segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Entrevista de Nelsinho na íntegra

A entrevista de Nelsinho a Reginaldo Leme não foi nenhuma explosão de novidades, serviu mais para dar detalhes e colocar o seu ponto de vista em meio ao turbilhão que se instaurou.
Ele contou que aquele fim de semana foi duro, já havia tido uma discussão com seu manager, que lhe exigia a assinatura de um contrato, com o qual não concordava. Briatore "gritou, berrou", mas ele não aceitou. Os conflitos com o patrão durante o fim de semana teriam lhe deixado mentalmente abalado.
No domingo, horas antes da corrida, nem Flavio nem Symonds estavam confortáveis na tal reunião, mas lançaram a famosa tramóia, deixando nas entrelinhas a possibilidade de permanência na equipe em troca da execução. Nelsinho baixou a cabeça para a dupla do alto escalão da Renault e levou o plano adiante.
Sobre a escapada na volta de apresentação, esclareceu o que era óbvio, embora o público tenha tratado de inventar lenda: foi uma rodada acidental, que tinha ocorrido na curva que antecede a reta, portanto não possuía a menor relação com o esquema da curva 17 durante a prova. Na verdade, quase pôs tudo por água abaixo, já que uma pancada lá poderia cancelar sua corrida antes mesmo da largada. O que seria ótimo, por fim.
Depois do encerramento do GP é que Piquet compreendeu a dimensão do erro que comenteu, e não teve coragem de contar ao pai. Quem o fez, posteriormente, foi seu amigo Felipe Vargas.
Sobre a reação de algumas equipes e pilotos da F-1, o piloto argumenta que estão enganados caso pensem que não foi punido o bastante. "Quem levou a maior punição fui eu". Também diz que Pat e Flavio têm anos de carreira e negócios fora da categoria, enquanto que a sua trajetória está no começo e foi bastante prejudicada em decorrência do fato em questão.
Perguntado por que não fechou com a STR, Nelsinho afirmou que acreditava que as coisas estavam melhorando no final de 2008, ele se aproximava progressivamente do companheiro e esperava que 2009 seria mais fácil. Não foi. Se pudesse voltar atrás, garante que teria fechado com a Toro e aberto mão da vaga na Renault.
Nelsinho quer voltar a negociar com a Toro Rosso agora. A prioridade está nas escuderias atuais, já que os times novos pretendem recrutar pilotos pagantes, o que foge de seu interesse.
Ele confirmou o teste agendado para a semana que vem na Nascar. Contou que irá para conhecer, mesmo assim porque a equipe insistiu muito. Embora esteja focado na categoria máxima, Nelsinho expressou sua ambiciosa vontade de vencer grandes provas do automobilismo fora da F-1, como Le Mans e Daytona.
Para fechar nosso resumo, a importante frase que é uma dura realidade: "Essa história saiu depois de um ano, tem muitas histórias que nunca saíram". Piquet ainda acrescentou que quer um esporte puro, e preferiu limpar essa história da forma como faz agora para não ficar guardada com ela para o resto da vida.
Ainda é difícil entender que teve peito para jogar tudo no ventilador só por querer um esporte mais limpo e, de quebra, se vingar do antigo chefe. Seria mais fácil tentar se manter na categoria se abafasse o caso após a demissão.
Mas uma coisa tem que ser dita: uma das grandes diferenças do caso de Nelsinho para outras inúmeras sujeiras da F-1 é o fato de ele ter se arrependido e contado tudo, de modo que a FIA reprimisse os culpados. E isso me parece ser mais difícil do que dizer "não" a uma ordem de equipe. Quantos crimes foram praticados sem que ninguém se arrependesse? E quantas vezes foram repetidos por não se aplicar punição? Nisso o Nelson Maior está coberto de razão: se nada assim vem a público, o esporte não evolui. Nem tudo é caos como parece ser. A partir de agora, é improvável que tenhamos um novo briatore e um novo nelsinho para arriscar a mesma façanha absurda no futuro.
Para amenizar o tom polêmico de mais um post relacionado ao escândalo, não custa passar a animadora declaração do amigo do Ângelo, o Bruno.
Enquanto um sobrenome forte sai e não sabe se volta, o outro grande sobrenome está prestar a chegar. Senna demonstra mais otimismo do que nunca para ingressar no ano que vem:
"As ultimas conversas estão sendo empolgantes. Tudo corre bem, e o ritmo das negociações aumentou nas últimas semanas. Estou ansioso para dar boas notícias nos próximos dias".
Provavelmente um contrato será fechado com uma das novas equipes. Mas também se cogita vaga na ascendente Force India. E, cá entre nós, apostar no Bruno vale mais que apostar em Liuzzi.
Já apostar no futuro de Piquet é um desafio de outro mundo. Se exilar nos States não deixa de ser uma opção até a poeira baixar; porém, se a poeira baixar antes, por que não estaria de volta à F-1 logo no ano que vem? O papai tem influência e deve ajudar a convencer alguma equipe. Está tudo em aberto para ele.

