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quarta-feira, 10 de março de 2010

A Adaptação é Para Todos



FÁBIO ANDRADE


Eu, você que me lê e todos os outros milhões de seres humanos que acompanham a F-1 pelo mundo já estamos sabendo: as mudanças no regulamento técnico da categoria em 2010, vão alterar absurdamente a dinâmica das corridas e o modo de pilotagem. O comportamento dos carros será muito diferente daquele a que os pilotos estão acostumados desde 1994, quando o reabastecimento foi introduzido de forma obrigatória na F-1. Mas as coisas não mudaram somente para quem guia as máquinas.

Para nós, confortavelmente instalados nos sofás de nossas casas, o jeito de assistir às corridas também muda. Seremos impactados por um novo jeito de “ler” a dinâmica das provas. A sucessão de voltas ganha um contorno diferente, e talvez nem seja mais usual dividir a corrida em 3 terços, como se tornou comum nos últimos 15 anos. Caem a maioria dos conceitos consagrados por Michael Schumacher como as voltas rapidíssimas antes dos pit stops porque, como explica o Becken, após as paradas os carros não voltarão mais lentos, e sim mais rápidos. E as voltas iniciais ganham importância num cenário em que a conservação do equipamento será crucial para o bom desempenho do carro no “todo” das corridas, como explica o Médici.



Mudanças profundas como essas exigem certo tempo de adaptação também para os telespectadores. Em 94, quando o reabastecimento tornou-se obrigatório, o conceito de ultrapassagem nos boxes, que era eventual, tornou-se constante e obrigou as mentes dos que acompanhavam as corridas pela tv a exercitar, por suposição, uma ultrapassagem abstrata. As imagens da disputa pela posição deram lugar à tabela com os tempos de volta dos pilotos, e o ato da ultrapassagem deixou de ser imediato para ir para o gerúndio, tornando-se um evento com duração de 3 ou 4 voltas.

Uma tendência similar, de estranhamento, tende a se repetir agora, mas no sentido inverso do de 94. Para muitos dos fãs, corridas sem reabastecimento são um ET, um corpo estranho, ou algo, no mínimo, inédito. Quem tem menos de 20 anos provavelmente não se lembra de uma corrida sem reposição de combustível e um ponto como esse é crucial para o entendimento das provas. É provável que estratégias ousadas de tentar uma vitória com paradas a mais ou paradas a menos tenham encontrado um fim, já que a realização de apenas uma parada por corrida parece ser o feijão-com-arroz dos novos tempos. Tempos de adaptação não só para os profissionais da F-1, mas também para quem acompanha as corridas sentado no sofá da sala.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Tecla SAP da Globo



FELIPE MACIEL



Estava no Twitter brincando com o Kronbauer a respeito do jeitinho peculiar que a Globo tem para se referir aos personagens da Fórmula 1. Os dados levantados mereceram uma publicação. Veja e complete a lista se lembrar de mais denominações incansavelmente proferidas pelo Galvão e sua turma.



Quando antigamente eles diziam Robinho, você deveria entender Lewis Hamilton.

Se o locutor disser que um piloto foi correr nos Estados Unidos, significa que ele foi para a Fórmula Indy.

Quando a Globo menciona stock car americana, está na verdade querendo dizer Nascar.

Vamos às siglas. Há poucos anos o trio da cabine falava em MF1, que você precisava entender como Midland. Aos desavisados, RBR significa Red Bull, enquanto STR remete à Toro Rosso.

Se o Galvão citar clone do Burti, você deve entender Christian Horner.

Tem gente que não gosta do termo carro de segurança. Ora, trata-se apenas do bendito safety car, traduzido na medida do possível.

De tanto falarem GP da Inglaterra, nos esquecemos completamente que seu nome de direito é GP da Grã-Bretanha.

Deixa os caras chamarem o polonês de Kubitça, mas faça como o resto do mundo e mande ver no Kubica.

Se o Galvão disser Hakkinen, provavelmente você deve interpretar Raikkonen. Mas isso é pura trapalhada...

Em 2010, a Globo estreará o nome Manor. Melhor que isso, só se chamassem o time de Virgin.

Quanto à reta-curva... Bem, ele quis dizer que a reta é curva mesmo.