FÁBIO ANDRADE
O leitor já deve saber: a pista de Montreal é uma das mais propícias ao aparecimento de zebras em toda a Fórmula-1. Não, não falo daquela área que auxilia os pilotos a equilibrarem os carros nas entradas e nas saídas da curvas. Falo da zebra futebolística, dos azarões, dos não-favoritos que inesperadamente ganham e deixam um ar de curiosa novidade.
Aqui e agora, duas saborosas lembranças desse gênero vindas do circuito Gilles Villeneuve.
1991
Nelson Piquet e Nigel Mansell nutriram um dos casos de maior e mais declarada rivalidade da F-1. Os atritos entre os dois, iniciados enquanto foram companheiros de equipe pela Williams em 1986/87 seguiram pelo restante dos anos 80 até a retirada de Piquet da categoria em 1991. E foi em seu último ano que o brasileiro conseguiu a última de suas 23 vitórias na F-1. Mas não foi uma vitória como qualquer outra.
Pilotando a fraca Benneton, Piquet não era candidato forte a vitórias em 91. Mas em Montreal, a sorte sorriu para o brasileiro. O tricampeão era o segundo colocado do GP do Canadá daquele ano, que era liderado com folga pelo seu maior desafeto, Nigel Mansell. O inglês já acenava para o público, curtindo seus 50 segundos de vantagem na última volta, quando o Williams FW-14 parou pouco depois do hairpin. Caminho aberto para a última vitória de Piquet na F-1.
A vitória nessas condições e sobre seu grande rival só poderia render declarações inusitadas da parte de Piquet. Não para menos, o tricampeão disse quase ter tido um orgasmo ao ver o carro de Mansell parado a poucos metros da linha de chegada.
1995
Jean Alesi, ainda hoje, é sinônimo de Ferrari. O francês jamais escondeu o orgulho de ter pilotado para o time italiano. Boa parte da identificação do ex-piloto com a equipe vermelha é fruto de sua única vitória em 202 participações na F-1, no GP do Canadá de 1995.
Naquele 11 de junho, dia do aniversário de Alesi, a F-1 viveu um daqueles momentos inusitados que ficam guardados na memória. A vitória da Ferrari era uma tremenda zebra já que a equipe amargava uma série de insucessos em seus projetos. O triunfo daquela tarde em Montreal só foi possível graças aos vários problemas que nocautearam os carros mais fortes ao longo das 68 voltas da corrida.
Porém, a cena do dia se deu após a bandeirada. Na chamada “volta da vitória”, Alesi deixou o carro morrer. Mas o francês não ficou desamparado. Michael Schumacher ofereceu uma carona ao ferrarista na “garupa” de sua Benetton.








