terça-feira, 6 de abril de 2010

Regularidade ainda pesa mais que vitória



FELIPE MACIEL



Seria até mais fácil provar o que está demonstrado neste post usando apenas as proporções matemáticas de cada sistema de pontuação. Mas como a análise feita com dados concretos são mais inteligíveis e aceitáveis, façamos a comparação da classificação da F-1 após os 3 primeiros GPs de 2010 com os modelos de pontuação anteriores. Logo chegaremos à conclusão de que o formato que confere 25 pontos ao vencedor apresenta muito mais semelhanças com seu predecessor que supervalorizava a regularidade.

À esquerda está representado o revolucionário 25-18-12-10-8-6-4-2-1. No canto superior direito, seu antecessor 10-8-6-5-4-3-2-1. Já na parte inferior direita, surge o distinto 10-6-4-3-2-1, que deixou de existir ao fim de 2002, quando a FIA desandou a fazer regras infelizes.



Atualmente, Felipe Massa lidera o campeonato sem ter vencido nenhuma corrida. Vettel, Alonso e Button subiram ao topo do pódio uma vez cada um, mas na tabela são superados pela regularidade do brasileiro, que soma 2 pódios contra 1 de cada vencedor de GP.

Caso vigorasse o sistema vigente até o ano passado, nada mudaria entre eles. Na verdade, a única alteração seria a perda de posição de Button para Rosberg, que no momento se encontram empatados.

Já em comparação com o bom e velho 10-6-4, tudo se inverte. Vettel e Alonso sobem para a ponta, deixando Massa em 3°. Button, mesmo terminando uma corrida em 7° e outra em 8° (ou seja, não pontuaria em duas provas), estaria empatado com o Felipe, que por sua vez ostenta abandono zero, 100% dos GPs na zona de pontuação e dois pódios.

A conclusão é óbvia: a ampla diferença de pontos no novo modelo de pontuação induz os espectadores a acreditar que a vitória está mais valorizada do que nos últimos anos. Ledo engano.



Quando a FIA desistiu de lançar o sistema 25-20-15 para implementar o 25-18-15, ela não potencializou vantagem alguma ao vencedor. Ela apenas criou uma desvantagem para o 2° colocado. Mas para o 3° lugar, o 4°, o 5° ou o 6° é como se o sistema de pontuação não tivesse sido alterado, uma vez que a mudança de proporção de pontos para essas posições é desprezível.

Finalmente, esqueça esse papo de que o formato de pontos inaugurado em 2010 privilegia a vitória. Ele está aí para disparar o número de pontos na temporada agradando a espectadores médios e a patrocinadores, além de ampliar a chance de equipes inferiores pontuarem. Essa Fórmula 1 "democrática" foi uma mera invenção da FIA após a debandada das montadoras e a entrada de equipes que não possuíam orçamento à altura.

Pena que questões de momento provocam mudanças que desfiguram toda a história da categoria. Agora qualquer moleque com 4 ou 5 anos de F-1 pode se gabar por ter mais pontos que o Ayrton Senna.

Jaime, sem evitar a fadiga



FÁBIO ANDRADE



Ao estrear no GP da Hungria de 2009, pela Toro Rosso, Jaime Alguersuari não conquistou muita simpatia. O espanhol, no auge de seus 19 anos, tornava-se o mais jovem piloto oficial de Fórmula-1 de todos os tempos, mas com um detalhe que causou certo mal-estar: recém saído da adolescência, o piloto nunca havia testado num carro da categoria.



Seu nome de pronúncia complicada também não ajudou, e enquanto o debate sobre a licitude do acesso de tão novo piloto a uma categoria top acontecia, a estreia de Alguersuari foi eclipsada pelo acidente de Felipe Massa na classificação húngara. Nas corridas seguintes pouco se falou do espanhol, e, como quem não quer nada, o estreante mais jovem da história resistiu até o final da temporada e garantiu seu lugar na Toro Rosso em 2010.

