sábado, 7 de agosto de 2010

Adrian Sutil tenta abandonar equipe Force India



FELIPE MACIEL

Já passou da hora. Desde sua estreia na Spyker ele não consegue romper o cordão que o liga à escuderia. Para 2011, mais uma nova tentativa de subir de nível está sendo posta em prática, como conta o próprio piloto.

Estou feliz na Force India, mas quero progredir. Marcar pontos regularmente era meu objetivo nesta temporada, mas no ano que vem eu quero melhorar ainda mais, seja aqui ou em algum outro lugar.

Os melhores times já estão praticamente fechados, então é difícil encontrar um lugar melhor que aqui. É uma decisão difícil de tomar agora, e se você for assinar por três anos, por exemplo, e não está confiante que o time é melhor, então não deve fazê-lo.

Adrian Sutil





As esperanças do alemão provavelmente contrastam com as de Vitaly Petrov. Se as 4 melhores equipes já definiram seus pilotos para o ano que vem, a única equipe superior ao patamar da Force India é a Renault de Robert Kubica. Cá entre nós, Sutil e Kubica formariam uma dupla interessante, não?

Completando a especulação de um novo cenário, também não seria nada mal se Bruno Senna adquirisse cockpit titular na Force India, equipe onde havia sido sondado em momentos anteriores.

A propósito, essas férias da F-1 prometem ser, além de longas, monótonas. Nem a boataria de imprensa será como antes, já que as principais vagas foram confirmadas. Basicamente, resta confirmar uma na Renault, outra na Sauber, mais as duplas de Force India e Hispania. Me arrisco a dizer que o resto não sofre consideráveis ameaças de mudança.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Renault e as promoções mais perfeitas de todas



FELIPE MACIEL


Como time de Fórmula 1, a Renault é uma equipe bem aberta ao público, lançando frequentemente promoções e oportunidades que são o sonho de muitos fãs da categoria.

Quem não se lembra, por exemplo, da propagada em que um mero "civil" pergunta ao Nelsinho Piquet: Posso dirigir? Ao que o piloto responde: Lógico, manda ver!

A demissão imortalizou a publicidade em nossas mentes como motivo de chacota com o Ângelo, mas aquela iniciativa de marketing consistia na verdade em trazer alguns felizardos para dentro do cockpit da Renault para um inesquecível test drive na pista de Paul Ricard. Os ganhadores não só pegavam uma carona num biposto guiado por um piloto profissional, como também pilotavam um F-1, ainda que sob todos os cuidados indicados, respeitando os limites responsavelmente colocados pela escuderia.

Veja que ideia vertiginosamente fantástica é o Feel it da Renault:



Quem assiste a um vídeo como esse (babando, eu suponho) deve entender facilmente por que a cautela na condução desses felizes amadores é adotada durante os testes.

Mesmo para um piloto treinado, com experiência acumulada, o Fórmula 1 se revela um desafio de nível superior comparado a qualquer bólido, desde outros monopostos até um esportivo top como é o caso do Buggati Veyron.

A seguinte matéria exibida pelo canal BBC dá uma boa noção do desafio encarado por Richard Hammond ao acelerar um carro de F-1 pela primeira vez, buscando ser competitivo.



Agora em 2010, a Renault usa as férias de agosto para pôr em prática mais uma ação de marketing, realizando um memorável passeio turístico entre os dias 11 e 13 em sua fábrica de Enstone, Inglaterra. Desta vez, os visitantes poderão experimentar o simulador, participar da execução de pits stops, simular o procedimento de largada no volante, fazer contato com os mecânicos, conhecer os bólidos históricos da equipe, e tudo o mais que o Nation Motosport Week permitir.

Para completar as informações, 70% do valor dos ingressos serão convertidos para a Fundação Motorsport.



Uma das partes mais interessantes após um fim de semana como este é a forma como aquelas pessoas passam a encarar a Fórmula 1, compreendendo melhor a magnitude dos desafios atribuídos aos pilotos e às equipes, e consequentemente aprendendo a respeitar mais do que nunca todos os grandes profissionais que trabalham neste esporte - guiar é muito mais difícil do que parece, a realização de um pit stop não é nada simples como a TV sugere, a complexidade daquele universo é coisa de outro mundo.

