sexta-feira, 5 de março de 2010

Ferrari Favorita?



FÁBIO ANDRADE



Depois dos resultados consistentes durante os testes na pré-temporada, recai sobre a Ferrari (e também sobre a Red Bull, notadamente) o título de favorita para o GP do Bahrein segundo uma boa parte dos jornalistas da área.

E no autódromo do Sakhir, Felipe Massa tem certa dose de favoritismo, em razão dos bons desempenhos apresentados em 2007 e 2008, quando venceu com propriedade no circuito do oriente médio. O GP do Bahrein está para Felipe Massa quase como o GP da Turquia, onde o brasileiro é soberano, com 3 vitórias consecutivas (2006, 2007 e 2008).

Mas nem sempre Felipe Massa foi uma obviedade na pista barenita:

 

O episódio é hoje pouco lembrado, ofuscado pelas boas apresentações de Massa nos anos seguintes. Mas não só o infortúnio do brasileiro como o próprio GP do Bahrein de 2006 ilustram com perfeição que apenas favoritismo não vence corrida e que bons rendimentos na pré-temporada podem não garantem um início de campeonato tranquilo.

 

Depois de um 2005 de resultados pífios, a Ferrari começava 2006 pressionada. Operando uma rara mudança na dupla de pilotos, Rubens Barrichello deu lugar a Felipe Massa. A temporada de testes ferraristas no inverno de 2006 causou boa impressão, reforçada pela sessão classificatória da dupla da Ferrari, que fez 1-2, com Schumacher a liderar. Aparentemente, era o prenúncio de um feliz 2006 para o time de Maranello.

A impressão seria reforçada nas primeiras voltas. Massa foi ultrapassado por Alonso, mas permaneceu na cola do espanhol. A frente, Schumacher imprimia um ritmo forte, abrindo vantagem com certa facilidade.

O até então feliz GP do Bahrein para o time italiano começou a ruir na 8ª volta. Em sua primeira corrida pela Ferrari, Felipe Massa rodou sozinho no final da reta principal e quase atingiu Alonso. Em seguida foi aos boxes e teve a corrida comprometida por erros de equipe que lhe custaram mais de 40 segundos parado.

No terço final da prova o desempenho impressionante de Schumacher começou a se esgotar a medida que os pneus se desgastavam. Com a perda de rendimento e a aproximação de Alonso, o alemão partiu para seu 2ª visita aos boxes. Usando a tática consagrada pelo heptacampeão, Alonso imprimiu voltas voadoras até fazer seu pit stop e, por uma questão de décimos de segundo, ultrapassou Schumacher na estratégia de parada, não abandonando a 1ª posição até o fim da corrida.

Lembrete de que desempenho sólido nos testes de inverno estão longe de ser garantia de vitória na primeira corrida do ano.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Hispania Racing Team



FÁBIO ANDRADE



Evento espartano, poucas imagens até agora, e muito do que eu pensava sobre a Hispania (é, o nome não soa bem de jeito nenhum) já dito no post de ontem.

Resta então deixar por aqui as poucas fotos aproveitáveis do lançamento do carro com a qual a novata HRT (é, a sigla me parece melhor) vai disputar a temporada 2010 e torcer para que Bruno Senna e Karun Chandhok não sejam fritados vivos por estarem na equipe errada na hora errada.







Pintura em tons de cinza e preto, praticamente sem patrocínio

quarta-feira, 3 de março de 2010

A Volta da Tradição do Fim do Grid



FÁBIO ANDRADE



Há exatamente uma semana, durante o post sobre algumas das equipes pequenas mais marcantes da F-1, lembrei do tempo em que as equipes pequenas “honravam seu nome e se contentavam em chegar 5 voltas atrás do vencedor.”

Pois é, a Fórmula-1 parece estar prestes a relembrar esse período.

Hoje o espanhol José Ramon Carabante anunciou que sua equipe lançará seu modelo para a temporada 2010 nesta quinta, dia 4. Enquanto quase todos os outros times já revelaram seus carros há pelo menos um mês, a Campos irá apresentar seu bólido apenas 10 dias antes da data da primeira prova do ano.

Opa, Campos não. Hispania! Sim, é esse o novo nome da equipe de Bruno Senna e do indiano Karun Chandhok.

Mas a pergunta obrigatória depois da constatação de que a Hispania lançará seu carro  com chassi Dallara e motor Cosworth a cerca de uma semana da abertura do mundial é: o que uma equipe concebida às pressas e nascida de um parto prematuro às avessas poderá fazer numa categoria de alto nível como a Fórmula-1?

