sábado, 4 de abril de 2009

Animado para o GP

Piquet raramente supera a fase inicial da classificação. E quando deixa escapar sabendo que claramente tinha carro para ir além, ele se revolta contra o próprio desempenho, disparando certas frases de quem mal consegue esconder a decepção.
O site Tazio publicou a entrevista do brasileiro da Renault após o qualifying, onde ele soltou declarações como as que seguem.
Perguntado sobre o que achou do treino, o piloto respondeu: "Foi ruim. Dava para o carro ter sido mais rápido. Minha segunda volta foi uma porcaria. Realmente eu não sei o que estava pensando, mas forcei demais no fim da volta e perdi três décimos de bobeira. (...) Das últimas provas foi uma das mais decepcionante porque dava para ter ido ao Q2 com facilidade".
Indagado se torcia pela chegada da chuva... "Não, agora tanto faz, a merda já aconteceu. Se chover ou não na corrida, tanto faz. Eu quero poder passar dessa corrida logo, que ela acabe...", disse, ressalvando de imediato: "Lógico que quero fazer uma corrida boa, mas não quero que aconteça uma catástrofe, tem gente que não precisa disso. O que eu quero é resolver logo esse problema de classificação para não ter que passar por isso de novo", afirmou, reconhecendo a deficiência.
O repórter insistiu para que tentasse se engajar em busca de uma reviravolta no GP, mas Piquet, desesperançoso, declarou que "hoje em dia é muito difícil de ultrapassar em corrida, a classificação conta muito. Na corrida, às vezes acontece merda, como na corrida passada em que estragou o meu freio, ou alguém pode te dar uma porrada... A classificação é o ponto que eu queria melhorar em relação ao ano passado e ainda não está sendo fácil para mim".
O estilo de se expressar é por vezes cômico, porém o conteúdo das falas é preocupante. As dificuldades de ontem são as dificuldades de hoje. Ainda que não tenha motivos para se animar, certamente o pior remédio é desanimar antes de correr. O Nelsão está lá observando de perto o duro desafio do filho que tenta permanecer na F-1. Não é segredo para ninguém que 2009 é ano decisivo para Nelsinho.

