sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O recesso do blog



FÁBIO ANDRADE


Então, galera, natal.


Impossível chegar numa época dessas e não entrar naquele clichê todo de dar uma repassada em como foi o ano e tal. O ano 2010 tá indo embora e foi, pessoalmente, um ano importante pra esse escrevinhador, tanto no pessoal como no profissional - já diria um outro. No que provavelmente deve interessar a quem lê esse blog, foi difícil porque nem sempre deu pra manter o Blog F-1 do jeito que tava planejado, mas a jornada foi boa.


Começamos o ano com dois editores e ganhamos a companhia do Anderson Nascimento recentemente. Mesmo assim, foi um desafio manter o ritmo de postagens, mas ao menos já conseguimos consolidar minimamente um estilo, um jeito próprio de levar a frente o blog nessa plataforma maior, sem as amarras do blogspot. Foi um ano de aprendizado, não só no sentido de aprender todas as novas ferramentas disponíveis, mas também de cuidar para que as falhas sejam suprimidas em 2011.


Além da cobertura no blog, a Rádio OnBoard também foi palco de vários dos pontos altos de 2010. O Felipe e o Groo, sempre junto do Eduardo, do Xará Campos (sempre, no caso do Xará, é uma força de expressão) e de outros convidados, fizeram das edições, tanto gravadas como ao vivo, grandes momentos. Destaque pra lembrança da transmissão ao vivo do treino classificatório do GP do Japão, recorde histórico de audiência da Rob.


No mais, a gente teve o prazer de ser um dos veículos que contou de alguma forma a história desse mundial de Fórmula-1 equilibrado, emocionante até certo ponto, decepcionante naquele ponto infame, mas sem dúvidas divertido. A gente faz o que gosta, então isso é bacana, mesmo quando falta tempo ou sobra cansaço.


O Blog F-1 vai dar uma paradinha, porque todo mundo merece. Verão, fim de ano, e toda uma vida fora da internet também existem pra ser aproveitada, afinal. Feliz natal e feliz 2011 pra todo mundo que leu, concordou, discordou, enfim, debateu com a gente. Apareçam sempre.


Vem aí o recesso de fim de ano do blog. Esse é o último post de 2010, mas a gente volta provavelmente na primeira semana de janeiro pra acompanhar a pré-temporada e tudo o que envolve os preparativos para o ano de 2011 na Fórmula-1.


No mais, é deixar o sapatinho na janela, porque o bom velhinho vem aí com nosso presente...




Ops, esse não. Alguém me avisa no rádio que tem outro que é mais rápido do que ele:




Pessoal, boas festas! Até a vista ;)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ferrari quer Vettel, Vettel quer Ferrari



FELIPE MACIEL


O xará vai ter que dormir com um barulho desses. Luca di Montezemolo falou para quem quiser ouvir que uma das metas da equipe nos próximos anos é trazer Sebastian Vettel para Maranello: "Sebastian é rápido, inteligente e jovem. Ele irá pilotar um carro vermelho cedo ou tarde".

Alie isso ao fato de Dietrich Mateschitz já ter reconhecido anteriormente que seu pupilo tem o mesmo interesse em passar pela escuderia italiana, e teremos um quadro onde tanto Red Bull quanto Ferrari estão cientes do que vem por aí; a pergunta é: quando?



Não tem como negar o quão especial é para um piloto guiar uma Ferrari. Quase todo piloto deve sonhar com este dia. Sebastian dispõe do melhor carro do grid, e talvez não pense em se mudar para nenhum outro time, exceto uma única equipe.

Quando a Ferrari diz que quer um piloto, ela o tem. Quiseram o Massa, o Raikkonen, o Alonso. Agora querem o Vettel. A recíproca também é verdadeira, todos eles queriam a Ferrari. Resta saber quem irá sair para Vettel entrar.

Enquanto o mundo não dá voltas, o contexto atual sugere que Massa é o desfavorecido. O ano de 2011 pode ser determinante na carreira do brasileiro, como sabemos. Já o controverso Alonso, por sua vez, tem que continuar vestindo a camisa. Afinal, vai que a Ferrari cisme em trazer o Kubica junto...

