domingo, 13 de dezembro de 2009

O talento em segundo lugar

Segunda-feira é dia de anúncio na Lotus. A equipe deve confirmar Jarno Trulli, sendo que seu companheiro não será Kobayashi como gostaríamos, e sim Kovalainen ao que tudo indica.
Eis que o empresário de Takuma Sato lamenta: "Ele não está na lista. Não sabemos qual foi o critério utilizado, pois não há como ser mais asiático do que ele".
Como é chato ter que ouvir isso. Quer dizer então que o critério de escolha deveria ser o piloto mais asiático? Parece que a F-1 contemporânea escancarou seu modo controverso de escolher pilotos.
A fórmula todos já devem conhecer. Primeiro pensa-se num competidor experiente, que não é nenhum gênio nem apresenta expectativa de sê-lo, mas sua bagagem garante que não será um desastre, embora também não seja a oitava maravilha. Daí em diante parte-se para a questão financeira. A segunda vaga fica com quem paga mais ou com quem tem a nacionalidade X, que é melhor que a Y no caso específico da equipe W.
Um dos grandes problemas da Fórmula 1 é o fato de ser voltada para espectadores que não ligam muito para ela - a maioria deles. Os patrocinadores querem estampar a marca para todos aqueles que assistem corridas sem compromisso, que, em número, são bastante superiores em relação àqueles que se recusam a perder um treino de classificação. Aqueles que não são fãs da categoria, e invariavelmente torcem apenas para pilotos de seu próprio país, como se automobilismo fosse um esporte de nações. Nunca foi, não é, jamais será (exceção feita à bizarra A1GP).
Por isso houve a necessidade de transformar um suíço talentoso em francês, já que a França devia competidores rápidos há bastante tempo, e a escuderia francesa viu ali a chance de ganhar mais dinheiro divulgando a marca - no final das contas, o verdadeiro objetivo.
Quem deveria estrear substituindo o sujeito demitido era, por acaso, um conterrâneo seu, que já havia completado o programa de jovens talentos da equipe. Mas ele não era o piloto mais indicado por ter cometido o crime de nascer no país errado. O semi-francês ganhou a vaga, porém decepcionou a equipe, que agora cogita dar-lhe um pé na bunda.
Só pra constar: a crítica aqui não recai exatamente sobre o potencial do suíço, mas sim sobre o critério que o favoreceu.
O critério marketeiro é uma verdadeira crueldade com certos pilotos. Põe em risco sua carreira por conta da localização geográfica do hospital que o trouxe à vida. Por outro lado favorece quem não devia, por isso mesmo a Lotus sonha em colocar um cidadão malaio num dos bólidos futuramente.
Apostar em iniciantes tornou-se uma postura de risco para o chefões. Mais fácil apostar no investimento ou no retorno que eles trarão. A Red Bull ainda achou sua saída: lançar uma equipe exclusivamente destinada a revelar talentos (além de ampliar sua publicidade, que não faz mal a ninguém).
O que se vê na F-1 é o dinheiro tomando conta de absolutamente tudo: dos tipos de circuito, do sistema de pontuação, da regra dos pneus, da escolha dos pilotos, da escolha das novas equipes (não me esqueci do Allan Donelly).
E tudo isso só torna mais entendiante o período de pré-temporada, momento no qual temos mais tempo para pensar a respeito do anti-esporte que andam criando por aí.

7 comentários:

kimi_cris disse...

O que conta mesmo parece ser o dinheiro principalmente para as novas equipas.

Grande Abraço!

Kimi_Cris

Marcos Antonio disse...

o dinheiro que manda cada vez mais na F1, uma pena pois quando temos um japa bom na F1, ele não será contratado!

E a F-1 com a pontuação, quer ser F-Indy...

Thiago Wilvert disse...

Infelizmente o dinheiro manda em tudo...é uma M**** isso..

=/

Abraço!

Willian disse...

Justamente pelo o fato de "o dinheiro mandar" é que eu gostei da escolha da Lotus.

Nada de pilotos pagantes. Fizeram a escolha com base na convicção pessoal dos chefes.

Pelo menos no quesito "pilotos", a Lotus larga na frente entre as novatas.

Anônimo disse...

Bruno Flávio disse:

O dinheiro realmente manda em tudo. Em todos os esportes, praticamente...

Mas, na fórmula 1, realmente está ficando exagerado.

Um dia o China (aquele famigerado comentarista da Band, que sumiu) disse que Fórmula 1 não era esporte, era business. Isso há uns 20 anos atrás...

E o hoje, o que será que ele acha?

Anônimo disse...

o dinheiro manda, e na vdd nem condenaria se a Lotus colocasse o malaio no cockpit, afinal são interesses marketeiros e pessoais dos donos, o que poderemos fazer né? Agora, a Lotus acertou com Trulli e Kovalainen, exatamente na msm fórmula q jah tah ficando manjada, experiente + novato (nesse caso, nem tão novato assim)

Tomas disse...

oi tudo bem?
estou criando um blog relacionado à F1, e comecei hoje.
Minha ideia é colocar todas as novidades, enquetes e muito mais.
Já te linquei, se vc pudesse me linkar seria uma grande ajuda
valeu!!