Sabemos disso na teoria. Mas sentir na prática é outra história.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Hungaroring



FELIPE MACIEL


No ar a edição número 90 da Rádio OnBoard!

Na mesa, Fábio Campos, Ron Groo e eu comentamos a corrida da Hungria, a última antes da abertura das férias, com todos os merecidos destaques proporcionados neste domingo.


Clique para ouvirClique para baixar



A F-1 faz uma longa pausa, mas mantemos a pretensão de retornar no meio das férias com mais um edição. Até o próximo encontro.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Asas serão novamente inspecionadas



FÁBIO ANDRADE



O assombroso desempenho que a Red Bull voltou a apresentar na Hungria reacendeu a discussão sobre a legalidade do RB6, o vencedor projeto de Adrian Newey que começa, enfim, a resultar em vantagem numérica para a equipe austríaca na tabela de pontos. As equipes rivais insistem em questionar se a asa dianteira do carro taurino está ou não em conformidade com o regulamento.



Também a Ferrari sofre com as desconfianças sobre a legalidade de sua asa, e apesar de um teste já feito pela FIA ter atestado que tanto o RB6 como o F10 estão dentro do regulamento, o jornal italiano La Stampa afirma que uma inspeção mais exigente será feita antes da próxima etapa do mundial, o GP da Bélgica.

No primeiro teste, realizado antes da corrida em Hungaroring, as asas teriam de suportar o peso de 50 kg com uma variação máxima de 10 mm. Corre no circo, à boca miúda, o boato de que Red Bull e Ferrari teriam iludido os agentes no primeiro teste, pois suas asas, teoricamente, resistiriam à carga de 50 kg, mas se apresentariam uma flexão proporcionalmente acima do permitido se expostas a pressões maiores.

Para tentar eliminar as dúvidas, o novo teste da FIA será mais rigoroso, segundo o La Stampa. A partir de Spa a carga imposta às asas será de 100 kg, podendo haver variação de, no máximo, 20mm. Isso deve fazer com que os times precisem projetar reforços nas estruturas das asas.
Sobre questionamentos, Webber é incisivo

As sucessivas reclamações dos adversários renderam declarações da parte do piloto da Red Bull e líder do campeonato Mark Webber. O australiano referiu-se ao esforço da equipe para entregar aos pilotos um carro vencedor, lembrando que os engenheiros depositaram bastante esforço sobre o RB6, e lembrou que o modelo de Adrian Newey passou em todos os testes feitos pela FIA.



O piloto ainda alfinetou os concorrentes, dizendo que “quando existe pressão para que as pessoas mostrem resultados e eles não vêm, acontece esse tipo de coisa.”

As asas dianteiras parecem ser o motivo da próxima guerra entre as equipes, ainda que nesse caso a repercussão ainda não seja tão explosiva como foi no caso dos difusores da Brawn GP no ano passado. E a bem da verdade, não parece ser simplesmente a asa dianteira a única razão para a incrível velocidade que o RB6 apresentou na maioria das pistas. Seria simplista resumir a vantagem do carro da Red Bull apenas à questão da asa. Um modelo que se deu bem em pistas travadas como Mônaco e Hungaroring, e também em traçados velozes como Sepang e Silverstone provavelmente deve ter em diversos outros pontos as explicações para seu desempenho "de outro mundo."

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Schumacher correu risco de ser desclassificado



FÁBIO ANDRADE



A manobra de defesa de posição agressiva usada por Michael Schumacher contra Rubens Barrichello quase rendeu uma bandeira preta ao alemão no GP da Hungria. Foi o que revelou Derek Warwick, ex-piloto de Fórmula-1 e comissário especial convidado pela FIA para a corrida húngara. Segundo Warwick, Schumacher só não foi desclassificado da prova em Hungaroring por falta de tempo para que os comissários chegassem a um consenso, já que a polêmica manobra aconteceu nas voltas finais da corrida.



O ex-piloto esclareceu que para punir um piloto com a bandeira preta “é necessária a prova em vídeo e a concordância dos quatro comissários”. Como no momento do incidente restavam apenas quatro voltas para o fim do GP da Hungria, não houve tempo hábil para que o alemão fosse punido antes da bandeirada final.
Punição foi justa?