domingo, 4 de outubro de 2009

Copiar/colar no Japão

Foi igual demais...
Massa vs Hamilton em Fuji, 2008
Kovalainen vs Sutil em Suzuka, 2009

Vettel vence seu 1º GP em Suzuka

Sebastian Vettel largou na pole e não permitiu a ninguém mais sonhar com a vitória no tradicional autódromo de Suzuka. Só faltou fazer a melhor volta da corrida, mas deixou o feito para Mark Webber, que viveu um péssimo final de semana. O australiano largou dos boxes e realizou três pit stops nas cinco primeiras voltas. Portanto não teve como aproveitar o incontestável rendimento da Red Bull no Japão.
Jarno Trulli largou em 2º, foi superado pelo KERS de Lewis Hamilton, mas fez uma grande corrida sem deixar a McLaren se distanciar em momento algum. Na última rodada de reabastecimento, o italiano pisou fundo após a parada do atual campeão para reassumir o posto de largada, para a felicidade dos japoneses. Estava definido o pódio da corrida.
Kimi Raikkonen trouxe a Ferrari como pôde, conquistando uma boa 4ª posição, suficiente para manter a equipe em 3ª no Mundial de Construtores. Ao menos por enquanto. Nico Rosberg largou de 7º e tirou bom proveito da estratégia para avançar no grid e faturar o 5º lugar. Nick Heidfeld não teve uma corrida tão tranquila, terminando em 6º após largar de 4º lugar.
Um dos grandes destaques do GP ficou por conta do duelo entre Adrian Sutil e Heikki Kovalainen, que se posicionavam à frente de Jenson Button. O alemão, mais leve, pressionava o finlandês, até que resolveu atacar na chicane. Completaria a ultrapassagem quando foi tocado na traseira pela McLaren e rodou, enquanto Heikki espalhou para a grama. Melhor para o líder do Mundial, que deixou ambos para trás.
Rubens Barrichello perdeu velocidade na segunda perna do GP, para não perder o costume. Button foi se aproximando, sobretudo após o pit final, quando a diferença já era no visual, mas a entrada do safety car ajudou a manter a posição.
A interferência foi provocada pela batida de Jaime Alguersuari. O espanhol perdeu o controle na 130-R e atingiu fortemente a barreira de pneus. Num fim de semana em que o carro da Toro tinha um potencial acima da própria média, tudo o que se viu foi seus pilotos batendo, batendo e batendo.
O grande vencedor dessa prova foi Jenson Button, que tem 14 pontos de sobra em cima de Rubens Barrichello nas duas corridas que restam. O inglês está sendo burocrático, mas voltou a mostrar arrojo quando descreveu um X na freada da variante para ultrapassar Robert Kubica e recuperar uma posição perdida na largada.
Outra passagem curiosa da prova foi a saída do pit lane. Giancarllo Fisichella dormiu no ponto e deixou Heikki Kovalainen fazer ultrapassagem num local um tanto fora do comum. Mesmo que o italiano tenha esquecido de usar o KERS, é difícil compreender. Parece que tomou a linha de fora como se quisesse abrir passagem. E depois ainda tentou fechar na marra, quase provocando um acidente.
A Fórmula 1 se despede de Suzuka com Jenson Button-85, Rubens Barrichello-71 e Sebastian Vettel-69. Pelo andar da carruagem, a vice-liderança do Rubinho está mais ameaçada que a liderança da companheiro.
Muito provavelmente, a Brawn será campeã de construtores na próxima corrida. A única forma de a RBR ficar com o título será fazer duas dobradinhas e a Brawn GP não pontuar. Superaria o time marca-texto em 0,5 ponto. Já a Ferrari tende a cair na tabela, já que Fisichella não ajuda. Dois pontos separam Maranello de Woking.
Duas semanas, e é GP do Brasil. Se Button marcar 4 pontos a menos que Rubens, se sagra campeão. Um pódio basta para o britânico.
Pois é, a temporada já está terminando. 18 de outubro e 1º de novembro serão as paradas finais do circo no ano. Até a etapa de Interlagos, é bom ficar ligado na dança das cadeiras que promete ter mais definições.