Até que no último GP da Austrália, Jaime saiu das notinhas de canto de página dos jornais para ganhar visibilidade após duelar com ninguém menos do Michael Schumacher durante dezenas de voltas no circuito de Albert Park.

“Aprendi um pouco sobre a arte da luta com Michael [Schumacher] em Melbourne” – disse Alguersuari.

No GP da Malásia do último domingo, Jaime marcou seus primeiros pontos na carreira ao chegar em 9º lugar. Em Sepang, o piloto espanhol resistiu impavidamente às investidas de outro piloto consagrado, o brasileiro Felipe Massa. Dando trabalho a pilotos de equipes grandes, o Jaime da F-1 em nada faz lembrar seu xará televisivo, o personagem Jaiminho do programa Chaves, aquele que vivia repetindo o mantra “eu quero evitar a fadiga”.

Ao contrário, as duas últimas exibições do espanhol da Toro Rosso fadigaram os adversários. E de forma repentina, Alguersuari ganhou atenção. Com os 2 pontos conquistados na Malásia, o piloto se tornou o 2º mais jovem a pontuar na F-1, com 20 anos e 12 dias, perdendo apenas para Sebastian Vettel, o recordista de precocidade, que pontuou pela 1ª vez aos 19 anos, 11 meses e 14 dias.

Antes criticado pela juventude e falta de experiência, Jaime Alguersuari já começa a atrair certa atenção pelos seus predicados como piloto. Para quem chegou em 2009 e sofreu com previsões pessimistas, de gente que apostava que ele não duraria o resto da temporada, o espanhol já deu uma grande virada.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Carro da Williams é uma porcaria, diz Rubinho



FELIPE MACIEL



A porcaria do nosso carro ainda não está legal. Vamos sorrir senão vamos chorar. Eu vou chorar ali no canto.

Eu não sei o que aconteceu na largada, vou falar sobre isso com a equipe. A partir desse problema eu caí para o fim do grid. Nós tentamos uma estratégia diferente para ir de volta ao pelotão da frente, mas nosso carro definitivamente não estava competitivo. Nós perdemos uma boa oportunidade hoje

Rubens Barrichello após o GP da Malásia



Eu fico imaginando o Frank Williams numa entrevista qualquer, quando perguntado sobre algo relativo ao Barrichello, responder aos risos: "Ah, é um piloto porcaria...".

Quase caí pra trás quando Rubens soltou a piada. Impressionante como todos esses anos vivenciando o mundo da F-1 não bastaram para desenvolver o mínimo de bom senso sobre que diz, ainda que em tom de brincadeira.

Você nunca viu Willi Weber chamar o Schumacher de "Dick Vigarista" ao risos. Nem vê a Ferrari alegar que o estouro do motor do Alonso era propaganda subliminar da Marlboro. As bobagens extremas sequer passam perto da cabeça da maioria dos integrantes da F-1.

Desde que Barrichello deixou a Ferrari e se mudou para a Honda, sinto que ele busca fazer piada com tudo. Porém certas gracinhas merecem ficar na rodinha de amigos, mas em vez disso ele prefere jogar para a torcida. E muitas vezes transforma o humor em tragédia verbal.
O contexto era uma brincadeira com o Di Grassi. O carro não é tão bom quanto a Ferrari, mas, quando passava ele durante a prova, brinquei que ele é muito bom piloto para o carro. Foi uma brincadeira. Se eu não tenho um bom carro, imagina ele. Meu carro tem atitudes boas e coisas que precisam ser melhoradas, mas pra lá de ser uma porcaria.

Rubens Barrichello explicando-se



Se aqui esse tipo de declaração pega mal, não descartaria que dentro da equipe a sensação seria a mesma. A visão clássica de Frank Williams sobre sua equipe sempre foi clara: piloto não precisa ser estrela; a verdadeira estrela é o carro construído pela Williams. Um piloto usando termos pejorativos contra o próprio FW logo parece uma heresia. E foi esse o recado passado pelo próprio Sir Frank quando Rubens detonou a Brawn GP na corrida de Nurburgring em 2009, quando tomou uma dura daquele que ainda se tornaria seu patrão.