Warwick disse ainda que “Schumacher poderia ter sido punido com um ou duas corridas de suspensão, mas pensamos que a perda de 10 posições em Spa já é o suficiente. Isso praticamente o retira da corrida e prova que os comissários não vão admitir esse tipo de manobra”.

Brigas por posição são, por natureza, duras. E é certo que em determinaos momentos a disputa pode descambar para eventos perigosos, e isso é, afinal, inerente ao automobilismo. No rescaldo do duelo entre Schumacher e Barrichello, muitos lembraram do caso Senna X Prost em 1988 no GP de Portugal, reproduzido no post abaixo por Felipe Maciel.

A diferença básica entre o caso de domingo e o de 22 anos atrás? É que há duas décadas não havia race control.

A estruturação da figura da “direção de prova” como a concebemos hoje viabilizou a existência de uma entidade que atua como guarda, uma espécie de xerife invisível que tem como função, além de impedir trapaças ou qualquer irregularidade na lisura esportiva da F-1 (?), zelar pela integridade física dos pilotos. É um fenômeno próprio dos nossos tempos, da era do politicamente correto e da progressiva mudança de status do automobilismo: de esporte de risco a entretenimento nas manhãs de domingo. Nós esperamos que essa guarda entre em cena quando algo muito perigoso acontece. Daí o brado de Reginaldo Leme exigindo punição a Schumacher imediatamente após a disputa.

O alemão foi punido com a perda de 10 posições no grid de largada da próxima corrida, o GP da Bélgica. Para quem esteve sob risco de ser banido do GP da Hungria ou suspenso por uma ou duas corridas, o heptacampeão, como foi característico durante sua carreira, teve sorte. No entanto, é curioso que punições tão pesadas tenham sido cogitadas para que a pena efetivamente aplicada tenha sido relativamente branda.

Peso político do capacete vermelho? Afinal, a penalidade imposta a Schumacher foi adequada?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Prévias da manobra Schumacher-Barrichello-Hungria



FELIPE MACIEL



Schumacher e Barrichello voltaram a protagonizar uma polêmica no último domingo. Não foi tão grande quanto a de Massa e Alonso na Alemanha, nem com a de Schumacher e Barrichello (opa) há 8 anos atrás. Mas foi registrado como destaque negativo do GP do Hungria, culminando na perda de 10 colocações no grid da Bélgica por parte do alemão, sanção esta que há um bom tempo a FIA não aplicava.

Ainda assim serve de desculpa para relembrarmos momentos brilhantes do passado, afinal, apesar de tudo, esta foi uma baita ultrapassagem. O rápido amigo Rianov desforrou os duelos Senna x Prost na temporada de 1988, quando ambos se estranharam entre o muro e o rival da forma analogamente empolgante, embora riscos supérfluos não tenham sido assumidos na mesma intensidade do episódio mais contemporâneo.



Na primeira, a defensiva do Ayrton chega a assustar o pessoal da mureta que exibia as placas aos pilotos, mas Prost supera Senna limpamente na reta de Estoril.

A retribuição da gentileza se dá em Suzuka, com o futuro campeão entrando no vácuo do Professor e completando a ultrapassagem na curva 1.



Em termos de susto, porém, nenhuma se assemelha tanto à do Michael com Rubens como esta disputa entre Webber e Massa no Japão em 2008, logo na abertura do vídeo seguinte. Naquela época foi de se pensar que o muro acabou na hora certa. Mas vendo isso hoje, parece que o roda-a-roda na Hungria deixou o racha de Fuji no chinelinho.

Ou talvez a sensação seja menos expansiva do que quando vimos ao vivo por conta do Evanescence dominando o fundo musical. Quem, em sã consciência, dedica um vídeo ao público do automobilismo sem permitir que se escute o som do motor?



Absolutamente nada contra a banda, só mantenho certa curiosidade em saber quando foi que combinaram que Bring Me To Life deveria virar moda nos vídeos da F-1 no YouTube.

domingo, 1 de agosto de 2010

Dupla de equipe: GP da Hungria

Vitaly Petrov


Deu pra imaginar que o russo ia dar um certo trabalho ao Hamilton, talvez com os dois fazendo uma versão remix daquele rebolation de Sepang, mas o Petrov abanou na volta dois e frustrou a todos nós.

