sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mudanças de visual no GP da Espanha



FELIPE MACIEL



Na passagem da China para a Espanha, 3 equipes chamam a atenção a olho nu: Mercedes, Ferrari e Hispania.



O time de Ross Brawn formou seu duto deformando o clássico desenho do topo do carro. A entrada de ar superior foi removida para a instalação de dois canais, um de cada lado, tendo entre eles uma parede em V. Não bastasse a revolução promovida pela McLaren com uma inovação aerodinâmica tão cobiçada, a Mercedes foi lá e acoplou dois rombos na carenagem para buscar tempo. Ficou um tanto esquisito, mas se o funcionamento for ideal não haverá o menor problema. Só nos resta esperar que essa façanha não motive o restante do grid a desfigurar seu desenho de forma tão grosseira.




Já a Ferrari e a Philip Morris cederam ao piti dos médicos britânicos desocupados que conseguiram visualizar uma série de propagandas subliminares da Marlboro, seja no carro, no uniforme, na cor, no desenho...

E assim a escuderia italiana resolveu aposentar o código de barras após 5 anos de uso, deixando ali um retângulo branco com um estranho vazio, que de uma forma ou de outra continuará chamando a atenção dos espectadores. Mas é muito improvável que a mudança impeça a continuidade da parceria, afinal, com exibição de marcar ou sem, a tabaqueira segue embolsando altos retornos pela manutenção do posto de patrocinadora principal da equipe Ferrari.




Num lugar distante no grid, quem inovou na pintura foi a problemática Hispania. O carro continua sendo um fracasso aerodinâmico, mas ao menos o layout sofreu modificações, com a substituição dos traços brancos por rabiscos vermelhos.

Outra novidade da equipe foi a vinda de Christian Klien assumindo o cockpit de Karun Chandhok para cravar meio segundo abaixo do tempo de Bruno Senna. Não chega a ser um test driver de luxo, mas pelo menos não foi o Yamamoto que tomou o lugar de um dos titulares no treino livre.



quinta-feira, 6 de maio de 2010

GP da Espanha: atualizações e chance de chuva



FÁBIO ANDRADE



A chuva é um artigo raro na história do GP da Espanha. Desde que a prova se mudou para Barcelona, o registro mais notável da influência de São Pedro data de 1996, quando o mundo resolveu cair sobre o circuito da Catalunha em forma de água. Em 2010, no entanto, há possibilidades de o santo ajudar os torcedores. Pela 4ª vez consecutiva nesse ano, existem possibilidades razoáveis de chover nos treinos classificatórios de sábado e durante a corrida no domingo.



Para o sábado a meteorologia indica 50% de chances de chuva. No domingo o índice cai para 40% de chances de precipitações de intensidade moderada.

Mesmo que não chova, o GP da Espanha trará novidades. Como já se tornou comum, o princípio da fase europeia do campeonato é marcado pelas atualizações nos carros. A Ferrari eventualmente poderá incluir o seu sistema de dutos na F-10, dependendo do resultado dos treinos com o equipamento na sexta-feira.

Red Bull e Mercedes ainda não aprontaram o dispositivo para Barcelona, mas ambas trarão novos pacotes aerodinâmicos para o GP da Espanha. Na equipe prateada a atualização do W01 incluirá também o aumento da distância entre-eixos. Segundo o próprio Ross Brawn, boa parte das mudanças no modelo da equipe alemã visam facilitar a pilotagem de Michael Schumacher.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Rádio OnBoard - Edição Pré-Espanha



FELIPE MACIEL



No ar, a edição número 77 da Rádio OnBoard!

Juntamente com o Ron Groo foi possível discutir as notícias que se destacaram durante a lacuna entre China e Espanha. As expectativas para a chegada ao calendário europeu, dentre outros assuntos, estão entre os tópicos deste programa.


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Agora é esperar pelo GP da Espanha, sem esquecer do nosso programa ao vivo Pre Race, sábado, às 20h. Depois da corrida voltaremos comentando os fatos que definiram a etapa de Barcelona.

A Grande Contradição



FÁBIO ANDRADE



Apesar das arquibancadas vazias, os organizadores do GP da China desejam renovar o contrato com a F-1. O primeiro acordo, que garantiu a realização de provas em Xangai de 2004 a 2010, terminou e os promotores da corrida desejam renovar a parceria.

Leon Sun, um dos organizadores da corrida, está otimista: “estamos tentando construir um mercado para a Fórmula-1 [na China]. Ainda estamos atrás da Europa, mas melhoramos a cada ano” – disse, a despeito das cadeiras ociosas que são vistas em Xangai a cada grande prêmio.

Por outro lado, a F-1 também considera a China um destino importante. Martin Whitmarsh, chefe da equipe McLaren e presidente da FOTA (associação das equipes de F-1) destacou a importância de levar a categoria ao maior mercado consumidor do mundo.

