sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Interlagos



FELIPE MACIEL



No ar a edição número 99 da Rádio OnBoard!

Na companhia de Fábio Campos e Ron Groo, abordamos os casos mais marcantes do GP do Brasil, traçamos as expectativas para a disputa final pelo título da temporada e também voltamos a fazer o clássico "Jogo Rápido".


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Voltamos na próxima semana, com o título já definido no Grande Prêmio de Abu Dhabi. Mas antes, o programa ao vivo no link de costume, iniciando às 20h do último sábado de Pre Race do ano. Até o próximo encontro.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A derrota na pista como vitória da empresa



FÁBIO ANDRADE


Ainda ontem Dietrich Mateschitz, dono da Red Bull, causou furor ao declarar que prefere ser vice a ganhar o mundial com troca de posições. É bonito ver alguém do comando de uma empresa falando assim. Chega a soar como algo estranho numa categoria já habituada ao jogo de equipe, mas não deixa de ser admirável. Se o discurso do proprietário da Red Bull se confirmar e se a equipe deixar Vettel e Webber livres para voar em Abu Dhabi no próximo domingo, algo inédito estará acontecendo na Fórmula-1. Se Vettel vencer a corrida com Webber em segundo e Alonso em terceiro, o título caminhará para os braços do espanhol. Se mesmo num cenário desses a equipe não interferir, um dos cânones máximos da história da F-1, o jogo de equipe, finalmente cairá.




Uma hipótese como a do parágrafo acima colocaria instantaneamente a Red Bull num enorme paradoxo. A derrota de Webber seria classificada como honesta, como limpa, talvez como justa, certamente como uma derrota com muito mais valor do que o hipotético tricampeonato de Alonso, por razões que o GP da Alemanha explica bem. Por outro lado seria, ao mesmo tempo, uma derrota tola, fruto da censura, para alguns inexplicável, em usar uma tática consagrada, ainda que controversa, para ganhar títulos na categoria máxima do automobilismo.


É possível que uma derrota seja mais digna que uma vitória? Pessoalmente acredito que sim, mas isso nada tem a ver com a situação dos pilotos da Red Bull no campeonato e sim com convicções que eu cultivo enquanto ser humano. Uma hipotética derrota da Red Bull no mundial de pilotos em função do não-uso do jogo de equipe pode ser simplesmente uma vitória simbólica de Vettel, que esfregará na cara de Webber a sempre suspeita preferência do time pelo jovem alemão. Mas é por demais fora da realidade imaginar que uma equipe de Fórmula-1 deixe escapar um título simplesmente por um vínculo emocional mais forte com este ou com aquele piloto.



Se a Red Bull deixar o título escapar por relutar em usar o jogo de equipe, esta será uma vitória do esporte, certamente, mais também uma vitória do departamento de marketing da fábrica de bebidas Red Bull. Não consigo imaginar alguém que deixará de comprar uma Ferrari porque Felipe Massa deu passagem a Fernando Alonso no GP da Alemanha de 2010. Uma Ferrari é um bem de consumo durável, um símbolo de status, normalmente um produto palpável apenas para meia-dúzia de endinheirados que estão muitíssimo dispostos a ostentar seus dólares.


Também não consigo pensar em alguém que deixaria de beber Red Bull se Vettel desse passagem a Webber em Abu Dhabi, mas, teoricamente, uma fábrica de bebidas energéticas depende muito mais de seu marketing para sobreviver do que uma empresa-símbolo do capitalismo como a Ferrari. Sobretudo uma marca como a Red Bull, uma marca que deseja se comunicar com o enorme público jovem através de eventos pop e esportes radicais. Seria um prejuízo enorme para a imagem da empresa se seu nome fosse vinculado a um título decidido por uma decisão unilateral e autoritária como o clássico jogo de equipe. Sob essa ótica, a possível derrota da Red Bull no campeonato de pilotos e a disputa esportivamente admirável entre Vettel e Webber mesmo num momento de decisão transformam-se menos numa vitória do esporte e mais no triunfo da fábrica de bebidas Red Bull sobre a equipe de corridas Red Bull.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A esportividade e a tamanha disputa na Red Bull



