quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Massa lidera a bordo de carro rebatizado; Kubica deixa a UTI



FÁBIO ANDRADE


Foi pilotando o "novo" novo carro da Ferrari que Felipe Massa marcou a melhor volta do primeiro dia de testes coletivos da Fórmula-1 no circuito espanhol de Jerez de la Frontera. Não, a repetição da palavra “novo” na primeira linha não é um equívoco. É que o monoposto italiano para 2011, que foi lançado com o nome de F-150 em homenagem aos 150 anos da unificação da Itália como nação sofreu sua primeira atualização. Agora o carro chama-se F-150th Itália.


A mudança de nome no carro rubro se deu depois que a Ford anunciou um processo contra a Ferrari pelo uso de uma marca que pertence à empresa americana. Em comunicado, a Ford salientou que a F150 é uma marca conhecida e forte da Ford e que a pickup é um dos modelos mais vendidos nos Estados Unidos e um dos maiores sucessos comerciais da tradicional montadora estadunidense.


A Ferrari então emitiu uma linda e inocente nota, em que afirma que F-150 é apenas a abreviação de Ferrari F-150th Itália, que seria o nome completo do novo carro de corridas do time italiano. Abreviações costumam ser usadas apenas depois que o nome oficial de algum produto aparece, mas trata-se aqui, pelo visto, de uma nova forma de nomenclatura de marcas.



Massa lidera primeiro dia de testes em Jerez


A bordo do rebatizado F-150th Itália, nome que fundamenta uma emenda pior que o soneto, Felipe Massa treinou sem os contratempos que dificultaram seu trabalho em Valência no início do mês. O piloto brasileiro foi o campeão de quilometragem hoje, dando 101 voltas, a melhor delas em 1min20s709, o giro mais rápido do dia. Massa foi seguido de longe por Sérgio Perez, da Sauber, que ficou a mais sete décimos de distância do brasileiro.


Na metade de baixo da tabela de tempos, a Williams se enrolou com a asa traseira do FW33. A demora no preparo do carro fez com que Pastor Maldonado só pudesse aproveitar os últimos 30 minutos da sessão. Force India e Marussia Virgin também enfrentaram problemas e perderam boa parte da do dia com os carros parados nos boxes.


Na Lotus Renault quem treinou hoje foi o titular Vitaly Petrov, mas a equipe já anunciou que Bruno Senna e Nick Heidfeld também participarão dos testes, que vão até domingo em Jerez.


A McLaren fez o shakedown do MP4/26 com Lewis Hamilton. O britânico acumulou uma boa quilometragem com o novo bólido de Woking que não fez feio na tabela de tempos, já que se tratava de um carro estreante.




Testes coletivos, Jerez de la Frontera, dia 1:


Quadro médico de Kubica evolui e polonês deixa a UTI

Na Itália a boa notícia vem do Hospital Santa Corona di Pietra Ligure, onde o piloto polonês Robert Kubica está internado depois do acidente que sofreu durante um rally no último domingo. Kubica foi transferido da UTI para um quarto na manhã de hoje, depois apresentar notável melhora clínica. O piloto deve ser submetido a duas cirurgias amanhã: uma no pé e outra no ombro direito.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

And The Oscar goes to...



FÁBIO ANDRADE


Já faz tempo que o Oscar F-1 entregou os troféus aos vencedores das oito categorias votadas aqui no Blog F-1. O GP da Bélgica foi eleito pelos (e)leitores como o melhor de 2010 e há semanas que eu queria trazer o vídeo do clip da FOM pra cá, mas o site da F-1 ainda está na idade da pedra, não permite a "embedação" dos vídeos. Mas eis que aparece o clipe em boa qualidade e fora do Youtube, em um lugar que os caçadores da FOM ainda não atuam, felizmente.