Jenson Button de novo

Como previsto, o domínio do Brawn segue na Malásia. Jenson Button possui 100% de aproveitamento nas pole positions e parte em busca da segunda vitória da temporada amanhã.
Quem leva fama é outro, mas Jarno Trulli é um autêntico leão de treinos. Fez mais uma excelente classificação, mostrando toda a força do carro da Toyota e arrancando aplausos da equipe. Marcou o segundo tempo.
Sebastian Vettel, em mais uma exibição fortíssima, levou sua Red Bull ao terceiro posto, mas largará em 13º por conta da punição em Melbourne. O penalty não irá inibi-lo, o alemão está pronto para vir barbarizando do meio do grid, sobretudo debaixo de chuva.
Rubens Barrichello foi o quarto melhor do treino e desceu do carro reclamando por não ter sido o terceiro. Em termos práticos, não faria a menor diferença, já que o posto de largada é mesmo o 8º. Com mais combustível que o Button e se queixando de saídas dianteiras, o brasileiro faz a dança da chuva pensando numa boa corrida.
Timo Glock e Nico Rosberg herdaram as posições de Vettel e Barrichello, portanto formarão a segunda fila, nesta ordem.
Mark Webber e Robert Kubica asseguraram as 5ª e 6ª posições, respectivamente. Só então aparece a primeira Ferrari, que tanto prometia na pista de Sepang mas conseguiu fazer tudo ao contrário.
As homens de vermelho soltaram Massa e Raikkonen no início do Q1 e preferiram que seus pilotos não retornassem mais à pista. À medida em que as condições evoluíam e os concorrentes baixavam tempos de volta tentando pular para a segunda fase, Felipe e Kimi perderam terreno, até o time se surpreender com sua lambança: o brasileiro estava em 16º e o cronômetro acabara de zerar. Já o finlandês escapou por pouco.
Parece que não assistiram ao qualifying da Austrália, onde ficou claro que os tempos estão muito próximos e a competitividade nas transições de fase é elevadíssima. Ninguém está em condições de se superestimar. Foi o erro mais grosseiro da trupe de Domenicali até agora, mas ainda há muito campeonato pela frente, os italiano podem fazer pior que isso.
Fernando Alonso levou a Renault nas costas e pulou para 9º. Heidfeld, que mais uma vez não conseguiu avançar para a super pole, larga em 10º. Nakajima é outro que decepcionou, sai de 11º.
Os pilotos da McLaren fizeram o possível. Hamilton é 12º e Kovalainen, 14º, seguindos por Sebastien Bourdais.
Nelsinho Piquet ficou no seu cantinho preferido e sai de 17º, seguido por Sutil, Fisichella e Buemi.
Com chuva ou sem chuva, os pilotos largam às 6h da manhã deste domingo para a segunda etapa da temporada. Dois ases aquáticos - lê-se Vettel e Hamilton - vêm do meio do pelotão. A queda d'água será favorável ao espetáculo, mas uma corrida em pista seca servirá de tira-teima sobre as possibilidades técnicas de ultrapassagem apontadas pelo novo regulamento.
Grid de largada:
1. Jenson Button (ING/Brawn), 1min35s181 (18 voltas)
2. Jarno Trulli (ITA/Toyota), 1min35s273 (20)
3. Timo Glock (ALE/Toyota), 1min35s690 (24)
4. Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min35s750 (21)
5. Mark Webber (AUS/Red Bull), 1min35s797 (19)
6. Robert Kubica (POL/BMW), 1min36s106 (19)
7. Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 1min36s170 (17)
8. Rubens Barrichello (BRA/Brawn), 1min35s651 (17) [punição - troca de câmbio]
9. Fernando Alonso (ESP/Renault), 1min37s659 (20)
10. Nick Heidfeld (ALE/BMW), 1min34s769 (15)
11. Kazuki Nakajima (JAP/Williams), 1min34s788 (14)
12. Lewis Hamilton (ING/McLaren), 1min34s905 (13)
13. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), 1min35s518 (17) [punição - acidente]
14. Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), 1min34s924 (14)
15. Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso), 1min35s431 (16)
16. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min35s642 (4)
17. Nelsinho Piquet (BRA/Renault), 1min35s708 (11)
18. Adrian Sutil (ALE/Force India), 1min35s908 (8)
19. Giancarlo Fisichella (ITA/Force India), 1min35s951 (10)
20. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 1min36s107 (9)
Peso dos carros em ordem crescente:
Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), 647 kg
Adrian Sutil (ALE/Force India), 655,5
Nico Rosberg (ALE/Williams), 656
Mark Webber (AUS/Red Bull), 656
Jarno Trulli (ITA/Toyota), 656,5
Timo Glock (ALE/Toyota), 656,5
Jenson Button (ING/Brawn), 660
Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 662,5
Robert Kubica (POL/BMW), 663
Rubens Barrichello (BRA/Brawn), 664,5
Sébastien Bourdais (FRA/Toro Rosso), 670,5
Fernando Alonso (ESP/Renault), 680,5
Giancarlo Fisichella (ITA/Force India), 680,5
Nelsinho Piquet (BRA/Renault), 681,9
Kazuki Nakajima (JAP/Williams), 683,4
Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 686,5
Lewis Hamilton (ING/McLaren), 688
Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), 688,9
Felipe Massa (BRA/Ferrari), 689,5
Nick Heidfeld (ALE/BMW), 692

sexta-feira, 3 de abril de 2009

De olho nos pneus

A regra mais forçada da Fórmula 1 é a dos pneus. Os pilotos são obrigados a utilizarem dois estilos de compostos durante a prova como forma de oscilar o rendimento do carro durante as corridas e assim permitir ultrapassagens - ou batidas, vide Kubica e Vettel na Austrália.
A sequência dos compostos Bridgestone é supermacio-macio-médio-duro. Em 2009, porém, a entidade radicalizou: a fornecedora não levará especificações adjacentes de pneus aos GPs. Portanto, há corridas em que serão combinados supermacios e médios; enquanto que, nas demais, serão utilizados macios e duros.
A dor de cabeça provocada na abertura em Melbourne deve se estender à quente Malásia, a menos que chova, claro.
O desafio de lidar com calçados tão distintos será um duro fator em nível de pilotagem e estratégia ao longo da temporada. Mas não passa de uma regra esportivamente sem nexo; sua verdadeira ideia é manter as atenções voltadas para a poderosa marca Bridgestone, mesmo com a ausência da Michelin, que promovia o duelo dos pneus na F-1.