ANDERSON NASCIMENTO



Será mesmo que a Red Bull abrirá mão do seu primeiro título mundial de pilotos em troca do status e da lembrança de ser uma equipe profissional e que preza o esporte acima de tudo? Ou será que no momento que realmente resolver decidir por Sebastian Vettel ou Mark Webber, deixará essa conversa de lado, que ganhou ainda mais força depois da marmelada da Ferrari no GP da Alemanha, e entregará a vitória a algum de seus comandados? Faltam apenas alguns dias para que conheçamos as respostas.



Primeiramente, é digno de nota ressaltar que não seria bom para uma jovem equipe, que tem como dona uma empresa séria e respeitada nos meios esportivos que investe, ficar manchada pela falta de esportividade dentro da principal e mais importante categoria automobilística do planeta. Não seria nada bom para sua curta história automobilística!

Se diz que Webber declarou em entrevista após a corrida realizada em território brasileiro que preferiria ver Fernando Alonso campeão do que seu companheiro e grande rival levantando o troféu em seu lugar. Se isso realmente for verdade o ambiente dentro da equipe das latinhas ultrapassa o "nível do péssimo".

Já Vettel deu a entender que poderá ceder lugar ao seu companheiro de equipe em Abu Dhabi para que ele possa se tornar o campeão, sendo essa a única oportunidade de auxílio que Webber tem nas mãos, já que, nessa disputa interna, a Red Bull joga totalmente a favor do jovem alemão, enquanto que o experiente australiano luta sozinho pela taça. Apesar disso, Christian Horner declarou algo não tão parecido com essa realidade:
Nós apoiaremos os dois pilotos igualmente, e os dois pilotam para o time. No final do dia tenho certeza que eles farão o que for certo para o time. Não tenho dúvida sobre isso. Então, não haverá ordens de equipe, e eu não acho que exista alguma decisão difícil para ser tomada.

Disputa que chega a ser assustadora entre Vettel e Webber, mas que ainda reservará muitas emoções para Abu Dhabi. Quanto a grande esportividade dos taurinos, prefiro acreditar mesmo que levarão isso até o final. Mas não há dúvida alguma de que o Príncipe das Astúrias ri bastante em algum lugar com tudo isso.

domingo, 7 de novembro de 2010

Em prova morna, Vettel lidera dobradinha da Red Bull no Brasil



FÁBIO ANDRADE


O título do mundial de construtores conquistado na tarde desse domingo pela Red Bull em Interlagos dá ao time alguma tranquilidade para disputar o outro mundial ainda em aberto, o de pilotos, que terá seu desfecho no domingo que vem, no GP de Abu Dhabi. Já no GP do Brasil, o que se viu foi a equipe austríaca vencer com tranqüilidade em São Paulo, com Sebastian Vettel liderando a dobradinha da Red Bull, complementada por Mark Webber. Vettel chega assim à quarta vitória no ano, se mantendo vivo na disputa pelo título. Não houve ordem de equipe para que o alemãozinho favorecesse Webber e dessa forma Fernando Alonso continua na ponta do mundial de pilotos depois do terceiro lugar conquistado pelo espanhol  na corrida brasileira.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="A dobradinha em Interlagos garantiu o título de construtores para a equipe Red Bull"]A dobradinha em Interlagos garantiu o título de construtores para a equipe Red Bull[/caption]

Quatro pilotos vão chegar em Abu Dhabi com chances de levar o mundial. Jenson Button se despediu da briga pelo título no Brasil e seu companheiro de equipe ainda preserva alguma possibilidade de faturar a taça, mas ela é extremamente remota. Lewis Hamilton chega ao oriente médio com 24 pontos de desvantagem em relação ao líder Alonso. Precisa de um grande milagre para terminar o ano com o bicampeonato.


