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domingo, 19 de dezembro de 2010

Desafio das Estrelas: Bia show-woman



FELIPE MACIEL



Por motivos de viagem maior não pude acompanhar a primeira bateria (noturna) do Desafio das Estrelas, vencida por Lucas di Grassi, seguido por Felipe Massa. Os dois seriam absolutamente ofuscados na segunda corrida, essa sim transmitida pela TV aberta.

Lucas abandonou com problemas técnicos e ficou assistindo à etapa para ver o que sairia dali. Na ponta, Rubens Barrichello e Jaime Alguersuari duelavam brilhantemente, mas a corrida tomou ares épicos com a jornada de Bia Figueiredo, que não parava de ganhar posições.

Ela achava com facilidade o caminho das ultrapassagens. Incrivelmente alcançaria o grupo principal e logo partiria para o ataque. A única mulher na pista foi desbancando um a um, Tony Kanaan nem fez força para resistir, mas Rubens Barrichello precisava vencer para ficar com o troféu de campeão de 2010.


A Bia também não tomou conhecimento de Rubinho algum e assumiu a ponta, para o delírio da torcida presente, que se manifestava a cada ultrapassagem da piloto.

O Massa, que poderia terminar o ano dizendo que ganhou alguma coisa, acabou perdendo a posição que não poderia perder. Nada menos do que 4 competidores empataram nos 25 pontos, mas levou a melhor no critério de desempate o descansado Lucas di Grassi.

Ele ficou com o título e a Bia com a glória. Mais do que uma corrida empolgante, ela correu pra galera e caprichou na festa com os mecânicos e com a torcida. Nada como uma bela corrida de kart para encerrar o ano.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Bruno, di Grassi e as conversas que não param



FELIPE MACIEL


Às vezes sou obrigado a digerir um piloto que afirma que "estamos conversando com duas ou três equipes". Duro entender o que significa "duas ou três equipes". É o piloto não sabe contar ou foi o gravador do jornalista que pifou no momento da entrevista e ele mal se lembra do que foi dito?

Bem, deixemos isso pra lá. O fato é que Bruno Senna e Lucas di Grassi estão aí disputando cockpit em um número desconhecido de escuderias. Provavelmente são concorrentes. Se um pegar uma vaga, sobra para o outro. E vice-versa.



A Fórmula 1 vive sério risco de presenciar a queda do número de carros para 2011. Carabante pôs a Hispania à venda, e na falta de um projeto de carro, seria surpreendente se alguém resolvesse investir nessa compra.

Mas esse detalhe é quase irrelevante, afinal a HRT já não era um lugar muito digno para se correr. A Lotus mantém Trulli e Kovalainen, enquanto D'Ambrosio é o favorito para se aliar a Glock na Virgin. Se Senna e di Grassi acharem uma vaga, será numa equipe melhor. Por outro lado, a vaga de piloto reserva parece mais acessível que a de titular.

Os dois brasileiros são bons pilotos que não tiveram chance de mostrar o quão bom podem ser, muito menos em seu primeiro ano. Eles levam seu montante de patrocinadores seja em que porta puderem bater, mas não devemos nos surpreender se ao menos um deles acabar dando um passo atrás na carreira, perdendo a titularidade por um ano no aguardo de uma grata promoção na temporada seguinte.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Lucas di Grassi e Bombril juntos no GP do Brasil



FELIPE MACIEL


Em seu primeiro GP do Brasil na F-1, Lucas di Grassi terá um fim de semana de Bombrilboy, promovendo a ação publicitária da marca brasileira. Além de ser estampada na cobertura do motor do VR-01 e nos uniformes e capacetes dos pilotos da Virgin, a empresa também realiza um concurso pela internet oferecendo 1 kit Virgin Racing + 1 kit de produtos Bombril ao vencedor.

O investimento no esporte e, especialmente, num talento brasileiro tão necessitado de apoio financeiro é sem dúvida alguma uma iniciativa muito bem vinda. Pena que seja somente por esta corrida, sendo que o Lucas anda precisando mesmo é de um reforço definitivo para manter uma vaga que está praticamente nas mãos do Jérôme d'Ambrosio para o ano que vem.