Para alguns, a declaração não tem a menor importância. Para outros, uma blasfêmia. Só sei que Rubens poderia trocar gentilezas mais justas com sua equipe, que na voz de Sam Michael comentara que o brasileiro é digno de título mundial.

Brincadeira ou não, o termo usado foi um das críticas relâmpago mais chocantes que já vi um piloto escolher para se referir ao carro oferecido pela equipe.

Dupla de equipe: GP da Malásia

Sebastian Vettel


Tava na hora, né? Acho justo, porque o moleque seguia pra vitória nas outras duas corridas e ficou no meio do caminho por problemas fora do seu controle. Talvez o dia hoje fosse do Webber, mas o australiano perdeu a corrida nos primeiros 300 metros ao perder a posição pro alemãozinho. Inclusive, já tá começando a pegar mal chamar o Vettel de alemãozinho, porque suas vitórias sempre são com desempenho de gente grande.

Fábio Andrade



Vettel fez tudo certinho, largou muito bem, aplicou o ritmo certo para andar na frente sem ser ameaçado, liderou as voltas que tinha que liderar... Enfim, foi impecável como sempre. A única diferença em relação aos outros GPs é que dessa vez a Liz Voluptuosa não lhe deu um bolo. Vitória incontestavelmente merecida.

Felipe Maciel



Motor Ferrari


É o grande "#fail" da equipe de Maranello. E é curioso porque em 2010 a Ferrari pode sofrer com a fragilidade dos propulsores, sobretudo no fim da temporada. Não sei os números exatos, mas parece que os rossos já usaram mais motores do que o máximo desejável pra essa altura do campeonato.

Fábio Andrade



Se continuar nesse ritmo, cada piloto usará 19 motores ao longo da temporada. Sem mais.

Felipe Maciel



Chandhok vs Senna


Bem, o indiano terminou uma volta a frente do brasileiro hoje, mas confesso que ainda não sei o motivo e nem se isso faz mesmo grande diferença. Mas a Hispania cumpriu bem o seu script, que é tentar terminar as corridas e ponto.

Fábio Andrade



Desde a pré-temporada, quando a Campos escancarou a vergonha que o time seria, eu passei a julgar que o melhor que o Bruno tinha a fazer era pular desse barco. Arrumasse uma vaga de test driver preferencialmente num time grande, se mantivesse numa ambiente mais alto nível, fizesse qualquer coisa, mas que não entrasse na pista para disputar com seu companheiro de equipe quem seria o último no GP nem com quantas voltas de desvantagem eles terminariam.

A cada corrida eu tenho ainda mais convicção do que pensava. Na Malásia, Bruno foi superado pelo Chandhok durante todo o final de semana. Não vejo o que ele tem a ganhar na Hispania, mas sei o que tem a perder. Pilotos de altíssimo potencial foram queimados recentemente na F-1 por terem se equivocado logo na porta de entrada. Espero que não se torne mais um.

Felipe Maciel



Hamilton vs Petrov


A dona Petrova, a mãe do Vitaly, deve ter exultado quando viu o filho dar aquele passão no Lewis. Um dos pontos altos da corrida, e chama a atenção para o fato de a Renault ter sido subestimada durante a pré-temporada porque o carro não parece tão ruim como parecera antes. Petrov vai sofrer muito tendo um companheiro como Kubica.

Ok, sobre o zigue-zague do Hamilton: eu condenaria em outras ocasiões, mas achei gozado ver o inglês quebrar uma dessas convenções não-escritas acordadas nos briefing dos pilotos. Prontofalei.

Fábio Andrade



Assim o Lewis vai se tornar o rei das polêmicas das regras não redigidas! A F-1 tem regras extra-oficiais, geradas pelo bom senso. Como aquela que diz que se alguém cortar caminho e devolver posição está tudo ok. O episódio de Spa-08 é só mais um exemplo de confusão que ele se meteu graças a seu espírito explosivo focado na vitória de qualquer duelo.

Sobre o rebolation com o Petrov, eu não puniria. Não tem regra definitiva, nesse caso não existe o preto no branco, cada um enxerga de um jeito. Se Lewis mudasse várias vezes a trajetória para fechar o Petrov na trajetória do russo, eu exigiria algo além da advertência. Mas o que ocorreu foi que Vitaly imitou a trajetória de Hamilton em busca do vácuo. Ora, se a trajetória é uma só para ambos, ninguém tem que ser punido. A punição só deve existir quando duas trajetórias distintas se "cruzam" várias vezes. Conclusão: não gostei nem da advertência.

Felipe Maciel



Meteorologia


Aqui em Vitória os antigos dizem que a chuva é certeira se encobrir o Monte Mestre Álvaro. Acredito mais na sabedoria popular do que na do Climatempo, apesar de admitir que eu também me equivoquei hoje. Quase todos nós acreditávamos na chuva como minha prima de 2 anos acredita em coelho da páscoa. Foi um engano coletivo.

Fábio Andrade



Disseram que não choveria no treino mas cairia uma tempestade na corrida. O treino foi disputado completamente no molhado, com direito a bandeira vermelha. Já na corrida nem uma gota.

Independente da graça meteorológica, ficou provado que chuva no treino basta para termos um bom GP. A classe A largando do fundão já é garantia de ultrapassagens até o fim.

Felipe Maciel



Tabela classificatória


Desde o começo eu era simpático ao movimento que queria valorizar a vitória, mas nunca gostei muito dessa quantidade de pontos tão grande e de tantos lugares pontuáveis. Mas, dos males o menor. Ver o Vettel saltar do 7º para o 3º lugar foi bacana na classificação, deu pra ter ideia de como a vitória voltou a dar ao piloto vencedor o poder de reação, algo que se perdeu com a pontuação que vigorou de 2003 e 2009.

Fábio Andrade



O sistema de classificação atual não valoriza a vitória, tanto é que o líder ainda não venceu. Mas pela primeira vez Massa ocupa o topo da tabela classificatória na F-1, mais do que justo a quem já fez por merecer esse gostinho.

Também é interessante ver 7 pilotos separados por menos de 10 pontos: 39-37-37-35-35-31-30. Só não se esqueçam que o homem a ser batido deveria possuir neste momento 75 pontos, não fosse um par de infortúnios. Se a confiabilidade do RB6 na Malásia começar a se repetir, a dissociação de certos números vai ser violenta.

Felipe Maciel

domingo, 4 de abril de 2010

No seco, Vettel lidera dobradinha da Red Bull na Malásia



FÁBIO ANDRADE



Era chegada, finalmente, a hora de vencer. E depois de tantas vezes bater na trave, não se pode negar a justiça da vitória de Sebastian Vettel hoje no GP da Malásia. O alemão da Red Bull fez uma corrida tão irretocável que só apareceu na transmisão televisiva na largada e na chegada. Superou seu companheiro de equipe na partida e daí em diante desapareceu, tanto porque imprimiu um forte ritmo de corrida, como porque sumiu das telas da tv durante o restante das 56 voltas da corrida.



Vettel ficou na penumbra porque a tv tinha com o que se ocupar. Largando do fundo do grid, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa movimentaram a corrida. A chuva, tão aguardada, parece ter sofrido um ataque de estrelismo, e não apareceu no dia de gala. Restou então a essas estrelas que vivem abaixo do firmamento chamadas pilotos garantirem o ingresso do público malaio e a manhã de vigília dos brasileiros.
O necessário Hamilton

O fim do reabastecimento ainda é assunto porque ainda se observam todas as mudanças no comportamento dos pilotos. Não há mais a expectativa de ultrapassagens nos boxes (se há ela foi em muito reduzida) e os pilotos precisam se resolver por seus próprios meios. E aí acabam problemas de arrasto, turbulência, super freios e carros desequilibrados. Quando se precisa ganhar uma posição, até mesmo um tilkódromo pode se converter numa pista de verdade.

Lewis Hamilton é um dos mais notáveis pilotos do atual grid quando o assunto é ultrapassagem. Vão falar, e muito, da manobra do britânico pra defender-se do russo Vitaly Petrov, afinal, uma defesa de posição tão "malandra" era algo que não se via há muito tempo. Mas, afinal, por que aquelas pessoas se sentam num carro de corrida a cada 15 dias, a não ser com o objetivo de ir ao limite a cada segundo? O destemor, como bem foi observado no GP da Austrália, é, certamente, a maior qualidade e o pior defeito de Hamilton, e é também aquilo que faz o campeão de 2008 ser amado por uns e odiado por outros tantos. Hamilton é, portanto, um piloto mais do que desejável nessa F-1 sem reabastecimento, ele é necessário, porque com pneus frios e tanque cheio, no início da corrida, não mediu esforços para ganhar quantas posições pudesse. Ainda falta um grande resultado ao britânico em 2010, é verdade, mas tal como o tempo fez justiça a Vettel, certamente a hora de Hamilton vai chegar.



Enquanto Hamilton era o grande personagem das primeiras voltas, Massa, Alonso e Button ficaram para trás. Não chegaram a ser geniais na largada porque estavam em entre carros 2 segundos mais lentos. Ganhar 7 posições de rivais tão modestos não é algo digno de ser chamado de desafio. Mas no passar das voltas todos demonstraram grande competência ao extrair o máximo de seus equipamentos, sobretudo Alonso, com problemas de câmbio que eram audíveis perante as câmeras onboard. É questionável a tática de Button de trocar os pneus duros por macios logo na 6ª volta e talvez o atual campeão tenha sido o mais fraco do quarteto Ferrari-McLaren, mas, se serve de consolo, houve gente com menos sorte.

Antes confiabilíssimos, o equipamento com a grife Ferrari já não exibe a mesma durabilidade há tempo. E se Schumacher era o rei da sorte no time de Maranello, como se fosse imune a quebras, o começo de carreira de Fernando Alonso na equipe italiana encontrou em Sepang seu ponto baixo. A quebra foi particularmente cruel para o asturiano como só as quebras no finzinho de corridas podem ser, e porque entregou a Felipe Massa a liderança do campeonato.



Massa teve seu grande momento ao ultrapassar Button, apesar de continuar reclamando de falta de aderência na F10. Lá na frente, apesar de apagados na transmissão da tv, Nico Rosberg, Robert Kubica a Adrian Sutil tiveram conduções competentes, demonstrando, mais uma vez, que a geração que chega tem qualidade de sobra.

E qualidade é artigo do qual a Red Bull está bem servida. Dominante na corrida, a equipe finalmente enfrentou um fim de semana sem quebras. Era o que bastava para pintar a vitória, tão apoteótica como só as dobradinhas podem ser. E se o objetivo da nova distribuição de pontos era privilegiar a vitória, Vettel mostra que a mudança cumpriu o prometido. O alemão pulou da 7ª para a 3ª posição do campeonato mundial. A volta do poder de reação, castrada pela pontuação vigente entre 2003 e 2009, é a melhor novidade do GP da Malásia.
Grande Prêmio da Malásia, após 56 voltas:

1°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1h33min48s412
2°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s8
3°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s5
4°. Robert Kubica (POL/Renault), a 18s5
5°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 21s0
6°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 23s4
7°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 27s0
8°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 37s9
9°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1min10s6
10°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), a 1min13s3
11°. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1min18s9
12°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 1 volta
13°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 2 voltas
14°. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), a 3 voltas
15°. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), a 3 voltas
16°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), a 4 voltas
17°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), a 5 voltas

sábado, 3 de abril de 2010

Sob forte chuva, Webber é pole na Malásia



FÁBIO ANDRADE



A chuva costuma trazer surpresas e embaralhar a lógica da Fórmula-1, e num ambiente equatorial como a Malásia, carros e pilotos disputaram uma sessão de classificação como não se via desde o último GP do Brasil: forte chuva, muitas saídas de pista, alguns dos favoritos fora do Q3 e a bandeira vermelha tremulando nas mãos dos comissários.

A chuva caiu sobre o circuito de Sepang durante toda a sessão, mas o atraso de hoje foi muito menor do que o ocorrido na última qualificação em Interlagos. O estrago para os postulantes ao título, no entanto, foi semelhante. A começar pela dupla da Ferrari e por Lewis Hamilton, eliminados logo no Q1. O trio de pilotos das equipes de ponta saiu para tentar a volta rápida exatamente no momento em que a chuva atingia maior intensidade e não conseguiu passar adiante nas etapas do qualifying.

Quem também não teve sorte na pista malaia foi Jenson Button. O atual campeão até conseguiu marcar um tempo que o habilitou para o Q2, mas rodou e foi parar na caixa de brita na volta de desaceleração. Encalhado na área de escape, Button ficou impedido de participar do restante do treino.

Ao final do Q3 duas das equipes que normalmente ocupam o fim do grid conseguiram avançar: Lotus e Virgin, ainda que a última apenas com Timo Glock.

Durante o Q2 a pista esteve instável. Nos 15 minutos de atividades houve tempo para a chuva ir e vir. Como era de se esperar, Lotus e Virgin sucumbiram, na companhia de Petrov, de La Rosa, Buemi e Alguersuari.

O Q3, com sobra de vagas, abrigou vários pilotos que raramente têm chance de brigar pela pole até o final. Nico Hulkenberg e Kamui Kobayashi foram as maiores surpresas. O desempenho da Force Índia mais uma vez se mostrou sólido, e os dois pilotos da equipe também foram até a última etapa da classificação.

Foi durante a Superpole que a chuva caiu com mais força. Num incrível replay da tempestade que interrompeu o GP da Malásia de 2009, uma tormenta desabou sobre o autódromo, cobrindo as lentes das câmeras de branco. Restando 7 minutos e 17 segundos para o encerramento do treino e antes que algum piloto completasse uma volta no Q3, a bandeira vermelha interrompeu a classificação em função da forte chuva.

Foram cerca de 15 minutos de espera até que as atividades fossem retomadas. E no fim das contas a pole position não foi nenhuma zebra: Mark Webber, com extremo senso de oportunidade, conquistou para a Red Bull a 3ª pole em 3 corridas. O piloto australiano foi o único a perceber que a pista já apresentava condições para uso dos pneus intermediários, enquanto os outros 9 competidores usavam os pneus de chuva forte.



Dessa forma Webber conseguiu ser mais de um segundo melhor do que o restante dos pilotos. Nico Rosberg, da Mercedes, marcou o 2º tempo e Sebastian Vettel, companheiro de Webber, o 3º.

Para além de uma corrida divertida, com 4 dos melhores carros e pilotos partindo do fundo do pelotão, a expectativa para o GP da Malásia é sobre as condições climáticas. Pelo que se viu hoje na classificação, não custa muito para que se repita na corrida o que se viu no ano passado, ocasião em que, das 56 voltas previstas, apenas 31 foram concluídas por causa da forte chuva. Os treinos classificatórios de hoje foram realizados no horário em que a corrida será disputada amanhã e nunca é demais lembrar que em regiões de clima equatorial a chuva cai forte e pontualmente ao fim da tarde. Se novamente a corrida malaia tiver de ser interrompida por causa da água, a F-1 novamente vai perder a guerra contra o clima.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Malásia:

1°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), 1min49s327
2°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), 1min50s673
3°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1min50s789
4°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), 1min50s914
5°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), 1min51s001
6°. Robert Kubica (POL/Renault), 1min51s051
7°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), 1min51s511
8°. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), 1min51s717
9°. Kamui Kobayashi (JAP/Sauber-Ferrari), 1min51s767
10°. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India-Mercedes), 1min52s254
11°. Vitaly Petrov (RUS/Renault), 1min48s760
12°. Pedro de la Rosa (ESP/Sauber-Ferrari), 1min48s771
13°. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), 1min49s207
14°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), 1min49s464
15°. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus-Cosworth), 1min52s270
16°. Timo Glock (ALE/Virgin-Cosworth), 1min52s520
17°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), sem tempo
18°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), 1min52s884
19°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 1min53s044
20°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), 1min53s050
21°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), 1min53s283
22°. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), 1min56s299
23°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), 1min57s269
24°. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), 1min59s977

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O favorito para o GP da Malásia



FELIPE MACIEL


Lewis Hamilton aterrissou na Malásia de cabelo em pé depois de um fim de semana complicado na Austrália. Lá, ele viu o atual campeão e novo companheiro de equipe, Jenson Button, conquistar a primeira vitória da McLaren no ano e ainda se posicionar em 3° na tabela classificatória, logo à sua frente.

Hamilton terminou a corrida dando uma prensa na equipe que alterou sua estratégia durante a prova. Mas essa postura agressiva não passou batido, e alguém lá dentro mostrou quem é o chefe. Daí Lewis teve de inverter suas palavras:
A equipe me explicou as razões por trás daquele segundo pit, e agora entendo que eles estavam se esforçando para que eu superasse Webber e Nico mais para o fim da corrida. Ainda estamos aprendendo sobre os pneus deste ano e talvez tenhamos superestimado a degradação dos compostos do pelotão da frente. Aprendemos com isso e vamos usar este conhecimento para melhorar ao longo da temporada.

Foi bom ver a equipe celebrando a vitória do Jenson. Vitórias são muito importantes porque unem todo o time e mostram que estamos no caminho certo

Lewis Hamilton



Em Sepang, o cutucado piloto começou mostrando logo a que veio: sobrou no primeiro treino livre e baixou o tempo na segunda sessão. A sexta-feira foi toda dele.

Claro que o carro da McLaren também está ajudando. Sua tão falada asa traseira e o túnel de ar controlado pelos pilotos trazem o funcionamento aerodinâmico que casa com a pista. Além da força demonstrada para o treino classificatório, o inglês bom de chuva pode esperar corrida no molhado. Não são poucas as chances de Lewis ampliar sua coleção de vitórias aquáticas neste GP.



A Red Bull abriu o fim de semana mostrando menos ritmo que nas corridas anteriores e a mesma deficiência de confiabilidade. A Mercedes esboça crescimento mas não a ponto de ser dada como favorita. Já a Ferrari escondeu o verdadeiro potencial treinando long runs, mas também deve estar surpresa com a velocidade apresentada pela McLaren no primeiro dia.

Até agora, a briga mais interessante entre as principais duplas de equipe é entre Hamilton e Button. Na Ferrari, ninguém ataca ninguém. Na Mercedes, Schumacher ainda tenta se achar. Na Red Bull, os pilotos nunca se encontram na pista. Mas na McLaren, Hamilton já executou ultrapassagem sobre o Button, que respondeu com o uso de uma estratégia acertada para levar a vitória.

Direito de resposta a Lewis a partir das 5h da manhã. Segura o Miltão mordido que eu quero ver...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Rádio OnBoard - Edição de Melbourne



FELIPE MACIEL



No ar, a edição número 73 da Rádio OnBoard!

O trio formado por Ron Groo, Fábio Campos e eu comentou o empolgante GP da Austrália com todos os seus pontos altos e as pequenas polêmicas derivadas desta prova movimentada. Ao fim do programa, os comentaristas expõem uma visão crítica do trato dado pela Globo e pela Band ao automobilismo.


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Retornamos semana que vem, após a passagem da F-1 pela Malásia para a realização da terceira etapa do Mundial, antes do primeiro intervalo de 3 semanas do ano. Até a próxima.