Mas Abu Dhabi ainda é na semana que vem. Nesse domingo a corrida foi no Brasil, no belo Interlagos, na pista que proporciona show e muitas ultrapassagens. Havia grande expectativa em torno da prova na pista paulista. Mas depois das 71 voltas ficou no ar a sensação de que algo saiu abaixo do esperado.



Alguém faltou ao grande encontro

[caption id="" align="aligncenter" width="499" caption="Vettel pulou tomou o primeiro lugar de Hulkenberg antes mesmo da primeira curva"]Vettel pulou tomou o primeiro lugar de Hulkenberg antes mesmo da primeira curva[/caption]

Não dá pra falar do começo da corrida em Interlagos sem citar Nico Hulkenberg. A lógica dizia que o jovem alemão, largando da pole, não resistiria por muito tempo às investidas dos carros mais fortes. Dito e feito, a liderança de Hulkenberg não resistiu à primeira curva. Antes mesmo do S do Senna o alemãozinho da Williams já havia sucumbido ao alemãozinho da Red Bull, Sebastian Vettel. Hulkenberg deu algum trabalho a Mark Webber, que concretizou a ultrapassagem poucas voltas depois. O próximo a encarar o pole seria Lewis Hamilton, mas o britânico estava mais preocupado com a aproximação de Alonso. Uma bela briga entre os campeões chegou a se delinear, mas Hamilton escorregou na saída da Curva do Lago ainda na segunda volta, fugindo de uma disputa que prometia ser boa. Na mesma Curva do Lago onde em, 2007, Hamilton começou a ver seu campeonato desmoronar a não-briga mais palpitante do GP do Brasil de 2010 aconteceu.


Alonso passou então a atacar Hulkenberg, que deu bastante trabalho, segurando o espanhol na caixa de câmbio de sua Williams até a volta de número 7, quando foi, finalmente superado. Só que nessa altura, Vettel e Webber já haviam se destacado do restante do pelotão, e faziam uma corrida só deles.




[caption id="" align="aligncenter" width="499" caption="Webber em 2º, Hulkenberg em 3º e Hamilton se defendendo de Alonso na freada do S do Senna"]Webber em 2º, Hulkenberg em 3º e Hamilton se defendendo de Alonso na freada do S do Senna[/caption]

Quando conseguiu ultrapassar o piloto da Williams, Alonso já levava 12 segundos de prejuízo em relação aos Red Bulls. Em quarto lugar, Hulkenberg continuou a conduzir bem, impedindo Lewis Hamilton de ultrapassá-lo até que a equipe Williams finalmente o chamou para trocar os pneus. Depois disso Hulk sumiu das câmeras, mas teve suas 10 voltas de fama na Fórmula-1.


Pouco depois começaram as paradas para troca de pneus. O destaque foi Button, um dos primeiros a parar, que conseguiu sair da nona para a quinta posição. A nota triste foi o trabalho de box infeliz da Ferrari, que não fixou bem a roda dianteira direita no carro de Felipe Massa, obrigando-o a voltar aos boxes na volta seguinte para terminar o serviço.


Alonso e os dois Red Bulls foram aos boxes entre as voltas 24 a 26. O espanhol foi o primeiro a parar, seguido de Vettel na outra volta e Webber na seguinte. As paradas encerraram a primeira parte da corrida, sem incidentes sérios e até então sem Safety Car.


A corrida mergulhou então em sua fase mais morna. Passada a tensão da largada e das paradas nos boxes, Vettel liderava com cerca de 3 segundos de vantagem para Webber, que tinha quase 10 segundos de margem sobre Alonso. As voltas atrás de Hulkenberg custaram a Alonso a chance de estar mais próximo das Red Bulls. A expectativa por diversas brigas por posição alimentadas assim que o grid se definiu no sábado foi se tornando um enjoado conformismo com uma corrida sem disputa entre os líderes do mundial.