É bem verdade que a temporada de estreia do Lucas foi um tanto morna. Por outro lado, não havia muitas opções para ele, que chegou numa equipe pequena, incipiente e fraca, tendo de guiar um carro desatualizado em relação ao seu companheiro de equipe com 2 anos de experiência.

Para a equipe Virgin, a impressão deixada é de um piloto equilibrado e técnico, que manteria a vaga se não fossem as necessidades de sobrevivência. Ajudaria muito se o pão duro do Richard Branson investisse de verdade na equipe, em vez de inserir o nome da Virgin praticamente a troco de nada.

E se o di Grassi não fica onde está, para onde vai? Sua carreira deu uma esgasgada na época da GP2, mas agora que conseguiu chegar à F-1 terá de voltar a se submeter ao cargo de test driver? Os mais otimistas especulam a retomada de suas relações com a Renault, no entanto não há como negar que, segundo o cenário atual, o brasileiro que mais corre risco de ficar de fora do Mundial 2011 é o Lucas di Grassi.

sábado, 30 de outubro de 2010

Apenas um brasileiro em 2011?



ANDERSON NASCIMENTO



As coisas não andam muito bem para os pilotos brasileiros no final dessa temporada. Nenhum deles fazem um campeonato brilhante, talvez seja Rubens Barrichello o que mais tem trazido resultados que satisfazem as expectativas da equipe e de muitos torcedores. Por conta disso, três dos quatro pilotos nascidos aqui que disputam a Fórmula 1 correm riscos de não participarem da temporada 2011.



Felipe Massa é o único com lugar garantido em 2011. O brasileiro permanecerá na Ferrari e quer dar a volta por cima, já que neste ano fez um campeonato cheio de dramas e dificuldades. No entanto, será complicado esperar algo como um título para Massa caso Fernando Alonso se torne o campeão da atual temporada.

Com Rubens Barrichello e a Williams parecia estar tudo acertado. Bastaria um pouco mais de tempo, como ambos os lados afirmavam, para que o contrato fosse renovado. Porém, apareceu Pastor Maldonado com sua carteira cheia e disposta a ficar vazia para conseguir correr no time de Frank Williams. Com isso, ficou difícil afirmar se os dirigentes da equipe de Grove preferirão contar para o próximo ano com a experiência de Barrichello ou com o talento crescente de Nico Hulkenberg.

Do lado de Lucas di Grassi, as coisas estão bem piores. Dificilmente o piloto permanecerá na Virgin, equipe do poderoso Richard Branson, visto que Jérôme D'Ambrosio está praticamente confirmado como companheiro de Timo Glock. A única oportunidade restante para di Grassi, devido às poucas vagas a serem fechadas nas demais equipes, é a de trazer muito patrocínio e dinheiro para competir com o piloto belga comandado por Eric Boullier.



Já Bruno Senna diz ter conversas com algumas equipes, dentre elas a Lotus e a sua atual escuderia, a Hispania. Não será fácil para Senna ganhar o lugar pertencente a Jarno Trulli na equipe malaia. Talvez se a possibilidade do italiano guiar nos Estados Unidos se concretize, o brasileiro possa ter chances mais reais, mas do contrário essa conquista será difícil de ser alcançada. O que torna a situação de Senna ainda mais difícil, a exemplo de Lucas e Rubens, é a concorrência. Seu lugar na Hispania é visto por alguns pilotos como a oportunidade de ingressar na Fórmula 1 e poder começar uma carreira na categoria.

É claro e notável que as dificuldades dos brasileiros de permanecerem na Fórmula 1 é reflexo do pouco incentivo e da pouca seriedade que se dá aqui mesmo no Brasil ao esporte a motor. Se no ano que vem tivermos apenas um piloto nos representando na principal categoria mundial não se assuste, nós colhemos o que plantamos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Notícias que mudarão a Fórmula 1



FELIPE MACIEL


Dando um giro pela notícias do momento em nomes de algumas informações possivelmente relevantes. Enquanto outras claramente não têm a menor importância, mas os sites publicam assim mesmo.
*Fernando Alonso aprova renovação de Felipe Massa com a Ferrari

Ora, que grande surpresa... Quer dizer que o companheiro do Massa não protestou, não deu bronca na equipe, não se descabelou? Simplesmente aprovou, como se estivesse realmente se importando com o fato.