Quem enxerga as conversas sobre a renovação de contrato do GP da China com a F-1 sem analisar a realidade do grande prêmio chinês corre o sério risco de se enganar. A população local dá pouca ou nenhuma atenção às corridas de automóveis e o elefante branco que é o autódromo de Xangai (o mais caro da história) vive às moscas durante os fins de semana de corrida. A venda de ingressos é tão baixa que gerou um vexatório sintoma: desde 2008 uma série de arquibancadas que rodeiam a curva inclinada foi transformada em outdoor da Expo 2010, exposição sobre cidades que acontece na China.



É muito relativo, portanto, o sucesso do grande prêmio chinês até aqui.

E enquanto a F-1 corre para a Ásia em busca de consumidores, outra discussão esquenta. Países ocidentais clássicos continuam sem corridas há alguns anos. Ou seja, na lógica do mercado contemporâneo a China, uma ditadura “comunista” com grotões obscuros e salário de 30 dólares/mês nas fábricas tem valor igual ou maior do que países-símbolo do ocidente como a França e os Estados Unidos.

É a grande contradição econômica dos nossos dias. Seria inocente imaginar que o desporto automotivo, esse ícone ocidental, escaparia imune a essa incoerência.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

GP da Espanha costuma ser monótono



FÁBIO ANDRADE



- Disputado no Circuito da Catalunha desde 1991, o GP da Espanha ocupa atualmente o espaço que já foi de Ímola, e abre a fase europeia do campeonato. O traçado é conhecidíssimo por todas as equipes. Quando existiam testes na Fórmula-1, o autódromo espanhol era o preferido das equipes;

- E por que os times gostavam tanto da pista da Catalunha? Bem, a pista que abriga o GP da Espanha sempre foi considerada uma espécie de shopping center para carros de F-1: seu desenho apresenta curvas lentas e curvas velozes, um mix de características muito úteis para testes;

- A variedade de curvas, porém, não é sinônimo de boas corridas e muito menos de ultrapassagens. Nick Heidfeld sabe disso. Na edição de 2008 do GP da Espanha, o alemão da BMW ficou dezenas de voltas encaixotado atrás da Force India de Giancarlo Fisichella. Mesmo com um carro superior, Heidfeld só conseguiu a ultrapassagem porque Fisichella deu uma pequena escorregada na saída da última curva do circuito:

 

- Os organizadores tentaram um artifício para aumentar as ultrapassagens na grande reta: instalaram um chicance antes da última curva, na intenção de obrigar os carros a mergulharem na reta mais próximos. Não funcionou;

- A exceção ao marasmo que costuma ser o GP da Espanha aconteceu em 1991. A prova era a antepenúltima etapa do mundial, que tinha Ayrton Senna como favorito, com ampla vantagem na tabela. Senna não venceu e viu seu único oponente na briga pelo título, o inglês Nigel Mansell, triunfar. A corrida gerou uma das imagens mais célebres e bonitas da F-1: Mansell e Senna lado a lado, assoalhos dos carros raspando no asfalto e gerando faíscas na longa reta principal.



- Das 19 corridas disputadas na pista da Catalunha, em 12 o vencedor foi o campeão do mundo ao final da temporada, inclusive no ano passado.

- A Espanha, por fim, é a terra da Alonsomania. Os espanhóis são loucos por Fernando Alonso, o primeiro ídolo forte da Espanha na F-1. A corrida costuma acontecer com casa cheia e torcida vestindo as cores que o bicampeão vestir. É de se imaginar que as arquibancadas do circuito catalão estarão vermelhas, com a multidão de seguidores de Alonso saudando o herói local com o ímpeto de sempre.

domingo, 2 de maio de 2010

Enquete F-1: KERS



FELIPE MACIEL



Nestas últimas semanas, o Blog F-1 lançou aos leitores: Você é favorável ao retorno do KERS em 2011?

Após 110 votos, fez-o resultado:

Não - 49,1%
Sim - 40,0%
Tanto faz - 10,9%

Por pressão até mesmo de algumas equipes, o KERS deve ser reintroduzido em 2011. Mais uma prova de que o ranzinza do Max Mosley arrumou encrenca com as escuderias apenas para mostrar força, uma vez que o sistema implementado no momento errado provocou protestos de diversas competidoras, sendo que a maioria sequer se preocupou em colocar um KERS na pista. O exemplo da vencedora Brawn GP basta.



Quanto à presença do KERS na F-1, trata-se de uma iniciativa marcada por uma sequência de falsidades motivadas pela perturbação promovida pela imprensa de todo o mundo a respeito da conscientização ambiental.

O conceito ecológico do KERS é uma farsa. O regresso dos motores turbo - em estudo para 2013 - na prática representaria uma economia mais interessante para o ambiente do que o tal Sistema de Recuperação de Energia, que por sua vez não tem a menor interferência no consumo de combustível. O que equivale a dizer que um carro com KERS emite o mesmo nível de poluição que um carro desprovido do aparato.