“Muito pouco” é a mais provável resposta. E está bem assim.

O mundial desse ano já tem protagonistas demais, expectativas demais, holofotes demais e estrelas demais. A temporada 2010 já tem Massa, Vettel, Hamilton, Button, Alonso e Schumacher. Já se esperam as brigas internas dentro dos times grandes que prometem batalhas épicas de egos inflados. Já se promete um sensacional equilíbrio como há anos não se via, tendo em vista os resultados dos testes. Será uma super-temporada, super-emocionante, super, super, super.

O mundial, enfim, antes de começar, já ostenta superlativos em excesso.

Nesse contexto Lotus, Virgin e Hispania são o anti-clímax necessário a uma temporada que é vendida como sucesso antes mesmo de começar. As equipes pequenas certamente voltarão a honrar sua designação, levando 4 ou 5 segundos por volta e cruzando a meta muitas voltas atrás dos líderes porque milagres não existem na F-1, e carros projetados às pressas são incapazes de competir a sério numa categoria top. A esclerose das pequenas é um reflexo involuntário da gestão Max Mosley, mas essa filha bastarda do velhinho sadomasô será encarada por esse  que vos bloga como algo não tão ruim.



Afinal, as pequenas e seus resultados vexatórios também fazem parte da enciclopédia de histórias da F-1, apesar de protestos raivosos como o da Ferrari na semana passada.

Talvez as pequenas da atualidade não tenham o mesmo carisma das de outros tempos, lembrará alguém, e isso é certo. Como também é certo que simpatia, as vezes, é um atributo que se conquista com o tempo.

Rádio OnBoard - Edição de Pré-Temporada



FELIPE MACIEL


Está no ar a edição número 69 da Rádio OnBoard!

Desta vez o time estava completo: falei ao lado de Ron Groo e Fábio Campos para fazermos um balanço do que se viu e o que se espera de cada equipe para o Mundial 2010, que já faz contagem regressiva para dar a partida.

No final, ainda surgiu mais uma discussão sobre o que devemos esperar de Michael Schumacher, retornando à categoria após 3 anos de hiato.


Clique para ouvirClique para baixar



A Rádio OnBoard reafirma o convite feito aos fãs para conhecer e participar do interessantíssimo jogo F1 Champion! A largada acaba de ser dada nesta competição online, mas ainda há tempo para você se inscrever no site e concorrer aos excelentes prêmios em disputa, a começar pelo maior deles, o netbook da Acer com tecnologia de última geração.

Esquenta o clima de abertura da temporada, semana que vem a Rádio OnBoard volta às atividades para gravar o programa Pré-Bahrein. Até lá!

terça-feira, 2 de março de 2010

Webber, Barrichello, o que pensar e o que dizer



FELIPE MACIEL


Espero que a torcida do Barrichello não me leve a mal, mas o comentário sincero e racional de Mark Webber me fez lembrar de muitas declarações espalhafatosas do brasileiro:

Não esperem que eu diga que vou ganhar o título neste ano, isto seria suicídio.



Mark Webber



Tá aí... O Rubens quase comete um suicídio a cada vez que anuncia título na F-1. Em todo início de campeonato sai um discurso do tipo. Que interessante seria se ao menos uma vez - uma vezinha só - ele falasse com a mesma propriedade que o australiano.

No ano passado foi até compreensível, afinal ele tinha carro, logo possuía alvará para dizer o que bem entendesse. Mas dizer o mesmo ao lado de Schumacher na Ferrari, ou na equipe Honda ou agora na Williams é reflexo do "acredite em si mesmo", "pense positivo" e todos os clichês que qualquer livro de auto-ajuda é capaz de trazer.

Logicamente Webber dará o seu máximo a cada curva, porém sem perder o senso de realidade nem traçar planos que serão frustrados pelos resultados futuros: Ele não vai bater Schumacher, Alonso, Vettel, Massa, Hamilton... todos numa só temporada. Não vai.



Pessoalmente, aprecio esta capacidade de separar a fantasia da realidade e ter consciência de suas próprias limitações. Isto não é fraqueza, é força; isto não é defeito, é virtude; não atrofia o desempenho, evolui o homem. Vide o exemplo do Massa, que deixou de se comportar como um sabonete na chuva para respeitar seu próprio limite. Hoje já ostenta algumas vitórias no molhado.