Nunca se sabe. Jamais sabemos... mas depois dessa, não é exagero dizer que as chances de Sebastian domar o cavalinho rampante um dia é da ordem de 95%.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um novo site automobilístico estreia em janeiro



FELIPE MACIEL



Está programado logo para o início do ano que vem a inauguração de um interessante espaço multimídia destinado ao automobilismo. Denominado Podium GP, o site está convocando gente interessada em publicar a respeito do esporte a motor, de modo a promover um trabalho conjunto entre vários editores dedicados a diferentes tópicos do automobilismo, desde histórias até atualidades, desde opiniões até abordagens técnicas.

E a nossa Rádio OnBoard está pronta para ocupar a função de podcast! Isso mesmo, as discussões da ROB também farão parte da troca de ideias e debates do site.

Participa do projeto, por exemplo, o amigo jornalista Bernardo Bercht, que por sinal realizou uma entrevista exclusiva com o piloto brasileiro César Ramos no início do mês de dezembro, quando este guiou um F-1 da Ferrari pela primeira vez. Mas para integrar a equipe do Podium GP não é necessário ser formado em jornalismo, precisando apenas conhecer e escrever bem sobre automobilismo.

Não parece faltar gente capaz de assumir esse agradável compromisso. Os interessados devem visitar este endereço para participar da seleção de editores. As dúvidas podem ser tiradas pelo Twitter recém-estreado. O objetivo é justamente reunir um grupo forte de escritores na construção de um rico ambiente para todos que gostam de corridas.

Moss, Schumi e o limite da agressividade



FÁBIO ANDRADE


No final da semana passada o ex-piloto Stirling Moss saudou as medidas da FIA para evitar lances perigosos durante os grandes prêmios de Fórmula-1. As regras a serem implantadas em 2011 tratam de regular a questão da agressividade durante as ultrapassagens. O regulamento passa a rezar que "manobras que afetem outros pilotos como uma segunda mudança de direção na defesa de posição, colocar o carro além do limite da pista ou alteração anormal de trajetória durante a ultrapassagem não serão permitidas". Ou seja, o último trecho desse recorte do regulamento acaba deixando o julgamento sobre a licitude das manobras dentro da esfera da subjetividade, mas isso não vem ao caso, pelo menos por agora.


Stirling Moss, o último dos heróis dos tempos românticos ainda vivo, comentou a medida da FIA disparando contra o heptacampeão Michael Schumacer. Moss afirmou que as medidas da FIA visando coibir a pilotagem desonesta vão "provavelmente afetar Schumacher". O ex-piloto lembrou-se do imbróglio do GP da Hungria, quando o alemão vendeu muito caro uma ultrapassagem a Rubens Barrichello, expondo ambos ao risco de um grave acidente em Budapeste: "o que Schumacher fez na Hungria foi vergonhoso" - criticou o britânico.




E Schumacher, de fato, carrega a fama de Dick Vigarista - famoso personagem dos desenhos animados que tenta todo tipo de trapaça para vencer as corridas de automóvel -  desde a conquista de seu primeiro título mundial de F-1 em 1994. O alemão tentou decidir outro mundial de forma semelhante, jogando o carro sobre o concorrente, em 1997, mas dessa vez acabou sendo desclassificado. Pesa ainda contra o alemão a presepada armada durante os treinos classificatórios para o GP de Mônaco de 2006, quando Schumi estacionou sua Ferrari na Rascasse para impedir que rival Fernando Alonso, que vinha em volta rápida, cravasse a pole. E esses são apenas alguns exemplos do nível de competitividade em que o alemão disputava cada metro das pistas com os adversários.


Um lance que passou batido entre todos esses, talvez por não decidir o campeonato ou coisa do gênero, aconteceu durante o GP do Canadá de 1998. Na ocasião, Schumi saía dos boxes e bloqueou o também alemão Heinz Harald Frentzen, da Williams:




As imagens deixam claro que Schumacher retirou de Frentzen qualquer possibilidade de fazer a curva na tangência correta. Na época a hoje famosa regrinha da linha branca não devia nem existir - se existia não era cumprida, mas eu não tenho o regulamento de 1998 em mãos para tirar a dúvida - e Schumi teve liberdade para impedir a ultrapassagem de Frentzen tão logo saiu do pit lane. Entretanto, se o então bicampeão foi, no mínimo, deselegante ao bloquear Frentzen de tal forma, não havia - e nem há - regra que o obrigasse a dar passagem amigavelmente ao desafeto da Williams (em tempo: Corinna, a esposa de Schumi, fora namorada de Frentzen antes de conhecer o alemão mais queixudo). E é aí que a subjetividade citada no primeiro parágrafo entra em cena.


