quarta-feira, 4 de março de 2009

Nigel, Lewis e os méritos

Se o Leão pretendia criticar o contexto de escassez de equipes na Fórmula 1, passou do ponto.
"Sem desrespeitar Lewis, mas qual é o objetivo de um campeonato que só tem 18 ou 20 carros no grid? Quando eu ganhei o título, eu bati 25 pilotos. Isso faz o título de Hamilton ter menos 20% de crédito em relação ao meu".
Eis aí uma matemática pra lá de questionável. Afinal, um título é definido entre, no máximo, quatro pilotos. Os pontos percentuais parecem pouco recomendados para se calcular os méritos do campeão ao superar pilotos da Force India ou da Fondmetal.
A temporada de 92 foi uma das mais desiguais da história. A Williams contruiu um foguete à prova de Mansell, dotado de uma série de recursos eletrônicos e mecanismos inovadores. Era ele e mais ninguém. Resultado: 108 a 56: Nigel campeão e o companheiro Patrese vice.
Toda observação a respeito da situação atual da categoria será bem vinda, mas se aproveitar do assunto para fazer pose de britânico-mor é uma idéia curiosamente insensata. Será que o Leão tem inveja de Lewis?

Ex-USF1

Sim, ex. A equipe mal nasceu e Bernie Ecclestone já tratou de solicitar a alteração do nome. Tudo porque o poderoso chefão se sente o Mr. F1, e que os demais não têm direito de usar a mesma sigla. Agora os americanos precisam se contentar com o novo USGPE (US Grand Prix Engineering). Feio, mas deve ficar assim.
As equipes Renault, Toyota e Force India possuem a abreviação em seu nomes oficiais, porém elas precedem o 'Team'. Talvez por isso estejam isentas do olhar intimidador de Ecclestone. A única exceção é a Williams F1.
Já a escuderia indiana, cujo logotipo lembrava 'F1', promoveu um pingo de modificação para esta temporada, conforme mostra a imagem retirada do Blog do Capelli.
Então vamos colocar os pingos nos i's, tio Bernie. Que fique bem claro que o nome é Blog F-1. F-1. Tem um traço entre o F e o 1.
Please don't disturb.

terça-feira, 3 de março de 2009

Bruno, Barrichello, Brawn

Bandeira verde para Barrichello, anticlimax para Bruno Senna. O jovem piloto lamenta não só o desfecho do caso mas sobretudo a lerdeza da Honda na condução das negociações.
"Só fico um pouco chateado por essa situação ter se arrastado por tanto tempo, o que fez com que eu perdesse melhores possibilidades profissionais. Agora vou me reunir com minha família, com orientadores e decidir que rumo tomar".
Por um lado escapa a chance de estrear na F-1. Por outro lado, a grande pergunta: passar o primeiro ano na cauda do grid é uma boa opção? É bem verdade que Bruno guiaria sem pressão por resultados, mas a insatisfação poderia tomar contar da mente do piloto. Seria estranho demais ver o nome Senna figurando nas piores posições com frequência.
Sim, claro, ele não é o Ayrton. Só que também não é o Yoong. Há quem duvide totalmente da capacidade do garoto, mas se esquecem de um detalhe: às vezes, não importa o quanto você é bom, mas sim o quanto pode melhorar.
B. Senna sofreu uma lacuna de dez anos na carreira e hoje compete em condições de igualdade contra jovens competidores que tiveram uma trajetória absolutamente normal. Se o assunto é velocidade de aprendizado, me arrisco a dizer que o sobrinho do Ayrton é superior ao Nelsinho Piquet.
A possibilidade de ganhar um bólido na F-1 em 2010 é alta. A proximidade com a Mercedes, que fornece propulsores a três equipes do grid, é uma quase garantia de que estreará com 26 anos na categoria máxima. Levará um tempo mas as expectativas têm embasamento e podem se confirmar.
Quanto a Barrichello, não há muito a acrescentar, sempre se fala bastante dele...
A sufocante novela da pré-temporada lhe rendeu o direito de disputar o último Mundial. Apenas devemos torcer para que saiba se despedir da Fórmula 1 com o mínimo de respeito por sua própria história. E que 2009 não seja tão zerado quanto 2007, apesar de Rubens estar dois anos mais velho. Isso pesa demais, no entanto, sua vontade de correr é enorme.
Ciente disso, Brawn uniu seu interesse ao de Rubens. Para o patrão, o experiente piloto será uma espécie de test-driver, exceto aos domingos. Não fossem as radicais alterações no regulamento e o demorado período de transição interna, talvez o conceito técnico de Barrichello perdesse influência na decisão de Ross.
Está quase tudo certo por lá. Março chegou e finalmente resolveram escolher um motor, um piloto, um dono e todo o restante de elementos necessários à continuidade a uma equipe de Fórmula 1. A Brawn Racing vai largar. Como e onde irá chegar é outra história...