Então, com quase dois meses de atraso, entregaremos o prêmio. "The Oscar F1 goes to... Belgian Grand Prix":




Aí teve o moonwalker do Webber, o atropelamento do Barrica sobre o Alonso, o rebolation do Vettel que tirou o Button da corrida, o quase abandono do Hamilton no finalzinho e o abandono do Alonso a poucas volta do fim. Mas resisto e protesto: ainda acho que o melhor grande prêmio de 2010 foi o da Austrália.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rádio OnBoard - Edição de Novos Carros



FELIPE MACIEL



No ar a edição número 103 da Rádio OnBoard!

A equipe está reunida novamente: Ron Groo, Fábio Campos e eu chegamos para falar dos carros já revelados para a temporada 2011. O programa foi gravada antes do grave acidente de Robert Kubica, por isso o assunto tão delicado não pôde ser mencionado em nosso bate-papo.


Clique para ouvirClique para baixar



Logo voltaremos em um novo programa, dando continuidade aos comentários e análises da época que antecede o início da temporada 2011 da F1.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O conservador MVR-02



ANDERSON NASCIMENTO



A Marussia Virgin não fez o que era necessário para que ela pudesse sonhar com lugares melhores na temporada 2011. Deixou de inovar e preferiu o conservadorismo. Por isso, sua campanha este ano não deverá ser tão diferente do que foi no ano passado.



O MRV-02 foi apresentado no estúdio 1 da emissora de televisão britânica BBC. Presentes estavam diretores, o projetista do carro Nick Wirth e os dois pilotos titulares Timo Glock e Jerome D'Ambrosio. Posaram para fotos, deram explicações sobre o carro e toda aquela "cerimônia" que existe em toda a apresentação de um carro novo na Fórmula 1.

Quanto as partes técnicas e o design, como já dito foram conservadores demais no meu ponto de vista. Inclusive voltaram a utilizar o CFD para projetar o novo bólido. Garantiram que a tecnologia utilizada dessa vez era bem melhor do que a que foi usada para desenvolver o VR-01. Isso só revela que o time não tirou lição nenhuma do ano horrível que teve em 2010.



As entradas de ar laterais chegam quase a ter formas ovais e o bico não seguiu a tendência dos carros apresentados até aqui, visto que possui ondulações e é baixo. A asa dianteira é larga e chamada pelos diretores de 'tromba'. O escapamento ficou posicionado abaixo do difusor traseiro.

A pintura não recebeu grande alterações. O vermelho e preto ainda imperam como cores principais, porém, os detalhes em branco ganharam mais força. O novo logo da equipe está estampado bem no bico do carro nas cores vermelho branco e azul, fazendo lembrança as cores da bandeira russa, na qual o time passará a defender agora.



Não acredito muito que a equipe russa de Richard Branson, mesmo com mais investimentos e um orçamento maior para essa temporada, deixe de andar no fundo do grid. Quanto aos pilotos, Timo Glock pode trazer alguma evolução ao time durante a temporada, mas D'Ambrosio não possui talento para fazer mais do que aprender neste seu ano de estreia na Fórmula 1. Vale lembrar que a equipe ainda não escolheu seu piloto reserva para a temporada.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Kubica, o acidente, a cobertura



FÁBIO ANDRADE


O acidente sofrido pelo piloto polonês Robert Kubica nesse domingo durante sua participação em um rali na Itália foi assunto de destaque na manhã deste dia 6 na web. Rapidamente o nome do piloto polonês entrou no Trending Topics, a lista de assuntos mais comentados do Twitter. E em meio às notícias desencontradas de primeira hora, um tema que sempre anda ao lado dos acidentes e catástrofes novamente se fez notar: a cobertura da imprensa em casos como esse.




Kubica se acidentou quando participava de uma etapa de rali nas proximidades de Gênova, no norte da Itália. O piloto da Renault guiava acompanhado por James Gerber, seu navegador, que saiu ileso do acidente. Para Kubica, entretanto, o choque com um muro às margens da estrada resultou em várias fraturas na perna, braço e mão direitas. As lesões foram confirmadas pela Renault. Ainda no final da manhã a informação era de que o piloto ainda estava na mesa de cirurgia e a avaliação inicial dos médicos era de que o risco de amputação da mão do polonês era baixo, apesar das sérias lesões.