[caption id="" align="aligncenter" width="499" caption="Distante dos líderes da corrida, Alonso ficou com o 3º lugar"]Distante dos líderes da corrida, Alonso ficou com o 3º lugar[/caption]

Alguém faltou ao grande encontro. Era em Interlagos que os líderes deveriam discutir o mundial 2010. Na próxima corrida em Abu Dhabi ninguém espera que chovam ultrapassagens. Se havia algum lugar para que os concorrentes ao título resolvessem suas diferenças na pista, esse lugar era São Paulo. Afinal, o histórico recente garante a pista brasileira como uma das que mais proporcionam ultrapassagens e elas aconteceram em bom número no meio da fila. Só foram raras entre os que brigam pelo campeonato.


Alguém faltou ao grande encontro. Hamilton e Alonso poderiam ao menos ter ensaiado um confronto no começo da corrida, mas o britânico abriu mão da briga ao escapar no Lago. Depois, da volta 40 até o acidente com Vitantônio Liuzzi, Webber também ameaçou começar a disputar a liderança da prova com Vettel. Só que sempre que o australiano se aproximava do companheiro alemão, um retardatário surgia e o fazia perder tempo. No 52º giro Liuzzi bateu na Curva do Sol e obrigou o Safety Car a entrar em cena. Depois disso Webber não conseguiu mais se aproximar de Vettel. Nas voltas finais o grande encontro ameaçou se dar entre Alonso e Webber, mas faltou tempo para que o espanhol se aproximasse. E tudo terminou como estava.




[caption id="" align="aligncenter" width="396" caption="A grande briga que não houve em Interlagos: Sebastian Vettel e Mark Webber"]A grande briga que não houve em Interlagos: Sebastian Vettel e Mark Webber[/caption]

Na revista Veja do dia 19 de setembro de 2001 o ensaísta Roberto Pompeu de Toledo entitulou assim seu artigo na última página do semanário: “alguém faltou ao grande encontro”. Toledo se referia aos atentados que abalaram Nova Iorque e Washington uma semana antes, e sobre como eles despertavam uma guerra da “invencível América” contra os rotos afegãos:




(...) trata-se de guerra contra quem? Eis o problema. É uma guerra em que falta o outro lado. Se o leitor tem em mente os palestinos, que raio de adversários são esses – pouco mais que um bando de favelados, armados mais freqüentemente de paus e pedras que de outra coisa? Se tem em mente o Afeganistão, que raio de adversário é esse, cujas lutas tribais o situam a um degrau da Idade da Pedra? Não. Não dá para imaginar a Terceira tendo como oponentes, de um lado, a super e invencível América, e do outro os esfarrapados palestinos, ou os obscuros afegãos. Eis outro paradoxo, o maior, dos eventos da semana passada. Ao desencadear a Terceira Guerra Mundial, o outro lado faltou. Foi como um encontro marcado em que um dos lados, na hora H, não dá as caras. Ou como a noiva que deixa o noivo só no altar. (...)



E assim foi o GP do Brasil. Alguém faltou ao grande encontro não porque as Red Bulls são a América invencível e os rivais são pobres coitados montados em carroças ou em carrinhos de rolimã. Alguém faltou porque na corrida que tinha tudo para, finalmente, marcar com grandes brigas e grandes imagens a discussão do campeonato mais esperado e mais equilibrado dos últimos anos, ninguém brigou. Vettel, Webber, Alonso e Hamilton não se enfrentaram. Cada um ficou na sua. E o público ficou do lado de cá, aguardando sem muitas esperanças que em Abu Dhabi se produza, enfim, alguma imagem marcante que sirva como símbolo e memória da Temporada 2010 no futuro.