Pego pra Cristo

Em função da desclassificação no GP da Austrália, quando Dave Ryan e lewis Hamilton mentiram para os comissários, a McLaren resolveu afastar o diretor esportivo, como se fosse o único ser responsável pela farça.
O atual campeão disse que não é mentiroso, apenas foi influenciado por Ryan e está arrependido. "Esta é a pior situação que eu já enfrentei na vida. Por isso, fiz questão de me colocar aqui para pedir desculpas a todo mundo", disse, quase chorando...
Mas nada impediu a chuva de críticas sobre o ato do time inglês, a começar por Bernie Ecclestone, que atirou a pedra: "Dave é apenas um empregado. Ele decide tudo sozinho?", indagou.
O blog do Livio Oricchio também traz uma sensata análise sobre o manjado comportamento da escuderia: "Lançaram Ryan, integrante da escuderia desde 1974, ano em que Emerson Fittipaldi foi campeão com a McLaren, numa fogueira e o queimaram vivo. A exemplo do que haviam feito com Mike Coughlan quando a polícia descobriu na sua casa, na Inglaterra, os desenhos do carro da Ferrari. Dennis tentou fazer o público acreditar que apenas o seu projetista-chefe sabia do segredo. Não conseguiu, como Whitmarsh ontem também não".
Fernando Alonso registrou sua colaboração com a maré anti-McLaren: "Não é a primeira vez que o time é questionado pelos comissários das provas, e não é a primeira vez que eles mentem. Então, mais cedo ou mais tarde eles seriam punidos".
Embora considere que a desclassificação da equipe tenha sido exagerada, acabo por gostar da ideia da FIA. Não pelo contexto da punição em si, mas como forma de sanção severa a um time que condena um único funcionário e imagina que os inocentes espectadores pensarão que tudo foi culpa de um membro isolado. Afastar Dave é perda de tempo, ninguém acredita mais nos joguinhos ultrapassados da McLaren. Se o reintegrassem e parassem de mentir, já seria ótimo.
Para fechar o post, vale citar o aquecimento para as punições do GP da Malásia. Rubens Barrichello optou por trocar o câmbio - que deveria resistir por quatro corridas, segundo o regulamento -, portanto perderá cinco posições no grid da largada. Lembrando que o Vettel inicia a prova com um prejuízo de dez posições, graças ao enrosco em Melbourne.

Fraco histórico

Melbourne e Sepang não estão entre os melhores retrospectos de Felipe Massa. Não foi apenas no ano passado que o ferrarista deixou a desejar nessas pistas, na verdade os resultados meia-boca am ambos os circuitos são fenômenos de longa data.
Felipe jamais chegou a um pódio na Austrália ou na Malásia. Desde que ingressou na Fórmula 1, o brasileiro faturou apenas 3 pontinhos na terra do canguru. Em Kuala Lumpur, os números são um pouco menos tímidos: 10 pontos em seis temporadas.
Falando diretamente sobre 2009, Massa abandonou a prova em Albert Park, como de costume. Para tentar melhor sorte, resolveu até mesmo raspar o cavanhaque para Sepang.
O tabu "pódio zero" anda difícil de ser quebrado, mas uma nova chance pintará no domingo.
Os fatores não sugerem tanta confiança. O mau começo de temporada da Ferrari pode sim ser superado a partir da Malásia, local onde eles acreditam poder demonstrar um desempenho satisfatório, muito embora a concorrência esteja inegavelmente forte. Ao mesmo tempo, é um GP com algumas variáveis interessantes, como pouca iluminação ao fim da tarde e possibilidades de chuva.
Para um Grande Prêmio da Malásia, até que as expectativas estão bem agitadas. Mas, para Felipe, correr lá talvez não seja motivo de animação. A menos que finalmente consiga superar o negativo tabu.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Hamilton e McLaren excluídos