Os fatos são esses. Alguns veículos de mídia europeus, porém, noticiaram que Kubica chegou a ter uma das mãos amputadas ainda no local do acidente. No Brasil, o direcionamento da notícia em alguns sites pendeu para a declaração que Eric Boullier, chefe da Renault, deu na semana passada, quando afirmou que o brasileiro Bruno Senna era o substituto imediato em caso de problemas com algum dos titulares (Kubica ou Petrov). Tudo isso ainda nas primeiras horas após o grave acidente.




[caption id="" align="aligncenter" width="498" caption="O carro de Kubica após o acidente"]O carro de Kubica após o acidente[/caption]

Os protestos logo se fizeram ouvir no Twitter. E nessa era em que a lógica de mercado penetrou em praticamente todos os setores, tornou-se comum ver os veículos de comunicação estampando seus posicionamentos mercadológicos disfarçados de “interesse do público”. Alguns veículos devem achar que é de “interesse do público” saber que um piloto brasileiro - sobrinho de um tricampeão brasileiro - pode ocupar a vaga de Kubica. E de fato isso é algo de interesse do público, não só o brasileiro mas o que acompanha a Fórmula-1 de uma forma geral. Mas o interesse maior poucas horas após um acidente grave, que pôs em risco a vida do piloto e cujas consequências ainda são incertas para a carreira do polonês, é saber sobre o estado de saúde de Kubica. Curiosidade sobre possíveis substitutos é algo secundário, até fútil e mesquinho, sobretudo porque a declaração de Boullier no fim das contas não quer dizer nada.


Kubica segue sendo operado durante toda a tarde de domingo na Itália. Na próximas horas um boletim médico deve atualizar o estado de saúde do piloto polonês.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A nova arma da McLaren



ANDERSON NASCIMENTO



A McLaren apresentou seu novo carro para a disputa da temporada 2011 em público na cidade de Berlim. E além de revelar inovações no carro, como já era esperado, o time inglês também inovou na hora de apresentar sua mais nova arma para voltar a conquistar o título.



Diante de uma grande multidão, o novo McLaren MP4-26 foi sendo montado com alguns mecânicos trazendo as peças que restavam ao bólido. Uma maneira bem criativa e interessante de sair da mesmice de tirar um pano sob o carro já pronto.

Quanto as alterações no carro que será usado por Lewis Hamilton e Jenson Button, a equipe seguiu algumas tendências para a temporada, mas foi mais além. O nariz continua a ser bem alto e a asas dianteira apresenta detalhes interessantes que com certeza atuarão na performance do carro.



Outras duas alterações, com certeza as mais importantes, justificam o fato do time ser um dos últimos a revelar seu novo carro. Nas laterais da entrada superior de ar acima da cabeça dos pilotos, um duto foi implantados. As entradas de ar laterais do carro são a outra novidade apresentada. Elas são mais altas do que as das rivais e possuem uma forma de L.

A pintura permaneceu a mesma, o que já era de se esperar. No entanto, muitos esperavam que os novos macacões dos pilotos fossem apresentados, mas isso não aconteceu.



Parece que com o MP4-26 a McLaren veio para fazer frente às principais candidatas ao título. Com as inovações e com dois pilotos que saberão muito bem o que estarão guiando, o bólido dos ingleses pode se tornar o temor de Red Bull e cia. É claro que ainda é muito cedo para se fazer comparações, apontar favoritos e até mesmo dizer que o MP4-26 andará na frente. Mas tudo parece conspirar a favor de uma grande luta pelo campeonato.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Zona



FÁBIO ANDRADE


No dia que concluiu uma semana de testes pouco conclusiva o que mais chamou a atenção no mundinho paralelo da Fórmula-1 foi a sugestão, partida da Federação Internacional de Automobilismo, de criar o que se chamou de “zona de ultrapassagem”. A ideia é estabelecer uma área de 600 metros nas retas principais de cada circuito e liberar, nesse trecho, o uso das asas móveis.