sábado, 3 de outubro de 2009

Pós-classificação igualmente movimentada

O caos reinou antes, durante e depois do treino. Chuvarada na sexta-feira, festival de crash test no qualifying, e disparo automático de punições no grid.
Heikki Kovalainen e Vitantonio Liuzzi trocaram o câmbio, caindo para 13º e 18º.
Button, Barrichello, Alonso e Sutil também caíram 5 postos na tabela de largada por cravarem a volta rápida no Q2 sob bandeira amarela, provocada por Sebastien Buemi. Que, por sua vez, foi penalizado por retornar aos boxes lentamente com carro avariado, atrapalhando os demais pilotos.
A Brawn parece estar testando as habilidades e os nervos de seus pilotos dando uma volta lançada para cada um nas principais fases do treino. Em contrapartida, corre o risco de acontecer o que aconteceu. Na hora H, bandeira amarela é acionada e a punição é aplicada.
A Toyota não detectou problema algum na batida de Glock. Enquanto o alemão não é confirmado, o japonês Kamui Kobayashi fica em stand-by. "Se Timo não puder, ele entrará", disse Howett.
Em princípio, a substituição não seria legal, mas o time japonês tenta convencer os comissários de que se trata de uma situação especial. Resta saber se o especial se refere a um japonês estreando no Japão, ou se se limita à batida, que não foi tão especial quanto a de Massa na Hungria, onde a Ferrari sequer cogitou um desvio na regra. De qualquer forma, quanto mais piloto no grid, melhor.
Sutil é o mais leve, portanto perde demais com o penalty recebido. Jarno Trulli bem que tentou baixar o tanque, mas a pole ficou com Sebastian Vettel, aparentemente imbatível em Suzuka. O alemão vem mais pesado, inclusive, que Lewis Hamilton, 3º.
Jenson Button mais leve que Rubens, larga duas posições atrás do companheiro. O brasileiro, 9º colocado e ávido por pontos, deve arriscar bem na largada. Kimi Raikkonen ascendeu ao 5º lugar, já dá para sonhar com o pódio, mas não será tarefa fácil. Fisichella, agora 12º, vem quase no mesmo peso do companheiro.
Robert Kubica é um dos mais cheios, e ainda conseguiu um largo salto de 13º para 7º com a brincadeira da FIA. Pode se animar, agora. Nick Heidfeld parte de um ótimo 4º posto.
Adrian Sutil (ALE/Force India), 650 kg
Jarno Trulli (ITA/Toyota), 655,5
Lewis Hamilton (ING/McLaren), 656
Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), 658,5
Jenson Button (ING/Brawn), 658,5
Nick Heidfeld (ALE/BMW), 660
Rubens Barrichello (BRA/Brawn), 660,5
Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), 661
Giancarlo Fisichella (ITA/Ferrari), 661,5
Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 665,4
Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), 675
Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso), 682,5
Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India), 682,5
Nico Rosberg (ALE/Williams), 684,5
Robert Kubica (POL/BMW), 686
Fernando Alonso (ESP/Renault), 689,5
Romain Grosjean (FRA/Renault), 691,8
Kazuki Nakajima (JAP/Williams), 695,7
Que venha a corrida. Será que ela será um pouco tranquila? Um pouquinho, que seja... A resposta, não antes das 2h da manhã deste domingo.
Edit: O grid oficial depois da confirmação oficial:

Treino bate-bate no Japão

Que diabo foi isso que teve hoje em Suzuka? Que coisa...
Tinha piloto que estava mais interessado em bater do que em correr. Vejamos o placar: 2- Buemi; 1,5-Kovalainen; 1-Alguersuari. O 1,5 é porque o finlandês rodou igual a uma baiana no Q1, mas não bateu. Depois, sim, bateu diretinho na mesma curva.
Os inexperientes da STR não podem sentir um carro rápido nas mãos que já vão se afobando. Mas o Buemi se superou: escapar depois de ter vaga garantida na super pole foi demais...
O acidente do Glock foi bem estranho. A impressão foi mesmo de que as rodas não corresponderam na simples curva que leva à reta principal. O que importa é que os médicos não detectaram nenhuma lesão grave. O piloto sofreu um corte na perna e foi dirigido ao hospital. Talvez a Toyota tenha de correr com um a menos em território japonês.
Mark Webber é outro que bateu, mas foi no treino livre. Rachou o chassis e terá de largar dos boxes, sem sequer participar do qualifying.
Vettel fez a pole, confirmando o favoritismo. Trulli, um verdadeiro leão de treinos, fecha a primeira fila. A Mercedes dominou a segunda fila com Hamilton e Sutil. Barrichello é 5º contra Button em 7º, ensanduichando a BMW de Heidfeld. Raikkonen não conseguiu mais que o 8º lugar, enquanto o Fisichella larga de algum lugar lá no fundão. E eu largo esse computador e vou dormir.
Já fiz o resumo do treino e abaixo segue a classificação para o GP de amanhã.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vettel exige novo pardal à FIA