Temos de respeitar o piloto Rubens e sua incontestável capacidade técnica. Mas quando troca a ferramenta carro pelo instrumento microfone, eu - assim como muitos outros - me incomodo com seu estranho jeito de se expressar. A nova onda agora é dizer que a Williams é equipe de brasileiros. Um comentário no mínimo curioso de quem tradicionalmente sofre com problemas de freios na garganta.

Ok, é o estilo dele, dirão alguns. Tal estilo carregado do "agora vai" e "sou guerreiro" poderia ser logo acompanhado de grito de guerra. Num outro esporte, talvez. Para a Fórmula 1, o ímpeto de Barrichello com as palavras é meio esquisitão e, por isso, polêmico.



Que fique claro: Mark não disse o que disse por pessimismo referente ao RB6, pelo contrário, o australiano elogiou o ritmo do carro. Mais do que isso, ele traçou sua meta para o campeonato: somar ao menos uma vitória no currículo. Com direito a exibição inusitada:
Em minha primeira vitória de 2010, farei alguma coisa para os fãs. Não será tão brilhante quanto ao estilo de Rossi, mas será o suficiente para agradecer ao público.

Prometeu Webber



Outra ótima tacada dada diante do Gazzetta dello Sport merecem citação:
É o tipo de roteiro de Mickey Mouse ou Tom & Jerry. Faria mais sentido se Valentino Rossi alinhasse com sua moto no grid.

Webber sobre entrada das problemáticas equipes pequenas



O australiano estava inspirado nessa entrevista...

Um Outro Encontro de Campeões



FÁBIO ANDRADE



O post é rápido, tão sintético que é quase digno de estar no Twitter.

A organização do GP do Bahrein solicitou a presença de todos os campeões da história da Fórmula-1 no autódromo barenita do Sakhir, dia 14, ocasião em que começará a temporada 2010, a que comemora os 60 anos de vida da categoria.

Dos 18 campeões vivos, apenas 2 não deverão estar presentes na comemoração: o brasileiro tricampeão Nelson Piquet (campeão em 1981/83/87) e o finlandês Kimi Raikkonen (campeão em 2007).

Lendo sobre a comemoração, me lembrei desse post do Capelli, que conta a história de uma outra reunião histórica de campeões, em Adelaide, no GP da Austrália de 1990.

Era a corrida de número 500 da história da F-1 e a organizção também bolou um encontro entre feras, algumas delas essenciais para a solidificação e permanência da ideia da F-1 como categoria máxima na mente de milhões de pessoas.



Sobre o que será que os gênios conversam quando se encontram?

McMala



FELIPE MACIEL


Má que mala, rapá!



Isso não é prática de espionagem, é uma brincadeira de mau gosto. Impossível não associar com o histórico que existe por trás.

Os espanhóis vaiam enquanto os mecânicos da Ferrari tentam tapar com a peneira. Mas que alguém ali sentiu a vontade de descer o braço no lourinho, sentiu.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A volta de quem não veio: adeus, US F1!



FELIPE MACIEL


Como escuderia de Fórmula 1, a US F1 revelou-se uma grande produtora de vídeos para o YouTube. E não passou disso. Ken Anderson e Peter Windsor barraram a tentativa de fusão com a Campos e com a Stefan. Como última alternativa, apostaram as fichas na bondade da FIA, dispondo-se a depositar alguns milhões como forma de comprometimento com a categoria a partir de 2011. Sei...

Santa inocência. Pelo visto, eles não conhecem a novela da Prodrive. Há um ano, a US tinha as garantias de Bernie Ecclestone de que a equipe marcaria presença em 2010, e até agora não construiu absolutamente nada, para o desespero de [com a autorização do Galvão] Papa Lopez: "Uma grande desilusão para nós graças a quem nos vendeu um carro que não existia!", reclamou com razão.



Virgin e Lotus se resolveram em 5 meses, quantos anos serão necessários para a US F1? Por que a FIA daria, no total, dois anos aos ianques? O único fator que conta a favor é a conquista do cobiçado mercado americano. Porém, dar crédito a quem não merece e correr o risco de cometer o mesmo erro duas vezes não parece uma opção agradável. Sobretudo se a Stefan abocanhar a vaga juntamente com a Campos, preenchendo todas as 26 vagas disponíveis no grid.

Por isso imagino que a US fique no US, e a F1 siga sendo a F1 sem americano algum. O conto de fadas acabou, como diria o Zoran.