FÁBIO ANDRADE
Era chegada, finalmente, a hora de vencer. E depois de tantas vezes bater na trave, não se pode negar a justiça da vitória de Sebastian Vettel hoje no GP da Malásia. O alemão da Red Bull fez uma corrida tão irretocável que só apareceu na transmisão televisiva na largada e na chegada. Superou seu companheiro de equipe na partida e daí em diante desapareceu, tanto porque imprimiu um forte ritmo de corrida, como porque sumiu das telas da tv durante o restante das 56 voltas da corrida.

Vettel ficou na penumbra porque a tv tinha com o que se ocupar. Largando do fundo do grid, Jenson Button, Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa movimentaram a corrida. A chuva, tão aguardada, parece ter sofrido um ataque de estrelismo, e não apareceu no dia de gala. Restou então a essas estrelas que vivem abaixo do firmamento chamadas pilotos garantirem o ingresso do público malaio e a manhã de vigília dos brasileiros.
O necessário Hamilton
O fim do reabastecimento ainda é assunto porque ainda se observam todas as mudanças no comportamento dos pilotos. Não há mais a expectativa de ultrapassagens nos boxes (se há ela foi em muito reduzida) e os pilotos precisam se resolver por seus próprios meios. E aí acabam problemas de arrasto, turbulência, super freios e carros desequilibrados. Quando se precisa ganhar uma posição, até mesmo um tilkódromo pode se converter numa pista de verdade.
Lewis Hamilton é um dos mais notáveis pilotos do atual grid quando o assunto é ultrapassagem. Vão falar, e muito, da manobra do britânico pra defender-se do russo Vitaly Petrov, afinal, uma defesa de posição tão "malandra" era algo que não se via há muito tempo. Mas, afinal, por que aquelas pessoas se sentam num carro de corrida a cada 15 dias, a não ser com o objetivo de ir ao limite a cada segundo? O destemor, como bem foi observado no GP da Austrália, é, certamente, a maior qualidade e o pior defeito de Hamilton, e é também aquilo que faz o campeão de 2008 ser amado por uns e odiado por outros tantos. Hamilton é, portanto, um piloto mais do que desejável nessa F-1 sem reabastecimento, ele é necessário, porque com pneus frios e tanque cheio, no início da corrida, não mediu esforços para ganhar quantas posições pudesse. Ainda falta um grande resultado ao britânico em 2010, é verdade, mas tal como o tempo fez justiça a Vettel, certamente a hora de Hamilton vai chegar.

Enquanto Hamilton era o grande personagem das primeiras voltas, Massa, Alonso e Button ficaram para trás. Não chegaram a ser geniais na largada porque estavam em entre carros 2 segundos mais lentos. Ganhar 7 posições de rivais tão modestos não é algo digno de ser chamado de desafio. Mas no passar das voltas todos demonstraram grande competência ao extrair o máximo de seus equipamentos, sobretudo Alonso, com problemas de câmbio que eram audíveis perante as câmeras onboard. É questionável a tática de Button de trocar os pneus duros por macios logo na 6ª volta e talvez o atual campeão tenha sido o mais fraco do quarteto Ferrari-McLaren, mas, se serve de consolo, houve gente com menos sorte.
Antes confiabilíssimos, o equipamento com a grife Ferrari já não exibe a mesma durabilidade há tempo. E se Schumacher era o rei da sorte no time de Maranello, como se fosse imune a quebras, o começo de carreira de Fernando Alonso na equipe italiana encontrou em Sepang seu ponto baixo. A quebra foi particularmente cruel para o asturiano como só as quebras no finzinho de corridas podem ser, e porque entregou a Felipe Massa a liderança do campeonato.

Massa teve seu grande momento ao ultrapassar Button, apesar de continuar reclamando de falta de aderência na F10. Lá na frente, apesar de apagados na transmissão da tv, Nico Rosberg, Robert Kubica a Adrian Sutil tiveram conduções competentes, demonstrando, mais uma vez, que a geração que chega tem qualidade de sobra.
E qualidade é artigo do qual a Red Bull está bem servida. Dominante na corrida, a equipe finalmente enfrentou um fim de semana sem quebras. Era o que bastava para pintar a vitória, tão apoteótica como só as dobradinhas podem ser. E se o objetivo da nova distribuição de pontos era privilegiar a vitória, Vettel mostra que a mudança cumpriu o prometido. O alemão pulou da 7ª para a 3ª posição do campeonato mundial. A volta do poder de reação, castrada pela pontuação vigente entre 2003 e 2009, é a melhor novidade do GP da Malásia.
Grande Prêmio da Malásia, após 56 voltas:
1°. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull-Renault), 1h33min48s412
2°. Mark Webber (AUS/Red Bull-Renault), a 4s8
3°. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 13s5
4°. Robert Kubica (POL/Renault), a 18s5
5°. Adrian Sutil (ALE/Force India-Mercedes), a 21s0
6°. Lewis Hamilton (ING/McLaren-Mercedes), a 23s4
7°. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 27s0
8°. Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes), a 37s9
9°. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso-Ferrari), a 1min10s6
10°. Nico Hulkenberg (ALE/Williams-Cosworth), a 1min13s3
11°. Sebastian Buemi (SUI/Toro Rosso-Ferrari), a 1min18s9
12°. Rubens Barrichello (BRA/Williams-Cosworth), a 1 volta
13°. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 2 voltas
14°. Lucas Di Grassi (BRA/Virgin-Cosworth), a 3 voltas
15°. Karun Chandhok (IND/Hispania-Cosworth), a 3 voltas
16°. Bruno Senna (BRA/Hispania-Cosworth), a 4 voltas
17°. Jarno Trulli (ITA/Lotus-Cosworth), a 5 voltas

















