Lucas di Grassi esteve ontem no programa Linha de Chegada, apresentado por Reginaldo Leme, no Sportv.
Revelou curiosas atitudes sobre o tratamento dado pela equipe a seus pilotos. A pressão exagerada sofrida por Nelsinho a dez minutos dos treinos e das corridas não era exclusividade do brasileiro. Na verdade, os membros do programa de jovens talentos são submetidos a situações semelhantes desde cedo.
Di Grassi contou que a poucos instantes da largada daquele Grande Prêmio de Macau, recebeu um telefonema da Renault com a seguinte mensagem: "Se você perder esta corrida, está fora de nosso programa".
Lucas venceu, largando da terceira colocação. Salvou-se. Mas essa foi apenas uma das várias inibições que recebeu. O Programa de Desenvolvimento de Pilotos da Renault possui uma filosofia extremamente dura com seus integrantes, por isso apenas di Grassi, Grosjean e Kovalainen chegaram ao final. Um dos que ficaram pelo caminho foi inacreditavelmente Robert Kubica, que, coincidência ou não, terminou a mesma prova de Macau em segundo, ao perder o duelo para Lucas.
O método da seleção natural de Briatore é tão chocante quanto seu resultado final: eles conseguiram promover Kovalainen e eliminar o Kubica. Mas não deve pairar nenhum arrependimento por parte deles. A extrema pressão psicológica é ponto chave do sistema de trabalho do grupo, por mais absurda e/ou desnecessária que possa parecer para nós.
No caso do Nelsinho, o que mais assusta é o fato de Flavio ser seu manager. Se fosse apenas chefe da equipe... mas é também empresário do piloto. Piquet o paga. Para quê? Para pressioná-lo? Para ameaçá-lo?
Quem tem um manager assim não precisa de adversários na pista. Qualquer rival poderia tranquilamente lhe fazer forte oposição sem cobrar nenhuma porcentagem de seu salário.