Duelo de bicampeões

Durante a era Schumacher, somente dois pilotos foram grandes o bastante para conquistar o bicampeonato, muito embora apenas um título de cada tenha sido obtido sobre o alemão.
Em 99, Michael foi obrigado a ficar de molho após o grave acidente em Silverstone. Em 2005, sofreu a bordo de uma Ferrari deficiente, como há muito não se via.
Mas as temporadas de 1998 e 2006 foram marcadas por confrontos de altíssimo nível, e a vitória caiu nas graças dos maiores rivais: Mika Hakkinen e Fernando Alonso.
Afinal, num duelo entre o finlandês e o espanhol, em quem você apostaria suas fichas? Eis aí um bom pretexto para retomar a série de enquetes aqui no blog.
Ambos começaram a respectiva temporada marcando os primeiros dez pontos que levariam ao Mundial. E são dois pilotos que contaram com a chamada sorte de campeão na reta final da temporada.
Suzuka, 1998. Schumacher largaria na pole, até erguer os braços e alertar a direção de prova do problema-surpresa. Nova volta de aquecimento, e lá está o ferrarista na última fila. O alemão saiu costurando o grid como pôde, mas os pneus não aguentaram. Mika venceu o GP e levou o troféu de campeão.
Suzuka, 2006. O heptacampeão tinha a vitória em sua mãos e estava pronto para recuperar a liderança do campeonato, ao que o impossível acontece: o motor Ferrari abre o bico a algumas voltas do final. Na corrida seguinte, em Interlagos, problemas de câmbio no qualifying posicionam Michael no meio do grid de largada. Numa das inúmeras ultrapassagens que realizou, rasgou o pneu, retornou aos boxes, voltou para a pista, fez mais ultrapassagens e se retirou da F-1 com Alonso campeão.
Um paralelo desse porte é difícil de traçar, mas pessoalmente tenho mais confiança no finlandês.
A época lhe favorece. Naquele tempo, quando a F-1 levava um jeito mais clássico de se competir, Schumacher e Hakkinen duelavam na pista como verdadeiros titãs. Os duelos foram mais pegados, mais intensos, mais selvagens. Quantos toques, quantas ultrapassagens aconteceram entre eles? Ao mesmo tempo que a categoria via as quebras como algo corriqueiro, era mais exigente em termos de dirigibilidade, induzindo pilotos a cometerem erros.
No período de Alonso, a estabilidade implantada na F-1 nos permite dividir a temporada de 2006 em duas partes. A primeira metade foi da Renault e a segunda da Ferrari. Foi um duelo à distância na maior parte do tempo, envolvendo sóbrios cálculos estratégicos voltados para a matemática da tabela classificatória. Michael arriscava mais e Fernando se defendia através da regularidade.
Hakkinen pegou Schumacher na pista pra valer, justamente quando o piloto da Ferrari, em sua plena forma, buscava tirar a equipe do jejum de títulos. Alonso só veio a enfrentrar o multicampeão após longos 15 anos de Fórmula 1, hora da aposentadoria.
De forma alguma isso diminui a importância da conquista, é apenas um critério para diferenciar os feitos que esses dois grandes pilotos realizaram em sua carreiras. Ambos provaram seu talento diante de um dos maiores mestres do cockpit.
Mas as minhas fichas ficariam o gentleman Mika Hakkinen.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Barrichello fica na F-1

Não, não é oficial. Mas foi dado como certo tanto pela imprensa nacional quanto pela internacional.
O renomado jornalista Lito Cavalcanti anunciou no programa Tá na Área esta informação. O site GPUpdate também confirmou a permanência de Rubens na equipe, acrescentando que o piloto será o primeiro a avaliar o carro novo. O teste inaugural da suposta Brawn Racing deve acontecer na próxima semana, ou na solidão de Silverstone ou na muvuca de Barcelona.
Jenson Button, naturalmente, sustenta sua vaga. Bruno Senna precisa se decidir entre a Mercedes na DTM e as vagas pouco atraentes que restaram na GP2.
Com Ross Brawn no comando, o nome de Rubens ressurgiu de vez. Só falta o comunicado oficial para ratificação da notícia divulgada com tamanha segurança.

