Quando parecia que o sujeito tinha finalmente se livrado da condição relegada de piloto de testes, ele mal consegue atravessar uma temporada como titular, o que lhe faz despencar de uma só vez: o antes piloto de testes da McLaren é o mais novo piloto de testes da fornecedora Pirelli.
Ao menos este anúncio torna mais seguro o desenvolvimento dos compostos de 2011. Afinal de contas, confiar a avaliação dos pneus da Fórmula 1 a um alguém que possui menos de dez largadas no currículo é um ato um tanto inconsequente.
Nada contra Romain Grosjean, que deve até guiar mais que o de la Rosa em corrida, mas quando o assunto é testes, o espanhol é o ícone de referência.
Assim sendo, o Pedro se une ao Romain como responsável por comandar as sessões de análise dos calçados Pirelli. O que me leva a uma incômoda e irônica pergunta: Será que até fornecedora de pneus precisa aliar experiência e juventude para formar duplinha de pilotos? Está fórmula já está cansando viu...
Se fosse para apontar a equipe que decepcionou na abertura do campeonato, na certa eu indicaria a BMW Sauber.
Ela que parecia estar entre a primeira ou a segunda força do sub-G4 - também conhecido como "grupo do resto" -, se revelou o grande fiasco da pré-temporada, período em que o time mostrava confiança cravando bons tempos sem sofrer fragilidades.
No GP do Bahrein, tudo ocorreu às avessas. Pedro de la Rosa e Kamui Kobayashi se classificaram em 14° e 16°, respectivamente, enquanto na corrida o japonês abandonou com problemas hidráulicos no 11° giro, dezessete voltas antes de o espanhol seguir o mesmo caminho.
Os pilotos comentam que esperam melhor desempenho na Austrália, mas não citam nenhum dado técnico que possa refletir o suposto otimismo. O único sinal de mudança sinalizado até agora diz respeito somente ao nome da equipe, que novamente ganhou espaço nos portais de notícias, sendo que desta vez a própria equipe admitiu a intenção de se livrar do 'BMW', mas sem mencionar um prazo certo para a tentativa. Convenhamos, a Sauber está fazendo doce demais com essa história que já deveria ter se resolvido faz tempo.
Quanto ao desempenho em si, pensando friamente e ignorando a encenação de pré-temporada, é compreensível que um time sem patrocínios que já deixava a desejar no último ano (quando havia uma forte montadora por trás) não demonstre alto potencial logo de cara. Pena, porque o retorno da Sauber independente é algo a se comemorar.
Cada aparição de Alonso perante a torcida de seu país ganha contornos folclóricos. O maior ídolo esportivo da Espanha fez o autódromo Ricardo Tormo lembrar o Circuito da Catalunha em dia de grande prêmio
A quarta-feira de testes no autódromo Ricardo Tormo, em Valência, converteu-se num ensaio sobre a popularidade de Fernando Alonso diante de seu público. Não é a primeira vez que a “AlonsoMania” dá amostras de sua grande capacidade de contagio em solo espanhol. É comum ver e ouvir o que os torcedores do bicampeão são capazes de fazer para demonstrar seu apoio ao asturiano a cada Grande Prêmio da Espanha ou, mais recentemente, também durante o Grande Prêmio da Europa, realizado nas ruas de Valência, a poucos quilômetros do próprio autódromo onde foram realizados os testes essa semana.
Quem hoje chegasse às imediações da pista do Ricardo Tormo pensaria ter pego o caminho errado e chegado a Barcelona, no Circuito da Catalunha, em dia de grande prêmio. Fila de carros na entrada, arquibancadas com respeitável índice de ocupação, torcedores gritando em coro “Alonso! Alonso!” e tudo isso para assistir a um simples teste. Mas, no fundo, não se trata apenas de um teste. É, para o torcedor entusiasta de Alonso, a primeira vez que o bicampeão pilota o carro que todos imaginam que trará o tricampeonato. Depois do namoro de muitos anos, Alonso finalmente pilotou para valer uma Ferrari.
E com a F10 na pista, o novo piloto da Ferrari cravou, ainda de manhã, o melhor tempo da semana de testes, único hoje a andar na cada de 1min11s. Alonso marcou 1min11s470, mais de 2 décimos mais rápido do que o melhor tempo de Felipe Massa, mais rápido da semana até então. Como se tornou costume durante os testes, a Sauber fechou o dia em 2º, com Pedro de la Rosa marcando seu melhor giro em 1min12s094.