A punição sofrida por Vettel em Cingapura não deveria acontecer. O alemão respeitou o limite do velocidade nos pits, mas foi punido com uma passagem pelos boxes como se tivesse andado acima dos 100 km/h. A telemetria da Red Bull provou que a FIA errou.
O piloto reclamou do sistema e exigiu mudança. O problema é que a medição não considera a velocidade absoluta do carro dentro do pit lane. Na verdade, a velocidade é estimada em função do tempo. Aquela velha formulinha das aulas de física: V=ΔS/Δt.
Sebastian teria cruzado a linha de entrada dos boxes de forma que reduzisse a trajetória percorrida, mas o aparelho considera a distância já fixada. Como o tempo foi menor, a leitura de velocidade se equivocou, apontando um valor mais alto que o real.
Assim, mais uma corrida em Cingapura tem o resultado de alguém prejudicado por certas esquisitices. Claro, nada que se compare ao que houve no ano passado. A comparação mais irônica com a batida do Nelsinho já ocorreu, assim que o Grosjean providenciou um semi-replay na sexta-feira.
E ainda teve o pit stop do Alguersuari, ensaiando a consagrada patacoada da mangueira. Por fim, Giancarlo Fisichella tratou de levar o carro do Massa ao 13º lugar, mesma posição frustrante de 2008. Pois é, a noite de Cingapura não economizou nas coincidências.
Quanto à velocidade nos pits, será mesmo que a FIA vai melhorar a medição? Talvez. Se tivesse acontecido com um piloto da Brawn nessa fase decisiva do Mundial, certamente ela daria um jeito rapidinho.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Massa solta o verbo sobre a batida de Piquet

Felipe Massa não esconde a frustração com o escândalo que toma conta da categoria. O piloto fez duras críticas à FIA pela natureza das punições e pela manutenção do resultado da corrida roubada pela Renault.
Ele lamentou a mudança da história da briga pelo campeonato, mas disse que receber o título 1 ano depois, no tapetão, está longe de seus interesses. Portanto, dificilmente procedem os boatos de que a Ferrari abriria um processo para anular o resultado do GP de Cingapura de 2008 e levar o caneco no Mundial de Pilotos.
Nelsinho Piquet, evidentemente, não foi poupado das críticas. O ex-piloto da Renault, inclusive, reencontrou Felipe na Granja Viana, onde foi testar kart. Após o treino, Piquet chegou para cumprimentar o vice-campeão de 2008, mas ganhou um aperto de mão um tanto hostil, como revela o clique daquele momento.
Massa falou que provavelmente tomaria a atitude oposta se estivesse no lugar de Nelsinho e também comentou a controvérsia de ele só ter revelado o caso após sua demissão da Renault.
Agora, é esperar pelas palavras de Piquetzinho na entrevista feita com Reginaldo Leme. Improvável que ele conte alguma novidade. Participou da uma das maiores vergonhas da história da categoria, está arrependido, mas não há muito para onde se defender. O melhor que pode fazer é conseguir uma vaga para 2010 e melhorar sua imagem dentro das pistas. Do contrário, será eternamente e unicamente marcado pelo episódio de 2008.

Brawn suja a carenagem

Parece que o bobo alegre do Nick Fry finalmente resolveu trabalhar de verdade.
A Canon injetou dinheiro na Brawn em Cingapura. Aqui no Brasil, será a vez da Cervejaria Petrópolis estampar a marca de seu energético, TNT, e sua cerveja, Itaipava. Imagens oficiais já foram divulgadas.
Demorou, mas a Brawn enfim começa a sujar a carenagem do carro.
Para o ano que vem, investimentos como esses serão fundamentais, já que os japoneses tirarão o corpo fora de uma vez e a Vingin está de malas prontas com destino certo. A empresa brasileira evidentemente não é uma forte candidata, mas a Canon havia cogitado estender a parceria.
Nico Rosberg também deve levar seus patrocinadores, já que a troca com Barrichello é bastante especulada na imprensa. O alemão na Brawn e o brasileiro na Williams. Dizem...