir o fornecimento de pneus para 2011. A Fórmula 1 simplesmente não tem pneu garantido.



Melhor não perder seu tempo sonhando com uma possível reedição da guerra dos pneus. Se não está fácil conseguir uma fornecedora, que dirá duas. Além disso a federação deve estar satisfeita com o sistema monomarca. Os treinos aconteciam com quase 15 carros andando no mesmo segundo, e o corte de custos se faz coerente.

Por outro lado, a questão orçamentária limita os testes, que consequentemente dificultará o desenvolvimento dos compostos caso uma nova fornecedora entre no ano que vem. Vendo desse ângulo, nada melhor que convencer a Bridgestone a reconsiderar sua decisão e manter-se na categoria.

A entidade começou mexendo os pausinhos através de uma medida tímida, reduzindo de 14 para 11 o número de jogos disponíveis para cada piloto durante o fim de semana. Vale destacar que há mais GPs no calendário deste ano, e mais escuderia também, o que só a complica a atividade logística e gera mais gastos.

A propósito, o número de compostos biscoito e intermediário sustentam o mesmo número de 4 e 3 jogos, respectivamente.

Se isso for tudo, então a proposta parece fraca; seria mais produtivo ajoelhar-se e implorar para a Bridgestone ficar por mais algum tempo. O plano B está atrelado à exigente Michelin, que admite a possibilidade de retorno, desde que a FIA acate seu interesse em lançar regra de caráter ambiental, demonstrando o desempenho de seus pneus em função da economia de combustível e redução da emissão do CO2.

Será que Jean Todt topará seguir as ideias da marca francesa? Ou dará de ombros para eles, como fez em Indianápolis-05? Não que estivesse errado naquela ocasião, mas é apreciável notar a capacidade deste mundo dar voltas, não é mesmo?



Bridgestone ou Michelin? Quem fará a gentileza de não deixar a Fórmula 1 sem pneus em 2011? Esqueça as demais, elas já negaram qualquer vontade de assumir o serviço.

Em termos de calçados, este esporte ficou pouco atraente. Para torná-lo mais chamativo às empresas, regras especiais precisam ser aplicadas. Se a FIA inventou a jogada do macio/duro para dar relevo à Bridgestone, a própria Michelin está sugerindo o esquema que realçaria sua presença. E em princípio, a intenção dos franceses não parece nada ruim. Não me surpreenderei se voltarem de vez.