O campeonato de pilotos vai para o GP de Abu Dhabi, o último do ano, assim: Alonso líder com 246 pontos. Webber atrás com 238. Vettel tem 231 e Hamilton, praticamente fora da briga, tem 222.



Grande Prêmio do Brasil, resultado após 71 voltas:

sábado, 6 de novembro de 2010

Hulkenberg faz história, desbanca favoritos e é pole no Brasil



FÁBIO ANDRADE


Justamente no GP do Brasil, quando sua vó ou sua irmã, que quase nunca assistem Fórmula-1, estão na sala, você tem que dar explicações sobre quem é esse ilustre desconhecido que tem o número um ao lado de seu nome no crédito da televisão. Isso quando já não basta ter que dizer quem é o tal Mark Webber e o outro tal Sebastian Vettel e ter que ouvir à odiosa pergunta sobre o por que de Schumacher não estar mais ganhando nada. É justamente quando a televisão dá mais notoriedade a um produto que normalmente passa batido na programação que a maior zebra do ano acontece. E aí o jornalismo da Globo, que normalmente já não consegue explicar bem o que é uma corrida de automóvel, tem um trabalhinho a mais para a próxima edição do Jornal Nacional.




[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="Nico Hulkenberg, o pole do GP do Brasil"]Nico Hulkenberg, o pole do GP do Brasil[/caption]

Nico Hulkenberg teve grande senso de oportunidade na tarde desse sábado em Interlagos. Larga na primeira posição no GP do Brasil, desbancando os favoritos que brigam pelo título. Ao seu lado na primeira fila está o também jovem Sebastian Vettel. Uma primeira fila inteiramente alemã e que tem 46 anos de idade se somadas as idades dos integrantes que têm 23 anos cada um. O ídolo de ambos nesse esporte em que competem, Michael Schumacher, tem 41 anos de idade.


A pole conquistada por Nico Hulkenberg é a primeira da equipe Williams desde o GP da Europa de 2005, quando o também alemão Nick Heidfeld cravou o melhor tempo no treino classificatório em Nurburgring.



A pole da despedida

Um resultado como esse só poderia vir mesmo em Interlagos. É, afinal, uma pista que tem suas limitações, poucas curvas de alta velocidade, mas configura-se como um dos traçados com mais personalidade do calendário mesmo assim. Disputado no sentido anti-horário (só Turquia, Cingapura e Coreia do Sul também o são) e com uma grande variação de relevo, a pista possui curvas em subida, em descida, miolo travado e um longo período de aceleração com duas guinadas para a direita. Foge do mais do mesmo visto nos tilkódromos e conta com o bônus da instabilidade climática para tornar a coisa ainda mais fora do comum. Só mesmo num lugar assim, na América do Sul ignorada pela maioria dos grandes eventos, para que um cidadão também não muito conhecido e a beira do desemprego pudesse dar seu cartão de visitas com 18 corridas de atraso.


Nico Hulkenberg é um estreante em 2010, mais um dos muitos jovens pilotos que chegaram na F-1 como grandes promessas. Na visão desse blogueiro, não é um piloto ruim, ao contrário, conseguiu acompanhar o veterano e experiente companheiro Rubens Barrichello em algumas ocasiões na classificação, eventualmente conseguindo até posição melhor do que a do brasileiro, seu parâmetro imediato de comparação. Apesar dos bons resultados em seu ano de estreia (seu melhor resultado é o sexto lugar obtido na Hungria) está sem emprego para a próxima temporada. A equipe pela qual disputa o mundial, a Williams, perderá os dois principais patrocinadores e precisou vender a vaga da Hulkenberg para o venezuelano Pastor Maldonado, que levará consigo vultoso patrocínio petrolífero de seu país.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Depois de 5 anos a Williams volta à posição de honra"]Depois de 5 anos a Williams volta à posição de honra[/caption]

Justamente quando está perto da despedida, Hulk deu à Williams o retorno ao lugar de onde uma das equipes mais tradicionais do esporte a motor jamais deveria ter saído. Esporte quase nunca tem a ver com justiça, mas não custa perceber o quanto as coisas se sucedem de uma forma cruel de vez em quando.