Mas o cara fez uma corrida sólida, manteve-se próximo ao Rubinho e faturou esse 5º lugar que é fundamental para a auto-estima e motivação dele dentro da F-1. Só tenho uma pergunta: cadê aquela mulher que o Galvão dizia que era a mãe dele?

Fábio Andrade



Fora a parte em que Petrov chama Hamilton para dançar lambada e o inglês nem dá bola, a russo fez um fim de semana excepcional. 5° lugar para ele é um resultado que fala por si só. Deve ser um daqueles exemplos de piloto que casa com a pista.

Felipe Maciel



Sauber


Acho que a Sauber é a segunda equipe de todo mundo, o time que conta com a simpatia do povão. Então é legal ver os dois pontuando pela primeira vez no ano.

E palmas para o Kobayashi! De 23º para 9º, numa grande ascensão. Claro que as várias quebras que aconteceram hoje ajudaram, mas o ganho de posições do japa foi invejável.

Fábio Andrade



Apesar dos cofres vazios, a simpática equipe do tio Peter conseguiu pontuar com os dois. Já era hora, hein, de la Rosa! O Kobayashi, nem se fala. O sayajin fez um teletransporte de 23° para 9° e segue sendo o piloto que mais dá gosto de ver lá no meio do pelotão. Apesar de que, desta vez, quase não vimos. A transmissão da FOM não deu muita bola para ele. De repente, o japinha estava lá na zona de pontos.

Felipe Maciel



Pit da Mercedes


Hoho, vou deixar as piadinhas sobre o Nico roda solta pro Groo e pro Marcão. Mas que vacilo que a equipe deu.

Vi depois que a roda atingiu um mecânico da Williams, mas sem ferimentos. Acho que a Nica tá com saudade de soltar a rodinha pra alguém nos boxes azuis. Tá, parei.

Enfim, o curioso é ano passado aconteceu algo semelhante com Alonso na Renault em Hungaroring.

Fábio Andrade



Normalmente não gosto quando alguém é punido por uma falha desse tipo, que não qualifico como displicência ou negligência. Foi um erro infeliz de quem está sob aquela pressão provocada pela muvuca nos pits. Mas como o autor não foi o único afetado, e o vacilo atingiu pessoas de outra equipe que não tinham nada com a história, a punição acaba sendo mais que inevitável. O piloto, nessas ocasiões, fica rendido. Azar do Nico.

Felipe Maciel



Kubica x Sutil


Eu sempre acho gozado quando acontece algo desse tipo no mundinho high tech da F-1. Bastava o cara do pirulito ter segurado a onda e nada disso teria acontecido. Mas, são coisas de corrida.

Só não achei razoável punir o Kubica. Ele já teve o prejuízo inerente à confusão que aconteceu. E incidentes desse tipo vão existir enquanto existirem pit stops, é coisa normal a meu modo de ver.

Fábio Andrade



Esse sim é um deslize crasso. Mandar o piloto sair quando está passando carro no pit lane é uma bobeira clássica. Mas o mecânico chefe da Renault caprichou, liberando o Kubica quando o piloto que vinha era justo o da garagem da frente. Que bela patacoada!

Nesse caso, a punição esportiva não significa absolutamente nada, já que a corrida do polonês foi pelo ralo de imediato. A multa de bolso se fez necessária: então que tratem de transferir US$ 50 mil para o paypal da FIA amanhã.

Felipe Maciel



Punição a Vettel


Tá certo, desrespeitou o regulamento, tem que sofrer as sanções cabíveis. Não luto contra isso, é o certo. O negócio é que se é para punir, que todo mundo seja punido com o mesmo senso de justiça.

Afinal, certa equipe e seus pilotos derespeitaram frontalmente, e de forma muito mais acintosa e agressiva, as regras no domingo passado e nem surgiu a possibilidade de uma punição esportiva.

Fábio Andrade



Na Fórmula 1 é assim, não pode fazer jogo de equipe. Se seu carro for vermelho talvez possa. Mas não pode.