Decidir enfim o que é ou não uma alteração não-convencional de trajetória será uma tarefa para os comissários decidirem de caso a caso. E quando o Race Control informa que alguma situação de corrida entrou em investigação perante os fiscais nem sempre a decisão emitida após esse pequeno conclave goza da concordância da maioria dos (tel) espectadores. Medidas para garantir a lisura esportiva e a segurança dos pilotos sempre são louváveis, claro, mas também quase sempre elas dependem da interpretação subjetiva dos comissários e essa interpretação, muitas vezes, soa incompreensível aos ouvidos dos adeptos. Sempre há o risco de os fiscais, no final das contas, declararem que manobras como as de Schumi versus Frentzen são lícitas ou aceitáveis.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Com quem está a F-1?



ANDERSON NASCIMENTO



A polêmica começou com o homem que mostrou que voltou bem ativo ao cenário da Fórmula 1 depois de estar um pouco "sumido". A reclamação contra Bernie Ecclestone saiu primeiramente de Luca di Montezemolo, dono da Ferrari, que afirmou que a categoria deveria estar muito mais nas mãos das escuderias do que nas mãos de Ecclestone. Agora, foi a vez de Ron Dennis, da McLaren, engrossar o coro feito contra o chefão da principal categoria a motor do mundo.

"Efetivamente, Bernie roubou a F-1 de nós. Ele roubou usando a dissimulação com as equipes com relação aos significativos aumentos que chegavam a ele como resultado dos melhores contratos de televisão. Ele usou o benefício comercial para persuadir as equipes a aceitarem um contrato que as elimina dos direitos que existiam anteriormente."

Foram essas as palavras de Dennis contra Bernie. Agora, será que os dois dirigentes tem razão em dizer que Ecclestone foi um "vilão" dentro da categoria?



A opinião deste modesto blogueiro aqui é a seguinte: Bernie pode até ter eliminado muito do poder que as equipes possuíam em definir como seria a Fórmula 1 nos próximos anos, mas poucos (ou ninguém) conseguiriam transformar a categoria em um sucesso comercial tão grande como ela é.

No entanto, do ponto de vista esportivo, que é o mais importante, a Fórmula 1 vem aos poucos deixando de representar o real sinônimo de esporte. Mas, todo avanço financeiro leva consigo a perda de alguns fatores importantes ou não, isso já era sabido. Por esse lado, é uma pena que o peso das equipes tenha sido diminuído pelo dono dos direitos comerciais da F-1, pois elas poderiam sim ter mantido a essência esportiva que se perdeu ao passar dos anos. Ainda assim, creio que Bernie não deve ser o único culpado pelos problemas da categoria.

As equipes reclamam, mas quando possuem as cartas nas mãos abdicam do poder e não fazem valer o pouco de autoridade que ainda lhes restam. Digo pouco aqui, assim como os dirigentes, mas analisando mais profundamente, os times só não possuem mais força por culpa própria e não por causa de um senhor que se preocupa muito mais em encher seus bolsos de dinheiro com que qualquer outra coisa.

Desafio das Estrelas: Bia show-woman



FELIPE MACIEL



Por motivos de viagem maior não pude acompanhar a primeira bateria (noturna) do Desafio das Estrelas, vencida por Lucas di Grassi, seguido por Felipe Massa. Os dois seriam absolutamente ofuscados na segunda corrida, essa sim transmitida pela TV aberta.

Lucas abandonou com problemas técnicos e ficou assistindo à etapa para ver o que sairia dali. Na ponta, Rubens Barrichello e Jaime Alguersuari duelavam brilhantemente, mas a corrida tomou ares épicos com a jornada de Bia Figueiredo, que não parava de ganhar posições.

Ela achava com facilidade o caminho das ultrapassagens. Incrivelmente alcançaria o grupo principal e logo partiria para o ataque. A única mulher na pista foi desbancando um a um, Tony Kanaan nem fez força para resistir, mas Rubens Barrichello precisava vencer para ficar com o troféu de campeão de 2010.


A Bia também não tomou conhecimento de Rubinho algum e assumiu a ponta, para o delírio da torcida presente, que se manifestava a cada ultrapassagem da piloto.

O Massa, que poderia terminar o ano dizendo que ganhou alguma coisa, acabou perdendo a posição que não poderia perder. Nada menos do que 4 competidores empataram nos 25 pontos, mas levou a melhor no critério de desempate o descansado Lucas di Grassi.

Ele ficou com o título e a Bia com a glória. Mais do que uma corrida empolgante, ela correu pra galera e caprichou na festa com os mecânicos e com a torcida. Nada como uma bela corrida de kart para encerrar o ano.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Bruno, di Grassi e as conversas que não param



FELIPE MACIEL


Às vezes sou obrigado a digerir um piloto que afirma que "estamos conversando com duas ou três equipes". Duro entender o que significa "duas ou três equipes". É o piloto não sabe contar ou foi o gravador do jornalista que pifou no momento da entrevista e ele mal se lembra do que foi dito?

Bem, deixemos isso pra lá. O fato é que Bruno Senna e Lucas di Grassi estão aí disputando cockpit em um número desconhecido de escuderias. Provavelmente são concorrentes. Se um pegar uma vaga, sobra para o outro. E vice-versa.



A Fórmula 1 vive sério risco de presenciar a queda do número de carros para 2011. Carabante pôs a Hispania à venda, e na falta de um projeto de carro, seria surpreendente se alguém resolvesse investir nessa compra.

Mas esse detalhe é quase irrelevante, afinal a HRT já não era um lugar muito digno para se correr. A Lotus mantém Trulli e Kovalainen, enquanto D'Ambrosio é o favorito para se aliar a Glock na Virgin. Se Senna e di Grassi acharem uma vaga, será numa equipe melhor. Por outro lado, a vaga de piloto reserva parece mais acessível que a de titular.

Os dois brasileiros são bons pilotos que não tiveram chance de mostrar o quão bom podem ser, muito menos em seu primeiro ano. Eles levam seu montante de patrocinadores seja em que porta puderem bater, mas não devemos nos surpreender se ao menos um deles acabar dando um passo atrás na carreira, perdendo a titularidade por um ano no aguardo de uma grata promoção na temporada seguinte.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A ideia do terceiro carro



ANDERSON NASCIMENTO



O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, voltou a falar sobre a ideia de alinhar um terceiro carro a partir da temporada 2013. Segundo o italiano, Ganassi ou Penske, equipes da Fórmula Indy, poderiam tornar-se "donas" do terceiro bólido e quem sabe poder contar até mesmo com um piloto norte-americano no cockpit (ou ainda Jarno Trulli, como o próprio presidente se lembrou).

Ideia maluca essa que Montezemolo trouxe à tona novamente. A Fórmula 1 luta para diminuir custos e baixar o alto orçamento que ela exige das escuderias e um terceiro carro não ajuda em nada essa tentativa. Além disso, com a entrada de um novo carro, os times grandes, que são os únicos que poderiam contar com este 'carro extra', com certeza aumentariam ainda mais a diferença sobre as demais equipes, que correriam apenas com dois carros.



Imagine a pontuação do Mundial de Construtores. Será que algum time médio ou pequeno conseguiria surpreender correndo com um carro a menos? Creio que não.

Assim, também acredito que a ideia "mirabolante" do chefão da Ferrari nem mesmo saia de sua mente. Penske ou Ganassi não assumiriam este risco, mesmo sendo gigantes do automobilismo norte-americano. Para a FOM não lhe agradaria ver uma "bagunça" com equipes correndo com três carros e outras com dois, tudo deve ser bem organizado para os amantes do espetáculo. Por isso, não seria interesse ao público e pelo que me parece de mais ninguém dentro da F-1.

Montezemolo até disse que Bernie Ecclestone e Frank Williams começaram a achar a ideia interessante. Não imagino que isso seja verdade e se for é sinal de que os dois veteranos da categoria não estão mais sãos. A Williams, se não fosse a grana trazida por Pastor Maldonado, já teria dificuldades em alinhar dois carros no grid, quisá três; e Bernie não seria louco de ver sua categoria correr o risco de ser rejeitada por uma enorme gama de parceiros e pelo público.

É melhor deixar como está, viu Montezemolo!