A FIA reverteu o resultado do GP da Austrália mais uma vez, após conferir as conversas de rádio das equipes de Lewis Hamilton e Jarno Trulli.
Resumindo: O italiano escapou sob bandeira amarela, o inglês passou, a McLaren mandou Hamilton devolver a posição, Trulli recuperou o terceiro e subiu ao pódio. Mais tarde seria surpreendido com a anúncio de que tomaria um penalty de 25s por ultrapassar o campeão com safety car na pista. Quando a FIA analisou o rádio das escuderias constatou que Lewis não repassou aos comissários a versão correta, de que teria cedido o posto voluntariamente ao Jarno.
Conclusão: Trulli reaparece na nova classificação oficial em terceiro, atrás dos carros da Brawn. Hamilton é desclassificado do GP, assim como a McLaren, o que significa que Kovalainen também teve o mesmo destino. De qualquer forma, o finlandês já havia abandonado a prova.
O comunicado da FIA diz que a equipe britânica e seu piloto feriram o artigo 151 do Código Esportivo Internacional, relacionado a atitudes fraudulentas ou prejudiciais a quaisquer competições, justificando assim o motivo da exclusão.
A Federação contou que "durante a audiência, que aconteceu, aproximadamente, uma hora após o fim da corrida, os comissários e o diretor de prova questionaram Lewis Hamilton e David Ryan se houve uma ordem para o piloto deixar Trulli passar. Ambos falaram que nenhuma instrução foi dada. O diretor da prova perguntou especificamente a Hamilton se ele permitiu a ultrapassagem de Trulli conscientemente, e ele insistiu que não".
No entanto, a versão da McLaren diz que o time apenas não foi explícito o bastante na conversa com os agentes da FIA.
A conversa entre Lewis e o pit wall está disponível aqui.
Trulli, que não merecia perder seus pontos, já os tem. Hamilton, por sua vez, foi desclassificado por mentir diante dos comissários.
Até entendo que seja razão para sofrer uma pena, mas exclusão total da equipe nessa corrida me parece um exagero. Esse é o tipo de sanção que pode ser aplicado financeiramente, não esportivamente. Deixassem as punições esportivas para as infrações ocorridas dentro da pista...
E assim tem início mais um campeonato da Fórmula 1. Uma corrida boa e um pós-GP tão movimentado quanto. Mau sinal.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Rádio OnBoard - Edição de Melbourne

Está no ar a edição número 34 da Rádio OnBoard!
Estive ao lado do amigo Fábio Campos comentando os principais acontecimentos do GP que abriu o Mundial 2009, acrescentando algumas expectativas para a Malásia. Dedicamos um tempinho também para falar da etapa da Nascar em Martinsville, bem como a polêmica prova de Interlagos da Stock Car.
Enfrentamos o desfalque do grande Ron Groo, que está se recuperando...
O próximo GP está marcado para 6h do domingo, e nós entraremos ao vivo antes da largada, de 5:15h às 5:45h, com o programa Pré-Race a ser realizado neste link. Lembrando que os ouvintes poderão se comunicar conosco através do chat.
Após a prova de Sepang, a Rádio OnBoard retornará com a edição subsequente. Até o próximo encontro!

Sunset

O Bernie Ecclestone inventou de realizar as duas primeiras provas do ano num horário alternativo - 17h locais -, facilitando a vida do público europeu. Quem pagou o pato não fomos somente nós, da América, mas também os próprios pilotos.
Sob a voz de Nico Rosberg, seguem os protestos e as preocupações daqueles que têm de lidar com os efeitos da situação: "Realizar provas ao entardecer não é a melhor coisa a se fazer. Em Melbourne, ficou óbvio que isso é muito arriscado. A visibilidade fica complicada. Em algumas curvas, não é possível nem mesmo enxergar os limites da pista. Eu estava guiando sob o sol, o que não tem a ver com o automobilismo. Espero que reconsiderem isso", disse, na esperança de ver o indomável Ecclestone abrir uma concessão.
"Adiantar a prova em uma hora nos ajudaria muito. Apenas a parte final do GP que foi problemática", sugeriu.
Através da câmera on board já era possível perceber a altura do sol atingindo a visão do piloto, contrastando com as sombras que também dificultavam o trabalho no cockpit.
Se a prova se alongar até o limite de duas horas na Malásia, pode ser perigoso. Mas talvez a escuridão possa ser agravada se trocarmos o sol pela chuva. Previsões meteorológicas vistas primeiramente pelo Gustavo Coelho indicam possibilidades de chuva em Sepang, o que é bem raro.
À medida que nos aproximarmos do final de semana teremos uma perspectiva mais clara das condições do tempo para o fim de semana. De qualquer maneira, não há quadro muito animador entre os pilotos. Os empecilhos do pôr-do-sol em Melbourne servirão apenas de ensaio para a segunda prova.
A FIA sabe cobrar dos pilotos as abusivas taxas de superlicença com a velha desculpa da segurança nos autódromos, mas é incapaz de debater um horário camarada com nada camarada Bernie Ecclestone. Isso é um caso de segurança que gera desconfiança desde que a FOM anunciou a mudança, e o primeiro GP serviu apenas para confirmar. Mas duvido muito que façam algo a respeito.