Powered by Vettel

Juntamente com Hamilton, Sebastian Vettel é o grande nome revelado pela F-1 contemporânea, mas por uma razão bastante diferente - um motivo mais clássico, eu diria.
Vettel vem de baixo. Nesta época corrente, a mobilidade no grid da categoria costuma ser quase nula para quem estréia no fundão. Sutil, Davidson, Albers, Liuzzi, Monteiro, Bruni... Todos são exemplos de pilotos que jamais conseguiram progredir, basicamente graças à falta de oportunidade para provar o talento que possuem (se possuem).
As exceções são raras. Alonso começou na Minardi, mas não teve muitas chances de mostrar seu verdadeiro potencial correndo na rabeira do pelotão. Só mesmo o olhar aguçado de Flávio Briatore enxergou no espanhol o piloto diferenciado que é.
Mark Webber é outro caso raro de quem conseguiu deixar o fundo do quintal. O sucesso no conturbado GP da Austrália de 2002 pesou no currículo. Mais tarde, as hiper-classificações com a Jaguar levantaram a moral do australiano, mas bastou chegar a um time como a Williams para que fosse evidenciado nosso engano.
A história de Vettel não se assemelha a nenhuma dessas. Tido como herdeiro do Schumacher, é uma questão de tempo para que fature o troféu de campeão. Ao menos é o que dizem por aí.
Vettel tem a capacidade de andar mais que o carro sem cometer erros, fazendo o bólido render além das expectativas da própria escuderia. Qual foi a última vez que um piloto de equipe pequena cravou a pole e venceu uma corrida? Sim, choveu, é verdade. Mas a chuva do Vettel não era menos molhada que a chuva dos demais. Ela apenas reduz o valor do carro e joga mais responsabilidade sobre o piloto, com apoio do aposentado controle de tração.
O alemão já provou que sabe vencer corrida; Fisichella também sabe. Vettel provou que sabe andar na frente; Nelsinho idem, já o fez em Hockenheim. Por isso, quem acompanha a Fórmula 1 tem, por experiência própria, lá em seu íntimo, uma pequena dúvida a respeito do suposto talento de campeão do Sebastian.
É uma exigência de praxe, por isso ele ainda tem algo a provar. Nós descobriremos assim que se aproximar de um time de ponta. Há quem comece a naufragar exatamente nesse ponto. A partir daí, será esclarecido se a conclusão de sua história está mais para Alonso ou para Mark Webber.
Sebastian Vettel pode se tornar o segundo piloto alemão a conquistar Mundiais na Fórmula 1. Michael Schumacher abriu a série e hoje a Alemanha é maioria no grid. Se a confiança - misturada a uma pontinha de dúvida - do torcedor se confirmar, em poucos anos o piloto que veio lá de trás deve estar rivalizando com quem estreou mais à frente, como um certo Lewis Hamilton.
Enquanto não completa este avanço do fundão até a ponta, Vettel concentra os esforços na equipe média que lhe deu dois anos de contrato. Quem venceu com Toro Rosso, agora dá asas à Red Bull.
Mas ele vai além. A Ferrari já está de olho e a Mercedes quer Sebastian também.