Bem, falando sério, o tempo do safety car na pista foi tão rápido que eu sequer notei que haveria relargada naquela volta. Engraçado que Vettel deu a mesma justificativa! Mas como é improvável que a Red Bull estivesse dormindo e não tenha avisado seu piloto, não é difícil concluir que Sebastian jogou fora uma vitória certa enquanto executava a ordem de Christian Horner. Escorregada boba do Vettel que custou a dobradinha energética.

Fale o que quiser da Ferrari, mas quando ela faz jogo de equipe, ela sempre tira bom proveito disso. Já a Red Bull parece bastante atrapalhada no assunto. Quando não faz, dá problema; quando faz, também. É inadmissível que o time saia da Hungria sem os 100% de aproveitamento com aquele carro de outro mundo. Quanto desperdício de pontos numa só temporada...

Felipe Maciel



Schumacher x Barrichello


Schumacher foi um verdadeiro kamikaze em Hungaroring. Conduta irresponsável e incompatível para um multicampeão como ele.

É lógico que ninguém esperava que o alemão desse a posição de presente ao Barrichello. O próprio Schumi sabe que é conhecido justamente pelo contrário, por disputar cada centímetro como se fosse o último. Mas nas circunstâncias em que a corrida estava, com Barrichello muito mais forte que ele, o Schumacher não devia agir de forma tão inconsequente. Felizmente o muro acabou na hora certa e não houve maiores problemas com Rubinho além de duas rodas na grama.

Fábio Andrade



Surpresa zero com a atitude do Schumacher. Surpresa mesmo foi finalmente sair punição. O alemão está defendendo posição com essa agressividade há bastante tempo, independente do adversário; só hoje que a FIA achou de punir. Também, se passasse de hoje, é porque não puniria mais nada nem por decreto.

Engraçado é que, por mais violenta que seja sua repulsão por tomar ultrapassagens, ele segue tomando...

Felipe Maciel

Webber vence na Hungria e lidera o mundial



FÁBIO ANDRADE



No domingo passado, no GP da Alemanha, a Ferrari atentou violentamente contra a esportividade e não foi punida. Nem esportivamente, nem financeiramente, já que a multa de 100 mil dólares não configura exatamente um problema irremediável para o time italiano. Hoje, no GP da Hungria, a direção de prova andou com a caneta na mão, muito rigorosa, e as sucessivas tentativas de fazer justiça só não foram completamente injustas porque a Red Bull voltou a sobrar como já fizera em outras ocasiões na Fórmula-1.



A equipe austríaca venceu em Hungaroring. Sim, a equipe, porque por mais que Mark Webber tenha sido brilhante em sua condução após a entrada do Safety Car, o RB6 foi a grande estrela do dia, como já havia sido ontem na classificação. Mas o real motivo de a Red Bull ser a grande vencedora do fim de semana na Hungria é a capacidade que a equipe teve de fazer dar certo o que tinha tudo para dar errado, mesmo com as invenções da direção de prova.
O regulamento ou a vida

Via de regra, a largada foi como se previa. Carros do lado ímpar largaram melhor do que os do lado par. Fernando Alonso deixou Webber para trás e cresceu para cima de Sebastian Vettel. O bicampeão não conseguiu a ultrapassagem e logo começou a assistir o grande rendimento de Vettel, que abria distância num ritmo próximo de um segundo por volta.



As posições estavam fixas, dadas as dificuldades de se ultrapassar na pista de Hungaroring. Mas pouco antes da rodada de pit stops um pedaço de Force India perdido na pista mudou a história da prova.

Na volta 15 uma parte do bico do carro de Vitantônio Liuzzi se desprendeu e ficou atravessada na pista. A direção de prova acionou imediatamente o Safety Car. Todos os líderes, exceto Webber, entraram nos boxes em comboio, seguidos por praticamente todo o restante do grid. E a Fórmula-1 honrou o apelido de “circo”.

O congestionamento nos boxes de Hungaroring transformou um simples pit stop numa operação de guerra. E em meio ao tumulto instalado no pit lane, Robert Kubica chocou-se com Adrian Sutil. Simultaneamente, um pouco mais atrás, a Mercedes também fazia uma tremenda presepada deixando frouxa a roda de Nico Rosberg. E a cena que a tv mostrou era digna de picadeiro: dois carros batendo de forma esdrúxula enquanto uma roda perdida quicava sem rumo nos boxes húngaros.