Onde estão os favoritos?

Crueldade foi o que Hulkenberg fez com a concorrência. Mesmo com o piso molhado, todos apostavam que os seis pilotos das três equipes grandes estivessem nas primeiras posições. Afinal a chuva não era torrencial, pelo contrário, foi diminuindo até acabar totalmente e, já no fim do treino, possibilitou o uso de pneus slick, de pista seca. Apesar disso, o asfalto de Interlagos era um traiçoeiro tapete que só permitia a pilotagem no “trilho” seco, com o agravante de ainda estar muito molhado na curva da Junção.


Robert Kubica e Mark Webber logo experimentaram o quão complicada estava a freada da Junção, escapando e passeando na área de escape. No restante da pista, porém, a pilotagem com pneus slick já era razoavelmente segura, e os tempos começaram a baixar, apesar do piso úmido. Óbvio, a pole position de Hulkenberg foi, em parte, condicional. O alemãozinho (perdeu, Vettel) não teria carro para brigar pela ponta em pista totalmente seca. Mas, por outro lado, Hulk faturou a ponta com os grandes pilotos e as grandes equipes na pista. Felipe Massa, duas vezes vencedor e especialista em Interlagos estava lá. Rubens Barrichello, que goza de ótima reputação no molhado, também. Sebastian Vettel, outro pato, estava na disputa. Até mesmo dom Fernando Alonso, o fodão, brigava pela ponta. Todos ficaram atrás do desconhecido Hulkenberg.


E ficaram atrás por muito. Hulkenberg conquistou a pole com vantagem digna de piloto Red Bull. Um segundo sobre o rival mais próximo, Vettel. Tal como o próprio Vettel fez em 13 de setembro de 2008, quando marcou a pole position sob chuva em Monza no GP da Itália com um carro modesto, Hulkenberg fez o mundo parar e perceber nesse 6 de novembro que mesmo quando há um título em disputa, grandes campeões, grandes favoritos, há espaço para a surpresa, para o imponderável. Há espaço para que um moleque de 20 e poucos anos surpreenda e dê uma oxigenada no ambiente meio quadradão da F-1. Hulkenberg pode não ganhar nada amanhã, e provavelmente não ganhará a corrida, que deve ter pista seca e sol, mas trouxe de volta alguma poesia quando só se falava em jogo de equipe na Ferrari e briga dentro da Red Bull.



Os dois alemãozinhos: Sebastian Vettel e Nico Hulkenberg
Os dois alemãozinhos: Sebastian Vettel e Nico Hulkenberg

Red Bull favorita

Vettel largará em segundo e é o grande beneficiado com o resultado do treino. É uma espécie de primeiro colocado sub judice, se é que tal condição é possível. Terá a companhia de Webber que parte em terceiro e verá Lewis Hamilton pelo retrovisor no quarto lugar. Alonso, único com condições de sagrar-se campeão no Brasil amanhã, partirá em quinto, muito abaixo do que a torcida espanhola esperava. Jenson Button, já em situação delicada na tabela, deu o adeus definitivo à briga pelo título. A não ser que algo muito fora do comum aconteça em Interlagos. Com um treino classificatório tão fora do comum, no entanto, é bom não duvidar.



Grid de largada para o Grande Prêmio do Brasil:

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Bruno acerta com Lotus e Rubinho permanece na Williams



ANDERSON NASCIMENTO



Mesmo que Bruno Senna não consiga um bom resultado no GP do Brasil, ele já tem muito o que comemorar neste fim de semana. O piloto brasileiro conseguiu acertar com a Lotus de Tony Fernandes e no ano que vem estará muito acima do nível que é obrigado a estar agora à bordo da inguiável Hispania.