domingo, 1 de março de 2009

Fórmula 2 revive

O curioso projeto da FIA concluiu a listagem de 24 competidores e já pode sair do papel.
Sob a organização da MotorVision Sport, a extinta F-2 está pronta para renascer em maio deste ano, após duas décadas e meia de paralização.
O grande trunfo da nova modalidade é sua viabilidade a baixíssimo custo: equipes devem desembolsar de 250 mil a 350 mil euros ao ano. Para valorizar sua criação, a entidade premiará os três melhores da temporada com a superlicença da categoria máxima.
Enquanto os veteranos da Fórmula 1 se descabelam para quitar o direito de continuar correndo, um trio de felizardos da F-2 nem tomarão conhecimento da carga tributária. Mas daí assinar contrato com alguma equipe, é uma outra história...
A Audi fornecerá os motores. Os chassis serão contruídos pela Williams em parceria com a própria empresa organizadora, MotorVision Sport, comandada pelo ex-piloto Jonathan Palmer. Após a conclusão da temporada, o campeão ganha um teste com time de Grove.
Na Fórmula 2, herdeiros não faltam. Participarão Alex Brundle, filho Martin Brundle, e Henry Surtees, descendente de John Surtees. Por fim, Jolyon Palmer. Palmer? Sim, o muleque é filho do manda-chuva: o empresário Jonathan Palmer mencionado acima, que inclusive foi campeão da F-2 em 1983.
Vale destacar a presença da suíça Natacha Gachgang, representando as habilidades femininas. Além do único brasileiro do grid, Carlos Iaconelli, vindo da GP2. Para encerrar a menção individual, cito Mirko Bortolotti simplesmente por acreditar que se trata de um bom piloto. O campeão da F-3 italiana teve oportunidade de testar pela Ferrari e fez bonito. 2009 será sua chance de mostrar se minhas expectativas se confirmam.
A largada inaugural será em Valência, dia 31 de maio. O circo também passará por Brno, Spa, Brands Hatch, Donington, Oschersleben, Imola e Barcelona.
Aos pilotos:
Robert Wickens (Canadá) 19 anos
Julien Jousse (França) 23 anos
Armaan Ebrahim (Índia) 19 anos
Jason Moore (Grã-Bretanha) 20 anos
Tobias Hegewald (Alemanha) 19 anos
Natacha Gachnang (Suíça) 21 anos
Sebastian Hohenthal (Suécia) 24 anos
Pietro Gandolfi (Itália) 21 anos
Jolyon Palmer (Grã-Bretanha) 18 anos
Alex Brundle (Grã-Bretanha) 18 anos
Henry Surtees (Grã-Bretanha) 18 anos
Jack Clarke (Grã-Bretanha) 20 anos
Nicola de Marco (Itália) 18 anos
Mikhail Aleshin (Rússia) 21 anos
Andy Soucek (Espanha) 23 anos
Carlos Iaconelli (Brasil) 21 anos
German Sanchez (Espanha) 19 anos
Kazim Vasiliauskas (Lituânia) 18 anos
Mirko Bortolotti (Itália) 19 anos
Jens Hoing (Alemanha) 22 anos
Philipp Eng (Áustria) 18 anos
Tom Gladdis (Grã-Bretanha) 18 anos
Milos Pavlovic (Sérvia) 26 anos
Henri Karjalainen (Finlândia) 23 anos
Henri Karjalainen? Esse finlandeses têm sérios problemas com nomes...
Sobre a incipiente categoria-escola, esperemos que vingue. Mas, neste momento, dificilmente alguém esperará que alcance a mesma força existente na sólida e rica GP2.

Jerez, dia 1

No circuito espanhol, Sebastian Vettel ditou o ritmo andando quase 1.3s mais rápido que o segundo colocado. O alemão foi o único que cravou seu melhor tempo na sessão da manhã. À tarde, o RB5 enfrentrou uma quebra.
A Ferrari concentrou esforços no acerto e na confiabilidade. Ainda antes do almoço, Massa provocou a primeira bandeira vermelha do dia após rodar na pista.
No início do treino vespertino, a chuva que atacou o circuito tirou Nico Rosberg de combate por algum tempo. Nova paralização.
Nos boxes da Renault há muito pouco a se comemorar. A escuderia planejava avaliar componentes e testar acertos, mas não obteve tanta quilometragem quanto desejava. Problemas de confiabilidade desanimaram as atividades de Nelsinho Piquet.
Kobayashi, por sua vez, teve um dia mais feliz. Saiu satisfeito do carro alegando ter completado as metas do programa aerodinâmico.
A BMW começou o dia cautelosa, trocando o propulsor do F1.09, já que os sensores apontavam possíveis problemas. Kubica completou uma quantidade de voltas aquém do esperado e reclamou do excessivo número de bandeiras vermelhas.
Fisichella falou dos óbvios empecilhos do carro novo, citando os momentos de tração como fatores a serem melhorados. Mas o que vale a pena reproduzir é sua crítica ao polêmico KERS:
"Não vamos utilizá-lo até Barcelona, então só vou me concentrar em pilotar o mais rápido possível. A maioria das equipes só vão utilizá-lo no calendário europeu, não nas três ou quatro primeiras provas. Nunca andei com ele e sou contra o KERS porque as equipes estão gastando muito tempo e, especialmente, dinheiro para desenvolvê-lo. E ainda não é seguro. É estranho ver um piloto pular do cockpit para o chão feito um macaco", disparou, referindo-se à forma segura de os competidores deixarem o bólido sem riscos de choque. Caso estejam aterrados, possivelmente serão surpreendidos com uma descarga elétrica mortal. Uuuh...
A McLaren usou o domingo para se abastecer de dados para a temporada 2010. No próximo ano, o reabastecimento durante as corridas e o uso de mantas térmicas estarão proibidos. Pedro de la Rosa guiou com tanque cheio para simular tal situação e reconheceu as dificuldades iniciais com o rendimento dos compostos.
O espanhol protagonizou a quinta paralização de hoje, que anticipou o encerramento dos treinos.
Falando em Bridgestone, a fornecedora anunciou os compostos a serem levados para os primeiros GPs da temporada. Segue a lista:
Austrália: supermacio e médio
Malásia: macio e duro
China: supermacio e médio
Bahrein: supermacio e médio
Espanha: macio e duro