Ficou ruim comentar a Fórmula 1 nesse período ocioso da categoria. Num belo dia, o manda-chuva do circo, Sir Bernie Ecclestone, aparece na mídia para falar bem de Adolf Hitler. Num outro belo dia, vem o líder do campeonato, Jenson Button, e diz que acredita ser o maior de todos os tempos.
No caso do piloto, ainda vejo alguma chance de ter ocorrido um ruído de comunicação. Talvez lhe perguntaram quem seria o melhor da história, e ele entendeu o melhor da atualidade. No caso do Bernie, não tem ruído que dê jeito: seu grande sonho é dominar o mundo.
Mas este domingo foi especial para um grande esportista. Roger Federer se sagrou o maior vencedor de Grands Slams de todos os tempos, com 15 títulos, superando Pete Sampras, que por sinal assistiu à histórica partida na quadra central do santuário de Wimbledon, onde o suíço fechou o jogo com 4h16min em 3 a 2: 5/7, 7/6(8-6), 7/6(7-5), 3/6, 16/14. Isso mesmo, 16 a 14 no set final, sendo que o quinto set do torneio britânico não possui tie-break. Menção honrosa a Andy Roddick, que jogou como um verdadeiro monstro, valorizando ainda mais a conquista de Roger. Para completar a festa, Federer retoma o número 1 do ranking da ATP.
As pessoas ligadas ao esporte dizem sem medo que Federer é o maior de todos os tempos. O tênis tem uma grande vantagem sobre a Fórmula 1 quando você tenta tirar conclusões desse porte: não há muitas justificativas para argumentar mais a favor de uns que de outros.
Não se leva em consideração a diferença entre os motores, ou o nível do carro, ou a influência do companheiro de equipe, ou se o estilo dele depende de mais aderência na frente ou atrás, ou se o excesso de tecnologia ajuda mais a uns que a outros, ou se o passar dos anos impede qualquer tipo de comparação. Tudo o que um tenista precisa é de uma raquete e um par de tênis; o resto é com ele.
As variáveis são diminutas, o fator tempo não pesa tanto. Assim, fica bem mais fácil apontar quem é o maior de todos.
Na F-1, a briga para ser o piloto top é eterna e insolucionável. Candidatos na lista não faltam. Fangio, Clark, Stewart, Piquet, Senna, Prost, Schumacher...
O fato é que cada época tem o seu grande piloto, então nada melhor do que aproveitar os ícones de cada período. Nos anos 80, feliz de quem teve a chance de acompanhar os duelos entre os vários nomes da década. De 90 aos anos 2000, sorte de quem esteve ali para presenciar as aulas do heptacampeão. Pela frente virão outros. Hamilton já começou fazendo sua história, possivelmente se tornará grande, assim como Vettel, uma promessa em ascenção.
Quanto ao Button... Este passou anos fazendo volume no grid, parece ser tarde para mudar radicalmente o conceito sobre ele. A bordo de uma máquina vencedora, ele resolveu vencer. Mesmo com título na mão, precisará provar muito em temporadas futuras se realmente quiser dividir espaço com os verdadeiros gênios que fizeram uma trajetória colossal na F-1.