A iniciativa de criação da zona surgiu depois de alertas de engenheiros e de pessoas ligadas ao corpo técnico das equipes. Adrian Newey, engenheiro-chefe da Red Bull cravou a mais forte das declarações até então, e foi preciso ao dizer que “devemos tornar as ultrapassagens possíveis, não fáceis”. O efeito do alerta foi o receio de que as asas móveis tornem as ultrapassagens banais e artificiais. Pior do que isso, as asas móveis somadas ao KERS correm o risco de acabar com todo o jogo de xadrez que envolve uma ultrapassgem, e que as vezes é mais interessante do que somente a ultrapassagem. Uma ultrapassagem não é só a ultrapassagem em si, mas toda a trama e sequência de tentativas e erros que leva até o desfecho da manobra. E, historicamente, uma ultrapassagem é o triunfo de um conjunto equipamento/piloto que seja superior a outro conjunto equipamento/piloto naquele determinado momento. Não é um simples apertar de botões.




O vai e vem de regrinhas e preciosismos que a FIA sinaliza nessa pré-temporada revela ainda que quase um ano depois desse post várias coisas ainda são válidas para o momento da Fórmula-1. A categoria precisa de mais do que um regulamento estável, precisa primeiramente decidir afinal que filosofia de espetáculo ela vai seguir. No momento atual é impossível dissociar a palavra “espetáculo” da palavra “esporte” porque os dois andam juntos. Mas aquela que se considera a categoria máxima do automobilismo tenta se equilibrar numa escorregadia fronteira: entre se afirmar como celeiro da técnica e dos melhores pilotos do mundo ou injetar artifícios que descambam para sua própria mariokartização. E antes de tudo é preciso escolher qual estilo de entretenimento será representado.


Até que alguém do alto comando da Fórmula-1 acorde para isso, continuamos acompanhando a evolução da zona.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Ross Brawn faz pouco caso do escapamento frontal



FELIPE MACIEL


Em todas as apresentações feitas até aqui, vimos muitos carros sem nada de novo a apresentar, com exceção do bólido da Lotus Renault. Quando olharam para sua traseira, veio a pergunta: onde foi parar o escapamento que deveria estar aqui?

Logo se descobriu que a equipe inseriu uma solução inovadora, apontando o exaustor para frente, nas proximidades do sidepod. A ideia é basicamente canalisar o fluxo de ar na direção do difusor, ainda que através de um longo caminho. Clique e entenda como funciona o escapamento da Lotus Renault.



Mas o que à primeira vista parece uma invenção a ser disseminada pelo grid, pode na verdade não ser tão essencial quanto se sugere. Ross Brawn, por exemplo, não se surpreendeu em nada com a novidade e deu de ombros para ela, arriscando-se a dizer que os times devem optar por diferentes soluções.

Eu vi a Ferrari, e eles tinham algumas opções diferentes. Eu acho que existem algumas soluções que você pode implementar para obter os benefícios provenientes da energia do escape. Então eu creio que veremos diversas soluções até o Bahrein.

Ross Brawn



Rumores indicam que a McLaren estaria preparando o novo MP4 para abrigar o exaustor de saída frontal; o dia do lançamento dirá se é apenas um boato.

A julgar pelas palavras de Brawn, o escapamento da Lotus Renault está longe de ser a grande inovação do ano. Alguns podem copiar mas há outras opções a se considerar. Também há que se considerar que certas estranhezas no conceito não fazem do escape frontal uma aposta tão segura. A Renault abraçou o risco e o lançou, e os times que resolverem incorporá-lo não deverão enfrentar grandes desafios técnicos.

Resumindo a ópera, passada a surpresa do primeiro momento, o exaustor revolucionário começa a não impressionar tanto assim. Mas somente com o tempo saberemos quais soluções irão se sobressair no final.