Foram dias e dias de especulações da imprensa e conversas entre empresários do piloto e dirigentes da equipe malaia para que tudo fosse acertado. A Embratel, que desde a F3 Inglesa apoia o sobrinho do tricampeão mundial, resolveu desembolsar mais dinheiro para que Senna conseguisse permanecer na Fórmula 1 em um lugar mais competitivo. Com certeza, o sobrenome Senna pesou muito para que o jovem piloto pudesse correr ao lado de Heikki Kovalainen. Jarno Trulli, perdedor da vaga, deve estar a caminho dos Estados Unidos, com destino à Nascar.

Já Rubens Barrichello está confirmado por pelo menos mais um ano na Williams. Isso mesmo, por pelo menos mais um ano, visto que o contrato prevê uma possível permanência do brasileiro na temporada 2012 dependendo do desempenho do time de Frank Williams e do próprio piloto veterano.

Não há dúvida que todo o trabalho realizado pelo "bando de guerreiros", como Rubinho mesmo definiu, ao lado do brasileiro favoreceu muito para essa renovação. Desse modo, os boatos para que Nico Hulkenberg "desça" para a Hispania no ano que vem começam a ganhar mais força e do venezuelano Pastor Maldonado ser o companheiro de Barrichello na próxima temporada.

Interlagos, Treino 2



FÁBIO ANDRADE


A segunda sessão de treinos livres para o Grande Prêmio do Brasil contou desde o começo com a presença dos pilotos que disputam o título. Durante quase todos os 90 minutos de atividades da tarde em Interlagos algum dos cinco pilotos que brigam pelo mundial estava na pista preparando o carro para os dias decisivos da etapa brasileira. Apesar do movimento, o treino não teve grande incidentes. A bandeira amarela precisou ser acionada apenas uma vez, quando Felipe Massa  parou a F-10 na reta oposta, com um problema de embreagem.




O restante do treino foi marcado por algumas escapadas dos pilotos, sobretudo na freada da Cruva do Lago, onde vários carros passearam pela área de escape. Jaime Alguersuari disputou a freada do S do Senna com Michael Schumacher como se estivessem em uma corrida. A cena teve direito até a um toque entre ambos. O jovem espanhol ainda rodou no Mergulho, pouco depois, mas conseguiu retirar o carro da posição pergiosa e o treino não precisou ser interrompido.



Red Bull lidera novamente

Tal como na manhã, a Red Bull dominou outra vez a tabela de tempos de Interlagos com uma dobradinha. De novo Sebastian Vettel foi o mais rápido, baixando o melhor tempo do dia para 1min11s968. Mark Webber cravou o segundo tempo, ficando a 104 milésimos do companheiro. Fernando Alonso dessa vez pôde concluir todo o treino livre e ficou com o terceiro tempo. Curiosamente, o espanhol marcou, na sessão vespertina, o mesmo tempo que Vettel cravara pela manhã: 1min12.328.



Treinos Livres para o Grande Prêmio do Brasil, sessão 2:

Interlagos, Treino 1



FÁBIO ANDRADE


Bem, cheguei em casa agora, perdi a sessão 1 dos treinos livres para o GP do Brasil. Pretendo assistir à segunda e prometo disponibilizar um link aqui, caso encontre um.


Ta aí a listinha dos tempos. Menino Vettel vem quente como sempre, mas isso quase nunca quer dizer alguma coisa. Red Bull confirma a impressão de que tem O carro para Interlagos. McLaren fez segunda fila, o que é muito para o momento do time. Ferrari decepcionou ficando lá embaixo. As notícias são de que Alonso chegou a parar o carro na reta oposta, com problemas.


Mas hoje é sexta, e tudo isso não diz muita coisa.



Treinos Livres para o Grande Prêmio do Brasil, sessão 1: