sábado, 31 de julho de 2010

Vettel marca a pole e bate recorde de Hungaroring



FÁBIO ANDRADE



O treino classificatório para o GP da Hungria aconteceu como um livro de memórias aberto. A Fórmula-1 ainda sente os efeitos da crise de imagem que se abateu sobre a Ferrari depois da troca de posições no GP da Alemanha. E ainda se lembra da última vez em que uma sessão classificatória foi realizada no circuito de Hungaroring, em 2009, quando o mundo viu o quão perigoso ainda pode ser o automobilismo.

E no treino de hoje, a F-1 voltou a se assombrar. Não com um grave acidente nem com ordens de equipe sem sentido. Foi o desempenho da Red Bull e de Sebastian Vettel que surpreendeu, não pela pole em si, que já era esperada, mas pela facilidade com que o piloto alemão cravou o novo recorde da pista de Hungaroring. Até mesmo Mark Webber ficou a consideráveis quatro décimos do jovem alemão.


Button fica fora do Q3 e larga em 11º

No bloco intermediário a principal surpresa ficou por conta de Jenson Button. O atual campeão não conseguiu avançar para a última parte da classificação e largará do 11º lugar amanhã. Em Silverstone o piloto britânico viveu situação parecida, largando em 14º, mas se recuperou bem durante a corrida e terminou na quarta colocação.

Mas houve mais no asfalto do travado circuito húngaro. Kamui Kobayashi foi o azarado da vez e foi eliminado da classificação logo no Q1. Após sua última volta rápida, enquanto voltava para os boxes, o japonês ignorou a luz vermelha na entrada do pit lane e seguiu em frente, fato que foi repetido pela transmissão televisiva da FOM. Segundo a liturgia da F-1, espera-se uma punição para o japonês nas próximas horas.

A Force India vive um período de dificuldades nesse início de segunda metade da temporada. A equipe que costumava ir para o Q3 com frequência nas primeiras corridas do ano perdeu terreno. Não parece ser coincidência que isso ocorra justamente no mesmo período em que sua parceira, a McLaren, também enfrenta uma queda de rendimento na linha de frente do grid.

Na briga entre pilotos da mesma equipe, Michael Schumacher, mais uma vez, anotou dados negativos no almanaque. Larga em 14º, oito posições atrás do companheiro, Nico Rosberg. Vitaly Petrov, no entanto, conseguiu pela primeira vez no ano andar a frente do parceiro de Renault, Robert Kubica. Rubens Barrichello, que anotou bons tempos no Q1, curiosamente não obteve bom desempenho no Q2. O brasileiro larga em 12º enquanto seu companheiro de Williams, Nico Hulkenberg, larga na 10ª posição.


Red Bull briga sozinha pela ponta e Vettel detona recorde da pista

Lá na frente a Red Bull correu uma categoria isolada. A equipe austríaca afastou de vez qualquer dúvida sobre a superioridade do equipamento, depois de andar atrás da Ferrari no GP da Alemanha. Sebastian Vettel e Mark Webber não tiveram concorrentes, e dominaram o Q3 com ampla vantagem sobre os demais pilotos.

Tamanho foi o domínio da Red Bull que Vettel pulverizou o recorde da pista húngara, que era de 1min19s071 e pertencia a Michael Schumacher. A marca datava de 2004, quando os carros corriam com motores V10, sem congelamento de potência e sem as restrições aerodinâmicas do atual regulamento. Vettel andou 298 milésimos abaixo do antigo recorde de Hungaroring.
Tudo certo na Ferrari

Depois do papelão da semana passada em Hockenheim, o resultado do treino classificatório deve ter deixado satisfeita a cúpula da Ferrari, afinal, Alonso posicionou-se a frente de Massa, diminuindo a probabilidade do uso das ordens via rádio para determinar na pista a vontade da equipe.

Na largada de amanhã é pouco provável, com pista seca, que se repita o que aconteceu em Hockenheim, quando Massa teve uma grande partida. O brasileiro dessa vez larga no lado sujo da pista, e em Hungaroring a diferença entre a parte “ímpar” e a parte “par” do traçado é significativa já que a pista é pouco usada por outras categorias durante o resto do ano.



No caso de Massa conseguir se posicionar a frente de Alonso como na Alemanha, a Fórmula-1 viverá novo suspense. Massa afirmou durante a semana que não fará novamente o que fez uma semana atrás, e uma reportagem da revista alemã Auto Motor und Sport alega que o brasileiro resistiu às ordens da equipe em Hockenheim, atendendo a solicitação do time apenas na terceira comunicação. Mas tudo isso é assunto para amanhã durante as 70 voltas do GP da Hungria.

A previsão climática para a região de Budapeste aponta tempo instável para a tarde de amanhã, com aumento de nebulosidade. Porém, segundo o site Weather Channel, não há chances de chuva.
Grid de largada para o Grande Prêmio da Hungria

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Senna fala sobre Massa e a cruel torcida brasileira



FELIPE MACIEL



Já cogitei fazer um post reunindo algumas declarações de pilotos sobre a polêmica, mas perdi o interesse. Não eram comentários tão interessantes assim. Tem piloto que é declaradamente a favor da ordem de equipe, como Schumacher e Webber. Tem quem se posicione contra, como Button. Tem quem use o episódio da Alemanha para mostrar ao público por que Áustria-2002 aconteceu. Mas nenhuma entrevista acrescentou tanto quanto à de Bruno Senna, e por isso só o bate-papo dele com os jornalistas brasileiros mereceu destaque aqui.

A sinceridade e a compreensão macroscópica do piloto da Hispania é a mais pura verdade que quem está de fora às vezes não percebe.
Fórmula 1 é um negócio antes de ser um esporte. O esporte são os pilotos, o negócio são todas as outras pessoas que estão ali dentro.

Bruno Senna



Sim, a Fórmula 1 é antes de mais nada um negócio. Ela nasceu do negócio. Quando se praticou F-1 pela primeira vez, como foi? Alguém pegou um par de chuteiras e uma bola e saiu jogando? Pegou uma raquete e um par de tênis e começou a passar a bolinha por cima da rede? Não. Antes de existir competição de Fórmula 1 era necessário existir dinheiro, engenharia, fornecedor, carro... os pilotos são a última peça do quebra-cabeça para que se concretizem as corridas.

Um negócio que vira esporte; um esporte que, quanto mais cresce, mais próximo do negócio fica. O raciocínio básico do jogo de equipe da Ferrari - de ganhar a qualquer custo - é o mesmo que leva o Ecclestone a virar as costas para a França e inventar GP em Abu Dhabi. Essa é só uma constatação da dura realidade deste esporte. Não significa que devemos aceitar nada, apenas uma constatação de sua natureza, repito. Mas a parte mais interessante da entrevista vem a seguir, com o repórter Felipe Motta dialogando com Senna a respeito do comportamento da torcida brasileira diante da manipulação em Hockenheim.



O piloto brasileiro se encontra numa situação muito difícil. Eu conversei com jornalistas do mundo inteiro e eles me disseram que quando há ordem de equipe no país deles, a torcida fica incomodada mas direciona muito de sua revolta para a equipe porque ela tem esses valores de autoridade e de expectativa. Não que o brasileiro não tenha isso de respeitar autoridades. Tem, mas eles vinculam a F-1 ao piloto e ao país como se fosse uma Olimpíada. F-1 é uma Olimpíada?

Felipe Motta




Esporte é esporte. Pelo que eu sinto da torcida brasileira, o esportista brasileiro tem obrigação de vencer, como na Copa. A seleção brasileiro chega na Copa com a obrigação de vencer. Não é justo para ninguém lidar com esse tipo de pressão. Todo mundo que disputa um esporte de alto nível como é a F-1, como é a Copa... a competição é forte, ninguém tem a obrigação de ganhar nada. Não existe alguém que seja tão extraordinário que não exista competição. As pessoas têm de entender que o esporte é competição. Ninguém é invencível.

É uma coisa que todo mundo tem de se educar, aprender a torcer pelo sucesso do esportista, e não só pela vitória. Ele pode ser bem sucedido, mesmo não sendo o campeão, o melhor de todos os tempos. É uma profissão: você faz porque gosta e não porque você só pode ser campeão. (...) O esportista quer o torcedor que torce pelo sucesso dele, não que o odeie quando ele não obtém o sucesso que foi projetado. Acho que é uma questão de educação.

Bruno Senna



A conversa prosseguiu com o jornalista avaliando que o público se sentiu lesado pela manobra da Ferrari, já que na óptica do torcedor, o esportista pode ter sucesso ou insucesso desde que tenha perdido na pista, algo que qualifica o episódio como indigno. Bruno comenta ser difícil argumentar que se entregue um GP de mão beijada ainda no meio da temporada, mas contrapõe que às vezes se sacrifica uma corrida para ganhar coisas mais à frente.

Enfim, não cabe aqui reproduzir todos os melhores momentos da conversa, por isso deixo o link com áudio da entrevista completa.



Tenho a sensação de que o Brasil é o pior país para se nascer caso se pretenda ser um piloto de Fórmula 1. Vejo comentários dizendo que Massa virou o novo Rubinho. Pois bem, quando foi que Rubinho virou Rubinho? Foi na Áustria há 8 anos? E bastou o Massa executar ato semelhante agora na Alemanha para ele "entrar para o clube"?

Aí é que está. O público brasileiro tem a incrível capacidade de se deparar com uma cena revoltante e apagar todas as demais passagens da carreira de um piloto, deletar todas as qualidades que reconhecia no esportista e dizer que se recusa a torcer por ele novamente.

Se no lugar do Felipe, o Kubica fosse o companheiro do Alonso a abrir para o espanhol, ninguém aqui passaria a ignorar o potencial do polonês e tudo o que ele já mostrou na Fórmula 1. Nem aqui nem na Polônia, nem em canto algum.

O povo brasileiro leva casos como este para o lado pessoal. O que me remete inevitavelmente àquela velha frase: "triste do país que precisa de heróis". Não vou argumentar que não se deve condenar o Felipe e depositar sobre ele a carga de responsabilidade pelo caso; seria inútil. Neste país, busca-se um novo Senna e nada menos que isso. Nunca vão encontrar e nunca desistirão de procurar. E o caráter implosivo da torcida brasileira seguirá destruindo ídolos de respeito.

Não que isso me afete. Não sou eu quem precisa de piloto brasileiro para assistir Fórmula 1.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Contra as evidências, Massa nega ser 2º piloto da Ferrari



FÁBIO ANDRADE



Aos olhos de grande parte da opinião pública brasileira, Felipe Massa se “barrichellou” ao aceitar a troca de posições com o companheiro Fernando Alonso no último GP da Alemanha. Se a impressão de que o piloto brasileiro aceitou a posição de segundão dentro da Ferrari foi imediata, o impacto das palavras ditas hoje pelo vice de 2008 reforça ainda mais a impressão de que uma síndrome de Barrichello talvez esteja recaindo sobre Massa.



Em entrevista concedida hoje, Massa foi categórico. No caso de repetição da situação ocorrida em Hockenheim, o brasileiro afirmou que ganhará a corrida. E completou: “no dia em que eu me sentir segundo piloto eu vou parar de correr”.

Como torcedor da Fórmula-1 como um todo, gostaria muito que tudo o que Felipe Massa disse fosse crível, mas conhecendo a Ferrari, as palavras do brasileiro são difíceis de serem levadas a sério. Se em Hockenheim a equipe o obrigou a ceder a liderança para Fernando Alonso, o que haveria mudado agora, cinco dias depois do turbilhão, em Hungaroring?

A imagem da Ferrari, de parte dos patrocinadores e do próprio Felipe Massa sofreu uma imensa mancha (reitero que Fernando Alonso já tem em seu currículo diversas chagas, sendo a do último domingo apenas mais uma. O espanhol caminha a passos largos para ser um novo Schumacher) depois do ocorrido do último fim de semana na Alemanha justamente pela encenação montada aos olhos do mundo. Para um piloto cuja imagem jaz a céu aberto em seu país, um novo teatro retiraria definitivamente de Felipe Massa o direito a um velório digno.

Asa flexível é o aparato do momento



FELIPE MACIEL



A Fórmula 1 vê florescer o terceiro intrigante arranjo técnico deste ano. O duto F inventado pela McLaren foi o primeiro, gerando uma pequena polêmica de início, que ganhou proporções ainda maiores quando a Ferrari instalou seu sistema de forma a exigir a tirada de mão do volante de seus pilotos. Outras equipes vieram no rastro depois.

O escapamento associado ao difusor foi o segundo grande ícone técnico da temporada, inaugurado pela Red Bull e já devidamente copiado pelas rivais. Quanto ao terceiro, em voga neste momento, é nada mais nada menos que a asa viva formulada pela mesma escuderia energética.



O vídeo mostra bem seu funcionamento. Tome o pneu como referencial e observe o movimento do aerofólio.

De alguma forma, a asa dianteira se enverga de maneira a baixar a altura dos endplates, esboçando um U de cabeça para baixo se visto de frente. À medida em que o carro acelera na reta, as laterais do aerofólio descem cerca de 25 milímetros, rendendo alguns décimos de vantagem. Na freada, evidentemente, a asa retoma sua horizontalidade.

O mecanismo é extremamente curioso, a ponto de o engenheiro da McLaren, Paddy Lowe, reconhecer que precisará trabalhar bastante para criar sua versão, visto que ele não faz ideia de como o bicho funciona.

A Ferrari foi rápida no gatilho e estreou o seu no GP da Alemanha, colocando ainda mais pressão sobre a McLaren com relação às suas duas grandes adversárias. As análises da FIA não constataram qualquer irregularidade, portanto se ela deseja impedir a continuidade da asa flexível, uma boa solução será tapar a brecha no regulamento do ano que vem.

E por mais que existam regras restringindo a liberdade dos projetistas, a criatividade dos engenheiros segue pegando todos de surpresa. Assim que é bom.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Day After



FÁBIO ANDRADE



O noticiário demorou para se livrar do gosto ruim deixado pelo GP da Alemanha. Com atraso, o mundo de atualidades da Fórmula-1 começou a girar novamente, deixando de viver apenas em função do ocorrido em Hockenheim. Já estava na hora.
FOTA deseja aumentar segurança

A facilidade com a qual as rodas se desprendem dos carros de Fórmula-1 fez soar o alerta na Associação de Equipes de F-1. A FOTA informou nessa quarta-feira que estuda medidas para aumentar a segurança e diminuir a incidência de problemas com o desprendimento das estruturas. A preocupação da entidade aumentou depois do acidente de Vitantônio Liuzzi durante o treino classificatório para o GP da Alemanha, no último sábado. Na ocasião, Liuzzi perdeu o controle e bateu no muro da reta principal do circuito de Hockenheim e uma das rodas de seu Force India se soltou, atravessando a pista enquanto o Virgin de Timo Glock cruzava o mesmo trecho.

 



 

O alerta ganha importância quando se lembra da morte do piloto de F-2 Henry Surtees, filho do campeão de F-1 John Surtees. O jovem piloto morreu em julho de 2009 ao ser atingido por uma roda solta na pista de Brands Hatch após a batida de um outro carro.

 



 

Já em 2010 um outro acidente chamou atenção e serviu de alerta. A suspensão do Toro Rosso de Sebastien Buemi se rompeu e libertou as duas rodas dianteiras no trecho de maior velocidade no circuito de Xangai, na China:

 



Para diminuir a probabilidade de acidentes desse tipo na F-1, a FOTA pretende reforçar os cabos que ligam os chassis às rodas. Hoje existe um cabo fazendo essa ligação em cada uma das quatro rodas de um bólido de F-1. A ideia de Paddy Lowe, engenheiro da McLaren, é reforçar a estrutura com mais um cabo por roda, visando aumentar a resistência do conjunto de segurança.

A intenção do Grupo de Trabalho Técnico é tornar a barra de segurança dupla uma exigência obrigatória no regulamento de 2011.
Ecclestone afirma que algumas equipes devem deixar grid

Bernie Ecclestone gosta das machetes. E conseguiu, mais uma vez, se pôr no topo das discussões, o que é não é a mais fácil das tarefas numa ocasião em que a F-1 respira escândalos. O velho dirigente comercial da categoria, depois de dizer que apoia o jogo de equipe tal como ele foi praticado pela Ferrari no último domingo, voltou a ser notícia ao afirmar que “uma ou duas” das atuais equipes não estarão no grid em 2011 ou até mesmo no fim de 2010.

Segundo Ecclestone, “dez equipes é tudo o que desejávamos”. Há de se concordar com o velho cartola no que diz respeito à competitividade das três equipes que estrearam nesse ano. De muito pouco valeu, até aqui, a participação de Lotus, Virgin e Hispania senão para abrir passagem para os carros de ponta. O que não quer dizer que um grid com magros 20 carros seja o desejável para uma categoria como a F-1.

Rádio OnBoard - Edição de Hockenheim-10



FELIPE MACIEL



Está no ar a 89ª edição da Rádio OnBoard!

Na companhia dos amigos Ron Groo e Fábio Campos, pusemos em discussão a mais recente polêmica da Fórmula 1, com o jogo de equipe que deu a vitória a Fernando Alonso no GP da Alemanha. Depois de tanto escrevermos sobre o assunto, agora as análises são faladas. Clica aí...


Clique para ouvirClique para baixar



Logo no próximo fim de semana será a vez do GP da Hungria, portanto irá ao ar mais um programa ao vivo na véspera, mais precisamente às 20h de sábado, em nosso link de praxe. Depois da corrida voltaremos em nova edição gravada comentando os acontecimentos da etapa de Hungaroring. Até lá.

Titônio fala por Felipe Massa



FELIPE MACIEL


Já que ninguém na Ferrari tem a permissão da equipe para falar o mínimo de verdade, só mesmo alguém sem contrato com ela mas com conhecimento suficiente a respeito das relações com Maranello para comentar honestamente o caso. Veja essa história do ponto de vista do pai de Felipe, Titônio Massa:

terça-feira, 27 de julho de 2010

Especulando as possibilidades de punição para a Ferrari



FELIPE MACIEL



Iniciemos este post com o super-carcamano da Fórmula 1, aquele que possui pós-doutorado no assunto enquanto o Domenicali ainda está estudando para o vestibular. Flavio Briatore achou lindo ver a Ferrari favorecendo Alonso. Disse que faz todo sentido o time apostar em quem tem mais pontos no campeonato, afirmou que a regra que proíbe o jogo de equipe é absurda e se posicionou totalmente favorável ao jogo. Até aí não disse nada que não esperássemos. A frase forte ficou por conta de seu otimismo quanto ao posicionamento do Conselho.
O presidente do Conselho Mundial é Jean Todt, que comandava a Ferrari quando na Áustria, em 2002, ele ordenou que Barrichello deixasse Schumacher passar na bandeira quadriculada. Então acho que todos podemos relaxar.

Flavio Briatore



Ok, muita gente já deve ter pensado o mesmo. Mas vamos nos lembrar do Spygate que dominou a temporada de 2007, quando o então presidente da FIA Max Mosley fez campanha para eliminar a McLaren da F-1, pelo menos até o final do ano seguinte, 2008. Por um instante, o mundo acreditou que fosse possível, assim que a Autosport publicou a notícia de que tradicional escuderia havia sido banida do esporte, informação esta que rapidamente se espalhou por diversos órgãos de imprensa, deixando todos de queixos caídos. Hoje podemos rir desta big-barrigada da mídia, que foi retirada do ar poucos segundos depois da equivocada publicação.



Voltando à questão principal, o fato é que o presidente da FIA, apesar de toda sua rivalidade contra Ron Dennis e desejo de se livrar de sua figura, não foi capaz de provocar a exclusão da equipe. Isso porque não cabe ao presidente da FIA definir o resultado de julgamento no Conselho. Cabe ao Conselho, ora.

Mais do que isso, a participação do Bernie Ecclestone também sempre deve ser levada em conta. E o chefão da F-1, naquele episódio, se colocava contrário à opinião de Mosley, zelando por uma sanção amena à Woking. O final da história todos conhecem: o time foi desclassificados do Mundial de Construtores.

Quanto ao caso da Ferrari em Hockenheim, a situação parece muito mais tranquila para a equipe se considerarmos o que se passa na cabeça dos presidentes da FIA e da FOM. Jean Todt dispensa comentários, seu sucessor na Ferrari se mostrou um verdadeiro discípulo do francês. Já a opinião do Bernie Ecclestone é esta:
Confesso que concordo com qualquer pessoa que defender o banimento das regras de ordens de time. Fazemos as pessoas chamarem isso de equipe. Ambos os carros devem ser os mesmos. Os pilotos vestem as mesmas roupas. Todos parecem um time, uma equipe que está correndo.

Acredito no que os dirigentes fazem quando estão na equipe e o modo com que conduzem seus times é problema deles. É claro que, se fizerem algo perigoso, então estarão com problemas. Do contrário, eles que se entendam.

Bernie Ecclestone



Em outras palavras, para ele ninguém tem que meter o bedelho na equipe dos outros. O que nos leva a um quadro interessante, onde os dirigentes dos órgãos comercial e regulamentador mantêm um raciocínio em comum.

Seguindo certa lógica (ainda que questionável), a punição à Ferrari deve ser menos rigorosa que aquela aplicada à McLaren - o que já era esperado independente da opinião deles. Por isso duvido que cassem os pontos do campeonato. Talvez apliquem uma multa maior que a esmola de 100 mil dólares determinada pelos comissários. No pior das hipóteses (ou "melhor", depende do seu ponto de vista), ocorreria a desclassificação dos dois carros do GP.

Uma opção a se pensar seria apontar uma punição esportiva qualquer mas ressalvar que ela só será sobrada caso a escuderia volte a cometer um ato semelhante num intervalo de tempo de 1 ano - medida análoga àquela adotada pelo Conselho Mundial no episódio da mentira da McLaren em 2009.

Ou então nem precisa fazer audiência alguma. Chama os italianos para se reunirem naquela mesa gigante e bonita do Conselho, liga para a pizzaria, faz o pedido, bate um papo durante umas cinco horas e depois manda avisar aos jornalistas que ninguém foi punido.