Numa época em que não existem discursos prontos para pilotos e todos falam o que pensam, até que a declaração de Alonso rendeu na mídia, não?
*Equipes terão que pagar pelos serviços de pitwall

O corte de custos motiva tantas mudanças na F-1, que além do retorno do KERS previsto para 2011 as equipes terão de se preocupar com os gastos das informações do pit wall, segundo a revista Autosprint.

Consta que os times sofrerão aquilo que os inimigos do Google inventam que você sofrerá em breve: os serviços tão simpáticos que eram oferecidos gratuitamente passarão a ser cobrados no futuro próximo. Previsão do tempo e posicionamento dos carros na pista via GPS são alguns dos itens que devem entrar para o orçamento. A ver.



*Di Grassi: "Nunca tive carro igual ao Timo"

Eu não tive até hoje o mesmo equipamento que ele. Em nenhuma corrida. Sempre eu estou mais pesado ou o meu carro está em uma posição mais antiga que o dele. E fora a experiência que ele tem nas pistas. Na maioria foram pistas que eu nunca tinha andando. Nas sextas-feiras, com um pouco mais de treino e em pistas que eu já conhecia, eu estou começando a andar na frente dele. E, se as pessoas realmente lerem os fatos, eu estou na frente dele no campeonato, que é o que importa.

Lucas di Grassi



Por um momento, me bateu uma impressão de estar lendo uma daquelas declarações do Nelsinho...
*Villeneuve admite último esforço para retornar à F1

O campeão de 1997 ainda não desistiu. Depois de tentar fazer o que só o Schumacher conseguiu neste ano, que é convencer algum chefão que pode guiar em alto nível depois de velho, Jacques Villeneuve - que mal convencia quando novo - segue fazendo força para 2011. E lamenta a dificuldade:
As equipes não querem arriscar. Estou há muito tempo fora e as equipes não querem me dar uma chance.

Jacques Villeneuve



*McLaren deve adiar reunião pós-treino por causa de jogo da Copa

[caption id="" align="aligncenter" width="490" caption="Di Grassi altera cores do capacete e entra no clima da Copa"]Di Grassi altera cores do capacete e entra no clima da Copa[/caption]

O mundo todo só fala de Copa e eu aqui postando sobre Fórmula 1. Nós saímos (caso compareçamos) mais cedo do trabalho/faculdade/escola, readaptamos a agenda da semana, marcamos novos compromissos pensando no schedule da competição, cancelamos tudo que bate em horário de jogos... E se alguém ainda pensa que isso é coisa de brasileiro, a ideia muda assim que se depara com essa frase de Jenson Button, ciente da principal preocupação da McLaren após o término da classificação de amanhã. As cabecinhas estarão um tanto distantes do Canadá...
Possivelmente, a reunião com os engenheiros vai ser adiada em algumas horas, porque a maioria das pessoas envolvidas é inglesa.

Jenson Button

segunda-feira, 22 de março de 2010

Enquete F-1: Pilotos novatos



FELIPE MACIEL


Levamos a público a seguinte indagação: Quem será o melhor novato do ano?

129 leitores responderam e decidiram:

Kamui Kobayashi - 34,88%
Nico Hulkenberg - 28,68%
Bruno Senna - 17,83%
Lucas di Grassi - 9,30%
Vitaly Petrov - 7,75%
Karun Chandhok - 1,55%

Um resultado dentro do esperado, creio eu. O Kobayashi surpreendeu o mundo em 2 GPs e naturalmente recebe alta expectativa, como talentoso novato que é. Não começou a temporada fazendo e acontecendo como na Toyota, mas se a Sauber evoluir durante o ano, deve ficar difícil segurar o ímpeto do japonês voador, que cá entre nós deveria ser regra na F-1, não exceção.



Nico Hulkenberg é uma joia que a Williams se propôs a lapidar. Dotado de um currículo impecável na trajetória pré-Fórmula 1, o alemão é uma das grandes promessas do automobilismo, e ainda terá o auxílio da longa experiência de Rubens Barrichello na meia-garagem ao lado.

No duelo entre Bruno Senna e Lucas di Grassi, não sei se por efeito do nome ou não, Bruno levou a melhor. Pessoalmente, eu também espero mais do Senna que do di Grassi, independentemente do nome, claro. Sei que de uns tempos para cá virou moda sobretudo nos blogs dizer que o Lucas seria a maior promessa brasileira do momento, mas ainda não me convenci disso. As opiniões de alguns que vivem em contato com o circo destoam um pouco dessa visão; di Grassi é bom piloto sim, racional e consistente, porém não necessariamente esse geniozinho que tentam criar.

Por mais nivelados que sejam esses dois talentos, aposto mais na capacidade de aprendizado do Bruno (artifício que rendeu a Massa o crescimento alcançado hoje), que por sinal andou melhor que Lucas nos testes da Honda e seria contratado - com sobrenome ou sem sobrenome - caso o management buyout não desse ao Ross Brawn o poder de manter Rubinho na equipe.



Petrov e Chandhok entraram na enquete meramente por serem novatos, sabemos que pagaram uma fortuna às suas equipes; deem-se por satisfeitos por levarem votos. Para um russo o Vitaly é quase um mito das pistas, já o Karun não chega a tanto, embora possivelmente seja melhor que o Karthikeyan.

Fechamos uma enquete e abrimos uma nova. Na lateral direita, você julga, clica e espera o resultado de uma sondagem um pouco mais técnica. Em poucas semanas traremos a definição.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Glock, a salvação. Di Grassi, o 2° piloto

Timo Glock e Lucas di Grassi disputaram a temporada 2007 da GP2. O alemão levou o caneco com a poderosa iSport, enquanto a então campeã equipe ART havia perdido força após o título de Lewis Hamilton, e Lucas teve de amargar o vice. Bernie Ecclestone aproximou Timo da Toyota, já di Grassi seguiu se apoiando na Renault e batalhando na categoria de base. Os caminhos dos dois só voltaram a se cruzar agora em 2010.

Ambos formam a dupla da escuderia Virgin. Glock tem 2 anos de experiência mas sua maior vantagem sobre o Lucas talvez não seja essa. Desculpe o termo que segue, mas o diretor técnico da equipe se revelou um verdadeiro "baba-ovo" do alemão.
No dia em que Timo assinou, eu quase chorei, não pude acreditar.

Eu fiquei literalmente nas nuvens, porque Timo, para mim, representa tudo o que eu queria, alguem que já tenha andado com pneus slick, que tenha experiência de dois anos na F-1, que seja um campeão da GP2 e que seja ainda jovem!

Nick Wirth



Quanto ao di Grassi, o elogio foi mais tímido. Wirth gostou mais foi da leva de engenheiros trazida pelo piloto: "A vinda de Lucas também foi muito boa para a equipe. Vários engenheiros da Renault se juntaram a nós. Lucas foi test driver da Renault e estamos radiantes por seu feedback e por sua habilidade".

A Virgin é uma equipe que já surge sugerindo a existência de piloto privilegiado e piloto secundário na dupla. Uma herança da era Schumacher que tomou conta de muitas cabecinhas da Fórmula 1. Quando se trata de um time grande, vá lá, mas time pequeno não tem motivo algum para distinguir seus condutores.

O que ocorre, na verdade, é um choque de observações. Timo Glock já se identificou publicamente como líder, uma vez que a equipe, tão interessada em seus serviços, lhe deu motivos para acreditar que o seria. Mas perante a imprensa, o chefe Alex Tai prometeu o inverso: "Temos uma postura democrática e não achamos que é necessário ter um primeiro e um segundo piloto. Eles vão ter que correr juntos para tentar ser melhor que o outro".



Nesta época reveladora de jovens prodígios, valorizar o mais experiente em detrimento de um novato pode ser uma surpreendente má ideia. Timo Glock possui duas temporadas inteiras na bagagem, e nesse meio tempo não impressionou muita gente. Digamos que, se Lucas di Grassi for tão bom quanto Jarno Trulli, já será o bastante para superá-lo.

Três anos depois, os ex-GP2 se reencontram na F-1. Desta vez, possuem o mesmo carro e formam um interessante par na Virgin Racing, talvez a melhor dupla das novatas. Torço para que a equipe os trate da maneira mais justa possível, porque neste momento parecem pilotos bem nivelados e dali podem sair bons duelos internos que darão gosto de ver na retaguarda do pelotão.