Melhores tempos do dia em Valência:
1 - Fernando Alonso (Ferrari) - 1:11.470 - 127 voltas
2 - Pedro de la Rosa (Sauber) - 1:12.094 (+0,624s) - 79 voltas
3 - Michael Schumacher (Mercedes) - 1:12.438 (+0,968s) - 82 voltas
O C está de volta à F-1! A lacuna deixada após o C24 chegou ao fim, porque Peter Sauber recuperou o poderio sobre o time e colocou na pista o primeiro modelo da nova velha Sauber: o C29.
Apesar de que o nome BMW continua. Com motor Ferrari para completar a confusão.
O uniforme é traço; mais pelado que o da Brawn. O carro foi apresentado sem patrocínios na carroceria, apenas os nomes dos pilotos estão estampados.
Devidamente vestido com a barbatana de tubarão, também é curioso observar a curva em forma de vão na parte traseira do modelo, assim como o escapamento quase escondido de tão empurrado para a popa.
O layout infelizmente não mudou. A pintura da antiga Sauber deixava a BMW no chinelinho, porém a única mudança recaiu sobre o tom de azul, agora ligeiramente escuderecido, enquanto o branco segue predominando.
Vista de frente, tem-se o bico largo e alto, juntamente com a asa bem trabalhada nas laterais. As entradas de ar apresentam um belo desenho, semelhante ao usado pela McLaren quando Adrian Newey era o responsável pela prancheta.
A Sauber mantém o nome e a pintura da BMW. O bólido apresenta um desing bonito, sugerindo um visual arrojado. Mas seu estilo agressivo estará mesmo presente na figura de Kamui Kobayashi, o japonês voador contratado. Pedro de la Rosa, com toda intimidade ao exercício de desenvolvedor, estará também ao volante para conduzir a evolução do carro da Sauber.
Ao Peter, a quem tenho simpatia pelo trabalho e integridade, desejo sorte no retorno ao comando da equipe. A retirada da Petronas dificultou um pouco a nova empreitada, mas tudo faz parte do desafio proporcionado pela Fórmula 1.
A abertura de porteira na Fórmula 1 fez os atuais e antigos pilotos de testes se moverem atrás de uma vaga. Citaram-se nomes como Christian Klien, Frank Montagny, e também do revoltado Anthony Davidson, que tem a ousadia de pensar que a categoria desperdiça seu talento sem igual por uma mera exigência financeira.
E justo quem era rotulado com o estigma de eterno test-driver, deu a volta em todo mundo e garantiu seu lugar: Pedro de la Rosa guiará pela equipe Sauber. 8 anos depois, o espanhol retoma a titularidade, agora dividindo a garagem com Kamui Kobayashi.
Muitos dirão que Peter Sauber uniu a experiência com a juventude. Poderíamos também dizer que se trata de piloto pagante unido a piloto talentoso. Uma questão de ponto de vista. Mas é admirável a vontade de correr aos 39 anos, mesmo que para isso tenha sido necessário abrir mão do salário pomposo pago pela McLaren.
Seja lá por qual motivo, Peter dispensou dois de seus antigos pilotos - Heidfeld e Fisichella - para contratar o catalão e oferecer-lhe a chance de encerrar a carreira competindo, atividade que não costumava executar com tamanha maestria, diga-se. Em seus 72 GPs, foi batido pelos companheiros Jos Verstappen e Eddie Irvine. Ao menos superou o Takagi na Arrows. Mas não baterá nenhum outro japonês.
Aconteça o que acontecer, 2010 é um grande lucro para Pedro e esta oportunidade não deixa de ser merecida. Outros pilotos de testes não terão a mesma sorte. Marc Gene, por exemplo, vai se juntar a Antonio Lobato no canal espanhol, dando uma de Luciano Burti por aquelas bandas. O Fisichella concluiu sua trajetória na F-1 de maneira frustrada. O Badoer... bem, esse é um pobre coitado. Em termos estatísticos, pode ser considerado o pior piloto a passar pela F-1.
No final, a história se encaminha para uma aposentadoria mais feliz para o de la Rosa que para os demais parceiros de profissão. Fechar a carreira como piloto de testes é dureza, viu... Nem o Schumacher quis assim.