Muitos já devem saber que um Boeing executando um único voo intercontinental gasta muito mais combustível que uma temporada completa da Fórmula 1. Mas assim como toda organização moderna, a categoria se sente obrigada a exibir modelos pseudo-ecológicos para ganhar a simpatia de quem vê de fora. Como se diz em bom português, o KERS é coisa pra inglês ver.




Para piorar, faz-se necessário criar um mecanismo de competição absolutamente dispensável, que é o push-to-pass. A F-1 não precisa disso. Sem falar que, quando todos os bólidos abrigarem o seu sistema, a pilotagem será novamente equivalente, sem qualquer diferença relativa à busca por ultrapassagens. É como se cada carro do grid ganhasse 3 décimos - mudou para não mudar.

Na prática, o KERS é traço. Mas deve voltar só para que os desavisados desenvolvam a ideia de que a categoria está se enquadrando nas exigências ambientais, quando na verdade a Fórmula 1 não está nem aí.

Deixe para acreditar no engajamento da F-1 sobre as neuras ambientais no dia em que ela enxotar os petrolíferas para inserir os silenciosos motores elétricos. Fica a minha torcida... para que este dia não chegue nunca.

E não vai chegar mesmo.

Propaganda involuntária



FÁBIO ANDRADE



Uma das notícias que mais repercutiu durante a semana passada foi a acusação de que a Ferrari faria, desde 2006, propaganda subliminar da marca de cigarros Marlboro em seus carros. A denúncia partiu de médicos ingleses, que alegam que o código de barras branco estampado no fundo vermelho da carenagem dos carros de Maranello e nos macacões dos pilotos não deixa de remeter aos maços da famosa marca de cigarros.



São dois os inusitados desse caso. O primeiro é que o código de barras é sim um artifício para “driblar” a legislação europeia anti-tabaco. A marca Marlboro está vinculada à Fórmula-1 há quase 40 anos, e nos últimos 10 ela esteve fortemente associada à melhor fase da história da Ferrari na competição. Logo, o público que acompanha a F-1 enxerga no código de barras uma marca que não está claramente estampada e isso já acontece há 4 anos. Muito tempo, portanto, para que só agora uma comissão médica se dê conta da propaganda “subliminar”.

Cabe também uma observação sobre a força da marca Marlboro. O logotipo e o nome dos cigarros não aparecem inscritos em nenhuma parte dos modelos da Ferrari. “Mas eles estão lá” – dirá o leitor. Sim, simbolicamente estão, e qualquer um que acompanhe a F-1, mesmo a meia distância, sabe disso.



Por outro lado, também faz algum sentido a justificativa da Ferrari sobre o incidente: “se fosse um caso de publicidade, a Philip Morris [empresa proprietária da marca Marlboro] deveria ter um copyright sobre o código de barras” – afirmou a escuderia italiana em um comunicado quase cínico. Ou seja, juridicamente não seria tão óbvio comprovar que as listras brancas na carenagem dos carros italianos são uma propaganda velada do tabaco.

É um daqueles casos curiosos, em que todo mundo sabe que a acusação faz sentido mas que um bom departamento jurídico dá conta de resolver a favor dos investigados.

O inusitado número dois do caso é que a acusação dos médicos ingleses conseguiu ressuscitar um assunto frio. Fazia tempo que não se falava tanto de cigarros e tabagistas na F-1. O que de mais relevante a denúncia médica conseguiu até agora, foi aumentar o número de citações aos cigarros Marlboro na imprensa do mundo. Só que jornais, sites e blogs operam sem a censura do código de barras.

sábado, 1 de maio de 2010

Silverstone de cara nova



FELIPE MACIEL


Depois de ouvir tanta birra de Bernie Ecclestone e correr o risco de ficar fora do calendário, o berço da Fórmula 1 está totalmente modernizado e parcialmente remodelado, adotando o traçado chamado de Arena.

O desenho antigo é quebrado antes da Abbey, numa tomada para a direita, que após algumas curvas interessantes chegará à reta Nacional, que dará uma disparada na velocidade média da pista. Em contrapartida, perderemos dois ótimos pontos de ultrapassagem, que Barrichello e Raikkonen nos apontam aqui e aqui.



O ex-piloto Martin Brundle e o locutor James Allen deram uma voltinha complicada para nos mostrar as primeiras impressões.

A Red Bull foi fazer seu merchan durante a inauguração, contando com David Coulthard ao volante, muito embora Mark Webber estivesse presente no local. O evento foi tão seletivo que teve até padre benzendo o asfalto! Tomara que a concorrência não invada mais...



O ex-piloto britânico Ron Haslam esteve ao lado de seu filho e também piloto, Leon, estreando o contorno da pista sobre duas rodas. Sir Jackie Stewart deu o ar de sua graça, Christian Horner apareceu para fazer uma social, o presidente do BRDC, Damon Hill, pintou por lá, mais uma penca de gente boa que veio prestigiar a manutenção do circuito sem o qual a Fórmula 1 não pode ficar.

As fotos foram devidamente registradas no Flickr correspondente. Algumas delas a seguir.