Mas não foi a confusão nos pit stops o principal efeito da entrada da Safety Car. Depois de tudo o que aconteceu nos boxes, Mark Webber pulou na ponta, optando pelo adiamento de sua troca de pneus. Vettel era o segundo, seguido por Alonso. No momento da relargada, o alemão permitiu que o companheiro de equipe escapasse na frente, extrapolando um espaço virtual de dez carros que é convencionado pelo regulamento e que é o máximo que pode existir de diferença entre os bólidos na fila indiana atrás da Safety Car.


Essas coisas que ninguém entende

Ok, foi uma modalidade menos convencional, menos agressiva também, mas ainda assim uma espécie de  jogo de equipe o que aconteceu em Budapeste. E o resultado foi uma punição esportiva, um drive-through que Vettel cumpriu voltas depois, muito contrariado por não entender o que se passava. A contradição da história é que por muito mais, a Ferrari saiu ilesa de Hockenheim no domingo passado.

De coisas que ninguém entende, o GP da Hungria ainda não estava completo. Em razão do bate-rebate nos boxes, Kubica, já uma volta atrás e com a corrida totalmente comprometida, ainda foi punido com um splash-and-go. Vale lembrar que é convencionado na F-1 que em situação de saída de boxes a responsabilidade pela liberação do piloto é do mecânico responsável pelo chamado “pirulito”. Ainda assim, o episódio entre Sutil e Kubica é um daqueles em que não há premeditação, afinal, mecânico e piloto nenhum estragaria a própria corrida de propósito. Apesar de todo o fator inusitado da batida, ela foi, por que não, um acidente de corrida. Mas alguém na FIA acha justo punir o que é próprio do automobilsimo.

Este blog adverte: de coisas que ninguém entende, o GP da Hungria ainda pode reservar surpresas. Resta que Nico Rosberg seja punido pela roda solta de seu Mercedes, como se ele tivesse esquecido de parafusá-la.
Papa-Léguas



A Austrália é a terra do canguru, mas Mark Webber está tratando de mudar o animal-símbolo de seu país. Era difícil de acreditar que o piloto australiano conseguiria subir ao pódio depois do adiamento do pit stop do agora líder do campeonato. Com Vettel punido, em terceiro, o GP da Hungria era a corrida em que 100% das apostas podiam dar errado para a Red Bull. Mas 50% deram certo.

Incrivelmente, os pneus super-macios de Webber resistiram mais de 40 voltas e possibilitaram ao papa-léguas australiano um rendimento forte o suficiente para abrir vantagem de mais de 20 segundos sobre Alonso. Assim, Webber pôde fazer sua troca de pneus e voltar com folga, não sendo mais incomodado por ninguém no resto da corrida. Uma vitória do piloto Webber, é certo, mas ainda mais da equipe que, finalmente, venceu quando tinha tudo para perder. Um belo contraponto ao início de campeonato da Red Bull, que perdia quando tinha tudo para ganhar.
Para trás, alemães

A expectativa para as últimas 20 voltas do GP da Hungria ficavam por conta de uma suposta briga entre Alonso e Vettel pela segunda posição. Só que Vettel não conseguiu em nenhum momento aproximar-se de forma efetiva do espanhol, e o pódio ficou decidido desde a volta 50. Era o último lugar da zona de pontuação que seria alvo da disputa mais quente da corrida.

Rubens Barrichello largou de pneus duros. Pretendia fazer uma primeira perna de corrida bem longa e fez, dando mais de 50 voltas. Quando finalmente parou, calçou os pneus macios, e seu rendimento era fortíssimo. Em 11º, logo se aproximou de Michael Schumacher, muito mais lento, e iniciou a perseguição ao antigo companheiro e atual desafeto.



Foram voltas estudando o comportamento do alemão, que vendeu caro a ultrapassagem. Na manobra decisiva, Schumacher espremeu violentamente Barrichello contra o muro, quase ocasionando um choque com capacidade para gerar um acidente sério. A briga, que jamais pôde ser contemplada em tempos de Ferrari, dessa vez terminou com Barrichello na frente, e a expectativa de punição ao heptacampeão pela agressividade com que disputou a posição na reta principal de Hungaroring.
Grande Prêmio da Hungria, resultado após 70 voltas: